RESENHA: Órfã #8

domingo, 18 de junho de 2017
Título: Órfã #8
Autor (a): Kim Van Alkemade
Editora: Selo Fábrica 231
Número de páginas: 309
Sinopse: Em 1919, Rachel Rabinowitz e seu irmão são levados para um orfanato em Nova York, após perderem a mãe e serem abandonados pelo pai, fugitivo da polícia. Separada do irmão e mantida em quarentena após contrair uma doença, Rachel logo se torna cobaia da Dra. Mildred Solomon, que conduz uma série de pesquisas sobre tratamentos com raio X em crianças órfãs, e é submetida a experimentos de eficácia duvidosa e efeitos colaterais desconhecidos. Mais de três décadas depois, os caminhos de Rachel e da Dra. Solomon se cruzam novamente, desta vez no Lar Hebraico para Idosos, onde Mildred, agora uma senhora debilitada, está internada sob os cuidados da enfermeira lésbica Rachel. Inspirada pela história do avô, que cresceu num orfanato judaico em Manhattan, e em pesquisas realizadas nos arquivos do Museu Judaico, a autora construiu um romance histórico repleto de drama, tensão e questionamentos éticos.

Neste impressionante novo romance histórico inspirado em eventos verdadeiros, Kim van Alkemade conta a história fascinante de uma mulher que deve escolher entre vingança e piedade quando encontra o médico que a submeteu a experiências médicas perigosas em um orfanato judeu da cidade de Nova York, anos antes.

Em 1919, Rachel Rabinowitz é uma garotinha de quatro anos de idade, morando com sua família em um prédio lotado no Lower Eastside da cidade de Nova York. Quando a tragédia atinge, Rachel é separada de seu irmão Sam e enviada para um orfanato judeu onde o Dr. Mildred Solomon está conduzindo pesquisas médicas. Então ela é submetida a tratamentos de raios-X que a deixaram desfigurada, Rachel sofre anos de assédio cruel contra os outros órfãos. Mas quando ela faz quinze anos, ela foge para o Colorado esperando encontrar o irmão que ela perdeu e descobre uma família que nunca soube que ela tinha.

Embora Rachel acredite que ela fechou suas dolorosas memórias de infância, anos mais tarde, ela é confrontada com seu passado sombrio quando ela se torna uma enfermeira no Old Heights Home de Manhattan e seu paciente não é outro senão o Dr. Solomon idoso e cancerígeno. Rachel fica obcecada por fazer o Dr. Salomão reconhecer e pagar por sua culpa. Mas cada hora passada que Rachel gasta com o velho médico revela a Rachel as complexidades de sua própria natureza. Ela percebe que o destino de uma pessoa - ser alguém que inflige dano ou alguém que cura - nem sempre é colocado em pedra.

Por se tratar de um livro baseado em fatos reais, é uma leitura bastante perturbadora, sabermos que as pessoas passaram realmente por aquilo tudo e nada podiam fazer. Um livro que traz verdades sem rodeios e que nos faz refletir sobre inúmeras coisas.

Exuberante em detalhes históricos, rico em atmosfera e baseada em eventos verdadeiros, o Orfã # 8 é uma trama poderosa e afetuosa das escolhas inesperadas que somos compelidas para que possam moldar nossos destinos.





RESENHA: Trainspotting

 Título: Trainspotting
Autor: Irvine Welsh
Editora: Rocco
Número de páginas: 287
Sinopse: Trainspotting, livro transformado em cult pelas mãos do cineasta Danny Boyle, consagrou Irvine Welsh como uma das vozes mais representativas de sua geração. Trainspotting, na gíria escocesa, é uma atividade sem sentido, algo que é uma total perda de tempo. Essa expressão resume as vidas de Rents, Sick Boy, Madre Superiora, Cisne e Seeker, jovens moradores de Edimburgo que passam a maior parte de seu tempo se embebedando em pubs, assistindo a jogos de futebol pela televisão e, principalmente, se drogando. A heroína é a droga preferida, um barato que dura tempo suficiente para aplacar a banalidade da existência. Pelo menos até o próximo pico. Explicitando toda a dor e a banalidade de ser jovem em um mundo de portas fechadas, onde a maior oportunidade que se pode esperar é conseguir um emprego reles em uma grande empresa, ter filhos e desfrutar de uma velhice obesa, Irvine Welsh narra, com ironia e sem meias palavras, o cotidiano de jovens que renunciaram a tudo isso, que preferem se perder em um mundo de contravenções, vagar pelas ruas sem rumo, a ceder a uma vida adulta que não faz o mínimo sentido.

É muito difícil falar de Trainspotting, pois ele é um livro complexo, que mesmo sem a intenção de fazer crítica alguma, acaba fazendo. Sarcástico, cruel, verdadeiro, realmente uma leitura para poucos, Trainspotting vai te fazer sentir um milhão de coisas, e talvez até náuseas.



Esse livro retrata a juventude agitada de RentonSpudSick BoyThommyBegbie e mais alguns outros. O cenário é a Escócia dos anos 90, mais especificamente a cidade de Leith, subúrbio de Edimburgo. Esses quatro jovens cresceram nas mesmas ruas, estudaram nas mesmas escolas públicas onde ninguém se formou. Desde pequenos eles já compartilham o mesmo sentimento de vazio, são jovens que buscam não o carro do ano, o emprego dos sonhos, nada disso, a vida deles se resume em coisas muito menos materiais e superficiais. Sabem exatamente quem são, e sabem também não poderão mudar o mundo, já que o mesmo não abre portas a quem não tem em mãos um diploma. 

Em meio ao caos e tudo aquilo que o mundo pode oferecer, esses quatro jovens levam suas vidas curando de ressacas durante o dia, planejando pequenos crimes, e acabam descobrindo algo super prazeroso, a Heroína. A droga mais utilizada por todos é o que os fazem se movimentar, e estão sempre a procura de um Pico maior, como chamam a pira que a heroína os causa, numa maneira de se desligar de tudo e ter seus momentos de prazer.


“Nunca fui preso por causa heroína. No entanto, uma porrada de caras fizeram suas tentativas de me reabilitar. Reabilitação é besteira. às vezes eu acho que preferiria ir pra trás das grades. Reabilitação significa a negação do eu.”


O livro nos retrata de forma tão real a vida que esses jovens levam que acaba nos fazendo sentir um turbilhão de coisas, na maneira dura, fria e crua na qual Irvine escreve, relatando cada passo que eles dão, nos fazendo enxergar o que eles próprios vêem e o que vivem.
Uma leitura que chega a vários momentos, nos incomodar, por ser tão real e verdadeira relatando a vida dura e sofrida de pessoas que perderam totalmente seus valores e não se encaixam em nada nos padrões sociais que são impostos, seres fora do meio e totalmente ignorados, invisíveis e insignificantes.  

“A sociedade inventa uma intrincada lógica falsa pra absorver e mudar as pessoas que têm um comportamento fora do normal.”

Um livro necessário, brutal, instigante, nauseante e com citações incríveis, Trainspotting é mais do que recomendado, mas claro, com algumas ressalvas. Se você não tiver estômago forte e nervos de aço, não tente.
O livro também ganhou sua adaptação para o cinema e já está disponível para ser assistido caso alguém tenha interesse.
Trainspotting eu amei te ler.

“Tento sentir alguma coisa. Qualquer coisa. O que estou realmente procurando é o demônio, o escroto filho de uma puta, o louco que vive dentro de mim e desliga meu cérebro, que empurra a mão até o baseado, o baseado até os lábios e traga e traga como um aspirador de pó.”







RESENHA: A busca sofrida de Martha perdida

Título: A busca sofrida de Martha Perdida
Autor: Caroline Wallace
Editora:  Fábrica 231
Número de páginas: 304
Sinopse: Liverpool, 1976. Martha tem 16 anos e mora numa estação de trem desde que se entende por gente. Mais especificamente, desde que foi encontrada, ainda bebê, em uma mala na estação Lime Street, ficando sob os “cuidados” da dona da loja de achados e perdidos do local. Proibida de deixar a estação, sob a ameaça de uma maldição, Martha espera diariamente que alguém venha buscá-la. Enquanto isso, passa seus dias atendendo os passageiros que circulam por ali, conhece todos os segredos da estação e acaba se envolvendo em alguns mistérios, entre eles o aparecimento de uma mala que talvez tenha pertencido aos Beatles e que coloca a cidade em polvorosa. Mas o maior mistério começa quando ela passa a receber livros com cartas de um desconhecido que parece saber tudo sobre a sua vida. Martha precisará correr contra o tempo se quiser encontrar repostas e não se perder novamente.

Nossa protagonista, como o título já sugere, é Martha, e sim, seu sobrenome é de fato Perdida.
Martha é o pássaro Liver da estação Lime Street em Liverpool e ela tem dezesseis anos de idade.
A mesma fora abandonada na estação e foi resgatada pela Mãe, como vamos assim chamar. Uma mulher totalmente religiosa, eu diria até que fanática, além de ser extremamente mau humorada e tratar a pobre Martha de maneira que da raiva no leitor, abusando de sua boa vontade e de seu coração puro.


Martha nunca conseguiu conhecer sua cidade, pois não poderia sair da estação. Segundo as histórias que sua mãe contava, tudo era ligado ao demônio e algo terrível aconteceria se Martha deixasse aquele local. Porém na história também temos Elizabeth que é a amiga de Martha e a mulher mais bonita que ela já viu na vida. Totalmente o oposto de sua mãe, é ela quem cuida mais e da o carinho necessário para a menina.

Assim como nós (rs) a nossa protagonista também adora ler e tem um apreço imenso pelos seus livros, e ainda mais por aqueles que foram abandonados. Confesso que isso eu e ela temos em comum, já que amo meus livros demaaaaaais haha.

As coisas começam a ficar mais interessantes quando Martha recebe uma carta sem assinatura de remetente, e nessa carta a pessoa diz que sabe a origem de seu Era uma vez e de toda a sua origem.
Aos poucos vamos descobrindo coisas e desvendando esse mistério a cada página e se deixando levar pela pureza e inocência da protagonista.



Martha é uma pessoa incrível e ao longo da leitura é como se ela existisse e fosse realmente uma amiga que já conhecia a longa data. Totalmente sábia e cativante, ela vai nos fisgando aos poucos, e quando percebemos já estamos mais envolvidos na história do que pudemos imaginar.
Um livro que apesar de fantasioso, nos passa uma mensagem super incrível, te leva fácil no enredo da trama e faz nosso olho brilhar.
Amei ler e super recomendo <3






RESENHA! Quando tudo faz sentido

domingo, 4 de junho de 2017
Título: Quando tudo faz sentido
Autora: Amy Zhang
Editora: Rocco
Nº de páginas: 320
Sinopse: "Liz Emmerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera."




Preciso contar que amo livros que envolvem situações relacionadas ao nosso psicológico? Não, isso não é novidade e provavelmente não vai parar tão cedo. Obrigada Editora Rocco por manter o meu estoque de livros desse gênero sempre tão cheio!

 Uma das coisas mais bacanas sobre livro, é a respeito de quem o narra, não é Liz, não é Liam, não são as amigas, você precisa ler até o final, juntar os pedacinhos para assim entender quem é o narrador, e quando descobrir de quem se trata, vai absorver isso com um carinho enorme e simplesmente abraçar o livro, é o minimo que você deve fazer após essa leitura, foi o minimo que fiz ao terminar essa história repleta de teorias de física, amor, saudade e ausências.

 Liz acabou de bater seu carro, isso não é spoiler, você descobre logo no início e o que você julga ser um acidente na verdade não foi, cada detalhe desse dia foi planejado para parecer um acidente, porque na verdade, isso foi uma tentativa de suicídio. Liz está saturada da sua vida, das banalidades, sua mãe sempre ausente que não tem tempo nem de atender o telefone, não aguenta a saudade do seu pai que morreu de certa forma por "culpa" dela, tudo é muito intenso para Liz, mesmo que a maioria das pessoas a julguem uma garota popular e maldosa as vezes. É muito fácil não gostar dela, Liz é uma garota maldosa, muitas vezes banal e até mesmo vazia, mas ninguém imagina o que se passa em sua cabeça, quais os seus problemas e porque ela desistiu da vida. 
 Acho que foi isso que chamou a minha atenção no livro, jovens normais, agindo como jovens e que na verdade são tão frágeis que ninguém notou o pedido de socorro, muitas vezes sutis. Mas existe alguém que notou isso tudo, Liam, ele estava lá quando Liz, bateu seu carro, ele foi a primeira pessoa a ligar para a polícia, ele esteve ao lado dela o tempo todo, antes e depois, ele a amou em silêncio. Liam é um observador doce, sentimental e que dá vida ao romance, enquanto Liz permanece desacordada e o livro faz uma retrospectiva sobre seus dias antes do acidente, como ela planeou isso tudo(ela não precisaria se preocupar com o dever de física), mas o que te prende realmente são as perguntas, quem narra? Ela vai sobreviver?
 Em muitos momentos me vi sentada em uma cadeira de hospital, ansiosa por Liz, abraçando Liam, gritando com os amigos falsos dela, é quase impossível assistir tudo isso calada.
 O fato é que temos a história toda muito clara, Liz planejou seu suicídio para parecer um acidente, Liam ama ela em silêncio mas agora não pode mais esconder isso, a mãe de Liz é ausente, só pensa em trabalho, seu pai morreu, seus amigos são banais, qual o sentido da vida? Pra que continuar vivendo se nem as aulas de física ela entende? Essa é a estrada que você vai seguir, e eu te garanto, leve lenços junto com você, vai precisar.

Estava cansada. A gravidade a puxava com mais agressividade do que de costume. Quando fechava os olhos, ela a sentia, arrastando-a cada vez mais fundo. Eu a teria puxado de volta. Eu a teria salvado da queda, mas ela não viu minha mão.








- eu estou em pedaços -

segunda-feira, 22 de maio de 2017


Todos os dias é como se fosse um martírio, me desperto, acordo, me obrigo a fazer várias coisas, e a primeira dela é sair da cama. Não que haja motivação, muito pelo contrário, a motivação é o que de fato procuro sem êxito num vazio existencial.
É como se tudo aquilo que anseio, deixasse de existir.
A luz está cada vez mais longe, o túnel parece sem fim, as vibrações parecem estar perdendo intensidade e o peito aperta cada vez mais, porém o ar continua entrando e saindo, me lembrando: Você está vivo.
Mas o que significa estar vivo quando a gente nem sabe ao menos existir?
Quando nos sentimos um peso morto na gravidade terrestre apenas ocupando espaço?
É difícil lidar com essa situação, sabendo o que se passa, e mesmo assim se sentindo totalmente paralisado, olhando tudo ao seu redor acontecer, a vida dos outros passar, enquanto a sua continua vazia, fria, sem graça, regada de momentos em que você finge ser e sentir aquilo que não é, para não transparecer aquilo que seu interior está gritando o mais alto que consegue, a ponto de não haver garganta no mundo que suportasse esse extremo.
Porém, sigo em frente.
Como vidro quebrado, junto meus pedaços, colo com o que achar de melhor, nem sempre da certo, mas a gente já finge tanto que tanta coisa deu, por quê não fazer mais uma vez?


Houve uma época, muito tempo antes, em que o único momento tranquilo de sua existência era o instante entre abrir os olhos de manhã e despertar completamente, uma questão de segundos até que, finalmente acordada, adentrava o pesadelo do dia.





RESENHA DUPLA!

terça-feira, 9 de maio de 2017
 Quando o blog foi anunciado como um dos parceiros da Editora Belas letras eu surtei de alegria! Acompanho o trabalho do grupo editorial tem um bom tempo e sempre fui fã de seus lançamentos. Ao solicitar dois livros, imaginem só a minha surpresa ao receber mais um e ainda a garrafinha de água mais fofa e ÚNICA da minha cidade todinha? Isso aí, só eu tenho a garrafinha da editora na região e vou me gabar disso pra sempre! Hahahha
Vamos ao que interessa, solicitei dois livros da editora, queria sentir o gostinho de poesia e romance de novo, não me decepcionei, faltaram post its para tantas marcações.

Resenha 1


Título: Precisava de você
Autor: Pedro Guerra
Editora: Belas Letras
Nº de Páginas: 224
Sinopse: "Então está aqui tudo o que eu guardei por algum tempo. A partir de agora eu pretendo escrever, desde o começo, a nossa história (se é que eu posso chamar assim). O nosso (des)romance. Acho que a melhor maneira de se livrar de alguma coisa (neste caso, de alguém) é colocando para fora. Então é isso que eu vou fazer. Eu vou te exorcizar de mim. Que droga. Que droga, Gabriel Vegas. Eu gostava de você pra caramba."









 O livro não está com essa rasura no nome do autor por pura estética, ela tem um motivo, quem escreve esse livro é Lola, uma universitária bacana, toda engraçada e que teve o seu coração partido. Ao invés de ficar chorando e lidando com essa tristeza, Lola decide "exorcizar" essa tristeza toda da melhor forma possível, ela escreve a sua história de amor, do início ao fim, de quando se apaixonou até quando teve seu coração esmagadinho, tudo para que ela dê um fim ao que sente e se sinta livre da angustia no peito.
 Confesso que eu não esperava absolutamente NADA desse livro, achei que seria algo bobo e com frases curtas... Paguei a língua! Lola conversa com o leitor o tempo todo, conversa com o seu ex amor, você se sente mais do que nunca dentro da história, amando e odiando Gabriel Vargas. É como se você fosse as linhas em que Lola decide escrever todas as suas cicatrizes em uma caligrafia impecável.



 Sendo assim, começamos a história sabendo como termina, nada de casal juntinho, mas sinceramente, isso foi o que menos me importou. É fato que todos já tivemos o coração partido, e se encontrar nesse livro é como um abraço quentinho, falar sobre amor não valorizado é dolorido, mas quando Lola fala por nós você só consegue pensar"Eu vivi isso, eu poderia ter escrito isso".
 Gabriel é um garoto mais novo, imaturo, com o típico charme adolescente e que causa estrago por onde passa, Lola é simples, sempre ocupada, companheira de seu melhor amigo gay, Sam(que me arrancou muitas gargalhadas), a nossa protagonista é o oposto de Gabriel e essa é a prova que os opostos se atraem mas logo em seguida brigam...
 Se você acha que essa é a história e ponto, sinto muito te enganar, alias, EU FUI ENGANADA! Literalmente, na última página temos uma revelação e nada mais faz sentido! Fiquei 5 minutos de boca aberta tentando digerir os fatos e só conseguia pensar em como o autor foi sacana e esperto ao mesmo tempo, não vou soltar spoiler, claro, mas uma coisa é fato: Você nunca vai adivinhar quem foi o Gabriel de verdade, e essa é a graça da história toda.

 Resenha 2
Título: Amor à moda antiga
Autor: Fabrício Carpinejar
Editora: Belas Letras
Nº de Páginas: 104
Sinopse:  "Em seu aniversário de 43 anos, Fabrício Carpinejar ganhou de presente uma velha máquina de escrever Olivetti Lettera 82 verde-esmeralda. Desde esse dia, ele se dedica a escrever nela poemas de amor e a guardá-los como um inventário de seus sentimentos e emoções ao longo de sua carreira. Pela primeira vez, a Belas-Letras publica esses poemas exatamente como os originais foram enviados à editora, em maços de papel despachados pelos Correios, sem nenhum tipo de correção ortográfica, edição ou retoques, inclusive com as próprias anotações à mão feitas pelo próprio Carpinejar. Todos os textos de Amor à Moda Antiga (inclusive este) foram originalmente escritos em máquina de escrever. O resultado é um livro orgânico, singelo e apaixonadamente imperfeito, exatamente como o amor é. "






 Que eu amo poesia não é novidade, mas acompanhar isso aos olhos de Carpinejar foi uma viagem deliciosa, calma, como quem caminha com a brisa.
 Em seu aniversário de 43 anos Carpinejar ganhou uma máquina de escrever, da cor de sua obra, mas quem realmente foi presenteado foram os leitores. Ele se dedicou a escrever sobre amor, surras de amor, socos de amor, pedidos de socorro de amor ou como vocês costumam chamar, poemas de amor.
 O livro é curtinho, um poema por página, de um lado a cor verde esmeralda gritando em seus olhos, do outro, o poema cru, isso mesmo, os textos não passaram por revisão nem nada do tipo, todos os poemas estão desalinhados, reescritos, com anotações exatamente como o autor enviou para a editora. Isso dá um ar de proximidade tão grande, é como se nós fossemos os primeiros a ler a obra e estivéssemos dentro da cabecinha de Carpinejar, acompanhando o que ele viu no poema, antes e depois da escrita.
 Tenho o hábito de ler poesia porque sou fascinada pelo poder das palavras nesse meio, e dessa vez a dose veio em dobro, amor e mais amor por essa leitura, aprendi a amar aos olhos de Fabrício e isso foi mais do que especial.





RESENHA: A casa no lago

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Título:
A casa no lago
Autor (a): Thomas Harding
Editora: Anfiteatro
Nº de páginas: 398
Sinopse: Autor de Hanns & Rudolf, que narra a trajetória de Hanns Alexander, seu tio-avô que trabalhou como investigador de crimes de guerra e foi responsável por localizar e mandar a julgamento Rudolf Höss, o Kommandant de Auschwitz, o jornalista e escritor Thomas Harding mergulha novamente nas memórias de sua família durante a Segunda Guerra Mundial em A casa no lago. Finalista de prêmios de prestígio como o Costa Biography Award e o Orwell Prize e aclamado por veículos como Time e Spectator, entre outros, o livro conta a história de uma antiga casa de campo nos arredores de Berlim que é também uma reveladora história da Alemanha durante um século conflituoso. A aconchegante casa às margens de um lago onde os avós do autor viveram dias de alegria e afeto em família teve que ser abandonada nos anos 1930, quando os nazistas chegaram ao poder, sobreviveu a incêndios e tempestades, abrigou cinco famílias que ali buscaram refúgio nos anos seguintes, testemunhou traições e assassinatos, resistiu ao trauma de uma guerra mundial e à divisão de uma nação. Prestes a ser demolida, a casa no lago é revisitada por Harding neste livro minucioso e emocionante.Na primavera de 1993, Thomas Harding foi a Berlim levando sua avó em visita a uma casa à beira de um lago. A sua avó disse a ele que ali era o “lugar da alma”, um santuário que ela foi obrigada a abandonar quando os nazistas tomaram o poder. A viagem era uma chance de ver a casa pela última vez, de recordar como era. Mas estava muito diferente. Vinte anos mais tarde, Thomas voltou a Berlim. A casa estava abandonada, deteriorada, em vias de ser demolida. Uma pista de concreto cortava o jardim, deixando a marca de onde existira por quase três décadas o Muro de Berlim. Por toda parte se escondiam sinais do que tinha sido belos azulejos azuis decorados cobertos por um papel de parede, fotografias antigas caídas entre as tábuas do chão, entulhos cobrindo os caminhos de pedras do jardim. Vestígios das cinco famílias que tinham morado ali num período tumultuado.




Começando no final do século XIX e entrando pelos dias atuais, passando pela devastação de duas guerras mundiais, pela divisão e reunificação de uma nação, A casa no lago traz relatos de união e alegria em família, de terríveis sofrimentos e tragédias, e de um ódio perpassando gerações.


O livro também nos traz além dos relatos, fotos das famílias que viveram na casa, e fotos da casa também. Uma história carregada de emoções, lembranças, sentimentos... A cada página é um agregado de coisas, as descrições nos fazem viajar pelas cenas que o autor nos leva, nos possibilitando visualizar tudo aquilo que ele quer nos passar.


Um relato real e uma história que com certeza vai nos emocionar e nos embargar em cada momento vivido numa época difícil.
 
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