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RESENHA Vilão

12 de agosto de 2019


Extasiada. Um pouco perplexa. Anestesiada. Acho que esses são os sentimentos que podem melhor definir o que estou sentindo depois de terminar essa leitura. Demorei um pouco para começar, mas assim que peguei... Acho que bati o recorde da leitura mais rápida que já fiz na minha vida, porque não consegui soltar esse livro até estar na sua última página. É viciante, envolvente, é sombrio e surpreendente. Nada de fofinho ou romântico. Sempre adorei histórias que mostram uma faceta diferente, que fogem do padrão e do estereótipo, que mostram o outro lado do que consideramos ser um vilão, porque as vezes é sempre mais fácil taxar isso do que realmente entender o outro lado da história. E essa história mostra isso com muita proficiência. Quem é o mocinho? Quem é o vilão? Talvez não aja nenhum nem o outro. “Problemáticos humanos brincam com seus poderes”. Nunca achei que essa descrição que tem na capa do livro pudesse descreve-lo tão bem.
“- Você é o herói... – respondeu ela, encontrando os olhos de Eli - ... da sua própria história, pelo menos.”
Victor Vale e Eliot Cardale (ou Eli, como gosta de ser chamado), são dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários (não posso deixar de dizer um pouco egocêntricos) que se conheceram na Universidade de Lockland e se tornaram melhores amigos, identificando um no outro a mesma sagacidade, ambição e traços que os tornavam notoriamente interessantes um para o outro. No último ano da faculdade, como um trabalho de conclusão de curso, eles precisam escolher um tema inovador para uma pesquisa e entre os efeitos da adrenalina e a existência de poderes sobrenaturais, eles descobrem que depois de uma experiência de quase morte, algumas pessoas podem desenvolver certas habilidades (poderes) e tornam-se ExtraOrdinárias (EOS).

Após se submeterem ao experimento para testar a teoria (que logo de início já não é lá a melhor das ideias), Eli desenvolve o poder da regeneração (curando-se de ferimentos quase instantaneamente, qualquer que seja) e também o de não envelhecer, e Victor adquire a habilidade de controlar a dor, tanto nele quanto em outras pessoas (o que é bem maior, mais complexo e perigoso do que parece). A obsessão pela descoberta acaba levando os dois a uma série de tragédias, envolvendo uma morte e uma traição que acabam causado a prisão de Victor.

Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo – agora inimigo, e disposto a usar quem for e o que for para acabar com ele e executar a sua tão aguarda vingança. Enquanto isso, Eli passou os últimos anos focado em uma única missão: erradicar as pessoas ExtraOrdinárias que encontra como um meio de “proteger” as pessoas. No meio de uma dupla caçada, caminhos cruzados pelo que parece obra do destino, diversas revelações e verdades sobre o passado, assim como sobre o caráter dos próprios personagens, o leitor acaba se questionando: quem, de fato, é o vilão da história?


Acho que fazia muito tempo que eu não pegava uma história tão complexa sobre a qual falar. Porque Vilão não é uma história fácil, simples de descrever. Não tem nada de bonitinho, não tem nada de herói que salva o dia e coisas assim, existe muita traição, frieza e mortes. Essa leitura toda é uma grande montanha russa de sentimentos. O que já começa a se mostrar nos próprios personagens principais, que não se encaixam no perfil típico de protagonistas.

Victor é uma cara extremamente inteligente, mas também muito distante, solitário e que guarda e reprime demais seus sentimentos. Principalmente a raiva e a inveja. Raiva e inveja por parecer sempre estar em segundo lugar, na sombra das conquistas do melhor amigo. Ele não é bonzinho ou gentil, nem no começo e principalmente depois de tudo pelo que passa, mas ele não se importa com isso, porque sempre soube que existe um monstro dentro de si. Ele usa um meio para o fim e segue em frente, sem arrependimentos, sem necessidade de redenção. Muito embora, em alguns momentos, mesmo que ele diga que não se importa com uma coisa ou outra, tipo com Sydney e Mitch, ele parece ao mesmo tempo se importar, do jeito dele. Ele é genial, estratégico e caótico. Então você o ama e odeia ao mesmo tempo, porque ao mesmo tempo que ele faz o que tem e o que quer fazer, ele parece saber mediar os seus atos. Ele tem toda a escuridão que o envolve, que chega a sufoca-lo, e ele tanto a extravasa quanto a reprime para não machucar os outros. Ele não é um herói, e embora tenha traços, não sei se consigo coloca-lo no posto totalmente de vilão. Talvez porque eu tenha me apaixonado por ele e não importa o que ele faça ainda continuo gostando dele.

Eliot... Eu não sei bem o que dizer a respeito desse cara, logo no começo fiquei um pouco com o pé atrás com ele. Ele é inteligente pra caramba, isso é um fato, mas de certa forma ele sempre me pareceu um pouco alheio aos sentimentos das pessoas e um pouco egocêntrico (o que mais para frente deixou de ser um pouco e passou a ser muito). Aí eu senti pena dele, para logo em seguida alimentar um certo ódio quando o egocentrismo dele atingiu o nível de um lunático. Enquanto ele considera os outros errados, ele se taxa como diferente, como um emissário de Deus com o propósito de remover os EOS do mundo, porque eles não são naturais, ele é um herói e blá blá blá. Ele é muito o exemplo de uma pessoa que cria desculpas super distorcidas para justificar os atos hediondos que comete. Ele não é um herói, mas acredita firmemente que é, que está fazendo o certo. Mas é o vilão de outras histórias. O que torna a ideia da autora extremamente genial, porque ela conseguiu criar personagens tão complexos que você chega a se perder no meio deles.

Outro ponto que vale ressaltar é que, embora os dois sejam os personagens principais, a autora não deixou muito em segundo plano os outros personagens envolvidos na história posteriormente, como as irmãs Serena e Sydney, que ficaram em lados opostos, assim como Mitch. Serena é quase como seu nome, uma sereia, consegue convencer qualquer pessoa (e animal) a fazer e dizer o que ela quiser. Ela apoia Eli e está sempre ao lado dele, ajudando, dando apoio (embora ele reclame demais e coisa e tal, fica evidente que precisa dela), mostrando todos os motivos pelos quais ele é mais útil viva do que morta. No começo pensei “vaca”, mas depois vi que não é tão fácil assim cataloga-la. Sydney... me dói o coração por essa menina, porque ela passa por muita coisa e a traição que ela sofreu parece ser a pior de todas. Seu poder também não é lá das coisas mais comuns, já que ela consegue ressuscitar os mortos, o que, apesar de ser poderoso, não é a coisa mais agradável. E apesar de um ponto ruim aqui e outro ali, gostei da relação dela com o Victor (não levem para o lado romântico, porque isso não rola de jeito nenhum já que ela é apenas uma criança), porque apesar de ele ser frio e perigoso, há uma coisa meio amigável entre eles. Fico triste também pela situação que também fica entre ela e a irmã, prostradas em lados opostos. Quanto a Mitch, eu adoro aquele grandalhão e só posso pensar no quanto ele pode ser azarado na maior parte do tempo, e o quanto fico triste ao ver o quanto ele já foi subestimado apenas pelo seu tamanho e aparência, das injustiças que sofreu com isso. Além disso, gosto da humanidade que ele fornece a história.

É interessante o quanto a autora se aproveita de cada um desses traços dos personagens, fazendo arcos para explicar a história e o passado de cada um deles, os entrelaçando e mostrando o que aconteceu para leva-los até onde estão agora e porque fazem o que estão fazendo. A narrativa é feita em terceira pessoa e varia por cada um dos personagens em determinados momentos. O livro divide-se em duas partes e alterna-se com saltos para o passado, seja para dez anos atrás, cinco anos, dias e coisas assim. Parece meio confuso no começo, mas conforme você vai lendo parece fazer total sentido, porque ao mesmo tempo que é uma explicação do passado, da a entender que é uma lembrança apresentada pelos próprios personagens, tornando a narrativa intensa e eletrizante, mostrando mais uma vez a genialidade da autora. Achei a leitura muito gostosa (acho que ajudou muito para que eu lesse tão rápido) e eu simplesmente amei essa edição, com uma capa tão representativa que se refere tanto a história em si, como também não deixa de ter um toque referencial ao estilo dos outros livros da autora. Para quem conhece Um tom mais escuro de magia vai perceber. Eu passei por uma miríade de sentimentos com essa leitura, fiquei com raiva, muita raiva, revoltada, fiquei triste, quase chorei e fiquei PERPLEXA com o final, porque eu realmente, realmente, realmente não esperava nada daquilo que aconteceu. Exceto uma coisa, mas não posso contar porque seria um grande spoiler. Esse foi o primeiro livro dessa autora que eu li, mas não me arrependo nem um pouco e não vejo a hora de ler outros. Assim de como não vejo a hora de ver como vai ser o próximo volume.

“Mas esses termos que as pessoas usam – humanos, monstros, heróis, vilões -, para Victor, não passavam de uma questão de semântica. Alguém poderia muito bem se dizer um herói e mesmo assim sair por aí matando dezenas de pessoas. Outro poderia ser rotulado de vilão por tentar impedi-lo. Muitos humanos eram monstros, e muitos monstros sabiam fingir humanidade.”

Título: Vilão
Autora: V. E. Schwab
Editora: Record
N° de Páginas: 364
Sinopse:
Uma história sobre ambição, inveja, desejo e superpoderes, da autora da série Tons de Magia. Victor e Eli, dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários, se conheceram na Universidade de Merit e logo se deram bem, identificando um no outro a mesma sagacidade e a mesma ambição. No último ano da faculdade, o interesse em comum numa pesquisa sobre adrenalina, experiências de quase morte e poderes sobrenaturais lhes oferece uma possibilidade antes inimaginável: de que uma pessoa, sob as condições certas, seja capaz de desenvolver habilidades extraordinárias. No entanto, quando colocam em prática essa teoria, as coisas dão muito errado. Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo ― agora inimigo. Para localizá-lo, ele conta com a ajuda de uma garotinha, Sydney, cuja natureza reservada esconde uma habilidade sem igual, mas extremamente perigosa. Enquanto isso, há dez anos Eli tem uma única missão: erradicar todas as pessoas ExtraOrdinárias que encontra ― exceto sua ajudante, Serena, uma mulher enigmática e persuasiva, capaz de impor sua vontade a qualquer um. Armado com poderes terríveis e movido pela lembrança da traição e da perda, Victor caça seu arqui-inimigo em busca de vingança e de um embate no qual sabe que um dos dois deve morrer."

RESENHA Impostores

2 de agosto de 2019

Oi pessoal, aqui é a Thais e vim falar pra vocês sobre um livro que me deixou meio surtada, porque como sempre, a Galera Record faz jus de ser uma das minhas editoras favoritas. A primeira vez que ouvi falar de Scott Westerfeld, não dele necessariamente, mas de seu livro, foi quando uma amiga minha falou sobre a série Feios. Eu não conhecia e nem fui atrás de nada, pelo menos até Impostores cair nas minhas mãos e eu ir futricar como louca sobre o autor. Impostores é uma nova série ambientada no mesmo universo que a série Feios, mas muito anos após os acontecimentos da outra. Essa leitura individual não prejudica na compreensão do livro, mas quem já leu Feios tem uma vantagem para compreender algumas referências a ele presentes nesse livro. Por isso já deixo essa recomendação para vocês logo de início, de investir também na outra série, porque eu mesma estou louca pra ler e entender um pouco mais do funcionamento desse mundo maravilhoso criado por Westerfeld. Um mundo cheio de revoltas e rebeliões, risco e traições.

Rafia e Frey são irmãs gêmeas com apenas vinte e seis minutos de diferença, uma cópia exata uma da outra. Inseparáveis, as irmãs nunca passaram mais que um dia longe uma da outra. E isso poderia parecer perfeito se não fosse pela criação que ambas tiveram. Rafia, a mais velha, foi criada para ser a filha perfeita, inteligente, simpática e bem-educada, é a herdeira amada pelo povo que odeia seu pai, o autoritário líder de Shreve. Frey, por outro lado, foi criada para matar. Desde os sete anos de idade, passou cada segundo de sua vida treinando, conhece tudo sobre toda e qualquer arma e tem como única missão proteger sua irmã de qualquer adversidade, mesmo que para isso tenha que sacrificar a própria vida. O mundo não sabe de sua existência e, confinada a corredores secretos e suítes privativas, ela é o que precisa ser para a proteção de Rafi. Uma segurança, uma dublê, um escudo, sua última linha de defesa.

Quando o pai das gêmeas, para firmar um duvidoso acordo, manda Frey como refém no lugar de Rafia para a casa dos Palafox, a primeira família de Victoria, a garota se torna a impostora perfeita. Frey tem a oportunidade de experimentar um mundo em que poder andar livremente, sem viver escondida em corredores e a sombra de sua irmã. No entanto, as coisas não saem tão perfeitas em Victoria como ela pensava, já que a família Palafox parece ter seus próprios planos para a herdeira de Shreve e Col Palafox, o herdeiro da família, está muito perto de descobrir a assassina que existe por trás da máscara. Com o desmoronamento do acordo entre Shreve e Victoria e a explosão de uma guerra, Frey tem uma abertura única e precisa decidir se deve se arriscar revelando sua verdadeira identidade e definir de que lado, de fato, está a sua lealdade. Cercada por rebeliões, alianças, reviravoltas e intrigas, ela parte sabendo que qualquer passo em falso pode ser o seu último.
“Talvez essa seja uma má ideia, revelar minhas mentiras para fazê-lo confiar em mim. Mas elas são tudo que tenho. Minhas mentiras são as únicas coisas que são verdadeiramente minhas.”


Eu imaginava uma história diferente quando comecei a ler, mas não fiquei decepcionada com o que encontrei. Acho que, na verdade, fazia um bom tempo que eu não encontrava uma história que me deixava tão conflituosa com meus sentimentos. Que me fizesse consumir tão rapidamente suas páginas e que aguçasse tanto a minha curiosidade. Eu simplesmente adoro a Frey. E sinto uma dor profunda por ela também. Não consigo imaginar como deve ter sido para ela viver confinada dentro de salas e corredores, treinando cada segundo de sua vida, sendo quebrada cada dia de sua vida, sem amigos, sem liberdade e até mesmo sem sua própria identidade. Sendo sempre a sombra de sua irmã, o escudo dela contra tudo e qualquer coisa, sem nunca ter nada para si e nem exigindo mais do que isso. Sendo inexistente. Embora ela tivesse sua irmã ao seu lado, não deixa de ser uma existência solitária e triste. Gostei de como ela pôde respirar, pelo menos um pouco, quando foi para Victoria. De como, mesmo com o mundo caindo aos pedaços, das revoltas, riscos e toda a confusão gerada pela guerra, ela pode conquistar sua própria liberdade, não ser mais a substituta de Rafi, a dublê, mas apenas a Frey. O que é um ponto bem debatido pela personagem porque Frey passou tanto tempo sendo a substituta de sua irmã, a impostora, que encontra dificuldade em saber quem ela própria realmente é. E é incrível vê-la descobrindo isso. Ela é feroz, corajosa, dedicada, leal. Resoluta. (não resisti e tive que colocar essa palavra e se vocês lerem vão entender porque). Todos os motivos para fazer dela minha personagem favorita.

A Rafia... No começo eu achava ela bem chata, não que ela seja uma das personagens que mais gosto, mas consegui entende-la um pouco mais ao longo da história. Me colocar no lugar dela. Tendo que ver sua irmã sempre se arriscando por ela, salvando sua vida enquanto ela não pode fazer o mesmo. Enquanto sua irmã é ferida e ela não pode impedir. E claro, com o pai que elas têm, a vida não deve ser exatamente um mar de rosas. Mas acho bonita a ligação que ela e a Frey tem, de se comportarem como se fossem a metade uma da outra, o que não deixa de ser verdade. Col Palafox... Eu fiquei hesitante com ele no começo, gostei um pouco dele, aí fiquei com raiva dele e depois voltei a gostar dele. Ele não é bem o heroizinho típico de todo livro e acho que isso me fez gostar muito mais dele. Por sua inteligência, sua dedicação, o seu amor por sua família, sua cidade e seu povo. E também gosto do relacionamento dele com a Frey, porque não achei uma coisa forçada, tanto que cheguei a pensar que nem daria em nada. Ambos traíram um ao outro, mas também ficaram ao lado um do outro. Fugiram juntos, lutaram juntos e ele foi o primeiro a enxerga-la verdadeiramente. O que fez com que ele ganhasse muitos pontos comigo. Mas mais do que adorar eles como um casal, adoro a parceria que eles têm.


Eu falei desses três, mas tem vários outros personagens que são importantes também, embora não tenham tanto destaque, como Theo Palafox e o pai das gêmeas (demônio sem nome). Eu me debati em vários momentos ao longo dessa leitura, senti tristeza, alegria e raiva. Mas amei a história. Acho que Scott Westerfeld subiu para um rank de autores que ganharam o meu respeito (e um lugar especial na minha prateleira). O livro todo parece uma rebelião, uma sacada genial com direito a citações de Sun Tzu e Nicolau Maquiavel. E isso casa muito bem com tudo no livro. Adorei o cenário futurista, adorei a força dos personagens e de como tudo flui, mas, principalmente, amei como o nome do livro se relaciona tão bem com a história dos personagens. Acho que isso dá uma magia especial para a história. Todos são impostores.

Essa edição maravilhosa é divida em três partes, cada uma com capítulos curtos e fáceis de ler, tendo a narrativa feita em primeira pessoa, narrada pelo ponto de vista de Frey. A leitura em si também é muito gostosa, assim como o estilo de narrativa, e isso faz com que você devore uma página atrás da outra sem nem notar. Foi o que aconteceu comigo. Ajuda também o autor não ficar enrolando muito, se prendendo muito em determinadas descrições, de modo que ele cria o ambiente e deixa que nossa imaginação corra solta. Enquanto eu lia era como se eu pudesse ver o desenrolar das cenas diante dos meus olhos, como um filme, tanto que no final eu já estava prendendo o fôlego com a expectativa. E QUE FINAL FOI AQUELE? Foi uma grande e inesperada porrada. E agora só posso ficar agoniada e ansiosa pelo próximo volume da série para saber como tudo vai se desenrolar. 


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“Não sei o que dizer. Não sei como salvar alguém com palavras. Tudo que conheço são armas improvisadas, fraquezas descobertas, batalhas em que mergulho de todo coração. Tudo que conheço é guerra.”

Título: Impostores
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Galera Record
N° de Páginas: 352
Sinopse: “Catorze anos após o lançamento de “Feios”, o autor best-seller Scott Westerfeld retorna com “Impostores” a seu universo mais famoso com uma história completamente nova. Traição. Risco. Redenção. Nascidas com a diferença de apenas 26 minutos, as filhas do poderoso e autoritário governante de Shreve receberam criações muito distintas. Rafia, a mais velha, cresceu como a filha perfeita, oradora habilidosa e ícone de estilo. Frey, por sua vez, foi ensinada a matar; seu único propósito na vida é proteger a irmã gêmea e, se necessário, sacrificar-se por ela. Quando é enviada no lugar de Rafia como garantia de um perigoso acordo, torna-se a impostora perfeita. Longe da irmã e pela primeira vez sob os holofotes, será que conseguirá assumir sua própria personalidade – e, de quebra, arriscar tudo em uma rebelião?” 

A perda e memória em Catálogo de perdas

30 de julho de 2019


 Um livro delicado e talvez uma das edições mais lindas que já vi em toda a minha vida, é assim que começo essa resenha. Em Catálogo de perdas vamos acompanhar o mesmo Carrascoza de sempre, poético, doloroso e bastante literal, mas dessa vez atuando de modo muito mais visual do que o esperado. Esse é um livro sobre perdas, sobre medos, sobre sentir e acima de tudo sobre recordar. O que serve como base são fotografias e isso é a primeira coisa que salta aos nossos olhos, fotos em preto em branco, inicialmente com um tom melancólico mas que depois passam a nos transmitir algo muito mais intenso, e aí começa a experiência visual. Primeiro precisamos ver a foto, isso já demanda bastante tempo de observação, logo depois precisamos literalmente abrir essas fotos(o livro opera como se tivessem páginas escondidas, você abre de dentro para fora) para só então encontrar os textos. Ou seja, primeiro você observa a foto, sente ela, e então você lê o texto e sente mil vezes mais.



Alguns textos são fofinhos, outros absurdamente dolorosos, como o texto intitulado Revólver, alguns muito curtos, uma frase só, e outros ocupam a página por completo, o tempo todo te fuzilando com um misto de sentimentos que nem sempre somos capazes de lidar.








Essa obra me fez ver o livro como algo totalmente fora do comum, estamos acostumados a ler e pronto, mas aqui as coisas não funcionam assim, nós precisamos de fato ver, sentir, criar a expectativa do que cada foto simboliza, tecer ideias e possibilidades, logo depois partimos para a leitura e aí a perda parece ser de fato concretizada, com o texto escrito não há como fugir, a perda é materializada e sentida, ela existe. Eu não fazia ideia da existência dessa obra e fiquei feliz demais em receber esse pacotinho da editora SESI-SP, sempre tão cuidadosos com os envios para os parceiros, recebi algo que de fato tinha a minha cara e não deu em outra, amei demais! Essa edição é linda, opera de um modo diferente dos livros comuns e te faz sentir tantas coisas e criar tantas possibilidades, um livro especial, que apesar do contexto doloroso, te dá perspectiva.  






Título: Catálogo de perdas
Autor: João Anzamello Carrascoza e Juliana Monteiro Carrascoza
Editora: SESI-SP
Nº de Páginas: 176
Sinopse: "Catálogo de perdas se inspira no acervo do Museum of Broken Relationships (Zagreb, Croácia), que reúne em exposições temporárias relatos e objetos enviados por pessoas do mundo inteiro – símbolos catalisadores de suas relações “partidas”. Apresenta narrativas diversas de perda escritas por João Anzanello Carrascoza e fotografadas por Juliana Monteiro Carrascoza. A sangrar em dois suportes – em ordem alfabética, mas podendo ser fruídas em qualquer sequência –, as histórias proporcionam uma dupla experiência estética. Este “catálogo” entrelaça, portanto, duas linhas de força: a escrita da palavra e a escrita da luz, o conto literário e a arte visual, a ficção e a fotografia. Uma coletânea sobre perdas definitivas, jamais esquecidas, mas que resulta inegavelmente num ganho humano para o leitor"*Exemplar cedido em parceria com a editora. 


RESENHA Infiltrado na Klan

29 de julho de 2019


 Quando vi que Infiltrado na Klan seria lançado por uma editora parceira o meu coração explodiu de alegria, é muito bacana ver o selo Seoman apostando em histórias que precisam ser contadas, que por mais cômico que possa parecer toda a narrativa, aborda assuntos sérios e que precisam chegar em todas as camadas sociais, a adaptação é um grande show, desde o figurino até os diálogos, isso por si só já me deixou extasiada, mas quando vi o livro físico... Guenta coração! Tudo delicadamente pensado para mostrar como essa é uma obra para se pensar, sempre.
 Esse livro tem o cunho autobiográfico, vai falar sobre a vida do primeiro detetive negro da história de Colorado Springs, Ron Stallworth, enquanto lia o seu jornal de rotina, viu um anuncio da Klu Klux Klan, o tão famigerado grupo de supremacia branca, nesse anúncio em questão, havia um convite para novos membros, ele sem pensar duas vezes resolver entrar nessa, se infiltrar para desmontar a organização, mas só havia um problema, como um detetive negro vai entrar em uma organização que prega o ódio de sua raça?



 Como mencionei, a obra é autobiográfica, mas ainda assim parece tudo muito absurdo e quase fantasioso, um detetive negro lutando contra uma organização racista e violenta? Sim! Ron foi o grande responsável por sabotar muito dos planos da KKK naquela época, além de lidar com essa missão bastante perigosa, ele precisou enfrentar o preconceito dentro da própria academia de polícia, não aceitavam um policial negro(algo inédito até então) sendo o chefe de uma missão tão importante quanto essa. O que não notaram é o risco que Ron assumiu, a coragem que teve de enfrentar algo tão perigoso com o peito aberto. A obra no cinema foi um grande marco ao menos pra mim, Spike Lee é um monstro do cinema e nesse filme em questão pude acompanhar toda a sua genialidade, que mescla humor, uma pitada de sarcasmo e sua tão poderosa crítica social. Já a edição do livro... Que obra primorosa, o cuidado com a capa, a diagramação e até mesmo as fotos selecionadas mostram como a editora realmente entendeu que uma adaptação como essa, merecia um livro digno de Oscar também. Essa é uma leitura que recomendo, se possível a faça antes de ver o filme, para poder se embasar melhor frente aos acontecimentos.





Título: Infiltrado na Klan
Autor: Ron Stallworth
Editora: Seoman
Nº de Páginas: 216
Sinopse: "Quando Ron Stallworth, o primeiro detetive negro da história do Departamento de Polícia de Colorado Springs, depara-se com um anúncio no jornal local convocando pessoas a se juntarem à Ku Klux Klan, ele decide responder fingindo ser um homem branco, com discurso racista falso. Esse foi o início de uma das investigações secretas mais audaciosas e incríveis da história dos Estados Unidos. Durante os meses em que investigou a KKK, juntamente um colega policial branco que se passava por ele nas reuniões da Klan, Stallworth sabotou vários rituais da famosa queima de cruzes da Klan, frustrou planos de detonar bombas em bares e boates gays ou frequentados por negros, além de revelar a presença de supremacistas brancos nas Forças Armadas e no Comando de Defesa Aeroespacial Americano, chegando até a enganar o próprio David Duke, o Grande Mago da KKK. Infiltrado na Klan é uma história verídica inacreditável, nos moldes de um thriller policial, e um retrato vívido do racismo, das ações terroristas da KKK e dos extraordinários heróis que ousaram enfrentá-la." *Exemplar cedido em parceria com a editora 




RESENHA 36 Perguntas que mudaram o que sinto por você

22 de julho de 2019


Tem dias que tudo que a gente precisa é um livro simples, com enredo leve e bastante divertido, mas que de algum modo insere um questionamento em sua vivência. Assim que recebi esse livro da editora me animei, principalmente por conta da proposta dele, afinal, o amor pode ser induzido? Existe alguma fórmula perfeita, ou algum conjunto de perguntas que pode ser suficiente para fazer com que outra pessoa se apaixone por você? A obra de Vicki Grant é baseada em um estudo científico da área de psicologia bastante interessante, de forma romanceada vamos entender como esse questionamento, pautado em pesquisas, poderia acontecer.


Nessa história vamos conhecer ambos os personagens de maneira bastante divertida, Hildy é o clichê ambulante dos livros, faz parte de uma família perfeita(pelo menos é a ideia que as pessoas tem dela), bonita, romântica, com gostos clichês e com a perspectiva de uma garota romântica, ela é a típica mocinha dos romances, um doce. Ela resolve participar desse estudo porque quer se envolver em outras coisas além dos problemas de família, e porque realmente acredita no amor. Já Paul, é o típico bad boy, ele participa desse estudo porque precisa do dinheiro, é um jovem bonito, com ar de galã mas que não acredita no amor, pois amor não paga as contas, não salva, ele acredita fielmente que no final das contas todos estamos sozinhos.

Pois bem, eles são dois estranhos, unidos apenas pelo interesse da ciência, se chamam por nomes fictícios e respondem tudo de modo bastante mecânico, Paul acha essa situação toda uma grande piada e só segue nessa pelos quarenta dólares que será disponibilizado, esse jeito dele acaba irritando Hildy, ela deixa a sala de modo bastante abrupto e não termina de responder as perguntas, mas Paul é um garoto persistente, ele quer os quarenta dólares a qualquer custo e encontra a garota nas redes sociais, o resultado? Diálogos que acontecem em grande parte online, mas que são fofos e sinceros, os protagonistas por mais opostos que sejam, se completam de modo que um se torna o alicerce do outro. Enquanto Hildy é nerdzona destrambelhada, toda romântica e passa a ideia de fazer parte de uma família de comercial de margarina, Paul é um jovem sozinho, que não sabe o que é amor porque sempre perdeu tudo, a vida não sorriu muitas vezes para ele, mas dessa vez a coisa será diferente. Ambos decidem que vão terminar de responder essas perguntas a qualquer custo, não somente pelo dinheiro, mas por uma questão de finalidade mesmo, e graças a isso vamos descobrir os nuances mais interessantes de cada um desses personagens.


Inicialmente achei Hildy uma garota mega espalhafatosa e exagerada, sempre ocupando todos os espaços e tudo mais, mas as poucos vi que era só um conceito bobo, criado pela cena inicial, ela não é essa garotinha perfeita que todo mundo julga, muito pelo contrário, sua vida é um caos, já Paul, foi amor desde o início, ele é bastante literal com tudo, tem esse ar de bad boy mas no fundo é um amorzinho, quando a protagonista precisa, ele oferece colo e isso é fofo demais, os dois tem pontos de vista muito diferentes sobre muitas coisas, mas isso em momento algum se torna um empecilho, cada qual ao seu modo, defende as coisas que acredita, seguem seus ideais mas nem por isso resolvem se afastar. Eu aprendi muito com a mocinha, não esperava nada disso mas simplesmente aconteceu, as respostas dela... São sensacionais, quando ela diz que o que mais ama nas pessoas é o modo como elas lhes proporcionam perspectiva... Isso me pareceu tão natural e sincero, eu aprendi com ela, e tenho certeza que Paul também.

A obra é muito curtinha, tem seus pontos altos que geralmente envolvem uma situação engraçada, como por exemplo um peixe voando na cara de alguém ou algo assim, foi uma leitura rápida, feita em um dia só, mas que me deixou leve e com o coração quentinho. Não necessariamente é uma obra bem fundamentada, com tudo bem explicadinho, como o final, mas acho que a intenção da autora foi mostrar como o diálogo é a chave para o amor, o que muda o que sentimos pelas pessoas não são as perguntas, mas sim as respostas e a maneira que lidamos com isso.



Título: 36 Perguntas que mudaram o que sinto por você
Autora: Vicki Grant
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 252
Sinopse: "Hildy e Paul têm as próprias razões para participar de um estudo do departamento de psicologia da universidade local que tem o intuito de “facilitar uma proximidade pessoal e, talvez, resultar em um relacionamento”. O experimento consiste em 36 perguntas, algumas inofensivas, como Quando foi a última vez que cantou sozinho?; outras nem tanto, como Qual sua mais terrível memória? As questões ajudam os dois a desnudar para o outro — e para si mesmos — sentimentos muitas vezes reprimidos. Segredos são revelados; vulnerabilidades, expostas. Hildy e Paul chegam ao fim do questionário entre risos e lágrimas, e baiacus voadores! Mas a pergunta mais importante permanece: eles se apaixonaram?"*Exemplar cedido em parceria com a editora. 
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