RESENHA Tudo aquilo que nos separa

segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Título: Tudo aquilo que nos separa
Autora: Rosie Walsh
Editora: Grupo editorial Record
Nº de Páginas: 336
Sinopse: "Imagine a seguinte situação: você conhece um homem, vocês passam sete dias maravilhosos juntos, e você fica apaixonada. E o que é melhor: o sentimento é recíproco. Você nunca teve tanta certeza de algo na vida. Então, quando ele parte numa viagem de férias agendada há muito tempo e promete te ligar para o aeroporto, você não tem nenhum motivo para duvidar disso. Mas ele não liga. Seus amigos dizem que você deve desencanar, que deve esquecer o cara, mas você sabe que eles estão errados. Eles não sabem de nada. Algo de ruim deve ter acontecido, deve haver um motivo sério para explicar o silêncio dele.  O que você faz quando finalmente descobre que tem razão? Que existe um motivo ― e que esse motivo é a única coisa que vocês não compartilharam um com o outro? A verdade."
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 




 Tudo aquilo que nos separa é um livro extremamente envolvente. A história entre Sarah e Eddie é um romance recheado de muitas emoções, recebemos um kit especial na caixinha VIB, com a prova antecipada do livro e quando vimos a caixa de lencinhos no kit, a certeza era uma só: esse é um livro pra se emocionar. Durante toda a leitura só consegui pensar em como essa é uma obra que fala sobre como devemos respeitar o nosso tempo, e as adversidades criadas pelo destino, egoísmo é querer tudo pra agora, o amor não funciona assim.




 Sarah, uma “jovem” de 40 anos, há dezenove anos atrás viveu uma grande tragédia em sua vida, vindo a passar por muitos constrangimentos na cidade após um acidente de carro no qual Alex, melhor amiga de sua irmã Hannah, morre. Devido ao acidente de carro, o qual Sarah estava dirigindo, ela vê sua vida sendo tirada dos trilhos. Sarah decide se mudar da Inglaterra para os Estados Unidos por causa do trauma da morte de Alex e fica na casa de seu amigo Tommy. Nos Estados Unidos, Sarah se casa com Reuben e eles fazem um trabalho de terapia com pacientes terminais, eles se vestem de palhaços, cantam, dançam para tornar os dias daquelas crianças mais leve, é um trabalho lindo de se ver e a maneira como a nossa protagonista lida com um tema tão sério, é um outro olhar, totalmente otimista sobre o assunto.
 Todo aniversário do acidente ela volta para a casa de seus pais, na Inglaterra, porém dessa vez tudo será diferente, seus pais precisam viajar pois seu avô esta doente e Sarah fica sozinha na casa onde viveu com sua irmã Hannah, com a qual não conversa desde o acidente. Sarah está divorciada e precisa de um tempo para arejar as ideias, em uma tarde sai para correr na rodovia quando encontra um rapaz que está resgatando um carneiro, eles conversam e ele convida ela para tomar uma bebida. Já devem imaginar o resultado, certo? O casal inusitado acaba vivendo um romance de 7 dias e estão muito felizes, mas Sarah precisa voltar para sua vida agitada no trabalho com compromissos e viagens assim como Eddie.
 A comunicação entre eles fica complicada pois Sarah telefona, manda mensagens, mas Eddie não retorna, a impressão que temos é que ele foi aquele típico personagem que se aproveitou da situação e nunca mais voltou. Acontece que Sarah é insistente, não aceita que um rapaz que despertou sentimentos tão genuínos nela, de fato seja um enganador que nunca mais vai retornar para a sua vida, sendo assim ela faz de tudo para saber o que houve e o porque Eddie não dá notícias. Esse é um romance com misto de mistério, o tempo todo estamos no papel de Sarah, tentando descobrir o que aconteceu, porque uma relação que parecia ter tudo pra dar certo, sofreu um término tão abrupto por apenas uma das partes, o que de fato aconteceu? Eddie é realmente um desses caras que nunca mais vai ligar? O que Sarah fez? Qual a sua parcela de culpa? Durante toda a história, cogitei muitas coisas mas não cheguei nem perto de acertar, de verdade, e isso foi o melhor de tudo.
 O desfecho desse livro é surpreendente, cheio de revelações, reconciliações e recomeços. Essa é uma história sobre o tempo, e como ele é dono de nosso destino e não o contrário. Com certeza Tudo aquilo que nos separa entrou para a lista daqueles livros que aquecem o nosso coração.


"Como é possível passarmos semanas, meses, até anos, apenas empurrando a vida, sem nada acontecer, e de repente, no intervalo de algumas horas, o roteiro de nossa existência ser completamente reescrito?"








RESENHA O conto de Y

quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Título: O conto de Y
Autor: Piaza Merighi
Editora: Drago Editorial
Nº de Páginas: 193
Sinopse: "Uma terra de monstros e magia, onde criaturas vagam atacando inocentes e feiticeiros lidam com forças capazes de corromper o mais íntegro dos homens. Um reino onde algumas pessoas aproveitam seus dons de força ou da mente para se tornar aventureiros e combater tais males em troca de pagamento ou pelo simples desejo de fazer o bem. Nesse cenário, Y, um aventureiro viajante, aceita uma missão supostamente simples para resgatar a filha de um líder local, mas se vê envolvido nos planos da Làithean, um grupo de druidas e magos que não hesita em assassinar cidades inteiras para atingir seu objetivo: vingar a derrota dos elfos em uma guerra ocorrida séculos atrás e garantir que a natureza se sobreponha aos humanos e demais raças"
*Exemplar cedido em parceria com o autor.





 O autor Piaza entrou em contato com o blog para disponibilizar um exemplar de seu livro para resenha e sem expectativa alguma iniciei a leitura, mas olha...Vou falar uma coisa paras vocês, eu nunca vi um personagem tão sem sorte como Y, tudo de ruim que podia acontecer com ele, acontece e parece que cada vez que ele tenta arrumar as coisas só piora tudo, chega até a ser cômico.
 Y é uma especie de caçador de recompensas e estava fazendo um trabalho quando a primeira coisa de errado acontece. O trabalho em questão era simples, ele só tinha que chegar lá e pegar uns ossos, o que podia dar errado, não é mesmo? Mas com Y tudo é possível, ele não consegue pegar os ossos, sai machucado da luta contra um vampiro, que o contratante esqueceu de mencionar, e sem dinheiro.



 Após o infeliz acontecimento Y vai para Ubert, um vilarejo próximo na esperança de encontrar alguém para o curar. Chegando lá o vilarejo está um alvoroço e Y, que não é bobo nem nada, vai ver o que está acontecendo na esperança de conseguir algum dinheiro. Ao chegar na confusão descobre que a filha do líder local, Markus, havia sumido e ele estava desesperado. Y promete encontrar a filha dele se Markus prometer o curar e dar algum dinheiro pelo resgate. E é aqui, meus queridos, que tudo piora de verdade.
 Após ser curado e com todas as informações que conseguiu, Y vai sozinho atrás da garota. Nessa procura ele descobre algo muito inusitado: a filha do líder, Echelly, não é a garotinha meiga e doce que o pai disse, na verdade ela é uma necromante que estava criando zumbis. Na tentativa de salvar Echelly, que não precisava ser salva, Y é atacado pelos zumbis que ela criou, no entanto um desses zumbis era diferente, Marbh é um zumbi que pensava, muito raro por sinal, e queria ajudar Y, mesmo com algum esforço Y aceita a ajuda dele e eles continuam a viagem juntos.
 O nosso protagonista volta a casa de Markus e encontra uma cena muito estranha: Echelly estava em casa, toda arrumadinha, quando Markus vê Y fica louco pois a garota havia dito que ele tentou sequestra-la para conseguir dinheiro do pai. Desse modo Y e Marbh fogem do vilarejo. Você achou que o azar ia acabar por aqui? Claro que não, bobinhos...
 Depois de fugir do vilarejo, todos os habitantes são mortos e a culpa das mortes é colocada em Y, ele fica sem saber o que fazer, afinal, sabemos bem quem matou todos os habitantes do lugar para transformá-los em zumbis, com isso, Y foge para Garaidh e lá encontraram um aventureiro sagrado chamado Khast que prometeu ajudar a limpar seu nome velando-o para a Ordem das Asa Radiantes, um grupo de renomado de clérigos e cavaleiros sagrados que atuava como uma força de segurança extra-reinos, que de certo modo, parece ser a única salvação do nosso mocinho no momento. 
 No decorrer da narrativa Y encontra outros seres que o ajudarão, tanto a limpar seu nome, quanto a lutar contra os necromantes que querem acabar com todas as vilas usando o nome de Y para colocar a culpa e despistar seus rastros de dominação e magia.
Essas não são as únicas frias que o protagonista se mete, é aquele famoso ditado: hora errada e lugar errado. Apesar de O conto de Y não ser meu tipo de livro favorito eu gostei muito do enredo e é uma história gostosinha, me lembra muito RPG, os personagens foram muito bem elaborados, Y muitas vezes parece real demais, e o modo como ele não desiste de tudo isso, chega a ser otimista, tudo segue dando errado, e ainda assim ele tira forças para seguir em frente em busca de uma saída. Para além disso, o autor é brasileiro. É sempre bom incentivarmos a literatura nacional. Fica aí a dica de leitura pra você que busca uma história incomum, com um fluxo intenso de acontecimentos e com um personagem tão azarado que chega a ser cômico.


"Às vezes as melhores escolhas não são seguras."







RESENHA Box As novas aventuras de Sherlock Holmes

terça-feira, 9 de outubro de 2018
Título: As novas aventuras de Sherlock Holmes
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 1250
Sinopse: "Nenhum personagem da história foi tão popular quanto Sherlock Holmes. Mesmo passados tantos anos desde sua primeira aparição, em 1887, é possível encontrá-lo não somente nos livros de seu célebre criador, Arthur Conan Doyle, mas também em filmes, séries de TV e até músicas. O que poucos sabem, no entanto, é que na literatura também houve quem quisesse dar nova vida ao famoso detetive, utilizando-o em suas próprias histórias. Para a alegria dos admiradores de Sherlock Holmes, este boxe reúne dezenas destes contos, abarcando um período de mais de cem anos de produção literária. Incluindo textos de autores célebres, como Stephen King, Neil Gaiman e Anthony Burgess, bem como de escritores menos conhecidos, esta obra é a prova de que os grandes personagens da literatura são sempre aqueles que nunca deixam de inspirar."
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 




 O brilhante e também enigmático maior detetive da literatura nunca deixa a desejar quando o assunto é solucionar crimes. Repleto de mistérios no campo em que trabalha, Sherlock Holmes age de forma gradativa quando está atuando e todo detalhe costumado ser aos olhos da maioria, de se jogar fora, as vistas deste detetive recebem grandes importâncias no seu espaço criminal.
 Nesta nova edição da Editora Nova Fronteira podemos encontrar um apanhado de histórias nunca antes lidas, ou que sofreram diversas reedições ao passar dos tempos. Versões de escritores de grandes nomes como: Neil Gaiman, Stephen King, James. M. Barrie, dentre outros que, retratam diferentes Sherlocks partindo da visão peculiar que cada um tem no campo da escrita. Cada detetive materializado possui um tom de ironia, misteriosidade, crises e desavenças próprias de Holmes, sem de fato perder a verdadeira essência plena da referência maior, o original Sherlock de Sir Arthur Conan Doyle.
 É notável a paixão que cada escritor teve em retratar este icônico personagem através da sua própria maneira de pensar, mais ainda, chega a ser bonito de ver o processo contínuo que é um escritor de 120 anos atrás presentear-nos com maravilhosas histórias, e tantos outros escritores através dos tempos, dar continuidade e vivacidade a este personagem. Sherlock Holmes continua e continuará vivo. O box d’As Novas Aventuras de Sherlock Holmes é dividido em dois volumes, com capas lindas e um acabamento impecável. A seguir, encontraremos duas releituras de contos, uma de Neil Gaiman e outra de Stephen King respectivamente, que podemos encontrar no primeiro volume ao adquirir o box.
É hora de solucionarmos alguns casos, meu caro Watson!



 O caso de morte e mel: Neil Gaiman
 Numa mistura de diálogos entre cartas encaminhadas entre Sherlock e seu irmão, ambos retratam o cenário do governo mediante a época em que viviam no passado e relembram alguns casos, como foi o das abelhas produtoras de mel no alto de um monte.
 Muito antes, no monte, viviam de um lado um senhor chamado Velho Gao, que dividia-se em cuidar de abelhas com seu primo. Este vivia do outro lado do monte e conseguia produzir muito mais mel que o pobre Gao, a ponto de sobrar para o restante do ano e também conseguir vender e tirar sustento em outras coisas. O Velho Gao, que produzia mel para seu próprio sustento, uma vez ou outra conseguia uns potes a mais para vender monte abaixo. Até que um dia, um bárbaro apareceu a procura de abelhas. Tinha um estilo de estrangeiro pesquisador e ânsia por conhecer as abelhas do Velho Gao.
 O pobre velho não tinha a mínima vontade de levar o estrangeiro para conhecer suas abelhas, tinha medo de perturba-las uma vez que nem ele podia chegar tão perto delas, mas o novato disse a ele que estudava elas e foi por meio do primo que descobriu que ali existia abelhas de uma espécie não muito comum. Foi inacreditável, ao ponto dos dois já estarem se relacionando bem, Velho Gao se viu perplexo ao presenciar o tal bárbaro lidando com suas abelhas que eram raivosas, mas que nas mãos do novo homem, pareciam inofensivas.
 O bárbaro pediu que deixasse ele pesquisar uma, das onze colmeias, que alugaria se fosse preciso e mostrou ao Gao um dinheiro que faria ele não precisar trabalhar por um bom tempo. O velho aceitou. Pouco a pouco construíram outra colmeia. Pouco a pouco o pesquisador trabalhava na elaboração de substancias coloridas que tornavam as abelhas mais calmas e produtoras de mais mel. O que o Velho Gao não poderia imaginar era que, deixando o pesquisador trabalhar na colmeia dele, ele fosse expandindo para as outras, por ordem do velho, aplicando sua curiosa substância em todas as outras caixetas. Substancias responsáveis por acabar com a diversão campestre do Velho Gao, porque em um dia determinado, quando chegou para averiguar como andava o trabalho do homem, já não estava mais lá, nem o homem, nem as abelhas que pararam de voar para sempre.

 A maleta do doutor: Stephen King
 Sherlock e Watson passam a tarde chuvosa dentro de seu apartamento nº 221B da Baker Street, um sentado no sofá, o outro olhando a cidade pouco a pouco se molhando, assim como aquele homem que vem vindo em direção a porta da residência deles com novidades que lhes agradariam. Este homem é o inspetor Lestrade, e chega pra contar que há um caso a ser solucionado. Um crime, um assassinato de um grande proprietário de uma grande empresa que, ao entrar dentro de seu escritório situado em sua própria casa, recebeu uma facada pelas costas, estando ele sozinho no ambiente. O inspetor afirma que o corpo ainda está quente, o caso é recente, Sherlock não dispensa excitação, casos como este são difíceis de aparecer e, para ele, trabalho na verdade é diversão. Os três caminham até o lugar.
 Na carruagem, no processo, o inspetor dá detalhes da entrevista que teve com todos os membros da Família Hull, os três filhos William, Jory, Stephen, a esposa, agora viúva, lady Rebecca Hull, e até os empregados da casa. Descobrimos as piores crises que a família vinha sofrendo. O já morto sr. Hull, homem asqueroso e rude por completo, vinha por muito tempo criticando aqueles que viviam com ele, e por mais que este homem fosse extremamente rico, sua família passava por dificuldades pois para o sr. Hull, não era a tarefa dele abastecer a casa.
 Sr. Hull já era um homem velho, sofria de gota e estava sempre com uma bengala. Sempre que podia, ameaçava seus filhos e esposa a respeito do testamento que deixaria para eles quando o velho partisse. Chegou a trocar de testamento diversas vezes, e para a última vez trocado, o seu presente foi a morte.
Não se sabe quem o matou, pois após informa-los que o testamento havia sido reescrito e após informa-los que estaria indo para seu escritório queimar o antigo – do qual existia alguns direitos aos filhos -, o homem caminhou sozinho até sua sala e foi de lá que se ouviu o seu último grito. Para dificultar Sherlock de solucionar o assassinato, a casa era infestada de gatos e o detetive passa a espirrar sem parar. O que ele não imaginava era que, pelos espirros do gato presente junto dos três – Sherlock, Watson e Lestrade – é que ficaria mais fácil de recolher pistas para o fim do caso.
 A história é narrada por Watson, uma vez que, por ser médico e por não ter alergia a gatos, foi ele quem conseguiu ligar todos os pontos e chegar ao assassino.
 A curiosidade matou o gato, para descobrir o assassino é preciso que vocês ativem o espírito de detetives de vocês e solucionem este caso junto de Watson (e Sherlock) assim como eu fiz.







RESENHA A construção de Noah Shaw

segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Título: A construção de Noah Shaw
Autora: Michelle Hodkin
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 294
Sinopse: "Neste volume, velhos esqueletos são descobertos e novas promessas se mostram mortíferas. É o que acontece depois do "felizes para sempre". Noah Shaw enfrentou as forças do destino e o próprio pai para ficar com Mara. As mais absurdas provas se interpuseram no caminho do casal. De ter de escolher entre matar a amada ou seu irmão até lidar com uma médica psicopata, Noah precisou de toda a inteligência e perspicácia para viver seu amor. Agora, os dois finalmente estão juntos e em paz. Mas algo está à espreita. Vários Agraciados morrem, aparentemente por suicídio. A habilidade de Noah de sentir o que eles sentem, no entanto, coloca em xeque essa versão: eles não queriam morrer. Então, por que se mataram? Stella, uma das companheiras de Mara no Horizontes, afirma que a garota é a responsável. Noah se recusa a acreditar. Mara é uma força incontestável, mas ela não sente prazer em matar. Ou ele estaria equivocado? À medida que mais Agraciados morrem, ele precisa decidir se confia em seu coração ou nas evidências. E precisa decidir se seria capaz de viver seu amor, mesmo banhado em sangue"
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 

 Antes de qualquer coisa, só para informar quem não conhece o mundo fantástico de Michelle Hodkin, essa série é derivada de uma outra série chamada “A vingança de Mara Dyer”, (que continua sendo uma das personagens principais nesse livro), só que dessa vez é narrada por seu par romântico. Recomendo que leiam a série de Mara primeiro porque vai ser muitos mais fácil para vocês terem o panorama completo da história e entenderem toda a trama que se desenrolou até chegar aqui nas confissões do Noah. Eu não fiz isso, peguei essa história de supetão, cai nela basicamente de paraquedas e talvez seja por isso que eu esteja tão... estupefata? Acho que é essa a palavra. Foi uma leitura um pouco difícil para mim, uma vez que eu não conhecia a série, e não puder ver toda a construção (uma bela ironia) dos personagens, não pude ver o que passaram para entender o que são agora, e talvez seja por isso que a história não conquistou meu coração logo em suas primeiras páginas, mas com certeza conseguiu despertar minha curiosidade no que se seguiu. Motivo? Uma teia gigante de segredos.



 Ter poderes especiais pode significar muitas coisas, para o bem ou para o mal, e Noah Shaw sabe muito bem. Ele sempre teve ao seu redor pessoas dizendo o que ele seria, o que está “Predestinado” a ser; sua mãe, seu pai, o professor... Mas ele não acredita em destino, não segue as regras do “Fado”. Ele despreza tudo que seu pai fez e sua meta é ficar longe de tudo isso, mas infelizmente ele não teve escolhas quanto a isso. Disseram que ele e Mara não deveriam ficar juntos. Mas Noah passou e enfrentou muita coisa, incluindo o próprio pai, para estar com a garota que ama e agora, com a morte de David Shaw, o casal acha que finalmente estão livres para seguir com suas vidas. Ledo engano.   Quando Agraciados – ou Portadores, pessoas com dons especiais, como Noah com seu poder de cura e Mara com seu poder de matar- começam a morrer, aparentemente vítimas de suicídio, e outros começam a desaparecer de maneira misteriosa, as coisas mudam. Noah tem a habilidade de não apenas sentir, mas “entrar” na mente de uma pessoa (um Agraciado) quando está sofrendo uma dor muito profunda ou à beira da morte, e por meio disso ele sabe que tem alguma coisa errada com essas mortes, que não são suicídios normais e está determinado a descobrir o que é antes que veja mais alguém tirando a própria vida (e não por vontade própria).
 Quando retornam à cidade de New York, Noah, Mara e seus amigos encontram um grupo de outros Agraciados (alguns que já são velhos conhecidos) que estão na busca por seus amigos desaparecidos. E estes não apenas dão informações sobre o que anda acontecendo por aí, mas também cutucam antigas feridas e instigam segredos a virem à tona. Com um mar de reviravoltas e segredos, Noah começa a investigar a fundo o passado de sua família, fazendo uso de sua “herança” (uma que ele não queria, mas o pai deixou de propósito), buscando respostas que o fazem perceber seu lugar no imenso tabuleiro onde está. E, se já não bastasse tudo, seu mundo começa a se fragmentar quando descobre coisas que o levam a desconfiar da pessoa em que mais confia, segredos que Mara manteve escondidos e que abalam completamente a relação do casal quando veem à tona.
 Foi difícil ficar boiando em certas partes da história, (justamente por não ler a série anterior) muito embora a autora tenha feito umas retomadas e explicações breves e bem sagazes para nos dar uma situada. Porém, ainda sim consegui entender o começo dessa nova série, que toda a confusão que Mara narrou anteriormente era apenas a ponta do iceberg. Primeiro de tudo, devo elogiar essa ótima edição, com essa capa que não fugiu dos padrões relacionados a outra série. Segundo, gostei muito de como o nome da série começa já fazendo jus ao contexto da história, trazendo coisas do passado de Noah, pensamentos e sentimentos que ele não compartilha com ninguém, nem mesmo com Mara, e que ele realmente vai confessando. Ele não é um mocinho padrão, muito embora queira ajudar e salvar pessoas inocentes, ele não quer seguir o que outras pessoas determinaram para ele, quer seguir o que ele próprio vai escolher ou não. E ele, apesar de se esconder por trás de uma máscara de placitude e de algumas atitudes bem babacas, apesar de amar Mara mais do que tudo (o cara as vezes chega até ser um pouco cego de tanto amor) e ter ali os seus amigos, há uma tristeza profunda e uma grande vulnerabilidade nele, um vazio tão profundo que muitas vezes o leva a pensar no suicídio (com recorrência pelo que pude ver). Sim, por muitas vezes esse tópico do suicídio é mencionado, tanto que até a autora coloca um trecho em aviso logo antes de começar a história. E esse é um dos motivos dele saber o que tem de errado naquelas mortes, porque ele sabe o que uma pessoa que quer se matar pensa. Isso foi um dos traços mais peculiares que já vi em um personagem, e talvez seja por isso que me apeguei a ele em tão pouco tempo.
 Mara, por outro lado... Eu não sei o que pensar dela, ela é uma personagem complexa. Eu não consigo dizer se ela é boa ou má, embora tenha chegado a julgar ela algumas vezes, e até a não simpatizar muito com ela. Mas não posso formar uma opinião completa, já que não sei tudo que ela passou antes de chegar até ali, muito embora me sinta tentada, porque ela, assim como Jamie, me deixaram com a pulga atrás da orelha. No entanto, de modo geral, eu gostei bastante da história, que foi me cativando aos poucos, e gostei da forma como ela foi construída, as vezes com trechos de cartas que parecem começar a amarrar as pontas e levam você a começar a entender um pouquinho mais das coisas, e a questionar muito outras. A única coisa que eu não gostei muito, a princípio, é do relacionamento de Noah e Mara. Embora eles tenham uma boa sintonia as vezes, eu não... Eu ainda não me senti cativada pelos dois juntos, é como se faltasse alguma coisa no relacionamento deles.  
 De resto, a leitura é bem tranquila e o livro é dividido em três partes bem distribuídas, a última sendo a que mais me revoltou, (do final da segunda para última na verdade) na qual eu fiquei “O QUE??? Alguém dá replay nessa coisa que acho que perdi a linha do raciocínio.”. Foram momentos em que eu fiquei completamente zonza, chocada, perplexa e que posso dizer que a autora elaborou muito bem, porque prende completamente o leitor, deixa várias portas abertas e vários questionamentos, aos quais você fica desesperadamente necessitado para ver respondidos. Ainda tem muitos segredos a serem revelados, muitas coisas para serem descobertas (preciso muito de respostas) e muitas jogadas a serem feitas, e só o que me pergunto é: o que o Noah vai fazer a partir de agora? E, enquanto isso não acontece, vou aproveitar para mergulhar na Vingança de Mara Dyer.

“Quando alguém em uma casa esconde um segredo, algo se transforma na atmosfera. Palavras não ditas, sorrisos inacabados, passos por cima de cascas de ovos; distorcem a realidade, abafam a verdade.”






RESENHA Lembra aquela vez

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Título: Lembra aquela vez
Autor: Adam Silvera
Editora: Rocco
Nº de páginas: 336
Sinopse: "Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade"
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 




            

 Oi, aqui é a Isa, e essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem por finalidade falar sobre livros que abordem os temas relacionados aos transtornos mentais, depressão, suicídio e maneiras para preveni-lo. Este livro é muito amorzinho muito mesmo, mas ao mesmo tempo é muito triste. A construção dos personagens faz você amá-los ou odiá-los instantaneamente. A leitura foi incrível, preciso iniciar dizendo isso, mas o final me deixou devastada e sem rumo nessa vida. 


 AVISO DE SPOILER, NECESSÁRIO POR SINAL!

 Aaron Soto é um garoto comum que vive no Bronx, um distrito de New York, tem amigos e uma namorada, nada demais até aqui, não é mesmo? No entanto, ao decorrer da história somos apresentados a vários fatos que mudam toda a linha da narrativa e o que você imaginou que aconteceria na verdade não acontece. 

 
 Aaron é muito apegado a seus amigos e a sua namorada, Genevieve, que o apoiou muito depois da perda de seu pai. Certo dia Aaron e seus amigos estão jogando Perseguição, tipo pique-esconde só que meio perigoso, e Thomas ajuda Aaron a despistar os amigos que o estavam perseguindo. A partir desse momento uma amizade muito forte começa a ser desenvolvida, Thomas que até então era um desconhecido, começa a participar da roda de amigos de Aaron, e eles não se desgrudam nunca, sempre que possível eles saiam, Aaron dormia na casa de Thomas e isso incomodava os amigos mais antigos dele, principalmente Brendan. 
 A amizade deles se torna mais forte quando Genevieve vai passar três semanas em um acampamento de artistas e Aaron fica “sozinho”, como ele é muito dependente da Genevieve ele fica muito perdido e procura Thomas para suprir esse vazio. 
 Aaron tem muitas cicatrizes, tanto internas quanto externas. Seu pai se matou na banheira da casa e ele não entende o motivo que levou seu pai a fazer isso, seria assim tão ruim a vida de ele tinha? Sua família não era um motivo suficiente para continuar vivendo? Depois de seu pai ter optado pela morte voluntária, Aaron também tenta a mesma coisa, só que esse fato fica meio sem explicação no começo, não somos apresentados a um possível motivo para essa tentativa de Aaron. 
 A amizade com Thomas evolui tanto que Aaron começa a sentir umas coisas estranhas por ele, coisas que ele não sentia pelos amigos e cada vez sente menos a falta de Genevieve, que estava no acampamento. Certa noite Aaron decide contar a Thomas que ele está sentindo essas coisas estranhas e se assumir gay, para a sua surpresa Thomas encara esse desabafo com a maior naturalidade do mundo e isso é de extrema importância para Aaron, pois Thomas é uma das pessoas mais importantes para ele. Em certo momento Aaron está no quarto de Thomas e começa a fazer uma tatuagem de caneta nele, nesse momento Aaron, movido pelos sentimentos e pela certeza de que Thomas também é do Vale, e dá um beijo nele, Thomas o afasta e diz ser hétero (sim, ele diz ser hétero, para a minha tristeza pois estava shippando muito). Mesmo Thomas afirmando ser hétero Aaron está convicto que ele não é, mas mesmo assim deixa essa suspeita de lado priorizando a amizade, eles ficam um tempo separados, mas fazem as pazes e se abraçam na rua. 
 O que um simples abraço poderia fazer você? Pode se perguntar, mas nesse caso um abraço mudou todo o rumo da história. Eu-doidão, “amigo” de Aaron, os vê se abraçando e conta para seus amigos, e como alguns héteros tem a masculinidade frágil ao extremo, eles param Aaron e começam a bater nele, falando que é para o bem dele, para ele parar de ser bichinha, só que eles batem tanto nele que ele quase morre e tem que ir para o hospital. 
 E é nesse momento que temos a maior revelação de todas, Aaron tinha passado por um procedimento que se chama Leteo, que basicamente é esquecer memorias que você não quer lembrar. O que Aaron esqueceu? Ele decide esquecer que é gay, pois depois que ele se assumiu em casa tudo ficou horrível, e ele associa o suicídio do seu pai a esse fato da sua vida. E foi por isso que ele tenta se matar, só depois de ele lembram de tudo que ele esqueceu é que sabemos que ele tentou se matar por não aguentar tudo que estava ruim depois de se assumir gay. 
 Esse livro é tão incrível que essa não é a ultima revelação, mas eu já escrevi demais. É importante ressaltar que o tema geral desse livro é aceitação e intolerância, Aaron não se aceita do jeito que é e isso acaba colocando uma barreira mental nele fazendo com que ele pensasse que tudo de ruim que acontecia era porque ele gostava de caras. Ser gay não é o problema, mas a intolerância é, tanto dos amigos quanto do pai, pois sua mãe dava todo apoio para ele, mas o pai era um abusivo e violento que o expulsou de casa por ser gay e batia em sua mãe. 
 Quero terminar dizendo que sua sexualidade não é um problema, por mais que tudo esteja difícil, desistir de algo tão precioso com a sua vida não é a melhor escolha, sempre existe alguém ou alguma coisa que valha a pena mais um dia, mesmo que seja muito difícil de achar, é o que eu sempre repito pra mim mesma. 
 Espero que se interessem por esse livro e gostem tanto quanto eu gostei.



“Thomas também corre o dedo sobre a cicatriz depois cutuca meu pulso duas vezes. Seus dedos estão sujos do ioiô e de outras coisas do telhado. Mas agora eu entendo; ele desenhou olhos, com duas impressões digitais sujas sobre a cicatriz.”









RESENHA Quando tudo faz sentido

quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Título: Quando tudo faz sentido
Autora: Amy Zhang
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 320
Sinopse: "Liz Emmerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera."
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 


 Essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como finalidade promover um debate saudável sobre saúde mental, transtornos, suicídio e formas de preveni-lo.

Eu sinceramente não sei como começar escrever sobre esse livro. Ao final da leitura, permaneceram em mim algumas reticências buscando respostas e os “porquês” acerca tudo e todos. Penso que não encontrei respostas concretas, mas refleti sobre o que realmente faz sentido no gigante inexplicável e imensurável chamado vida, sobre quais são as causas e efeitos que certas atitudes nossas implicam diretamente na vida de outras pessoas, e que, apesar de Liz Emerson achar que não, muita coisa importa.
Nunca julguei tanto um livro pelo nome e pela capa e nunca me enganei tanto quanto a tais fatores. No começo, pensei que fosse um livro, a princípio, sobre suicídio, que contaria a história de alguém que queria se matar por n motivos e então surgiria um grande amor e faria esse alguém mudar de ideia e ver a vida de um modo diferente. Mas não era nada disso. Esse alguém, tão esperado e imaginado por mim, era Liz Emerson – o tão citado nome no decorrer de 318 páginas –, uma adolescente tida como bonita e cheia de amigos, mas que na verdade não tinha ninguém, nem ela mesma.
É interessante o fato de que em momento algum há uma descrição efetiva de Liz ou de qualquer outra personagem no livro, os estereótipos ficam a nosso critério. É como se saber como as pessoas são fisicamente não importasse, e de fato não importa, o que viria a importar é o que elas são, o que elas fazem, quem elas querem ser, quem elas deixam as pessoas acreditarem que elas sejam. E Liz Emerson conseguia muito bem disfarçar quem ela era para dar lugar ao que ela tinha se tornado.



Liz tem duas melhores amigas, Kennie e Julia. Ambas populares no colégio em que frequentam: Kennie é uma dançarina, alegre e bobinha, enquanto Julia sempre foi a mais inteligente e a que se destacava em tudo que fazia. Já Liz, dispensa explicações, todos queriam ser iguais a ela. Destemida, determinada. Determinada inclusive a destruir a vida de qualquer pessoa que se intrometesse em seu caminho, fazendo coisas das quais ela não se orgulhava nenhum pouco, mas não sabia como parar. Como voltar a ser a criança feliz que sempre fora antes de seu pai falecer? Como preencher o vazio do silêncio que ecoava sempre que sua mãe viajava em compromissos e preocupações que Liz obviamente não fazia parte? Entre uso de drogas, abuso sexual, culpa por ser um ser tão odiável para ela mesma, Liz não aguenta o peso que viver tem se tornado a ela. Ela quer que a gravidade a torne um ser que flutue para longe e que nunca mais volte, porque afinal, nada importa, nem ela. As aulas de física a mostraram as leis de Newton, o corpo em movimento e o corpo em repouso. Liz certamente era um corpo e uma mente em total e completo movimento, mas que queria parar, queria entrar em repouso constante. Decide, planeja, calcula sua própria morte. Ela não queria que as demais pessoas achassem ou sentissem algum tipo de culpa por seu suicídio, Liz quer que pareça um acidente de um carro em que não existiriam culpados, talvez nem ela mesma. Em sua última semana de vida, ela tentou encontrar razões para continuar viva, algo que não a levasse a ruína completa por ela ser ela, e por ter contribuído para a vida de tanta gente ficar pior. Porém, nessa última semana, Liz não disse o que gostaria de dizer, não fez o que deveria ser feito. As palavras não saíam, o silêncio já tinha ocupado não só um buraco, mas todo o seu corpo. Era difícil fugir da decisão de acabar com seus dias, memórias, pensamentos. E tudo importava, e importava muito, mas não era o suficiente. Nada era, não mais.
O livro apresenta um tom lírico e reflexivo incrível, com um narrador mais incrível ainda. Emocionei-me em diversas partes, pois apesar de ser uma narrativa levíssima – seus capítulos são extremamente curtos, mas bem divididos e compreensíveis – carrega e transmite uma profundidade extraordinária, que me fez sentir a dor de ser uma pessoa que fizera coisas tão ruins e que sofria muito por isso, mas que infelizmente, não teve forças para mudar, antes do tarde demais. Foi tão tocante e surpreendente o fato da escolha de Liz por sua morte ter partido de fatos que ela fez para outras pessoas, coisas das quais ela não se perdoava e das quais ela não voltou atrás para tentar fazer “o certo”. Ela não se deu uma segunda chance, pois acredita que elas não existiam. E foi tão triste perceber o quão grande era a dor que ela sentia por causar dor em outras pessoas... Fez-me perceber como é importante nos colocarmos no lugar dos outros e nos atentar-nos nas consequências e impactos de nossos atos na vida de outras pessoas, visto que a culpa que carregaremos será eterna. Penso que o que tenha faltado a Liz não seja empatia, pois ela sentia as dores de quem ela magoava, ela sabia muito bem o que ela estava fazendo. Porém, ela não fazia nada a respeito, se calava e mascarava os fatos, e isso, não deve acontecer. Contribuir para a destruição da vida de pessoas que ela mantinha sentimentos era sua própria destruição. Liz tinha sofrido muito e ela projetava tudo isso em suas atitudes. Ela foi vítima, tanto quanto qualquer pessoa que ela maltratara. Liz poderia ter percebido, muito além da culpa, que seus amigos a amavam, sua mãe, apesar da ausência a amava, todos amavam Liz. Liz não se amava e isso foi fazendo com que ela desaparecesse pouco a pouco.
Eu recomendaria esse livro a qualquer pessoa que quer repensar sobre as questões que permeiam a vida e o suicídio, de modo que tal leitura contribuiu para que eu percebesse que certas coisas importam sim e muito, e que somos importantes para outras pessoas, e que, as vezes, só as vezes, quando tudo faz sentido, conseguimos enxergar que não são somente raros momentos que fazem tudo fazer sentido, mas sim uma trajetória inteira que fala com uma voz nítida em nosso ouvido “fique vivo”.

“Sete dias, sete chances. Acordaria mais sete vezes e procuraria uma razão para continuar. Daria ao mundo uma semana para fazê-la mudar de ideia. Mas também sabia que a vida era frágil. Se aquela semana falhasse, sabia como estilhaçá-la.”









RESENHA Uma história meio que engraçada

quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Título: Uma história meio que engraçada
Autor: Ned Vizzini
Editora: Leya
Nº de Páginas: "O que aconteceria se você descobrisse que a maior idealização da sua vida não era aquilo que você esperava? O adolescente Graig Gilner vai perceber que, até mesmo ao atingir um objetivo, nem sempre as coisas saem da forma como deveriam. Mas aprenderá também que, mesmo nas adversidades, é possível fazer novos amigos, se apaixonar e encontrar motivos para viver. Como muitos adolescentes determinados a vencer na vida, Craig Gilner acredita que asua entrada na Executive Pre-Professional High School de Manhattan é o passaporte para o seu futuro. Obstinado a ter uma vida de sucesso, Craig estuda dia e noite para gabaritar no exame de admissão, e consegue. A partir daí, o que deveria ser o dia mais importante da sua vida, acaba marcando o início de um sufocante pesadelo."
* Exemplar cedido em parceria com a editora. 

  Essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como finalidade promover um debate saudável sobre saúde mental, transtornos, suicídio e formas de preveni-lo. 

 Li Uma história meio que engraçada no início do ano passado, foi um livro que me conquistou logo na primeira frase, conheci-o através do canal da Bruna Miranda no Youtube, que sempre colocou o livro como um de seus favoritos da vida e sempre fez questão de mostrar como ele a ajudou em um período difícil, comigo não foi diferente, e é por isso que essa resenha é tão especial.

Craig aparentemente é um cara normal, estuda como ninguém para passar em uma das melhores escolas do mundo, a Executive Pre-Professional High School de Manhattan, ele é extremamente organizado quanto a isso, passou um ano inteirinho focado apenas em estudar, mas quando sua carta de aceitação chega, sua ruína começa. Passar era um de seus propósitos, é claro, mas a escola não é como Craig esperava, ele não é mais o cara inteligente que costuma ser na sua antiga escola, é só mais um cara comum, que tira notas iguais aos outros alunos. Ele achou que havia sido um gênio ao tirar nota máxima e ser aceito, mas adivinha? Todos tiraram nota máxima, sua esperteza em sua nova escola, não é nada anormal em relação aos outros alunos. Craig saiu de uma rotina muito puxada, na qual ele dava conta, para uma extremamente caótica e perturbadora, são pilhas e mais pilhas de leitura, que sufocam a mente do personagem e mostram como a pressão escolar pode agir como um forte fator para a depressão e outros transtornos.
Devido ao período em que estava focado em estudar, e logo depois de ser aceito, Craig se afastou de seus amigos, e a pontinha da depressão aos poucos foi surgindo, logo após iniciar seu ano letivo na nova escola, a situação passou ainda pior, até mesmo sua alimentação foi comprometida, ele não conseguia comer porque a depressão passou a ser algo tão grande dentro dele, que o impossibilitava, Craig passou a ficar horas no banheiro com a luz apagada, esperando por um pouquinho de sanidade e bondade por parte de sua mente, mas isso dificilmente acontecia. Ele é a personificação da depressão, dorme pouco, pensa demais, come pouquíssimo, tem grandes questionamentos, tudo é extremamente complicado, acordar é um saco, viver é um grande peso. Conviver com todas essas questões não é nada fácil e ele decide que vai se matar, acorda de madrugada e se prepara para pular da ponte, mas em um ato MUITO corajoso, diga-se de passagem, ele liga para uma espécie de CVV e pede ajuda, é encaminhado para o hospital mais próximo e logo é internado na ala de psiquiatria, lá Craig encontra pessoas que passaram pelas mais diversas situações, e ao conhecer o sofrimento de outras pessoas, participar de rodas de conversa e seguir com o tratamento, Craig começa a se encontrar, essa é uma jornada de redescoberta, provando que a depressão nem sempre nos vencer.
O que mais amo nessa obra, é a maneira como a depressão e a ajuda foram abordados, Ned Vizzini começou a escrever essa história após passar um tempo internado também, é impossível não achar que tem um pouquinho do autor nesse enredo. Craig é um personagem muito aberto sobre seus transtornos, ele não tem medo de pedir ajuda, de mostrar que precisa de apoio, ele sabe reconhecer suas fraquezas e acho isso muito bonito. Sua família certamente teve participação ativa na história, eles fazem de tudo para que o protagonista fique bem, tentam os mais diversos tipos de tratamento, o que Craig achar que precisa fazer para ficar bem, eles topam. Já a jornada no hospital é muito interessante, ver outros personagens lutando por suas vidas, tentando vencer seus transtornos, é tudo muito complexo mas nos faz refletir sobre como a depressão é uma doença que não vê classe social, idade, nada, infelizmente estamos todos sujeitos a passar por isso, o modo como você lida é o que diferencia.
Algumas vezes eu achei que Craig ia longe demais em suas divagações, mas quem sou eu para mensurar o tamanho do problema de outra pessoa? Quem sou eu para querer medir o nível de seu sofrimento? Essa é uma obra narrada por uma adolescente, mas que te move e te transforma de tal forma, que ao final você se vê chorando como uma criança.
Um adendo importante é que o autor acabou cometendo suicídio em 2013, oito anos depois do lançamento da obra, mas seu recado foi dado ao mundo, procure ajuda, mantenha-se firme, seja maior que esses tentáculos que tentam te envolver.

"Não é fácil sair da cama. Sei por experiência própria. Você é capaz de ficar ali durante uma hora e meia sem pensar em nada, só preocupado com o que o dia reservou pra você e sabendo que não será capaz de dar conta."



 
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