RESENHA A Biblioteca invisível

terça-feira, 17 de julho de 2018

Título: A biblioteca invisível
Autora: Genevive Cogman
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 368
Sinopse: "Irene é uma espiã profissional da misteriosa Biblioteca, uma organização que existe fora do tempo e espaço e que coleciona livros e manuscritos de diferentes realidades. Junto com seu enigmático assistente Kai, ela é enviada para uma Londres alternativa com a missão de recuperar um perigoso livro. Mas quando chegam, ele já foi roubado.
 As principais facções do submundo londrino estão prontas para lutar até a morte para achá-lo, e a missão de Irene é dificultada pelo fato de que o mundo está infestado pelo Caos - as leis da natureza foram distorcidas para permitir a existência de criaturas sobrenaturais e mágicas imprevisíveis.

Enquanto seu novo assistente guarda seus próprios segredos, Irene logo se vê envolvida em uma aventura repleta de ladrões, assassinos e sociedades secretas, onde a própria realidade está em perigo e falhar não é uma opção."
*Livro cedido em parceria com a editora

 O que mais amo na Editora Morro Branco é a maneira que eles são extremamente atentos com seus parceiros, resolveram me mandar essa série INTEIRINHA e a experiência foi supimpa! A capa de A biblioteca invisível é a coisa mais lindinha desse mundo, esse tom de verde meio manchado e os detalhes em dourado são a combinação perfeita. Quando você abre o livro ele é todo preto com varias chaves, lindo demais. Mas a obra em si não é linda só por fora, a história é muito boa também.
 Irene é uma espiã da Biblioteca, uma instituição secreta, por isso “invisível”, que tem como objetivo principal buscar exemplares de livro raros ou importantes por todos os alternativos, que seriam outros mundos, sua missão basicamente é levar esses exemplares em segurança para a Biblioteca onde vão ficar a salvo do tempo e de pessoas que queiram destruí-los. Irene acaba de chegar de sua ultima missão e já é mandada para outra, só que essa tem um diferencial, ela terá um aprendiz, Kai. A principio Irene fica meio desconfiada de Kai, mas sua superior Coppelia o mandou e Irene confia muito nela então vai em frente com Kai e a missão, mas sempre de olho. Aparentemente essa nova missão seria só mais uma na incontável lista dela, no entanto ela já começa estranha, Bradamant, a antiga mentora de Irene, chega querendo roubar a missão de Irene e também roubar Kai, Irene se impõe e diz que não, mas sabe que Bradamant não desiste fácil.




 Irene e Kai vão para o alternativo previamente designado para eles e recebem todas as instruções necessárias do representante da Biblioteca naquele alternativo, Dominic, em seguida eles começam a investigação. Nos vários alternativos possíveis algumas coisas são bem comuns como, vampiros, lobisomens, féericos, animais gigantes, magia, dragões e muito mais.
 Nesse alternativo específico existem vampiros, féericos, animais gigantes entre outros, o livro que Irene foi designada para encontrar é um exemplar dos Irmão Grimm e seu ultimo dono foi um vampiro chamado Lord Wyndham que tinha acabado de morrer e ninguém sabia onde estava o livro.
 Durante toda a investigação Irene e Kai conhecem Vale, um conhecido detetive que os ajuda a procurar o livro usufruindo de toda sua influência naquela Londres. Nesse período de busca eles encontram vários perigos, mas o maior deles é Alberich, um ex bibliotecário desertor que trabalha com magía do Caos contra a Biblioteca e todos que trabalham nela. Alberich está naquele alternativo em Londres pelo mesmo motivo que Irene: encontrar o livro dos Irmãos Grimm.

 Esse livro é incrível, cheio de ação do começo ao fim e uma coisa que eu achei muito legal é que os bibliotecários trabalham com a Linguagem, ou seja, é como se fosse uma magia, eles encostam na maçaneta da porta e dizem “trancas da porta, abram” e elas se abrem. Só no primeiro exemplar encontrei tantas referências que perdi as contas, era uma experiência extremamente gratificante quando eu lia algo e logo remetia a alguma outra obra ou personagem, a autora foi genial demais nesse quesito. A obra é classificada como steampunk, um gênero pouco explorado mas que certamente deixará um legado de fãs, a história vai do surreal ao incrível em minutos. Os personagens apesar de pouco explorados, são tão ricos em personalidade que não sentimos falta de absolutamente nada.
Tenho certeza que vocês vão amar esse livro, Irene é toda Girl Power prova isso em vários momentos da narrativa, mal posso esperar para ler os próximos livros da sequência.


“Minha teoria é que as maiores verdades sobre a vida e a morte podem ser mais bem compreendidas como uma parábola – ou seja, como uma ficção.”






RESENHA O auto da Compadecida

sexta-feira, 6 de julho de 2018
Título: O auto da compadecida
Autor: Ariano Suassuna
Editora: Nova fronteira
Nº de Páginas: 280
Sinopse: "O 'Auto da Compadecida' consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi 'o texto mais popular do moderno teatro brasileiro'."
*Livro cedido em parceria com a editora. 





 Auto é um estilo de peça teatral em que mescla personagens populares com personagens fantásticos e busca por meio de sua poética apresentar questões de moralidade. 
 Em Auto da Compadecida nos damos de cara primeiramente com o apresentador Palhaço que vai narrar os acontecimentos que virão dali em diante. João Grilo, que é muito amigo de Chicó abre a cena e então é comédia que não acaba mais. Pois é por meio de trapaças e mentiras engraçadas que comete com as pessoas da cidade que esse pobre malandro consegue se safar dos apuros da vida, isso até chegar o dia que ele resolve trapacear a igreja corrupta dizendo que sua patroa, mulher do padeiro, pagaria para quem enterrasse sua cachorra em latim. Após a igreja e João Grilo lucrarem com o funeral do bichinho, acabam por serem noticiados da vinda para a cidade de um dos maiores bandidos do sertão. Na tentativa de enganar o perigoso Severino, João Grilo não escapa da morte e acaba por parar no purgatório, lugar onde ele e mais tantos outros personagens serão julgados frente a frente pelo diabo, Emanuel e Nossa Senhora Aparecida.



Dois grandes personagens presenteados à Literatura Brasileira por Ariano Suassuna que
ficaram marcados tanto no papel, quanto nas telinhas e nos palcos. João Grilo e Chicó, dois nordestinos simples e muito felizes carregam a essência de um povo brasileiro com uma fé distante de ser abalada, nem mesmo diante das dificuldades que a vida os
entrega. 
 Totalmente de cara nova, essa edição de Auto da Compadecida vem com uma carinha de Nordeste brasileiro com suas folhas parecendo cordel, com imagens uma mais linda que a outra, além de uma história sobre por onde já passaram encenações desse clássico de Ariano Suassuna.


É verdade que eles praticam atos vergonhosos, mas é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica todas essas coisas turvas e mesquinhas. Quase tudo o que eles faziam era por medo. Eu conheço isso, porque convivi com os homens: começam com medo, coitados, e terminam por fazer o que não presta, quase sem querer. É medo.






RESENHA Sorte Grande

quinta-feira, 5 de julho de 2018
Título: Sorte Grande
Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 384
Sinopse: "Desde que perdeu os pais, Alice não acredita na sorte. Mas ela acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo, Teddy. Quando precisa decidir o que dar a Teddy em seu aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente: um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número dos anos que estiveram juntos, datas importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois se envolvem em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria tudo. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Mas será que pode dar uma ajudinha?"
*Livro cedido em parceria com a editora




 “O amor é como a loteria”, um imprevisto, um prêmio, uma sorte grande. Mas, o que de fato é a sorte? Destino ou simples obra do acaso? “Sorte grande” é um romance que vai mexer com a nossa concepção do significado de sorte, do que ela realmente quer dizer, e, ainda, se ela quer dizer alguma coisa.


Primeiramente, eu simplesmente a-m-e-i esse romance, é de uma leitura muito fácil e gostosa, me deixei levar por essa história tão amorzinho, mas por outro lado com um plano de fundo tão triste. Segundo, penso que Sawyer poderia ter tido um pouco mais de destaque na narrativa, mas, né, choices. Alice é a narradora de sua própria história, uma garota de 18 anos que está em seu último ano do colegial, tem dois melhores amigos, Leo e Teddy, mora em Chicago e é órfã. Seus pais morreram com 13 meses de diferença entre um e outro quando Alice era criança, e tal acontecimento fez sua vida transformar-se totalmente: teve de mudar-se da Califórnia para Chicago, na casa de seus tios, Jake e Sofia, e seu primo Leo. Eram verdadeiramente uma família feliz, que se amavam independente de qualquer coisa, mas as lembranças do passado e da vida antiga pareciam continuar bem ali, em Alice, o que a fez perder a fé no mundo e nas coisas que o regem. Como esperar algo depois da abrupta morte de seus pais? Como acreditar na sorte quando o que de mais valor que se tinha foi arrancado de você? E como acreditar no amor quando o homem que você ama não te ama de volta? Bem, como todo – ou quase todo – romance, há uma história de amor. E a de Alice é seu amor de anos por Teddy, seu grande amigo. Teddy não tinha nada de especial, tanto exterior, quanto interiormente. Alice apenas o amava. Talvez por fazer parte de sua história e constituir quem ela é hoje, participando de cada momento desde sua mudança para a casa de seus tios; talvez pela identificação com ele, que, de certo modo, também havia perdido o pai; talvez ambas as coisas. Na linha tênue entre amizade e amor, entre carinho e desejo, a amizade poderia se destruir com um simples “eu te amo” dito fora do contexto, e Alice não se arriscaria a perder mais alguém, ainda mais porque a amizade entre eles – e Leo – sempre fora tranquila. Pelo menos até o dia em que Alice resolve dar um presente de aniversário um tanto peculiar a Teddy: um bilhete de loteria. Esse presente seria o pior dos presentes se não fosse pelo fato do bilhete comprado ter sido vencedor do prêmio de milhões de reais, e aquele dinheiro definitivamente mudaria a vida de todos. E Alice detestava mudanças.

Identifiquei-me muito com a história em certos pontos, como a morte de sua mãe e sua desesperança no mundo, que vai sendo mudada ao decorrer do romance, assim como creio que aconteça ao decorrer da vida, as coisas são completamente repletas de mudanças, absolutamente nada permanece igual e precisamos aceitar isso. Eu gostei muito de como a sorte é tratada, como algo que apesar de independer de nossa vontade, tem muito a ver com nossas escolhas e com as escolhas das pessoas que nos cercam e sobre como essa sorte é relativa. Alice teve sorte em poder se encontrar novamente em uma família em que todos a amavam, teve sorte em poder ter os melhores amigos que se poderia ter e teve muito sorte em ser quem ela é, pois, sim, ela tem muita sorte em ser alguém com uma força e um coração imenso. O barato da sorte é descobrir – ou perceber – que ela se encontra em cada um de nós, nas pequenas coisas que nos fazem querer viver. A sorte pode estar em um grande prêmio em dinheiro, trazido por um simples bilhete de loteria. Ou talvez a sorte esteja em enxergar que a verdadeira sorte está bem em nossa frente, em forma de pessoas e pequenos grandes momentos.


– Bem, sempre foi difícil saber o que você quer – explica ele, e eu sorrio, porque tudo que realmente quis foi isso: família e amigos, segurança e amor, o sol entrando pelas janelas em uma manhã de sábado. Só isso.






RESENHA A farsa

segunda-feira, 25 de junho de 2018
Título: A Farsa
Autora: C. L. Taylor
Editora: Bertrand Brasil
Nº de páginas: 393
Sinopse: "Um thriller psicológico eletrizante, perfeito para fãs de A Garota No Trem e Garota Exemplar. Jane Hughes tem um namorado carinhoso, um bom emprego no abrigo de animais local e uma casa confortável no interior do País de Gales. No entanto, embora pareça estar feliz, vivendo uma vida perfeita, tudo isso não passa de uma farsa. Jane Hughes não existe de verdade. Há cinco anos, ela e suas melhores amigas saíram juntas em uma viagem que prometia ser a melhor de suas vidas. Contudo, o que era para ser o ápice de sua juventude rapidamente se transformou em um pesadelo aterrador que culminou com a morte de duas amigas. Jane fez o melhor que pôde para deixar o passado para trás, assumindo um novo nome e uma nova vida. Mas alguém sabe a verdade sobre o que aconteceu. Alguém que não irá parar até ter destruído Jane e tudo o que ela ama." 
*Livro cedido em parceria com a editora




 Eu realmente entrei de cabeça nesse lance de deixar os romances de lado, por mais que seja meu gênero favorito, eu sinto que expandir meus horizontes vai me fazer bem, sem contar que me prender a um único gênero de certa forma acaba me privando de viver boas histórias. Ultimamente tenho optado por mais thrillers, a minha curiosidade de certa maneira acaba me deixando totalmente presa na leitura e isso contribui para que eu siga insistindo nesse gênero, acontece que por infelicidade do destino li dois livros com as sinopses totalmente diferentes mas as histórias em si eram muito parecidas, o resultado? Como A farsa foi o segundo livro, acabou não me prendendo nadinha porque achei-o parecido com o anterior, mas ainda assim, algumas considerações valem a pena.
 Aos olhos dos outros Jane Hughes é uma mulher normal, trabalha em uma espécie de abrigo de animais e leva uma vida bastante comum, ninguém faz ideia de que o seu passado é extremamente perturbador. Ela é o tipo de pessoa que você olha e não consegue imaginar fazendo qualquer coisa suspeita, é corretinha demais, mas o seu passado tem uma mancha tão grande que pode deturpar a nossa visão.
 Jane adotou um nome falso para fugir de seu passado, mas ao receber um bilhete em tom de ameaça, dando a entender que nem tudo aconteceu como ela imaginava, tanto a personagem do passado quanto a mulher dos dias de hoje parecem colidir em um único destino. Acontece que tudo é tão suspeito que você começa a desconfiar do óbvio, quem é que vai tirar férias no meio do nada, em um local até mesmo sem sinal de internet ou meios para ser socorrido caso algo aconteça? É como pedir para se dar mal, e fazer isso com maestria! Ainda assim, essa fórmula em que o resultado parece ser o pior possível, acaba deixando o leitor extremamente curioso e essa é a graça da coisa. 
 Eu tenho a impressão de que li esse livro no período errado, anteriormente li um thriller no mesmo estilo e tenho certeza de que isso contribuiu para que a minha experiência não fosse tudo isso, eu meio que matei a charada logo no início e foi por pura sorte. C. L. Taylor é uma excelente autora! Ela constrói uma personagem incrível que acaba saindo de férias para um retiro espiritual com suas amigas e lá algo de terrível acontece e só duas voltam pra casa, a construção da trama é muito bem executada, toda a ambientação é maravilhosa e os motivos para a personagem optar por mudar de identidade... É tudo muito plausível, mas como eu disse, livro certo no momento errado. Infelizmente a história não me prendeu, o final foi surpreendente mas infelizmente não consegui me prender aos personagens, por mais que a autora tenha tido o cuidado de tecer uma excelente trama, onde tudo funciona como um magnifico quebra cabeça em que todas as peças na verdade são surpresas que deixam o leitor com as anteninhas ligadas, infelizmente não rolou.
 A dica de leitura é extremamente válida, para você que é apaixonado pelo gênero, facilmente vai se envolver e sua curiosidade vai ficar a mil! 


“Abro o pedaço de papel em minhas mãos e leio novamente. Há somente uma frase, escrita no centro da página em esferográfica azul: Eu sei que o seu nome verdadeiro não é Jane Hughes.”






RESENHA LoveStar

quarta-feira, 20 de junho de 2018


Título: LoveStar
Autor: Andri Snaer Magnason
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 336
Sinospe: "LoveStar, o enigmático e obsessivo fundador das Corporações LoveStar, desvendou o segredo para transmitir informações em frequências emitidas por pássaros, finalmente libertando a humanidade de dispositivos e cabos, e permitindo que o consumismo, tecnologia e ciência tomem conta de todos os aspectos da vida diária.  Agora, homens e mulheres sem fio são pagos para gritar propagandas para pedestres desavisados, enquanto o programa REGRET elimina todas as dúvidas sobre os caminhos não escolhidos. Almas gêmeas são identificadas e unidas através de um sistema altamente tecnológico. E enviar os mortos aos céus em foguetes se torna um símbolo de status e beleza, um show catártico para aqueles deixados para trás.  Indridi e Sigrid, dois jovens amantes, têm seu mundo perfeito ameaçado, quando são calculados para outras pessoas e forçados a chegar a extremos para provar seu amor. Sua jornada os coloca em uma rota de colisão com LoveStar, que está em sua própria missão de encontrar o que pode vir a ser a última ideia do mundo."
*Livro cedido em parceria com a editora.



 Acho que nesse caso eu realmente escolhi o livro pela capa, ela certamente é uma das mais bonitas da minha estante, o trabalho gráfico está impecável, há galáxias por todo lado. Inicialmente foi isso que me fez querer ler tanto a obra, no entanto a história não foi o que eu esperava, achei a ideia muito boa, mas deixa a desejar.
 O livro conta a história do Indridi e da Sigrid, o casal apaixonado, do Senhor LoveStar, dono da empresa LoveStar, e de outras pessoas relacionadas a eles. 

 Eis que começaram a acontecer coisas muito estranhas no mundo todo, várias espécies de animais começaram a lotar regiões inteiras, as abelhas foram todas parar em Chicago, que virou uma colmeia gigante com pegada alucinógena, mas ninguém entendia o que estava acontecendo com os animais do mundo. No entanto, um grupo de pesquisadores descobriu as ondas dos pássaros e borboletas e sua maneira peculiar de se comunicar, algo totalmente inovador e a partir disso criaram uma tecnologia sem fio que podia ligar todas as pessoas do mundo muito mais fácil. Desse modo tudo que tinha fio não era mais usado, as pessoas podiam fazer tudo com comandos em suas lentes e ouvir tudo com seus fones de ouvido invisíveis. Imagine só, toda a tecnologia que fazemos uso hoje, passou a ser considerada ultrapassada e deu lugar a novos meios, muito mais práticos e surreais.

 Com a descoberta das ondas de pássaros e borboletas a empresa LoveStar surgiu e começou a ter uma influencia muito grande na vida das pessoas do mundo pois todas estavam ligadas a seus sistemas sem fio. A LoveStar comandava a morte e o amor, nessa trama há um sistema que transforma a morte em um show de fogos de artificio e faz cálculos das pessoas do mundo toda para saber quem é o amor perfeito de cada um. Mas só comandar a morte e o amor não foi suficiente para a LoveStar, eles queriam muito mais. 



 Indridi e Sigrid são muito apaixonados, são quase um só. Eles namoram a 5 anos e estão esperando para serem calculados pela inlove, subsidiaria da LoveStar que cuida do amor, e poderem ser felizes para sempre. Só que a vida não podia ser tão fácil assim, certo dia Sigrid recebe uma carta dizendo que seu par ideal era outra pessoa, e que ela devia ir conhece-lo o mais rápido possível para poder viver seu amor perfeito. Entretanto, Sidrid e Indridi são MUITO apaixonados e não aceitam isso, eles são o amor da vida um do outro e se recusam a se separarem. A partir desse momento suas vidas viram um inferno e o relacionamentos deles fica muito abalado. Eu não sei se vocês conhecem o Tinder mas basicamente é um aplicativo para relacionamentos, se você combina com a pessoa pode começar a conversar em um chat reservado, pois bem, imagine que alguém combina com outra pessoa por você, e graças a isso o seu futuro já está traçado. Obviamente você terá muito menos trabalho, mas é isso que quer para a vida? O coração e a mente realmente são passíveis de interferências tecnológicas? 
 Confesso que esse foi o livro mais “Gente, o que está acontecendo?” que eu já li na minha vida. O livro tenta abarcar todos os pontos de vista possíveis e explicações que deixa o leitor sem entender direito o que está acontecendo. Mas eu acredito que ele tem uma função maior que é mostrar até que ponto o ser humano pode ir e inventar coisas que, em certo momento, vai acabar destruindo ele mesmo. Senti uma crítica muito grande em relação ao quanto somos influenciados o tempo todo e como a mídia e os poderosos nos tornam marionetes facilmente influenciados e o quanto eles mandam em nossas vidas, pois a LoveStar basicamente tem o controle da vida de todos, o que nasceu com um intuito bom se transformou em uma máquina de controle. Sendo assim, a crítica é realmente muito boa, mas o autor acabou tornando a narrativa cansativa em algumas situações e em outras tornou a história tão maluca que não fazia sentido algum, uma pena.


“Uma ideia é um ditador. Sequestra o cérebro, põe sentimentos e memórias de lado, faz você ignorar amigos e relacionamentos e orienta você na direção de um único objetivo, o de lança-la no mundo.”








RESENHA Asiáticos podres de ricos

terça-feira, 12 de junho de 2018
Título: Asiáticos podres de ricos
Autor: Kevin Kwan
Editora: Grupo editorial Record
Nº de Páginas: 490
Sinopse: "Best-seller internacional que inspirou uma das mais aguardadas adaptações cinematográficas do ano. Quando Rachel Chu chega a Cingapura com o namorado para o casamento de seu melhor amigo, imaginava passar dias tranquilos com uma simpática família. Só que Nick não mencionou alguns detalhes, como o fato de sua família ter muito, muito dinheiro, que ela viajaria mais em jatinhos particulares do que de carro e que caminhar de mãos dadas com um dos solteiros mais ricos da Ásia era como ter um alvo nas costas. Logo, Rachel percebe que não será poupada das fofocas e intrigas. Isso sem falar na mãe de Nick, uma mulher com opiniões bem fortes sobre com quem o filho deve – ou não – se casar. Um passeio pelos cenários mais exclusivos do Extremo Oriente – das luxuosas coberturas de Xangai às ilhas particulares do mar da China Meridional –, Asiáticos Podres de Ricos é uma visão do jet set oriental por dentro. Com seu olhar satírico, Kevin Kwan traça um retrato engraçadíssimo do conflito entre os novos-ricos e as famílias tradicionais em seu romance de estreia, que já fez milhares de leitores chorarem de tanto rir no mundo todo."
*Livro cedido em parceria com a editora

 A primeira coisa que me chamou a atenção quando recebi Asiáticos podres de ricos na caixinha do VIB foi o tamanho, a sinopse é extremamente convidativa, mas um livro com quase 500 páginas choca qualquer leitor, certo? Devido a isso posterguei a leitura do mesmo o quanto pude, mas depois comecei a me questionar, eu nunca havia lido nada da cultura asiática, agora que tinha a oportunidade estava negando isso, que absurdo! O fato é que quando comecei a ler não consegui mais parar, uma leitura engraçada, com jeitinho de central de fofoca mas com uma crítica extremamente interessante.



 Rachel Chu acha que conhece bem seu namorado, além de um belo homem ele é um excelente professor universitário, Nick é realmente isso tudo e muito mais, ele esqueceu de avisá-la que é um dos herdeiros mais ricos do mundo, vem de uma família extremamente tradicional e que não vai gostar nadinha desse relacionamento. Na verdade, Nick convida Rachel para o casamento de seu melhor amigo e simplesmente não menciona nada disso para sua namorada, imagine só o choque que é, ir para um país totalmente diferente no que diz respeito aos costumes, para conhecer a família de seu namorado e de quebra descobrir que ele tem tanto dinheiro que nem em mil vidas seria capaz de gastar tudo? Pois é, Rachel não faz ideia de onde está se metendo mas antes mesmo de desembarcar no avião a família toda de Nick já sabe da sua vinda e quer fazer de tudo para acabar com esse relacionamento.
 O que mais vi em relação a esse livro são comparações com Gossip Girl e de certa maneira eu entendo, o enredo todo é uma grande central de fofocas! Todo mundo da alta sociedade se conhece bem e não pensam duas vezes quando o assunto é repassar informações, sejam elas erradas ou não. Antes mesmo de Rachel desembarcar ela já levava fama de caloteira e coisas do tipo, quando na verdade ela nem fazia ideia da fortuna do namorado. E eis outro ponto, Nick desde o início teve oportunidade para contar para Rachel sobre a situação de sua família, como eles eram ricos e tradicionais, no mínimo seria justo avisar a garota sobre esses pontos, mas não, por medo e receio ele acabou deixando isso de lado e acabou complicando a situação da moça. Durante todo o enredo eu percebi como ser de uma classe social diferente muitas vezes pode minar um relacionamento. Rachel é uma mulher incrível, excelente profissional mas não é podre de rica, sendo assim, familiares, amigos, garotas que desejavam ter Nick, todos são extremamente babacas com a moça, zombam de seus modos simples, suas roupas, aprontam poucas e boas para que ela se sinta deslocada, armam situações grandes o suficiente para que ela perceba que não pertence ao mundo dos milionários, e Nick... Bom, ele na maior parte do tempo age como um pamonha sobre essa situação, não fazendo absolutamente nada e fechando os olhos pra isso, só depois do plot que ele cai na real.
 O livro é extremamente descritivo, inicialmente achei isso algo ruim mas depois compreendi que era bacana aprender cada detalhezinho de uma cultura que eu não conhecia, a editora fez questão de colocar notas de rodapé na obra e isso facilitou muita coisa. O romance é muito bonito, não tem nada daquela coisa gato e rato, são jovens maduros e que tentam se relacionar de maneira saudável, o que estraga é a família de Nick, a grande maioria tradicionalistas e maldosos. A obra é narrada a partir de vários pontos de vista e isso tornou a leitura muito mais dinâmica, o final pareceu caminhar para um fechamento de história muito gostosinho MAS ADIVINHA? Tem continuação! Haha e logo logo sai a adaptação no cinema também!


Não faço a menor ideia de quem essas pessoas são. Mas uma coisa eu posso garantir: essa gente é mais rica do que Deus.






RESENHA Jane Eyre

Título: Jane Eyre
Autora: Charlotte Brontë
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 480
Sinopse: "Considerado um dos maiores romances de língua inglesa, este livro acompanha o amadurecimento de Jane Eyre, uma personagem questionadora e carismática que deixou sua marca na literatura. Após tornar-se órfã e, ainda na infância, passar a viver na casa da tia enfrentando as mais difíceis privações, Jane fica anos em um internato, onde recebe educação e, posteriormente, um emprego. Contrariando o que se esperava de uma mulher na época, a protagonista busca novos desafios e se torna governanta de Miss Adèle, protegida de Mr. Rochester. Entre Jane e o novo patrão nasce uma paixão arrebatadora, obscurecida, no entanto, por um grave segredo que ele carrega. Publicado pela primeira vez em 1847, Jane Eyre é uma obra-prima de Charlotte Brontë, que abriu caminho para outras escritoras e revolucionou o fazer literário ao criar uma protagonista com anseios, reflexões e atitudes incomuns para seu próprio tempo."

*Livro cedido em parceria com a editora

 Eu nunca achei que amaria tanto um livro clássico, nunca imaginei que algo escrito a tanto tempo me arrancaria tantos suspiros. Jane Eyre figura entre meus livros desejados tem um bocado de tempo, nunca o li porque nunca encontrei uma edição que me desse vontade para tal, mas assim que recebi o pacote de lançamentos da Biblioteca Áurea, projeto da editora Nova Fronteira com a Amazon eu mudei totalmente o meu planejamento de leituras e comecei a ter minha experiência com Charlotte, e que mulher! Apesar de ter sido um romance escrito a tanto tempo, todas as críticas propostas pela autora são muito reais, indo desde o ideal de beleza da época até feminismo e casamento.



 Jane nunca logrou de muita sorte, seu tio morreu quando ela era muito pequena e ele fez a esposa prometer que cuidaria da garota, acontece que sua tia nunca simpatizou com a mesma, então Jane passa a sofrer pequenas agressões dentro de casa, é vista como uma garota falsa e mentirosa, diante dessa situação, ela é enviada para um colégio interno destinado à garotas órfãs, logo aí percebemos como Jane precisou ser forte antes mesmo de ser solitária, a educação nesse novo colégio é muito rígida, as garotas são punidas e até mesmo a alimentação é bastante regrada. Jane aguenta isso pacientemente por anos, porque entende que essa situação é mil vezes melhor que o lar onde vivia. Após formada a garota passa a ministrar na escola mas começa a sentir a necessidade de se descobrir no mundo, de ir para além dos muros e com um anúncio no jornal, consegue uma vaga de governanta.
 A essa altura da vida Jane tem uma excelente formação, bons modos, fala várias línguas então se sente capaz o suficiente para dar aulas a uma garotinha na propriedade dos Rochester, o que ela não esperava era se apaixonar pelo seu chefe e como isso seria o suficiente para levá-la para a ruína, e mais tarde, quando se reerguesse, algo novo surgisse para mudar o seu destino. Fiquei tremendamente feliz e abismada ao ver em um clássico tantas críticas! Pra começar, Jane desde muito pequena é vista como uma criança feia, eu acho isso tão problemático, durante toda a história, ela não é vista como uma mulher bonita, é sempre uma dama encantadora, de bons modos, uma beleza peculiar, mas nunca uma mulher de encher os olhos, creio que Charlotte ao fazer isso quis trazer uma heroína que ia muito além do esteriótipo de bela mulher da época. Além disso, ela não tem aquele ar frágil que esperava, ela precisa ser forte porque é sozinha, porque sabe que se não te manter onde está, não tem mais para onde ir, mas ela também sabe que se precisar sair seja do colégio, do lar Rochester, de onde for, ela vai dar conta disso sozinha, porque é forte o suficiente para tal.
 Agora o romance, isso foi algo que me incomodou um pouquinho, Rochester é um homem MUITO estranho, inicialmente ele é rude, tão mandão que fiquei nervosa, mas compreendi que isso era algo natural da época e Jane não era sua amada, era sua empregada então era natural que recebesse ordens, mas aos poucos ele foi cedendo e mostrando que amava Jane tanto quanto ela o amava. Esse é um ponto muito importante, os diálogos entre os dois e esse entendimento de amor romântico é muito intenso e bastante interessante, ver Jane tentando lidar com a sua posição como empregada e ainda assim amando Rochester, ver ela questionando a maneira que a trata... Tudo isso tem um arzinho de feminismo que me deixou bastante feliz. Quando o romance de fato começa a acontecer e aí temos um fato que torna-se o ponto alto do romance, eu imaginei que a protagonista fosse se tornar a mulher debilitada e sofredora... Que nada! Ela tomou as rédeas da situação e agiu por si, sem medo do que o destino reservava a ela, por pior que tenha sido, essa parte em especial me deixou extremamente feliz, o amor não tornou Jane alguém alienada, ela seguiu consciente de tudo. 
 O final foi diferente do que eu esperava, eu entendi o posicionamento da autora, mas não sei se fiquei de acordo, mas clássicos são clássicos, certo? Definitivamente valeu a leitura e serviu para me imergir ainda mais no mundo dos clássicos. A edição da Nova Fronteira está linda demais, capa dura, ótima diagramação, encontrei alguns errinhos ortográficos mas nada que atrapalhasse a leitura.

Alimentava uma devoção teórica pela beleza, pela elegância, pela galanteria e pelo encanto pessoal. No entanto, se encontrasse estas qualidades encarnadas num homem saberia, instintivamente, que elas não tinham nem podiam ter correspondência em mim - e as evitaria como se evita o fogo, a fulguração, as coisas brilhantes mas hostis. 

 
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