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RESENHA Quando dois corações se encontram

2 de setembro de 2019


Definitivamente quem vê capa não vê história, né? Assim que recebi a lista de lançamentos da editora vi essa capa e achei que fosse ser só mais um romance bobo, do tipo água com açúcar que a gente passa a tarde lendo e depois segue a vida, não poderia estar mais enganada. Quando dois corações se encontram tem sim um romance fofo no início, do tipo amor que chega e fica, mas em determinado momento tudo desmorona e você se pergunta como tudo tomou esse rumo, e se questiona sobre o poder da resiliência.


Yasmin é uma garota romântica, do tipo incurável e que vê a beleza em absolutamente tudo na vida, ela é fofa, e sempre de bem com a vida, não poderia ter sido melhor escolha quando pensam nela para cuidar das flores das bodas de seus pais, Yasmin adora a ideia e é motivada pela mesma. O destino felizmente lhe apresenta Sam, um rapaz simpático e que parece ser perfeitamente feito para ela, você vê a química entre os dois, a sintonia e não consegue imaginar esse casal não dando certo. O romance acontece muito repentinamente, e se você é uma pessoa criteriosa para esse tipo de coisa, irá ficar desconfiado sobre isso, pensando sobre como podem duas pessoas se apaixonarem tão repentinamente. Eu fui uma dessas pessoas, achei o romance fofo, estranhei mas logo depois tudo fez sentido.
"Não tinha dúvida de que estávamos ligados, de que nossas almas e vidas não podiam ser separadas. Naquela noite, me senti em paz, apenas acreditando na promessa do meu amor, e adormeci em seus braços, com ele cantarolando baixinho ao meu ouvido nossa canção, cantando baixinho para acalmar meu coração. Assim deixei o tempo passar, e, com ele, meus medos também ficaram para trás."
Logo os dois se casam, tudo segue lindo e você se questiona porque a história já tem cara de final feliz logo nas primeiras cem páginas, eles serão pais, e conforme a narrativa avança você só se questiona sobre o que vem pela frente, até que finalmente essa hora chega. Uma catástrofe das grandes acontece, não é pouca coisa, a maneira como Clara descreve essa situação te faz prender o ar conforme vai lendo, eu ia sofrendo, me abanando e chorando, não há como descrever de melhor forma. E foi aí que finalmente entendi, Quando dois corações se encontram não é para ser uma história de romance, não é nada água com açúcar, o foco desse enredo é a superação, o recomeço, mas para tudo isso acontecer, meu amigo... Como você sofre. Eu não consigo nem cogitar a ideia de passar pelo mesmo que Yasmin passou, de sobreviver depois de tudo e ter forças, mas entendo a mensagem da narrativa e admiro a capacidade de Clara em criar um enredo tão rico de sentimentos tão plurais. Eu amei esse romance, amei Sam, me envolvi com esse casal mas não tinha como não se apaixonar por Yas, ela se entrega para a dor e a sua base, a família, não há abandona em momento algum, eles reerguem e apoiam a garota o tempo todo, até ela entender que as dores e cicatrizes existem, mas a vida continua, apesar de tudo.

Esse é um romance fofo, mas não espere só por isso, prepare os seus lencinhos e tenha em mente que essa narrativa irá te emocionar do começo ao fim.



Título: Quando dois corações se encontram
Autora: Clara Benício
Editora: Jangada
Nº de Páginas: 328
Sinopse: "Yasmin é uma garota romântica que vive em Fortaleza, até que um dia, por acaso, conhece Sam, um homem encantador. Foi amor à primeira vista. Porém, no auge desse amor, acontece uma tragédia que a deixa em uma profunda depressão. Quando ela já havia perdido as esperanças de ser feliz novamente, uma reviravolta acontece. "Quando dois corações se encontram" traz a história de uma mulher que precisa vencer os fantasmas do passado se quiser reencontrar a felicidade."*Exemplar cedido em parceria com a editora. 

A beleza e ousadia de Ânsia Eterna

26 de agosto de 2019


Ler histórias em quadrinhos é sempre um grande desafio para mim, porque sei que esse tipo de história exige um tipo de imersão, eu preciso sentir tudo o que vejo e ainda assim preciso acompanhar o fio da narrativa, não basta só ver, é preciso ter coerência. Então imaginem só a minha expectativa ao me deparar com uma HQ linda e que se destinava a falar de três contos em especial? Fiquei surpresa porque imaginei que o desafio seria ainda maior, mas sai grata porque a experiência foi exatamente como eu desejei, imersiva do começo ao fim.



Em Ânsia Eterna, de Verônica Berta, vamos acompanhar três contos que foram adaptados da autora Júlia Lopes de Almeida, os contos escolhidos acabaram ganhando ainda mais vida nas mãos de Berta, as ilustrações são tão lindas que saltam aos olhos, as aquarelas casam perfeitamente com as histórias, cada tom escolhido é condizente com a narrativa, não imagino esses pequenos contos sendo contados de outro modo. A ilustradora foi muito respeitosa e fiel aos originais, tudo tão perfeitamente pensado que você se questiona como esse encontro de talentos aconteceu, se foi Berta quem encontrou esses contos ou se foram eles quem a encontraram.



O conto que mais me chamou a atenção foi Os porcos, uma narrativa que ao menos pra mim foi bastante dolorosa, aqui vamos conhecer a história de Umbellina, uma moça triste que parece não ter expectativa alguma de vida, porque aceita tudo que a vida lhe deu e isso basta. Ela é pobre e está grávida, sofre com essa situação mas o medo começa quando o pai ameaça jogar o bebê as porcos, nesse momento a autora mudou totalmente as cores dos quadrinhos, em tons de marrom e vermelho, porque essa cena em especial pedia por isso. Esse conto é curtinho mas te engana direitinho, começa com uma cena linda mostrando os porcos no campo e você logo se vê encantando com isso, mas em dado momento tudo ganha um tom grotesco, assustador e você percebe como a narrativa se torna mais densa. Nessa história vamos entender o pior do ser humano, do horror que podemos sentir quando o medo nos consome e como tudo muda de figura de uma hora para a outra.

Ler a Ânsia Eterna foi uma surpresa interessante, descobri que Júlia Lopes de Almeida é uma autora bastante conhecida, foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, mas preciso confessar que o meu encantamento não seria tão grande se não fosse o talento de Verônica Berta, eu não ficaria tão apaixonada por esses contos se não fossem as ilustrações, tudo casou tão bem que ao final da leitura, você só sabe desejar mais e mais.





Título: Ânsia Eterna
Autora: Verônica Berta/Júlia Lopes de Almeida
Editora: SESI-SP Editora
Nº de Páginas: 56
Sinopse: "Suspense, surpresa, grotesco e tragédia. Os elementos presentes em Ânsia eterna (1903) são transpostos por Verônica Berta como meio de se expressar em uma organização da forma através das histórias em quadrinhos." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Aventuras de Huckleberry Finn

21 de agosto de 2019


Oi, galera, aqui é a Isa. A resenha de hoje é sobre o livro Aventuras de Huckleberry Finn, mas antes de irmos para a resenha em si precisamos saber algumas coisas. Talvez alguns de vocês conheçam o livro As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, bom, nesse livro Huckleberry é o melhor amigo de Tom e eles vivem várias aventuras juntos nas margens do rio Mississipi. Outra coisa que é importante saber é que Aventuras de Huckleberry Finn se passa entre os anos 1835 e 1845, no qual a escravidão nos EUA ainda estava acontecendo, desse modo, surgiram várias especulações para levantar a problemática “Aventuras de Huckleberry Finn seria um livro preconceituoso?” Quando lemos um livro precisamos levar em consideração o momento histórico que ele foi escrito, os valores daquela sociedade e não aplicar valores atuais a obra.



Huck é um menino muito bom, porém muito levado e travesso. Seu pai é um homem horrível, que bebia e batia nele. Então a viúva Douglas pega Huck para criar e “civiliza-lo”, na casa da viúva ele aprende a ler, a escrever, ganha roupas novas, boa alimentação e é bem cuidado. Certo dia Tom Sawyer chama Huck para uma reunião no meio da noite, mas antes de irem Tom faz uma brincadeirinha para assustar Jim, o escravo da família. Tom quer formar uma quadrilha como outros amigos para eles poderem fazer roubos na cidade. Como Huck não tem nada a perder ele aceita e dá a viúva como garantia caso ele denunciasse os amigos.

Huck e Jim são muito amigos, um nível de amizade mais elevado do que era permitido na época entre um branco e um negro. Até chegar um determinado momento em que a viúva precisa vender o Jim, ele escuta isso e decide fugir. Huck faz de tudo para que ela não precise vendê-lo, mas não adianta. Jim conta para Huck que vai fugir pelo rio Mississipi até um refúgio de escravos e pede para Huck ir com ele pois um negro sozinho no rio seria suspeito, mas se ele estivesse com um branco seria diferente. Huck diz que aquilo não está certo, que Jim não pode ir e se ele ajudasse ele seria um “abolicionistazinho”, discurso que ele ouviu do pai. Apesar de todas as ressalvas Huck decide ir e é aí que toda a aventura de Huckleberry Finn começa pelo rio Mississipi.



Aventuras de Huckleberry Finn é um livro muito bom, pois por meio dele podemos observar como era a situação das pessoas escravizadas no Sul dos EUA. Essa obra mostra o olhar de uma criança frente ao horror desse período que ainda deixa cicatrizes bastante latentes em nossa sociedade. Não é um livro feliz, apesar de ser engraçado em alguns momentos pois são jovens que aprontam de montão e vivem várias aventuras, o que segue ecoando é a tristeza desse período em relação à questão racial,  é um livro que te tira da zona de conforto, te faz ter fortes embates pois são só crianças narrando a segregação em seu ápice, uma história bastante dolorosa ainda mais do ponto de vista juvenil. Essa obra é necessária para que possamos pensar os clássicos naquela época e como tudo era retratado. As aventuras de Huckeberry é uma forte crítica, que passeia pelo gênero infanto juvenil mas que cumpre seu papel entre todas as idades, uma leitura que vale a pena. Além do livro ser ótimo essa edição da Zahar é maravilhosa, capa dura, com um cuidado impecável na diagramação e  várias ilustrações durante a história.


Título: Aventuras de Huckleberry Finn
Autor: Mark Twain
Editora: Zahar
Nº de Páginas: 408
Sinopse: "Huckleberry Finn – o parceiro de Tom Sawyer – escapa de casa para embarcar em uma série de aventuras junto com o escravo fugitivo Jim. A bordo de uma jangada, os dois sobem o Mississippi e vivem situações extraordinárias com personagens inesquecíveis – como o “Rei” e o “Duque”, uma das maiores duplas de vigaristas da história da literatura. Narrado em primeira pessoa pelo próprio Huck, a viagem de formação que une o menino rebelde ao escravo negro perseguido atravessa questões sérias e profundas que continuam a nos desafiar: o racismo e a escravidão, a brutalidade das relações humanas no “mundo adulto” e o puritanismo religioso e cultural. Em conflito com os valores corruptos e hipócritas da sociedade, Huck enfrenta o dilema de salvar o amigo ou entregá-lo às autoridades. *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Vilão

12 de agosto de 2019


Extasiada. Um pouco perplexa. Anestesiada. Acho que esses são os sentimentos que podem melhor definir o que estou sentindo depois de terminar essa leitura. Demorei um pouco para começar, mas assim que peguei... Acho que bati o recorde da leitura mais rápida que já fiz na minha vida, porque não consegui soltar esse livro até estar na sua última página. É viciante, envolvente, é sombrio e surpreendente. Nada de fofinho ou romântico. Sempre adorei histórias que mostram uma faceta diferente, que fogem do padrão e do estereótipo, que mostram o outro lado do que consideramos ser um vilão, porque as vezes é sempre mais fácil taxar isso do que realmente entender o outro lado da história. E essa história mostra isso com muita proficiência. Quem é o mocinho? Quem é o vilão? Talvez não aja nenhum nem o outro. “Problemáticos humanos brincam com seus poderes”. Nunca achei que essa descrição que tem na capa do livro pudesse descreve-lo tão bem.
“- Você é o herói... – respondeu ela, encontrando os olhos de Eli - ... da sua própria história, pelo menos.”
Victor Vale e Eliot Cardale (ou Eli, como gosta de ser chamado), são dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários (não posso deixar de dizer um pouco egocêntricos) que se conheceram na Universidade de Lockland e se tornaram melhores amigos, identificando um no outro a mesma sagacidade, ambição e traços que os tornavam notoriamente interessantes um para o outro. No último ano da faculdade, como um trabalho de conclusão de curso, eles precisam escolher um tema inovador para uma pesquisa e entre os efeitos da adrenalina e a existência de poderes sobrenaturais, eles descobrem que depois de uma experiência de quase morte, algumas pessoas podem desenvolver certas habilidades (poderes) e tornam-se ExtraOrdinárias (EOS).

Após se submeterem ao experimento para testar a teoria (que logo de início já não é lá a melhor das ideias), Eli desenvolve o poder da regeneração (curando-se de ferimentos quase instantaneamente, qualquer que seja) e também o de não envelhecer, e Victor adquire a habilidade de controlar a dor, tanto nele quanto em outras pessoas (o que é bem maior, mais complexo e perigoso do que parece). A obsessão pela descoberta acaba levando os dois a uma série de tragédias, envolvendo uma morte e uma traição que acabam causado a prisão de Victor.

Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo – agora inimigo, e disposto a usar quem for e o que for para acabar com ele e executar a sua tão aguarda vingança. Enquanto isso, Eli passou os últimos anos focado em uma única missão: erradicar as pessoas ExtraOrdinárias que encontra como um meio de “proteger” as pessoas. No meio de uma dupla caçada, caminhos cruzados pelo que parece obra do destino, diversas revelações e verdades sobre o passado, assim como sobre o caráter dos próprios personagens, o leitor acaba se questionando: quem, de fato, é o vilão da história?


Acho que fazia muito tempo que eu não pegava uma história tão complexa sobre a qual falar. Porque Vilão não é uma história fácil, simples de descrever. Não tem nada de bonitinho, não tem nada de herói que salva o dia e coisas assim, existe muita traição, frieza e mortes. Essa leitura toda é uma grande montanha russa de sentimentos. O que já começa a se mostrar nos próprios personagens principais, que não se encaixam no perfil típico de protagonistas.

Victor é uma cara extremamente inteligente, mas também muito distante, solitário e que guarda e reprime demais seus sentimentos. Principalmente a raiva e a inveja. Raiva e inveja por parecer sempre estar em segundo lugar, na sombra das conquistas do melhor amigo. Ele não é bonzinho ou gentil, nem no começo e principalmente depois de tudo pelo que passa, mas ele não se importa com isso, porque sempre soube que existe um monstro dentro de si. Ele usa um meio para o fim e segue em frente, sem arrependimentos, sem necessidade de redenção. Muito embora, em alguns momentos, mesmo que ele diga que não se importa com uma coisa ou outra, tipo com Sydney e Mitch, ele parece ao mesmo tempo se importar, do jeito dele. Ele é genial, estratégico e caótico. Então você o ama e odeia ao mesmo tempo, porque ao mesmo tempo que ele faz o que tem e o que quer fazer, ele parece saber mediar os seus atos. Ele tem toda a escuridão que o envolve, que chega a sufoca-lo, e ele tanto a extravasa quanto a reprime para não machucar os outros. Ele não é um herói, e embora tenha traços, não sei se consigo coloca-lo no posto totalmente de vilão. Talvez porque eu tenha me apaixonado por ele e não importa o que ele faça ainda continuo gostando dele.

Eliot... Eu não sei bem o que dizer a respeito desse cara, logo no começo fiquei um pouco com o pé atrás com ele. Ele é inteligente pra caramba, isso é um fato, mas de certa forma ele sempre me pareceu um pouco alheio aos sentimentos das pessoas e um pouco egocêntrico (o que mais para frente deixou de ser um pouco e passou a ser muito). Aí eu senti pena dele, para logo em seguida alimentar um certo ódio quando o egocentrismo dele atingiu o nível de um lunático. Enquanto ele considera os outros errados, ele se taxa como diferente, como um emissário de Deus com o propósito de remover os EOS do mundo, porque eles não são naturais, ele é um herói e blá blá blá. Ele é muito o exemplo de uma pessoa que cria desculpas super distorcidas para justificar os atos hediondos que comete. Ele não é um herói, mas acredita firmemente que é, que está fazendo o certo. Mas é o vilão de outras histórias. O que torna a ideia da autora extremamente genial, porque ela conseguiu criar personagens tão complexos que você chega a se perder no meio deles.

Outro ponto que vale ressaltar é que, embora os dois sejam os personagens principais, a autora não deixou muito em segundo plano os outros personagens envolvidos na história posteriormente, como as irmãs Serena e Sydney, que ficaram em lados opostos, assim como Mitch. Serena é quase como seu nome, uma sereia, consegue convencer qualquer pessoa (e animal) a fazer e dizer o que ela quiser. Ela apoia Eli e está sempre ao lado dele, ajudando, dando apoio (embora ele reclame demais e coisa e tal, fica evidente que precisa dela), mostrando todos os motivos pelos quais ele é mais útil viva do que morta. No começo pensei “vaca”, mas depois vi que não é tão fácil assim cataloga-la. Sydney... me dói o coração por essa menina, porque ela passa por muita coisa e a traição que ela sofreu parece ser a pior de todas. Seu poder também não é lá das coisas mais comuns, já que ela consegue ressuscitar os mortos, o que, apesar de ser poderoso, não é a coisa mais agradável. E apesar de um ponto ruim aqui e outro ali, gostei da relação dela com o Victor (não levem para o lado romântico, porque isso não rola de jeito nenhum já que ela é apenas uma criança), porque apesar de ele ser frio e perigoso, há uma coisa meio amigável entre eles. Fico triste também pela situação que também fica entre ela e a irmã, prostradas em lados opostos. Quanto a Mitch, eu adoro aquele grandalhão e só posso pensar no quanto ele pode ser azarado na maior parte do tempo, e o quanto fico triste ao ver o quanto ele já foi subestimado apenas pelo seu tamanho e aparência, das injustiças que sofreu com isso. Além disso, gosto da humanidade que ele fornece a história.

É interessante o quanto a autora se aproveita de cada um desses traços dos personagens, fazendo arcos para explicar a história e o passado de cada um deles, os entrelaçando e mostrando o que aconteceu para leva-los até onde estão agora e porque fazem o que estão fazendo. A narrativa é feita em terceira pessoa e varia por cada um dos personagens em determinados momentos. O livro divide-se em duas partes e alterna-se com saltos para o passado, seja para dez anos atrás, cinco anos, dias e coisas assim. Parece meio confuso no começo, mas conforme você vai lendo parece fazer total sentido, porque ao mesmo tempo que é uma explicação do passado, da a entender que é uma lembrança apresentada pelos próprios personagens, tornando a narrativa intensa e eletrizante, mostrando mais uma vez a genialidade da autora. Achei a leitura muito gostosa (acho que ajudou muito para que eu lesse tão rápido) e eu simplesmente amei essa edição, com uma capa tão representativa que se refere tanto a história em si, como também não deixa de ter um toque referencial ao estilo dos outros livros da autora. Para quem conhece Um tom mais escuro de magia vai perceber. Eu passei por uma miríade de sentimentos com essa leitura, fiquei com raiva, muita raiva, revoltada, fiquei triste, quase chorei e fiquei PERPLEXA com o final, porque eu realmente, realmente, realmente não esperava nada daquilo que aconteceu. Exceto uma coisa, mas não posso contar porque seria um grande spoiler. Esse foi o primeiro livro dessa autora que eu li, mas não me arrependo nem um pouco e não vejo a hora de ler outros. Assim de como não vejo a hora de ver como vai ser o próximo volume.

“Mas esses termos que as pessoas usam – humanos, monstros, heróis, vilões -, para Victor, não passavam de uma questão de semântica. Alguém poderia muito bem se dizer um herói e mesmo assim sair por aí matando dezenas de pessoas. Outro poderia ser rotulado de vilão por tentar impedi-lo. Muitos humanos eram monstros, e muitos monstros sabiam fingir humanidade.”

Título: Vilão
Autora: V. E. Schwab
Editora: Record
N° de Páginas: 364
Sinopse:
Uma história sobre ambição, inveja, desejo e superpoderes, da autora da série Tons de Magia. Victor e Eli, dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários, se conheceram na Universidade de Merit e logo se deram bem, identificando um no outro a mesma sagacidade e a mesma ambição. No último ano da faculdade, o interesse em comum numa pesquisa sobre adrenalina, experiências de quase morte e poderes sobrenaturais lhes oferece uma possibilidade antes inimaginável: de que uma pessoa, sob as condições certas, seja capaz de desenvolver habilidades extraordinárias. No entanto, quando colocam em prática essa teoria, as coisas dão muito errado. Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo ― agora inimigo. Para localizá-lo, ele conta com a ajuda de uma garotinha, Sydney, cuja natureza reservada esconde uma habilidade sem igual, mas extremamente perigosa. Enquanto isso, há dez anos Eli tem uma única missão: erradicar todas as pessoas ExtraOrdinárias que encontra ― exceto sua ajudante, Serena, uma mulher enigmática e persuasiva, capaz de impor sua vontade a qualquer um. Armado com poderes terríveis e movido pela lembrança da traição e da perda, Victor caça seu arqui-inimigo em busca de vingança e de um embate no qual sabe que um dos dois deve morrer."

RESENHA Impostores

2 de agosto de 2019

Oi pessoal, aqui é a Thais e vim falar pra vocês sobre um livro que me deixou meio surtada, porque como sempre, a Galera Record faz jus de ser uma das minhas editoras favoritas. A primeira vez que ouvi falar de Scott Westerfeld, não dele necessariamente, mas de seu livro, foi quando uma amiga minha falou sobre a série Feios. Eu não conhecia e nem fui atrás de nada, pelo menos até Impostores cair nas minhas mãos e eu ir futricar como louca sobre o autor. Impostores é uma nova série ambientada no mesmo universo que a série Feios, mas muito anos após os acontecimentos da outra. Essa leitura individual não prejudica na compreensão do livro, mas quem já leu Feios tem uma vantagem para compreender algumas referências a ele presentes nesse livro. Por isso já deixo essa recomendação para vocês logo de início, de investir também na outra série, porque eu mesma estou louca pra ler e entender um pouco mais do funcionamento desse mundo maravilhoso criado por Westerfeld. Um mundo cheio de revoltas e rebeliões, risco e traições.

Rafia e Frey são irmãs gêmeas com apenas vinte e seis minutos de diferença, uma cópia exata uma da outra. Inseparáveis, as irmãs nunca passaram mais que um dia longe uma da outra. E isso poderia parecer perfeito se não fosse pela criação que ambas tiveram. Rafia, a mais velha, foi criada para ser a filha perfeita, inteligente, simpática e bem-educada, é a herdeira amada pelo povo que odeia seu pai, o autoritário líder de Shreve. Frey, por outro lado, foi criada para matar. Desde os sete anos de idade, passou cada segundo de sua vida treinando, conhece tudo sobre toda e qualquer arma e tem como única missão proteger sua irmã de qualquer adversidade, mesmo que para isso tenha que sacrificar a própria vida. O mundo não sabe de sua existência e, confinada a corredores secretos e suítes privativas, ela é o que precisa ser para a proteção de Rafi. Uma segurança, uma dublê, um escudo, sua última linha de defesa.

Quando o pai das gêmeas, para firmar um duvidoso acordo, manda Frey como refém no lugar de Rafia para a casa dos Palafox, a primeira família de Victoria, a garota se torna a impostora perfeita. Frey tem a oportunidade de experimentar um mundo em que poder andar livremente, sem viver escondida em corredores e a sombra de sua irmã. No entanto, as coisas não saem tão perfeitas em Victoria como ela pensava, já que a família Palafox parece ter seus próprios planos para a herdeira de Shreve e Col Palafox, o herdeiro da família, está muito perto de descobrir a assassina que existe por trás da máscara. Com o desmoronamento do acordo entre Shreve e Victoria e a explosão de uma guerra, Frey tem uma abertura única e precisa decidir se deve se arriscar revelando sua verdadeira identidade e definir de que lado, de fato, está a sua lealdade. Cercada por rebeliões, alianças, reviravoltas e intrigas, ela parte sabendo que qualquer passo em falso pode ser o seu último.
“Talvez essa seja uma má ideia, revelar minhas mentiras para fazê-lo confiar em mim. Mas elas são tudo que tenho. Minhas mentiras são as únicas coisas que são verdadeiramente minhas.”


Eu imaginava uma história diferente quando comecei a ler, mas não fiquei decepcionada com o que encontrei. Acho que, na verdade, fazia um bom tempo que eu não encontrava uma história que me deixava tão conflituosa com meus sentimentos. Que me fizesse consumir tão rapidamente suas páginas e que aguçasse tanto a minha curiosidade. Eu simplesmente adoro a Frey. E sinto uma dor profunda por ela também. Não consigo imaginar como deve ter sido para ela viver confinada dentro de salas e corredores, treinando cada segundo de sua vida, sendo quebrada cada dia de sua vida, sem amigos, sem liberdade e até mesmo sem sua própria identidade. Sendo sempre a sombra de sua irmã, o escudo dela contra tudo e qualquer coisa, sem nunca ter nada para si e nem exigindo mais do que isso. Sendo inexistente. Embora ela tivesse sua irmã ao seu lado, não deixa de ser uma existência solitária e triste. Gostei de como ela pôde respirar, pelo menos um pouco, quando foi para Victoria. De como, mesmo com o mundo caindo aos pedaços, das revoltas, riscos e toda a confusão gerada pela guerra, ela pode conquistar sua própria liberdade, não ser mais a substituta de Rafi, a dublê, mas apenas a Frey. O que é um ponto bem debatido pela personagem porque Frey passou tanto tempo sendo a substituta de sua irmã, a impostora, que encontra dificuldade em saber quem ela própria realmente é. E é incrível vê-la descobrindo isso. Ela é feroz, corajosa, dedicada, leal. Resoluta. (não resisti e tive que colocar essa palavra e se vocês lerem vão entender porque). Todos os motivos para fazer dela minha personagem favorita.

A Rafia... No começo eu achava ela bem chata, não que ela seja uma das personagens que mais gosto, mas consegui entende-la um pouco mais ao longo da história. Me colocar no lugar dela. Tendo que ver sua irmã sempre se arriscando por ela, salvando sua vida enquanto ela não pode fazer o mesmo. Enquanto sua irmã é ferida e ela não pode impedir. E claro, com o pai que elas têm, a vida não deve ser exatamente um mar de rosas. Mas acho bonita a ligação que ela e a Frey tem, de se comportarem como se fossem a metade uma da outra, o que não deixa de ser verdade. Col Palafox... Eu fiquei hesitante com ele no começo, gostei um pouco dele, aí fiquei com raiva dele e depois voltei a gostar dele. Ele não é bem o heroizinho típico de todo livro e acho que isso me fez gostar muito mais dele. Por sua inteligência, sua dedicação, o seu amor por sua família, sua cidade e seu povo. E também gosto do relacionamento dele com a Frey, porque não achei uma coisa forçada, tanto que cheguei a pensar que nem daria em nada. Ambos traíram um ao outro, mas também ficaram ao lado um do outro. Fugiram juntos, lutaram juntos e ele foi o primeiro a enxerga-la verdadeiramente. O que fez com que ele ganhasse muitos pontos comigo. Mas mais do que adorar eles como um casal, adoro a parceria que eles têm.


Eu falei desses três, mas tem vários outros personagens que são importantes também, embora não tenham tanto destaque, como Theo Palafox e o pai das gêmeas (demônio sem nome). Eu me debati em vários momentos ao longo dessa leitura, senti tristeza, alegria e raiva. Mas amei a história. Acho que Scott Westerfeld subiu para um rank de autores que ganharam o meu respeito (e um lugar especial na minha prateleira). O livro todo parece uma rebelião, uma sacada genial com direito a citações de Sun Tzu e Nicolau Maquiavel. E isso casa muito bem com tudo no livro. Adorei o cenário futurista, adorei a força dos personagens e de como tudo flui, mas, principalmente, amei como o nome do livro se relaciona tão bem com a história dos personagens. Acho que isso dá uma magia especial para a história. Todos são impostores.

Essa edição maravilhosa é divida em três partes, cada uma com capítulos curtos e fáceis de ler, tendo a narrativa feita em primeira pessoa, narrada pelo ponto de vista de Frey. A leitura em si também é muito gostosa, assim como o estilo de narrativa, e isso faz com que você devore uma página atrás da outra sem nem notar. Foi o que aconteceu comigo. Ajuda também o autor não ficar enrolando muito, se prendendo muito em determinadas descrições, de modo que ele cria o ambiente e deixa que nossa imaginação corra solta. Enquanto eu lia era como se eu pudesse ver o desenrolar das cenas diante dos meus olhos, como um filme, tanto que no final eu já estava prendendo o fôlego com a expectativa. E QUE FINAL FOI AQUELE? Foi uma grande e inesperada porrada. E agora só posso ficar agoniada e ansiosa pelo próximo volume da série para saber como tudo vai se desenrolar. 


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“Não sei o que dizer. Não sei como salvar alguém com palavras. Tudo que conheço são armas improvisadas, fraquezas descobertas, batalhas em que mergulho de todo coração. Tudo que conheço é guerra.”

Título: Impostores
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Galera Record
N° de Páginas: 352
Sinopse: “Catorze anos após o lançamento de “Feios”, o autor best-seller Scott Westerfeld retorna com “Impostores” a seu universo mais famoso com uma história completamente nova. Traição. Risco. Redenção. Nascidas com a diferença de apenas 26 minutos, as filhas do poderoso e autoritário governante de Shreve receberam criações muito distintas. Rafia, a mais velha, cresceu como a filha perfeita, oradora habilidosa e ícone de estilo. Frey, por sua vez, foi ensinada a matar; seu único propósito na vida é proteger a irmã gêmea e, se necessário, sacrificar-se por ela. Quando é enviada no lugar de Rafia como garantia de um perigoso acordo, torna-se a impostora perfeita. Longe da irmã e pela primeira vez sob os holofotes, será que conseguirá assumir sua própria personalidade – e, de quebra, arriscar tudo em uma rebelião?” 
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