RESENHA Em outra vida, talvez?

sexta-feira, 20 de abril de 2018
Título: Em outra vida, talvez?
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Grupo Editorial Record
Nº de páginas: 322
Sinopse: "Hannah está perdida. Aos 29 anos, ainda não decidiu que rumo dar à sua vida. Depois de uma decepção amorosa, ela volta para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente vai conseguir colocar a vida nos trilhos. Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E lá Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? Em realidades alternativas, Hannah vive as duas decisões. E, no desenrolar desses universos paralelos, sua vida segue rumos completamente diferentes. Será que tudo o que vivemos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que almas gêmeas realmente existem? Hannah acredita que sim. E, nos dois mundos, ela acha que encontrou a sua."
*Livro cedido em parceria com a editora


Eu fiquei super animada com a proposta desse livro, a ideia de que podemos saber como seria a vida da personagem se ela optasse por outro caminho é sensacional, é como se a autora se desse ao trabalho de pensar em todos os leitores, literalmente, mas a experiência não foi tudo isso, infelizmente.
 Hannah está se mudando, voltando para a sua cidade, ela nunca teve um local para realmente chamar de lar, sempre viajou muito mas depois de descobrir que era a amante de um homem casado, isso foi o suficiente para ela perceber que precisava voltar para suas origens e se entender antes de finalmente evoluir. É por apoio de sua amiga Gabby que ela volta e finalmente reencontra Ethan, o grande amor de sua vida mas que o destino sempre fez questão de mandar pra longe ou reapresentá-los em oportunidades não tão boas assim, quando ela resolve sair para uma noitada com sua amiga, reencontra seu grande amor e precisa escolher entre ficar e passar a noite com ele, ou ir embora pra casa, as NOSSAS escolhas começam a entrar em ação.





 Pois bem, Hannah pode escolher entre ficar com Ethan e ter uma noite maravilhosa, mas tardiamente descobrir como suas escolhas tem consequências sérias, ou decidir voltar para casa com Gabby, matar a saudade da melhor amiga e sem querer ter sua vida mudada pra sempre também.
 Eu realmente não quero dar spoiler sobre essa história mas independente do caminho que Hannah opta por seguir, as consequências são muito sérias, mas o mais importante nisso tudo é Gabby, pra começar ela é uma mulher negra, muito empoderada, dona de si, incrível! Minha vontade era de tê-la como amiga, independente do caminho que a protagonista escolha, Gabby está ali sempre pronta para dar apoio e mostrar o valor de uma amizade verdadeira. Já Hannah... Eu não sei, algumas coisinhas me incomodaram um pouco, achei ela um pouco vazia de tudo, uma mulher que passa por traumas terríveis mas que segue com outras prioridades me deixou um pouquinho desacreditada, em suma, a autora tinha um bom ambiente para trabalhar a história, uma jogada incrível para conquistar os leitores mas quem ganhou voz mesmo foi Gabby, ela quem salvou a história todinha! Já o romance, não senti conexão alguma entre os personagens infelizmente.
 Em todo caso, valeu a pena a leitura, pra variar me vi sorrindo ao ver uma mulher negra tão incrível na história, a proposta é engraçada mas eu esperava um pouquinho mais. Não há aviso sobre as mudanças de Hannah, você acaba lendo os dois caminhos que ela optou porque os capítulos se intercalam, isso soou meio confuso mas rapidinho peguei o jeito. 

É muito fácil racionalizar o que você está fazendo quando não conhece os rostos e os nomes das pessoas que talvez esteja magoando. É muito mais fácil escolher você mesma em vez de outra pessoa quando a coisa é abstrata.






RESENHA De volta para casa

terça-feira, 17 de abril de 2018

Título: De volta para casa
Autora: Seanan McGuire
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 184
Sinopse: "Crianças sempre desapareceram nas condições certas: escorregando pelas sombras debaixo da cama, atrás de um guarda-roupa ou caindo em buracos de coelhos e em poços velhos, para emergir em algum lugar... diferente. Nancy viajou para um desses lugares, e agora está de volta. As coisas que ela viu... mudam uma pessoa para sempre. E as crianças sob os cuidados de Eleanor West compreendem isso muito bem: cada uma delas procura a porta de volta ao seu próprio universo fantástico, mas poucas conseguem encontrá-la. Afinal, mundos mágicos têm pouca utilidade para crianças cujos milagres já foram usados. A chegada de Nancy marca também uma terrível mudança no internato. Há uma escuridão pairando à cada esquina, e quando a tragédia ataca, Nancy e seus colegas precisam desvendar o mistério. Não importa o custo."


*Livro cedido em parceria


 Este livro me surpreendeu, quando eu comecei a ler pensei que falaria sobre os outros mundos e os portais, mas não, é uma história de assassinato. Mas, para além disso, é uma história de superação, de aceitação, tanto de você mesmo quanto dos outros para com você, e novas oportunidades.


 Crianças do mundo todo somem e do nada voltam para casa, só que tudo está diferente, a filha fofa que você tinha não é mais fofa e está irreconhecível para você. Existem várias portas ou portais ao redor do mundo, e cada criança/adolescente tem algo em comum com o mundo atrás da porta, sendo assim, as crianças são puxadas para esses mundos e ficam desaparecidas por muito tempo, as vezes anos e as vezes por dias, o tempo é bem relativo nos mundos. Quando as crianças voltam, algumas não conseguem se adaptar a Terra e outras querem voltar para seus mundos, mas suas portas nem sempre abrem duas vezes, então existem várias escolas especializadas em quem quer voltar e em quem não consegue se adaptar. Os mundos são um segredo para a sociedade, só as autoridades sabem.



 Nancy quer voltar para seu mundo, para o salão dos mortos, o submundo. Ela voltou de seu mundo totalmente mudada, não usava roupas coloridas, só preto, branco e cinza. Sendo assim, ela foi para a escola de Eleanor, para adolescentes que querem voltar para seus mundos. Nessa escola ela conhece várias pessoas legais e umas pessoas horríveis também. Kade, meu personagem favorito, veio de um mundo todo colorido, mas foi expulso por não ser como eles queriam. Além de outros personagens que foram para mundos obscuros como as gêmeas Adams, Christopher e Sumi que foi para um mundo mais agitado, mas não obscuro.
 Assim que Nancy chega na escola as mortes começam, algumas pessoas dizem que ela é a assassina, mas as suspeitas realmente sobram para a gêmea mais tenebrosa, Jack, que no seu mundo fazia experiencias médicas com humanos. Várias mortes acontecem até eles descobrirem quem está matando todos da escola e pegando as partes do corpo que fazia aquela pessoa importante para seu mundo.
 Esse livro é lindo pois trata de questões de gênero, aceitação, sonhos, sobre qual é seu lugar no mundo. Tudo isso com um toque mágico dos mundos e da possibilidade de ser quem você realmente é para além desses portais.
 Foi uma ótima leitura e bem rapidinha, pois o livro é pequeno e a leitura flui que é uma beleza. Só quero dizer uma coisa: o/a assassino/a é quem você menos imagina. Como eu sou muito Sherlock Holmes, a minha suspeita estava certa . 


“Agora eu sei que, se a gente abrir a porta certa no momento certo, pode finalmente encontrar um lugar onde se sinta em casa”.






RESENHA Kindred

domingo, 15 de abril de 2018
Título: Kindred
Autora: Octavia E. Butler
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 432
Sinopse: "Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça. Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo. Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado."



Acho que eu nunca esperei TANTO pra realizar uma leitura, Kindred foi lançado tem um bom tempo e só vi comentários positivos a respeito, no entanto, o meu maior questionamento foi: Por que uma autora negra, considerada a primeira dama da ficção científica demorou tanto para ser traduzida? Bom, fica aí o questionamento, mas eu espero de verdade que vocês leitores parem pra pensar na gravidade disso, como a ausência de autores negros no cenário literário grita absurdamente e quase ninguém escuta.
 Dana está se mudando para seu novo apartamento, tudo está acontecendo de acordo com o que se espera até ela sentir uma sensação ruim, enjoo e se ver em um lugar diferente, ela foi transportada para o passado e inicialmente não entende nada.
 Acontece que Dana volta exatamente para o período que Rufus ainda é uma criança, ela precisa salvá-lo e é exatamente o que faz, logo após isso ela é transportada novamente para seu apartamento e tanto seu marido quanto ela parecem não entender o que aconteceu. Quem é Rufus e porque Dana sempre volta quando ele parece estar correndo perigo?


 O livro começa com o final da história, você não entende porque Dana está hospitalizada e tão debilitada, é preciso compreender a narrativa toda para entender aquele final tão doloroso para ela. Acontece que Rufus é um antepassado seu, e ela precisa salvá-lo para garantir a sua própria existência no futuro, mesmo ele sendo um homem extremamente racista e machista, ela não tem opção.
 Eu prometi a mim mesma que leria mais autores negros esse ano, tanto por mim, como estudante de Letras e consciente do racismo no cânone literário quanto por vocês, que precisam conhecer o poder da escrita de autores negros! Essa foi a melhor experiência possível, eu não tenho o hábito de ler ficção científica mas isso em momento algum foi problema, Dana tem questões muito mais importantes que isso. O racismo presente na obra só ressalta como o período de escravidão aniquilou a população negra de maneira assustadora. Rufus sabe quem Dana é, entende a sua importância mas em momento algum deixa de pensar que ela é só mais uma mulher negra e sua função é servir, já Dana... Ela é uma mulher inteligente, estudada, mas sabe que o período que se encontra não favorece em nada seus ancestrais.
 Chorei demais ao realizar essa leitra, me senti machucada, impotente, incapaz. As cenas de violência e castigos com os escravos são dolorosas, você praticamente sente o cheiro do sangue deles. Já aviso que há possíveis gatilhos de estupro, e que Octavia sabe como ninguém como sensibilizar o leitor. Ainda assim a leitura é extremamente válida, senti que estou muito bem representada no cenário literário e que esse é um tema que merece notoriedade. 

A dor nunca tinha sido minha amiga antes, mas agora, ela me mantinha parada. Ela forçava a realidade em mim e me mantinha sã.






RESENHA Maresi

quinta-feira, 5 de abril de 2018
Título: Maresi
Autora: Maria Turtschaninoff
Editora: Morro Branco
Nº de páginas: 200 páginas
Sinopse: "Uma história sobre amizade e sobrevivência, magia e encantamento, beleza e terror. Maresi chegou à Abadia Vermelha quando tinha 13 anos, durante o Inverno da Fome. Antes disso, só ouvira rumores e fábulas sobre o lugar. Em um mundo onde garotas são proibidas de estudar ou seguir seus próprios sonhos, uma ilha habitada apenas por mulheres soava como uma fantasia incrível. Agora Maresi vive ali e sabe que é real. Ela está segura. Tudo muda quando Jai, com seus cabelos emaranhados, cicatrizes e roupas sujas, chega em um navio. Ela fugia da crueldade e dos perigos escondidos em sua terra natal – mas os homens que a perseguem não vão parar por nada, até encontrá-la. Agora as mulheres e meninas da Abadia Vermelha terão que usar seus poderes e conhecimento ancestral para combater as forças que desejam destruí-las. E Maresi, assombrada por seus próprios pesadelos, deve confrontar seus mais profundos e terríveis medos."

*Livro cedido em parceria


 Esse foi o meu primeiro contato com a editora Morro Branco, se eu gostei? Li Maresi em algumas horas, em seguida li Kindred e logo sai a resenha de De volta para casa, então o que você acha?
 Que livro sensacional, que trama! Eu sinceramente não sei por onde começar, tem tanta mulher incrível nessa história que quase soa injusto não mencionar todas as habitantes dessa ilha.
 Pra começar, a Ilha de Menos, onde se localiza a Abadia Vermelha só pode ser habitada por mulheres, homens chegam até ao porto somente, para realizar trocas de alimentos e trazer novas garotas, o homem que ousar pisar os pés na ilha é severamente punido por forças que ninguém é capaz de explicar. Há um clima muito oculto e misterioso em relação a esse lugar, todos respeitam muito essas mulheres, pessoas de lugares distante as veem como lenda, mas se tem uma coisa que essas mulheres são, é reais, são mulheres de fibra e que não vacilam quando o medo encara elas de frente.



 A história é narrada por Maresi, uma das garotas acolhidas pelas mulheres da ilha, fica claro no decorrer da leitura como essa união feminina é forte e elas buscam o poder por meio do conhecimento, esse é um dos pontos mais latentes da história e que é visto como um dos pilares dessa Abadia para que de fato ela funcione. Tudo é relativamente tranquilo na ilha, as garotas recebem ensinamentos por todo lado, todas se ajudam nas tarefas, mas quando uma garota nova chega, tudo muda de rumo. Jai é uma garota calada, chegou muito debilitada e tem uma história que ninguém sabe. Ela foi acolhida pelas mulheres da ilha porque fugiu de seu pai, um homem altamente cruel e que foi capaz de coisas baixíssimas com sua irmã. No entanto, ela não é de falar muito, sabemos que há um trauma e acima de tudo um temor, mas Jai fala pouco. 
 Acontece que seu pai nem os homens que o acompanham querem deixar a garota em paz, a honra da família foi manchada e ele deseja vingar. Com isso, toda a ilha está ameaçada, aqui vale o ditado "Mexeu com uma, mexeu com todas" todas as mulheres da ilha irão lutar não somente para salvar Jai, como também para entender como a magia irá caminhar com elas a partir daquele momento. Eu subestimei o elemento fantástico desse livro e levei um grande soco na cara! Ele estava ali, quietinho, aparecendo uma vez ou outra, reverberando na história, mas quando apareceu... Mostrou porque merecia espaço.
 Eu realmente não quero dar spoiler sobre esse livro, ele é só o primeiro de uma série maravilhosa mas o primeiro contato com a escrita da autora não poderia ter sido melhor. Maria conseguiu construir um mundo fantástico em 200 páginas, colocou mulheres fortes e no decorrer da história reforçou a importância da literatura. Sem contar essa espécie de hierarquia que sabe dar lugar ao novo, sabe respeitar o espaço e a importância de cada mulher naquele local, até as crianças são empoderadas! É lindo demais. 
 Me senti confortável fazendo essa leitura, me senti acolhida, e acima de tudo entendi como a sororidade é importante, mulheres unidas são fortes, movem mares, literalmente. Esse é só o primeiro livro! Ele terminou muito bem fechadinho, tudo foi bem solucionado e ainda deixou um baita gostinho de quero mais. 



A ilha tinha cheiro de mel e de sereno enquanto subíamos o caminho pela encosta da montanha e eu me lembro de pensar que nunca poderia ter sonhado com tal lugar quando vivia no vilarejo. Um lugar com calor e alimento e conhecimento. A vida em Rovas era como uma caverna onde ninguém tem ideia do mundo exterior e a escuridão fria da caverna é tudo que todos conhecem. Vir para a Abadia e aprender a ler foi como abrir uma grande janela e ser inundada de luz e calor.









RESENHA Entre as estrelas

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Título: Entre as Estrelas
Autora: Katie Khan
Editora: Bertrand Brasil
Nº de Páginas: 280
Sinopse: "Um romance futurista surpreendente sobre o impacto do primeiro amor e como nossas escolhas podem mudar o destino de todos ao nosso redor. Perfeito para os fãs Um Dia e Gravidade. Num futuro não muito distante, após a aniquilação dos Estados Unidos e do Oriente Médio, a Europa nada mais é que uma utopia na qual, a cada três anos, a população se muda para uma nova comunidade multicultural.  Em um desses paraísos, Max conhece Carys, e é amor à primeira vista. Ele logo percebe que Carys é a pessoa com quem deseja passar o resto da vida - uma decisão impossível nesse novo mundo. Conforme o relacionamento dos dois se desenvolve, a conexão entre o tempo deles na Terra e o dilema atual no espaço vai sendo revelado. À deriva entre as estrelas, com apenas noventa minutos de oxigênio, eles concluem que só um deles tem a chance de sobreviver. Mas quem?"

*Livro cedido em parceria 



 Só tenho uma coisa a dizer sobre esse livro: tristíssimo, arrasou meu coração. Esse livro é todo lindo e todo triste, a capa é maravilhosa e fiquei apaixonada por ela. A história é triste do começo ao fim porque já começa em uma situação ruim, mas ao mesmo tempo é lindo. 




 A história é a seguinte, Carys e Max estão presos no espaço e não tem jeito deles voltarem para a nave nem tem como eles falarem com a central na terra, ou seja, eles estão largados no espaço e caindo cada vez mais em direção aos asteroides que estão ao redor da terra. E para piorar tudo isso os cilindros de oxigênio deles não estavam cheios e eles só tem 90 minutos de ar. O livro foi bem pensado sendo em terceira pessoa, então nós sabemos o que os dois estão pensando ao mesmo tempo o que é bom por que o livro todo se passa em 90 minutos e não dá para perder tempo. A narrativa é dividida em presente e passado, então ao longo do romance nós vamos sendo apresentados ao porquê de eles estarem no espaço e o porquê eles estão fora da nave. 




 Os protagonistas vivem em um universo distópico, e, diferente de quase todos os livros, o país principal e que acontece tudo não é os EUA e sim na Europa. A Europa é o centro do mundo, a utopia, todas a leis e regras foram pensadas para o bem-estar comum e a prosperidade da utopia, no entanto, no momento atual da narrativa algumas regras não estavam agradando mais as pessoas. E é aí que Carys e Max entram. Nessa sociedade perfeita todos vivem em um sistema de rotação, então de 3 em 3 anos eles mudam de país, país esse que faça parte da Voivoda que são os países que aceitaram viver com todas as novas regras que foram criadas, ou seja, a cada 3 anos eles tem que mudar de casa, fazer novos amigos, aprender uma nova língua que, para eles, 5 é o mínimo que eles deveriam saber para poder falar com 70% da população mundial, o que faz sentido pois eles sempre mudam de país. Pode até parecer incrível, poder conhecer o mundo todo e conhecer novas culturas, no entanto, isso acaba se tornando muito solitário e triste. Além disso, eles têm uma regra que duas pessoas só podem se casar depois dos 35 anos de idade. Ninguém fala nada contra essa lei, mas como sempre e em todo lugar algumas pessoas não concordam tanto assim e duas delas são Carys e Max. Eles acabam se apaixonando e querem ficar juntos, mas como ele faz parte de uma das famílias fundadoras ele precisa dar o exemplo e isso dificulta muito a convivência entre eles, pois Carys não liga tanto assim para as leis. Muita coisa acontece até nós descobrirmos o motivo de eles estarem no espaço, coisas tristes, coisas idiotas que todo ser humano faz e muito amor. Esse amor é bonito e real, tudo se encaixa quando eles estão juntos. 


 Os capítulos finais foram bem confusos para mim, mas no último capítulo tudo é esclarecido. É um livro ótimo e bem futurista, a sociedade está bem diferente do que imaginamos, as pessoas quase não cozinham, todos tem um chip no braço no qual é possível controlar tudo. É realmente bem avançado nesse quesito, então se você gosta de uma distopia com direito a retrato digital e com todas as paredes juntas como uma tela gigante esse livro tem que estar na sua lista. 


"− Pode até ser – responde Max −, e eu não gosto de ter que dizer isso, mas qualquer sistema que pode ser arruinado pelo fato de eu amar você já era bem frágil antes."






RESENHA Isla e o final feliz

quarta-feira, 28 de março de 2018
Título: Isla e o final feliz
Autora: Stephanie Perkins
Editora: Intrínseca
Nº de páginas: 304
Sinopse: "Tímida e romântica, Isla tem uma queda pelo introspectivo Josh desde o primeiro ano na SOAP, uma escola americana em Paris. Mas sua timidez nunca permitiu que ela trocasse mais do que uma ou duas palavras com ele, quando muito.
Depois de um encontro inesperado em Nova York durante as férias envolvendo sisos retirados e uma quantidade considerável de analgésicos, os dois se aproximam, e o sonho de Isla finalmente se torna realidade. Prestes a se formarem no ensino médio, agora eles terão que enfrentar muitos desafios se quiserem continuar juntos, incluindo dramas familiares, dúvidas quanto ao futuro e a possibilidade cada vez maior de seguirem caminhos diferentes.
Com participações de Anna, Étienne, Lola e Cricket, personagens mais do que queridos pelo público apresentados em livros anteriores da autora, Isla e o final feliz é uma história de amor delicada, apaixonante e sedutora, um desfecho que vai fazer os fãs de Stephanie Perkins suspirarem ainda mais."



 Primeiramente: se Stephanie Perkins existe graças a Deus por que existe. Segundamente, Isla e o final feliz é o ultimo livro da trilogia que não está sequencialmente conectada, mas eventualmente se conecta e faz parte do mesmo universo, ou seja, são três histórias distintas, no mesmo universo e que se conectam no final. 
 Comecei enaltecendo Stephanie Perkins porque eu simplesmente amo a escrita dela. A alguns anos eu li Lola e o garoto da casa ao lado, segundo livro da trilogia, e fiquei apaixonada. Stephanie escreve de uma forma linda e verdadeira sobre dramas reais dos adolescentes, primeiro amor, a confusão que pode ser o ensino médio, decisões que podem mudar todo o futuro. Tudo isso com um toque parisiense, claro. Eu não li o primeiro livro da trilogia, Anna e o beijo francês, mas como o personagem principal, St. Clare, é o melhor amigo do personagem principal de Isla e o final feliz, Josh, dá para ter uma ideia do resumo do livro. Além do mais, no final desse livro os três casais se encontram em Paris e é lindo.
 Agora falando do livro em si, Isla e o final feliz é um livro sobre encontrar a si mesmo, saber quem você é e amar a si mesmo para assim, e só assim, conseguir amar o próximo e compreende-lo. Isla, que se pronuncia “Aila” não “Assla”, é uma garota nova-iorquina que estuda na França, mais especificamente em Paris em um colégio chamado SOAP, Isla não tem planos para o futuro, ela está o último ano do ensino médio e não decidiu que faculdade fará ou o que quer fazer quando terminar o ultimo ano. Nas férias de verão ela estava em uma cafeteria em New York quando vê Joshua Wasserstein, o amor da vida dela desde sempre, e acaba chamando ele para se sentar junto com ela. Eles conversaram bastante até que ela dorme encostada no vidro da cafeteria pois estava dopada com uns analgésicos para dor que ela havia tomado porque tinha acabado de tirar um dente do siso. Depois disso Josh leva ela para casa e ela chama, imediatamente, seu melhor amigo no mundo, Kurt, para contar tudo o que aconteceu. Isla sentia que Josh gostava dela, mas não queria dar falsas esperanças para si mesma em relação a isso. No outro dia ela vai novamente na cafeteria com Kurt para ver se encontra Josh novamente, mas não.
 Joshua Wasserstein é filho no candidato a senador Sr. Wasserstein, a motivação da vida de Josh é o desenho, ele ama isso, desenha o tempo todo, até está fazendo uma autobiografia em forma de histórias em quadrinhos. Josh já sabe exatamente o que quer para seu futuro: ir para o Centro de Estudos De Desenhos Animados, e aprimorar seu conhecimento sobre a arte de desenhar. Josh estuda na mesma escola que Isla na França, só que ele não gosta da escolha e faz de tudo para ser expulso, mas nunca é.


 Josh e Isla começam a se aproximar, ela não sabe ainda, mas ele é muito apaixonado por ela também. Depois de um mês namorando eles decidem viajar para Barcelona no final de semana, só que viajar para fora do país é proibido durante o ano letivo. A viagem é linda, eles conhecem vários pontos turísticos e tem a primeira vez um com o outro – sexo não é um tabu para os franceses, e a mãe de Isla é francesa, então isso não é um ponto alto do livro, mas para os personagens é – só que eles acabam sendo descobertos e Josh é expulso da SOAP por já ter muitos delitos e Isla pega detenção. Com a volta de Josh para NY eles ficam muito distantes e a soma de vários acontecimentos acaba abalando o relacionamento deles. Mas como diz o titulo do livro, existe um final feliz.

 Se você gosta de romances que enchem o coração de felicidade e vontade de ter algo tão real quanto o que acabou de ler, esse livro é perfeito para você. Perkins escreve de uma forma mágica que me prendeu e fez com que eu me apaixonasse pelos personagens com Lola e o garoto da casa ao lado e repetiu o mesmo feito com Isla e o final feliz.


"Sempre peguei muito pesado comigo mesma. Mas não é melhor ser realista em relação a essas coisas antes que outra pessoa use isso contra você? Antes que alguém machuque você? Não é melhor que você mesmo faça isso? Sempre pensei que ser realista faz as pessoas serem mais fortes."






RESENHA Lute como uma garota

Título: Lute como uma garota
Autoras: Laura Barcella e Fernanda Lopes
Editora: Cultrix
Nº de páginas: 368
Sinopse: "Estamos vivendo novos tempos: a discussão sobre os direitos das mulheres não se concentra mais em grupos específicos e a luta feminista amplia seu debate na sociedade. Da violência contra a mulher à cultura do estupro, uma série de questões é tema de conversa frequentes na mídia e nas redes sociais. Mas como chegamos até aqui? Quem nos ajudou nessa trajetória? "Lute como uma Garota", de Laura Barcella, reúne o perfil de figuras importantes da militância feminista, abrangendo as pioneiras do século XVIII e as estrelas pop dos dias de hoje, como Frida Khalo, Simone de Beauvoir, Oprah Winfrey e Madonna. E o livro não deixa de fora os nomes essenciais da luta no Brasil: em 15 perfis, com nomes como Djamila Ribeiro e Clarice Lispector, a jornalista Fernanda Lopes traz ao público um pouco de nossa história. Com ilustrações, prefácio de Mary Del Priore e apresentação de Nana Queiroz, Lute como uma Garota mostra a força dessas mulheres."

*Livro cedido em parceria com a editora



 O que eu mais gosto nessa nova leva de leitores é como eles são empoderados e conscientes de que a leitura acima de tudo, deve ser representativa. Há uns três anos as editoras tem percebido a importância disso e traduzido muito mais obras que abracem todos os leitores, sejam eles negros, gays, lésbicas, trans, cara, isso é bacana demais! Por muito tempo só li livros com protagonistas brancas e quando lançaram O ódio que você semeia(tem resenha aqui) eu senti que aquilo foi um divisor de águas, sabe? Me ver em uma protagonista forte, que também ama, sem esses esteriótipos sociais foi maravilhoso, mas melhor que isso, foi perceber como as coisas estavam mudando, como o mercado editorial tem caminhado lado a lado com o feminismo, movimento negro, LGBT, isso é incrível. Sendo assim, em um ato totalmente girl power a editora Cultrix lançou Lute como uma garota, essa belezinha que tem como proposta mostrar personagens femininas marcantes e que contribuíram não somente pelo direito das mulheres mas por tantas outras coisas também.



 Receber essa belezinha foi incrível, a começar pela capa que tem uma das pessoas que tanto amo, Djamila Ribeiro, ver ela lado a lado de outras mulheres sensacionais mostra como o cenário brasileiro também é crucial na busca pela igualdade. A proposta do livro apesar de simples é bem supimpa, uma lista com 60 mulheres MARAVILHOSAS que mudaram o mundo de alguma maneira. Eu fiquei imensamente feliz pelas escolhas, obviamente senti falta de algumas mulheres como por exemplo a Elza Soares mas entendo que o escopo do livro é o mundo todo, sendo assim, fica difícil encontrar apenas 60 mulheres incríveis em todo o nosso globo terrestre, mas isso não é algo ruim, o livro conta com uma representatividade sensacional, indo de Beyoncé até Malala. Ou seja, fica claro que cada mulher, independente do espaço social que ocupa pode fazer a diferença.



 O livro conta com um design bem simples, apresentando o nome de cada uma das mulheres, o ano de seu nascimento e morte, uma frase marcante, quais os seus maiores feitos que fizeram com que ela merecesse espaço no livro, o seu legado, sua história, suas grandes realizações, frases famosas e uma ilustração lindona! Eu me apaixonei por esse livro, estava acostumada com obras nesse estilo mas em um formato físico mais elaborado, capa dura, mas se você gosta de pesquisar história, curte algo mais simples e ainda assim com a sua beleza, essa é a dica, eu me senti MUITO representada, principalmente porque o número de mulheres negras presentes no livro é enorme, meu sorriso cresceu quando vi isso. A editora Cultrix pensou em cada detalhe, para agradar a cada uma. O livro ainda conta com um "especial" dentro da próprio obra, das 60 mulheres escolhidas, 15 ocupam um espacinho especial no capítulo Brasileiras que foram à luta - 15 perfis biográficos para entender a história do feminismo no Brasil, isso que é dica! 
 Pois bem, se você busca entender um pouquinho mais sobre a luta feminista ou até mesmo a história de algumas mulheres que são vistas como referência no mundo todo, essa dica é mais do que obrigatória. 


Você tem que sacudir as grades da sua gaiola. Tem que mostrar a eles que está ali e que quer sair. Tem que fazer barulho. Causar um reboliço. Talvez você não vença de imediato, mas com certeza vai se divertir mais.



 
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