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RESENHA Dando um tempo

10 de janeiro de 2019


 Quem acompanha o blog desde o comecinho sabe que Marian Keys é uma das minhas autoras favoritas da vida e Melancia é um dos meus livros queridinhos, a maneira que ela consegue expressar relacionamentos com um núcleo familiar muito bem construído e ainda mesclar romance com comédia é sensacional. Sei bem que quando estiver de ressaca literária, Marian será sempre o meu melhor remédio e definitivamente irei me divertir bastante. Acontece que em Dando um tempo a autora me parece muito mais madura, a problemática da história não segue o clichê das comédias românticas e no plano de fundo do enredo, existem situações bastante sérias e que necessitam de um debate, foi uma leitura gostosinha e que serviu para reforçar os motivos para amar a autora, quer conhecer um pouquinho mais dos motivos?



 Amy O’Connel é uma mulher real, trabalha de maneira frenética e faz de tudo para a sua empresa prosperar, além disso ela é mãe de três meninas com personalidades muito fortes, tenta ao máximo ser presente e como se não bastasse, ainda faz de tudo para ser uma boa esposa, tudo parece caminhar muito bem até que seu marido Hugh perde seu pai, ele não consegue superar esse evento tão triste e se vê sem rumo, sem muitas escolhas para melhorar a situação, Hugh  resolve avisar que está dando um tempo no casamento, ele simplesmente avisa que irá sair de férias por seis longos meses e não sabe o que irá acontecer nesse período, ele pode encontrar outra pessoa, pode se encontrar e voltar um homem renovado, muita coisa pode surgir nesse período. Amy tem o seu coração destroçado por essa notícia, a ideia de que seu casamento não vai tão bem assim e que seu marido pode se relacionar com outras mulheres durante esse período acaba com ela e durante muito tempo Amy tenta entender onde errou, porque se o casamento não vai bem, a culpa é dela, certo? Dar um tempo deveria ser uma saída para Hugh, mas na verdade se torna um momento incrível de descobertas para Amy.
 Como conheço bem a escrita de Marian, eu tinha uma ideia do que esperar da protagonista, uma mulher engraçada e que sabe fazer dos limões uma limonada completa, mas eu fui muito mais surpreendida, Amy passa por uma espécie de fase de término de relacionamento, desde luto, negação, até aceitação, mas isso não acontece do dia para noite.



 Pra começar, ela precisa lidar com o seu atual marido arrumando as malas e se planejando por dias na sua própria casa, pra embarcar uma jornada que provavelmente vai envolver outras mulheres, como explicar isso para suas filhas? Hugh não quer que ele e a esposa tenham contato durante esse período, porque todo castigo pra uma boa mulher é pouco, certo?
 As filhas de Amy lidam com essa situação de maneira esperada, ficam surtadas e surge a dúvida se o pai vai realmente retornar pra casa depois desse tempo todo, além disso, todas as atividades vão ficar nas costas de nossa protagonista, tudo que era divido com Hugh na rotina agora é papel de Amy, quão egoísta isso é? Ok precisar de um tempo, isso pode acontecer, mas quando isso envolve outras pessoas que dependem de você, essa situação precisa ser muito bem pensada. O que me alegra nessa situação toda é que Amy foi uma mulher forte, capaz de renascer lindamente após um baque tão grande.
 Assim que Hugh parte Amy entra em um ciclo vicioso de ódio e saudade, durante um período ela começa a refletir quais foram os problemas que culminaram nessa situação, e passa a se sentir culpada, mal consegue trabalhar porque o julgamento sobre essa situação é muito grande por parte de amigos e família, vale aqui fazer um recorte, a família de Amy é MUITO doida mas maravilhosa, eles são engraçados e unidos demais, e as filhas dela, são puro amor e ajudam a mãe a superar essa situação aos poucos. Enquanto eu lia refleti sobre muita coisa, eu entendo plenamente que em alguns momentos nós precisamos de um tempo para refletir e reavaliar a vida que levamos, mas pra um homem isso foi tão mais fácil, se desprender da relação com as filhas e a esposa e partir, se fosse o contrário ela seria muito mais julgada. Sem contar que Amy segurou a barra sozinha, se virando em mil para dar conta de suas obrigações em casa e no trabalho, e ainda sobrou tempo para romance e solucionar problema alheio.
 Durante a narrativa vamos conhecer Amy por completo, e acompanhar sua jornada de amor próprio também, ela nos faz voltar ao tempo lembrando de quando conheceu o seu marido, como era sua vida antes das filhas, como as relações do trabalho a tornaram uma mulher tão incrível nos dias de hoje, e depois de tanta reflexão, um romance antigo volta com tudo, afinal, se Hugh pode se aproveitar dessas férias, ela também pode! Eu me diverti muito com essa história, e estive presente em absolutamente todos os momentos, senti raiva, senti pena, senti ternura e entendi como o amor de mãe é grande demais e capaz de fazer qualquer coisa por suas filhas, é apaixonante essa situação em especial. Aqui Marian criou personagens com temas mais maduros, mas a família divertida segue sendo presente.

 “Sinto que não fiz o suficiente com a minha vida. O suficiente para mim.”

 Eu poderia dividir esse livro em três grandes blocos, o primeiro é onde Amy recebe a notícia e sofre de maneira desoladora se culpando por conta disso, o segundo é onde ela coloca a cabecinha pra pensar e consegui ver perfeitamente ela se olhando no espelho e dizendo “Ok, meu marido foi embora, ele pode me trair, mas e daí? Ainda preciso cuidar das minhas filhas e preciso manter o foco no meu emprego, ele foi um babaca mas a vida continua” e aí a coisa engrena, ela não para sua vida por conta de um acontecimento tão triste, e morando sozinha descobre as coisas que é capaz, do quanto é uma mulher bonita e competente, já o terceiro bloco é o fechamento do ciclo, não vou dar spoilers mas ao final do livro eu fiquei chocada com a maturidade da protagonista, você gosta de personagens que evoluem absurdamente durante a história? Amy é a sua garota então!
 Seguindo o padrão dos livros da Marian, o livro é grande, mas eu me diverti tanto, me envolvi tanto que mal vi as páginas indo embora, terminei o livro com a sensação de que absorvi muito bem a mensagem que a autora gostaria de passar e que família é um bem muito precioso. Uma leitura gostosinha, engraçada mas que te faz refletir pra além do pensamento próprio e das suas ações, tudo o que você faz afeta o outro também.


Título: Dando um tempo
Autora: Marian Keys
Editora: Bertrand Brasil
Nº de Páginas: 588
Sinopse: "Amy e Hugh vivem o que se pode chamar de casamento perfeito, e apesar de o dinheiro ser curto e o estresse ser muito, sua vida segue uma rotina confortável... até que a morte do pai e de um grande amigo desencadeia em Hugh uma intensa crise durante a qual ele decide que precisa dar um tempo de tudo, sobretudo da vida a dois, e parte rumo ao sudeste asiático, por onde viajará por seis meses. Incapaz de fazer o marido mudar de ideia, Amy sabe que muita coisa pode mudar nesses seis meses. Quando Hugh voltar — se voltar —, será ainda o mesmo homem com quem se casou? E será ela a mesma mulher? Afinal, se ele está dando um tempo do casamento, ela também está, não é?"*Exemplar cedido em parceria com a editora.


RESENHA À Beira da Loucura

7 de janeiro de 2019


Acabaram as férias do blog e voltamos em 2019 com força total, preparados? Vem conferir a resenha dessa belezinha que me deixou com um monte de questionamentos durante muitos dias!

Primeiro livro da autora que tenho contato, e confesso que comecei super animado, afinal as outras obras dela fazem bastante sucesso e quando tive a oportunidade de lê-lo, não deixei passar. Eu adoro thrillers, e esse aqui começou muito bem, diga-se de passagem, mas as coisas mudaram um pouco conforme continuei na leitura. 


Cass mora com seu marido Matt em um chalé afastado das outras casas da rua e no momento ela se encontra de férias. Após voltar da casa de amigos depois uma noite de bebedeira e diversão, Cass se depara com um carro parado no meio da estrada pela qual seu marido disse para ela não passar. Ela tenta parar para ajudar a moça que está dentro do mesmo, mas por conta da chuva forte demais e pelo fato de a mulher não esboçar nada, Cass vai embora e no outro dia as coisas pioram, pois a mulher que Cass viu, foi assassinada brutalmente.

A partir daí o pesadelo começa, nossa protagonista começa a se culpar pelo assassinato, pois segundo ela, poderia ter feito algo a mais, e por esse motivo, não conta nada à ninguém, mas isso não é nem metade do que ela está para passar.

Além desse peso na consciência, ela começa a perceber que sua memória está lhe traindo de alguma forma. No passado, sua mãe foi diagnosticada com demência aos 44 anos, e agora isso está pesando para Cass, pois ela pode estar indo para o mesmo caminho.

Ser prisioneira de si mesma e escrava de sua mente, é algo terrível. Não saber com certeza se você fez ou realmente disse algo, é preocupante demais, pois não dá para confiar em si mesma, e nossa protagonista está sabendo como ninguém, como é passar por isso.

As coisas só pioram quando ela se dá conta de que Jane, a mulher morta, era na verdade sua mais nova amiga. Elas tinham acabado de se conhecer, e Cass fica arrasada ao descobrir que uma pessoa próxima teve um fim tão brutal. Diante disso Cass se sente agora culpada pela morte da amiga. Afinal quando ela passou por lá Jane ainda estava viva dentro do carro, e ela poderia ter feito alguma coisa. Ou será que Cass também seria uma vítima naquela noite se tivesse permanecido um pouco mais?


A narrativa é fluida embora tenha partes maçantes que cansam. Como todo thriller, o suspense é iminente, mas aqui confesso que fiquei um pouco cansado de tudo. Algumas atitudes da personagem principal me irritaram demais, e não falo de coisas grandes, mas pequenas coisas, que quando somadas se tornam uma bagagem grande demais para não ser considerada. Algumas pontas ficaram soltas ao fim do mistério que rodeia Cass, e os porquês, nem todos, são solucionados, deixando assim questionamentos sobre algumas decisões que a protagonista optou por seguir, então quando cheguei ao final eu fiquei com algumas perguntinhas martelando na cabeça, ou talvez eu não tenho absorvido tudo o que o livro teve para me dizer.

Foi uma leitura boa e proveitosa, um livro que eu diria "médio" numa escala de bom a ruim. Espero sim ler mais coisas da autora e descobrir mais sobre seu universo, como sempre digo, leitura é experiência, talvez outro leitor tenha aproveitado muito mais a obra em si, eu que sou fanático por esse gênero sei que é uma boa leitura mas nada tão inovador assim no gênero. Em todo caso, a escrita da autora acontece de maneira muito linear, você não consegue confiar totalmente na protagonista e pra mim isso é um ponto bastante positivo, eu fui convencido. Não somente por esse aspecto, mas a obra em si muitas vezes me deixou alheio ao mundo por conta da curiosidade e sinceramente falando, eu amo quando isso acontece.  Se você procura uma obra que te deixe com uma pulga atrás da orelha o tempo todo, esse livro é pra você.



Título: À Beira da Loucura
Autora: B. A. Paris
Editora: Editora Record
Nº de Páginas: 350
Sinopse: "Em quem mais confiar quando não se pode confiar em si mesmo? Cass está sendo consumida pela culpa desde a noite em que viu uma mulher dentro de um carro parado na estrada perto de sua casa, durante uma terrível tempestade, e tomou a decisão de não sair para ajudá-la. No dia seguinte, aquela mesma mulher foi encontrada morta naquele exato lugar. Cass tenta se convencer de que não havia nada que pudesse ter feito. E, talvez, se tivesse ido ajudá-la, poderia ela mesma estar morta agora. Mas nada disso é o suficiente para aplacar a angústia que sente, principalmente considerando o fato de que o assassinato aconteceu ali do lado, bem perto de sua casa isolada ― e que o assassino ainda está à solta. Então, depois da tragédia, Cass começa a ter lapsos de memória: não consegue se lembrar de ter encomendado um alarme para casa, não sabe onde deixou o carro, muito menos por que teria comprado um carrinho de bebê quando nem filhos tem. A única coisa que ela não consegue esquecer é Jane, a mulher que poderia ter salvado, e a culpa terrível que a corrói por dentro. Tampouco consegue esquecer as ligações silenciosas que vem recebendo, nem a sensação de que está sendo observada. Seria possível que o assassino a tivesse visto, parada no acostamento, enquanto decidia se ajudaria a mulher ou não? Será que ele está tentando assustá-la para que ela não conte nada à polícia? Mas como alguém poderia acreditar em seus temores quando nem mesmo ela é capaz de saber o que é verdade e o que é mentira? E como Cass pode acreditar em si mesma quando tudo ao seu redor parece provar que está ficando louca?"

RESENHA A Balada do Black Tom

21 de dezembro de 2018


Consternada, estupefata, chocada... Há muitos adjetivos que eu poderia listar de como me sinto depois dessa leitura. Quando peguei esse livro não imaginava que ele fosse ser assim, tão intenso e entorpecedor, tão conflitante, e se foi essa intenção de Victor Lavalle ao escrevê-lo, ele conseguiu com maestria. Graças a Editora Morro Branco, que não para de me surpreender, devo acrescentar, eu pude ler duas obras em uma única nessa maravilhosa edição. A Balada do Black Tom é uma releitura de um dos clássicos do escritor H.P. Lovecraft intitulado “O Horror em Red Hook”, e ele é tanto um tributo ao clássico quanto uma crítica ao caráter xenofóbico, racista e controverso da obra, que também eram muito latentes no século XIX. É uma obra que contém um terror bizarro, mistério, situações de natureza humana, por muitas vezes revoltante, que mostra a situação dos negros nos anos vinte (em certas coisas não tão diferentes de hoje) e com uma crítica que com certeza muda um pouco mais a nossa forma de enxergar o mundo e a sociedade na qual vivemos.  


Charles Thomas Tester, em seus vintes anos, sabe perfeitamente a situação de um homem negro frente a sociedade, assim como também sabe a magia e as manobras ardilosas necessárias para tornar-se invisível para as vistas indesejáveis. Ele vive no Harlem com seu pai doente, Otis, e faz de tudo que está ao seu alcance para colocar comida na mesa e um teto sobre suas cabeças, e isso consiste em todos os tipos de trambiques e trabalhos possíveis, mesmo contra a vontade do pai, que estendem-se de sua vizinhança até as áreas menos seguras, pelo menos para um homem de sua cor, do Queens. E é durante um desses trabalhos que ele vê sua vida mudar completamente, quando mundos se descortinam e ele passa a ter conhecimento de um tipo mais profundo de magia.

Com uma perda dolorosa e escolhas perigosas, Tommy Tester, mergulhado no ódio e na magia, assume uma nova identidade, o Black Tom, tenente de uma tempestade cataclísmica que abalará não apenas a sua vida, mas a de todos.
“Dê às pessoas o que elas esperam e pode conseguir delas tudo o que precisa. Elas não percebem que você as sugou até estarem secas.”

Há muito a falar desse livro ao mesmo tempo que eu não faço ideia do que dizer. Eu não tive muitas experiências com o gênero terror antes, mas posso dizer que eu não estou desapontada. Victor Lavalle soube levar muito bem a narrativa e, embora fosse um assunto um tanto pesado, a leitura em si não é difícil. Apesar de ser uma leitura relativamente curta, com poucas páginas, acho que eu deveria ter consumido ela um pouco mais devagar, porque há muito para absorver.

Primeiramente, é preciso prestar atenção nele como um todo, a começar por essa capa, que à primeira vista parece simples, mas que quando você se aprofunda na história percebe que é muito representativa. A história se divide em duas partes narradas por dois personagens diferentes, a primeira por Tommy Tester e a segunda pelo detetive Malone, mas ambas são de extrema importância para notar o contraste do personagem principal. Na primeira, pode-se dizer que Tommy ainda é um garoto, filho amoroso, alegre, sempre interessado no próximo trabalho e em quanto dinheiro vai ganhar, além de estar sempre com seu inseparável estojo de violão, embora não seja o mais hábil dos músicos. Na segunda parte, por outro lado, já temos o Black Tom, frio, impiedoso, poderoso e que não hesita em matar se for necessário, sempre com sua navalha e capaz de orquestrar uma balada infernal. E por balada aqui entende-se “canção com andamento lento”. O interessante ao notar essa mudança vem do que o levou até ela, porque Tommy não era uma má pessoa, certos acontecimentos (que não vou comentar porque seria um grande spoiler) o levaram até esse caminho.

E isso é uma coisa que nos faz perceber a crítica presente no livro também, que é bem notável. Das situações degradantes e horríveis enfrentadas por imigrantes e principalmente, pelos negros, das humilhações que sofriam, das restrições, da violação e do abuso. Do tipo de menosprezo que sofriam, e posso dizer que ainda sofrem, não apenas pela cor da sua pele, mas também por sua cultura, por suas tradições religiosas, pelo seu jeito de ser. E essa foi uma das coisas que me deixou mais revoltada, porque havia certos momentos onde mostravam os negros sendo colocados basicamente no mesmo patamar de animais, como se eles não fossem humanos com direitos de sentir, de amar, de viver. O fato mais revoltante é saber que isso não é mera ficção, mas situações enfrentadas por milhares de pessoas todos os dias. Essa releitura não foi escrita de forma leviana, foi escrita por um homem negro, entendido do que diz, com a intenção de nos mostrar uma outra faceta de um clássico e da sociedade.

Para ajudar nisso, a Editora Morro Branco também ofertou, em maravilhosas páginas pretas, o conto original O Horror em Red Hook, a fim de que pudéssemos ter não apenas a experiência completa, ainda mais para quem não conhecia essa história, como também nos possibilitar nossa própria interpretação a partir da leitura das duas obras.

É uma leitura rápida, mais intensa, na qual pequenos detalhes vão se encaixando ao longo da narrativa, envolvendo, revoltando e em alguns momentos até horrorizando o leitor. É uma leitura que valeu a pena e que com toda certeza eu faria (e possivelmente farei) novamente.
“Qual deles vai herdar a terra na qual isso tudo está. Mas eles não veem desse jeito. Ninguém jamais se vê como o vilão, não é? Mesmo os monstros têm a si próprios em alta conta.”

Título: A Balada do Black Tom
Autor: Victor Lavalle
Editora: Morro Branco
N° de Páginas: 195
Sinopse: "As pessoas se mudam para Nova York em busca de magia e nada vai convencê-las que ela não está lá. Charles Thomas Tester luta para colocar comida na mesa e manter um teto sobre a cabeça de seu pai, aceitando fazer trambiques e trabalhos obscuros do Harlem a Red Hook. Ele sabe bem o tipo de magia que um terno pode proporcionar, a invisibilidade que um estojo de guitarra lhe oferece e a maldição escrita em sua pele, atraindo olhares atentos de ricas pessoas brancas e seus policiais. Mas quando faz a entrega de um livro oculto a uma feiticeira reclusa no coração do Queens, Tom abre uma porta para um domínio mais profundo da magia - despertando a atenção de seres que deveriam permanecer adormecidos. Uma tempestade que pode engolir o mundo está se formando no Brooklyn. Será que Black Tom irá viver para vê-la se dissipar?"

RESENHA Box Fiódor Dostoievski

14 de dezembro de 2018


Quando pensamos em clássicos, Dostoiévski é um dos primeiros nomes que vem em mente, não somente pela sua popularidade mas também pelo seu excelente trabalho quando o assunto é a fomentação da literatura no meio acadêmico. Por mais que muitas pessoas julguem sua escrita como difícil ou cansativa, é preciso compreender a sua grandeza no meio literário, Fiódor foi e continua sendo inspiração pra muita gente, suas histórias hoje em dia derivam tantas outras, é inegável falar sobre a sua importância em nível mundial e a Nova Fronteira que não brinca em serviço, nos presenteou com essa edição maravilhosa, um box contendo duas de suas melhores histórias, impossível não se render.


O autor é considerado o maior escritor russo por muita gente, e ele faz por merecer, suas obras questionam a imensidão do humano e fazem questionar nossos limites. É cansativa a leitura? Muitas vezes sim, mas definitivamente vale a pena, principalmente porque a sua obra de certo modo permite que seu senso crítico trabalhe a todo vapor, o tempo e isso é magnífico.

Nesse box maravilhoso vamos encontrar duas das obras mais conhecidas do autor, sendo O idiota o nome que se sobressai, aqui vamos conhecer o príncipe Michkin, um homem absurdamente ingênuo e capaz de perdoar a qualquer pessoa, ele está voltando depois de um bom tempo no sanatório devido à crises de epilepsia e no trem encontra pessoas peculiares, como Rogójin um homem bastante escorregadio em suas respostas e que nutre um forte amor por  Nastácia Filipnovna, pois bem, a obra vai girar em torno desse triângulo amoroso, mas de um modo bem mais complexo do que estamos acostumados. O que mais me fez pensar sobre essa obra é como o príncipe não seguia o estereótipo de realeza da época, ele era muito diferente, e como ao mesmo tempo, ele é Dostoiévski em vida, com as crises de epilepsia, os problemas todos e sua fé na humanidade, sem deixar é claro, de questionar a tudo.

Já em Memória da casa dos mortos o relato é bem mais pessoal, vai falar mais especificamente do período de cárcere que o próprio autor passou por mais de quatro anos na região da Sibéria, ele foi preso por conspiração política, obviamente ele não é o personagem central da obra, mas como não vê-lo em um relato tão pessoal assim? Em cada um dos capítulos vamos conhecer alguma história que teve importância considerável no contexto do personagem Alexander. É muito angustiante acompanhar os relatos, sejam dos crimes ou dos métodos de punição, mas além disso, o mais complicado disso tudo é o personagem se dar conta que no período de sua condenação jamais ficará sozinho, nunca, quão ruim e enlouquecedor isso deve ser? Para falar de questões tão existencialistas e com um toque de experiência pessoal, o autor vai fundo e causa as maiores estranhezas possíveis no leitor, é impossível ficar indiferente depois dessa leitura.

Essa edição é maravilhosa! As duas obras possuem capa dura, as traduções ficaram excelentes e mais uma veze podemos ver porque a literatura russa é tão importante para o cenário mundial.



Título: Box Fiódor Dostoiévski
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 1216
Sinopse: "Este box reúne dois grandes romances de Fiódor Dostoiévski:Em Memórias da Casa dos Mortos, romance autobiográfico inspirado no período em que Dostoiésvki passou na prisão de Omsk, narra a rotina de Alieksandr Pietróvitch, assassino confesso da própria mulher, em uma prisão de trabalhos forçados na Sibéria do século XIX. Fundamental na trajetória literária do autor, a obra expõe,com o realismo crasso, típico de sua poética, os dilemas vividos pelos presos: a privação do direito de ir e vir, a fome, o frio, o trabalho pesado e inútil, os maus-tratos e a solidão O idiota, escrito em 1868, é considerado um dos grandes romances da chamada segunda fase da obra de Fiódor Dostoiévski. A história começa com príncipe Míchkin de volta à Rússia depois de vários anos na Suíça. Epilético como o autor, Míchkin é um homem de compaixão sem limites cuja boa índole é uma mescla de Cristo com Quixote, um dos personagens mais complexos e impressionantes de toda a literatura mundial. Na trama, os acontecimentos acabam por mostrar como este homem puro se torna um idiota, um inadaptado em uma sociedade de valores corrompidos."

RESENHA O Decamerão

13 de dezembro de 2018


Obra

Em uma referência ao que existiu nas escrituras bíblicas em propagar, por meio dos santos homens da igreja, a criação do mundo em seis dias (Hexameron), Giovanni Boccaccio criou o seu próprio jeito de contar a (re)criação de uma nova sociedade, a partir da narrativa, pelo qual vinha acontecendo na Europa com a vastidão ao qual a peste negra (1348) vinha atuando.


Daí se origina o título, que traduzido, como o nome já pré-anuncia, estamos diante de um apanhado de histórias, cerca de 100, das quais serão narradas em 10 – Deca – dias ou jornadas – imera – por 10 narradores: 7 mulheres e 3 homens.

Esses 10 jovens, tendo o propósito de se ausentarem da zona de perigo da peste, buscam refúgio, isolam-se e é a partir dessa reunião, que começam a contar, cada um, suas histórias. A questão central, portanto, da obra é o poder que a narrativa tem diante das histórias que ouvimos e, qual a interpretação que damos à elas, afinal, são diversas as interpretações, cabe a nós enquanto ouvintes levarmos nossa releitura para o bem ou para o mau.


Totalmente irônico na crítica à sociedade da época e detalhista em retratar os direitos do povo, Boccaccio cria um mundo repleto de interpretações mil. Não vai faltar amor do começo ao fim da leitura, afinal, é isso o que esses jovens, além de contar causos, buscam: criar um mundo a partir de um amor carnal, mas também humano.

Dividida em dois volumes, essa obra complexa e linda que mexe com o poder do contar, mas acima de tudo, de mostrar que não há apenas uma possibilidade de leitura.

O Autor

Giovanni Boccaccio nasceu em 1313 em Certaldo, Itália. Foi um filho fora do casamento que desde muito cedo precisou aprender o oficio pelo qual a família se subsidiava, sendo bancário. O ainda não renomado escritor, pertencente de uma família rica teve seus primeiros contatos com a corte por conta do seu emprego e dali em diante, por ter sido autodidata, amante da literatura e voraz nas leituras, foi se acostumando com o lugar de onde mantinha contatos nobres até se tornar, na literatura, em primeiro lugar, poeta.

Considerado o escritor participante da tríade das coroas da literatura, junto de Dante e Petrarca, seu nome é muito famoso na literatura por ser o fundador da narrativa moderna, não restritiva somente na Itália, mas sim em toda a Europa.

É trazido para sua obra, muito do que estava sendo vivenciado na Europa, a peste negra. Assim como os jovens da diégese, Boccaccio também precisou fugir da peste negra para escrever Decamerão e, ao acabar todo o seu trabalho, sofreu várias críticas da Igreja por ter escrito tamanha obra, mas sábio foi Petrarca que o aconselhou a deixar as críticas de lado, afinal, o que ele tinha escrito era literatura.


Título: O Decamerão
Autor: Giovanni Boccaccio
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 1008
Sinopse: "Giovanni Boccaccio é considerado uma das grandes vozes do Renascimento italiano – ao lado de Dante e Petrarca – e, com O Decamerão, que inaugurou a prosa de ficção ocidental, foi capaz como poucos de canalizar um manancial de narrativas em uma estrutura complexa, mas ao mesmo tempo acessível e atrativa. As cem histórias desta obra monumental versam sobre os mais variados traços da vida humana, com suas riquezas e contradições, suas paixões e armadilhas. A obra-prima de Boccaccio, ao se desprender da moral medieval e abrir caminho rumo ao realismo, tornou-se um marco singular na literatura e uma fonte de influência para luminares como Shakespeare e Cervantes, além de muitos modernos que vieram posteriormente." *Exemplar cedido em parceria com a editora.
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