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RESENHA Todas as suas (Im)perfeições

7 de outubro de 2019


 Ler Colleen é sempre uma experiência que foge de qualquer visão de expectativa, todas as suas obras destoam muito entre si mas são igualmente boas. Desde Métrica, minha primeira experiência de leitura com a autora, algo já cresceu em mim, referente ao seu modo de construir personagens com histórias de vida sempre tão dolorosas mas que são tão palpáveis que você se compadece e precisa de um tempo para digerir toda essa narrativa. Acontece que em Todas as suas (Im)Perfeições a autora foge muito do que já estamos habituados quando o assunto é estrutura narrativa, aqui vamos conhecer esse casal em dois momentos da vida, no primeiro, quando se conhecem em um infeliz encontro e depois quando o casamento deles já está em ruína, esse “antes e agora” nos proporciona uma viagem dolorosa pelos caminhos que um relacionamento pode nos levar.



 Quinn e Graham se conhecem da pior maneira possível, ela indo fazer uma surpresa para o noivo e Graham esperando na porta do mesmo, o motivo? A namorada dele está o traindo com o noivo de Quinn, e os dois esperam pacientemente do lado de fora, até que a sessão de chifres acabe. Logo após isso, os dois acabam saindo e é notável como há algo trabalhando para os unir, duas pessoas boas, sofrendo pelo mesmo motivo, há uma faísca, um convite para sair, mas o que se permeia nesse momento é uma certa maturidade de Quinn, ciente da dor que irá enfrentar, prefere se reerguer sozinha até estar apta para se relacionar com alguém novamente.
 E aí conhecemos o melhor de Graham, ele é um homem extremamente paciente, respeita esse tempo de Quinn e espera o momento certo para procurá-la novamente, e cá entre nós, Quinn sabia que ele era o homem certo, ela só precisava estar bem consigo mesma antes de tudo. Os dois passam a sair e pra ser sincera, essa se tornou a minha parte favorita na narrativa, o modo como os dois vão se apaixonando, construindo um laço tão resistente, o modo como passam a se conhecer, conversando sobre assuntos tão diversos e com respostas tão completas, eu só conseguia pensar “eu quero isso pra mim". Mas então tudo desaba, vamos conhecer esse casal um tempo depois, já casados e passando por uma crise tão pesada que a cada encontro é como um soco, desferido contra si. Quinn vem tentando engravidar tem muito tempo, já tentou até mesmo tratamento mas nada funciona, toda essa frustração é descontada em seu casamento, ela não consegue sentir interesse algum por seu marido e só o procura em seu período fértil, Quinn tem por NECESSIDADE engravidar e a não possibilidade disso acaba destruindo sua vida, menstruar todos os meses é o pior de suas dores, sangrar mensalmente é a prova da incapacidade de realização do seu maior sonho.

"Se você iluminar apenas as suas imperfeições, todas as suas qualidades ficarão na sombra."

 Mas tudo isso parece tão distante do casal que conhecemos logo no início, que se apaixonou na pior das circunstâncias e que parecia tão feliz no começo, e essa é justamente a intenção de CoHo, colocar esses personagens em dois períodos de tempo, antes, quando se apaixonam e depois, com o casamento despencando nos permitem ter um olhar quase que gentil por toda essa situação, percebemos como os diálogos entre os dois vão cessando e como isso vai distanciando ambos, até o ponto de não se conhecerem mais e chegar o momento crucial, tentar salvar esse casamento ou desistir de tudo?
 Essa foi uma das leituras mais difíceis que já fiz da autora, primeiro porque nunca passei perto de um relacionamento como esse, nunca fui casada, e inicialmente acompanhar essa “rotina” me pareceu cansativa, até os mínimos detalhes começarem a pesar e eu perceber que o que era cansativo para mim, era muito pior para eles, logo depois eu precisei criar muita empatia por Quinn, o modo como ela rejeitava o marido que fazia tudo por ela, me deixava irritada demais, mas existem questões que só nós mulheres somos capazes de compreender, como por exemplo a gestação. Aos pouquinhos fui me abrindo e cedendo o coração para essa protagonista. O final dessa história não poderia ser melhor, com sofrimento até os últimos capítulos, quando finalmente pude ter um pouquinho de alívio, eu só consegui sorrir por saber que pra tudo há tempo, e que nem sempre o que queremos é o que acontece, mas nem por isso devemos desistir.
 Todas as suas (Im)Perfeições é uma leitura que te faz se apaixonar e sofrer juntinho com os personagens, mas que também te fazem compreender como o amor é capaz de tudo.





Título: Todas as suas imperfeições

Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 304
Sinopse: "Uma história de amor perfeita é suficiente para manter vivo o casamento entre duas pessoas imperfeitas?O acaso uniu Quinn e Graham duas vezes. A primeira delas, no que consideraram o pior dia de suas vidas, quando ela descobriu às vésperas do casamento que estava sendo traída pelo noivo e ele, pela namorada que pretendia pedir em casamento. A segunda, meses depois, em meio a encontros ruins. Deste reencontro surgiu um amor profundo e um relacionamento perfeito... ou talvez nem tanto. Com o passar dos anos e a frustração por não conseguirem ter filhos, Quinn e Graham acumularam silêncios e desconfianças. O casal se encontra no centro de um furacão, e seu futuro depende das promessas feitas quando o casamento ainda parecia uma praia paradisíaca."




RESENHA As Dez vantagens de morrer depois de você

23 de setembro de 2019


 Oi pessoal, aqui é a Thais e vim falar hoje desse livro super amorzinho que, no começo me deixou um pouco com o pé atrás, porque geralmente sou um pouco chata com os livros que leio, mas acabou me conquistando em poucas páginas. Ele geralmente não é o meu tipo de leitura, mas eu decidi me arriscar dessa vez e acho que valeu a pena. Sem falar que fiquei até um pouco mais empolgada quando descobri que a autora é nacional e que ela é um amorzinho de pessoa, falo isso porque consegui conversar com ela via insta e ela foi super atenciosa comigo. O que rende uns pontos a mais. Mas de forma geral, é um livro que pesa, mas ainda assim é doce, que faz você rir e também chorar.  

 Gabriela e Júlia são melhores amigas e polos totalmente opostos. Enquanto Júlia é espontânea e tem um espírito aventureiro, gosta de viver a vida com intensidade, Gabriela é tranquila e não se arrisca a sair de sua zona de conforto. Em uma tarde de tédio, as duas resolveram criar dez desafios/desejos absurdos para que a outra realize caso uma delas morresse. Parecia algo bobo, porque aos dezessete anos a morte parece uma realidade distante, algo que elas realizaram não antes dos 70 anos mais ou menos, no entanto, tudo muda quando Júlia morre em um trágico acidente de carro e Gabriela se vê na obrigação de realizar os desejos que sua melhor amiga criou para ela. De um a dez, distribuídos em envelopes coloridos, os desejos de Júlia vão virar a pacata vida de Gabriela de cabeça para baixo e a arrancar completamente de sua zona de conforto.

 Entre saltar de paraquedas, distribuir abraços em meio a Paulista (tem que ter coragem para isso) e começar a ter aulas de dança, além de lidar com o luto, a saudade de sua melhor amiga e um enorme conflito de sentimentos, Gabriela passa a conhecer mais sobre si mesma, sobre o que quer e sobre seus próprios desejos. E vai descobrindo nesse processo que há mais na vida do que apenas o razoável e que as coisas podem ser divertidas quando você se abre para o mundo.
“A Júlia está no meu armário, em cada roupa que me fez comprar. A Júlia está nas minhas opiniões, que ajudou a formar. Brigamos por tanta coisa que é até difícil enumerar: por causa do meu primeiro beijo, porque sempre tive poucos desejos, pelo meu mais ou menos, brigamos só por brigar. Para ela, antes ser péssimo que apenas bom. Já eu me contento com o razoável. Para a Júlia, melhor nem viver se for só para existir. E eu prefiro permanecer a inventar. Opostas complementares, éramos assim. E agora me falta a outra metade.”


 Meu Deus, o que dizer depois dessa leitura? Eu não sei direito. A Gabriela é aquele tipo de pessoa que tem medo de sair da zona de conforto, ela não gosta de se arriscar, é como se fosse para tudo apenas seguir o fluxo e ela se contenta com isso. Se contenta com as coisas sendo razoáveis. Totalmente o oposto de sua melhor amiga, Júlia, que parece ser a espontaneidade em pessoa, aquela amiga louca que sempre tem as ideias mais absurdas e divertidas (embora a Gabriela não topasse quase nenhuma delas). É como se elas fossem um tipo de equilíbrio perfeito. E a morte da Júlia quebrou isso, desestabilizou completamente a vida da Gabriela. Era com a Júlia que ela sempre estava, presas em sua própria bolha que não era aberta a outras pessoas, sempre indo uma na casa da outra, e era a Júlia que arrancava Gabriela do seu comodismo e a fazia viver mais. Imagina o quanto deve ser horrível e doloroso você estar no último ano do colégio, cheia de expectativas, e sua melhor amiga da vida toda morrer de repente? Não tem como não se sentir quebrada com isso.

 Acho que essa é uma das partes mais pesadas do livro, porque mostra todo o processo de luto que a Gabriela enfrenta, toda a dor emocional e aquela perda de sentido da vida que passamos quando perdemos alguém que amamos. Alguém que é como uma parte de você. Imagina isso na adolescência, quando tudo parece ainda mais confuso nas nossas vidas. Os envelopes com os desejos da Júlia representam um vínculo com ela, a presença dela ainda pairando na vida da Gabi e a estimulando a fazer as coisas que a Júlia sabia que ela nunca faria. Saltar de paraquedas, fazer aulas de dança, distribuir abraços em meio a Paulista, se apaixonar... Todas parecem ideias absurdas para uma garota cuja a espontaneidade não está no topo da lista. Mas é engraçado ver que mesmo resistindo um monte, se negando e se revoltando, a Gabriela vai gostando e aproveitando cada uma dessas experiências. É legal também ver o quanto ela começa a amadurecer (levando vários tapas na cara nesse processo) um pouco mais e a viver realmente ao realizar esses desejos. Eu comecei o livro me sentindo triste por ela (pena não, porque isso é horrível), porque perder alguém como ela perdeu a Júlia é difícil pra caramba, e embora eu entendesse o estado em que ela estava, também fiquei extremamente furiosa e revoltada com vários dos comportamentos dela. Tinha horas que eu fechava o livro e sentia vontade de entrar nele e dar uns tapas na cara da Gabriela. E ficava, “filha, que droga você está fazendo?”. Embora todos as mancadas dela tenham sido necessárias para o seu amadurecimento.

 Apesar disso, eu parava para pensar depois que lia os capítulos que muitas das atitudes dela (algumas pelo menos, porque em outras ela realmente merecia uns tapas verbais) não estão muito diferentes das muitas que nós mesmos tomamos, principalmente na idade dela. Então quem sou eu na fila do pão pra julgar ela? Apesar de ser revoltante, eu não pude deixar de ver, mesmo que superficialmente, traços que se enquadrem com a minha própria vida. E isso tornou a experiência de leitura ainda melhor. Gostei de ver a evolução do amadurecimento da Gabriela, de mesmo que tenha sido um processo lento, ela tenha passado a enxergar mais além do que a pequena bolha onde se mantinha confinada, gostei do quanto ela começou a viver a vida por conta própria para além dos desejos da Júlia e de toda a sua superação. E também adorei poder mergulhar em todas as loucuras pelas quais ela teve que passar para realizar cada um dos desejos. O Fabinho, seu melhor amigos depois da Júlia, é um ícone que me fez rir muito. O Lucas é uma maravilha, amo as conversas dele e da Gabriela, apesar de as vezes serem menores do que deveriam, gosto da Júlia também, apesar de ela aparecer apenas como flashback. Mais principalmente, amo seu Toninho e dona Mirtes, por serem o casal mais fofo que esse mundo já viu.

 Essa é uma história de amor, mas não como todos estão acostumados. É uma linda história de uma amizade sincera. Fernanda de Castro Lima mostra em toda essa história a importância de viver e aproveitar cada momento com intensidade, de se entregar e se permitir ser aberta para o mundo e, sobretudo, sobre a importância da verdadeira amizade.

 A história corre rápido e em certos pontos parece que devia ser mais explorada, mas dai você percebe que é a vida de uma adolescente, que não está exatamente presa dentro de uma caixinha, e que o modo como a história vai se passando de um capítulo para o outro é como os dias vão passando na vida mesmo, sem se prender tanto a certos detalhes. Acho que é um dos traços mais originais da história. A escrita da autora é muito amorzinho e muito fácil de ler, flui de uma maneira que deixa a leitura muito gostosa. Além disso,  história toda é narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista da Gabriela, os capítulos são curtos e em vários momentos há flashbacks dos momentos dela com a Júlia, alternando o passado e o presente, o que nos faz conhecer um pouco mais de como era a personalidade da garota que criou os desejos e mostra um pouco mais o impacto que isso causa na personagem. Gostei muito da capa livro também, porque combinou muito com o teor da história, além disso, amei a sacada do título do livro e essa dupla significação para ele, demorei um pouco para perceber isso, mas fez todo o sentido.

 Passei por autos sentimentos durante essa leitura, de tristeza, diversão à raiva, para depois chegar no último capítulo, no último desejo, com os olhos marejados. A história passa uma mensagem bonita, e não tem como ver tudo pelo que a personagem passa sem se sentir mesmo que minimamente mexida. Sem ter aprendido nada com a experiencia dela. Eu com certeza aprendi alguma coisa com essa leitura, talvez até sobre mim mesma. É um livro que, para quem gosta desse estilo de leitura, vale a pena.

“Agora eu tenho dezoito anos e preciso reaprender a viver. Um dia por vez, hora a hora, minuto a minuto. E aceitar que começar uma nova jornada não vai diminuir a anterior.”


Título: As Dezvantagens de Morrer Depois de Você
Autora: Fernanda de Castro Lima
Editora: Verus
N° de Páginas: 252
Sinopse: “Gabriela Muniz tem dez desafios a cumprir, um mais desconcertante que o outro. Saltar de paraquedas é só o começo – ela ainda vai ter que distribuir abraços a desconhecidos, aprender a dançar, cantar para uma multidão, entre outros itens da lista que sua amiga Júlia deixou para ela. A ideia surgiu em uma tarde em que as duas não tinham muito o que fazer: inventar dez coisas para a amiga cumprir caso a outra morresse. E que fossem coisas absurdas, já que, aos dezessete anos, a morte era algo muito, muito distante. Mas, quando Júlia sofre um terrível acidente, resta a Gabriela a memória de sua melhor amiga – e a lista de desafios, que agora terão de ser cumpridos. Em situações que tiram a pacata Gabriela completamente de sua zona de conforto – é sério que a Júlia incluiu “Se apaixonar” na lista? -, ela talvez aprenda que a vida pode ser mais leve quando vivida com alegria e intensidade, e que coisas mágicas acontecem quando a gente se abre para o mundo.”
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Quando dois corações se encontram

2 de setembro de 2019


Definitivamente quem vê capa não vê história, né? Assim que recebi a lista de lançamentos da editora vi essa capa e achei que fosse ser só mais um romance bobo, do tipo água com açúcar que a gente passa a tarde lendo e depois segue a vida, não poderia estar mais enganada. Quando dois corações se encontram tem sim um romance fofo no início, do tipo amor que chega e fica, mas em determinado momento tudo desmorona e você se pergunta como tudo tomou esse rumo, e se questiona sobre o poder da resiliência.


Yasmin é uma garota romântica, do tipo incurável e que vê a beleza em absolutamente tudo na vida, ela é fofa, e sempre de bem com a vida, não poderia ter sido melhor escolha quando pensam nela para cuidar das flores das bodas de seus pais, Yasmin adora a ideia e é motivada pela mesma. O destino felizmente lhe apresenta Sam, um rapaz simpático e que parece ser perfeitamente feito para ela, você vê a química entre os dois, a sintonia e não consegue imaginar esse casal não dando certo. O romance acontece muito repentinamente, e se você é uma pessoa criteriosa para esse tipo de coisa, irá ficar desconfiado sobre isso, pensando sobre como podem duas pessoas se apaixonarem tão repentinamente. Eu fui uma dessas pessoas, achei o romance fofo, estranhei mas logo depois tudo fez sentido.
"Não tinha dúvida de que estávamos ligados, de que nossas almas e vidas não podiam ser separadas. Naquela noite, me senti em paz, apenas acreditando na promessa do meu amor, e adormeci em seus braços, com ele cantarolando baixinho ao meu ouvido nossa canção, cantando baixinho para acalmar meu coração. Assim deixei o tempo passar, e, com ele, meus medos também ficaram para trás."
Logo os dois se casam, tudo segue lindo e você se questiona porque a história já tem cara de final feliz logo nas primeiras cem páginas, eles serão pais, e conforme a narrativa avança você só se questiona sobre o que vem pela frente, até que finalmente essa hora chega. Uma catástrofe das grandes acontece, não é pouca coisa, a maneira como Clara descreve essa situação te faz prender o ar conforme vai lendo, eu ia sofrendo, me abanando e chorando, não há como descrever de melhor forma. E foi aí que finalmente entendi, Quando dois corações se encontram não é para ser uma história de romance, não é nada água com açúcar, o foco desse enredo é a superação, o recomeço, mas para tudo isso acontecer, meu amigo... Como você sofre. Eu não consigo nem cogitar a ideia de passar pelo mesmo que Yasmin passou, de sobreviver depois de tudo e ter forças, mas entendo a mensagem da narrativa e admiro a capacidade de Clara em criar um enredo tão rico de sentimentos tão plurais. Eu amei esse romance, amei Sam, me envolvi com esse casal mas não tinha como não se apaixonar por Yas, ela se entrega para a dor e a sua base, a família, não há abandona em momento algum, eles reerguem e apoiam a garota o tempo todo, até ela entender que as dores e cicatrizes existem, mas a vida continua, apesar de tudo.

Esse é um romance fofo, mas não espere só por isso, prepare os seus lencinhos e tenha em mente que essa narrativa irá te emocionar do começo ao fim.



Título: Quando dois corações se encontram
Autora: Clara Benício
Editora: Jangada
Nº de Páginas: 328
Sinopse: "Yasmin é uma garota romântica que vive em Fortaleza, até que um dia, por acaso, conhece Sam, um homem encantador. Foi amor à primeira vista. Porém, no auge desse amor, acontece uma tragédia que a deixa em uma profunda depressão. Quando ela já havia perdido as esperanças de ser feliz novamente, uma reviravolta acontece. "Quando dois corações se encontram" traz a história de uma mulher que precisa vencer os fantasmas do passado se quiser reencontrar a felicidade."*Exemplar cedido em parceria com a editora. 

A beleza e ousadia de Ânsia Eterna

26 de agosto de 2019


Ler histórias em quadrinhos é sempre um grande desafio para mim, porque sei que esse tipo de história exige um tipo de imersão, eu preciso sentir tudo o que vejo e ainda assim preciso acompanhar o fio da narrativa, não basta só ver, é preciso ter coerência. Então imaginem só a minha expectativa ao me deparar com uma HQ linda e que se destinava a falar de três contos em especial? Fiquei surpresa porque imaginei que o desafio seria ainda maior, mas sai grata porque a experiência foi exatamente como eu desejei, imersiva do começo ao fim.



Em Ânsia Eterna, de Verônica Berta, vamos acompanhar três contos que foram adaptados da autora Júlia Lopes de Almeida, os contos escolhidos acabaram ganhando ainda mais vida nas mãos de Berta, as ilustrações são tão lindas que saltam aos olhos, as aquarelas casam perfeitamente com as histórias, cada tom escolhido é condizente com a narrativa, não imagino esses pequenos contos sendo contados de outro modo. A ilustradora foi muito respeitosa e fiel aos originais, tudo tão perfeitamente pensado que você se questiona como esse encontro de talentos aconteceu, se foi Berta quem encontrou esses contos ou se foram eles quem a encontraram.



O conto que mais me chamou a atenção foi Os porcos, uma narrativa que ao menos pra mim foi bastante dolorosa, aqui vamos conhecer a história de Umbellina, uma moça triste que parece não ter expectativa alguma de vida, porque aceita tudo que a vida lhe deu e isso basta. Ela é pobre e está grávida, sofre com essa situação mas o medo começa quando o pai ameaça jogar o bebê as porcos, nesse momento a autora mudou totalmente as cores dos quadrinhos, em tons de marrom e vermelho, porque essa cena em especial pedia por isso. Esse conto é curtinho mas te engana direitinho, começa com uma cena linda mostrando os porcos no campo e você logo se vê encantando com isso, mas em dado momento tudo ganha um tom grotesco, assustador e você percebe como a narrativa se torna mais densa. Nessa história vamos entender o pior do ser humano, do horror que podemos sentir quando o medo nos consome e como tudo muda de figura de uma hora para a outra.

Ler a Ânsia Eterna foi uma surpresa interessante, descobri que Júlia Lopes de Almeida é uma autora bastante conhecida, foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, mas preciso confessar que o meu encantamento não seria tão grande se não fosse o talento de Verônica Berta, eu não ficaria tão apaixonada por esses contos se não fossem as ilustrações, tudo casou tão bem que ao final da leitura, você só sabe desejar mais e mais.





Título: Ânsia Eterna
Autora: Verônica Berta/Júlia Lopes de Almeida
Editora: SESI-SP Editora
Nº de Páginas: 56
Sinopse: "Suspense, surpresa, grotesco e tragédia. Os elementos presentes em Ânsia eterna (1903) são transpostos por Verônica Berta como meio de se expressar em uma organização da forma através das histórias em quadrinhos." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Aventuras de Huckleberry Finn

21 de agosto de 2019


Oi, galera, aqui é a Isa. A resenha de hoje é sobre o livro Aventuras de Huckleberry Finn, mas antes de irmos para a resenha em si precisamos saber algumas coisas. Talvez alguns de vocês conheçam o livro As aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, bom, nesse livro Huckleberry é o melhor amigo de Tom e eles vivem várias aventuras juntos nas margens do rio Mississipi. Outra coisa que é importante saber é que Aventuras de Huckleberry Finn se passa entre os anos 1835 e 1845, no qual a escravidão nos EUA ainda estava acontecendo, desse modo, surgiram várias especulações para levantar a problemática “Aventuras de Huckleberry Finn seria um livro preconceituoso?” Quando lemos um livro precisamos levar em consideração o momento histórico que ele foi escrito, os valores daquela sociedade e não aplicar valores atuais a obra.



Huck é um menino muito bom, porém muito levado e travesso. Seu pai é um homem horrível, que bebia e batia nele. Então a viúva Douglas pega Huck para criar e “civiliza-lo”, na casa da viúva ele aprende a ler, a escrever, ganha roupas novas, boa alimentação e é bem cuidado. Certo dia Tom Sawyer chama Huck para uma reunião no meio da noite, mas antes de irem Tom faz uma brincadeirinha para assustar Jim, o escravo da família. Tom quer formar uma quadrilha como outros amigos para eles poderem fazer roubos na cidade. Como Huck não tem nada a perder ele aceita e dá a viúva como garantia caso ele denunciasse os amigos.

Huck e Jim são muito amigos, um nível de amizade mais elevado do que era permitido na época entre um branco e um negro. Até chegar um determinado momento em que a viúva precisa vender o Jim, ele escuta isso e decide fugir. Huck faz de tudo para que ela não precise vendê-lo, mas não adianta. Jim conta para Huck que vai fugir pelo rio Mississipi até um refúgio de escravos e pede para Huck ir com ele pois um negro sozinho no rio seria suspeito, mas se ele estivesse com um branco seria diferente. Huck diz que aquilo não está certo, que Jim não pode ir e se ele ajudasse ele seria um “abolicionistazinho”, discurso que ele ouviu do pai. Apesar de todas as ressalvas Huck decide ir e é aí que toda a aventura de Huckleberry Finn começa pelo rio Mississipi.



Aventuras de Huckleberry Finn é um livro muito bom, pois por meio dele podemos observar como era a situação das pessoas escravizadas no Sul dos EUA. Essa obra mostra o olhar de uma criança frente ao horror desse período que ainda deixa cicatrizes bastante latentes em nossa sociedade. Não é um livro feliz, apesar de ser engraçado em alguns momentos pois são jovens que aprontam de montão e vivem várias aventuras, o que segue ecoando é a tristeza desse período em relação à questão racial,  é um livro que te tira da zona de conforto, te faz ter fortes embates pois são só crianças narrando a segregação em seu ápice, uma história bastante dolorosa ainda mais do ponto de vista juvenil. Essa obra é necessária para que possamos pensar os clássicos naquela época e como tudo era retratado. As aventuras de Huckeberry é uma forte crítica, que passeia pelo gênero infanto juvenil mas que cumpre seu papel entre todas as idades, uma leitura que vale a pena. Além do livro ser ótimo essa edição da Zahar é maravilhosa, capa dura, com um cuidado impecável na diagramação e  várias ilustrações durante a história.


Título: Aventuras de Huckleberry Finn
Autor: Mark Twain
Editora: Zahar
Nº de Páginas: 408
Sinopse: "Huckleberry Finn – o parceiro de Tom Sawyer – escapa de casa para embarcar em uma série de aventuras junto com o escravo fugitivo Jim. A bordo de uma jangada, os dois sobem o Mississippi e vivem situações extraordinárias com personagens inesquecíveis – como o “Rei” e o “Duque”, uma das maiores duplas de vigaristas da história da literatura. Narrado em primeira pessoa pelo próprio Huck, a viagem de formação que une o menino rebelde ao escravo negro perseguido atravessa questões sérias e profundas que continuam a nos desafiar: o racismo e a escravidão, a brutalidade das relações humanas no “mundo adulto” e o puritanismo religioso e cultural. Em conflito com os valores corruptos e hipócritas da sociedade, Huck enfrenta o dilema de salvar o amigo ou entregá-lo às autoridades. *Exemplar cedido em parceria com a editora.
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