RESENHA Hibisco Roxo

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Titulo: Hibisco Roxo
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Nº de páginas: 328
Sinopse:Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país.

Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance que mistura autobiografia e ficção, também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, traçando de forma sensível e surpreendente, um panorama social, político e religioso, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente."



 Quando iniciei o curso de Letras, um dos grandes motivos foi a matéria de literatura, a ideia de estudar sobre livros me deixava animada demais, entender correntes teóricas, o motivo da escrita... Tudo era muito mágico, mas ver isso na prática foi muito melhor! Meu professor nos indicou essa leitura para que pudéssemos analisar personagens e qual a profundidade de cada um, confesso que a ultima coisa que fiz foi isso, eu me prendi a essa história de tal forma que não consigo parar de ler os quotes, retomar a leitura, o mundo de Chimamanda é tão mágico que não quero mais sair dele.
 Kambili é uma adolescente diferente, ela aprendeu a sussurrar antes de falar, a andar de cabeça baixa e desde sempre aprendeu que as decisões de sua vida não são dela e sim de seu pai, que sempre opta pelo caminho que Deus desejar. Ela tem outro irmão JaJa, sempre quieto, na dele, mas que desde o inicio você sente o espírito rebelde do garoto, e obvio que ele paga o preço por essa rebeldia, pois bem, a narradora é Kambili e você vai observar o fanatismo religioso de seu pai pelo olhar dela.
 Essa leitura é pesada demais, sinceramente, O Papa, como é conhecido o pai de Kambili, é um homem rico, dono de várias indústrias de alimentos e um jornal que é contra o governo, desse modo podemos observar como a família é diferente do restante do contexto da Nigéria, eles são ricos, muito ricos, esbanjam dinheiro, a primeira coisa que você pensa quando vem Nigéria em mente, é a pobreza, certo? Os paradigmas já começam a serem quebrados logo aí! Papa teve uma infância difícil e foi educado por missionários brancos e que pregam a religião branca, ele se tornou um homem que nega e até mesmo abomina os deuses considerados por nigerianos, pra você ter ideia, ele não fala com seu pai e restringe a aproximação dos netos por puro preconceito, já que seu pai é um pagão. Como se não bastasse Papa bate com frequência em sua esposa, ela perdeu seus bebês tantas vezes por apanhar, que parei de contar os abortos no decorrer do livro, isso é triste demais.




 Tanto Kambili quanto seu irmão são constantemente castigados, qualquer coisa que leve seu pai a desconfiar que eles estão pecando, é motivo para castigos, principalmente físicos, eles apanham até por não serem os melhores alunos de sua sala, o segundo lugar é inaceitável. 
 As coisas melhoram quando sua tia resolve levar ela e Jaja para passar uns dia com ela, Kambili começa a observar os primos e se atenta aos comportamentos, ali ela começa a entender o que é ser uma adolescente de verdade, acredito que seja nesse momento que tanto ela quanto seu irmão começam a criar um tipo de independência, pois até aquele momento era seu pai quem controlava até as roupas que eles vestiam.
 Eu sofri do início ao fim, foi muito triste ver Eugene, o Papa de Kambili negando os costumes de sua terra e se rendendo a uma religião eurocentrada, ele sentia nojo dos costumes religiosos da Nigéria. Eu senti um aperto no peito cada vez que Kambili descobria uma simples coisa nova, como usar bermuda, batom, tudo isso em sua casa era proibido, já o seu irmão... Ele se tornou um grande homem no decorrer da história, foi um dos personagens que mais vi amadurecer. A mãe de Kambili é a típica mulher submissa que não tem voz porque seu marido é bondoso demais para a igreja, mas fique atento, ela vai te surpreender no final da trama e te fazer vibrar!
 A tia de Kambili apareceu como um anjo, professora universitária, militante e sem medo de bater de frente com o irmão, ela mostrou para a sobrinha que tudo bem ser adolescente, que tudo bem ser vaidosa e que é possível ser feliz apesar da pobreza.
 O livro tem uma carga emocional muito forte e quando eu achei que já estava tudo bem e não podia mais sofrer, Chimamanda deu a cartada final, por mais que Eugene seja uma pessoa doente, eu terminei a leitura sentindo pena e chorando por ele, querendo ajudá-lo, já com o restante da família... Meu coração ficou imensamente grato pelos rumos tomados.
 Essa é uma leitura mais do que necessária, que trata do fanatismo religioso, o problema de negar nossas origens e como calar a voz de uma família pode silencia-la para sempre. Definitivamente fechei minhas leituras de 2017 com chave de ouro. 

"A rebeldia de Jaja era como os hibiscos roxos experimentais de tia Ifeoma: rara, com o cheiro suave da liberdade, uma liberdade diferente daquela que a multidão, brandindo folhas verdes, pediu na Government Square após o golpe. Liberdade para ser, para fazer.








RESENHA Sentimentos em apuros

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Titulo: Sentimentos em apuros
Autor: Kauê Lenark
Editora: Pendragon
Nº de páginas: 162
Sinopse: "Malu e suas duas melhores amigas são atormentadas por sua arqui-inimiga, Alicia, uma garota que gosta de aproveitar sua popularidade para maltratar os alunos da Williams College Ryan. Ela é a namorada do garoto mais desejado e popular da escola, Brian. Quando se trata de garotos, Malu nunca teve sorte, o mais perto que já chegou foi do amor platônico de Kelvin, um garoto que a persegue e a assusta desde muito nova, sem esconder seus sentimentos. A professora de biologia decide formar duplas para fazer um trabalho escolar, e Malu fica com Brian. Ela considerava que ele era um idiota e que sempre estava por trás das armações da Alicia. No entanto, conhecendo-o melhor, se dá conta que estava completamente errada, e, sem querer, acabou descobrindo um cara puro e romântico, como os dos livros que lia. Malu não imaginava ser atingida por um turbilhão de sentimentos inexplorados e ter sua vida completamente mudada por uma paixão."


*Livro cedido em parceria com a editora


Uma das melhores notícias do ano foi a parceria com  a Editora PenDragon, o cuidado com cada um dos parceiros é incrível, nos tratam como se fossemos os donos do mundo! Eu amo a atenção que nos destinam, isso sem duvida alguma dá um fôlego a mais para seguirmos com o blog.
 Pois bem, recebi essa belezinha tem um bom tempo, mas devido a faculdade e outros prazos acabei deixando a leitura pra depois, finalmente o li e não sei ao certo o que senti com essa história.
 Malu no auge da sua adolescência é inimiga declarada de Alícia, mesmo com suas duas melhores amigas, Micaela e Pietra, ainda assim é difícil lidar com toda a maldade de Alícia e nem sempre as coisas são fáceis, mas nada é tão ruim que não possa piorar, certo? Por ironia do destino Brian precisa fazer um trabalho com Malu, e obviamente Brian é o namorado de sua inimiga, essa é a receita perfeita para uma história cheia de reviravoltas adolescentes, sentimentos aflorados e tudo com aquele ar de quando somos novos, ou fazemos aquilo naquele momento, ou nossa vida não fará mais sentido...




 Confesso que essa capa não me ganhou em nada, ela me parece destoar um pouco da história e eu teria escolhido algo com tons menos quentes e algo mais tranquilo, mas não se deixe enganar pela capa, a história em si é linda! Se você procura por romance adolescente de reviravoltas, essa é a indicação correta! Acontece que em certo momento o autor inseriu tantas informações que nada acaba fazendo sentido, acabamos nos perdendo na história e muitas oportunidades de fazer o enredo crescer passaram despercebido, esse é um ponto que tornou a leitura um pouco lenta, ao menos pra mim. Outra coisa que me deixou um pouco incomodada são os erros de concordância, em muitos momentos parei a leitura porque a escrita me parecia infantil demais e eu estava sem saco para aquilo, mas... Nem só de críticas viverá o livro! Eu venho de leituras pesadas, com temas pesados e uma semana ainda pior na faculdade, Kauê veio com uma história curtinha e bem adolescente e isso foi o suficiente para acalmar a minha cabeça. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foram as ilustrações no decorrer da história. 




 Infelizmente a história não me prendeu como eu imaginei que fosse fazer, o romance em si, e a história de Alícia e Malu me pareceram bobas demais, tudo muito clichê e nada de novo. Mas algo que deve ser ressaltado é como o autor soube tratar lindamente sobre conflitos que surgem nessa idade, principalmente inseguranças.
 Não é uma leitura que te prende do início ao fim mas creio que sirva como um grande alavanque para se animar um pouquinho mais após leituras pesadas, como foi o que aconteceu comigo.











RESENHA - Vulgo Grace

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Titulo: Vulgo Grace
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 496
Sinopse: "Depois de O conto da aia, que deu origem à prestigiada série The handmaid’s tale e alcançou o status de bestseller mais de 30 anos após a publicação original, outro romance de Margaret Atwood vai ganhar as telas, desta vez pela Netflix, e volta às prateleiras com nova capa pela Rocco. Inspirado num caso real, Vulgo Grace conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século XIX. Com uma narrativa repleta de sutilezas que revelam um pouco da personalidade e do passado da personagem, estimulando o leitor a formar sua própria opinião sobre ela, Atwood guarda as respostas definitivas para o fim. Afinal, o que teria levado Grace Marks a cometer o crime? Ou será que ela estaria sendo vitima de uma injustiça?"


* Livro cedido em parceria com a editora

 Depois de assistir The Handmaid's Tale eu decidi que iria mergulhar no mundo de Margaret Atwood e solicitei o máximo de obras possíveis da autora com a editora Rocco(obrigada Rocco, por publicar essa mulher!) e foi assim, só por ter gostado da série e das críticas que ela fazia eu decidi que amaria essa mulher e a sua escrita, após a primeira leitura continuo com o mesmo sentimento, Margaret é uma senhorinha doce mas que sabe como ninguém como alfinetar a sociedade.
 Grace se encontra presa, após ser acusada de um crime que aconteceu quando ela tinha 16 anos, ela foi condenada, juntamente com seu parceiro de crime mas diferentemente dele, ela se livrou da forca, acontece que o seu destino não foi muito melhor que o dele, Grace ficou confinada em prisões, manicômios, virou uma espécie de atração de circo para todos, se tornou caso para estudo e é aí que Dr. Jordan entra na história.
 Dr. Simon Jordan é um médico da mente humana, diferente de muitas outras experiências negativas e até mesmo violentas, ele tenta entender a mente de Grace através de entrevistas, fazendo alusões com alguns alimentos e até mesmo buscando justificativas na infância da garota. Jordan é doce, compreensivo e um grande questionar de todo o caso.





 Vale lembrar que Grace é condenada pelo assassinato de seu patrão sr. Kinnear e sua companheira de trabalho Nancy, ela é vista como uma cúmplice de Thomas, o empregado que de fato matou os dois.
 Tudo isso é um terreno de incertezas, a única pessoa viva para contar sobre a situação é Grace e não sabemos se podemos confiar nela ou não, obviamente ela se diz inocente, e em cada entrevista Dr. Jordan tenta descobrir se esse fato é real ou não. O livro se inicia com o médico indo visitar Grace, propondo o novo método e desse modo, a cada encontro dos dois, Grace faz uma retrospectiva de sua vida até o dia do trágico acontecimento, a grande questão aqui é acompanhar como Grace teve uma vida bastante sofrida e nos questionar se devemos confiar em sua inocência ou não.
 Eu fiquei simplesmente apaixonada pela escrita da autora! A pesquisa de campo foi muito bem feita e a história é muito bem ambientada, o cenário é repleto de complementos que contribuem para o entendimento de como a sociedade naquela época funcionava. De início a minha unica intenção era saber se Grace Marks tinha culpa nos assassinatos ou não, mas depois percebi quão rico esse livro é e fiquei apaixonada pela construção do personagem! Apesar da época bastante conservadora, Grace tem idéias bastante rebeldes para aquele período, como no caso do aborto, mulheres precisarem trabalhar em casa e coisas do tipo, acho que o mais me tocou foi a questão do aborto, a frase "é melhor escolher uma vida do que duas, ela iria se matar" ficou ecoando na minha cabeça por um bom tempo, a seu modo, as mulheres daquela época tinham sim pensamentos feministas.
 A leitura fluiu muito bem, a única coisa que me incomodou um pouquinho foi rumo final que o livro tomou, uma sessão de hipnose sem nexo algum deu um toque de fantasia na história e colocou um questionamento sobre uma possível possessão, isso me deixou confusa mas o final da história me agradou bastante, a autora soube como caminhar para esse fim, não foi nada surpreendente mas foi muito coerente com a história e isso me agradou demais! 




 Pra quem não sabe, a Netflix fez uma série baseada no livro, chamada Alias Grace, eu assisti somente os dois primeiros episódios porque não queria receber nenhum spoiler antes de terminar o livro, mas devo dizer que fiquei bastante chocada em como eles foram fiéis ao livro, desde os diálogos até aos modos de cada personagem se portar, é disso que leitor gosta! 









RESENHA Bela Gratidão

sábado, 25 de novembro de 2017
Titulo: Bela gratidão
Autora: Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 432
Sinopse: "Um romance sobre amadurecimento e a dureza de crescer em uma cultura que exige das mulheres nada menos que a perfeição. Corey Ann Haydu explora as complexidades da família, os limites do amor e quão duro é crescer em uma cultura que premia a beleza acima de qualquer outra coisa e cobra das mulheres nada menos que a perfeição. Uma leitura atual que dialoga direta e honestamente com a multiplicidade de questões enfrentadas por adolescentes e jovens no mundo todo – a confusão do primeiro amor, os dramas familiares e a construção da própria identidade no meio de toda essa loucura. O livro está cheio de personagens realistas, que tropeçam nos próprios medos e cometem erros com alguns dos quais é impossível não se identificar. Montana e sua irmã Arizona têm um pacto desde que a mãe as deixou: São elas duas contra todo o mundo. Com o pai sempre imerso em relacionamentos tóxicos e uma sucessão de madrastas essa foi a maneira que encontraram de seguir em frente. Mas agora que Arizona foi para a faculdade Montana se sente deixada pra trás e perdida, mergulhando em uma amizade vertiginosa e empolgante com a ousada Karissa. No meio disso tudo, Montana encontra uma distração em Bernardo. Resta saber se Montana têm a confiança necessária no que sentem um pelo outro para encaixar Bernardo na sua vida imperfeita."

*Livro cedido em parceria com a editora

 Um minuto de silêncio pra essa capa que definitivamente é a mais fofa da minha estante, ela é tão delicada e doce que chega a doer! Porque sem dúvidas consegue resumir bem como é essa história. Corey é uma das minhas autoras favoritas, ela escreveu Uma história de amor e TOC que você pode conferir a resenha AQUI, se ela me conquistou falando sobre transtornos psicológicos... Quando o assunto foi drama familiar, compulsão estética e relacionamentos... Eu ganhei um bela tapa na cara que foi suficiente para me acordar.
 Eu prefiro não parafrasear a sinopse do livro aqui, nessa resenha gostaria de fazer algo diferente, contar a confusão de sentimentos que esse livro me proporcionou, e como a personagem principal é frágil e real.
 Montana é a filha mais nova de um homem que é cirurgião plástico, ela e sua irmã Arizona foram abandonadas por sua mãe quando pequenas, quem cuidou de sua criação foi seu pai, acontece que Arizona é um pouco mais velha e então já está no período da faculdade, foi embora de casa, o que era antes "Montana e Arizona contra o mundo e as madrastas" hoje é só "Montana sozinha", ela sem dúvidas sente falta da irmã e vê com olhos tristes como Arizona mudou, o que mais assusta-a é saber que sua irmã colocou silicone, uma promessa completamente quebrada! Por mais estranho que isso soe, é preciso entender que o pai das garotas é um cirurgião completamente obcecado por perfeição, ele é o tipo de médico que rabisca moldes de cirurgias em qualquer local, redesenha as modelos de capas de revistas e pra minha surpresa... No aniversário das garotas ele deu uma espécie de vale cirurgia, para que quando elas se tornassem maiores de idade, fizessem a cirurgia plástica que bem entendessem... Isso é doloroso demais, com isso Montana absorve que é imperfeita aos olhos de seu pai e nunca vai ser boa o suficiente. Como se não bastasse ele tem um histórico de casamentos fracassados que chega a dar medo, infelizmente as irmãs já estão acostumadas com madrastas entrando e saindo de suas vida o tempo todo, é triste.
 Mas nada é tão ruim que não possa piorar, a nova madrasta é alguém que Montana JAMAIS irá aceitar, seu pai se relacionar com ela é um golpe tremendamente baixo, não revelarei nomes pra não dar spoiler mas a madrasta em questão é um eixo principal na história toda e ela não me agrada, quem lê a obra e acompanha a situação de fora consegue perceber o quanto ela é falsa, dissimulada, espaçosa e tremendamente tóxica para a família, mas ainda assim o casamento vai acontecer.
 Acho a intenção de Corey é mostrar como essas relações impensadas podem interferir terceiras pessoas, o fato do pai obcecado se relacionar com tantas mulheres criou traumas que nunca vão cicatrizar nas garotas, sem contar que ter alguém em sua casa que tenta impor o padrão da estética perfeita é algo ruim demais quando se trata de adolescentes.
 Montana é frágil, totalmente manipulável, posso contar nos dedos quantas vezes ela decidiu algo por vontade própria, o tempo todo as pessoas influenciam suas decisões e ela parece ser o tipo de pessoa que se sujeita a qualquer coisa para não criar um conflito, graças a isso muitas vezes ela se machuca. Já Arizona... É uma irmã que tinha tudo para ser uma irmã fofa e adulta, mas no máximo é amarga. Bernardo é um dos poucos pontos felizes na história, ele é completamente apaixonado por Montana e é capaz de fazer qualquer coisa por ela, como por exemplo pintar o cabelo de rosa ou fazer uma tatuagem, ele tem um ar todo poético e é muito fofo observar ele pelos olhos de Montana, ela tem uma amor doce e sincero pelo rapaz.
 Corey soube conduzir a história com maestria, não é uma trama cheia de pontos altos nem nada, é a história sobre a reconstrução de uma família e como se esforçam para juntar as migalhas, como as pessoas são facilmente substituídas e como essa ideia de corpos perfeitos é capaz de adoecer as pessoas;
 A única coisa que eu ressaltaria é como o final deixou algumas pontas soltas, faltaram algumas respostas mas que ainda assim essa maneira de finalizar foi importante pra me fazer refletir.


Eu sou um território. Eu sou uma coisa na qual as pessoas colocam bandeiras. Querem declarar que pertenço a elas. Isso é uma coisa totalmente nova. Eu estou acostumada a ser uma coisa abandonada. Uma meia esquecida ou um brinquedo que já não se que mais, uma lembrança vaga e simbólica de uma época da sua vida. Eu sou Montana que assistiu à mudança de Tess ou a Montana que recebe um cartão por ano da mãe ou a Montana cuja a irmã se diverte mais sem ela.








RESENHA Os 12 signos de Valentina

Titulo: Os 12 signos de Valetina
Autora: Ray Tavares
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 392
Sinopse: "Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano... Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências. Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?"


*Livro cedido em parceria com a editora

 O que mais amo na Editora Record é como seus romances são doces e muitas vezes engraçados, tenho impressão que a coisa com eles funciona da seguinte forma: Ou o romance vai te deixar de ressaca literária ou ele vai te livrar dela.
 Passei um tempão sem conseguir me concentrar na leitura por ter finalizado O ódio que você semeia, tinha a impressão que já havia encontrado o melhor livro do ano e nenhuma outra leitura valeria a pena. Sei quão errado é isso mas indiretamente eu estava me sabotando, não conseguia ler mais nada devido a esse pensamento. Decidi optar pela primeira experiência com Ray Tavares e ver o que aconteceria a seguir, me senti renovada, feliz e muito mais solta, a escrita da autora me salvou e me soltou maravilhosas gargalhadas!
 Isadora é o esteriótipo de seu mapa astral, ariana fervorosa e impulsiva, ela descobriu de maneira horrenda que seu namorado a traia, e pra ajudar... Com uma de suas melhores amigas, tudo isso é muito surreal e distante da vida que ela vivia até então, Isa levava a vida dos sonhos, tinha um namorado incrível e sua família, apesar dos pais separados tem um esquema muito bacana e estão sempre presentes. Com a traição a garota entra em um poço sem fundo de depressão, inicialmente o livro é um mar de lamurias, a garota tem absoluta certeza que perdeu o homem de sua vida, que o príncipe encantado de fato não existe e que seu papel na terra, após aquela traição é ficar fazendo playlists tristes no Spotify. Após um porre e muita vergonha, no banheiro da balada uma senhora resolve falar sobre seu mapa astral e como ela e seu namorado(agora ex) estavam destinados a não darem certo, seus signos não combinavam de maneira alguma! Isso martelou em sua cabeça por alguns dias e Isa decidiu esquecer, mas um trabalho da faculdade resolve trazer tudo a tona... Isadora precisa fazer um trabalho importante na sua faculdade de jornalismo, a intenção é criar um projeto sobre qualquer assunto e tentar torná-lo um sucesso, tudo no anonimato, a unica pessoa que irá saber a identidade dos criadores dos projetos é o professor orientador, Isa decide fazer uma viagem por todos os signos do Zodíaco, ela resolve sair com um homem de cada signo e contar suas experiências com cada um deles.

"Eu odiava tequila. Eu odiava tequila mais do que odiava a bancada evangélica no Congresso. Eu odiava tequila mais do que odiava entrar no chuveiro e perceber que havia esquecido a toalha. Eu odiava tequila mais do que ouvir a minha voz no áudio do Whatsapp."

 Bom, esse é o pano de fundo da história e preciso dizer a vocês como foi engraçado acompanhar Isadora nessa jornada de sucesso! Inicialmente o livro me parecia uma completa fossa, eu estava com preguiça de tanta falta de amor próprio, Isa passou os primeiros capítulos sofrendo demais e minha vontade era dar um basta nisso tudo, sua prima fez isso por mim, aliás, ela é uma das melhores personagens da obra! Uma garota super pra frente, presente e que apoia a prima o máximo que pode e resolve levá-la para cair de beber em uma noitada, que amiga! Após o encontro com a faxineira que lhe diz sobre as imperfeições da combinação astral entre Isa e seu ex, esse assunto permeia sua cabeça um bom tempo até o trabalho que vem a calhar e ela resolve testar essa teoria na prática.
 Eu adorei a jogada da autora, Isa sair com um homem de cada signo foi uma ideia genial, principalmente para a reconstrução da auto estima da personagem, a postura"profissional" que ela adotou tornou-a quase uma deusa, os homens ficavam apaixonados por ela depois dos encontros, chegava a ser engraçado! É claro que no meio disso tudo o romance não poderia faltar, claro. Isadora conhece um garoto incrível mas ela tem um projeto em execução e não pode deixar de experimentar um único signo!
 O livro como um todo é muito bom, eu me diverti do início ao fim, a autora tem uma maneira muito leve de escrever e me senti conversando uma amiga super alto astral! Eu adorei todas as alfinetadas presentes no livro, ela criticando Bolsonaro, a bancada evangélica e tantos outros temas, mas algumas vezes isso me incomodou, creio que tudo tenha dose certa e em algumas vezes Ray Tavares forçava tanto para ser engraçada que ficava chato mas isso foi totalmente relevante e o enredo compensou! Eu fiquei tão perdida em sentimentos com essa leitura... No início queria dar um uma bofetada em Isadora para que ela acordasse para a vida e parasse de sofrer, depois queria ser ela, e passear por cada um dos signos do zodíaco, logo em seguida queria gritar para que ela não deixasse o homem de sua vida ir embora por conta de um projeto e no fim... Eu não dormi porque queria desvendar o maldito mistério da trama.
 Ray Tavares foi muito sábia na construção da história e cenário, tudo é muito bem ambientado, as situações são bastante engraçadas e é possível ver como a personagem evolui e encontra o amor próprio durante essa jornada, e o melhor de tudo, sabe aquela frase"os humilhados serão exaltados"? Pois bem, a vez da Isa chega no melhor estilo!
 O titulo do livro é Os 12 signos de Valentina porque Valentina é o nome que Isadora adotou como pseudônimo no seu projeto, que por sinal se torna um sucesso.


"Isso não é verdade, nós precisamos desesperadamente parar de espalhar essa "sabedoria antiga" por aí. Quero dizer, as pessoas devem se permitir sentir, sofrer e superar..."








RESENHA Peixe fora D'água

sábado, 11 de novembro de 2017
Titulo: Peixe fora d'água
Autora: Lynda Mullaly Hunt
Editora: Rocco
Nº de páginas: 262
Sinopse: "Todo mundo é inteligente de diferentes maneiras. Mas se você julgar um peixe pela sua habilidade de subir em árvores, ele passará a vida inteira se achando burro.” É exatamente assim, como um peixe fora d’água, que Ally se sente. A cada mudança de escola ela tenta disfarçar sua dificuldade para ler e sua inaptidão para se encaixar. Mas sua vida tem sido difícil. Até que um novo professor consegue enxergar a Ally brilhante e criativa que existe por trás da garota rotulada de lenta e difícil; e até que ela conhece Keisha, uma menina sem papas na língua, e Albert, um garoto obcecado por fatos e ciência. Conforme esses três deslocados começam a encontrar seu lugar, coisas surpreendentes acontecem na vida de Ally, Keisha e Albert. E de todos ao seu redor."


*Livro cedido em parceria com a editora





 Solicitei esse livro achando que encontraria uma história fofa sobre superação e encontrei a minha meta de vida. Pra quem não sabe eu curso Letras, sou professora em formação e já estou atuando na área, é tudo bem diferente do que esperava e adivinha? Eu achei que teria controle em sala de aula mas nem tudo sai como o esperado, muitas vezes me vi sem reação e Peixe fora D'água veio para me salvar, ensinar o que é ser um professor de verdade e a como despertar o melhor dos alunos, sem nunca deixar de acreditar em cada um deles, independente de qual seja o seu talento ou dificuldade, é espetacular.
 Ally é uma garota diferente, ela é extremamente lenta para ler e escrever, se culpa o tempo todo por isso e se acha burra, acredita fielmente que sua capacidade intelectual depende dessas duas ações e se ela não é capaz de fazê-las com louvor, ela é burra, uma pena! Ally é talentosa em outros meios, como exatas e artes mas ainda assim não parece ser suficiente, a garota sofre ataques de alunos maldosos, se diminui o tempo todo por conta de sua condição, tudo isso porque nunca encontrou alguém para encorajá-la, até chegar o Sr. Daniels...
 Ele é o professor substituto e vai cuidar da turma de Ally por um tempo, nada de diferente, certo? Errado, Dani é o tipico professor que marca a vida de qualquer aluno(pro lado bom, claro), ele é doce, carinhoso, encontra métodos para cativar cada criança, acredita no potencial de cada um e não desiste deles, em um hipótese alguma. Dani faz isso com tanta naturalidade que fica claro como ele nasceu para ser professor e como ensinar é um dom, não um ofício.
 Aos poucos Ally vai se abrindo para ele e se permitindo, mostrando assim a sua dificuldade, ciente de que ele não é capaz de ajudá-la quando é o contrário que acontece. Ally não é nenhuma burra como imaginava, ela é especial e precisa de ensinamento diferenciado mas nada disso compromete sua intelectualidade, ela só precisava de um pouquinho de amor! 
 Desse modo, Ally que era uma garota sozinha acaba encontrando alguns amigos e percebe que não é a única diferente no mundo, o fato das pessoas não terem os mesmos problemas que você, não te torna diferenciada, mas ainda assim, a amizade que é semeada nesse livro é maravilhosa, doce e empática. 
 Essa é uma obra maravilhosa e que deveria ser leitura obrigatória de cada professor em formação, terminei transformada e apaixonada, foi tudo doce, tocante e muito profundo. O bacana é saber que a história foi inspirada na vida da própria autora!


A maior parte dos professores parece gostar que todos os alunos sejam iguais: perfeitos e quietinhos. O professor Daniels, na verdade, parece gostar que sejamos diferentes.




 





RESENHA! Lembra aquela vez

Titulo: Lembra aquela vez
Autor: Adam Silvera
Editora: Rocco
Nº de páginas: 336
Sinopse: "Finalista na categoria romance juvenil do Prêmio Lambda, o mais tradicional do segmento de literatura LGBT do mundo, e celebrado por veículos como The New York Times (“lindo romance de estreia”) e Chicago Tribune (“comovente”), entre outros, Lembra aquela vez conta a história de um garoto do Bronx (re)descobrindo sua sexualidade. 

Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade."


*Livro cedido em parceria com a editora

 Esse é um dos títulos que tanto esperei pelo lançamento, Lembra aquela vez tem sido comentado por todos os booktuber que tanto amo e todas as pessoas envolvidas no meio da leitura na qual preso a opinião para saber se o livro me atrai. Pois bem, quando vi essa belezinha no catálogo da Rocco eu não pensei duas vezes em solicitar, o enredo me atraiu e decidi mergulhar nessa história.
 Aaron é um garoto doce que sofre de alguma síndrome de azar, não é possível, a vida dele sempre consegue ficar um pouquinho pior do que se pode imaginar, seu pai cometeu suicídio tem algum tempo e isso o afetou diretamente, ele tentou também e não se orgulha nada disso, carregar esse fardo é tão doloroso que ele não consegue falar disso com ninguém. Ele não consegue falar sobre isso nem com sua namorada Genevieve que sinceramente... Essa garota tem a minha admiração! É uma das melhores personagens da trama, acontece que ela resolve viajar para um acampamento de Artes e nesse meio tempo Aaron conhece Thomas, um garoto especial em todos os sentidos.
 Sinceramente, eu achei as primeiras páginas do livro um porre, tudo muito parado, muito bobo... Eu estava de fato desconfortável com tudo que acontecia na história porque me parecia que o autor escreveu aquilo sem se dar ao trabalho de deixar o leitor satisfeito com a leitura. A partir da página 80 as coisas começam a andar de fato, me atentei aos acontecimentos e dali em diante não larguei mais o livro, na verdade eu deixei ele de lado sim... Pra chorar, que livro devastador!
 Em tempos como esse que estamos vivendo essa leitura é mais do que necessária, se você quer chorar por sentir a dor do outro, Adam Silvera vai te ensinar direitinho a como fazer isso. 
 Em muitos momentos me vi desesperada, sem chão, quando eu imaginava saber qual caminho os personagens iriam seguir tudo mudava e meu coração ficava em pedacinhos, toda a crítica que fiz a respeito do início do livro se perdeu quando terminei, a intensidade das situações foi tamanha que você termina a leitura com ódio dessa sociedade e de como ela pode ser monstruosa quando qualquer coisa foge do tradicional.
 Tentei não dar spoiler porque sei como cada detalhe nesse livro constrói um cenário surpreendente e que vai te deixar de coração apertado. Eu gostaria de levar Aaron comigo, guardá-lo em um lugar seguro, pra sempre.



"A felicidade não deve ser tão difícil"


 
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