RESENHA Aos perdidos, com amor

quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Título: Aos perdidos, com amor
Autora: Brigid Kemmerer
Editora: Plataforma21
Nº de Páginas:450
Sinopse: "Juliet Young sempre escreveu cartas para sua mãe. Mesmo depois da morte dela, continua escrevendo – e as deixa no cemitério. É a única coisa que tem ajudado a jovem a não se perder de si mesma. Já Declan Murphy é o típico rebelde. O cara da escola de quem sempre desconfiam que fará algo errado, ou até ilegal. O que poucos sabem é que, apesar da aparência durona, ele se sente perdido. Enquanto cumpre pena prestando serviço comunitário no cemitério local, vive assombrado por fantasmas do passado. Um dia, Declan encontra uma carta anônima em um "






 Não sei ao certo se sobrevivi ao apocalipse zumbi que também chamamos de Bienal, meu corpo ainda dói um pouquinho e sinto que preciso de certo condicionamento físico para encarar esse tipo de maratona, mas definitivamente a experiência valeu a pena, não somente pelas compras mas pela oportunidade de conhecer cada editora de perto, a Plataforma 21 sem dúvida alguma era uma das mais bonitas, os preços estavam acessíveis e quando vi Aos perdidos, com amor, por um valor bacana, não pensei duas vezes e comprei. Sempre ouvi comentários positivos a respeito, imaginei que demoraria alguns dias para terminar de lê-lo, mas dois dias foram suficientes para essa história me arrebentar de um jeito sem igual. Brigid usou todos os elementos necessários para me conquistar, dor, romance, amor, emails, mais dor. Esse é o típico enredo que vou guardar com carinho, porque realmente me comoveu, a oportunidade de conhecer essa história já fez valer a Bienal todinha. 

 Juliet Young, ou só Ju, perdeu sua mãe em um trágico acidente de carro, a culpa enterra seu peito e a impede de respirar. Culpa porque sua mãe morreu graças ao pedido dela, ela era uma fotografa de guerra muito conhecida, nunca estava em casa, Ju implorou para que ela voltasse mais cedo de sua última missão, ela o fez e se esse pedido não tivesse acontecido, sua mãe ainda estaria aqui. Mas como superar isso? Como conviver com o peso da sua existência apesar de toda a ausência? Como servir de apoio para seu pai quando ela não consegue se ajudar? A maneira que a protagonista encontra para lidar com isso é escrevendo cartas, todas endereçadas para sua mãe, ela as escreve e logo em seguida deixa em seu túmulo, o destino cuida do caminho que elas vão seguir. Até o dia em que alguém responde uma de suas cartas, e isso acaba se tornando um laço bastante incomum, Ju passa a se corresponder com alguém que não faz ideia de quem seja, mas que compreende a sua dor.









 O tempo todo sabemos quem é Declan Murphy, ele é o tipico cara suspeito da escola, o garoto com antecedentes criminais e que ninguém ousa chegar perto. Esse é o esteriótipo que tanto Juliet quanto qualquer outra pessoa que o conhece superficialmente acaba comprando. O que ninguém sabe é a culpa que Declan carrega consigo, pela prisão de seu pai e pela morte de sua irmã. Até então ele nunca sentiu necessidade de falar sobre isso com alguém, ser quieto é mais seguro. Mas ao ver que sua mãe segue sua vida com outro homem, e não se importa mais com ele, Declan sente que não aguenta mais, e enquanto prestava serviço comunitário acaba encontrando a carta de Juliet e em um ímpeto de coragem, responde. É isso, Juliet e sua culpa, Declan e sua dor, tudo derramado em cartas que arrancam lágrimas, emails que ultrapassam qualquer anonimato, tudo é extremamente comovente e sincero. Juliet assume o seu verdadeiro eu e mostra quão frágil é, enquanto Declan deixa a pose de durão de lado e não sente vergonha em assumir seus erros e como isso a relação se estabelece.


 Eu não esperava que esse livro fosse me emocionar tanto, de verdade, quando li a sinopse me animei porque adoro tramas que envolvem emails e cartas, mas a carga emocional dessa trama é bem diferente do que eu imaginava, e nem por isso me decepcionou, pelo contrário! É um livro denso, que vai te cozinhando do começo ao fim, você tem dificuldade para respirar em alguns trechos, porque os questionamentos feitos tanto por Ju tanto por Declan, são muito dolorosos. O romance dá uma quebrada nesse clima de tristeza, principalmente porque Juliet sente que está gostando de duas pessoas ao mesmo tempo, de Escuridão, o cara com quem começou trocando cartas e agora troca emails, e de Declan, o cara errado da escola que de repente se torna uma pedra em seu  sapato. Essa dicotomia entre o que Declan é na vida real, e o que Juliet projetou no cara dos emails é muito interessante porque nos leva a pensar sobre como um só dia em nossa vida, pode definir quem somos pra sempre. Ninguém sabe o motivo para Declan ter pego um carro bêbado e ter invadido um prédio, todos julgam ele como um delinquente sem futuro, mas quando ele é o Escuridão, Juliet o vê como um homem incrível e que merece amor, a ideia de que essas duas "pessoas" são uma só, deixa claro que nunca conhecemos alguém completamente.
 O livro é fantástico, de verdade! Foi pra minha prateleira de favoritos, pelo teor, pelo modo em que a fotografia é trabalhada, por assuntos secundários como adoção, racismo, figuras maternas, pelo melhor amigo de Declan, Rev, que é um amorzinho só! Por tudo! Brigid construiu uma trama que possivelmente vai me render uma bela ressaca literária, mas que me abraçou de tantas maneiras que é impossível mensurar. Obviamente há um mistério, não só do possível encontro entre Juliet e o Escuridão, mas sobre os motivos para o acidente de sua mãe e da irmã de Declan, quando você finalmente descobre, sente como se pudesse recuperar o fôlego que nem fazia ideia que havia perdido. Aos perdidos, com amor, é uma história sobre se encontrar no outro, e assim, encontrar-se em si.


No entanto, sua dor pelo meu alter ego se derrama pela tela, e meu peito se expande com a pressão.








RESENHA Pluft, o fantasminha

terça-feira, 7 de agosto de 2018
Título: Pluft, o Fantasminha
Autora: Ana Maria Machado
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 48
Sinopse: "Peça teatral sobre Pluft, o fantasminha que tem medo de gente.

Conta a história do rapto de uma menina (Maribel) pelo malvado pirata Perna-de-Pau. Escondida no sótão de uma velha casa, ela conhece uma família de fantasmas e faz amizade com Pluft, um fantasminha que tem medo de gente."

*Livro cedido em parceria com a editora. 







 Hoje é dia de resenha um tanto incomum, de livro infantil! A Nova Fronteira lançou essa edição linda de Pluft, o fantasminha e não me aguentei de curiosidade, corri para solicitar. Esperava uma simples história infantil mas percebi que é bem além disso, uma linda fábula, com direito a lição de moral e tudo.
  
 Escrito inicialmente para ser uma peça de teatro infantil, “PLUFT o fantasminha” ganhou tamanha fama no palco do Tablado que após um tempo sendo remontado tornou-se famoso em livros e cinema gerando um reconhecimento à Maria Clara Machado como sendo uma das mais importantes escritoras de dramaturgia para crianças.
 Pluft o fantasminha conta a história de duas histórias. Isso mesmo, conta a história de um tesouro escondido por um capitão e conta a história de Pluft.



 Como? Bem, depois do falecimento do capitão Bonança, o mesmo deixou para seus companheiros de navio um mapa que levava a um tesouro, mas este mapa foi roubado por nada mais nada menos que o pirata Perna de Pau, um homem horrendo que acredita, assim como muitos acreditam, que tesouro tem a ver com dinheiro.
 O tesouro do capitão era a sua neta Maribel e, reconhecendo que a menina poderia saber onde estaria o tesouro escondido do capitão Bonança, Perna de Pau rapta ela, chegando ao destino do mapa, uma casa abandonada beirando a areia branca da praia.
 Entra então a segunda parte da história, a parte de Pluft.

 Este fantasminha vive nesta casa beirando a areia branca da praia, mora com a sua mãe sra. Fantasma e seu tio fantasma Gerúndio. O jovem fantasma sempre teve medo de gente, nunca pôde mostrar como era ser corajoso para a família, assim como seu pai um dia foi. Mas com a chegada do Capitão Perna de Pau e de Maribel que estava em apuros por estar presa às garras do perigoso pirata, Pluft vê uma oportunidade de criar coragem para salvá-la, vencer o medo de gente e ainda por cima criar um grande laço de amizade.
 É uma história bastante divertida ideal para crianças que adoram aventuras de piratas e fantasmas, mostrando que nem sempre tesouros são referenciados como sendo dinheiro, mas sim valores que deixamos aos nossos ancestrais e pessoas queridas que carregamos junto de nós. Sem contar que Pluft foge do esteriótipo esperado por nós, estamos acostumados com a ideia de humanos sentindo medo de fantasmas, e não o contrário. Ana Maria Machado além de quebrar lindamente esse estigma, propõe uma discussão a respeito do medo imposto em crianças, do escuro, de fantasmas e tantas outras coisas, quando isso passou a ser ruim? Como Pluft, um fantasminha tão fofo poderia ser mal para alguém? Uma doce história, ideal para todos os niveis de idade. 







RESENHA Tarde demais

quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Título: Tarde Demais
Autora: Colleen Hoover
Editora: Grupo Editorial Record
Nº de Páginas: 384
Sinopse: "Para proteger o irmão, Sloan foi ao inferno e fez dele seu lar. Ela está presa em um relacionamento com Asa Jackson, um perigoso traficante, e quanto mais os dias passam, mais parece impossível enxergar uma saída. Imersa em uma casa incontrolável que mais parece um quartel general, rodeada por homens que ela teme e sem um minuto de silêncio, também parece impossível encontrar qualquer motivo para se sentir bem. Até Carter surgir em sua vida.  Sloan é a melhor coisa que já aconteceu a Asa. E se você perguntasse ao rapaz, ele diria que também é a melhor coisa que já aconteceu a Sloan. Apesar de a garota não aprovar seu arriscado estilo de vida, Asa faz o que é preciso para permanecer sempre um passo a frente em seu negócio e proteger sua garota. Até Carter surgir em sua vida. A chegada de Carter pode afetar o frágil equilíbrio que Sloan lutou tanto para conquistar, mas também pode significar sua única saída de uma situação que está ficando insustentável. Colleen Hoover não tem medo de escrever sobre assuntos delicados e Tarde demais prova isso. Perpassando as formas mais cotidianas de machismo até as formas mais intensas e cruéis de abuso, a autora mergulha na espiral atordoante que é um relacionamento abusivo."
*Livro cedido em parceria com a editora

 Essa é uma resenha que farei com o coração pesado, se você abrir o meu exemplar de Tarde demais, vai encontrar além das marcações, muitas marquinhas de lágrimas, eu não consegui me segurar, desde o aviso da autora logo na primeira página até a última frase, esse livro me arrebentou incessantemente, foi tanta porrada e ainda assim eu não conseguia parar de ler, me apeguei fielmente na ideia de que Sloan merecia algo bom em sua vida e que isso tinha que acontecer em algum momento do livro. Voltar pra essa história para resenhá-la, vai fazer meu peito doer também.
 O livro começa com um aviso de Colleen, dizendo que esse não é um livro bonito, não é um livro doce ou com bons sentimentos, esse foi o refúgio da autora em seus bloqueios criativos e todas as vezes que precisava desabafar sobre algo. Tarde demais nem ao menos deveria ser publicado, ela postou em uma plataforma digital por conta da curiosidade dos fãs e o resultado é esse, Colleen precisou lançar, ela quebrou até algumas regras. Por não conseguir se desprender dessa história, deu o livro como finalizado algumas vezes e ainda assim voltava a escrever, desse modo, acompanhamos o prólogo do prólogo e muitas outras passagens em que fica claro que a autora tentou dar um fim a isso, mas não foi capaz. Quando li esse aviso, achei que fosse exagero, quando vi os comentários sobre esse livro, também achei que fosse exagero, ele é classificado como a obra mais forte da autora, e achei que fosse só jogada de marketing, puro engano, não há palavras pra definir o que esse livro é, ele te atravessa de tal forma, que ao terminar, você só quer chorar, sofrer e sofrer, odiar o mundo e pedir por um Luke em sua vida. 
 Pra você ter ideia do impacto desse enredo, a história já começa com uma cena de estupro, Sloan simplesmente acorda com seu namorado tirando sua roupa pela manhã, pronto para transar, imagine só acordar com alguém simplesmente invadindo seu corpo, é perturbador demais! Ela lida com isso de uma maneira tão natural que chega a ser assustadora, ela é muito grata a Asa então esse é o "mínimo" que pode oferecer a ele, mas isso não torna sua vida menos infernal.



 Sloan é uma boa pessoa com uma realidade horrível, filha de uma mãe viciada, com um irmão que morreu em seus braços e outro que depende unicamente dela para sobreviver, ela não vê outra saída a não ser a de se tornar escrava de Asa, em todos os sentidos, quando ela se vê sem lugar para morar, a ponto de largar a faculdade e precisando de ajuda financeira para bancar a estadia de seu irmão em uma clinica para crianças especiais, Asa se torna seu único recurso. Eles são namorados a muito tempo, ele conta com bons recursos financeiros porque é um dos maiores traficantes da cidade, apesar de odiar isso, ela não vê outra saída a não ser usar dos recursos dele para cuidar de seu irmão. 
 Já Asa, ele é completamente louco! Teve uma infância completamente desestruturada e sua forma de ver o mundo é doentia, ele trata todas as mulheres como vadias, abusada da violência física e do terror psicológico, acha sexo forçado uma coisa normal, todas as vezes em que ele ia narrar a história eu me sentia enjoada, de verdade, Asa é o pior de Colleen, todos os monstros, todas as coisas ruins, todos os demônios internos dela, eu sinto que compõe o que Asa é.
 Mas certo, a história é só isso? Não! Inicialmente você imagina que o enredo vai focar na convivência de Sloan com Asa, já que eles moram juntos, mas é um pouquinho além disso. Asa mantém sua casa como um verdadeiro local sem regras, é sempre muito movimentada com gente da pesada, drogados, viciados, traficantes, com festas diárias e muito barulho, o único momento de paz é quando está na faculdade, é justamente durante um cochilo que ela conhece um belo rapaz em que troca alguns flertes, ela não vê nada de errado nisso porque acredita que isso não vai além do âmbito acadêmico, mas ao chegar em casa e dar de cara com ele, descobre que vai ser o novo sócio de eu namorado, os homens são todos iguais, correto?
 Luke é um policial disfarçado, sua missão atual é se infiltrar no maior esquema de tráficos de drogas na universidade, sendo assim, ele se aproxima de Asa aos poucos, tem o primeiro contato de Sloan e simplesmente não consegue entender porque ela está envolvida com alguém tão sem escrúpulos, mas ainda assim, ele precisa cumprir seu trabalho e Sloan não pode ser uma distração.
 Meus amigos, que livro! Talvez essa tenha sido a leitura mais dolorosa de Collen que eu já fiz, e olha que sempre choro com suas obras, eu simplesmente perdi as contas de quantas vezes Sloan foi abusada pelo namorado, de verdade, todas as cenas de sexo são com ele são descrições de estupro, uma sempre pior que a outra, sem contar as vezes em que ele a traia e consequentemente abusava de outras garotas, algumas vezes, quando as meninas imploravam para ele parar, ou choravam, ele sentia-se excitado, OLHEM O NÍVEL DE DOENÇA DA PESSOA! Outras vezes, ele entendia o choro, raiva ou a resistência, como um verdadeiro joguinho onde ele saia vencedor. Ver a protagonista passar por isso é desesperador mas ela não tem outra saída, seu irmão tem um alto grau de autismo e precisa de cuidados 24h, após ter seu benefício cortado, ela vê em Asa a única saída para conseguir mantê-lo na clínica, basicamente Sloan se permite ser estuprada, violentada, machucada e usada pelo bem do seu irmão. Luke assiste isso de maneira um pouco cética, inicialmente ele se pergunta qual o papel de Sloan no esquema de tráfico mas depois entende que ela é a escrava de Asa e não pode escapar tão facilmente, a relação dos dois começa a acontecer de maneira natural, fofa, mas imediatamente fica densa, primeiro porque a protagonista é vigiada o tempo todo, seu namorado é tão possessivo que chega a rastrear seu celular, segundo que Luke não pode simplesmente jogar todo o seu trabalho fora para viver uma história de amor.
 Sloan se abre para Luke porque vê nele um refúgio, ela conta toda a verdade, porque está com Asa, conta sobre seu irmão, sua vida nada fácil e como Asa se tornou um parasita na qual ela não consegue se livrar. Luke precisa ter quase uma precisão cirúrgica para efetuar bem o seu trabalho, aguentar ver Sloan sofrendo todas essas violências e não colocar tudo a perder.
 Eu li Tarde Demais em tempo recorde, não só porque a história era boa, e sim porque ela não dá pausas, o tempo todo você fica com o coração na boca, o tempo todo são socos no estômago, o tempo todo são coisas perversas acontecendo e você só consegue se sentir apavorada, e quando pensa que as coisas vão aliviar... Só piora.
 A trama é narrada pelo ponto de vista dos três personagens, sendo assim, você acompanha Sloan quando ela é abusada, acompanha Luke se segurando diante disso, e o pior, acompanha Asa fazendo isso e julgando como se fosse uma atitude totalmente normal. Colleen colocar o ponto de vista do "vilão" nisso tudo foi um verdadeiro soco no estômago, é como entrar na mente de um psicopata, onde suas atitudes doentias são facilmente justificadas com "foi por amor". O final é aceitável, é feliz, mas durante toda a leitura você se emociona tanto, se machuca tantas vezes, que isso nem chega a ser um final aceitável, é apenas uma permissão para finalmente respirar sem aquela pressão toda.
 Esse é um livro repleto de gatilhos, cenas de abuso, violência, uso de drogas, tudo o que há de mais perverso está aqui, Colleen não brincou em serviço e essa história não vai sair tão facilmente de minha cabeça, ainda assim, não tiro o crédito da construção do enredo, tudo foi perfeitamente escrito e me emocionou demais. 

"Ninguém deveria levar uma vida sem nunca se sentir verdadeiramente cuidado - nem mesmo pelos pais que o criaram. E, no entanto, vivi isso durante vinte anos.Até este momento."






RESENHA O tipo certo de garota errada

segunda-feira, 30 de julho de 2018
Título: O tipo certo de garota errada
Autora: A. C. Meyer
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 280
Sinopse: "O início da vida adulta não é nada fácil. Principalmente se você não é exatamente aquele tipo certo de garota. Aquele que frequenta todas as aulas da faculdade que o pai escolheu e sabe o que quer. O orgulho do papai e da mamãe. Aquele tipo de garota com o cabelo perfeito e hábitos saudáveis. Malu não é nada disso. Por outro lado, ela vive plenamente, como se cada dia fosse o último, e nada parece abalar sua coragem e determinação. Em meio a um problemático relacionamento com os pais, ela começa a faculdade de Direito a contragosto e lá conhece Rafael. Rafa está terminando o curso e os dois se tornam inseparáveis. Mas é só amizade. Até outro sentimento começar a falar mais alto. Com a atração se tornando incontrolável Malu e Rafa se permitem viver uma relação sem compromissos: livre, mas ao mesmo tempo intensa e apaixonada. Até que o destino os coloca diante de uma armadilha cruel. Pode o amor ser mais forte que o medo de amar?"
*Livro cedido em parceria com a editora


 Já tive algumas outras experiências com a autora e quando vi O tipo certo de garota errada figurando entre a lista de lançamentos da Galera Record, confesso que fiquei um pouquinho receosa, a última obra de A. C. Meyer que li foi Cadu e Mari, que você pode conferir a resenha AQUI e posso assegurar que teve mais pontos negativos do que positivos, a ideia foi ótima mas a execução em si deixou a desejar, e um pequeno erro na capa me deixou um tanto descontente, sendo assim, quando essa belezinha chegou em casa eu já fui sem muita expectativa e talvez essa tenha sido a melhor coisa que eu tenha feito. O que era pra ser um romance despretensioso se tornou um grande livro sobre amizade, amores e um grande aviso sobre se cuidar. 



 Malu sempre esteve no curso errado, ela segue o esteriótipo de garota rebelde, com cabelos coloridos, roupas desleixadas e tatuagens, mas está cursando Direito, mais por pressão de sua família do que por desejo próprio. Logo no primeiro dia de aula ela conhece Rafa, um rapaz que está se formando já, mas isso pouco importa, eles se tornam amigos inseparáveis. Malu é extremamente infeliz mas procura não transparecer isso, sua grande paixão é pintar mas ela esconde isso dos outros, seus pais nunca aceitariam, fora isso, Malu tem um ar bastante melancólico, sempre fuma e bebe demais, sua sorte é sempre ter Rafa por perto para cuidar dela, e falando em Rafa... Ele é um homem absolutamente gentil, companheiro, um baita amigo, não do tipo machista, que marca território, ele é do tipo irmãozão, que protege o quanto pode, chega a ser fofo. Acontece que Malu segue infeliz, Rafa se aproxima mais ainda devido a isso e acaba descobrindo o talento da garota para a arte, imediatamente ele procura a opinião de uma profissional e adivinha? Malu passa a ser um verdadeiro sucesso no mundo das artes, com direito a exposição e tudo, diante disso ela é impulsionada pelo colega e pelos acontecimentos a contar para os pais que seu grande sonho é sair do curso de Direito e pintar, porque é o que ama fazer. 
 Quando ela conta isso aos familiares, a resposta não poderia ser pior, a violência física e psicológica de seu pai é absurda e nesse momento você sente vontade de guardar a personagem em um potinho, ela é expulsa do apartamento em que morava e com a ajuda de Rafa e o sucesso das vendas dos quadros resolve viver de maneira independente e cortar relações com a família.
 Desse modo, Malu se muda, passa a morar em um local em que ela pode pagar, vive para pintar e por conta de sua fragilidade emocional se aproxima mais de Rafa, a conexão entre os dois é imediata, você os vê como um casal o tempo todo, mas a personagem insiste em dizer que não acredita em amor e o mocinho segue dizendo que não quer um relacionamento sério, é como se os dois quisessem lutar contra uma força que é infinitamente maior que eles. Mas ainda assim, resolvem tirar proveito da situação, eles se tornam amigos coloridos, que ocasionalmente transam mas que nunca terão um relacionamento sério, duas pessoas que na real se amam, poderiam procurar um caminho mais torto que esse?
 É nesse momento que eu resolvo colocar meus dedinhos nervosos em ação e fazer algumas críticas, Malu é uma personagem rica, ela tem profundidade demais, mas no que diz respeito à amor, ela segue uma filosofia tão clichê que me fez revirar os olhos, ela não acredita em amor, acha que é coisa de gente que quer se machucar e afirma isso de maneira tão imatura que cansa, no que diz respeito ao relacionamento com Rafa, ele sempre foi muito sincero com ela, obviamente ele começa se apaixonar e não percebe, e ver duas pessoas que se amam, negando isso chega a ser ridículo. A impressão que tive é que não eram dois adultos em uma relação, e sim dois adolescentes que não se resolviam sobre quem ia dar o braço a torcer primeiro. 
 Pois bem, o livro tinha tudo pra me fazer odiar a história, mas a narrativa começa com Malu no hospital e eu decidi terminar porque estava curiosa demais pra saber o motivo, óbvio que não vou revelar aqui, só posso dizer que vale a pena, salvou a história todinha e me arrancou tantas lágrimas porque eu estava com medo do que poderia acontecer... A guinada nessa história acontece de maneira inexplicável e foge de tudo que eu esperava, ainda assim, é bastante coerente e faz todo o sentido para o enredo, nesse momento eu percebi o quanto Meyer pesquisou sobre o assunto. Outros personagens tem certo espaço na história, como a vizinha de Malu e os amigos de Rafa, mas não se engane, essa é uma história sobre amor mas que foca na amizade, acima de tudo.
 Fica a minha recomendação dessa obra que tinha tudo pra me fazer desistir mas me comoveu de tal forma que me desarmei todinha e desabei chorando, uma história curtinha mas com o final forte, A. C. Meyer soube como me conquistar como leitora.

“Mas sempre fui a ovelha negra, aquela que tinha os cabelos coloridos e gostava de chocar. Que fuma, bebe, fala palavrão e gosta de curtir as coisas boas da vida. O tipo certo de garota errada. Aquela que nenhuma mãe iria querer como nora, e que os garotos normalmente não levam para casa, para apresentar aos pais.”






RESENHA Os seis finalistas

sexta-feira, 27 de julho de 2018


Título: Os seis finalistas
Autora: Alexandra Monir
Editora: Jangada
Nº de páginas: 328
Sinopse: "Mudanças climáticas tornam nosso planeta inabitável, as grandes cidades do mundo estão debaixo d'água. Num último esforço para encontrar um novo lar para a humanidade, a Missão Especial mais audaciosa da história é lançada: a colonização de Europa, uma das luas de Júpiter. Agora, no Centro de Treinamento Espacial Internacional (CTEI), 24 adolescentes brilhantes foram recrutados e se preparam para disputar seis vagas na equipe que deixará para sempre a Terra carregando o futuro da raça humana. Leo, um nadador italiano profissional, não vê a hora de encarar esse desafio, depois de perder a família inteira numa inundação. Já Naomi, uma americana de ascendência iraniana - e gênio da ciência -, tem muitas suspeitas com relação ao CTEI, após uma missão semelhante falhar em circunstâncias misteriosas.  Na medida em que o treinamento testa os limites de cada um e a tensão aumenta entre os astronautas, a amizade dos dois se torna essencial para enfrentarem o que está em jogo: a humanidade, a Terra e suas vida"
*Livro cedido em parceria com a editora

 Se a Jangada diz que esse livro é o queridinho dela ultimamente é porque esse livro é incríveeel! Primeiramente, essa capa é linda demais, foi amor à primeira vista. Logo que eu comecei a ler comecei a sentir uma semelhança com The Hunger Games (Jogos Vorazes) por serem Vinte e Quatro jovens escolhidos para ficarem um período treinando antes de irem para o espaço. Me lembrar Jogos Vorazes fez com que eu me interessasse mais pela história, mas não pense que o livro é bom por se parecer um pouco com algum outro, Os seis finalistas é bom por si só.
 A história é a seguinte: depois de tantos anos sofrendo maus tratos, poluição e desrespeito ao meio ambiente a Mãe Natureza decide retribuir aos seres humanos todas as coisas ruins que eles fizeram à terra. Enchentes destroem vários países ao redor do mundo matando várias pessoas e deixando famílias sem todos os membros, sem lar e sem rumo na vida. Agora todos vivem do jeito que conseguem, lutando para sobreviver mais um dia, o governo faz racionamento de comida e tenta ajudar como é possível.




 Em meio a esse cenário devastado, os cientistas tentam encontrar uma saída para a humanidade, e qual é essa saída? Povoar outro planeta, para ser mais especifica a lua de Júpiter, também chamada de Europa. Mas para isso acontecer eles precisam mandar alguém para lá, Os seis finalistas, e é ai que entra nossos protagonistas. Naomi é filha de imigrantes e mora nos EUA, é uma garota muito inteligente, manda muito bem em ciências e tem até alguns prêmios. Se tem uma coisa no mundo que ela ama é sua família, seu irmão mais novo, Sam, tem um problema no coração e ela sempre tenta achar um jeito de curar ele, uma vez ela hackeou o sistema do hospital para descobrir o que ele tinha, como podemos ver ela é muito esperta.
 Leonardo é um jovem italiano que, antes de acontecer essa tragédia com a terra, era um ótimo nadador, venceu várias competições quando estava no colégio, mas ai veio as enchentes que mataram toda a sua família e ele ficou sozinho no mundo e desde então vem tentando sobreviver a cada dia de uma vez. Quando a narrativa é iniciada ele está pronto para se matar, ele não aguenta passar mais um dia olhando os pertences de sua família e imaginando como seria se eles ainda estivessem vivos. Mas quando ele está pronto para acabar com seu sofrimento ele ouve o som de um navio chegando e fica curioso e o segue. Podemos dizer que essa escolha mudou a vida dele para sempre.
 Naomi e Leo são recrutados para serem um dos Vinte e Quatro jovens que treinarão duro para salvar a humanidade, sem pressão. Apesar de Naomi e Leo ficarem muito amigos durante o treinamento, eles têm intuitos diferentes em relação aquela viagem. Para o Leo aquela viagem é a salvação da sua vida, ele precisa conseguir ficar entre os seis finalistas que irão para a lua de Júpiter, ele não conseguiria voltar para a Itália e viver sozinho de novo. Mas Naomi não quer ir por nada nesse mundo, ela é muito ligada a família e a seu irmãozinho doente e sente que não pode deixa-lo, mas isso tudo não é uma escolha, é um recrutamento.
 Naomi promete a seu irmão que vai encontrar uma forma de voltar para casa e acabar com aquela ideia insana de mandar seis jovens para o espaço. Ela e o irmão seguem um blog chamado O conspirador do espaço que tem toda certeza que existe vida na lua de Júpiter e que essa viagem é muito perigosa. Baseada nisso, Naomi vai até o fim para provar isso e salvar a todos com a ajuda de Leo.
 O final é surpreendente e eu só vou dizer uma coisa: EU PRECISO DE UMA CONTINUAÇÃO...
 P.S: A frase no topo do livro te dá um spoiler do que vai acontecer, mas você só se toca no final...




"Aprendemos da forma mais difícil na Terra que nenhuma tecnologia ou riqueza vale poluir e destruir nosso planeta. Vocês não podem se dar ao luxo de cometer o mesmo erro em Europa."






RESENHA Engano Irresistível

quinta-feira, 26 de julho de 2018
Título: Engano Irresistível
Autora: Vi Keeland
Editora: Universo dos Livros
Nº de páginas: 336
Sinopse: "A primeira vez que vi Caine West foi em um bar. Ele notou que eu o estava encarando e deduziu que fosse um flerte. Quando veio falar comigo, coloquei-o na linha, exasperando tudo o que eu pensava sobre ele ser um mentiroso, traidor e egocêntrico. Sabe, aquele delicioso canalha havia levado minha amiga para jantar; depois, foram para cama e ele nem sequer mencionou que era casado. Por isso, merecia cada xingamento que saía da minha boca. Quando terminei, um sorriso preguiçoso se expandiu em seu rosto perfeito em resposta ao meu sermão. Só então percebi que o homem para o qual eu vociferava impropérios não era o cara certo. Ops. Lindo engano. Com vergonha, saí sem me desculpar e achei que nunca mais veria o estranho bonitão na vida, certo? Foi o que pensei... Até chegar à aula na manhã seguinte... Olá, professor West, sou sua nova assistente. Trabalharei diretamente abaixo de você... no sentido figurado. Embora trabalhar debaixo do professor West não fosse uma má ideia..."


 Depois de ler muita fantasia, decidi que precisava voltar ao meu gênero do coração por segurança, porque ler um romance de vez em quando não faz mal, certo? Optei por Vi Keeland sem pretensão alguma, já li algumas outras coisas da autora e gostei, mas não imaginei que fosse me apaixonar tanto assim pelos personagens dessa história, tudo aqui é muito forte, muito real. Diferente daquele enredo onde os personagens fazem tempestade em um copo d'água, aqui as coisas não são facilmente resolvidas, o passado é motivo para se fechar em uma conchinha, e abri-lá pode doer.
 Rachel é parceira demais de sua amiga, e quando vê que a mesma teve o coração partido por um babaca, ela resolve que vai dar um jeito na situação, brigando com o cara, isso acontece logo no início do livro, ela está lá, dando um esporro em um lindo homem que saiu com a sua amiga e é casado e a primeira coisa que você pensa é "Pronto, ela vai se envolver com um homem comprometido" mas após o esporro e na ida pra casa, Rach descobre que brigou com o homem errado, aquele não era o homem que saiu com sua amiga, ela estava bêbada demais para apontar para o homem correto, o que fazer diante dessa situação? Ir embora, não se desculpar e agir como se aquilo nunca tivesse acontecido, certo? É o que Rachel faz, mas quando chega para a aula... Descobre que o desconhecido é Caine, que não será somente seu professor, será também o supervisor de monitoria, como superar essa vergonha e conviver como se aquele primeiro encontro nunca tivesse existido?

 Passei a noite sem dormir por conta dessa belezinha aqui! Tenho o hábito de ler ebook antes de me deitar, ajuda a cair no sono, acontece que comecei a ler Engano irresistível e não consegui mais parar, precisava saber o que ia acontecer e lá se foi uma noite bem dormida embora.
 Lidar com o que aconteceu no primeiro encontro é bastante complicado pra Rach, ela tenta a todo custo resolver essa situação para não ter complicações com seu professor mas só piora as coisas, chegando atrasada e coisas do tipo, já Caine acha graça nisso tudo, ele é um homem bastante jovem mas que tem uma formação acadêmica de dar inveja, sem contar que é extremamente profissional. Aqui o relacionamento entre aluna e professor é questionado o tempo todo, Caine não é desse tipo de cara, ele sabe que sente algo por Rach e sabe que é quase impossível lidar com esse sentimento, mas ainda assim respeita muito o seu emprego, sendo assim, inicialmente ele vai pelas beiradas, colaborando na monitoria, dando dicas importantes e de quebra sendo um bom amigo que sempre sai com Rachel, mas ela... As coisas são complicadas, ela se segura demais em relação ao que sente também, principalmente por respeito, mas hora ou outra as coisas sairiam de controle né? Só posso dizer que quando a "relação" deles de fato passa a acontecer, é de pegar fogo.
 O livro é narrado de uma maneira bastante diferente, além do ponto de vista de ambos os personagens, há também alguns capítulos no passado, que narram a adolescência de Caine e a infância de Rachel, eu achei isso muito estranho, na verdade doloroso! Rach passou por muita coisa quando era pequena, coisas pesadas demais, incluindo abuso e violência, mas Caine... Você muitas vezes se pergunta qual a necessidade de mostrar o passado dele também mas quando descobre, fica totalmente sem reação. Essa é uma daquelas situações onde você se pergunta se vale realmente a pena saber a verdade.
 Pra além de um romance com algumas cenas hot, esse é um livro bastante forte, que fala sobre as dores e cicatrizes que carregamos ao londo da vida, fui pronta pra me apaixonar pelo mocinho e terminei o livro chorando pelos dois, definitivamente um romance que vai ficar marcado em mim. 

"Você é tão cheio de si, que já decidiu que vai partir meu coração. Já parou para pensar que talvez seja eu que parta o seu coração algum dia?"







RESENHA A Parábola do Semeador

segunda-feira, 23 de julho de 2018
Título: A parábola do semeador
Autora: Octavia Butler
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 416
Sinopse: "Quando uma crise ambiental e econômica leva ao caos social, nem mesmo os bairros murados estão seguros. Em uma noite de fogo e morte, Lauren Olamina, a jovem filha de um pastor, perde sua família, seu lar e se aventura pelas terras americanas desprotegidas. Mas o que começa como uma fuga pela sobrevivência acaba levando a algo muito maior: uma visão estonteante do destino humano ... e ao nascimento de uma nova fé."

*Livro cedido em parceria com a editora.







 Eu conheci a editora Editora Morro Branco por conta de Octavia Butler, quando eu soube que suas obras seriam finalmente traduzidas, decidi conhecer qual editora faria esse milagre incrível. Sempre me soou uma situação muito estranha, pra não dizer racista de maneira velada, que a maior mulher na ficção científica nunca houvesse sido traduzida, ser negra nessa questão, só "clareou" ainda mais os motivos. Octavia é uma escritora de renome no cenário mundial, não só por seus prêmios conquistados mas por escrever obras que atravessam as fronteiras do tempo, independente da época em que foram escritas, sempre vai se encaixar no cenário atual de alguma maneira, e nessas horas me pergunto porque Margaret Atwood, tem recebido tanta notoriedade, e Octavia não? Suas obras são igualmente sensacionais, mas o recorte racial presente em Octavia, que muitas vezes foi o motivo para impulsionar a minha leitura, aos olhos dos outros nem sempre é atrativo, pois bem, a Morro Branco ouviu minhas preces e tem traduzido suas obras porque reconhece a importância dessa representatividade e acima de tudo, reconhece o talento dessa mulher magnifica. Minha experiência com Kindred foi tão forte e impactante que hoje considero um dos melhores livros da vida! Por meio dele entendi como o contexto de escravização serviu para perpetuar hábitos que excluem minorias e que reproduzimos nos dias de hoje, Dana sempre vai ser uma personagem forte e sinônimo de resistência pra mim, mas já em A parábola do semeador... Lauren nem parece um ser humano de verdade, nem parece uma adolescente que amadurece enquanto sofre, Lauren me soa como uma entidade, consciente de seus valores e de seu poder de mudança, sabe até onde pode ir, e do que precisa para tal.
 O ano é 2024, em um futuro distópico os EUA passa por sérias mudanças, o cenário é um verdadeiro apocalipse, não há comida para todos e essa custa caro, água é um bem valioso e a segurança não existe, pessoas moram nas ruas, em construções abandonadas, andam sujas, tomar banho é um verdadeiro luxo, Lauren mora em uma das poucas comunidades que ainda são seguras, protegidos por portões altos e um muro maior ainda, a comunidade se esconde de uma civilização assustadora. Nesse ambiente eles tentam viver como uma pequena cidade, plantando seus alimentos, ensinando as crianças e ajudando uns aos outros, acontece que hora ou outra essa paz iria acabar, nao se pode esconder de um mundo que te engole, e após seu pai, um dos responsáveis pela comunidade morrer, e a mesma ser atacada, queimada e muitas famílias morrerem, Lauren se vê destinada a fugir e dar início a tão sonhada Semente da Terra, mas o que é isso?
 Lauren é a primeira filha de um homem integro, que sempre pensou no bem coletivo, pregador, casado com outra mulher e que sempre incentivou a educação para seus filhos, apesar disso, nunca deixou de treiná-los para caso algo acontecesse, Lauren e seus irmãos leem com frequência, mas também atiram, aprendem a plantar e tantas outras técnicas para sobreviver ao mundo caótico. Acontece que Lauren não é tão religiosa quanto seu pai espera, ela acredita em Deus, mas em um Deus diferente, o Deus da mudança, e pensando nisso ela criou A semente da terra, uma espécie de religião mas que não segue os preceitos de nenhuma outra, e visa o bem da comunidade. Criou mas ainda não colocou em prática, a Semente existe apenas em seus escritos e anotações, quando se vê sem ninguém, em um mundo violento e sem ter para onde ir, ao invés de sentir medo ela sente que essa é a chance para criar a sua comunidade.



 Meu Deus que livro! Assim que chegou, passei na frente de todas as outras leituras e não me arrependi nadinha! Octavia não soube dosar a mão para brincar com o meu coração. Após a destruição de sua comunidade a personagem principal decide fugir para uma outra região, a alguns milhares de quilômetros de distância, acompanhada de dois outros sobreviventes de seu bairro, ela parte, Lauren é muito inteligente, antes de tudo acontecer ela teve a esperteza de sentir que as coisas não iam bem, estocou comida, munição, roupas e até mesmo dinheiro, ela estava preparada para o pior, sempre esteve. Acompanhá-la em sua jornada é como ver uma líder nascendo, uma caminhada que iniciou com três pessoas e no final da obra terminou com uma verdadeira legião. Lauren é humana, mas tem um dom especial, ela partilha o sentimento de outras pessoas, principalmente a dor, então quando ela precisa atirar em alguém, matar alguém, ela sente a dor junto com quem sofre, inicialmente achamos que isso é uma fraqueza mas não é assim que as coisas funcionam...
 Sobre o cenário, tudo é perfeito e perturbador, a autora soube exatamente segurar as mãozinhas no que diz respeito aos detalhes, eu me vi caminhando nas estradas secas, me vi me escondendo de tiroteios e me desesperando pela vida de meus amigos, eu me vi na cabeça de Lauren, pensando em um mundo melhor e sentindo que sou a mudança e as coisas podem melhorar a partir das minhas ideias, assim como ela, me senti forte.
 Poderia ficar horas falando sobre essa belezinha, mas minha única dica é: Leiam Octavia, leiam até sua lista de compras, essa mulher é sensacional, suas obras escritas a tanto tempo seguem sendo reais, reais demais! Me vi assustada pelo rumo que nosso mundo vem tomando, mas consciente de que alguém muito antes de mim já vinha pensando nisso.

“As pessoas jogam coisas para nós as vezes – presentes de inveja ou de ódio: um animal morto cheio de vermes, um saco de merda, até um membro decepado de uma pessoa ou uma criança morta.”

 
© Uma dose de Cacto - janeiro/2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: Dear Maidy. Tecnologia do Blogger.
imagem-logo