RESENHA Bem-Vindos ao Paraíso

quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Título: Bem-Vindos ao paraíso
Autora: Nicole Dennis Benn
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 416
Sinopse: "Em um resort luxuoso nas belas praias de areia branca da Jamaica, Margot luta para manter Thandi, sua irmã mais nova, na escola. Ensinada desde pequena a usar o corpo para sobreviver, ela está determinada a proteger Thandi do mesmo destino. Mas quando a construção de um novo hotel ameaça sua vila, Margot enxerga uma oportunidade de independência financeira e a chance de admitir um segredo chocante: seu amor proibido por outra mulher. Bem-Vindos ao Paraíso é um romance de estreia poderoso e um hino sensível aos dramas de um mundo escondido na vasta extensão de mar turquesa, um lugar que muitos turistas veem apenas como um paraíso."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.


 Ser parceira da editora editora Morro Branco é uma verdadeira caixinha de surpresas, a gente nunca sabe o que vem, mas quando vem, é certeza de que ficaremos tremendamente emocionados com a história. Bem-Vindos ao paraíso tem exatamente essa pegada, mas para mim foi um pouco mais pessoal. Sou uma garota negra, e sempre fui muito leitora, desde pequena tenho esse hábito e demorei muito tempo para entender o que acontecia na literatura em si, eu lia de tudo, como uma leitora voraz consumia todo tipo de literatura que me era direito ou que a idade permitia, mas eu dificilmente via personagens negros, quando encontrava, sempre era o esteriótipo de empregada, amiga da protagonista e coisas do tipo, demorei muito a me questionar sobre essas coisas. Hoje, tenho muito mais perspicácia para fazer apontamentos sobre esse tipo de enredo que sinceramente, reforça uma estrutura social racista. Segunda coisa, crianças negras, durante parte da infância e adolescência, criam o hábito do auto-ódio, mas o que é isso? Simples, nós não queremos ser negros, não queremos ser a piada, não queremos ser os odiados, sendo assim, produzimos aquele desejo utópico de ser tornar pessoas brancas, alisamos o cabelo, usamos maquiagens que nos tornem mais claros, sem querer renegamos quem somos, não por odiar nossa cor, e sim porque pessoas brancas em suas atitudes muitas vezes veladas, odeiam. Veja bem pessoal, isso é algo MUITO sério, mas é o reflexo de uma sociedade que trata nós negros, de maneira bastante cruel, mesmo que disfarçadamente. Pensem em propagandas, filmes, tudo, como anda a representatividade? Ela é igualitária? Não, nunca é. Mas Bem-Vindos ao paraíso veio pra ser um verdadeiro tapa na cara sobre isso, eu indico não só por ser uma ótima leitura, mas porque na obra existem trechos tristes, cruéis, mas que são reais, se vocês se espantam com a leitura, imagine nós negros que passamos por isso diariamente.


 Antes de mais nada, precisamos entender onde a história se passa, a Jamaica fica situada no mar do Caribe, possui uma ilha central e outras ilhas ao seu redor, o país demorou muito tempo para ser independente, e acredite ou não, é extremamente homofóbico, quando digo isso, não falo sobre um candidato babaca ou coisas do tipo, falo de pessoas que matam LGBTs, pessoas que defendem a lei da sodomia(que proíbe a relação entre pessoas do mesmo sexo) e coisas ainda piores. É justamente nessa realidade que vamos conhecer Margot, que durante o dia é simplesmente uma personagem que trabalha em um hotel de luxo, mas ao receber telefonemas com palavras bastante peculiares, como por exemplo "Sundae" ela se transforma, isso é um código para dizer que a pessoa ao telefone, quer contratá-la para um programa, sim, Margot trabalha como prostituta e ela faz isso mais pela sua irmã do que qualquer outra coisa. Faz porque precisa pagar a escola de Thandi, sua irmã mais nova que futuramente vai recompensá-la, assim que passar na faculdade, vai tirá-la da miséria e da prostituição, e nada disso será mais necessário. Margot é uma mulher negra, atormentada por esse esteriótipo sexualizado, ela se relaciona com hospedes ricos, e sonha com uma promoção no emprego, o que ninguém sabe é que ela é lésbica, na escuridão da noite, enquanto todos dormem, ela vai para a casa de Verdene, o grande amor de sua vida, uma mulher atormentada por ser quem é, e que sofre grave retalhações por parte de sua vizinhança. 

 Bem-Vindos ao paraíso tem uma variedade incrível de personagens que desmistificam os seus esteriótipos, Margot é uma garota de programa lésbica, que faz o que faz não porque quer, mas porque sua mãe Delores vendeu o corpo dela ainda criança, porque precisava de dinheiro e porque percebeu que a filha gostava de outra menina, Thandi carrega essa fardo de ser obrigatoriamente a tábua de salvação da família, a garota que vai entrar em uma boa faculdade, na verdade Thandi queria ser artista, e escondida de todos, usa cremes extremamente violentos para clarear sua pele, ser negra é o oposto de beleza para ela, sem contar que ela esconde o maior trauma de sua vida, não por medo, e sim por vergonha. Delores é uma personagem asquerosa, que tipo de mulher prostitui sua filha porque precisa de dinheiro? Isso me deixou assustada, mas dentro do contexto, é bastante real. Verdene é um mar de tranquilidade no meio disso tudo, ela frequentemente é vitíma de seus vizinhos, que jogam animais mortos em seu quintal e a acusam de coisas horríveis, simplesmente por ela ser quem é, do ponto de vista religioso e cultural, ser lésbica é uma verdadeira passagem para o inferno. 
 A construção desse livro é simplesmente genial, inicialmente as histórias destoam, Margot com a sua realidade, Thandi com os seus questionamentos, cada qual em seu universo de segredos, a autora vai construindo esses universos paralelos, mas que em determinado momento se chocam e quando isso acontece, você fica extremamente apreensivo. O que mais gostei, foi a maneira como uma autora negra, resolveu falar sobre sua cor, e como isso indiscutivelmente interfere em nossas relações amorosas, tanto Margot quanto sua irmã, sofrem com isso. É como se o fato de serem negras, a tornassem indignas de serem amadas, entendem a gravidade?
 Essa é uma obra que aborda uma infinidade de temas de maneira muito direta e real, racismo, hipersexualização de corpos negros, prostituição, estupro, política e tantas outras coisas, 400 páginas que te arrebentam do começo ao fim, e que mostram que o paraíso, muitas vezes é o inferno para quem trabalha e vive nele. 








RESENHA Noivos do Inverno

segunda-feira, 17 de setembro de 2018
Título: Noivos do Inverno
Autora: Christelle Dabos
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 416
Sinopse: "Honesta e cabeça-dura, Ophélie não se importa com as aparências. Mas, por baixo de seus óculos de aros largos e cachecol desgastado, a garota esconde poderes únicos: ela pode ler o passado dos objetos e atravessar espelhos. A vida tranquila que leva em Anima se transforma quando Ophélie é prometida em casamento à Thorn, herdeiro de um distante e poderoso clã. Agora, ela terá que deixar para trás tudo o que conhece e seguir seu noivo até Cidade Celeste, a capital flutuante de uma gelada arca conhecida como Polo. Ali, o perigo espreita em cada esquina, e não se pode confiar em ninguém. Sem se dar conta, Ophélie torna-se um peão em um jogo político mortal, capaz de mudar tudo para sempre."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.


  
 A primeira coisa que posso dizer a respeito desse livro é que me tirou o chão, porque ele de fato conseguiu o que bons livros geralmente conseguem, despertou a minha imaginação. Havia certos momentos em que eu não apenas lia, mas era como se eu pudesse visualizar perfeitamente os lugares, pudesse sentir os aromas e me familiarizar com coisas totalmente fora dos padrões, tornando a experiência totalmente sem precedentes. Assim como também me fez encontrar uma das personagens mais peculiares que já tive o prazer de conhecer e que me cativou tremendamente.
 Na criação de Christelle Dabos, o mundo não é constituído de países, pelo menos não mais, mas sim por diversas arcas espalhadas, cada uma com sua peculiaridade proveniente de um espírito familiar, seres originários de suas linhagens. Anima, onde as coisas ganham vida, é uma dessas arcas. É também o lar de Ophélie, uma garota que possui poderes únicos: ela é capaz de ler o passado de objetos até sua origem e pode atravessar espelhos. Ela não liga para aparências, está sempre escondida atrás de óculos que mudam de cor de acordo com suas emoções e um cachecol temperamental que tem vida própria. Desastrada e com uma voz sempre muito baixa, além de ideais próprios, ela gosta mais de estar entre os preciosos objetos de seu museu do que entre pessoas.
 Porém, sua vida muda quando ela é prometida em casamento a um homem estrangeiro. Ophélie não queria se casar e, depois de fugir de dois casamentos, ela não tem mais como escapar, ainda mais quando forças acima das dela estão controlando o rumo da sua vida. A contragosto, ela tem que ir para Polo, uma arca congelada do outro lado do mundo e se casar com Thorn, um homem de estatura extremamente alta em contraste com a sua (já que ela é bem baixinha) e de modos grosseiros (a simpatia mandou lembranças). E, ao chegar lá, Ophélie acaba descobrindo que um casamento forçado não é mais seu único problema.
 O Polo é um lugar onde se sobrevive apenas os mais fortes, e isso não se deve apenas ao seu clima congelante. Disputas por privilégios, ambição, rancor, vingança, caprichos, inimizades entre clãs e dentro deles faz parte da vida cotidiana desse lugar, e para Ophélie, que já é difícil estar longe de casa e estar presa a um casamento ao qual ela não quer, ter como noivo o homem mais odiado de toda arca, o que a coloca no topo da lista de alvos para qualquer nobre, as coisas não ficam muito melhores. Thorn tem planos para mudar a situação de perigo em que estão, mas, enquanto as coisas não mudam e para sobreviver, Ophélie tem que ficar escondida debaixo do nariz de todos e, para isso, precisa se disfarçar com uma ilusão, se sujeitando a trabalhar como empregada da caprichosa tia de Thorn, uma mulher com a qual não se deve brincar. Ela passa por trabalhos desgastantes e humilhantes, riscos de vida frequentes, agressões e tudo que se pode dizer de momentos infernais apenas para manter sua identidade escondida. Porém, nenhuma mentira dura para sempre, e entre todas as situações, Ophélie percebe que sua identidade não era a única coisa que estava sendo escondida.
 Se posso dizer algo é que esse livro com certeza me surpreendeu. No começo, logo que vi Ophélie e Thorn, pensei: “Eles não se gostam agora, mas daqui a pouco vão estar apaixonados.”, ledo engano. E acho que foi isso uma das coisas que mais gostei nesse livro, por não ser previsível o relacionamento dos personagens. Ophélie não é nenhuma garotinha frágil e chorona, mesmo sendo bem quieta, ela é com certeza uma das personagens mais duronas que já vi, porque essa criatura passou por muita coisa, sinceramente, houve momentos que parecia o inferno, e em nenhum momento a vi chorando ou se lamentando por isso, pelo contrário, se não tinha ninguém para ajudar, ela dava um jeito. Também adorei o fato de ver de modo bem marcado o amadurecimento dela, daquela garota toda calada que se escondia para uma mulher que quer tomar as rédeas da própria vida, que não “pertenceria a ninguém além de si mesma.”. Eu não consigo imaginá-la fisicamente, a minha imaginação não consegue colocar a descrição dela em uma forma coerente, então vejo apenas um brilho de personalidade, e isso é uma das coisas que acho mais peculiares nela. Ela é diferente e gostei muito disso. O Thorn... Ele é um personagem difícil, principalmente porque eu não sei o que pensar dele, porque ele é tão impenetrável ao mesmo tempo que, mesmo minimamente, deixa transparecer algumas emoções. Eu espero não estar enganada, mas eu acho que ele é mais do que apenas um homem ambicioso e que está sempre olhando para um relógio. E isso não é apenas porque adoro um cara que se faz o oposto dos mocinhos costumeiros. Ele realmente é um personagem que chamou a minha atenção, que me deixou intrigada e acho que tem muito mais a oferecer.
 Eu destaquei os dois, mas tem vários outros personagens que me deixaram???? Teve os que amei e aqueles que o único sentimento que posso definir é um eterno RANÇO. E isso é outra coisa que gostei nesse livro, a história de cada personagem não termina com um ponto, mas com uma vírgula. Tem sempre uma informação aqui, um comportamento ali que te deixa preso e querendo saber muito mais.
 Achei essa edição maravilhosa e a leitura muito amorzinho, fluida, e o jeito como a autora descreve os lugares, atribuindo não apenas as imagens, mas até os aromas, faz com que a gente seja catapultado para o momento que está sendo narrado, faz com que mergulhemos na história as vezes sem nem perceber. É uma narrativa em terceira pessoa, com foco na visão de Ophélie, mas isso não impede que nos forneça uma grande proximidade com a personagem. O livro é dividido em duas partes, o que mostra uma mudança de contraste, não apenas nos personagens, mas até na história em si. Há muitos momentos que fiquei tremendamente irritada, do tipo de querer entrar no livro e estrangular alguém, e outros em que fiquei com o coração um pouco apertado, e isso tudo fez a leitura valer totalmente a pena. Com certeza é um livro que vai ficar em destaque na minha prateleira e estou TREMENDAMENTE ANSIOSA pelo próximo volume, porque eu preciso de uma continuação.

“O seu olhar, por outro lado, nunca voltaria a ser como antes. De tanto ver ilusões, tinha perdido as próprias, e era melhor assim. Quando as ilusões somem, só resta a verdade. Esses olhos e voltariam menos para dentro e mais para o mundo. Eles ainda tinham muito a ver, muito a aprender. ”





RESENHA Quem é você, Alasca?

Título: Quem é você, Alasca?
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Nº de Páginas: 272
Sinopse: "Miles Halter leva uma vida sem graça e sem muitas emoções na Flórida. O garoto tem um gosto peculiar: memorizar as últimas palavras de grandes personalidades da história, e uma dessas personalidades, François Rabelais, um escritor do século XV, disse no leito de morte que ia em busca de um Grande Talvez. Para não ter que esperar o próprio fim para encontrar seu Grande Talvez, Miles decide fazer as malas e partir. Ele vai para um internato no ensolarado Alabama, onde conhece Alasca Young. Ela tem em seu livro preferido, O general em seu labirinto, de Gabriel García Márquez, a pergunta para a qual busca incessantemente uma resposta: Como vou sair desse labirinto? Miles se apaixona por Alasca, mesmo sem entendê-la, e o impacto da garota em sua vida é indelével."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.


 Esse livro faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem por finalidade trazer um debate saudável sobre transtornos mentais, suicídio e maneiras para preveni-lo. Obrigada Editora Intrínseca por topar participar desse projeto, vocês são maravilhosos e a atenção que recebi foi fora do comum, é isso que torna a editora um diferencial no mercado. 

 Quando pensei no projeto do Setembro Amarelo, um dos nomes que me vieram em mente foi o nosso querido John Verde, Tartarugas até lá embaixo se tornou uma das minhas obras favoritas pelo fato do autor falar tão bem sobre TOC, em poucas vezes me senti tão representada assim. No entanto, eu nunca havia lido Quem é você, Alasca? Mas sabia que a redoma dos transtornos e do suicídio rondava essa história, e pra ser sincera, esses assuntos ocupam o enredo como um polvo, que vai nos prendendo com seus tentáculos cada vez mais.
 Miles Halter é um jovem adolescente que vive na Flórida, ele é extremamente solitário, sem amigos, bastante franzino, apaixonado por últimas palavras. Ele adora ler biografias e desse modo acaba descobrindo as palavras ditas por muitas pessoas antes de morrer, famosos, políticos, escritores, diga um nome e Miles saberá qual foi a última palavra que essa pessoa disse antes de morrer. Ele resolve se mudar para o Alabama, estudar no Culver Creek, mesma escola que seu pai estudou, ele decide trilhar esse caminho porque quer ir em busca do seu "Grande Talvez" e entender tantas outras questões da humanidade. Chegando lá ele logo faz amizade com seu colega de quarto, Chip, um cara baixinho mas com ideais bastante firmes, e graças a ele é apresentado para Alasca, a garota que vende cigarros e que as vezes é calmaria, outras vezes é furacão. Apesar de ser comprometida, Miles se apaixona por Alasca quase que instantaneamente e decide viver isso, mesmo que seja unilateral. Pela primeira vez na vida, nosso protagonista de fato se sente vivo, seja pelas encrencas que arruma com seus novos colegas, ou por essa paixão quase cega, que ele começa a viver.
 Mas ok, porque esse livro está no projeto Setembro Amarelo? Eu decidi não dar spoilers sobre a história, apesar de ser um livro bastante antigo e famoso, não irei contar o que acontece, mas quero falar sobre como adolescentes aqui são retratados, todos, de todos os tipos.
 Miles é um garoto solitário, inicialmente eu senti muito medo que algo acontecesse com ele, é um cara sem amigos, sem atrativos físicos, com esse gosto quase mórbido por últimas palavras, ele é aquele adolescente solitário, que na verdade é um cara incrível, mas ninguém dá atenção, sabe?
 Alasca, apesar de nenhum laudo, tem algum transtorno, ela é extremamente deprimida, ou extremamente feliz, não há meio termo, isso é bastante compreensível quando pensamos em todos os traumas que ela já passou, pra você ter ideia, Alasca era a única pessoa presente quando sua mãe morreu de maneira súbita, ela não conseguiu ligar para a emergência porque só sabia chorar, seu pai chegou duas horas depois, a viu sentada ao lado da mãe e culpou a menina, que na época ainda era uma criança, Alasca carrega essa culpa de maneira tão viva, que é como se ela fosse a depressão em carne, indo aos extremos, agindo sem medo de consequências físicas ou emocionais.
 Chip, o companheiro de quarto, é um garoto bastante humilde, sofreu muito quando criança, ele e sua mãe foram vítimas de violência doméstica, e esses traumas ainda são notáveis nele.
 Vocês entendem porque esse livro está no projeto? São adolescentes totalmente machucados por suas realidades, por motivos que definitivamente não os tornam culpados, as coisas simplesmente aconteceram com eles, e logo em seguida deixaram cicatrizes. 
 A história caminha desse modo, e tem como um dos focos a paixão de Miles por Alasca, que em determinado momento passa a ser correspondida, mas algo acontece e tudo muda, tudo. O que posso dizer é que nunca saberemos o que de fato aconteceu, quais foram os motivos, nunca, mas o que podemos fazer é nos atentar a quem está do nosso lado, observar detalhes, oferecer nosso carinho, insistir na vida da outra pessoa, e mostrar como ela importa.
 Quem é você, Alasca, nos diz muito sobre lealdade, amor, e como as últimas palavras nem sempre são as que gostaríamos de ouvir. Um livro denso, tocante, e que me comoveu mais do que eu esperava. 


"Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil."










RESENHA 13 Segundos

sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Título: 13 segundos
Autora: Bel Rodrigues
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 304
Sinopse: "O fim de um relacionamento é sempre um período difícil, mas isso se intensifica quando você está no último ano do colegial e precisa decidir o que será do seu futuro. Lola sabe que a decisão foi o melhor para os dois, mas aquela saudade de alguém que estava sempre presente é inevitável. Agora, tudo que Lola quer é deixar isso para trás e focar em pôr a vida em ordem novamente, se redescobrindo após um relacionamento que exigiu tanto dela e reavaliando suas prioridades: estudo, amigos, família e o canto, sua maior paixão. Com o corte do coral das atividades extras, a garota finalmente decide ouvir seus amigos e resolve criar um canal no YouTube para postar alguns covers, nada mais do que um hobby para substituir seu tão amado coral. Focada em não se relacionar seriamente e aproveitar as festas do último ano, tudo parece se alinhar quando Lola conhece John, um intercambista que busca exatamente o mesmo que ela: se divertir e criar memórias inesquecíveis. Quanto mais as coisas mudam, mais a garota percebe como perdera seu tempo tentando salvar um relacionamento que já estava naufragado, e como agora ela se sentia genuinamente feliz com as pessoas incríveis à volta e seu grande hobby se tornando cada vez mais influente. Entre conselhos sinceros, noites quentes e provas do Ensino Médio, a única coisa que Lola não poderia prever era o quão rápido tudo poderia desmoronar. Em treze segundos, especificamente."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

 Vocês querem um livro amorzinho, com um misto enorme de sentimentos? 13 Segundos é pra você! Em seu livro de estréia, Bel Rodrigues sobre trabalhar os elementos corretos, na medida certa e com uma história que encanta facilmente o leitor. Você acha que é algo simples, só um romance, quando dá por si, quer salvar Lola do turbilhão de acontecimentos, e ter um John só pra você.
 Bel é uma das culpadas pelo blog existir a todo vapor, em 2016 conheci ela no Youtube e me encantei por seus vídeos, obviamente fiquei toda animada, mas como sou toda tímida, jamais gravaria algo, então resolvi voltar pro blog literário, li grande parte de suas indicações e quando soube que seria um dos novos rostinhos da Galera Record meu coração vibrou de alegria e orgulho, por ver alguém que se doa tanto para falar de livros, ganhando ainda mais espaço. Mas o que esperar dessa história?
 A obra já se inicia com Lola terminando seu relacionamento, ela está no terceiro ano da faculdade, teoricamente um ano importante, de muitas escolhas(não deveria ser assim, não tão cedo) e talvez um relacionamento que de certo modo era abusivo, não tenha mais espaço em sua vida(amém). Sendo assim, Lola inicia a narrativa solteira, pensativa sobre isso, sobre como seu relacionamento caminhou para o fim, mas aliviada de certo modo, pronta pra essa nova fase de descobertas, mais tempo para seus amigos e para finalmente decidir o que fazer com o futuro. 
 Durante o período de férias, Lola sai para a balada e conhece um gringo muito gatinho, eles acabam se relacionando e ela acorda no dia seguinte na cama dele, mas tudo bem, essas coisas acontecem, certo? Foi só uma noite e ela nunca mais vai encontrar esse cara, correto? Errado.
 Em seu primeiro dia de aula no terceiro ano, Lola dá de cara com o gringo John, descobre que ele é o novo intercambista da escola e vai ficar pelo Brasil um tempinho, e aí entramos no primeiro questionamento, ela acabou de sair de um namoro, quer aproveitar a vida, vale a pena se meter em outra relação, ainda mais com seu ex sempre por perto?
 Precisamos entender que Lola é uma personagem bem doce e sincera, ela é um clichê desses livros românticos mas a impressão que tive é que Bel realmente se dedicou a ela, sendo assim, o aprofundamento é notável, cada detalhe de Lola foi muito bem pensado, ela é uma jovem que não quer decidir sobre seu futuro agora, sobre qual caminho vai trilhar, sabe que ama cantar, já ouviu de seus amigos que deveria criar um canal no Youtube, mas entre querer e fazer, existe um longo caminho.
 John é o típico homem que eu sonho em chamar de meu haha, ele é fofo, carinhoso, muito atencioso e o melhor de tudo, ele sabe como respeitar o espaço do outro, isso é tão, mas tão importante! Eu acho que a maneira que ele foi crescendo na história, foi importante demais.
 Basicamente vamos acompanhar esse romance, essa busca pelo futuro, Lola tem uma linda voz mas é bastante incerta sobre isso, ainda assim segue o conselho dos amigos e cria um canal, o sucesso é imediato e ela logo ganha fama, mas com isso vem o lado ruim. Lola se torna vitima de uma exposição muito cruel para qualquer mulher, e logo se vê perdida nisso, os 13 segundos são exatamente esses, onde sua vida mudou completamente, por culpa de uma pessoa que não gostou de como as coisas acabaram.
 A maneira como Bel abordou esse assunto foi bastante diferente, eu fiquei chateada porque ela não foi tão extensa nessa parte em especial, ficou muito vago, esperava um pouquinho mais de detalhes, porém, Bel preferiu mostrar o lado dos amigos, como todos protegeram Lola em uma redoma de vidro, até ela ser forte o suficiente para voltar a respirar sozinha, ninguém saiu de seu lado, talvez esse tenha sido o aspecto que eu mais gostei na obra, os amigos de Lola são incríveis, fora a representatividade(amigo bi, lésbica etc) eles são parceiros demais, isso foi primordial para o momento delicado da protagonista, e certamente salvou a história. Minha única crítica realmente é só sobre os detalhes do plot, no mais, tudo é sensacional, Lola tem uma irmã negra, adotada, e Bel usou isso para sutilmente falar sobre racismo, como não amar essa mulher? 
 O final não foi como eu esperava, e isso me alegrou bastante, foi algo muito condizente, me fez amar ainda mais John, e entender o motivo de ambos, a sensação que tive, é que foi um final onde selava o amadurecimento dos personagens, isso foi muito bacana.
 Tentei encontrar Bel na bienal mas foi impossível, a autora fez um sucesso danado, as filas para autógrafo eram enormes e ela esteve entre os mais vendidos durante todos os dias da bienal, muito orgulho sim! 13 segundos é uma obra extremamente necessária para jovens, começa de uma maneira bastante doce, mas ao final recebemos uma lição bastante forte, principalmente sobre como o machismo nos afeta e como a sororidade é capaz de vencer tudo isso.
  
"Mulheres são como águas, crescem quando se juntam."






RESENHA Star Wars: O arquivo rebelde

quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Título: Star Wars: O arquivo rebelde
Autor: Daniel Wallace
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 176
Sinopse: "A inteligência reunida da Aliança Rotulados de rebeldes e traidores, os integrantes da Aliança trabalharam nas sombras, reunindo informações e apoio por toda a galáxia para pôr fim à tirania do Império. Escondidas em um compartimento de segurança, seus dados mais vitais e confidenciais foram compilados pelos secretários próximos a Mon Mothma e mantidos fora de alcance até agora. Esses arquivos, descobertos nas ruínas de uma antiga base rebelde, passaram por membros cruciais da Resistência, que fizeram anotações e atualizações, relatando suas próprias descobertas nos documentos. Um repositório de toda a inteligência da Aliança, O arquivo rebelde reúne documentos secretos, transmissões interceptadas e mensagens trocadas, de modo a recapitular a formação da Aliança Rebelde e revelar seus mistérios"
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 




 Numa galáxia muito mas muito distante, onde o poder do império aterrorizava grande parte da população por motivos de: existirem forças perigosas por trás das articulações que regiam a galáxia, existiam também forças do bem, conhecidos como rebeldes pois iam contra os princípios do sistema imperial na tentativa de tornar o lugar onde habitavam um ambiente de paz e prosperidade. Basicamente uma força de resistência, indo contra quem regia as ordens daquele local.



 Nessa edição de O Arquivo Rebelde encontramos conversas, dados e depoimentos que nos auxiliam no entendimento de quais foram os planos e estratégias para uma possível derrubada imperial. Os documentos oficiais estão bem guardados dentro desta belíssima edição que ao decorrer da leitura nos deparamos com comentários da Princesa e também General Leia, uma das grandes vozes na luta pela derrubada do sistema.
 A edição contém quatro capítulos, sendo o primeiro e o segundo a apresentação da organização da Rebelião, o terceiro tratando do Reagrupamento e por fim o quarto capítulo nos apresentando o Contra-ataque. A cada página você se torna mais intrigado com as táticas de combate previstas para acontecer e, ao final, se torna um rebelde definitivamente por completo, por estar apto e ser responsável em saber de tantos dados e planos do grupo rebelde. Pra quem gosta de Star Wars essa obra é um prato cheio, repleta de dicas, documentos, fotos, rascunhos, uma verdadeira edição de colecionador. A galera Record mandou bem demais. Pra quem não é tão fã assim, ou não faz ideia de como adentrar nesse mundo, a edição é um ótimo começo, porque te instiga do começo ao fim.







RESENHA Literalmente Amigas

terça-feira, 11 de setembro de 2018
Título: Literalmente Amigas
Autoras: Laura Conrado e Marina Carvalho
Editora: Bertrand Brasil
Nº de Páginas: 335
Sinopse: "Quando Gabi e Lívia, duas apaixonadas por livros, se conheceram em uma comunidade sobre literatura em uma extinta rede social, não imaginavam que se tornariam melhores amigas e que criaram um blog de resenhas literárias, o Literalmente Amigas. Desde então, elas são inseparáveis, apesar das personalidades muito diferentes! Gabi é um pouco avoada, desorganizada financeiramente, de riso fácil e vive uma história de conto de fadas com o namorado de longa data. Já Lívia é assertiva, firme e possui planos bem delineados para seu futuro, embora ainda não tenha encontrado o emprego dos sonhos nem um romance arrebatador como o de seus livros favoritos. Juntas, elas enfrentam as dificuldades da juventude, seja na profissão, seja no amor, até tudo começar a mudar quando ambas são selecionadas para a mesma vaga — para a qual as duas se inscrevem, sem contar uma para outra — na principal editora do país. Será que a paixão pelos livros, que antes unia as amigas, agora se tornará o motivo do término da amizade?"
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 

 
  “Literalmente amigas” narra a história de duas amigas unidas pelo amor ao universo literário. Gabi e Lívia, moradoras de Belo Horizonte- MG, mestranda em Artes e mestre em Letras, respectivamente, têm suas vidas traçadas e ligadas por uma amizade que nasceu motivada pela escrita de um blog – que carrega o mesmo nome do livro – em que elas resenham os mais variados livros de editoras diversas (como aqui, rs). Ambas têm 25 anos e se conheceram aos 18: Gabi é mais irreverente, espontânea e se considera sem rumo certo na vida, mora em um apartamento simples e não sabe exatamente qual carreira quer seguir apesar de estar para concluir o mestrado, já possuindo a graduação em Jornalismo. Completamente apaixonada pelo namorado Léo e por futebol, Gabi, apesar de perdida em relação ao seu futuro, se vê muito feliz e realizada, ao passo de que Lívia é mais centrada e dada como mais responsável, já possui um apartamento próprio, carro, trabalha em uma editora... Enfim, é estabilizada financeiramente. Porém, o fato de não ser bem-sucedida no que diz respeito ao amor, a deixa desestimulada.

  A narrativa é construída no tempo presente, com partes narradas ora por Gabi, ora por Lívia, o que nos dá, como leitores, a percepção dos dois pontos de vista, fato que deveria deixar a história mais interessante, pois nos mostra o que uma amiga pensa sobre a outra, mesclando com suas ações e eventos particulares, mas não é bem assim. Confesso que fiquei um tanto incomodada por algumas vezes que a parte narrada por uma amiga acabava e dava-se início a parte destinada a narração da outra e era repetido o que já foi dito na parte anterior e a leitura se fazia um pouco maçante. Aliás, por diversas vezes eu adjetivaria a leitura dessa maneira, pois eu simplesmente não gostei do enredo, ou melhor, não gostei de como ele foi colocado nesse livro. Penso que a proposta inicial de duas amigas que são amigas por esse amor aos livros tinha TUDO para ser uma história instigante, cheia de dramas tratados de forma realmente profundo, mas definitivamente não foi o que aconteceu, visto que considero que grande parte da história é muito rasa e clichê.   E talvez tenha sido justamente essa a proposta: uma narrativa leve, despreocupada e despretensiosa. O modo como foi escrito o livro é muito bacana, uma forma descontraída e atual, elencando fatos corriqueiros, o que nos deixa familiarizados com diversos aspectos, tais como conversas no WhatsApp, o processo da graduação e o que vem depois dele, etc. Contudo, isso não prende, não encanta. Não sei exatamente explicar, pois acredito que só lendo mesmo para me entender ou discordar de mim. Vale ressaltar, que, apesar dos pesares, é uma leitura legal e eu me peguei rindo diversas vezes, mas que infelizmente, não funcionou tão bem quanto eu esperava, é como se a ideia fosse incrível, colocando a vida dos blogueiros literários onde eles mais amam, no livro! Mas execução não acontecesse de maneira esperada. É aquele típico livro capaz de te curar de qualquer ressaca literária, porque é leve, mas é só isso, não vá esperando maiores questionamentos.

 “Muitos comentam os benefícios da leitura, mas a gente vive um privilégio que os livros oferecem, a gente vive a magia de aproximar pessoas e de encontrar almas afins por meio das narrativas.”








RESENHA Imbatível

segunda-feira, 10 de setembro de 2018
Título: Imbatível
Autores: Stuart Reardon e Jane Harvey-Berrick
Editora: Grupo Editorial Record
Nº de Páginas: 392
Sinopse: "Para Nick Renshaw, o rugby é a coisa mais importante de sua vida — mais importante até do que sua namorada, Molly. Seu empenho e sua determinação fizeram dele o garoto de ouro do rugby inglês e garantiram um contrato com um importante clube. E ele não consegue imaginar o que seria de sua vida sem isso. Então, quando sofre uma grave lesão que pode significar o fim de sua carreira, Nick vê seu mundo desmoronar. Como se não bastasse ter a vida profissional abalada, ele ainda é abandonado e traído pelas pessoas que mais ama. Sozinho e sem rumo, Nick está lutando com todas as suas forças para recomeçar do zero. Mas há alguém que parece capaz de ajudá-lo: Anna Scott, sua psicóloga. O problema é que nenhum dos dois consegue negar a atração que sente pelo outro — e manter a relação estritamente profissional se torna mais difícil a cada dia que eles passam juntos. No entanto, quando o passado de Nick volta para assombrá-los, desistir parece o caminho mais fácil para os dois. Mas será que, depois de tantos golpes do destino, eles conseguirão se reerguer e se tornar imbatíveis?"
*Exemplar cedido em parceria com a editora 

 Em 2018 coloquei como desafio fugir um pouco dos romances e me aventurar em outros gêneros, isso tem funcionado perfeitamente, percebi como há um leque enorme de boas histórias por aí, mas não adianta, romance vai sempre ser meu porto seguro.  Com Imbatível não foi diferente, me vi torcendo pelo casal, e sofrendo junto com eles, que história linda! 
 Nick Renshaw está se tornando um astro do rugby, ele sempre batalhou para isso, o esporte se tornou sua vida e ele almeja um futuro onde possa representar o seu país em campo. No seu último jogo representando o time da segunda divisão, antes de subir para a primeira divisão em novo time, Nick se machuca e tem uma contusão que o afasta do campo por um bocado de meses, para um jogador profissional isso é visto como o fundo do poço, ficar parado nessas condições, é pedir pra se aposentar precocemente. Em seu novo clube, Nick passa a receber atendimento especial, faz acompanhamento com Anna Scott, psicóloga esportiva que vai tentar lidar com as cicatrizes internas desse homem. Quando pensamos em alguém auxiliando dessa maneira, pensamos em uma espécie de coach, correto? Errado, Anna é bem mais que isso, ela vai servir de base para que ele supere seus medos, suas contusões e possa voltar ao campo, como se isso não fosse suficiente, ela se apaixona por ele.



 Anna é uma mulher dedicada ao seu trabalho, viveu por ele, hoje é uma profissional de sucesso e não há tempo para aventuras, até Nick chegar, ele é um homem discreto, reservado, com cicatrizes pelo corpo todo e que evita falar, mas fica claro como ele também se sente atraído por ela.
 Que livrão! eu preciso começar agradecendo por essa dupla, Stuart Reardon é modelo(o da capa, inclusive) e ex jogador de rugby, Jane teve a brilhante ideia de convidá-lo para escrever um romance e ele agiu de maneira bastante natural, se recusando porque achava que não era capaz de escrever histórias de amor, então ela pediu que ele descrevesse as coisas que sentia em campo, enquanto jogava e coisas do tipo, o resultado não poderia ser melhor. Geralmente quando leio romances que envolvem algum tipo de esporte ou coisas do tipo, a descrição sobre isso é quase nula, a impressão que tenho é que as autoras focam apenas no romance, em cenas hot e esquecem totalmente de como envolver o leitor em outros aspectos é importante. Eu não entendia nadinha de rugby, sabia o que era o esporte mas mal compreendia as regras, e aí que esse livro se torna diferencial, a participação de Stuart foi imprescindível porque ele fala sobre o esporte de uma maneira bastante didática e que realmente te envolve, nos momentos em que ele estava prestes a entrar em campo, eu conseguia imaginar isso com clareza, a descrição sem dúvida alguma foi uma das coisas que me conquistou, além do mais, a maneira como ele descrevia como uma lesão afeta o psicológico do jogador, realmente me tocou. Mas ok, e o romance? Bom, não poderia ter sido melhor.
 A relação de Anna e Nick começa de maneira totalmente profissional, ela se nega a sequer pensar nele como um possível flerte enquanto o atende, sua função ali é ajudá-lo e ponto, mas quando ela vê Nick sendo quebrado, não consegue fugir, ele é exposto pela mídia, perde seu posto e ainda é colocado como um verdadeiro vilão, Anna se afasta porque é mais seguro, mas ainda assim eles conversam ocasionalmente trocando emails, e em sua última noite no país, eles resolvem se encontrar para um jantar informal, como bons amigos, e a gente já sabe o que acontece, né?
 O destino insiste em brincar com esses dois de maneiras tão surreais que meu coração ficou apertadinho. Ambos são personagens maduros, que batalham por suas carreiras e colocam isso em um patamar importante, eu achei isso bacana, diferente dos romances onde mocinho encontra mocinha e ambos deixam tudo de lado pra viver esse amor, aqui as coisas não funcionam assim, a carreira dos dois é algo inquestionável, o romance quem se adapta a isso, entendem? Maturidade meus amigos, maturidade. Apesar de ser um romance, existem questões bem sérias em pauta, como exposição na mídia, agressão, ética no trabalho, a impressão que tive, é que o romance acabou sendo algo bem dosado no livro, nada exagerado, é uma paixão acontecendo, apesar de tudo.
 Essa foi uma leitura rápida, eu me prendi na história, quis aprender um pouquinho sobre o esporte e me apeguei muito aos personagens, a maneira como eles se tratam é bastante sincera, e quando o romance acontece, Nick todo grandalhão, se torna um homem fofo e babão, como não amar? Minha única ressalva é a capa, eu realmente não sei lidar com essas capas de modelos sem camisa e em poses sugestivas, eu morro de vergonha de ler no trabalho ou no ônibus, minha saída é providenciar uma capa para o livro haha mas no mais, nada a reclamar! Uma leitura gostosa, trama envolvente, com um diferencial bacana, um ex atleta falando sobre sua realidade, a receita perfeita! 
 Ah, o título é uma analogia muito interessante sobre as vezes em que tanto Nick quanto Anna caíram, mas souberam se levantar. 

“Quando o seu mundo desabar...Quando todos disserem que você perdeu...Quando seu corpo estiver destruído...Eu ascenderei...Eu retornarei...E eu serei imbatível”
 
© Uma dose de Cacto - janeiro/2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: Dear Maidy. Tecnologia do Blogger.
imagem-logo