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RESENHA A Viúva Silenciosa

8 de março de 2019


Oi, pessoal, aqui é a Isa e eu estou muito feliz porque essa resenha será sobre um dos meus autores favoritos. O primeiro livro que eu li do Sidney Sheldon foi O céu está caindo e eu amei tanto que nem consigo colocar em palavras. Não leio os livros dele tanto quanto eu gostaria por conta da faculdade mas se dependesse de mim, leria até a lista de compras escrita por esse homem, ele consegue criar situações interessantes e absurdas ao mesmo tempo, comove o leitor e nos prende pela curiosidade de entender do que um ser humano é capaz, a todo momento ele te apresenta novas informações e novos personagens, e você se pega pensando “Será que isso vai fazer sentido no final?” e acaba que faz!


Aqui vamos conhecer a história da nossa protagonista, Nikki Roberts é uma psicóloga renomada e muito conhecida, além de trabalhar em seu consultório particular ela também testemunha como perita em julgamentos e ajudava seu marido com a reabilitação de viciados em drogas. Nikki tinha uma vida perfeita, ou quase perfeita, antes do trágico acidente de carro que levou seu amado marido Doug a óbito. Agora Nikki tem apenas quatro pacientes frequentes em seu consultório, uma vida triste resumida a ficar em casa e beber vinho até dormir de tão bêbada. Certo dia ela está em seu último atendimento com Lisa Flannagan, onde a mesma está desabafando que terminou com seu amante Willie Baden, um homem já comprometido. Após esse atendimento que foi bastante proveitoso tanto para a psicóloga quanto para a paciente, as coisas mudam totalmente de curso e Lisa é assassinada.  Logo em seguida outra pessoa muito próxima de Nikki também acaba sendo morta e a grande questão que parece pairar no ar é: Qual a ligação da psicóloga com isso tudo? Ela é a própria assassina? O acaso foi bastante infeliz dessa vez? Nikki é a próxima?
“O rosto por baixo do capuz não era humano. Era o rosto de um monstro, verde e podre, com pedaços de carne literalmente enroscados e pendendo dos ossos, como se fosse a pele de uma fruta rançosa. Ela abriu a boca para gritar, mas o som não saiu.”
Tudo é muito confuso e pouquíssimas coisas são esclarecidas sobre esse caso, mas há um ponto importante e que deixa todos bastante chocados, são encontradas células mortas nos corpos das vítimas, como alguém que já morreu teria participação em crimes tão brutais? O que essas cenas escondem?

Tilly Bagshawe foi escolhida para dar continuidade ao selo Sidney Sheldon, isso diz muito sobre o potencial de escrita dela e que é uma das grandes engrenagens que movem essa história. Óbvio que a essência de Sidney continua aqui, esse ar de mistério onde as coisas não são o que parecem, onde a surpresa vem do modo mais inesperado possível e o final é sempre arrebatador, todas essas características que tornaram Sidney um autor tão conceituado, que já é presente até no livro dos recordes, estão aqui, mas há muito de Tilly também, um certo tom agridoce na narrativa, personagens que não são tão confiáveis assim e que te confundem, porque você sabe que não deve confiar em ninguém e ao mesmo tempo precisa se agarrar em alguma teoria. Isso fica bem evidente quando pensamos em Nikki, ela não é o estereótipo de mocinha perfeita, apesar de todas as situações que ela passou indicarem isso, ela não é uma pobre indefesa, na verdade a protagonista muitas vezes é bastante baixa, julga seus pacientes, é absurdamente rude e força um papel que não lhe cabe, isso nos dá brecha para desconfiar dela, mas se tratando de suspense... O caminho mais óbvio nunca é usado.


Além disso, a narrativa possui alguns recursos bastante interessantes para serem usados na literatura, As primeiras duas páginas do livro descrevem uma tortura na qual a vítima implora para pararem, esse trecho inicial é bastante forte mas nesse primeiro momento não sabemos quem são as pessoas na cena, no decorrer da narrativa descobrimos que é uma cena do final do livro mas que é descrita logo ao começo porque acaba deixando o leitor curioso, querendo se situar e compreender o que levou aquele personagem até aquela situação. Outro recurso bastante utilizado são os saltos do período de tempo, nada confuso, mas que servem para que possamos compreender os motivos do assassino e entender como a trama aos pouquinhos vai sendo tecida como uma teia bastante extensa, mas cuidadosamente bem elaborada.

Depois de muito tempo foi bacana retornar para a escrita de um autor tão importante para a literatura como Sidney é, apesar de algumas pontas ficarem soltas e outras pistas deixarem evidências claras, a surpresa continua sendo o melhor elemento dessa narrativa, quando eu achava que tudo ia bem, logo era surpreendida pelas atitudes dos personagens ou pelas situações em si, sempre indo ao extremo. A narrativa tem um ritmo bastante interessante, flui muito bem e os recursos usados para prender a atenção do leitor acabam nos deixando mais afoitos pelo final, bela jogada. A capa segue esse padrão dos livros de Sidney e a fonte é bastante confortável, essa é uma leitura que vale a pena se você quer se ver envolvido totalmente no enredo.


Título: A Viúva Silenciosa
Autor: Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe
Editora: Record
Nº de Páginas: 448
Sinopse: "A saga de uma mulher marcada em busca da própria sobrevivência é trama do novo romance de Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe. Charlotte Clancy, uma jovem au pair americana, desaparece sem deixar vestígios na Cidade do México. O caso acaba sendo arquivado, mas suas consequências são devastadoras. Uma década depois, um assassino perigoso está à solta nas ruas de Los Angeles. E já fez duas vítimas. Mas o único elo em comum entre elas é a psicóloga Nikki Roberts. Nikki ainda está muito abalada com a recente morte do marido. E sua vida sofre outra reviravolta quando uma de suas pacientes, Lisa Flannagan, e o rapaz que Nikki considerava como filho, Treyvon Raymond, são brutalmente assassinados. Mas, apenas quando sofre um atentado é que a psicóloga tem certeza de que ela é o verdadeiro alvo desse assassino impiedoso. Atormentada por um acontecimento do passado e vendo a polícia em um beco sem saída, Nikki contrata o detetive particular Derek Williams, um homem que não tem medo de sujar as mãos. Ele trabalhara no caso de Charlotte Clancy, mas agora, anos depois, encontra nas anotações de Nikki Roberts um nome que chama sua atenção, e essa nova investigação o conduz a um caminho perigoso de volta ao passado. Numa cidade corrupta, onde não se sabe quem é inimigo e quem é amigo, Nikki Roberts precisa correr contra o tempo para descobrir a verdade por trás desses crimes antes que ela seja a próxima vítima."

*Exemplar cedido em parceria com a editora.

O ódio que você semeia e os motivos para assistir

27 de fevereiro de 2019


Quem acompanha o blog tem algum tempinho sabe que o O ódio que você semeia é o meu livro favorito da vida, rendeu tatuagem, alguns papos com Angie Thomas via instagram e muito choro. Li a obra assim que ela foi lançada e nunca me emocionei tanto em minha vida, a autora soube como tratar de temas bastante sérios, em um livro voltado para o público adolescente(mas sinceramente, todos deveriam ler). O livro figurou entre as listas de mais vendidos de inúmeros países e essa colocação foi merecida demais, assim que soube que seria adaptado para os cinemas meu coraçãozinho parou, de felicidade ao saber que uma obra tão necessária estaria sendo colocada para além da literatura, e por medo de que a adaptação não fosse tão boa assim, no primeiro trailer qualquer receio caiu por terra, me emocionei demais e sabia que não iria me decepcionar como havia pensado, quando o filme foi lançado, a decepção veio, mas pelos motivos errados, o filme foi lançado em pouquíssimas salas de cinema no Brasil todo, um filme tão necessário, que fala de temas tão atuais e coloca todo mundo que assiste para refletir, deveria ser melhor divulgado. Muita gente questionou isso com a produtora do filme, mas infelizmente a coisa não mudou de figura, demorei muito para finalmente conseguir ver essa obra MARAVILHOSA e desidratei de tanto chorar.  Para quem não sabe sobre o que se trata o livro, farei um breve apanhado: Starr desde cedo aprendeu a se comportar de uma certa maneira para não virar estatística no índice de genocídio da população negra, ela de certa forma é privilegiada, estuda em um colégio particular muito bem conceituado, mas vive no gueto, graças a isso ela criou um escudo. No gueto ela é a garota negra que sempre foi, filha de um homem respeitado e que ninguém se atreve a entrar no caminho, na escola Starr é uma garota que procura se conter o máximo possível, ela tenta não alterar sua voz, ser sempre simpática e nunca contestar as amigas, ela faz de tudo para que as pessoas não façam aquela velha ligação idiota de que se você é negro, vai ser bravo, briguento e coisas do tipo, é como se ela tivesse uma personalidade para cada local que ocupa, isso soa preocupante, ela não pode ser quem gostaria, está sempre se policiando.

Tudo vai bem, Starr segue se sentindo um pouco deslocada em seu bairro por nunca andar com o pessoal de lá, até que um dia resolve ir em uma festa e encontra seu amigo de infância, Khalil, ele mudou bastante, ela sabe que há algo de errado, que Khal deve estar andando com gente da pesada, enquanto vão embora a polícia para o carro de Khal e durante esse episódio ele é morto, Starr vê tudinho, um de seus melhores amigos morre na sua frente e isso não é a primeira vez. Não se assuste, não tem nada de spoiler aqui, esse é o pano de fundo para que a história comece a acontecer, Khalil morre na frente de Starr e por um momento parece que ela revive a infância, onde sua amiga também foi morta por uma bala, acontece que as coisas mudaram, quando mais nova Starr foi colocada em uma redoma onde todos protegiam a ela para que não tivesse ligação alguma com o ocorrido, uma testemunha silenciosa, agora as coisas são diferentes. A polícia tenta colocar Khalil como um traficante que tentou reagir, Starr sabe que a situação não foi essa mas para que os outros saibam ela precisa falar, ir contra tudo, policiais, imprensa, traficantes, para que sua voz seja ouvida ela precisa reconhecer essa luta como sua, enfrentar seus medos, deixar que seus dois mundos venham a se colidir e que assim a justiça seja feita.


 Pois bem, mas quais os motivos para assistir?

 A importância da família:

Durante toda a trama, as pessoas que mais me chamaram a atenção foram os familiares de Starr, o pai dela é o homem mais maravilhoso do mundo! Ele não tem medo de apoiar seus filhos e mostrar a eles qual o caminho certo e errado, usa o seu passado como exemplo, além disso, é um sinal de força e referência familiar, sempre defendendo seus filhos e dando os melhores conselhos. Absolutamente tudo o que esse homem fala eu tive vontade de grifar, o Sr. Carter é uma lenda, quando vi como isso foi adaptado para o cinema eu fiquei chocada, era exatamente isso que eu esperava, e para mim, as melhores cenas são as quais ele participa. Além disso, Sekani, o irmão mais novo de Starr protagoniza as cenas mais tocantes, eu não sei lidar com a fofura daquela criança atuando, mas também não sei lidar com a maneira como o título do livro foi usada por ele para mostrar como as coisas funcionam realmente na sociedade, a cena final me deixou sem reação mas me fez compreender como crianças absorvem as situações e traumas de maneira totalmente diferente dos adultos e que devemos tomar cuidado com isso. Seven Carter, o irmão mais velho de Starr é um exemplo do legado do seu pai, ele é um garoto bastante jovem mas que já entende como as coisas funcionam para a comunidade em que ele vive e não pensa duas vezes quando o assunto é defender as pessoas que ama. A mãe de Star, Lisa, é uma mulher extremamente protetora, que muitas vezes quis esconder seus filhos do mundo, mas pelos motivos certos, quando você vê pessoas próximas a você morrendo, não há muito o que fazer. Acontece que quando paramos para pensar no potencial dessa família, é de ficar de queixo caído, apesar de todos terem opiniões bastante divergentes sobre muitos assuntos, eles nunca vão deixar de se proteger e lutar uns pelos outros, acompanhar isso é maravilhoso.


A inocência da criança:

Como mencionei, Sekani é uma fofura só, uma das coisas que mais me agradou na adaptação é que o garotinho ganhou muito mais espaço, as cenas mais apreensivas e com a carga emocional mais densa tem a participação dele, em alguns momentos precisei respirar fundo para conseguir parar de chorar, TJ, que é o ator mirim que faz esse papel, é extremamente talentoso e me surpreendeu positivamente. É ele quem carrega toda a metáfora do filme de alguma forma, e fez isso de maneira muito primorosa, como não amar?


A importância de reconhecer privilégios:

Uma das coisas mais bacanas é como o filme soube retratar bem os privilégios de cada um, como o fato de Starr estudar em uma escola particular, diferente das pessoas de seu bairro, ter uma boa estrutura familiar e como isso foi importante para ela ser a pessoa que é hoje, diferente de seus vizinhos que muitas vezes precisaram partir para atividades ilícitas, além disso, o filme mostra bem como os amigos da escola de Starr nem se dão conta de como são sortudos simplesmente por terem o que comer. Pra vocês terem ideia, eles acham super divertido o fato de não terem aula porque a morte de Khalil gerou manifestos, tiram selfies, dão risada, protestam apenas para postarem fotos no instagram, enquanto Starr chora por dentro, não entendendo porque as pessoas são assim e não se importam com o adolescente que morreu sem ter culpa. Muitas vezes a narrativa do filme retrata bem como nós, em nosso cotidiano, não nos damos conta da posição que ocupamos na sociedade, gerar essa reflexão por meio de uma narrativa adolescente e de maneira sutil, é uma maneira inteligente de propor questionamentos sobre o que fazemos pelos outros.


A importância da narrativa negra em editoras e o empenho para a propagação:

O ódio que você semeia foi uma obra lançada pela Galera Record, editora essa que sempre aposta em livros que envolvam minorias, o discurso desse selo sempre me enche de orgulho e com certeza é a minha editora favorita, onde me sinto amada, representada e ouvida. Assim que a adaptação saiu eu recebi um exemplar com a capa do filme e uma cartinha super atenciosa, ressaltando porque esse é um filme/livro tão necessário nos dias de hoje. COMO SE NÃO BASTASSE, recebi a lindíssima notícia de que a editora irá lançar On the come up, outro livro de Angie Thomas que vem fazendo bastante sucesso. Quer o mundo Galera Record? Eu te dou.


Faça com que sua voz seja ouvida, você é sua própria força:

Starr passa por muita coisa durante essa história, perde uma melhor amiga e anos depois perde Khal, vê sua família em perigo e sente medo de falar, mas ela sabe que para que a justiça seja feita, isso depende apenas dela, O ódio que você semeia é uma jornada de reconhecimento, onde a protagonista precisa encontrar a sua própria força e sua voz para que as pessoas certas sejam punidas. Se você não fala, ninguém fará isso com você.


Eu já perdi as contas de quantas vezes assisti esse filme, sempre choro, me emociono e noto algo novo, talvez seja uma das adaptações mais fiéis que pude conferir em toda a minha vida, e quando vi Angie Thomas atuando, mesmo que por pouco tempo, em uma cena, vibrei, quem acompanha a sua jornada sabe como ela é uma autora merecedora do sucesso que vem fazendo. Ela participou de toda a gravação e esse cuidado é notável até mesmo nos diálogos do filme, sempre tão fiéis ao livro. Além disso, a trilha sonora é maravilhosa e se encontra disponível no Spotify, recomendo! Para quem quer se emocionar, refletir muito, e se deliciar com um filme maravilhoso, O ódio que você semeia sempre será a minha primeira dica, uma narrativa envolvente e necessária em dias onde a intolerância muitas vezes parece prevalecer, não nos esqueçamos que o amor é a nossa melhor armadura, o ódio que o mundo semeia não pode nos afetar.
“Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós. Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio nos momentos que não deveria?”

RESENHA Todas as Pequenas Luzes

20 de fevereiro de 2019

Hoje é dia de resenha e ela vem com um gostinho especial porque é sobre uma autora que definitivamente marcou a minha adolescência. Jamie McGuire é autora da famosa série Belo desastre e que desencadeou muitos outros livros, na época dos lançamentos, eu e muitos outros leitores surtavam com essa história mas depois de muito tempo vejo alguns probleminhas e alguns pontos que a Dayhara de hoje, não encararia de maneira positiva em uma leitura. Depois de Belo Desastre eu nunca mais tive contato com a escrita da autora, apesar de amar suas obras e a maneira frenética que sua narrativa acontecia, acabei migrando para outros rumos, e Jamie também migrou! A Verus lançou Todas as pequenas luzes e posso afirmar com tranquilidade que a autora mudou bastante, em muitos aspectos, o dinamismo entre os personagens é outro, não há mais aquela urgência, o desespero desenfreado, o ciúmes romantizado, nada do que me existia em Belo desastre consta aqui, apesar das obras serem bem diferentes entre si, acho importante fazer esse comentário porque muita gente via a relação presente em Belo Desastre, Desastre eminente etc, como abusiva, e sinceramente acho que Jamie ouviu com atenção os seus leitores e nos proporcionou uma obra bem mais leve em diversos aspectos, mas não menos importante ou menos arrebatadora. Me envolvi e me surpreendi como na adolescência e isso me deixou bastante feliz.


Catherine e Elliot se conheceram ainda pequenos, o encontro aconteceu de maneira bastante inusitada, enquanto ele está em uma árvore uma garota chama a sua atenção e ele começa a fotografá-la, a aproximação acontece daquele jeito típico de criança fazendo amizade, né? Ambos desconfiados, fofos. Acontece que Elliot não mora na cidade, ele passa os verões na casa da tia e aproveita a ocasião para fugir do tumulto que é sua família e das brigas cheias de ódio entre seus pais. A amizade entre eles floresce mas Elliot sabe que uma hora terá que ir pra casa, aos poucos eles se tornam unha e carne, ele sempre tentando proteger Catherine que é odiada por todas as meninas da cidade e sempre é deixada de lado, um servindo de suporte emocional para o outro, mas quando Catherine mais precisa de Elliot, ele precisa ir embora, ela se vê abandonada por ele e nutre muita mágoa por conta disso, ela acredita que sofreu um grande golpe vindo dele, mesmo o leitor sabendo que as coisas não são bem assim.
"Tive vontade de dizer que eu não mordia, que eu até podia odiá-lo por ele ter ido embora, e fazendo sentir sua falta por dois longos anos, mas havia coisas mais importante no mundo para ele realmente temer." 
Essa história é um grande tapa na cara em diversos momentos, os dois protagonistas ainda pequenos aprendem que a vida não é perfeita como nos livros e nos filmes, que a família muitas vezes pode ser um fardo esmagador e que é preciso ter alguém por perto para ser seu ombro amigo. Acontece que Elliot precisa ir embora não porque quer, mas sim porque sua família impõe isso, Catherine não entende a situação e se vê no direito de ficar magoada com o garoto por conta disso, mas convenhamos, se você é uma criança e sua família manda você voltar pra casa, com que autoridade você irá contra? Simplesmente não dá! Depois de muito tempo Elliot volta, porque ele ainda nutre sentimentos por Cath e quer reparar a situação toda, mas é aí que a coisa desanda um pouquinho, ela não é nenhum pouco compreensiva, age de modo grosseiro e não perdoa o garoto com facilidade, eu achei isso um pouco melodramático, ambos já cresceram, qualquer um é capaz de ver que ele não foi embora porque quis, simplesmente não tinha escolha. Além disso, Cath vive uma vida que sinceramente não desejo para ninguém, ela trabalha feito louca, sofre bullying na escola, não tem tempo pra si, ela não vive a vida de uma adolescente normal. Elliot tenta ajudar, se aproxima novamente mas ela não dá brecha alguma, em partes por conta da mágoa que ainda carrega e em outras por conta dos segredos que esconde, tudo é muito misterioso quando se trata dela e sua família.


Se você espera algo como Belo Desastre pode ir parando por aí, a pegada dessa obra é totalmente diferente! Apesar do ritmo um pouco lento no início, assim que Elliot volta, as coisas começam a acontecer de maneira mais acelerada, é notável a mudança da protagonista, ela não tem planos e nem expectativas porque diz que suas obrigações são outras, mas quais? Sua casa não é um bom lugar para se viver, ela se sente esgotada e sem forças para lutar contra isso, e o segredo que Cath guarda tão bem é devastador e faz com que tenhamos muito mais empatia por ela.

Eu iniciei essa história esperando algo sensual e bastante explosivo, porque era a marca da autora, mas dei de cara com mistérios, segredos e um romance fofo e bastante gradual. O plot da obra deixa você de queixo caído, eu demorei para entender o que era e quando descobri, fiquei totalmente sem reação, Jamie segue brincando com as minhas emoções desde sempre. Foi uma leitura bastante agradável, um pouco lenta no caminho mas que quando engrenou não consegui mais desgrudar, os personagens possuem uma carga dramática bastante forte e a maneira que eles procuram se ajudar é louvável. O final mexeu bastante comigo e precisei de alguns bons dias para absorvê-lo realmente, essa capa é linda demais e condizente com o enredo, a trama é dividida entre o ponto de vista de ambos os personagens e isso foi bastante importante porque os dois apesar de possuírem dramas muito reais, encaram as coisas de maneiras bem dicotômicas, enquanto Elliot prefere encarar tudo sem medo, batendo de frente, Cath é mais cabisbaixa e aceita as coisas, mais por cansaço, conformismo, seus segredos que deixam ela completamente amarrada… Tudo é muito comprometedor para ela. 

Se você procura uma obra que passeia por vários gêneros, brinca com as suas emoções de todo modo e te prende de maneira sem igual, Todas as pequenas luzes é a leitura certa para você!


Título: Todas as Pequenas Luzes
Autora: Jamie McGuire
Editora: Verus
Nº de Páginas: 350
Sinopse: "Quando Elliott Youngblood vê Catherine Calhoun pela primeira vez, ele é apenas um garoto com uma câmera nas mãos que nunca viu algo tão triste e tão belo. Os dois se sentem excluídos e logo se tornam amigos. Porém, no momento em que Catherine mais precisa dele, Elliott é forçado a sair da cidade. Alguns anos depois, Elliott finalmente retorna, mas ele e Catherine agora são pessoas diferentes. Ele é um atleta bem-sucedido, e ela passa todo o tempo livre trabalhando na misteriosa pousada de sua mãe. Catherine ainda não perdoou Elliott por abandoná-la num momento difícil, mas ele está determinado a reconquistar a amizade dela ― e a ganhar seu coração. Bem quando Catherine está pronta para confiar outra vez em Elliott, ele se torna o principal suspeito em uma tragédia local. Apesar da desconfiança de todos na cidade, Catherine se agarra ao seu amor por Elliott. Mas um segredo devastador que ela esconde pode destruir qualquer chance de felicidade que os dois ainda têm." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

Resenha Carne Crua

18 de fevereiro de 2019

Ano passado fomos parceiros da editora Nova Fronteira e fazer parte desse time foi uma das experiências mais primorosas que toda a equipe do blog já teve. Ter um contato tão direto com clássicos e ter em nossas mãos edições tão lindas além de aumentar o nosso amor pelos livros, renovou a fé em nosso curso(Letras) porque nada nos move mais do que edições lindonas e amor! Hahaha. Pois bem, Carne Crua foi uma das apostas de final de ano da editora e sinceramente... Não sei dizer como o meu coração aguentou essa leitura, arrebatadora! Uma experiência tocante e que me deixou sensível para muitas questões. 

Carne crua, de Rubem Fonseca é um livro de 26 contos cada um com a sua peculiaridade, mas sem deixar de ter o famoso toque rápido de uma escrita certeira que só Fonseca tem.

São contos rápidos de se ler, mas a cada linha um aprendizado, a cada conto uma lição diante do que estamos sujeitos a passar no convívio com a sociedade lá fora. Repleto de críticas sociais (a começar pela capa), o livro trabalha com diferentes temas, envolvendo de amor até assassinatos, confiança, traição, além de vingança, corrupção, e muito mais. Um verdadeiro apanhado de injustiças sociais. Para deixar vocês cientes da maravilha que é essa obra, falarei especificamente do conto que também dá nome ao livro. 


 O Conto: Carne Crua – a bondade ou a falta dela

Aqui temos a história de uma criança que perder seus pais muito cedo, ainda durante a amamentação e que por isso foi morar com os tios. É nesta nova casa que lhe desperta o interesse por comer carne crua. Essa nova família que fazia churrasco todos os sábados tinha a ajuda do menino na cozinha, mas ele apenas ajudava para garantir a sua carne crua despercebida pelos olhos dos familiares. 

Além disso, criança tinha a necessidade de matar animais, era seu prazer e o fato mais marcante até então era quando sentiu o gosto da carne de um sagui que havia aparecido no fio de eletricidade no quintal de sua casa. Depois disso, aumentou sua curiosidade, descobrindo então que carne de gato também era boa e de cachorro mais ainda.

Para ele não funcionava churrasco ou carne mal passada, a carne precisava  estar necessariamente crua, era isso ou mais nada, um extremo que se pararmos para pensar, causa repulsa. Para além disso, sabemos que em alguns países o consumo de carnes de animais bem "diferentes" é permitido, pois bem, o garoto resolve alimentar seu vício optando por um animal totalmente fora do comum, e o meu choque foi enorme, pensar em como uma criança foi capaz de movimentar situações ao seu favor, tudo para conseguir a carne tão desejada é horripilante e por muitas vezes me questionei como esse garoto é facilmente visto como um pequeno psicopata, o que não deixa de ser verdade, tamanha é a inteligência do menino... O final é surpreendente e me fez temer pelo futuro, pensar quais as chances dessa história ser real. Mas o mais interessante é que ao final me peguei pensando sobre o meu consumo de carne e sinceramente, tenho evitado, sinal de que absorvi bem a leitura, não? Hahah. 


Rubem Fonseca é um autor que merece ser chamado de cru também! Ele não deixa de lado nenhum detalhe, e se você for sensível para algumas situações, pode não se sentir confortável com a leitura, mas além disso, ele é capaz de em um simples conto, te fazer questionar sobre o seu estilo de vida, alimentação, seu posicionamento na sociedade e as mil maneiras que você indiretamente, pode ir contra tudo que é considerado normal pelos outros, afinal, quantos segredos você esconde? Quantos gostos incomuns você alimenta? Uma leitura forte, arrebatadora e que servirá como dica para muitos amigos, Carne crua te faz questionar, te tira da zona de conforto.




Título: Carne Crua
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 144
Sinopse: "Rubem Fonseca é um verdadeiro mestre na arte de esfolar a pele das palavras para deixar as histórias em carne viva. Neste seu livro mais recente, o autor reuniu 26 textos que, embora mantenham a crueza de assassinatos, traições e injustiças sociais, trazem também a avidez das descobertas, a delicadeza das histórias de amor e uns flertes com a poesia."  *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Um Milhão de Finais Felizes

12 de fevereiro de 2019


Hoje é dia de resenha recheada de carinho, afeto, abraços apertadinhos e boas memórias! Tive a sorte de ler Um milhão de finais felizes e não sou capaz de mensurar a alegria que esse livro foi capaz de me proporcionar, como se não bastasse, a compra dele veio de uma experiência ainda mais incrível! No ano de 2018 fui para a Bienal, acabei indo no último final de semana e vocês já devem imaginar a correria que foi, né? Eu estava desanimadinha porque achei que não conseguiria encontrar nenhum autor, mas felizmente quando eu saia da sala de imprensa dei de cara com o Vitor Martins sentadinho no chão descansando, gente como a gente! Hahaha toda tímida fui pedir para autografar meu livro e sinceramente, que homem mais querido! Vitor estava cansado, passou o dia na Bienal, autografando livros e lidando com a correria, mas ainda assim, quando pedi o autografo deu um sorrisão todo animado, me deu o abraço mais acolhedor do mundo e conversou um pouquinho comigo. Antes mesmo da experiência de leitura eu já me senti totalmente realizada pelo carinho que recebi dele, admiro o trabalho do Vitor desde a época em que ele havia começado o canal no Youtube, pra quem não sabe, apesar de não postar mais vídeos, o canal dele segue ativo! Tem resenhas muito bacanas, dicas de papelaria, bullet e tudo aquilo que a gente ama, fica a dica! Você pode conferir AQUI


Agora vamos ao livro! Eu não poderia imaginar que uma obra tão curtinha fosse capaz de me envolver, emocionar e trabalhar questões tão pontuais de maneiras tão bem detalhadas. Em muitos momentos senti um apertinho no peito, temendo pelos personagens, mas na maior parte do tempo eu sorri, me apaixonei e torci para que as coisas fluíssem bem, porque pessoas boas merecem isso, e Jonas é uma dessas pessoas, ele é metido a escritor, mas daquele tipo que nunca escreve história alguma, apesar de andar sempre com seu caderninho de ideias para possíveis histórias, ele simplesmente não consegue escrever nada, talvez por algum tipo de bloqueio, ou só a procrastinação atuando até nos personagens, correto?

Ele trabalha no Rocket Café, uma cafeteria bastante famosinha e com aquela pose de hipster que todo mundo adora. Pra ser sincera, Jonas é um cara incrível demais e que parece viver em um mundo não tão justo para a sua existência, apesar de não pensar em faculdade ainda, ele é absurdamente trabalhador, apesar dos atrasos no trabalho é muito querido e bastante simpático, acontece que nem tudo são flores, ele é filho de pessoas muito conservadoras, uma mãe evangélica fervorosa e um pai bastante machista e que não aceita um filho que não tenha pose de “homem másculo”, ainda assim, Jonas é um bom filho, ajuda com as contas de casa, nunca reclama e vai para a igreja porque sabe que isso deixa sua mãe feliz, mas tudo muda quando um rapaz de barba ruiva aparece na cafeteria, é amor à primeira vista, Arthur faz a sua aparição no trabalho de Jonas como um cliente qualquer, mas isso é o estopim para o desenrolar de muitas coisas, a partir disso Jonas começa a escrever! De tão envolvido que ele ficou pelo rapaz, suas histórias finalmente começam a tomar vida e assim nasce Piratas Gays, o livro que Jonas está começa a escrever. Como coincidência nunca é coisa pouca, Arthur volta a aparecer na vida de Jonas e bagunça muita coisa em sua cabecinha, trazendo questionamentos até sobre o núcleo familiar dele.


Esse é basicamente um livro dentro de outro livro, enquanto vamos acompanhando a vida de Jonas, também vamos ler os capítulos de Piratas Gays conforme eles vão sendo escritos por nosso protagonista. A questão toda é que esse livro é puro amor, apertinho no peito e uma nova definição de família! Jonas sofre demais com seus pais, sua mãe infelizmente é uma pessoa bastante submissa e aceita os comportamentos machistas de seu marido, o pai de Jonas... É um cara que sinceramente sinto asco, ele é maldoso com sua esposa, filho, é interesseiro e bastante agressivo.
“Nem sempre a família que nasce com a gente vai nos entender. Nem sempre eles vão ficar do nosso lado para sempre. Mas isso nunca vai te impedir de escolher uma família nova.”
Conforme as coisas vão avançando, é notável que o relacionamento entre Arthur e Jonas vai ganhando grande parte da narrativa, mas nisso também surgem oportunidades para muitos questionamentos, como por exemplo a bifobia, Jonas se ver como um garoto gay e ter coragem para se assumir, as dificuldades do processo de escrita, a importância dos amigos em situações difíceis e como a família “tradicional” vem sofrendo novas configurações e o mínimo que você pode fazer é  RESPEITAR isso. As questões de homofobia são muito presentes nesse livro, principalmente por conta do pai do nosso protagonista, por outro lado, a mãe vive aquele impasse de sua religião não permitir, seu marido também não, mas ela ainda ama o filho! Ainda assim, é um livro emocionante, os amigos de Jonas são um show a parte, tem suas próprias questões, são companheiros, estão sempre prontos para animá-lo e ouvi-lo, eu sinceramente queria um livro para cada um deles! Essa é uma obra que infelizmente li em um dia só, infelizmente porque queria mais, porque Vitor me surpreendeu positivamente, sua escrita me deixou confortável, seu abraço quentinho me acompanhou durante toda a leitura e só posso dizer que sinto orgulho da nossa literatura nacional ter um representante como ele. 

Se você quer se emocionar, amar junto com Jonas e Arthur, acompanhar uma aventura de piratas gays, esse livro é para você. O final é emocionante, algo MUITO família e que te deixa com o coração quentinho, torcendo pelo futuro dos personagens. Eu muitas vezes vi Vitor no protagonista, acho que por acompanhar seu canal, Instagram e tudo mais a tanto tempo, meio que internalizei a figura física de Vitor sendo Jonas, sabe? E sinceramente, combina demais! Queria um Rocket Café na vida real, pra encontrar o meu barbudinho por lá também haha. Por hoje é só!



Título: Um Milhão de Finais Felizes
Autor: Vitor Martins
Editora: Globo Alt
Nº de Páginas: 352
Sinopse: "Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais, sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas. Mas é quando ele conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história."
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