A Chave de Sarah: uma sombra negra na história da França

domingo, 17 de abril de 2016
Título: A Chave de Sarah
Autor (a): Tatiana de Rosnay
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Julia Jarmond é uma jornalista Americana que vive em Paris há 25 anos e é casada com o arrogante e infiel Bertrand Tézac, com quem ela tem uma filha de onze anos. Julia escreve para uma revista americana, e seu editor pede que ela cubra o sexagésimo aniversário da grande concentração no Vélodrome d’Hiver – um estádio no qual dezenas de milhares de judeus ficaram presos antes de serem enviados para Auschwitz.
Ao se aprofundar em sua investigação, Julia constata que o apartamento para o qual ela e o marido planejam se mudar pertenceu aos Starzynski, uma família judia imigrante que fora desapossada pelo governo francês da ocupação, e em seguida comprado pelos avós de Bertrand. Ela resolve descobrir o destino dos ocupantes anteriores. É revelada então a história de Sarah, a única dos Starzynski a sobreviver.
A família de Sarah foi uma das muitas brutalmente arrancadas de casa pela polícia do governo colaboracionista francês. Michel, irmão mais novo garota, se esconde em um armário, e Sarah o tranca lá dentro. Ela fica com a chave, acreditando que em poucas horas estará de volta. Julia é então impelida a retraçar a sofrida jornada de Sarah em busca de liberdade e sobrevivência, dos terríveis dias em campos de concentração aos momentos de tensão na clandestinidade, e por fim seu paradeiro após a guerra. E à medida que a trajetória da garota é revelada, mais segredos são desenterrados.
Ao escrever sobre o passado da França com uma clareza implacável, Tatiana de Rosnay oferece em A Chave de Sarah um contundente retrato da França sob a ocupação nazista, revelando tabus e negações que circundam este doloroso período da História francesa.

A Chave de Sarah é um livro que me perturbou, me tirou o sono. Uma história tocante, de uma menina que vê a vida ser destruída sem nem ao menos saber o motivo. Uma menina que perde a casa, os amigos, a família e, principalmente, a esperança.

Julia Jarmond é uma jornalista americana que vive na França. Seu editor pede para ela cobrir o 60º aniversário do Vel d'Hiv. Até então, Julia nunca havia ouvido falar sobre Vel d'Hiv, nem os colegas de redação. O que Julia não sabia, é que esse ”esquecimento” era intencional. Afinal, esse é um dos episódios mais vergonhosos da história francesa.

Vel d'Hiv era um velódromo que existia no coração de Paris. No verão de 1942, durante a ocupação nazista, o velódromo foi utilizado como uma prisão. Mais de 13.000 judeus foram aprisionados lá, incluindo aproximadamente 4.000 crianças. As condições eram péssimas: faltava comida e água. Após a “estadia” no velódromo, os prisioneiros foram deportados para campos de concentração. Menos de 100 pessoas sobreviveram.

O plano foi arquitetado pelos Nazistas, porém foi executado única e exclusivamente pelos franceses.  Foi a polícia francesa que realizou as batidas no meio da noite e prendeu os judeus, foram os franceses. Os guardas que “cuidavam” dos prisioneiros em Vel d'Hiv eram franceses. Quem deportou o próprio povo, jogando-os para uma morte certa, foram os franceses.

E é justamente por isso que o povo francês decidiu esquecer o que aconteceu em 1942. Afinal, não dá de colocar a culpa nos Nazistas – pelo menos dessa vez. Fiquei muito chocada, pois na escola a gente aprende que os alemães eram os "maus", mas o livro fez eu perceber que maldade e crueldade não tem nacionalidade.

Enquanto Julia pesquisa sobre o Vel d'Hiv ela descobre que o apartamento para onde ela está se mudando pertenceu a família Starzynski. Os Starzynski eram judeus e foram uma das famílias brutalmente arrancadas de casa pela família francesa e enviadas ao velódromo.
Julia fica tão envolvida com a história da família que decide traçar a trajetória da única sobrevivente da família, Sarah Starzynski.

Acompanhar a história de Sarah não é uma coisa fácil. Não que o livro seja ruim, longe disso. Mas ele é um livro chocante. É difícil de imaginar uma criança tão inocente sendo tratada com tamanha brutalidade. Sarah é separada dos país e é enviada a um Campo de Concentração, um lugar onde uma criança – ou qualquer outra pessoa – jamais deveria sequer pisar.

E o que mais me deixa triste é saber que realmente existiram milhares de Sarah’s. Durante o regime Nazista crianças eram torturadas e mortas pelo simples fato de serem judias, por exemplo. Isso é uma coisa que eu nunca vou entender. Como as pessoas puderam ser tão cruéis com seus iguais? O Nazismo e sua ideologia é uma daquelas coisas que, definitivamente, nunca vou entender.

                 O livro intercala passado e presente e é muito bem escrito. Sofri e chorei pela Sarah, mas também por todas as crianças que tiveram sua infância tragicamente interrompida, diretamente ou indiretamente, pelos nazistas.

Além do livro, existe também uma adaptação com o mesmo nome. O filme é muito bom e foi bem fiel ao livro. Recomendo!


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