Resenha: Um Passado Sombrio

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Título: Um Passado Sombrio
Título original: A Dark Matter
Autor: Peter Straub
Editora: Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)
Páginas: 391

Sinopse: Em 1966, um carismático e astuto guru, de passagem por um campus universitário do Meio-Oeste norte-americano, reúne um restrito grupo de discípulos, entre estudantes de colegial e universitário de fraternidade, num ritual secreto que resulta em um corpo horrivelmente dilacerado, um garoto desaparecido e as almas abaladas de todos os envolvidos. Quarenta anos depois, um escritor de relativo sucesso e amigo de infância da maioria dos garotos que participaram do ritual – além de marido de uma das garotas envolvidas –, sai em busca de informações sobre essa noite aterrorizante, com um projeto de livro em mente. Porém, para consegui-las, precisará não apenas reencontrar antigos colegas com quem perdeu o contato há décadas, mas também incitá-los a reexaminarem os eventos inomináveis que os têm assombrado desde então. Ao revelar as histórias individuais dos membros do grupo, Um Passado Sombrio eletrifica o leitor de maneira arrepiante e imprevisível – e prova que Peter Straub é, indiscutivelmente, um mestre do horror moderno.


Resenha: Minha curiosidade em ler o livro foi pela sinopse, claro, mas também por ter uma citação do mestre Stephen King na capa elogiando o livro, minhas expectativas eram altas e nhé .. não foi tudo isso.

Lee Harwell é um escritor que pretende escrever um livro sobre uma noite misteriosa que aconteceu há quarenta anos atrás com seus amigos de infância, inclusive sua namorada e atual esposa. No passado, exatamente no ano de 1966, o guru Spencer Mallon, conquistou os jovens amigos de Lee, que passaram a segui-lo e concordaram em participar de um ritual. O que acontece é que o ritual secreto acaba não funcionando como o planejado, resultando na morte de um deles, e o desaparecimento de outro. Os que sobreviveram tiveram suas vidas transformadas de alguma forma. Lee tenta desvendar tudo o que aconteceu naquela noite, e para isso precisa reencontrar seus amigos e convencê-los a falar depois de tantos anos.

A narrativa ora em primeira pessoa pelos olhos de Lee, ora pelo relato das pessoas que participaram do ritual. Todas elas têm as suas versões, que devem ser juntadas para que ele finalmente entenda o que todos viram naquela noite.
A escrita do autor é clara na maior parte do livro, onde ele trabalha muito bem cada visão dos personagens e seus pensamentos. Porém, o primeiro capítulo do livro demorou um pouco a engrenar, achei a narrativa confusa no início. Talvez pela quantidade de personagens, ou por alguns trechos e frases meio sem sentido. Mas do segundo capítulo em diante, a leitura se tornou mais envolvente e foi mais fácil se familiarizar com os personagens e os acontecimentos.

O forte do livro é a construção dos personagens, todos com muitos mistérios envolvidos.
Os personagens que mais gostei foram Eel, a esposa de Lee, que é apelidada assim, mas tem o mesmo nome que o marido (Lee), foi um mistério total desde o início, mesmo com o desfecho não confiei nela. Keith é o personagem mais perturbador.
O fato de o autor ter trabalhado crimes que aconteciam na região, e ter levantado as suspeitas para esse personagem, foi algo que me rendeu um certo entusiasmo.

Apesar dos pontos positivos, não foi um livro que me empolgou como achei que empolgaria, se fosse dar uma nota, daria três estrelas, a justificativa dessa nota é principalmente pela narrativa confusa em alguns trechos, me deixando por muitas vezes entediado. Mesmo depois que acostumei com o nome dos personagens, fiquei um pouco confuso em algumas partes. Por exemplo, como temos dois personagens com o mesmo nome, a Lee, esposa de Lee Harwell, é apelidada de Eel, porém o que poderia facilitar me confundia, pois no mesmo parágrafo ela era chamada mais de uma vez, ora de Eel, ora de Lee, e às vezes, não sabia de quem realmente o autor estava falando. Isso aconteceu com o sobrenome de outros personagens também. Ahh e medo não senti em momento algum da história, infelizmente. Quanto a edição, apesar das folhas serem brancas, não atrapalharam a leitura, a fonte e o espaçamento estão em um tamanho bom, a revisão apesar de poucos erros, não atrapalharam a leitura. Agora, a capa é linda, e combina muito com a história apresentada no livro.

Bom, no geral "Um passado sombrio" é um livro de terror, que mesmo não me causado medo algum, tem algumas passagens bizarras, nada que tenha me surpreendido (até porque para um livro ou filme de terror me dar medo tem que ser O TERROR rsrs), mas que pode dar medo em pessoas que sejam mais "sensíveis" ao gênero. Apesar disso, temos a construção de ótimos personagens e que irão introduzir, além de um mistério na trama, todos os seus dramas internos e seus defeitos. Acho que essa é uma obra que deve ser lida lentamente para não perder nenhum detalhe. Bom livros são assim, pode não ter me agradado tanto, mas você pode amar. E vale lembrar que Peter Straub é considerado um dos mestres do horror. Se você gosta de livros desse gênero eu recomendo a leitura.


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