RESENHA: Trainspotting

domingo, 18 de junho de 2017
 Título: Trainspotting
Autor: Irvine Welsh
Editora: Rocco
Número de páginas: 287
Sinopse: Trainspotting, livro transformado em cult pelas mãos do cineasta Danny Boyle, consagrou Irvine Welsh como uma das vozes mais representativas de sua geração. Trainspotting, na gíria escocesa, é uma atividade sem sentido, algo que é uma total perda de tempo. Essa expressão resume as vidas de Rents, Sick Boy, Madre Superiora, Cisne e Seeker, jovens moradores de Edimburgo que passam a maior parte de seu tempo se embebedando em pubs, assistindo a jogos de futebol pela televisão e, principalmente, se drogando. A heroína é a droga preferida, um barato que dura tempo suficiente para aplacar a banalidade da existência. Pelo menos até o próximo pico. Explicitando toda a dor e a banalidade de ser jovem em um mundo de portas fechadas, onde a maior oportunidade que se pode esperar é conseguir um emprego reles em uma grande empresa, ter filhos e desfrutar de uma velhice obesa, Irvine Welsh narra, com ironia e sem meias palavras, o cotidiano de jovens que renunciaram a tudo isso, que preferem se perder em um mundo de contravenções, vagar pelas ruas sem rumo, a ceder a uma vida adulta que não faz o mínimo sentido.

É muito difícil falar de Trainspotting, pois ele é um livro complexo, que mesmo sem a intenção de fazer crítica alguma, acaba fazendo. Sarcástico, cruel, verdadeiro, realmente uma leitura para poucos, Trainspotting vai te fazer sentir um milhão de coisas, e talvez até náuseas.



Esse livro retrata a juventude agitada de RentonSpudSick BoyThommyBegbie e mais alguns outros. O cenário é a Escócia dos anos 90, mais especificamente a cidade de Leith, subúrbio de Edimburgo. Esses quatro jovens cresceram nas mesmas ruas, estudaram nas mesmas escolas públicas onde ninguém se formou. Desde pequenos eles já compartilham o mesmo sentimento de vazio, são jovens que buscam não o carro do ano, o emprego dos sonhos, nada disso, a vida deles se resume em coisas muito menos materiais e superficiais. Sabem exatamente quem são, e sabem também não poderão mudar o mundo, já que o mesmo não abre portas a quem não tem em mãos um diploma. 

Em meio ao caos e tudo aquilo que o mundo pode oferecer, esses quatro jovens levam suas vidas curando de ressacas durante o dia, planejando pequenos crimes, e acabam descobrindo algo super prazeroso, a Heroína. A droga mais utilizada por todos é o que os fazem se movimentar, e estão sempre a procura de um Pico maior, como chamam a pira que a heroína os causa, numa maneira de se desligar de tudo e ter seus momentos de prazer.


“Nunca fui preso por causa heroína. No entanto, uma porrada de caras fizeram suas tentativas de me reabilitar. Reabilitação é besteira. às vezes eu acho que preferiria ir pra trás das grades. Reabilitação significa a negação do eu.”


O livro nos retrata de forma tão real a vida que esses jovens levam que acaba nos fazendo sentir um turbilhão de coisas, na maneira dura, fria e crua na qual Irvine escreve, relatando cada passo que eles dão, nos fazendo enxergar o que eles próprios vêem e o que vivem.
Uma leitura que chega a vários momentos, nos incomodar, por ser tão real e verdadeira relatando a vida dura e sofrida de pessoas que perderam totalmente seus valores e não se encaixam em nada nos padrões sociais que são impostos, seres fora do meio e totalmente ignorados, invisíveis e insignificantes.  

“A sociedade inventa uma intrincada lógica falsa pra absorver e mudar as pessoas que têm um comportamento fora do normal.”

Um livro necessário, brutal, instigante, nauseante e com citações incríveis, Trainspotting é mais do que recomendado, mas claro, com algumas ressalvas. Se você não tiver estômago forte e nervos de aço, não tente.
O livro também ganhou sua adaptação para o cinema e já está disponível para ser assistido caso alguém tenha interesse.
Trainspotting eu amei te ler.

“Tento sentir alguma coisa. Qualquer coisa. O que estou realmente procurando é o demônio, o escroto filho de uma puta, o louco que vive dentro de mim e desliga meu cérebro, que empurra a mão até o baseado, o baseado até os lábios e traga e traga como um aspirador de pó.”


13 comentários:

Tais Burigo disse...

Oi tudo bem?
Confesso que a premissa não me chamou a atenção dessa vez acredito que não seria uma leitura que me agradaria mas é muito bom quando sentimos quando sentimos uma mistura de emoções durante o livro.

Beijos

F disse...

Ola
Imagino mesmo que seja um livro bem complexo, e eu não sei como ainda não tinha lido nada a respeito dele anteriormente, mas adorei poder conferir as suas impressões a respeito e fiquei bem curiosa quanto ao desenvolvimento. Legal saber que ganhou adaptação!
Beijos, F

Jéssica Christina disse...

Oie, tudo bom?
Eu queria muito assistir o filme pois o Robert Carlyle está nele, e eu AMO o Bobby! Porém, o tema não me chama a atenção, pois costumo fugir de livros que relatem o uso de drogas, violência e tals. Talvez um dia dê uma chance, mas não agora! Adorei as frases que usou!

Paloma Machado disse...

Oie, tudo bem?
Esse não é o tipo de livro que costumo ler, e não despertou muito meu interesse, mas esses quotes me chamaram a atenção e agora estou em dúvida se leio ou não hahahahaha SOS.


Beijos.

Ivi Campos disse...

Assisti um filme com este nome a muito tempo atrás e não sei se é o mesmo, embora a premissa seja parecidíssima. Gosto de livros que tragam derogas em sua abordagem porque nunca é demais refletir sobre este mal da sociedade. Quero ler.
MEU AMOR PELOS LIVROS
Beijos

Livros & Café disse...

Oi.

Não conhecia este livro ainda, nem conhecia este autor. Faz um bom tempo que não procuro por livros da Rocco para ler. O livro me pareceu ser bem interessante. Não sei se o leria por agora, mas vou anotar o nome para, quando tiver a chance, procurar por ele para ler.

Dayhara Martins disse...

Oi migo hahahah. Amo essa capa, me lembra remotamente Laranja mecânica, definitivamente temos gostos literários diferentes mas acho que esse é o tipo de leitura que eu daria uma chance.

Aninha Goulart disse...

Oiii,

Adorei a resenha e forma como demonstrou seu envolvimento com a leitura. Me pareceu ser realmente uma história que nos faz viver em um montanha russa de emoções no decorrer da leitura, e uma boa pedida pra quem curte leituras mais complexas. Infelizmente acho que não estou no momento pra este tipo de obra, mas vou deixar a dica anotada pra uma próxima oportunidade.

Beijinhos...
http://www.paraisoliterario.com/

Thiana Santana disse...

Oii,
Anotando essa dica pra já. Quero me arriscar em leituras mais cabeças e que me faça pensar mais. Então acho que esse livro entra nessa lista.
Talvez sinta um certo incomodo por não está acostumada e pelo que você deixou evidente na resenha, mas com certeza quero ler. Nem vi o filme então vou esperar até.

Bjs,
Garotas de Papel

Delmara Silva disse...

Oi,
acredito que não faço parte do público seleto que poderia vir a ler e amar esse livro. A premissa não me atrai e embora me julgue uma pessoa com estômago forte não me interessei em por a prova lendo essa história, apesar disso gostei da resenha e das informações nela disposta, não conhecia o livro e seu texto foi o primeiro sobre ele que li, então valeu pela oportunidade de poder conhecer essa obra, mesmo que esteja totalmente fora da minha zona.

Beijos!

Sabrina Finoti disse...

Oi!
Eu adoro quando os livros são assim, brutais, verdadeiros e que nos fazem entrar na pele dos personagens e sentir tudo que eles estão sentindo e passando.
Com certeza essa deve ser uma leitura incrível, por mais estômago e nervos de aço que você precise ter rsrs

Tamires Marins disse...

Interessante o fato do livro fazer críticas mesmo sem a intenção de fazê-las.
O enredo me pareceu muito pertinente, mas não senti aquela vontade de conferir, sabe?
Não sabia que tinha uma adaptação... vou procurar se tem o trailer para ver se de repente me interesso ao menos pelo filme.

Beijos

Isadora Gazote disse...

Nossa que livro! Eu lembrei muito do livro Christiane F, drogada aos 14 anos (mais ou menos isso haha) que também tem relatos com drogas. Acho livros assim super interessante porque nos tira da zona de conforto e nos faz entender como é ser um viciado em drogas. Adorei a indicação, não conhecia!

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