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RESENHA Para onde vão os suicidas?

15 de dezembro de 2017

Título:  Para onde vão os suicidas?
Autor (a): Felipe Saraiça
Editora: Pen Dragon
Nº de páginas: 192
Sinopse: "Era dezembro quando Angelina nasceu. Uma noite gélida, de ventos fortes e relâmpagos que iluminavam todo o quarto do hospital. Quase que em silêncio, ela foi retirada do ventre de sua mãe que, também em silêncio, não mais respirava. A enfermeira, tão jovem e sonhadora, não sabia como lidar com vida e morte lado a lado. Seu pai, de modo mecânico e robótico, a balançava, não conseguindo contemplá-la. Seus olhos não mudaram de direção nem mesmo quando a menina iniciou seu pranto. Lá fora, a chuva caía forte, embaçando os vidros das janelas, e pintando todo o céu de cinza. Ele não chorava, apenas embalava lentamente sua filha, num ritmo quase que fúnebre, enquanto perguntava a si mesmo se seria egoísmo preferir que a criança tivesse perdido a vida e não sua noiva."

Abordando um assunto polêmico e que muitas vezes é pouco falado, ou até mesmo romantizado, no livro Para onde vão os suicidas, o principal assunto será de fato o suicídio. Na obra o autor trata o ato de maneira um pouco mais leve do qual estamos acostumados, porém não menos importante e enfático. Aqui nós saberemos quais os porquês e como as pessoas chegam a ponto de desistir de tudo e acabarem cometendo o suicídio.

Angelina é nossa protagonista, que após um trauma de seu nascimento, ao perder a mãe logo quando nasce, isso acarreta muitas coisas, e uma delas é tirar a própria vida.
Quando Angelina comete seu suicídio, ela encontra a Deusa dos suicidas, e nesse momento ela ganha uma missão que é de salvar outros suicidas de cometerem o mesmo ato que ela. Então nesse momento ela está entre a vida e a morte, existe uma linha tênue que a separa das duas coisas, e de acordo com suas missões, ela vai viver ou morrer, o que já era seu desejo desde o início.

Para realizar as missões, Angelina recebe um livro com anotações de nome e endereço das pessoas pelas quais ela deve salvar, e só quem pode vê-la, já que sua forma é de espírito, é somente a pessoa a qual ela foi designada na missão. E esse dom da nossa protagonista permite que ela resgate as pessoas, correndo literalmente contra a morte. Pois se Angelina não conseguir trazer para as pessoas a vontade de viver, a morte se encarregará disso. Então é como se fosse uma corrida entre elas, sobre quem será salvo e quem será levado.

A história vai tomando forma porque a cada nova missão, um personagem diferente aparece no livro. Junto com ele vem características específicas, um pequeno histórico de fatores que explicam o que de fato levou a pessoa a querer cometer aquilo, e com cada personagem novo que surge, Angelina cria laços diferentes.


Um livro muito poético de certa forma e com vários pontos onde a gente para realmente para pensar na vida, nas nossas ações, mas principalmente no outro. Não é com essas palavras mas o autor nos fala algo como "Seja gentil sempre, você nunca sabe o que o outro está passando", e realmente é uma verdade muito nua e crua. Nem tudo aquilo que alguém deixa transparecer, é verdadeiro. Um sorriso pode esconder muita dor, muito sofrimento, e essa responsabilidade sobre o emocional do outro é muito bem passado nessa obra.

É um livro super rápido de ser lido, pois sua narrativa é bem fluida, e o fato dele ser curto também faz a leitura andar muito bem.
Gostaria de compartilhar muito mais coisas com vocês mas infelizmente iria perder um pouco a graça de quem pega o livro pela primeira vez e se joga de cabeça na história.

Super recomendo, é uma leitura gostosa e ao mesmo tempo pesada de se fazer, mas não menos importante.

3,5/5 <3 
Comentários
7 Comentários

7 comentários :

  1. Oiee ^^
    Acho que ainda não conhecia esse livro, mas fiquei imediatamente apaixonada por ele (e não só pela edição linda, juro!). Eu gosto bastante de livros que abordam temas como suicídio, mas, como você disse, muitos deles são romantizados, e isso me desagrada um pouquinho. Uma pena que o livro não tenha ganhado nota máxima, mas, ainda assim, quero lê-lo :)
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  2. Achei a capa muito bacana!
    O título é forte, condiz com a temática que também é intensa.
    A sinopse é muito poética e por isso acredito que o livro deve ter uma narração bem delicada.
    Gostei da sugestão!
    Beijos!

    Eliziane Dias

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  3. Essa capa é uma lindeza! Compraria o livro só por ela! Hahaha
    Eu não curto essa temática. Livros sobre suicídio definitivamente não me atraem. Muitos autores não têm capacidade de falar sobre esse assunto e acabam causando mais mal do que bem, as poucas experiências que tive lendo o tema foram bem ruins.
    Mas achei bacana esse lance dela lutar contra a morte e tal, pelo menos é diferente.

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  4. Oi, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas confesso que tenho um certo pé atrás com livros que falem sobre o suicídio. Concordo que é um tema importantíssimo e que deve ser discutido, porém, é preciso muito cuidado ao abordar o assunto para evitar generalizações e, pior ainda, gatilhos.
    Apesar de achar a proposta de trazer uma pessoa que cometeu suicídio tentando impedir que outras façam o mesmo, fiquei um pouco incomodada com essa questão de explicar os por quês que levam uma pessoa a cometer suicídio. Esse é um assunto extremamente complexo, no qual quase sempre é impossível apontar por quês.
    Apesar do livro trazer uma abordagem que parece ser poética e a intenção do autor parecer muito boa, fiquei um pouco receosa.
    Mas, de qualquer forma, fico feliz que você tenha gostado da leitura e que ela tenha te proporcionado uma mensagem bonita. Adorei sua resenha!
    Beijos!

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  5. Eu fiquei receosa com o lado poético da história,
    desde que o mundo é mundo o suicídio vem sendo demonizado, é muito fácil ouvirmos por ai que o ato é uma forma de condenação e que não há salvação para os que escolhem este caminho, isso religiosamente falando, é claro. Já a sociedade em sua maioria insiste em gritar a plenos pulmões que trata-se de um ato de covardia desistir da vida e coisas do tipo. Eu até achei interessante, a menina tentar evitar que outros cometam o mesmo que ela, porém transformar uma suicida em uma espécie de "guardiã da vida" não seria uma forma de romantizar o suicídio? Eu achei que sim, mas esta é só a minha opinião.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

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  6. Acho que hoje é um dos temas mais sérios da nossa sociedade jovem e ve-lo abordado em uma historia fantástica me deixou bem curiosa.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  7. Oi!
    Adoro livros que tocam em temáticas importantes assim e não deixam a leitura forte demais ou falsa.
    Pelo jeito esse livro é incrível e com esse toque de fantasia passa uma mensagem super importante para os leitores

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