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RESENHA Juntando os Pedaços

13 de janeiro de 2017



Preciso lembrar que Jennifer Niven é autora de Por lugares incríveis, um dos melhores livros de toda a minha existência? Pois bem, se você não conhece, tem resenha AQUI. Então, comecei a leitura com as expectativas acima da camada de ozônio, estava preparada para rir, chorar, me envolver e adivinha? Me vi em uma montanha russa de sentimentos, diferentes de tudo o que eu esperava.

Jack é o típico garoto popular, descolado, referência na escola, mas ele guarda um segredo, tem prosopagnosia, ou seja, ele não reconhece rostos, cada parte da nossa face é uma pequena peça de quebra cabeça para ele, e muitas vezes é complexo demais e Jack não é capaz de montar. Sua saída é guardar características das pessoas, seja o tipo de cabelo, uma pintinha, peso, estatura. E assim ele vai, escondendo sua doença por anos e pisando em ovos.

Libbs pode ser lembrada por apenas uma "premiação": A garota mais gorda dos Estados Unidos. Depois de chegar a quase 300 kg após a morte de sua mãe, ela precisou de um batalhão de profissionais para literalmente guinchá-la para fora de casa, o que foi extremamente vergonhoso, e desde então ela nunca mais voltou para a escola, emagreceu quase 100 kg, mas continua sendo uma adolescente gorda que foi manchete de jornal.




Cada um vive sua vidinha medíocre, seja Jack com seu problema em reconhecer rostos, ou Libbs com seu medo em ser aceita, até quando Libbs volta para a escola e alguns garotos criam uma brincadeira no minimo ridícula, o "Rodeio de gordas" onde basicamente você precisa montar em uma menina gorda e quem permanecer por mais tempo vence, Jack por algum motivo simpatiza com Libbs e não quer que ela seja humilhada por seus colegas, então ele resolve que vai montar nela para acabar com isso logo, e colocar uma carta em sua mochila. O que ele não contava é que iria ganhar um belo soco na boca, trabalho comunitário e muitas horas ao lado de Libbs, essa é a fórmula do romance.

Para prosseguir na resenha preciso ressaltar alguns pontos, esse livro é acima de tudo REPRESENTATIVO! Seja por Jack, um garoto com uma doença que afeta uma parcela grande da população, negro, ou por Libbs, uma menina gorda, com transtorno de ansiedade e com uma autoconfiança capaz de contagiar você em minutos, esse livro é sobre se envolver, cuidar do outro antes de cuidar de si, e aprender a lidar com as diferenças.

Ninguém sabe o que Libbs passa na pele, ninguém consegue imaginar o porque de Jack vez ou outra trocar os nomes de seus colegas, então quando os dois se aproximam e decidem juntos romper a barreira do preconceito e se entender, tudo passa a ser mais profundo, nada raso. E é claro que um sentimento maior começa a crescer no peito dos dois. Sabe por que?




Libbs é a única pessoa que Jack consegue ver o rosto de fato, é surreal para alguém que passou a vida juntando os pedaços para se encontrar. E bom, Jack vê Libbs como uma garota linda, delicada, e muito diferente do que julgam. Entre idas ao médico, piadas maldosas sobre peso, vamos acompanhando como esse romance evolui de forma doce e singela, um encostar de mãos, um abraço, uma palavra amiga, tudo vai sutilmente crescendo de maneira espontânea, e quando você nota, já quer ser o padrinho do casamento, juro!

Diferente de Por lugares incríveis, eu não chorei, não terminei a leitura triste e nem me descobri com problemas psicológicos, dessa vez a coisa foi diferente, eu aprendi que nós somos capazes de lidar sim com nossas maiores inseguranças, que todos merecemos felicidade, e que o amor vence tudo. 

Titulo: Juntando os Pedaços
Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Nº de Páginas: 392
Sinopse: "Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito."

RESENHA Redoma de Vidro

11 de janeiro de 2017



Acho que não houve maneira melhor de finalizar as leituras de 2016, definitivamente Redoma de vidro se tornou um dos livros da minha vida, onde autora e obra se unem nesse emaranhado de sentimentos e situações e quando dei por mim, também estava imersa, de todas as maneiras possíveis.



O livro conta a vida de Esther Greenwood, uma jovem muito aplicada aos estudos, que sempre teve boas notas e nunca deu problema aos seus pais. Com uma inteligência notável, ela ganha uma vaga de estágio em uma reconhecida revista feminina, isso é claro, deveria ser motivo para felicidade, mas com Esther a coisa não funciona assim...

Para que possamos entender o livro, é preciso saber que a obra tem cunho autobiográfico, Sylvia se matou pouco depois da publicação e é visível como a personagem tem tanto da autora, desde sentimentos até a maneira de agir.

Ao terminar o estágio a garota volta para a sua pequena cidadezinha e é onde a coisa de fato começa a desandar, em todos os sentidos possíveis, a todo o momento ela pensa em suicídio, maneiras de morrer, motivos para não viver, essa infelicidade é sufocadora em alguns momentos, e reconfortante em outros. Ao voltar para seu lar é onde Esther tem o seu primeiro surto e logo em seguida é internada em uma clínica para tratamento psiquiátrico, a partir daí, a vida toda da personagem vai ter sempre o mesmo fundo, hospitais psiquiátricos. Ver a realidade desses pacientes através dos olhos da jovem é como se estivéssemos presos naquilo tudo, seja para levar os dolorosos tratamentos de choque, ou para concluir que nós somos a nossa própria prisão.

Se você sofre de problemas psicológicos, recomendo que não o leia, ou que esteja bem o suficiente para encarar os obstáculos juntos com a personagem, eu vi a minha vida nas mãos de Esther em muitos momentos, senti que ela era uma amiga que entendia completamente porque eu não tinha amigos, porque era indiferente com as coisas que aconteciam ao meu redor, e porque o sofrimento interno me afogava tantas vezes. Foram pouquíssimas as situações em que me apaixonei por um autor após ler apenas UMA de suas obras, mas foi isso que aconteceu em Redoma de Vidro, o livro é atual, lembro-me de como me assustei ao ler o primeiro capítulo e pensar "Caramba, parece que isso foi escrito ontem" de tão cativante que é a escrita de Sylvia. Me lembro também do pesar que sentir, ao ver que eu me identificava com uma personagem problemática, e que convenhamos, ninguém quer estar na pele de uma suicida. 

Esse livro fala sobre quão graves doenças psicológicas podem ser, como se tornam pequenos monstrinhos dentro de nossa mente e que nem mesmo seres geniais como Sylvia Plath foram capazes de vencer seus próprios demônios.



Titulo: Redoma de Vidro
Autora: Sylvia Plath
Editora: Biblioteca Azul
N° de Páginas: 272
Sinopse: "Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica. Lançado semanas antes da morte da poeta, o livro é repleto de referências autobiográficas. A narrativa é inspirada nos acontecimentos do verão de 1952, quando Sylvia Plath tentou o suicídio e foi internada em uma clínica psiquiátrica. A obra foi publicada na Inglaterra sob o pseudônimo Victoria Lucas, para preservar as pessoas que inspiraram seus personagens. Sutilmente, a autora apresenta ao leitor o ponto de vista de quem vivencia o colapso. Esther tem uma visão muito crítica, às vezes ácida, da sociedade e de si mesma, mas aos poucos a indiferença se instaura, distanciando a moça do mundo à sua volta. Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia."
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