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RESENHA Menino de Ouro

16 de abril de 2017


Terminei Menino de Ouro nesse exato minuto e ainda não sei dizer o que estou sentindo, um nó enorme em meu peito, coloquei a empatia em prática e me vi no lugar do protagonista, sinceramente, eu não teria sido tão forte, não depois de tudo que ele passou.

Max é um garoto lindo, loiro de belos olhos azuis, inteligente e o garoto amável que qualquer mãe sonhou, isso é fantástico, levando em conta que é tudo que seu pai precisa... Steve está concorrendo a um cargo político, e quanto menos problemas, melhor, mas existe um segredo... E esse segredo machuca a todos, mas ninguém sentiu mais do que Max.

Max é intersexual, para você, no sentido bruto da coisa, ele é um hermafrodita,  e tem mais... Ele é um caso raro, um hermafrodita verdadeiro, ambos os sexos, e ainda tem ovários... Ninguém além de seus pais e ele sabem disso, fora Hunter...

Hunter é amigo de infância de Max, um belo dia foi buscar seus pais na casa do amigo e por estar bêbado ou algo assim, estupra Max (isso não justifica), ele diz coisas horríveis ao garoto, usa a sua condição biológica como piada pejorativa, e aí temos o enredo inicial, um garoto intersexual, grávido (é) por conta de um abusador.

Imediatamente Max vai em busca de ajuda médica local, ir até Londres encontrar seus especialistas iria demorar demais, então encontra doutora Verma e se abre com ela, diz sobre o estupro, que não quer que os outros saibam e pede uma pílula do dia seguinte. Mas a pílula não funciona e sua vida se torna um caos...

Nada do que eu disse é spoiler, esses acontecimentos surgem logo nas primeiras páginas e é tudo muito cru e assustador, o livro é narrado do ponto de vista de quase todos os personagens, então muitas vezes me vi aflita ao me sentir dentro da cabeça de Max, ele tenta não surtar estudando na mesma escola que seu abusador, tenta não surtar porque aos 16 já deveria ter aspecto de um homenzinho, mas nem barba ele tem, ele tenta não surtar por ser quem é, porque aos olhos da mãe, ele não é normal.

Esse livro aborda tantos temas, que me sinto confusa ao resenha-lo, nunca li nada sobre intersexualidade e ele aborda de uma maneira muito clara, esclarecendo muitas dúvidas, fala sobre uma família que preza as aparências, mas aos poucos desmorona, a apatia de alguns médicos, o quanto um abuso pode nos destruir, como o amor pode nos reconstruir, e como as nossas escolhas são somente nossas, ninguém tem o direito de fazer isso por nós, NUNCA! Algo muito importante e que deve ser mencionado é que desde o nascimento de Max, seus pais não queriam escolher por ele o seu gênero, queriam que Max fosse livre para escolher o seu sexo e assim fazer a retirada do outro órgão genital, e Max lida bem com isso, ele se entende como menino, mas não vê problema em ser quem ele é, pra ele tudo bem, o que assusta é como as pessoas vão o encarar depois disso, como se ele fosse uma aberração? Não... Intersexualidade é um assunto que precisa ser tratado! Me senti de mãos atadas durante a leitura, eu queria gritar para todos “Foi o Hunter, pega ele”, mas Max se sentia encurralado, se ele contasse, Hunter iria falar sobre sua condição sexual, isso é perverso demais.

Outro ponto importante são dois personagens que me cativaram! Daniel, o irmão de Max, um garotinho fofo, ruivinho e com cara de bravo, mas com uma inteligência capaz de salvar a família toda, em diversos momentos, e Sylvie, a garota por quem Max se apaixona e que tem uma mente tão aberta e compreensiva... São só amores.


Demorei muito pra ler Menino de Ouro, estava em minha prateleira a quase um ano, mas com toda a certeza valeu a pena.


Título: Menino de Ouro
Autora: Abigail Tarttelin
Editora: Globo Livros
Nº de Páginas: 384
Sinopse: "A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo. Ele é diferente, especial. Max é intersexual: nasceu com os dois conjuntos de cromossomos, XX e XY e, portanto, é menino e menina. Ou nenhum dos dois. É a partir do olhar de cada pessoa que orbita a vida de Max que a autora Abigail Tarttelin compõe a sua narrativa em Menino de Ouro. Cada uma das personagens esboça seu dia a dia, suas inseguranças e conquistas, e, principalmente, seu relacionamento com Max. Apesar da dimensão de seu segredo, Max parece à vontade com sua vida. Seus questionamentos sobre sexo, relacionamentos e até sobre rejeição são tantos quanto um adolescente de 15 anos poderia ter. O cenário muda drasticamente quando Hunter, seu melhor amigo desde a infância, volta do passado e abusa de sua confiança da pior maneira que poderia. Max se vê forçado a explorar seu segredo radicalmente e percebe que muito mais foi escondido desde o seu nascimento. Por que sua família nunca conversou sobre suas opções? Quais eram elas? Como seria seu futuro? Como os outros lidariam com ele agora: seus amigos, seus parentes... Sua namorada? Quem é Max, realmente? No romance, Abigail Tarttelin trata de forma sensível, mas direta, as questões da identidade e do que consideramos "ser normal". A autora traz à tona questionamentos sobre até que ponto o gênero sexual define uma pessoa e suas relações, por dentro e por fora."
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