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RESENHA O Estranho

29 de outubro de 2017



Fazia um bom tempo que eu não lia romance erótico, e sinceramente, depois de tantas leituras densas acho que vale a pena pra dar uma balanceada, é incrível como a leitura mexe com nosso emocional e uma história triste pode nos deixar pra baixo por dias. Pois bem, solicitei O estranho sem ter ideia do calhamaço que me aguardava, são quase 600 páginas e quando vi, imaginei que não daria conta de tanto romance erótico de uma vez só, mas foi um doce engano, li em dois dias, simplesmente não conseguia deixar de lado, Gwen não conquistou somente Hawk,no final da leitura eu queria ser sua vizinha, morar ao seu lado para que púdessemos compartilhar drinks, leituras e os amigos de seu amado, haha.

Gwen é uma mulher muito bem resolvida, uma bela noite decidiu sair para colocar em uso um dos seus maravilhosos vestidos e graças a isso voltou acompanhada para casa com um cara misterioso e lindo que voltou a aparecer com certa frequência, tudo muito simples. Durante a noite ele surgia em sua cama, eles transavam e ele ia embora, nada de papo, nada de nomes, quando li isso achei a coisa mais estranha do mundo, meus instintos feministas gritavam e soavam alarmes por todo lado, mas me mantive firme e tentei encarar a leitura de maneira leve. Pois bem, Ginger, a irmã de Gwen, se mete com gente da pesada, devendo literalmente MILHÕES para algumas más companhias, resta a ela salvar sua irmã problemática, sem medo de com quem está lidando, indo até a toca dos leões quando seu instinto grita para que ela corra. E quando um atentado acontece, quem está lá para salvá-la? O homem de suas noites, ele entra em sua vida com estilo, da melhor forma possível. Hawk é líder de um grupo especial da polícia, ele é durão, trabalha com resgate e tem uma equipe de homens ao seu dispor, e que homens... Gwen está na mira dos traficantes, motoqueiros e todo tipo de pessoa que você pode imaginar, sua irmã deve muito a eles, sabe demais e ela é quem está na mira deles enquanto Ginger está desaparecida. 

Durante todo esse tempo em que Gwen e o estranho mantinham um relacionamento ela não sabia absolutamente nada sobre ele, nunca o viu durante o dia, não sabia seu nome nem o que fazia, já ele... O cara é um controlador surreal, sabia absolutamente tudo o que Gwen fazia, até mesmo quantas colheres de açúcar colocava no café, isso me incomodou um bocado, é como se ela fosse a posse dele esse tempo todo sem ter ideia! Hawk chega pra ficar, ele decide que irá proteger Gwen disso tudo e se for necessário montar uma base policial na cozinha da garota, ele irá fazer isso.

Eu sinceramente imaginei que o livro fosse um romance erótico chato e o tamanho da obra me assustou um bocado, quando comecei a ler meus medos desapareceram porque Gwen foge daquele clichê de mulher submissa desses romances, ela não consegue segurar sua língua, reconhece a beleza dos homens que a cercam e o melhor de tudo, ela é engraçada, eu nunca ri tanto em um romance erótico, a autora soube como ninguém tornar esse tema mais leve, eu juro a vocês, O estranho está no meu top 3 de romances eróticos preferidos, a construção da protagonista foi perfeita, além de maravilhosa ela é trabalhadora, não aceita ordens e coloca a família em primeiro plano. Hawk é um cara misterioso e o fato de ser controlador me deixou muito incomodada, muitas vezes eu gostaria de gritar com ele, mas Gwen o colocou em seu devido lugar muitas vezes e eu vibrei com isso. A história foi muito bem construída, apesar de ser um exemplar enorme, tudo começou e terminou muito bem, a autora soube muito bem amarrar os fatos e não deixar nenhuma pontinha solta, não há nada melhor que isso! 

A leitura foi tão prazerosa que fiz questão de solicitar outro volume da série. "O homem dos meus sonhos" e espero que chegue aos pés do que a primeira experiência com a autora foi para mim, já me darei por satisfeita. Como sempre a Editora Rocco soube como me conquistar. 
"- Ginger é um pé no meu saco. Um pé no meu saco desde o dia em que ela cortou todo o cabelo das minhas Barbies. Ginger tinha três anos. Eu já estava velha demais para brincar de Barbie, mas elas eram minhas. Será que ela não podia deixá-las em paz? Por que teve que cortar o cabelo delas?" 

Título: O Estranho
Autora: Kristen Ashley
Editora: Fábrica231 ( Editora Rocco)
Nº de Páginas: 576
Sinopse: "Primeiro da série bestseller O Homem dos Meus Sonhos, da norte-americana Kristen Ashley, que chega ao Brasil pela coleção erótica Violeta, "O Estranho" conta a história de Gwen Kidd, uma mulher bonita, atraente e determinada, que se entrega a um relacionamento peculiar com um perfeito sedutor que aparece todas as noites em sua cama, envolvendo-a num excitante jogo de sensações, e a deixa sem que ela perceba, antes do amanhecer, sem que ela saiba ao menos o seu nome. Mas quando Gwen precisa ajudar a irmã, que se envolveu com uma gangue da pesada, e as duas passam a correr perigo, o lado protetor de seu amante misterioso vem à tona. Será que aquele louco relacionamento pode se revelar algo bem mais complexo?"

*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA O Ódio Que Você Semeia



Essa com toda a certeza é a resenha mais feliz que faço no blog, nunca me senti tão representada, nunca vi meus ideais tão bem colocados por alguém que não faz ideia da minha existência. Creio que pela primeira vez eu realmente me vi como protagonista de uma história, longe de qualquer estereótipo babaca sobre pessoas negras. Angie conseguiu dar um tapa na cara do leitor com luvas, meu coração chorou, levou tiros, riu e se permitiu amar, definitivamente já temos o melhor livro de 2017 e que graças ao Deus Negro (piada interna pra quem leu) vai virar filme!


Starr é uma garota negra que desde muito cedo teve uma criação diferente de crianças brancas, você precisa entender que quando você é negro, a conversa mais séria que seus pais vão ter com você envolve um papo relacionado à polícia, quando você é negro aprende a conter sua fúria, não fazer movimentos bruscos, só responder o que perguntarem, ser extremamente educado e nunca discordar, quando a polícia abordar você. Quem é de fora e não faz ideia dessa vivência, pode achar exagerado, mas infelizmente é a nossa realidade. Eu sou uma garota negra, estudante universitária, sou tranquila e adivinha só? Todas as vezes que vou ao mercado sou seguida pelo segurança, é como se a minha cor já fosse um carimbo de má índole, é ridículo e racista, por mais velado que seja.

Pois bem, Starr desde cedo aprendeu a se comportar de uma certa maneira para não virar estatística no índice de genocídio da população negra, ela de certa forma é privilegiada, estuda em um colégio particular muito bem conceituado, mas vive no gueto, graças a isso ela criou um escudo. No gueto ela é a garota negra que sempre foi, filha de um homem respeitado e que ninguém se atreve a entrar no caminho, na escola Starr é uma garota que procura se conter o máximo possível, ela tenta não alterar sua voz, ser sempre simpática e nunca contestar as amigas, ela faz de tudo para que as pessoas não façam aquela velha ligação idiota de que se você é negro, vai ser bravo, briguento e coisas do tipo, é como se ela tivesse uma personalidade para cada local que ocupa, isso soa preocupante, ela não pode ser quem gostaria, está sempre se policiando.

Tudo vai bem, Starr segue se sentindo um pouco deslocada em seu bairro por nunca andar com o pessoal de lá, até que um dia resolve ir em uma festa e encontra seu amigo de infância, Khalil, ele mudou bastante, ela sabe que há algo de errado, que Khal deve estar andando com gente da pesada, enquanto vão embora a polícia para o carro de Khal e durante esse episódio ele é morto, Starr vê tudinho, um de seus melhores amigos morre na sua frente e isso não é a primeira vez. Não se assuste, não tem nada de spoiler aqui, esse é o pano de fundo para que a história comece a acontecer, Khalil morre na frente de Starr e por um momento parece que ela revive a infância, onde sua amiga também foi morta por uma bala, acontece que as coisas mudaram, quando mais nova Starr foi colocada em uma redoma onde todos protegiam a ela para que não tivesse ligação alguma com o ocorrido, uma testemunha silenciosa, agora as coisas são diferentes. A polícia tenta colocar Khalil como um traficante que tentou reagir, Starr sabe que a situação não foi essa mas para que os outros saibam ela precisa falar, ir contra tudo, policiais, imprensa, traficantes, para que sua voz seja ouvida ela precisa reconhecer essa luta como sua, enfrentar seus medos, deixar que seus dois mundos venham a se colidir e que assim a justiça seja feita.


Esse livro tem tantos pontos positivos que não sei nem por onde começar, é muita coisa! Primeiro, Starr é uma garota real, com medos reais, questionamentos que condizem com uma garota da sua idade, nada de fantasioso. Seus pais... Meu Deus, eu AMO o pai da Starr de todo o meu coração! Ele foi um homem perigoso no passado, negócios de família, passou anos preso e se redimiu, hoje faz o máximo para cuidar de seus filhos e protegê-los desse mundo violento, imaginem um homem enorme, do tamanho de um urso, todo tatuado, agora imaginem esse homem sendo a pessoa mais fofa e centrada do mundo, esse é o pai da Starr, eu sinceramente gostaria de tatuar todos os diálogos dele em mim, é simplesmente maravilhoso! Além disso ele levanta alguns questionamentos importantes, como relacionamento afrocetrado, caso você não saiba, são quando duas pessoas negras namoram, pra ele isso é importante, namorar alguém que passa pela mesma vivência que você te ajuda a crescer e resistir, e adivinha só? O namorado de sua filha é um garoto branco... Chega a ser fofo o ciúmes que ele sente. Já a mãe de Starr é.... É uma boa mãe, mas é meio apagada, creio que seja a única critica que tenho em relação ao livro, o pai dela ocupou um papel tão grande e importante na história, que a mãe acabou em segundo plano, os irmãos, cada qual com sua personalidade, mostram como essa família foi bem estruturada apesar de todas as adversidades. Chris é um garoto fofo, namorado de Starr, branco, rico e mesmo sendo o oposto do que a garota vive, ele consegue se colocar no lugar dela, empatia meus caros, Chris é o mister empatia! E é isso, a trama gira em torno desse pedido de justiça por Khalil, é surreal ver como a comunidade em que a família vive resolve reagir em relação a isso, a autora colocou os confrontos de maneira tão verdadeira que eu literalmente me senti em uma dessas brigas dos Panteras Negras, o cenário foi extremamente bem construído, eu arfava nas últimas páginas.

O livro como um todo foi tão perfeitamente escrito que eu não sei como dar meu veredito final sobre a obra sem soltar alguns gritinhos, a obra tem a dose certa de crítica, o plot veio hora certa e as últimas páginas são de arrancar os cabelos, você literalmente tá surtando! O amadurecimento de Starr é notável, ela se torna uma garota negra firme, direta, sem medo de ser quem é, onde quer que esteja, quando você termina a obra entende que ela se tornou uma mulher forte e que vai lutar pelos direitos de seus iguais. Eu me vi muito nessa leitura, lembrei de quando era mais nova e muitas vezes achava que não deveria fazer nada em situações de racismo, precisei passar por algumas coisas para entender que eu era como qualquer outra pessoa e a sociedade deveria aceitar isso, nem que fosse na base do grito.

O ódio que você semeia é isso, uma protagonista negra NORMAL, nada de estereótipo de empregada, melhor amiga da protagonista, nada disso, Starr é dona da sua história. Angie Thomas me fez querer semear amor depois disso tudo.





Título: O Ódio Que Você Semeia
Autora: Angie Thomas
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 378
Sinopse: "Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.Não faça movimentos bruscos.Deixe sempre as mãos à mostra.Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente.Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda sim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar."

*Exemplar cedido em parceria com a editora.
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