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RESENHA Bela Gratidão

25 de novembro de 2017


Um minuto de silêncio pra essa capa que definitivamente é a mais fofa da minha estante, ela é tão delicada e doce que chega a doer! Porque sem dúvidas consegue resumir bem como é essa história. Corey é uma das minhas autoras favoritas, ela escreveu Uma história de amor e TOC que você pode conferir a resenha AQUI, se ela me conquistou falando sobre transtornos psicológicos... Quando o assunto foi drama familiar, compulsão estética e relacionamentos... Eu ganhei um bela tapa na cara que foi suficiente para me acordar.

Eu prefiro não parafrasear a sinopse do livro aqui, nessa resenha gostaria de fazer algo diferente, contar a confusão de sentimentos que esse livro me proporcionou, e como a personagem principal é frágil e real.

Montana é a filha mais nova de um homem que é cirurgião plástico, ela e sua irmã Arizona foram abandonadas por sua mãe quando pequenas, quem cuidou de sua criação foi seu pai, acontece que Arizona é um pouco mais velha e então já está no período da faculdade, foi embora de casa, o que era antes "Montana e Arizona contra o mundo e as madrastas" hoje é só "Montana sozinha", ela sem dúvidas sente falta da irmã e vê com olhos tristes como Arizona mudou, o que mais assusta-a é saber que sua irmã colocou silicone, uma promessa completamente quebrada! Por mais estranho que isso soe, é preciso entender que o pai das garotas é um cirurgião completamente obcecado por perfeição, ele é o tipo de médico que rabisca moldes de cirurgias em qualquer local, redesenha as modelos de capas de revistas e pra minha surpresa... No aniversário das garotas ele deu uma espécie de vale cirurgia, para que quando elas se tornassem maiores de idade, fizessem a cirurgia plástica que bem entendessem... Isso é doloroso demais, com isso Montana absorve que é imperfeita aos olhos de seu pai e nunca vai ser boa o suficiente. Como se não bastasse ele tem um histórico de casamentos fracassados que chega a dar medo, infelizmente as irmãs já estão acostumadas com madrastas entrando e saindo de suas vidas o tempo todo, é triste.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar, a nova madrasta é alguém que Montana JAMAIS irá aceitar, seu pai se relacionar com ela é um golpe tremendamente baixo, não revelarei nomes pra não dar spoiler, mas a madrasta em questão é um eixo principal na história toda e ela não me agrada, quem lê a obra e acompanha a situação de fora consegue perceber o quanto ela é falsa, dissimulada, espaçosa e tremendamente tóxica para a família, mas ainda assim o casamento vai acontecer.

Acho a intenção de Corey é mostrar como essas relações impensadas podem interferir terceiras pessoas, o fato do pai obcecado se relacionar com tantas mulheres criou traumas que nunca vão cicatrizar nas garotas, sem contar que ter alguém em sua casa que tenta impor o padrão da estética perfeita é algo ruim demais quando se trata de adolescentes.

Montana é frágil, totalmente manipulável, posso contar nos dedos quantas vezes ela decidiu algo por vontade própria, o tempo todo as pessoas influenciam suas decisões e ela parece ser o tipo de pessoa que se sujeita a qualquer coisa para não criar um conflito, graças a isso muitas vezes ela se machuca. Já Arizona... É uma irmã que tinha tudo para ser uma irmã fofa e adulta, mas no máximo é amarga. Bernardo é um dos poucos pontos felizes na história, ele é completamente apaixonado por Montana e é capaz de fazer qualquer coisa por ela, como por exemplo pintar o cabelo de rosa ou fazer uma tatuagem, ele tem um ar todo poético e é muito fofo observar ele pelos olhos de Montana, ela tem um amor doce e sincero pelo rapaz.

Corey soube conduzir a história com maestria, não é uma trama cheia de pontos altos nem nada, é a história sobre a reconstrução de uma família e como se esforçam para juntar as migalhas, como as pessoas são facilmente substituídas e como essa ideia de corpos perfeitos é capaz de adoecer as pessoas. A única coisa que eu ressaltaria é como o final deixou algumas pontas soltas, faltaram algumas respostas, mas que ainda assim essa maneira de finalizar foi importante pra me fazer refletir.
“Eu sou um território. Eu sou uma coisa na qual as pessoas colocam bandeiras. Querem declarar que pertenço a elas. Isso é uma coisa totalmente nova. Eu estou acostumada a ser uma coisa abandonada. Uma meia esquecida ou um brinquedo que já não se que mais, uma lembrança vaga e simbólica de uma época da sua vida. Eu sou Montana que assistiu à mudança de Tess ou a Montana que recebe um cartão por ano da mãe ou a Montana cuja a irmã se diverte mais sem ela.”

Título: Bela Gratidão
Autora: Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 432
Sinopse: "Um romance sobre amadurecimento e a dureza de crescer em uma cultura que exige das mulheres nada menos que a perfeição. Corey Ann Haydu explora as complexidades da família, os limites do amor e quão duro é crescer em uma cultura que premia a beleza acima de qualquer outra coisa e cobra das mulheres nada menos que a perfeição. Uma leitura atual que dialoga direta e honestamente com a multiplicidade de questões enfrentadas por adolescentes e jovens no mundo todo – a confusão do primeiro amor, os dramas familiares e a construção da própria identidade no meio de toda essa loucura. O livro está cheio de personagens realistas, que tropeçam nos próprios medos e cometem erros com alguns dos quais é impossível não se identificar. Montana e sua irmã Arizona têm um pacto desde que a mãe as deixou: São elas duas contra todo o mundo. Com o pai sempre imerso em relacionamentos tóxicos e uma sucessão de madrastas essa foi a maneira que encontraram de seguir em frente. Mas agora que Arizona foi para a faculdade Montana se sente deixada pra trás e perdida, mergulhando em uma amizade vertiginosa e empolgante com a ousada Karissa. No meio disso tudo, Montana encontra uma distração em Bernardo. Resta saber se Montana têm a confiança necessária no que sentem um pelo outro para encaixar Bernardo na sua vida imperfeita."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Os 12 Signos de Valentina

24 de novembro de 2017


O que mais amo na Editora Record é como seus romances são doces e muitas vezes engraçados, tenho impressão que a coisa com eles funciona da seguinte forma: Ou o romance vai te deixar de ressaca literária ou ele vai te livrar dela.

Passei um tempão sem conseguir me concentrar na leitura por ter finalizado O ódio que você semeia, tinha a impressão que já havia encontrado o melhor livro do ano e nenhuma outra leitura valeria a pena. Sei quão errado é isso mas indiretamente eu estava me sabotando, não conseguia ler mais nada devido a esse pensamento. Decidi optar pela primeira experiência com Ray Tavares e ver o que aconteceria a seguir, me senti renovada, feliz e muito mais solta, a escrita da autora me salvou e me soltou maravilhosas gargalhadas!

Isadora é o estereótipo de seu mapa astral, ariana fervorosa e impulsiva, ela descobriu de maneira horrenda que seu namorado a traia, e pra ajudar... Com uma de suas melhores amigas, tudo isso é muito surreal e distante da vida que ela vivia até então, Isa levava a vida dos sonhos, tinha um namorado incrível e sua família, apesar dos pais separados tem um esquema muito bacana e estão sempre presentes. Com a traição a garota entra em um poço sem fundo de depressão, inicialmente o livro é um mar de lamurias, a garota tem absoluta certeza que perdeu o homem de sua vida, que o príncipe encantado de fato não existe e que seu papel na terra, após aquela traição é ficar fazendo playlists tristes no Spotify. Após um porre e muita vergonha, no banheiro da balada uma senhora resolve falar sobre seu mapa astral e como ela e seu namorado (agora ex) estavam destinados a não darem certo, seus signos não combinavam de maneira alguma! Isso martelou em sua cabeça por alguns dias e Isa decidiu esquecer, mas um trabalho da faculdade resolve trazer tudo a tona...

Isadora precisa fazer um trabalho importante na sua faculdade de jornalismo, a intenção é criar um projeto sobre qualquer assunto e tentar torná-lo um sucesso, tudo no anonimato, a única pessoa que irá saber a identidade dos criadores dos projetos é o professor orientador, Isa decide fazer uma viagem por todos os signos do Zodíaco, ela resolve sair com um homem de cada signo e contar suas experiências com cada um deles.
"Eu odiava tequila. Eu odiava tequila mais do que odiava a bancada evangélica no Congresso. Eu odiava tequila mais do que odiava entrar no chuveiro e perceber que havia esquecido a toalha. Eu odiava tequila mais do que ouvir a minha voz no áudio do Whatsapp."
Bom, esse é o pano de fundo da história e preciso dizer a vocês como foi engraçado acompanhar Isadora nessa jornada de sucesso! Inicialmente o livro me parecia uma completa fossa, eu estava com preguiça de tanta falta de amor próprio, Isa passou os primeiros capítulos sofrendo demais e minha vontade era dar um basta nisso tudo, sua prima fez isso por mim, aliás, ela é uma das melhores personagens da obra! Uma garota super pra frente, presente e que apoia a prima o máximo que pode e resolve levá-la para cair de beber em uma noitada, que amiga! Após o encontro com a faxineira que lhe diz sobre as imperfeições da combinação astral entre Isa e seu ex, esse assunto permeia sua cabeça um bom tempo até o trabalho que vem a calhar e ela resolve testar essa teoria na prática.

Eu adorei a jogada da autora, Isa sair com um homem de cada signo foi uma ideia genial, principalmente para a reconstrução da auto estima da personagem, a postura "profissional" que ela adotou tornou-a quase uma deusa, os homens ficavam apaixonados por ela depois dos encontros, chegava a ser engraçado! É claro que no meio disso tudo o romance não poderia faltar, claro. Isadora conhece um garoto incrível, mas ela tem um projeto em execução e não pode deixar de experimentar um único signo!


O livro como um todo é muito bom, eu me diverti do início ao fim, a autora tem uma maneira muito leve de escrever e me senti conversando uma amiga super alto astral! Eu adorei todas as alfinetadas presentes no livro, ela criticando Bolsonaro, a bancada evangélica e tantos outros temas, mas algumas vezes isso me incomodou, creio que tudo tenha dose certa e em algumas vezes Ray Tavares forçava tanto para ser engraçada que ficava chato, mas isso foi totalmente relevante e o enredo compensou! Eu fiquei tão perdida em sentimentos com essa leitura... No início queria dar um uma bofetada em Isadora para que ela acordasse para a vida e parasse de sofrer, depois queria ser ela, e passear por cada um dos signos do zodíaco, logo em seguida queria gritar para que ela não deixasse o homem de sua vida ir embora por conta de um projeto e no fim... Eu não dormi porque queria desvendar o maldito mistério da trama.

Ray Tavares foi muito sábia na construção da história e cenário, tudo é muito bem ambientado, as situações são bastante engraçadas e é possível ver como a personagem evolui e encontra o amor próprio durante essa jornada, e o melhor de tudo, sabe aquela frase "os humilhados serão exaltados"? Pois bem, a vez da Isa chega no melhor estilo!

O título do livro é Os 12 signos de Valentina porque Valentina é o nome que Isadora adotou como pseudônimo no seu projeto, que por sinal se torna um sucesso.

"Isso não é verdade, nós precisamos desesperadamente parar de espalhar essa "sabedoria antiga" por aí. Quero dizer, as pessoas devem se permitir sentir, sofrer e superar..."

Título: Os 12 Signos de Valentina
Autora: Ray Tavares
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 392
Sinopse: "Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano... Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências. Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?"

*Exemplar cedido em parceria com a editora.
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