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RESENHA Vulgo Grace

4 de dezembro de 2017


Depois de assistir The Handmaid's Tale eu decidi que iria mergulhar no mundo de Margaret Atwood e solicitei o máximo de obras possíveis da autora com a editora Rocco(obrigada Rocco, por publicar essa mulher!) e foi assim, só por ter gostado da série e das críticas que ela fazia eu decidi que amaria essa mulher e a sua escrita, após a primeira leitura continuo com o mesmo sentimento, Margaret é uma senhorinha doce mas que sabe como ninguém como alfinetar a sociedade.

Grace se encontra presa, após ser acusada de um crime que aconteceu quando ela tinha 16 anos, ela foi condenada, juntamente com seu parceiro de crime, mas diferentemente dele, ela se livrou da forca, acontece que o seu destino não foi muito melhor que o dele, Grace ficou confinada em prisões, manicômios, virou uma espécie de atração de circo para todos, se tornou caso para estudo e é aí que Dr. Jordan entra na história.

Dr. Simon Jordan é um médico da mente humana, diferente de muitas outras experiências negativas e até mesmo violentas, ele tenta entender a mente de Grace através de entrevistas, fazendo alusões com alguns alimentos e até mesmo buscando justificativas na infância da garota. Jordan é doce, compreensivo e um grande questionar de todo o caso.


Vale lembrar que Grace é condenada pelo assassinato de seu patrão sr. Kinnear e sua companheira de trabalho Nancy, ela é vista como uma cúmplice de Thomas, o empregado que de fato matou os dois.

Tudo isso é um terreno de incertezas, a única pessoa viva para contar sobre a situação é Grace e não sabemos se podemos confiar nela ou não, obviamente ela se diz inocente, e em cada entrevista Dr. Jordan tenta descobrir se esse fato é real ou não. O livro se inicia com o médico indo visitar Grace, propondo o novo método e desse modo, a cada encontro dos dois, Grace faz uma retrospectiva de sua vida até o dia do trágico acontecimento, a grande questão aqui é acompanhar como Grace teve uma vida bastante sofrida e nos questionar se devemos confiar em sua inocência ou não.

Eu fiquei simplesmente apaixonada pela escrita da autora! A pesquisa de campo foi muito bem feita e a história é muito bem ambientada, o cenário é repleto de complementos que contribuem para o entendimento de como a sociedade naquela época funcionava. De início a minha única intenção era saber se Grace Marks tinha culpa nos assassinatos ou não, mas depois percebi quão rico esse livro é e fiquei apaixonada pela construção do personagem! Apesar da época bastante conservadora, Grace tem ideias bastante rebeldes para aquele período, como no caso do aborto, mulheres precisarem trabalhar em casa e coisas do tipo, acho que o mais me tocou foi a questão do aborto, a frase "é melhor escolher uma vida do que duas, ela iria se matar" ficou ecoando na minha cabeça por um bom tempo, a seu modo, as mulheres daquela época tinham sim pensamentos feministas.


A leitura fluiu muito bem, a única coisa que me incomodou um pouquinho foi rumo final que o livro tomou, uma sessão de hipnose sem nexo algum deu um toque de fantasia na história e colocou um questionamento sobre uma possível possessão, isso me deixou confusa, mas o final da história me agradou bastante, a autora soube como caminhar para esse fim, não foi nada surpreendente mas foi muito coerente com a história e isso me agradou demais! 




Pra quem não sabe, a Netflix fez uma série baseada no livro, chamada Alias Grace, eu assisti somente os dois primeiros episódios porque não queria receber nenhum spoiler antes de terminar o livro, mas devo dizer que fiquei bastante chocada em como eles foram fiéis ao livro, desde os diálogos até aos modos de cada personagem se portar, é disso que leitor gosta! 


Título: Vulgo Grace
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 496
Sinopse: "Depois de O conto da aia, que deu origem à prestigiada série The handmaid’s tale e alcançou o status de bestseller mais de 30 anos após a publicação original, outro romance de Margaret Atwood vai ganhar as telas, desta vez pela Netflix, e volta às prateleiras com nova capa pela Rocco. Inspirado num caso real, Vulgo Grace conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século XIX. Com uma narrativa repleta de sutilezas que revelam um pouco da personalidade e do passado da personagem, estimulando o leitor a formar sua própria opinião sobre ela, Atwood guarda as respostas definitivas para o fim. Afinal, o que teria levado Grace Marks a cometer o crime? Ou será que ela estaria sendo vitima de uma injustiça?"
* Exemplar cedido em parceria com a editora.
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