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RESENHA Para Onde Vão os Suicidas?

15 de dezembro de 2017



Abordando um assunto polêmico e que muitas vezes é pouco falado, ou até mesmo romantizado, no livro Para Onde Vão os Suicidas, o principal assunto será de fato o suicídio. Na obra o autor trata o ato de maneira um pouco mais leve do qual estamos acostumados, porém não menos importante e enfático. Aqui nós saberemos quais os porquês e como as pessoas chegam ao ponto de desistir de tudo e acabarem cometendo suicídio. 



Angelina é nossa protagonista, que após um trauma de seu nascimento, ao perder a mãe logo quando nasce, isso acarreta muitas coisas, e uma delas é tirar a própria vida. 

Quando Angelina comete seu suicídio, ela encontra a Deusa dos suicidas, e nesse momento ela ganha uma missão que é de salvar outros suicidas de cometerem o mesmo ato que ela. Então nesse momento ela está entre a vida e a morte, existe uma linha tênue que a separa das duas coisas, e de acordo com suas missões, ela vai viver ou morrer, o que já era seu desejo desde o início.

Para realizar as missões, Angelina recebe um livro com anotações de nome e endereço das pessoas pelas quais ela deve salvar, e só quem pode vê-la, já que sua forma é de espírito, é somente a pessoa a qual ela foi designada na missão. E esse dom da nossa protagonista permite que ela resgate as pessoas, correndo literalmente contra a morte. Pois se Angelina não conseguir trazer para as pessoas a vontade de viver, a morte se encarregará disso. Então é como se fosse uma corrida entre elas, sobre quem será salvo e quem será levado.

A história vai tomando forma porque a cada nova missão, um personagem diferente aparece no livro. Junto com ele vem características específicas, um pequeno histórico de fatores que explicam o que de fato levou a pessoa a querer cometer aquilo, e com cada personagem novo que surge, Angelina cria laços diferentes. 



Um livro muito poético de certa forma e com vários pontos onde a gente para realmente para pensar na vida, nas nossas ações, mas principalmente no outro. Não é com essas palavras, mas o autor nos fala algo como "Seja gentil sempre, você nunca sabe o que o outro está passando", e realmente é uma verdade muito nua e crua. Nem tudo aquilo que alguém deixa transparecer, é verdadeiro. Um sorriso pode esconder muita dor, muito sofrimento, e essa responsabilidade sobre o emocional do outro é muito bem passado nessa obra. 

É um livro super rápido de ser lido, pois sua narrativa é bem fluida, e o fato dele ser curto também faz a leitura andar muito bem. Gostaria de compartilhar muito mais coisas com vocês, mas infelizmente iria perder um pouco a graça de quem pega o livro pela primeira vez e se joga de cabeça na história. Super recomendo, é uma leitura gostosa e ao mesmo tempo pesada de se fazer, mas não menos importante. 



Título: Para Onde Vão os Suicidas?
Autor (a): Felipe Saraiça
Editora: Pen Dragon
Nº de Páginas: 192
Sinopse: "Era dezembro quando Angelina nasceu. Uma noite gélida, de ventos fortes e relâmpagos que iluminavam todo o quarto do hospital. Quase que em silêncio, ela foi retirada do ventre de sua mãe que, também em silêncio, não mais respirava. A enfermeira, tão jovem e sonhadora, não sabia como lidar com vida e morte lado a lado. Seu pai, de modo mecânico e robótico, a balançava, não conseguindo contemplá-la. Seus olhos não mudaram de direção nem mesmo quando a menina iniciou seu pranto. Lá fora, a chuva caía forte, embaçando os vidros das janelas, e pintando todo o céu de cinza. Ele não chorava, apenas embalava lentamente sua filha, num ritmo quase que fúnebre, enquanto perguntava a si mesmo se seria egoísmo preferir que a criança tivesse perdido a vida e não sua noiva."

RESENHA Hibisco Roxo

14 de dezembro de 2017


Quando iniciei o curso de Letras, um dos grandes motivos foi a matéria de literatura, a ideia de estudar sobre livros me deixava animada demais, entender correntes teóricas, o motivo da escrita... Tudo era muito mágico, mas ver isso na prática foi muito melhor! Meu professor nos indicou essa leitura para que pudéssemos analisar personagens e qual a profundidade de cada um, confesso que a última coisa que fiz foi isso, eu me prendi a essa história de tal forma que não consigo parar de ler os quotes, retomar a leitura, o mundo de Chimamanda é tão mágico que não quero mais sair dele.

Kambili é uma adolescente diferente, ela aprendeu a sussurrar antes de falar, a andar de cabeça baixa e desde sempre aprendeu que as decisões de sua vida não são dela e sim de seu pai, que sempre opta pelo caminho que Deus desejar. Ela tem outro irmão JaJa, sempre quieto, na dele, mas que desde o início você sente o espírito rebelde do garoto, e obvio que ele paga o preço por essa rebeldia, pois bem, a narradora é Kambili e você vai observar o fanatismo religioso de seu pai pelo olhar dela.

Essa leitura é pesada demais, sinceramente, O Papa, como é conhecido o pai de Kambili, é um homem rico, dono de várias indústrias de alimentos e um jornal que é contra o governo, desse modo podemos observar como a família é diferente do restante do contexto da Nigéria, eles são ricos, muito ricos, esbanjam dinheiro, a primeira coisa que você pensa quando vem Nigéria em mente, é a pobreza, certo? Os paradigmas já começam a serem quebrados logo aí! Papa teve uma infância difícil e foi educado por missionários brancos e que pregam a religião branca, ele se tornou um homem que nega e até mesmo abomina os deuses considerados por nigerianos, pra você ter ideia, ele não fala com seu pai e restringe a aproximação dos netos por puro preconceito, já que seu pai é um pagão. Como se não bastasse Papa bate com frequência em sua esposa, ela perdeu seus bebês tantas vezes por apanhar, que parei de contar os abortos no decorrer do livro, isso é triste demais.


Tanto Kambili quanto seu irmão são constantemente castigados, qualquer coisa que leve seu pai a desconfiar que eles estão pecando, é motivo para castigos, principalmente físicos, eles apanham até por não serem os melhores alunos de sua sala, o segundo lugar é inaceitável. 

As coisas melhoram quando sua tia resolve levar ela e Jaja para passar uns dia com ela, Kambili começa a observar os primos e se atenta aos comportamentos, ali ela começa a entender o que é ser uma adolescente de verdade, acredito que seja nesse momento que tanto ela quanto seu irmão começam a criar um tipo de independência, pois até aquele momento era seu pai quem controlava até as roupas que eles vestiam.

Eu sofri do início ao fim, foi muito triste ver Eugene, o Papa de Kambili negando os costumes de sua terra e se rendendo a uma religião eurocentrada, ele sentia nojo dos costumes religiosos da Nigéria. Eu senti um aperto no peito cada vez que Kambili descobria uma simples coisa nova, como usar bermuda, batom, tudo isso em sua casa era proibido, já o seu irmão... Ele se tornou um grande homem no decorrer da história, foi um dos personagens que mais vi amadurecer. A mãe de Kambili é a típica mulher submissa que não tem voz porque seu marido é bondoso demais para a igreja, mas fique atento, ela vai te surpreender no final da trama e te fazer vibrar!

A tia de Kambili apareceu como um anjo, professora universitária, militante e sem medo de bater de frente com o irmão, ela mostrou para a sobrinha que tudo bem ser adolescente, que tudo bem ser vaidosa e que é possível ser feliz apesar da pobreza.

O livro tem uma carga emocional muito forte e quando eu achei que já estava tudo bem e não podia mais sofrer, Chimamanda deu a cartada final, por mais que Eugene seja uma pessoa doente, eu terminei a leitura sentindo pena e chorando por ele, querendo ajudá-lo, já com o restante da família... Meu coração ficou imensamente grato pelos rumos tomados.

Essa é uma leitura mais do que necessária, que trata do fanatismo religioso, o problema de negar nossas origens e como calar a voz de uma família pode silencia-la para sempre. Definitivamente fechei minhas leituras de 2017 com chave de ouro. 
“A rebeldia de Jaja era como os hibiscos roxos experimentais de tia Ifeoma: rara, com o cheiro suave da liberdade, uma liberdade diferente daquela que a multidão, brandindo folhas verdes, pediu na Government Square após o golpe. Liberdade para ser, para fazer.

Título: Hibisco Roxo
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Nº de Páginas: 328
Sinopse: "Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance que mistura autobiografia e ficção, também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, traçando de forma sensível e surpreendente, um panorama social, político e religioso, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente."
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