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RESENHA Os Crimes da Rua Morgue

29 de dezembro de 2017


Em Os crimes da rua Morgue e outras histórias extraordinárias, obra essa traduzida por ninguém mais, ninguém menos, que Clarice Lispector, escritora essa renomada a qual já traduziu vários outros títulos da literatura policial.



Confesso que fiquei MUITO empolgado quando recebi o livro, afinal adoro um bom horror acompanhado de assassinatos e suspense, sem contar no cenário que só Poe consegue criar.

O livro é dividido em vários contos, somando um total de 18, e já começa com o meu favorito: Gato Preto. Esse eu já conhecia antes mesmo de ter lido o livro e mesmo depois de ter conhecido outras histórias extraordinárias, ele ainda continua sendo um dos meus prediletos.

                                                          

Por ser um livro com várias histórias, ele não se torna nem um pouco cansativo e muito menos demorado para ler. É realmente uma viagem, ou melhor, várias viagens, o que se passa aqui.

Degustei cada página com muito prazer, observando principalmente as citações de que veem sempre antes de cada história começar a ser contada.

Esse livro foi o meu primeiro contato direto ligado à literatura de Poe. Já havia ouvido falar muito sobre suas histórias e seus livros, mas nunca cheguei a ter algum comigo, então acho que vocês já podem imaginar como deve ter sido minha empolgação né? (risos)

Além das histórias extraordinárias, o livro também nos trás ilustrações um tanto quanto macabras, feitas em folhas pretas ao início de cada conto novo, e eu confesso que AMEI demais tudo isso, vou deixar uma foto aqui para exemplificar melhor.

                                                 

Em suma eu gostei muito dessa obra que a Rocco fez com tanto amor e carinho para nós leitores, minha única ressalva são as folhas brancas, que me decepcionaram um pouquinho, mas nada que interferisse na magia das palavras e do que era ali, contado.


Título: Os Crimes da Rua Morgue e Outras Histórias Extraordinárias
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: ROCCO, selo Fantástica Rocco
Nº de Páginas: 224
Sinopse:"Consagrada pela crítica especializada como a obra inaugural da literatura policia, Os crimes da rua Morgue, de Edgar Allan Poe, foi publicado originalmente em Abril de 1841 na Graham's Magazine. É nessa história que aparece pela primeira vez o detetive Auguste Dupin, cuja fenomenal inteligência dedutiva o habilita decifrar mistérios aparentemente insolúveis, graças a um estudo atento e racional de pistas aparentemente desconexas. O relato da proeza de Dupin, é feito por um amigo (de novo não revelado), que acompanha a investigação do caso passo a passo, delineando desta forma a dupla formada pelo detetive e seu parceiro narrador, modelo que tem sido retomado desde então por numerosos outros autores de livros policiais."

RESENHA Corpo


Vocês já se apaixonaram muito por um determinado gênero e depois de certo "amadurecimento" literário, começaram a perceber as problemáticas desse nicho? Não falo de um assunto específico, e sim como com o passar do tempo vamos nos tornando mais profissionais em certos nichos da literatura, já sabemos identificar o que é clichê ou não, o que é positivo ou negativo, o que pode propagar uma boa ideia aos leitores ou não. Apesar da leitura ser uma viagem solitária, entre você e o livro, as opiniões a respeito de um livro são 8 ou 80, ou você ama ou não gosta, certo? Assim que tenho me sentido com livros eróticos, esse gênero me cativou completamente dos 18 até os 20 anos, devorei tudo que era possível sobre, porque eram histórias leves e percebi que era o que me apetecia na época, o tempo passou e vi que o que me cativa de verdade são histórias que explodem minha cabeça, que me deixam com uma ressaca literária irreversível. Óbvio que sigo lendo livros eróticos porque é um gênero bacana, cura minha ressaca, a leitura é sempre muito rápida e sempre me leva a pensar algumas questões, foi o que aconteceu com Corpo, esse foi o meu primeiro contato com a autora, ela já vinha fazendo sucesso com a série Garota do Calendário, mas tive o prazer de receber um pacote surpresa da Verus Editora e não pensei duas vezes, embarquei na história, sem medo de ser feliz e sem medo de problematizar. 

Corpo é o primeiro livro de uma série, narrado do ponto de vista da protagonista Gillian Callahan, carinhosamente chamada de Gigi, podemos acompanhar como é sua vida profissional em uma grande organização beneficente para mulheres vítimas de violência doméstica e que estão em situação de vulnerabilidade. Gigi é forte, extremamente profissional e é a melhor no que faz, ela não é só um rostinho bonito ou pernas torneadas, não, longe disso, a autora fez questão de mostrar como Gigi é uma excelente profissional, a organização cresceu muito mais graças ao seu planejamento, suas propostas são sempre incríveis e ela sabe muito bem como colher bons resultados e deixar a diretoria orgulhosa. Ela é muito grata à fundação e você entenderá isso em breve, acontece que graças aos bons resultados Gigi viaja para Chicago a fim de mostrar tudo isso para os verdadeiros donos da fundação, imagine só a pressão! 

Durante a viagem ela conhece um homem pra lá de sexy, impossível de resistir, doce ilusão, mal sabe ela que está flertando com seu chefe! Quando descobre isso Gigi fica surtada, é demais para o seu emocional, mas Chase Davis não desiste por nada, quer ela em sua cama a todo custo, e aí o  problema começa...


A história me parece um pouco controversa, Chase é um homem extremamente protetor com Gigi, ele é assim por "natureza" e se torna ainda mais ao saber porque ela é tão devota com a fundação em que trabalha, ela foi vítima de um relacionamento abusivo, quase morreu e foi graças aos cuidados de seu atual emprego que hoje ela está salva, apesar de carregar muitas marcas, não somente psicológicas, Gigi sofre demais com a possibilidade de um novo relacionamento e a história se repetir, teoricamente Chase é diferente, mas eu não encarei isso de uma boa forma. 

Chase Davis parece um verdadeiro polvo, conforme Gigi vai se apaixonando por ele, o cara vai entrando na vida dela e tomando o controle de tudo, ele toma as decisões por ela de tal forma que chega a ser chato! É difícil demais lidar com a incoerência da autora, ela cria uma personagem vítima de violência em um relacionamento, que agora é uma mulher forte e dona de si, mas assim que se apaixona ela se torna vítima dessa submissão psicológica que deixa qualquer leitor doido! Eu realmente revirei os olhos para essa leitura, e infelizmente não irei rasgar seda para o livro ou a autora, me desculpem leitores! A leitora romantizou um relacionamento abusivo de uma forma tão... Não sei explicar, ou você se apaixona pelo mocinho por ele ser mandão ou você o odeia, pelo mesmo motivo, eu JAMAIS aceitaria um homem mandando em mim dessa forma. Estamos acostumados com livros eróticos onde a mulher é submissa e o homem é dominante, não vejo absolutamente nada de errado nisso no âmbito sexual, mas quando um homem começa a controlar até o seu modo de se vestir, por favor, é hora de acordar pra vida! Gigi já passou por isso e parece que pelo fato de não existir violência física nesse relacionamento novo, ela não nota quão grave é.

A autora foi fantástica na ideia da fundação, maravilhosa em contar a história de cada uma das amigas da protagonista e como elas se encontraram, mas sinceramente, o tiro saiu pela culatra, isso me faz pensar em como isso pode resultar em algo mais grave, como por exemplo uma mulher que passa pela mesma situação e acha isso fofo, romântico, sinal de proteção, porque viu isso em um romance! Pessoal, isso é grave demais...

Em todo caso, foi uma leitura importante, a autora tinha os elementos essenciais para criar uma boa história, no entanto serviu para me alertar sobre como a leitura pode influenciar nossas vidas. Vi algumas outras blogueiras se atentando ao fato também e fiquei feliz demais! Felizmente a história tem continuação e pelo que andei especulando, as coisas vão melhorar no segundo livro, espero que isso de fato aconteça! 
"Chase é um enigma. Um enigma que me deixa presa, desconfortável e insegura. Eu só sei que quero estar perto dele. Quero estar com ele. Quero ser dele de qualquer maneira."

Título: Corpo
Autora: Audrey Carlan
Editora: Verus
Nº de Páginas: 364
Sinopse: "Uma nova vida. Um novo amor. Um perigo real. "Eu te amo. Eu te quero. Eu nunca vou te deixar." Gillian Callahan entra em pânico só de ouvir esse tipo de frase. Por anos ela viveu uma relação abusiva com seu ex-namorado violento. Agora ela está livre e segura, trabalhando para uma fundação de apoio a mulheres vítimas de violência - a mesma que a resgatou e salvou sua vida. Gillian não quer saber de homem nenhum. Até conhecer Chase Davis, o presidente da fundação. O bilionário é tão sexy e sedutor que Gillian fica sem chão. Chase sempre consegue o que quer - e ele quer Gillian. Agora ela terá de enfrentar a batalha entre o desejo e o medo. Gillian vai conseguir confiar em Chase? Ela está segura com ele? E quão perigoso pode ser um passado sombrio... não só o dela, mas o do homem que ela aprendeu a amar?"
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA O Garoto Está de Volta

27 de dezembro de 2017


2017 tem sido um ano recheado de boas leituras e obviamente tem dedo da Galera Record nisso, a editora foi uma verdadeira metralhadora de bons lançamentos e Meg Cabot está na linha de frente, como sempre. Sempre fui muito fã da autora, ela foi uma das peças principais para me tornar leitora, lembro-me de devorar seus livros em poucas horas e da maneira que ela me fazia rir quando ainda era adolescente, pensei que isso havia se perdido ou era uma simples experiência de leitora iniciante, mas ao me deparar novamente com a autora depois de muito tempo percebi que isso era algo dela, essa capacidade de nos fazer rir independente da idade, esse dom de usar artefatos atuais para atrair o leitor... Tudo é tão maravilhoso pelos olhos de Meg Cabot que é impossível fazer alguma ressalva negativa sobre a escrita dela em si.

Pois bem, Becky é engraçada, muito bem resolvida, dona de si e com um futuro muito bem traçado, ela herdou o negócio da família e tem orgulho do que faz, graças a isso exerce sua profissão muito bem, é dona de uma empresa que realoca idosos, de fato coloca a mão na massa quando eles resolvem descansar, procurar uma casa de repouso e coisas do tipo, ela também está muito bem emocionalmente, com um bom namorado que sua irmã insiste em chamar de hipster, mas parece ser uma relação ok, nada de amor, nada de uma paixão avassaladora, ela simplesmente está em um relacionamento.

Já Reed é um golfista famoso, milionário e que tem uma família pra lá de estranha, hoje ele vive bem graças a sua carreira mas tem alguns problemas familiares que simplesmente deixou pra lá e não resolveu, como o fato de ter ido embora da casa de seus pais e nunca mais falar com seu pai, o fato de abandonar Becky que era o amor de sua vida... Reed é um imenso campo de assuntos não resolvidos e até então isso não o incomodava, estando longe de sua cidade natal nada disso parecia ter importância, mas graças a uma infelicidade do destino ele precisou voltar. Seus pais foram presos por tentarem pagar uma refeição com selos falsos, que juraram que valia uma fortuna... Isso vira assunto na pequena cidade na hora e Reed vê que precisa vencer suas barreiras e retornar a cidade para resolver o problema, sabe qual a solução? Contratar a empresa de Becky para realocar seus pais, mas o que de fato é realocado é o relacionamento dos dois. 


Se tem uma coisa que AMO na Meg cabot é como ela é esperta em usar nossas "febres mundiais" ao seu favor, como por exemplo aplicativos de mensagens instantâneas e mensagens de texto, ela sempre usa esses artefatos em seus livros e eu particularmente amo, faz a leitura fluir muito mais e os quotes são sempre engraçados. Obvio que no início se torna um pouco confuso, ainda mais nesse caso, onde os personagens conversam muito com sua família e você se perde nos chats de parentes, imagine só que doidera conversar com 7 familiares ao mesmo tempo, é chat e nome demais pra dar conta! Mas juro pra você que é só questão de prática e depois de um tempinho você entende a dinâmica do livro. Outro ponto importante é ver como o amor volta a florescer entre Reed e Becky com a volta dele, mas com um olhar diferente, nada de descrições longas e pensamentos avulsos, acompanhamos os acontecimentos por meio de conversas de textos e chats, é como ver o amor nascer no celular de um colega, e me fez pensar em como criamos livros semelhantes a esse quando nos apaixonamos, afinal, quem nunca comentou com a amiga sobre o crush pelo Whatsapp? Pois bem, Meg Cabot basicamente fez isso!

Desde o início eu senti a química entre os dois, antes mesmo de Reed retornar para a cidade é possível  ver como os dois se gostam e como o término deles na adolescência aconteceu puramente por falta de diálogo, por parte dele, é claro! Quando Reed resolve ser maduro e resolver seus problemas tudo começa a dar certo não só para ele como para sua família, Becky apesar de ser protagonista também, aqui é a mulher apaixonada, porém muito bem vivida e que sabe o que fazer, já Reed é o cara rico que tem tudo na vida mas que precisa amadurecer em alguns aspectos.

Os personagens secundários são muito importantes e engraçados, desde os pais do golfista que se tornaram velhinhos acumuladores que não se importam com as consequências de mais nada, até a irmã de Becky, todo mundo nessa cidade é biruta e ainda assim são uns amores!

Foi uma leitura rápida, de uma tarde só, mas que me fez lembrar porque amo tanto Meg Cabot e a forma como ela maneja tão bem romances.




Título: O Garoto Está de Volta
Autora: Meg Cabot
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 352
Sinopse: "Reed Stewart pensou que todos os problemas da cidade pequena – incluindo um coração partido – haviam ficado para trás quando ele abandonou Bloomville, Indiana para se tornar um rico e famoso profissional do golfe. Até um post na internet ressuscitar todas as suas inseguranças de adolescente e levá-lo de volta à pequena cidade natal. Becky Flowers investiu tempo e recursos para se tornar uma bem-sucedida profissional do ramo de realocação de idosos. Mas ela trabalhou ainda mais duro para esquecer que Reed Stewart sequer existia. Ela não tinha, absolutamente, a menor intenção de revê-lo, agora que ele voltou. Até a família do garoto a contratar para ajudar na mudança dos pais."

*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Gostar de Ostras


Jorge é um jovem rapaz de 30 anos que mora em um apartamento situado em Bela Cintra, e pelas paredes finas do mesmo, o rapaz consegue ouvir tudo o que se passa no apartamento de seus vizinhos franceses octogenários que moram acima dele, Marcel e Rachelyne.

Vizinhos esses que são cheios de energia e levam a vida aproveitando cada segundo como se fosse o último, muito diferente de Jorge, que "vive" a sua baseada naquilo que vê e ouve dos outros inquilinos. Antissocial, depressivo, metódico, melancólico, essas são algumas das características do nosso protagonista.

Cheio de clichês e pontos que acalentam e dão aconchego na gente enquanto a leitura flui, Gostar de ostras é um livro totalmente diferente do que eu já havia lido, não me lembro de ter me sentido tão à vontade lendo algo até o momento de pegar essa obra em minhas mãos.




Os diálogos são ricos em conteúdo, mas nada robusto e que prejudica a interpretação. Marcel e Jorge são amigos de verdade, quase que como pai e filho, pai esse que Jorge não teve quando se fala em relações humanas, já que após um fato ocorrido em seu passado, ele acabou se fechando para o mundo, e aquilo que ele jurou não assombrá-lo mais, voltou à tona e ele percebeu o quanto aquilo ainda estava lhe fazendo mal e precisava ser resolvido.

Marcel e Rachelyne são um casal octogenário como já mencionei no início, mas engana-se quem pensa que eles são atrasados ou algo do tipo. Apesar de seus costumes eles são pessoas digamos, "pra frente". Acolhem Jorge como filho e o ensinam muitas coisas, práticas e literais.


Um livro curto, porém arrebatador. Com trechos que nos tocam na alma e nos fazem pensar.

Sua dose de melancolia, existencialismo, morbidez, são todos na medida certa, nada é exagerado, o que me deixou bastante feliz com a escrita de Bernardo.

                      

Outro ponto muito positivo do qual gostei, é a facilidade do autor em nos aconchegar na leitura, nos fazer sentir em casa, acolhidos, apesar de todos os fatores ocorridos que nem sempre são tão felizes assim.

Por fim, um livro maravilhoso que merece ser degustado página por página, e que no fim nos deixa aquele gostinho de quero mais com uma mistura de pensamentos que antes não havíamos imaginado.

Espero muito conhecer as outras obras do autor, pois Gostar de ostras me pegou de jeito. Só pra fechar aqui, deixarei com vocês o tiro que recebi logo de início ao abrir o livro.

Beijinhos <3




Título: Gostar de Ostras
Autor (a): Bernardo Ajzenberg
Editora: ROCCO
Nº de Páginas: 192
Sinopse:"Um jornalista solteiro e entediado de trinta e poucos anos e um espalhafatoso casal de franceses octogenários são os protagonistas do novo romance do prestigiado escritor, tradutor e jornalista Bernardo Ajzenberg. Em Gostar de ostras, Marcel e Rachelyne Durcan invadem o cotidiano monótono de Jorge, seu vizinho, de forma semelhante à trepadeira que cresce desordenadamente no jardim do prédio onde moram, compensando sua presença caótica com uma flor roxa de beleza intensa. Com sua prosa ao mesmo tempo firme e sensível, Ajzenberg envolve o leitor com a história dessa amizade improvável, que levará os Durcan a revisitar seu passado difícil, incluindo os motivos que fizeram com que deixassem seu país, e que mostrará a Jorge que a vida pode ser mais desafiante e colorida do que ele se acostumou a imaginar."
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