Quando me vi em Tartarugas até lá embaixo

quinta-feira, 22 de março de 2018
Título: Tartarugas até lá embaixo
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Nº de Páginas: 256
Sinopse: "Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo. A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo(TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses."



 Eu procuro fugir um pouquinho de livros com o hype nas alturas, sinto que minhas expectativas não serão atendidas e que não o adquiri porque queria e sim porque vi todos a minha volta lendo. Foi isso que aconteceu com Tartarugas até lá embaixo, demorei um tempão para comprá-lo porque minha lista de não lidos segue enorme e eu sentia que o livro poderia não ser tudo isso, acontece que eu dei com os burros n'água, me achei nessa leitura, me vi em Aza, senti que ela era parte dos meus pensamentos, a minha conexão com a personagem foi além de qualquer expectativa já criada, então a resenha de hoje tem um tom um pouquinho mais íntimo. 
 Aza Holmes é uma estudante quase normal do ensino médio, quase porque sua cabecinha é um pouquinho diferente, ela tem TOC, sendo assim, os pensamentos compulsivos ocupam grande parte de sua mente e as vezes existir é motivo para surtar. Aza tenta levar uma vida normal, com uma melhor amiga bem compreensiva, tenta superar a morte do pai, levar uma vida normal na escola... Mas a vida de quem tem TOC não é normal. Então, quando o milionário Russell Picket some misteriosamente e oferecem uma recompensa, tanto Aza quanto sua melhor amiga se empenham em encontrar o cara e de quebra ficarem ricas, só não esperavam tantos empecilhos no caminho.




"Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu."


 Agora falando de peito aberto pessoal, vi muita gente reclamando que a história parecia rasa, que o foco inicialmente era o sumiço e a busca pela recompensa e que isso não foi de fato satisfatório, mas por favorzinho, vamos olhar por outro lado! Quantas pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo você conhece? Quantos protagonistas que dão voz aos seus demônios vocês conhecem? Me vi acostumada a uma linha de livros que sempre acontece da mesma maneira, um problema a ser resolvido e/ou superado, um romancinho no meio e um final coerente. Mas Aza não é isso, Aza é maior, Aza é pura compulsão e medo. Ter pensamentos compulsivos não é nada fácil e falo isso com conhecimento de causa. É deixar de sair, deixar de beber um simples copo de água, tudo é tão mais impactante, todo sofrimento é antecipado, cada pensamento é um parto, pensar dói e parar nossa mente é impossível, é quase viver uma luta constante consigo mesmo. Essa foi uma das poucas vezes que um autor falou de mim tão bem, tão abertamente e de maneira tão certeira, a protagonista é uma personagem real, suas crises são as minhas crises, eu me senti Aza.
 A história no geral é muito bem construída, essa busca pelo milionário foi uma boa ideia por parte do autor, o maior prêmio que Aza pode ter é aprender a lidar com seus pensamentos. Daisy é uma melhor amiga muito fofa e compreensiva, o romance presente na obra também é lindo de ver crescer mas creio que esse não tenha sido o foco, o eixo aqui é Aza, seu comprometimento com suas causas e sua mente e isso certamente foi alcançado.
 Suspirei, arfei, chorei mas finalmente me vi, de maneira crua e nada romantizada. Nem só de romance pra chorar vive John Green, obrigada por me tornar real mesmo que na literatura.


"Um dos desafios da dor, seja física ou psíquica, é que só conseguimos nos aproximar dela através de metáforas. Não temos como representá-la como fazemos com uma mesa ou um corpo. De certo modo, a dor é o oposto da linguagem"

25 comentários:

Mari Barros disse...

Oi! Tudo bem?

Também não gosto de ler livros que ta1 todo mundo lê por ter o mesmo pensamento que o seu, mas estou louca para ler esse livro do green. Adorei o fato de você tentar mostrar o outro lado da história.

Beijos!

Lana Silva disse...

Até o presente momento só li um livro desse autor que foi A culpa e das estrelas, que gostei muito, no entanto todas as suas outras obras publicadas não haviam me interessaram, até Tartarugas até lá em baixo. Que como você mesma citou vem tratar de um assunto muito bacana que e o transtorno obsessivo compulsivo que poucas pessoas conhecem sobre o assunto, mas que deve ser discutido. Acredito que esse e uma história que vai encantar quem interessa pelo assunto como eu, mas que deve ser lido sem preconceitos e valores pre estabelecidos.

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Greice Blogando Livros disse...

Cara, era a resenha que eu precisava. Eu desisti de ler este livro pelas resenhas negativas, tanto que está nos meus desejados, coloquei já em lista de compras mas não comprei pelas resenhas porque falam mal e você amou. Vou ter que ler para tirar minhas conclusões.

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Ahhh eu tb fujo bastante do Hype, principalmente quando é livro do Green que não sou fã como a maioria é. No entanto, eu tenho vontade de ler por causa do tema e fico feliz por vc ter gostado da leitura!

Bjs, mi

O que tem na nossa estante

Viviane Almeida disse...

Olá, tudo bem?
Primeiramente suas fotos ficaram simples, mas perfeitas!
Eu achei interessante a sua resenha, também li esse livro no inicio do ano mas, tive uma opinião diferente da sua. Acho que o livro tem muito a ver com a vivencia dos leitores também, alguns amam outros odeiam, precisamos respeitar a opinião de todos.

Beijos e Abraços VIVI
http://vickyalmeida.blogspot.com

Ana Paula Lima Miranda disse...

Oii!

Também demoro muuuito para ler lançamentos pelo mesmo motivo. Mentirosos por exemplo, demorei 2 anos hahaha. Gostei muiito de ler sua resenha e entender como se sentiu lendo a obra. É bom demais se identificar assim!

Beijinhos,

Beatriz Andrade disse...

Eu tenho muita curiosidade com esse livro, vejo comentários divididos a respeito dele na internet e tenho cada vez mais vontade de ler. Gostei bastante da sua resenha e de ver a sua opinião.

Mari disse...

Eu tenho esse livro em casa mas não li ainda, já ouvi gente falando que amou e outras pessoas que não gostaram tanto assim. Mas vou tentar ler.
Beijos
Mari
Pequenos Retalhos

Fernanda Barroso disse...

Olá!
Essa foi a primeira resena positiva que li desse livro até agora, especialmente por ser por alguém que passa pelo mesmo que a Aza. Acho que o fato de você passar pelo mesmo e dizer coisas boas do livro me deram mais confiança em ler o livro e espero fazer isso em breve.
Abraços

Cabine de Leitura disse...

Tenho uma relação de amor e ódio com os livros do Tio Verde, mas esse em especial eu quero ler, justamente por acreditar que vou me sentir como você, me vejo em Aza. Achei muito, muito mesmo, relevante as observações que fez sobre os comentários de ser um livro raso. Já queria ler e sua resenha reforçou ainda mais isso.

Abraços.
https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

Dryh Meira disse...

Oiee ^^
Como eu não sou muito fã do John Green, esse não é um livro que eu fiquei imediatamente curiosa para ler. Até quero conferir a história um dia, mas acho que não agora. Vi opiniões bem divergentes a respeito da maneira como os temas foram abordados, mas nenhum livro consegue agradar a todos, não é mesmo? Sempre vai parecer mais raso e superficial para um e impactar mais os outros. Espero me encaixar no segundo grupo. Adorei a sua resenha!
MilkMilks ♥

Laura Militão disse...

Pense em uma pessoa apaixonada por John Green e você estará pensando em mim kkk. Já li muuitas resenhas sobre esse livro e estou louca para lê-lo. Gostei muito de saber sua opinião sobre ele.
Beijos. Versos da Alma

Marijleite disse...

Olá, como já li e gostei de alguns livros do John, estou curiosa para ler esse também. É tão bom quando a gente se sente representado por uma história como aconteceu com você e essa leitura!

Ana Caroline Santos disse...

Olá, tudo bem? Indo contra a onda da maioria, John Green não é um autor que me desperte muito os olhos, mesmo já tendo ouvido vários elogios. É aquela questão, a história ganha um olhar diferente dependendo do leitor. Eu realmente não curti o livro que li dele, é o mais "famoso", por isso apesar de saber e entender a importância do assunto trazido em Tartarugas Até Lá Embaixo, não é algo que me desperte os olhos atualmente. Sua resenha está maravilhosa, e demonstra seu conhecimento ao lê-lo. Ótimas palavras!
Beijos,
http://diariasleituras.blogspot.com.br

Cidália Maria Milani disse...

Li algumas resenhas sobre esse livro, mas ainda não tive oportunidade de lê-lo. Uma das minhas sobrinhas o comprou e ficou de me emprestar. Agora, após ler a sua opinião, quero lê-lo. Muito interessante o fato de você se identificar com a protagonista!
Bjs,
Cidália.

Maria Luíza Lelis disse...

Olá, tudo bem?
Eu li esse livro assim que foi lançado, porque não queria me deixar influenciar pela opinião dos outros leitores, fossem elas positivas ou negativas. O que encontrei nessa leitura foi o melhor livro do John Green, com uma protagonista que me deixou com vontade de entrar no livro só para abraçá-la. Eu não sabia quase nada sobre o TOC, mas achei que o autor soube explicar bem e ajudar o leitor a entender o que é.
Lendo seus comentários, percebi que minha impressão foi correta e que John Green trouxe o assunto de uma maneira real, sem cair em romantizações.
Adorei ler sua opinião e fiquei muito feliz que você tenha gostado do livro.
Beijos!

Sara Kerolen disse...

Oii tudo bem ?
Esse livro ta no meu Kindle pra ser lido ate agora não li haha
Mais o tema e bem tenso e confesso q não li nada desse tipo vai ser minha primeira experiência espero gostar.

Bjsss

Book Obsession disse...

Olá!
Fiquei muito contente quando soube o tema central que o John aborda nessa leitura. Gosto desse tipo de leituras e ler sobre o TOC me deixa com altas expectativas, pois por sua resenha vou gostar, só espero conseguir ler logo.
Beijos!

Camila de Moraes

Joana Leite disse...

Oi... Também não sigo modinhas, e até agora não li nenhum livro do John Green, só assisti ao filme A Culpa é das estrelas, mas estou curiosa para ler Cidades de Papel e Tartarugas.
Assim que minha lista diminuir, pretendo ler.
Beijos.

Sophia Merkauth disse...

Oi, tudo bem?
Do autor só li A culpa é das estrelas e mais nada. Nem o filme vi ainda. Gostei do livro, mas não a ponto de querer ler mais obras do autor. É a segunda resenha que leio e apesar de ser ambas positivas, não me senti atraída para ler. Adorei sua resenha, mas dessa vez passo a dica!
http://colecionandoromances.blogspot.com.br/

Ivi Campos disse...

Eu gosto muito dos livros do John Green e minha experiência com este livro aqui não foi diferente: adorei. Sei do grande numero de pessoas que se sentiram representadas neste enredo e isso me deixa ainda mais feliz por ter tato carinho pelo autor.
Beijos

Kamilla Evely disse...

Oi Day!
Eu já tinha visto muito sobre esse livro, inclusive já adquiri a obra, mas ainda não li. Vi muitos comentários negativos sobre ser raso também, mas pelo que você falou é bem mais que isso. É crível! Estou morrendo de curiosidade e acho que após sua resenha até vou pular na fila, o Green trás assuntos reais e que faz o leitor sair da zona de conforto. Quero muito ler!
Beijos

Jéssica Melo disse...

Olá Day, eu já li outro livro do autor que eu curti bastante e pelos seus comentários o enredo deste esta bem bacana e não vejo a hora de poder lê-lo também *-*

Jis Rocha Nossas Leituras disse...

Ola
Não consigo ler os livros desse autor , não me prende a leitura e acabo abandonando. Quando me indicaram esse livro dizendo que era diferente e que eu iria gostar, me travou o fato do toc, li um livro onde a personagem adolescente tinha toc e era acumuladora compulsiva e a leitura se arrastou por mais de um mês para eu conseguir finalizar.
Por isso acabei deixando esse livro de fora da minha lista.
Em relação ao que vc falou em "quantas pessoas com toc vc conhece", tenho uma filha com TEA e com TOC de repetição , então sei bem como é esse mundo.
Gostei da resenha e da foto, mas vou passar a dica.
Bjus

Tamires Marins disse...

Oi,amiga

Eu não vi resenhas negativas desse livro ainda, não vi ninguém falando que achou a história rasa, muito pelo contrário, só li resenhas bem positivas, assim como a sua.
Que bom que você se identificou tanto com a personagem... é bom sentir que alguém entende o que a gente passa, né? E também tem o fato do próprio autor sofrer desse mal, quando a gente sofre na pele a gente fala com mais propriedade mesmo.
Infelizmente não é um livro que lerei, pois não gosto do estilo do autor, mas fico contente pelo fato da leitura ter significado tanto pra ti! :)


Beijos
- Tami
http://www.meuepilogo.com

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