RESENHA Aos perdidos, com amor

quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Título: Aos perdidos, com amor
Autora: Brigid Kemmerer
Editora: Plataforma21
Nº de Páginas:450
Sinopse: "Juliet Young sempre escreveu cartas para sua mãe. Mesmo depois da morte dela, continua escrevendo – e as deixa no cemitério. É a única coisa que tem ajudado a jovem a não se perder de si mesma. Já Declan Murphy é o típico rebelde. O cara da escola de quem sempre desconfiam que fará algo errado, ou até ilegal. O que poucos sabem é que, apesar da aparência durona, ele se sente perdido. Enquanto cumpre pena prestando serviço comunitário no cemitério local, vive assombrado por fantasmas do passado. Um dia, Declan encontra uma carta anônima em um "






 Não sei ao certo se sobrevivi ao apocalipse zumbi que também chamamos de Bienal, meu corpo ainda dói um pouquinho e sinto que preciso de certo condicionamento físico para encarar esse tipo de maratona, mas definitivamente a experiência valeu a pena, não somente pelas compras mas pela oportunidade de conhecer cada editora de perto, a Plataforma 21 sem dúvida alguma era uma das mais bonitas, os preços estavam acessíveis e quando vi Aos perdidos, com amor, por um valor bacana, não pensei duas vezes e comprei. Sempre ouvi comentários positivos a respeito, imaginei que demoraria alguns dias para terminar de lê-lo, mas dois dias foram suficientes para essa história me arrebentar de um jeito sem igual. Brigid usou todos os elementos necessários para me conquistar, dor, romance, amor, emails, mais dor. Esse é o típico enredo que vou guardar com carinho, porque realmente me comoveu, a oportunidade de conhecer essa história já fez valer a Bienal todinha. 

 Juliet Young, ou só Ju, perdeu sua mãe em um trágico acidente de carro, a culpa enterra seu peito e a impede de respirar. Culpa porque sua mãe morreu graças ao pedido dela, ela era uma fotografa de guerra muito conhecida, nunca estava em casa, Ju implorou para que ela voltasse mais cedo de sua última missão, ela o fez e se esse pedido não tivesse acontecido, sua mãe ainda estaria aqui. Mas como superar isso? Como conviver com o peso da sua existência apesar de toda a ausência? Como servir de apoio para seu pai quando ela não consegue se ajudar? A maneira que a protagonista encontra para lidar com isso é escrevendo cartas, todas endereçadas para sua mãe, ela as escreve e logo em seguida deixa em seu túmulo, o destino cuida do caminho que elas vão seguir. Até o dia em que alguém responde uma de suas cartas, e isso acaba se tornando um laço bastante incomum, Ju passa a se corresponder com alguém que não faz ideia de quem seja, mas que compreende a sua dor.









 O tempo todo sabemos quem é Declan Murphy, ele é o tipico cara suspeito da escola, o garoto com antecedentes criminais e que ninguém ousa chegar perto. Esse é o esteriótipo que tanto Juliet quanto qualquer outra pessoa que o conhece superficialmente acaba comprando. O que ninguém sabe é a culpa que Declan carrega consigo, pela prisão de seu pai e pela morte de sua irmã. Até então ele nunca sentiu necessidade de falar sobre isso com alguém, ser quieto é mais seguro. Mas ao ver que sua mãe segue sua vida com outro homem, e não se importa mais com ele, Declan sente que não aguenta mais, e enquanto prestava serviço comunitário acaba encontrando a carta de Juliet e em um ímpeto de coragem, responde. É isso, Juliet e sua culpa, Declan e sua dor, tudo derramado em cartas que arrancam lágrimas, emails que ultrapassam qualquer anonimato, tudo é extremamente comovente e sincero. Juliet assume o seu verdadeiro eu e mostra quão frágil é, enquanto Declan deixa a pose de durão de lado e não sente vergonha em assumir seus erros e como isso a relação se estabelece.


 Eu não esperava que esse livro fosse me emocionar tanto, de verdade, quando li a sinopse me animei porque adoro tramas que envolvem emails e cartas, mas a carga emocional dessa trama é bem diferente do que eu imaginava, e nem por isso me decepcionou, pelo contrário! É um livro denso, que vai te cozinhando do começo ao fim, você tem dificuldade para respirar em alguns trechos, porque os questionamentos feitos tanto por Ju tanto por Declan, são muito dolorosos. O romance dá uma quebrada nesse clima de tristeza, principalmente porque Juliet sente que está gostando de duas pessoas ao mesmo tempo, de Escuridão, o cara com quem começou trocando cartas e agora troca emails, e de Declan, o cara errado da escola que de repente se torna uma pedra em seu  sapato. Essa dicotomia entre o que Declan é na vida real, e o que Juliet projetou no cara dos emails é muito interessante porque nos leva a pensar sobre como um só dia em nossa vida, pode definir quem somos pra sempre. Ninguém sabe o motivo para Declan ter pego um carro bêbado e ter invadido um prédio, todos julgam ele como um delinquente sem futuro, mas quando ele é o Escuridão, Juliet o vê como um homem incrível e que merece amor, a ideia de que essas duas "pessoas" são uma só, deixa claro que nunca conhecemos alguém completamente.
 O livro é fantástico, de verdade! Foi pra minha prateleira de favoritos, pelo teor, pelo modo em que a fotografia é trabalhada, por assuntos secundários como adoção, racismo, figuras maternas, pelo melhor amigo de Declan, Rev, que é um amorzinho só! Por tudo! Brigid construiu uma trama que possivelmente vai me render uma bela ressaca literária, mas que me abraçou de tantas maneiras que é impossível mensurar. Obviamente há um mistério, não só do possível encontro entre Juliet e o Escuridão, mas sobre os motivos para o acidente de sua mãe e da irmã de Declan, quando você finalmente descobre, sente como se pudesse recuperar o fôlego que nem fazia ideia que havia perdido. Aos perdidos, com amor, é uma história sobre se encontrar no outro, e assim, encontrar-se em si.


No entanto, sua dor pelo meu alter ego se derrama pela tela, e meu peito se expande com a pressão.



28 comentários:

Fabrica dos Convites disse...

Que legal que ele te emocionou a ponto de tornar-se um dos seus favoritos. Confesso que ainda não me senti propensa a ler.
Bjs, Rose

Laneeh Martins disse...

Olá, tudo bem?

Acredita que passei nesse estande e não vi esse livro? Ou é porque eu não conhecia ou pode ter acabado no dia que fui [acho isso impossível, mas pode acontecer]. Que livro, hein? Só de ler sua resenha, posso sentir como é impactante. Sua resenha despertou minha curiosidade, vou colocar na lista e espero adquirir em breve.

Beijos

Letícia Graziele disse...

Acho que nunca vi esse livro antes. Você escreveu essa resenha com tanta empolgação que me deixou muito curiosa, já adicionei o livro na minha lista. Obrigada pela dica.

Beijos,
Letícia do Garota Perdida nos Livros

kênia Cândido disse...

Oi Dayhara.

Eu não conhecia este livro e pela sua resenha, a história parece ser densa e despertou minha curiosidade. Preciso saber os detalhes destes e-mails da personagem. Obrigada pela dica que adicionei na minha lista de desejados e Parabéns pela resenha. Eu amei.

Bjos
https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

Viviane Dutra disse...

Oi Day, eu já tinha visto este livro, mas não fazia ideia do conteúdo dele. Eu gosto muito de dramas e quando o personagem carrega uma culpa, me emociono bastante com o sofrimento dele, mas a melhor parte, é a superação. Tua resenha ficou ótima e o livro entrou para a lista de desejados.
Bjos
Vivi
http://duaslivreiras.blogspot.com/

Beatriz Andrade disse...

Nossa, eu conhecia o livro só de capa e não sabia que a premissa dele era tão interessante. Eu gostei muito de ver os temas abordados na trama e quero poder ler para conferir como eles são desenvolvidos. Eu adorei a sua resenha, você me deixou muito curiosa com a leitura. Espero que eu possa ler em breve e que eu goste do livro tanto quanto você, pelos seus elogios é provável que entre para os meus favoritos também.

Alice Duarte disse...

Oiieee

Esse livro me lembra muito Cartas de amor aos mortos, acho que justamente por causa desse detalhe de escrver cartas para a falecida mãe e talz. Quando a editora publicou o livro, eu fiquei desesperada e corri pra comprar, mas acredita que até agora ainda não li? Vai entender....rsrs. Pretendo ler em breve, tenho certeza de que tb vou me emocionar muito.

Beijos

www.derepentenoultimolivro.com

Camila disse...

Oi, Day.
Eu adorei a sua resenha e consegui sentir toda a sua emoção com esse livro!
Acho essa capa simplesmente maravilhosa, mas não consigo sentir que seja uma leitura que vai me cativar... Já andei dando uma lida no primeiro capítulo disponível na Amazon, mas a história não me pegou e acho que vou ficar mais deprimida do que emocionada! É só uma sensação, mas sei lá... Quem sabe numa outra hora eu esteja no pique para dar uma chance!
Beijos
Camis - blog Leitora Compusiva

Bruna Costabeber disse...

Olá, tudo bem?
Ainda não tive a oportunidade de ler esse livro, mas tenho muita vontade. Fiquei muito contente por você ter dito que o livro te emocionou tanto assim. Eu tenho vontade de ler, pois o tema que a autora escolheu parece ser muito interessante.
Vou super anotar a dica.
Beijos!

Debyh disse...

Olá,
Parece bom pelo conteúdo de mistério, mas o resto da história me pareceu fora do que costumo ler. O tema até bem interessante mas não sei se me prenderia do começo ao fim.

Debyh
Eu Insisto

Mari disse...

Parece muito interessante, gosto de quando os personagens se ajudam mesmo sendo diferentes e de uma maneira que ninguém esperava.
Beijos
Mari
Pequenos Retalhos

Ps Amo Leitura disse...

Olá.

QUE RESENHA DIVINA! Isso é tudo que preciso te dizer. Li pouquíssimas resenhas deste livro, mas a sua, sem dúvidas, me despertou o interesse em lê-lo. AMO livros que apresentam e-mails e cartas e o fato de "não conseguir respirar em alguns momentos da leitura" me deixou ainda mais instigada para ler.
Parabéns, sério! Estou correndo no skoob para adicioná-lo <3

Beijos,
Blog PS Amo Leitura

André disse...

Oi Day,
Essa capa é bem chamativa e gostei muito da história. Os livros da Plataforma costumam ser caros, mas fiquei sabendo que estavam super em conta na Bienal. Pena que não pude ir. Sua resenha me deixou com mais vontade ainda de conhecer a vida sofrida desses dois personagens.
Beijos,
André | Garotos Perdidos

Tay Meneses disse...

Não fazia a mínima ideia da existência dessa obra, mas adorei a premissa. Parece ser mesmo denso e tudo mais, mas ainda assim chamou minha atenção. Vou anotar o nome, pra não esquecer. Bexus @prefirolercomcalma

Ana Paula Medeiros disse...

Que premissa linda! É a primeira vez que vejo sobre esse livro, e confesso que no começo quase achei que era só mais uma obra melodramática que costumo fugir rsrs Mas lendo sua descrição e impressões fiquei com vontade de conhecer.

Ju disse...

Também adoro tramas que envolvem e-mails e cartas e amo livros com bastante carga emocional, e achei a premissa desse muito legal e diferente. Com certeza vou querer ler, espero ter logo a oportunidade.

Paac Rodrigues disse...

se eu fosse só pela capa eu leria a obra, mas não senti aquela emoção/vontade de ler, acho que ando meio apática pra esse gênero kkkk, mas gostei da sua resenha, foi sincera em sua opinião sobre a obra.

Lucy disse...

Oi, Day! Gostei da trama, parece um livro bem envolvente e emotivo. Não curto tanto histórias com cartas, mas acho que dessa vez vou abrir exceção.
Bjs
Lucy - Por essas páginas

Ritchelly Galani disse...

ola, acho tao bacana quando um livro nos faz sentir tanta empatia que vai logo sendo favoritado haha.. amei a dica e fiquei curiosa pelo enredo e todos os pontos que fizeram o livro ir pra sua prateleira de favoritos! ja esta na wish list!

beijos

Instantes Memoráveis disse...

Olá, tudo bom?

A Bienal acabou comigo também, rs. Até levei um remédio de relaxante muscular, pois não aguentaria as dores, do contrário. Mas precisei de toda uma semana para me recuperar totalmente, já que eu fui para ficar todos os dias - apesar de ter pego uns dias para passear. Mas é uma experiência incrível, que eu não abro mão <3
A Plataforma 21 estava linda mesmo e com uns preços incríveis. Só que esse livro passou desapercebido por por mim, então não adquiri no evento - é uma pena, já que você disse que estava com um preço bom. Entretanto a trama é bem interessante e eu fiquei com vontade de ler.
Acho que uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a abordagem de preconceitos: como nós julgamos as pessoas por suas primeiras impressões e nem questionamos se a pessoa é realmente aquilo ou ela é muito mais complexa que o mostrado. Fiquei bem curiosa sobre o enredo, o mistério e como será o encontro da Ju e do Escuridão. Sei que esse será um livro que me emocionará muito, então devo começar a leitura quando estiver com o meu emocional/psicológico bom, né? Senão vou piorar, rs.

Enfim, adorei a resenha e agradeço a indicação :)
Abraços.

cris disse...

Oi Day tudo bem? Que livro interessante, não conhecia esse livro, mas me chamou a atenção pois senti pela sua resenha que ele toca no fundo nossos sentimentos e adoro livros assim, que sempre acabamos tirando uma lição de toda a tragédia e toda maldade envolvida, parabéns pela resenha, fiquei curiosa sobre o desfecho da história, dica anotada. Bjs!

Milena Nones disse...

Se ele se tornou um dos seus favoritos, já fiquei curiosa. Afinal, para se tornar um "queridinho" ele tem que ser muuuiiito bom! Adorei a premissa, o livro tem tudo para ser envolvente, realmente.
Beijos!

Ivi Campos disse...

Eu terminei de ler este livro essa semana e amei intensamente. Acho que a abordagem do luto dos dois personagens, mais o envolvimento deles me deixou tão satisfeita, que como você, mandei o livro para os favoritos na mesma hora. Maravilhoso.
beijos

Delmara Silva disse...

Olá,
kkkkkkkkk imagino que não deve ser fácil participar de um evento como a bienal, ainda mais quando tudo ao redor chama a atenção e na euforia deseja-se ver o máximo possível. Eu nunca fui a uma bienal, mas como boa sedentária que sou, imagino que não sairia de lá muito melhor que você, eu já sofro para ir ali no centro. Quanto ao livro, que premissa linda. Já conhecia a capa mas não fazia ideia do que se tratava a história, agora que sei estou inclinada a providenciar um exemplar, achei interessante a forma que os personagens encontram para se comunicar.

Abraços!
Nosso Mundo Literário

Kelly Alves disse...

Oi Day!
Eu vi esse livro em varios lugares, mas não tinha me atentado ao enredo, sua resenha despertou completamente minha curiosidade, sua emoção com a leitura é palpável, dica mais que anotada!

Beijokas

Dryh Meira disse...

Oiee Day ^^
Esse ano eu acabei nem querendo ir à bienal porque estava bem desanimada - e ainda estou um pouco - no quesito blog e livros, mas planejo ir à próxima!
Ainda não conhecia esse livro, mas é muito o tipo de livro que eu ando querendoooo! Saber que ele conseguiu te emocionar, mas que não é de todo triste e angustiante, me deixou mega curiosa. Quero!
MilkMilks ♥
http://shakedepalavras.blogspot.com.br

Carol Oliveira disse...

Oie Day!

Não conhecia o livro, mas só pelo nome ele me despertou curiosidade. Sua resenha esta linda e me passou realmente o que você sentiu ao ler a obra. (uma pena pela ressaca rs) mas adorei conhecer um pouco sobre o livro, e saber que ele traz temas importantes.

Beijos

www.thereviewbooks.com.br

Nina Tavares disse...

Oi Day!
Acredita que eu não conhecia esse livro? Tô me sentindo uma marciana por isso por que eu gosto muito de história que tenham essa carga dramática e que abalem minhas estruturas. Vou anotar a dica e tentar ler o mais rápido possivel.
Bjs!

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