RESENHA Os Imortalistas

terça-feira, 28 de agosto de 2018
Título: Os imortalistas
Autora: Chloe Benjamin
Editora: HarperCollins
Nº de Páginas: 320
Sinopse: "É 1969 no Lower East Side de Nova York e os rumores na vizinhança são sobre a chegada de uma mulher mística, uma vidente que se diz ser capaz de dizer a qualquer um qual será o dia de sua morte. As crianças Gold – quatro adolescentes que estão começando a conhecer a si mesmos – saem de casa sorrateiramente para saber sua sorte. As profecias informam as próximas cinco décadas de sua vida. Simon, o menino de ouro, escapa para a costa oeste, procurando por amor na São Francisco dos anos 80; a sonhadora Klara se torna uma ilusionista em Las Vegas, obcecada em misturar realidade e fantasia; Daniel, o filho mais velho, luta para se manter seguro como um médico do exército após o 9 de setembro; e Varya, a amante dos livros, se dedica a pesquisas sobre longevidade, nas quais ela testa os limites entre ciência e imortalidade."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.


 A vida é regada por dúvidas juntamente a acontecimentos que saem do alcance de cada um de nós, e a única certeza plena que temos em meio a tudo isso é que, algum dia, nós iremos morrer. E se conseguíssemos saber qual será esse tão determinante dia, iriamos optar por saber? E se soubéssemos, isso mudaria, de fato, o nosso modo de viver? Talvez sejamos reféns do destino e de nada adianta tentar mudar: as escolhas determinam o aproveitamento e longevidade dos dias, mas não mudam a indubitável morte.“Os imortalistas” é uma narrativa incisiva em relação aos diversos e mais variados aspectos da vida, em que a autora, Chloe Benjamin, não faz rodeios para contar a história de quatro vidas ligadas por um laço sanguíneo. 



Varya, Daniel, Klara e Simon. Quatro irmãos de família com costumes judeus moradores de Nova Iorque, a partir da década de 60, cujos dias de suas respectivas mortes foram revelados por uma cartomante do bairro onde moravam quando ainda eram crianças, e a partir disso surge a grande dúvida: será que a data dada era real? Aquelas crianças poderiam ou não acreditar naquilo, ao ponto de fazerem com que as suas vidas prossigam tomadas por algumas atitudes em decorrência daquela informação. Pensar naquelas datas era inevitável para cada um deles.
 Saul, pai dos quatro irmãos e marido de Gertie, morre quando Klara e Simon são adolescentes e Varya e Daniel já são adultos. Tal fato faz com que a mãe dos irmãos fique desestabilizada e os negócios da alfaiataria da família fiquem sem o seu dirigente. Varya já não estava mais em casa, Daniel iria estudar medicina, Klara não pensava em faculdade e queria a todo custa sair de casa. Assim, o único que restara era Simon, o caçula que ainda faltava dois anos para a conclusão do colegial e que poderia cuidar dos negócios do pai e cuidar de sua mãe. Todavia, Simon não queria essa vida para ele e é induzido por Klara e pela vontade própria a sair de casa e ir para São Francisco. A partir disso, a história é desencadeada com conflitos familiares, jornadas de autodescobertas, pressões da família e das pessoas em volta. Cada irmão assume um papel distinto que os separam daquela inocência que os levaram até a casa daquela senhora cartomante no início do livro, em que cada um segue sua vida e faz suas próprias escolhas, independente – ou talvez muito dependente – do dia final.

O livro possui uma narrativa muito simples e fluida, não há tanta descrição das cenas e a história faz-se bem objetiva e sem lacunas. No começo do livro e em algumas outras partes, vi-me perdida num mar de nomes de pessoas e lugares que não há muita explicação sobre eles, mas creio que isso não influencie na percepção e compreensão dos fatos. Como o enredo todo é baseado numa família judia, muitos aspectos da cultura da religião judaica nos são lançado, como nome de pessoas, eventos, dogmas, expressões, dentre outros. Acho interessante sempre que não souber o que quer dizer tal termo, procurar, pois assim, a leitura e o entendimento é mais eficaz, sem contar a imersão, mesmo que rasa, numa cultura diferente. No que diz respeito ao narrador, ele é na terceira pessoa, pois como conta a história e o rumo da vida de quatro pessoas diferentes, me parece coerente e sensato a opção por esse tipo de narrador, em que cada irmão ganha uma parte do livro, essas intituladas por “Vá dançar, moleque” para Simon, “Proteus” para Klara, “A inquisição” para Daniel e “Lugar de vida” para Varya, cada qual com o ano de início e fim do período em que é narrada a história de cada um.
 Eu amei muito essa história, como ela é dividida e como ela é contada. Senti-me envolvida e consegui sentir, por momentos, em quatro peles, ao mesmo tempo. Incitou-me a refletir sobre o contexto em que muitas coisas que são tratadas, como algumas doenças, homossexualidade, preconceito e laços familiares, estes, mais fortes que qualquer outra coisa. Foi importante ver a história de cada uma das pessoas e entender as escolhas delas, visto que são pessoas diferentes nas quais a vida também foi diferente, ou a vida foi justamente diferente pela escolha, Afinal, a vida determina as escolhas ou as escolhas determinam a vida? São simplesmente vidas narradas aqui, não tem segredo, são vidas comuns mostradas a nós de maneira fascinante, destemida, profunda. Tudo isso oriundo de um mesmo fator: o conhecimento perpétuo do dia da morte. Como não pensar em destino? Como não acreditar nele? A conclusão é que, tendo um dia certo em que nós partimos ou não, a vida não espera para ser vivida. Eis aqui, a verdade mais clichê de todas.

“–Ninguém escolhe a vida. Eu com certeza não escolhi. – Gertie solta uma risada áspera. – O que acontece é isso: você faz escolhas, então elas fazem escolhas. Suas escolhas fazem escolhas.”

26 comentários:

Karine Fernandes disse...

Gostei muito da sua resenha, parabéns pela forma como apresentou a história mas confesso que apesar de todos os elogios e dessa capa linda que eu fiquei encantada não me atraiu muito a leitura, pelo menos por hora.

Bjs

Paraíso Literário disse...

Oi Day!

Tudo bem? Estou com esse livro para ler aqui em casa e confesso que peguei recentemente pra tentar fazer a leitura, mas não fluiu porque achei o começo beeeeeeeeeeem lento. Sua resenha era o incentivo do qual eu precisava.

É muito maravilhoso quando um livro nos proporciona tantas reflexões, simplesmente amo isso em especial essa de "nós fazemos as escolhas ou as escolhas é que nos fazem?", realmente vou pegar pra ler!

Beijinho - Jessie
www.paraisoliterario.com

Bianca Ribeiro disse...

Adorei tua resenha!
Um dia desses eu vi essa capa no ig da HC e achei linda e o título me chamou super atenção, mas você é a primeira pessoa que vejo falar dele e suas palavras me deixaram com mais vontade ainda de ler! Já quero kkk

Parabéns pelo trabalho!

Mirelly disse...

Oii, tudo bem?

Já tem um tempo que esse livro está na minha lista de desejados. Ultimamente tenho visto muitas resenhas dele, e a história parece ser incrível, mas não sei se tenho psicológico para essa leitura. Eu com certeza criaria mil paranoias sobre o dia da minha morte kkkk e isso ficaria na minha cabeça por semanas.
Acho que se eu tivesse a oportunidade de saber o dia da minha morte igual esses irmãos, eu preferiria não saber. Talvez um dia desses eu pegue esse livro para ler, até lá, vou preparando meu psicológico kkk

Beijinhos!!

Alice Duarte disse...

Oiii Day

Esse livro é maravilhoso, eu amei a história e me surpreendeu demais. A Klara foi minha favorita, mas o Simon e o Daniel tb me prenderam e emocionaram em suas narrativas. Tive dificuldade em entender a Varya, achei ela metódica e distante demais apesar de entender depois suas razões.

Beijos

www.derepentenoultimolivro.com

Garota Perdida nos Livros disse...

Já tinha ouvido falar desse livro bem vagamente, adorei sua resenha, me deixou bem animada para conhecer a história. E afinal adorei a capa desse livro kkk.

Beijos,
Letícia do Garota Perdida nos Livros

Joanice Oliveira disse...

Olá,

O livro parece ser bem aprofundado no quesito problemas familiares e a triste ilusão que podemos realmente controle de nossas vidas. Nem 60% das nossas decisões realmente nos levam para onde queremos e a morte só está à espreita de nos ceifar e dar fim a uma existência insignificante para a natureza.

Beijos!

Carolina Trigo disse...

Oi!
Não lembro de já ter visto alguma coisa sobre esse livro, mas fiquei curiosa com o enredo e a proposta da autora. Gosto dessa ideia da já sabermos como vamos morrer e a questão que a partir disso, fica: o que fazer com essa informação?
Dica anotada!
Bjss

https://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

Beatriz Andrade disse...

Eu acho a capa desse livro maravilhosa e estou bem curiosa com ele. Gostei de poder conhecer um pouco mais sobre a obra através da tua resenha e de ver a tua opinião com a leitura. Acho que pode ser um livro interessante para mim, pretendo ler, mas ainda não sei quando.

Jéssica Martins disse...

Oi, Dayhara! :D
Nunca tinha ouvido falar sobre este livro e, pela capa, não teria chamado minha atenção, mas adorei o enredo explicado por você! Eu penso que gostaria de lê-lo, adoro este cenário da década de 60 e achei super interessante os rumos diferentes que os irmãos tomam na história, principalmente a Klara e o Simon. Fiquei com a impressão de que esta história terminaria com um final triste, mas mesmo assim adoraria lê-la! Obrigada pela dica. Sua resenha ficou muito boa!

Unknown disse...

Oi, tudo bem?
A capa é bem simples, mas me chamou atenção logo que vi no catálogo e eu pensei que talvez fosse porque gosto de tons escuros e as cores das flores dão um contraste, mas não são tão vivas. E infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler. Amei a sua resenha, escreve muito bem e tô bem curiosa sobre qual vai ser a minha reação durante a leitura agora que minha expectativa em relação a Klara estão bem mais altas de quando li a sinopse. Gosto de narrativas que são simples e envolventes, torna a história mais fluída e fácil de desenvolver na minha cabeça! Beijos

Maria Luíza Lelis disse...

Oi, tudo bem?
Vou te confessar que eu tinha julgado esse livro um pouquinho pela capa. Quando vi, achei que tinha uma cara de livro monótono hahaha. Mas não sabia nada sobre o enredo e não sei bem de onde tirei essa impressão.
Gostei de saber que a história é bem objetiva e a leitura flui bem. Me pareceu ser um livro que traz reflexões interessantes e achei o enredo bem original.
Adorei sua resenha e vou anotar a dica para ler futuramente.
Beijos!

Mari disse...

A história desse livro parece ser bastante interessante, contando o ponto de vista de cada um deles. Eu gosto quando as histórias são contadas assim, a dinâmica fica bem diferente.
Beijos
Mari
Pequenos Retalhos

kênia Cândido disse...

Oi Dayhara.

Eu li este livro recentemente e gostei da história, especialmente do personagem Simon. A escrita da autora é muito gostosa e fiquei surpresa com a história. Sua opinião está maravilhosa e tenho certeza que vai chamar atenção de vários leitores. Parabéns pela resenha.

Bjos
https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

Aline Coelho disse...

Não sei se eu iria gostar desse livro, o enredo não me atraiu, mas fico feliz que vc tenha gostado.
Não sei até que ponto seria válido saber o dia da nossa morte, a não ser que fosse uma coisa cultural então já cresceríamos sabendo o dia da partida e nos planejaríamos para viver da melhor forma o tempo que temos, caso contrário penso que o desespero e a inconsequência poderia reinar.

D e s s a disse...

Eu vi sobre esse lançamento, mas essa é a primeira resenha que eu leio da obra. Gostei da trama, achei diferente e envolvente. A capa é muito bonita, espero gostar da leitura. Certamente tantos nomes também vão me deixar confusa em algum momento, mas espero que seja algo passageiro e depois eu me acostume.
beijos

Taísa Silva disse...

Oie tudo bem? O livro parece ser bem intenso e emocionante, levantando várias questões assim. Parabéns pela resenha, dica anotada!

Três Leitoras disse...

Oioioi, essa é a primeira resenha deste livro que leio e achei o enredo em si super interessante, a sensação que tenho é que irei refletir muito durante a leitura... Ter a oportunidade de entender, mesmo que pouco, da cultura judaica também me empolga a realizar a leitura. Dica anotada, adorei a sua resenha!

Bruna Costabeber disse...

Olá!
Já tive a oportunidade de ler esse livro e gostei muito dele, achei a narrativa ótima, foi muito bacana como a autora mostrou como, independentemente de qualquer coisa, nós precisamos viver, a vida não espera.
Eu só tive problema com a parte do Daniel, achei meio fraco, não sei.
Adorei conhecer a sua perspectiva da história :)
Beijos

Karini Couto disse...

Eu li esse livro e a história parece apenas algo sobre "magia" com o dia da morte que você vai morrer e quatro personagens que terão de aprender a lidar com isso. Mas garanto que o que tenho em mãos é muito mais que isso. É um livro sensível, que transborda emoções e nos faz refletir de inúmeras formas diferentes. Um livro que mantém uma linha bem tênue entre razão, emoção e imaginação. Esses personagens tão bem construídos viverão o turbilhão da revelação de uma vidente que irá marcá-los de maneira diferente, mas definitiva. Informações que determinarão reações, e formas de conduzir suas vidas. Além disso, somos agraciados com uma ambientação digna onde temos uma linha do tempo rica e muito bem detalhada. Suas vidas foram marcadas pela data provável de suas mortes e a partir dali, muita coisa foi moldada e talvez teria sido diferente se não tivessem tido aquele encontro com a misteriosa vidente.


Gente. Sem tirar nem por, a história é única e realmente muito bem escrita.


www.alempaginas.com

Coleções Literárias disse...

Olá.
Não conhecia o livro, mas já amei a capa, muito linda.
Se eu não tivesse lido sua resenha talvez nunca pensaria em ler o livro. Mas gostei muito da sua resenha, achei a premissa bem interessante. Achei legal saber que é um livro fluido e de narrativa simples.

Nicole Araújo disse...

Nossaaa, destaque pra capa! Simples e linda. Sua resenha está clara e objetiva, achei incrível. É com certeza um estilo literário que me agradaria.

Livros & Tal disse...

Ola...

Gente, eu sou completamente apaixonada pela capa desse livro e, pelo que falou, a história parece realmente valer e muito a pena de ser lida. Adoro obras reflexivas e que nos fazem pensar em nossas atitudes e destino.

Beijos

Saga Literaria disse...

Olá, tudo bem?

Eu li esse livro rapidinho, além de ser uma linda edição conta ainda com uma grande história e é um livro reflexivo. Parabéns pela resenha, adorei!
Abraço!

Tania Bueno disse...

Amei a capa desse livro e sua resenha está um primor, você já me conquistou no primeiro parágrafo que me despertou para buscar este livro e ler. As suas questões me fizeram refletir e gostei demais disso.

Bjo
Tânia Bueno

Debyh disse...

Olá,
Lembro que quando li a sinopse achei tudo tão confuso, mas agora depois de ler a resenha não me parece. Creio que o livro deve ser algo como um drama familiar com uma pitada de fantasia (por conta de saber a data da morte), né? Aliás acho um tanto quanto assustador este negócio de saber o dia que vai morrer, jamais gostaria de saber. hehehehe
Quanto aos termos judaicos já li alguns livros, e acompanhei séries de TV com personagens judeus então acho que eu entenderia boa parte, mas não tudo também.

Debyh
Eu Insisto

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