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RESENHA Lembra aquela vez

28 de setembro de 2018


Título: Lembra aquela vez
Autor: Adam Silvera
Editora: Rocco
Nº de páginas: 336
Sinopse: "Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade"
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 




Oi, aqui é a Isa, e essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem por finalidade falar sobre livros que abordem os temas relacionados aos transtornos mentais, depressão, suicídio e maneiras para preveni-lo. Este livro é muito amorzinho muito mesmo, mas ao mesmo tempo é muito triste. A construção dos personagens faz você amá-los ou odiá-los instantaneamente. A leitura foi incrível, preciso iniciar dizendo isso, mas o final me deixou devastada e sem rumo nessa vida. 

AVISO DE SPOILER, NECESSÁRIO POR SINAL!


Aaron Soto é um garoto comum que vive no Bronx, um distrito de New York, tem amigos e uma namorada, nada demais até aqui, não é mesmo? No entanto, ao decorrer da história somos apresentados a vários fatos que mudam toda a linha da narrativa e o que você imaginou que aconteceria na verdade não acontece. 



Aaron é muito apegado a seus amigos e a sua namorada, Genevieve, que o apoiou muito depois da perda de seu pai. Certo dia Aaron e seus amigos estão jogando Perseguição, tipo pique-esconde só que meio perigoso, e Thomas ajuda Aaron a despistar os amigos que o estavam perseguindo. A partir desse momento uma amizade muito forte começa a ser desenvolvida, Thomas que até então era um desconhecido, começa a participar da roda de amigos de Aaron, e eles não se desgrudam nunca, sempre que possível eles saiam, Aaron dormia na casa de Thomas e isso incomodava os amigos mais antigos dele, principalmente Brendan. 

A amizade deles se torna mais forte quando Genevieve vai passar três semanas em um acampamento de artistas e Aaron fica “sozinho”, como ele é muito dependente da Genevieve ele fica muito perdido e procura Thomas para suprir esse vazio. 

Aaron tem muitas cicatrizes, tanto internas quanto externas. Seu pai se matou na banheira da casa e ele não entende o motivo que levou seu pai a fazer isso, seria assim tão ruim a vida de ele tinha? Sua família não era um motivo suficiente para continuar vivendo? Depois de seu pai ter optado pela morte voluntária, Aaron também tenta a mesma coisa, só que esse fato fica meio sem explicação no começo, não somos apresentados a um possível motivo para essa tentativa de Aaron. 

A amizade com Thomas evolui tanto que Aaron começa a sentir umas coisas estranhas por ele, coisas que ele não sentia pelos amigos e cada vez sente menos a falta de Genevieve, que estava no acampamento. Certa noite Aaron decide contar a Thomas que ele está sentindo essas coisas estranhas e se assumir gay, para a sua surpresa Thomas encara esse desabafo com a maior naturalidade do mundo e isso é de extrema importância para Aaron, pois Thomas é uma das pessoas mais importantes para ele. Em certo momento Aaron está no quarto de Thomas e começa a fazer uma tatuagem de caneta nele, nesse momento Aaron, movido pelos sentimentos e pela certeza de que Thomas também é do Vale, e dá um beijo nele, Thomas o afasta e diz ser hétero (sim, ele diz ser hétero, para a minha tristeza pois estava shippando muito). Mesmo Thomas afirmando ser hétero Aaron está convicto que ele não é, mas mesmo assim deixa essa suspeita de lado priorizando a amizade, eles ficam um tempo separados, mas fazem as pazes e se abraçam na rua. 

O que um simples abraço poderia fazer você? Pode se perguntar, mas nesse caso um abraço mudou todo o rumo da história. Eu-doidão, “amigo” de Aaron, os vê se abraçando e conta para seus amigos, e como alguns héteros tem a masculinidade frágil ao extremo, eles param Aaron e começam a bater nele, falando que é para o bem dele, para ele parar de ser bichinha, só que eles batem tanto nele que ele quase morre e tem que ir para o hospital. 

E é nesse momento que temos a maior revelação de todas, Aaron tinha passado por um procedimento que se chama Leteo, que basicamente é esquecer memorias que você não quer lembrar. O que Aaron esqueceu? Ele decide esquecer que é gay, pois depois que ele se assumiu em casa tudo ficou horrível, e ele associa o suicídio do seu pai a esse fato da sua vida. E foi por isso que ele tenta se matar, só depois de ele lembram de tudo que ele esqueceu é que sabemos que ele tentou se matar por não aguentar tudo que estava ruim depois de se assumir gay. 

Esse livro é tão incrível que essa não é a ultima revelação, mas eu já escrevi demais. É importante ressaltar que o tema geral desse livro é aceitação e intolerância, Aaron não se aceita do jeito que é e isso acaba colocando uma barreira mental nele fazendo com que ele pensasse que tudo de ruim que acontecia era porque ele gostava de caras. Ser gay não é o problema, mas a intolerância é, tanto dos amigos quanto do pai, pois sua mãe dava todo apoio para ele, mas o pai era um abusivo e violento que o expulsou de casa por ser gay e batia em sua mãe. 

Quero terminar dizendo que sua sexualidade não é um problema, por mais que tudo esteja difícil, desistir de algo tão precioso com a sua vida não é a melhor escolha, sempre existe alguém ou alguma coisa que valha a pena mais um dia, mesmo que seja muito difícil de achar, é o que eu sempre repito pra mim mesma. 

Espero que se interessem por esse livro e gostem tanto quanto eu gostei.

“Thomas também corre o dedo sobre a cicatriz depois cutuca meu pulso duas vezes. Seus dedos estão sujos do ioiô e de outras coisas do telhado. Mas agora eu entendo; ele desenhou olhos, com duas impressões digitais sujas sobre a cicatriz.”








Comentários
22 Comentários

22 comentários :

  1. E a primeira vez que leio uma resenha sobre esse livro, e fiquei completamente surpresa pelo conteúdo abordado, que a aceitação e a intolerância, pelo fato do personagem se assumir gay, o que acaba o levando a tentativa de suicido. Infelizmente a história possui uma trama real, já me deparei varias vezes com história reais com esta temática. A falta de apoio, o pre conceito por parte da sociedade. Enfim, sua resenha ficou incrível e me convenceu a dar uma chance a leitura.

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  2. Olá,
    É realmente triste quando se trata de um tema de não-aceitação, ainda mais por conta de tanta intolerância que existe. Creio que deve ser uma história bem densa sobre o assunto.

    Debyh
    Eu Insisto

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  3. Oi Isa, eu tenho descoberto leituras maravilhosas nestes projetos do setembro amarelo, este livro eu ainda não conhecia, gostei muito do enredo e do drama do personagem, achei meio confuso isto dele fazer tratamento para esquecer, será que isso é mesmo possível? Bom, fiquei curiosa, dica anotada.
    Bjos
    Vivi

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  4. Olá, já tinha visto a capa desse livro mas ainda não sabia do que se tratava a história. Muito bacana ela falar sobre aceitação e sobre a intolerância, que como você bem destacou, o problema não é a orientação sexual, e sim a intolerância. Depois do seu post já é uma leitura que considerarei fazer.

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  5. Oi, tudo bem? AI, MEU DEUS!!!! É a primeira vez que vejo esse livro e JÁ QUERO MUITO! Eu adoro temas sobre sexualidade e saúde mental, os dois juntos, então, SOCORRO! Eu acho que você deu muitos spoilers na sua resenha, rsrs, mas serviu para que eu decidisse 100% pela leitura! Deixando na minha wishlist desde já! Muito obrigada pela dica! :)))

    Também acredito que falar sobre saúde mental na literatura é uma ótima maneira de fazer os outros perceberem que não estão sozinhos e que as coisas podem melhorar. Com certeza, a sexualidade nunca será um problema. Além da intolerância, acho que antes de tudo, o problema é a construção social da heterossexualidade compulsória, que é muito triste e que, infelizmente, levou a sociedade a excluir pessoas fora do "padrão" ou, então, forçá-las a seguir esse "padrão". Eu acredito na diversidade e detesto demais qualquer padrão, porque apaga o fato de que ninguém é igual a ninguém. Quanto à saúde mental, isso também cabe aqui. Pessoas neurotípicas ainda são as "modelos" de uma vida "saudável", o que exclui o fato de que, obviamente, cada um funciona de um jeito. Acho muito triste tudo isso.

    Obrigada pelo post e pela resenha! Continuaremos falando sobre saúde mental o ano inteiro! <3

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  6. Oi Dayhara tudo bem? Agora fique sem chão com esta revelação, coitado do Aaron com as pessoas podem ser cruéis e seu pai foi desumano com o próprio filho que coisa mais retrógrada e cafona, mas essa é a realidade que vivemos um preconceito que abala as estruturas de muitas famílias. Adorei sua resenha foi direta e emocionante e a trama do livro é fantástica, dica anotada, bjs!

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  7. Oi, Dayhara! Me emocionei com sua resenha, o livro deve ser daqueles que tem que ler com lencinhos do lado, né? Adorei essa indicação e com certeza será leitura obrigatória.
    bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  8. Olá,

    Li esse livro no ano passado e ele é realmente maravilhoso. Achei bem legal o projeto sobre setembro amarelo e tem tudo a ver esse livro. Concordo que o maior problema é a intolerância e isso é muito presente na nossa sociedade. Adorei a resenha, está ótima!

    www.virandoamor.com

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  9. Oi Isa.

    Adorei esse projeto de vocês porque adicionei vários livros que não conhecia a respeito do tema. Esse que você resenhou também não conhecia e pela sua resenha, o livro tem tudo para ser um grande destaque entre as minhas leituras. Já estou colocando na lista de desejados. Parabéns pela resenha.

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

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  10. Nooossaaaa!!!Quero muito este livro agora. Parece muito interessante, me lembrou um quê de brilho eterno de uma mente sem lembranças nesse lance de pagar a memória, e como no filme, ter feito isso acabou levando a pessoa mais ou menos para o mesmo local de onde fugia. Amei seu texto, me deixou com muita vontade de ler mesmo. Tá na minha fila já.

    Bjus, Mirian.

    https://castelodoimaginario.blogspot.com/

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  11. Olá, Isa!

    Eu achei a capa desse livro muito linda e sua resenha ficou super envolvente. É mais uma daquelas histórias que nos dão socos no estômago, que nos fazem refletir e sofrer com a dor do outro. :(

    Se o Aaron não se aceitava era porque não recebia apoio suficiente para isso, dá para perceber. Ao ponto de ele querer esquecer que era homossexual, ao ponto de tentar se matar. Eu já estou cansada dessa sociedade tão preconceituosa e hipócrita. Que só sabe se meter na vida dos outros para tentar destruir. Querem impor suas escolhas aos outros, sua religião, sua crença, sua opção sexual, seu candidato político... TUDO. Você não pode ser diferente, pensar diferente, tomar suas próprias decisões que vem o outro achar que sabe mais e tem que te mudar. Estou muito cansada de tanto egoísmo, de tanta intolerância e falta de amor. As pessoas citam a Bíblia para defender seu ponto de vista, mas se esquecem por completo dos ensinamentos de Jesus, que é o filho de Deus e o próprio Deus. Citam tantas outras passagens, mas os ensinamentos dEle ficam relegados ao esquecimento. Gente hipócrita!

    Lerei o livro se tiver a oportunidade um dia. Mas já sei que vou sofrer com essa história.

    Bjs!

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  12. Este livro aborda temáticas necessárias para nossa Era. Gostei do enredo. Consegui sentir a dor do personagem, só pela sua resenha. Quero ler ele depois, para entender cada ponto a fundo. Gosto de livros assim, que claramente tiram a gwnte de nossa zona de conforto e nos levam a uma profunda reflexão de quem somos e de como muitas vezes pessoas ao nosso redor vivem conflitos que nem imaginamos.

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  13. Acho que essa é primeira resenha sobre esse livro que leio e deixa eu te dizer, fiquei impactada. A história e os personagens são bastante complexos né, bem construídos e com pontos muito importantes. É muito importante ver livros que tratem de intolerância (não só de sexual, mas principalmente), e mais ainda no momento em que estamos vivendo. Marquei na minha lista aqui, porque eu preciso saber como essa história acaba!
    Beijos!

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  14. Olá, tudo bem? Eita que temos dois assuntos importantíssimos dentro do conteúdo. Não sei se já falei em outra resenha, mas estou adorando essa associação dos temas com o mês de Setembro! Não conhecia o livro, confesso, mas fiquei bem interessada depois da sua resenha. São assuntos que gosto bastante de ler e debater, por isso com certeza dica anotada!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

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  15. Oi.

    Que resenha profunda! <3 Acho que o parágrafo de "sua sexualidade não é um problema" é algo TOTALMENTE necessário. Infelizmente vemos muitas pessoas não demonstrando quem são, não transbordando sentimento por quem deseja, por quem ama! O mundo precisa aceitar isso e todos precisam amar!

    Já tinha visto o livro, mas sua resenha me despertou muito interesse.
    Beijos,
    Blog PS Amo Leitura

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  16. Oi Isa!
    Essa história parece ser incrível, pois consegue juntar no enredo muitos temas relevantes. Quero muito ler, fiquei curiosa com as revelações que ainda estão por vir nesta histórias.
    Bjs!

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  17. Olá!
    Eu tenho esse ebook e fiquei chocada com o desenrolar da história. É de uma crueldade tão grande o outro se sentir no direito de machucar o outro seja com palavras ou até mesmo com essa violência desenfreada. Infelizmente uma coisa tão comum nos dias de hoje.
    Esse livro é daqueles que nos tiram da zona de conforto e nos faz refletir muito sobre o caminho que a humanidade está seguindo.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  18. Eu achei esse projeto de vocês o máximo,pude conhecer melhor de alguns livros e alguns novos também, como foi o caso desta história... Nunca tinha visto ele, acredite, mas acho que ele aborda pontos importantes e necessários... Acho de extrema importância debater sobre aceitação... Precisamos nos aceitar e amar, mesmo que queiram nos convencer de que não vale a pena!

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  19. Olá!
    Setembro Amarelo é um mês muito importante, pois nos alerta de algo que muitas vezes fechamos os olhos e, muitas vezes, a pessoa que mais precisa de ajuda está do nosso lado e não vemos.
    Eu achei esse livro completamente original. Não conhecia a história, mas fiquei com muita vontade de ler. Eu sei que é meio tensa, em questão de sentimentos, ler livros assim, pelo menos pra mim, mas ao mesmo tempo é tão bom poder entender um pouco sobre depressão, ansiedade, aceitação e tudo mais. Dica anotada!

    Traveling Between Pages

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  20. Olá,
    não conhecia esse livro mas já gostei bastante das abordagens. O fato dele trabalhar tão profundamente assuntos corriqueiros como a intolerância e a auto aceitação me fez querer lê-lo. Só de ler sua resenha senti meu coração partido pelos dilemas enfrentados pelo protagonista, nem imagino as dores de não conseguir ser quem é.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

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  21. Esse livro!!!!! ai, como amei ter lido esta história e como foi pertinente entender as motivações e confusões do protagonista. Quando tudo começa a ser esclarecido eu berrei de angustia, porque embora estivesse na minha cara, eu não tinha sacado!!!
    Que legal que você também amou.
    beijos

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  22. Oi, tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro, mas logo de cara fiquei animada com sua resenha. Bom, eu gosto bastante de histórias que abordem esses temas e fiquei curiosa para saber mais sobre a história de Aaron, deve ser uma trama difícil de acompanhar, mas interessante. Enfim, imagino que iria gostar bastante dessa leitura, por isso vou marcar a dica.

    Beijos :*

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