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RESENHA O último adeus

21 de setembro de 2018

Título: O último adeus
Autora: Cynthia Hand
Editora: Darkside
Nº de Páginas: 352
Sinopse: "O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante.  O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes." 



Essa obra faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como finalidade promover um debate saudável sobre transtornos mentais, suicídio e maneiras para preveni-lo.

Li O último adeus tem um bom tempo, mas nunca tive coragem de resenhá-lo, a impressão que sempre tive, é que esse livro é grande demais para caber em uma simples resenha, ele é intenso, te leva por um mar de sentimentos e no final te arrebenta, sem questionar se você é forte o suficiente para aguentar. A obra se tornou tão importante pra mim que hoje é meu objeto de pesquisa na faculdade, é meu corpus de análise e por meio dela, tento trilhar um caminho na intenção de compreender o suicídio, luto e o uso de diários na literatura. Compreender a essência desse livro, é mergulhar de certo modo, na vida pessoal da autora também, mas para isso, precisamos entender um pouquinho mais sobre a história.

Lex tinha tudo para ser o orgulho da família, está no último ano da escola, é um verdadeiro gênio da matemática, um futuro promissor, isso se seu irmão não tivesse cometido suicídio. Tyler se matou com um rifle de caça, na garagem de casa, deixando apenas um recado em um post it amarelo onde dizia: “Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio”. Lex se sente culpada, inicialmente não entendemos o motivo mas isso é totalmente plausível, a narrativa se dá devido a isso. Seu terapeuta Dave, tentou de outros modos fazer com que sua paciente falasse e não funcionou, então em uma tentativa diferente, pede para que ela escreva em uma caderno Moleskine sobre seu irmão Tyler, seja sobre os momentos felizes, sua raiva, qualquer coisa, Lex só precisa escrever.

É justamente aí que a história começa a ganhar corpo, a narrativa se intercala entre a Lex do presente, tentando sobreviver ao luto, buscando formas de ajudar sua mãe, que também se afundou nessa fase, e aqui é necessário fazer um recorte, a impressão que tive foi de que os papéis se inverteram, com a morte de Ty, a mãe de Lex se tornou uma criança, não se alimentava, chorava muito, insistia em dormir no quarto do filho e com as roupas dele, tudo muito triste, então além de tentar superar a morte do irmão, a protagonista assume o papel de mãe de sua própria mãe, confuso, né? Pois bem, a narrativa mostra a Lex do presente, passando por essa situação, e trechos de seu diário, onde ela tenta falar sobre seu irmão, nunca sobre o dia de sua morte, sempre outras coisas. 

No começo, eu achei que Lex não conseguia falar sobre o dia da morte do irmão por não estar preparada, e de certa forma é exatamente isso, mas ela também se sente culpada. Conforme vamos acompanhando seu diário, percebemos que Tyler sempre deu os sinais de que precisava de ajuda, antes de se matar se afastou de amigos, terminou um relacionamento, parecia sempre deprimido, tentou se matar com remédios. Contrariando aquele velho tabu de que suicidas nunca dão sinais ou pedem ajuda, Ty era uma adolescente que pediu socorro, mas foram situações tão pequenas e pontuais, que muita gente ao seu redor não deu a devida importância. 
Como sabemos, a Darkside é conhecida como uma das maiores editoras de terror, e nessa obra a coisa não foi diferente, a introdução do elemento fantástico acontece de maneira bem peculiar, tanto Lex quanto sua mãe começam a achar que o fantasma de Ty está pela casa, rondando, com seu cheiro, deixando pistas, tudo para que não seja esquecido, isso certamente acaba dificultando o processo do luto.

A obra fala muito sobre o luto dos familiares, e sobre o processo de Ty até o suicídio, é bastante doloroso ler os relatos da mãe, falando sobre como é ruim perder o filho, e ver Lex se vendo como culpada, abandonando seus sonhos porque a culpa a engole por completo.

Talvez esse seja o livro mais obrigatório de todo o projeto, é uma história sobre o cuidado que devemos ter com quem está por perto, como devemos oferecer nosso ombro amigo em qualquer momento, porque nunca saberemos quando será O último adeus.


Uma curiosidade sobre a obra e a autora, é que seu irmão se suicidou aos 17 anos também, ela afirma que a obra é extremamente ficcional, mas aos meus olhos, foi o modo que ela encontrou para falar sobre esse período tão difícil. Sobre a parte estética do livro, a fonte usada no livro, e a cor, tentam imitar o uso de uma caneta BIC, como a usada no bilhete de Tyler, a capa é repleta de post is pelo mesmo motivo. 



"Eu não estava prestando atenção. Estava ocupada demais sendo a protagonista do meu próprio filme, enquanto meu irmão estava em algum lugar lá fora aquela noite, no escuro, sofrendo. E 17 dias mais tarde, ele estava morto."



Comentários
16 Comentários

16 comentários :

  1. Nossa, eu não imaginava que a autora tivesse passado pelo mesmo na mesma idade. Não li esse livro ainda mas pelo que vi da sua resenha é uma ótima leitura para exercitar a empatia.

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  2. Oi Day, eu tenho muita vontade de ler este livro, tenho certeza que vou me emocionar muito e tua resenha só confirmou este fato, o tema é delicado e profundo mas de grande aprendizagem. Eu participei de um projeto para o setembro amarelo, escrevendo um conto (na verdade dois) para a antologia "Cicatrizes na alma", disponível na Amazon.
    Parabéns por tua resenha e pelo projeto.
    Bjos
    Vivi

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  3. Simplesmente adquirir esse livro quando houve o lançamento pela temática abordada, e até hoje não tive coragem de ler. Talvez porque eu saiba que vai ser uma leitura que irá mexer com meus sentimentos e me arrebentar como você mesmo disse. Gosto muito desse projeto literário, por eu estudar psicologia sempre me deparo com o assunto, e sempre me questiono o motivo que leva uma pessoa a cometer suicídio, e o quanto e importante debater a temática, com irmãos, pais entre outros. Bom, amei como você escreveu sobre o livro, e sobre o assunto, pois me chamou bastante a atenção, e deu vontade de ler esta obra logo.

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  4. Eu tenho muita vontade de ler esse livro, mas ainda não criei coragem para comprar, com certeza é um livro que vai mexer muito comigo e não estou em um bom momento para poder ler algo desse tipo. Mas eu quero ler, não sei quando, mas é um livro que eu sei que em algum momento da minha vida eu vou ler. Só de ler a sua resenha eu já fiquei com o coração apertado.

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  5. Eu tenho uma enorme curiosidade em ler este livro, mas infelizmente ainda não tive oportunidade. Acho importante sempre estarmos não só ao lado de quem amamos, como também demonstrarmos este amor, pois realmente quem pode saber quando será o último adeus?
    Bjs Rose

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  6. Eu quero muito ler esse livro, eu vi a diagramação dele quando fui na saraiva e fiquei apaixonada.
    Ultimamente tenho visto muitas resenhas sobre ele e acho que ele trata de temas super importantes, a gente precisa mesmo ficar ao lado de quem amamos em todos os momentos, mostrar os sentimentos porque, usando o clichê, amanhã pode ser tarde demais.

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  7. Esse livro me destroçou completamente. Quando terminei de ler eu não parava de chorar. O que achei mais legal foi que considerei que nesta obra o foco não é a morte, mas a vida; quem fica e como seguir em frente. Amei muito e adorei ver essa resenha no Setembro Amarelo, que máximo que virou até seu objeto de pesquisa.

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  8. Olá!
    Eu ainda não tive coragem de iniciar a leitura desse livro, porque sei que preciso estar preparada emocionalmente para essa trama, e no momento estou lendo livros mais divertidos. Achei interessante que esse livro tenha se tornado o seu objeto de pesquisa e é muito triste saber que o irmão da autora suicidou. Acredito que não tenha sido fácil para ela escrever esse livro.
    Bjs.

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  9. Oiii Day

    Eu tenho esse livro faz tempo anotado pra ler, a história parece ser tocante e daquelas que cuasam impacto, fazem o leitor refletir. Gosto muito da escrita da Cynthia, já li um livro de fantasia dela e a narrativa da autora prende bastante, é fácil de acompanhar.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  10. Olá!
    Faz um bom tempo que tento adquirir o livro, mas o preço sempre está bem salgado. Amo livros que tenham temas pesados. Adorei a premissa da história e a cada resenha minha vontade de ler só aumenta. Parabens pela resenha. Eu não sabia sobre o acontecimento com a autora, talvez seja isso mesmo que você tenha dito.

    Abraços.

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  11. Olá, eu tenho esse livro na estante há algum tempo e lendo sua resenha fiquei mais motivada a lê-lo logo. A edição está bem caprichada com esse efeito de caneta. Gosto bastante de livros que abordem essa temática do suicídio e do luto dos familiares, pela sua resenha me parece que a autora consegui trabalhar bem esses temas.

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  12. Olá!
    Nossa, eu não conhecia esse, acho que já vi na livraria, mas nunca parei para olhar e saber do que se trata. Vindo da DarkSide eu não espero outra coisa se não uma história incrível, mas só de saber que o livro mexeu tanto contigo que se tornou seu objeto de pesquisa, tenho certeza que é uma excelente leitura. Essa história parece ser bem marcante, que toca a gente de várias formas. Dica anotada!

    Traveling Between Pages

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  13. olá...
    bem, apesar de volta e meia fazer leituras nessa temática, confesso que O último adeus não me empolgou... ainda tentei mas em poucas páginas não me senti fisgada na leitura e desisti...

    eu tenho muito receio com a forma com que alguns autores abordam o tema em suas obras...

    bjs...

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  14. Só sua resenha já me deixou abalada. :( Esse é um tema muito complicado. Doloroso. E que eu tendo a evitar na literatura porque sei que ficaria destroçada se lesse.

    Acho que foi num post aqui no blog mesmo que eu disse que não julgo aqueles que se suicidam. Que eu compreendo que eles só queriam se livrar da dor e de uma forma ou de outra suplicaram por ajuda e ninguém se importou o suficiente para salvá-los, para mostrar uma luz no fim do túnel. É muito triste. Eles sempre dão sinais. Isso de que não avisam é mentira. As pessoas é que não percebem os sinais porque estão concentradas demais na própria vida.

    Eu sempre fico com um nó na garganta quando vejo resenhas de histórias assim. Fico pensando nos diversos casos reais. E nesse livro, como você disse, o Tyler deu todos os sinais. E sua família não desacelerou o ritmo para notar. Têm mais é que se sentirem culpados mesmo. Pode parecer que estou sendo injusta, porque é óbvio que elas não queriam que ele morresse, mas a negligência também provoca danos. E ele morreu. Isso não tem volta.

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  15. Olá.

    Esse livro realmente é intenso. Ele vai além do que as resenhas são capazes de expressar e além do que ele mesmo é capaz de mostrar. Um dos melhores livros que já li.

    Beijos,
    www.psamoleitura.com

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  16. Olá, tudo bem? Desde que esse livro foi lançado, ouço que ele é bem intenso e cheio de momentos angustiantes. Quero ainda ter a oportunidade de lê-lo um dia pois sei que vou me emocionar, porém ainda não tive tempo. Sua resenha me deixou mais ansiosa ainda e entendo quando você diz que demorou a fazer a resenha pela intensidade do mesmo. Às vezes passo por isso também!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

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