RESENHA Uma história meio que engraçada

quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Título: Uma história meio que engraçada
Autor: Ned Vizzini
Editora: Leya
Nº de Páginas: "O que aconteceria se você descobrisse que a maior idealização da sua vida não era aquilo que você esperava? O adolescente Graig Gilner vai perceber que, até mesmo ao atingir um objetivo, nem sempre as coisas saem da forma como deveriam. Mas aprenderá também que, mesmo nas adversidades, é possível fazer novos amigos, se apaixonar e encontrar motivos para viver. Como muitos adolescentes determinados a vencer na vida, Craig Gilner acredita que asua entrada na Executive Pre-Professional High School de Manhattan é o passaporte para o seu futuro. Obstinado a ter uma vida de sucesso, Craig estuda dia e noite para gabaritar no exame de admissão, e consegue. A partir daí, o que deveria ser o dia mais importante da sua vida, acaba marcando o início de um sufocante pesadelo."
* Exemplar cedido em parceria com a editora. 

  Essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como finalidade promover um debate saudável sobre saúde mental, transtornos, suicídio e formas de preveni-lo. 

 Li Uma história meio que engraçada no início do ano passado, foi um livro que me conquistou logo na primeira frase, conheci-o através do canal da Bruna Miranda no Youtube, que sempre colocou o livro como um de seus favoritos da vida e sempre fez questão de mostrar como ele a ajudou em um período difícil, comigo não foi diferente, e é por isso que essa resenha é tão especial.

Craig aparentemente é um cara normal, estuda como ninguém para passar em uma das melhores escolas do mundo, a Executive Pre-Professional High School de Manhattan, ele é extremamente organizado quanto a isso, passou um ano inteirinho focado apenas em estudar, mas quando sua carta de aceitação chega, sua ruína começa. Passar era um de seus propósitos, é claro, mas a escola não é como Craig esperava, ele não é mais o cara inteligente que costuma ser na sua antiga escola, é só mais um cara comum, que tira notas iguais aos outros alunos. Ele achou que havia sido um gênio ao tirar nota máxima e ser aceito, mas adivinha? Todos tiraram nota máxima, sua esperteza em sua nova escola, não é nada anormal em relação aos outros alunos. Craig saiu de uma rotina muito puxada, na qual ele dava conta, para uma extremamente caótica e perturbadora, são pilhas e mais pilhas de leitura, que sufocam a mente do personagem e mostram como a pressão escolar pode agir como um forte fator para a depressão e outros transtornos.
Devido ao período em que estava focado em estudar, e logo depois de ser aceito, Craig se afastou de seus amigos, e a pontinha da depressão aos poucos foi surgindo, logo após iniciar seu ano letivo na nova escola, a situação passou ainda pior, até mesmo sua alimentação foi comprometida, ele não conseguia comer porque a depressão passou a ser algo tão grande dentro dele, que o impossibilitava, Craig passou a ficar horas no banheiro com a luz apagada, esperando por um pouquinho de sanidade e bondade por parte de sua mente, mas isso dificilmente acontecia. Ele é a personificação da depressão, dorme pouco, pensa demais, come pouquíssimo, tem grandes questionamentos, tudo é extremamente complicado, acordar é um saco, viver é um grande peso. Conviver com todas essas questões não é nada fácil e ele decide que vai se matar, acorda de madrugada e se prepara para pular da ponte, mas em um ato MUITO corajoso, diga-se de passagem, ele liga para uma espécie de CVV e pede ajuda, é encaminhado para o hospital mais próximo e logo é internado na ala de psiquiatria, lá Craig encontra pessoas que passaram pelas mais diversas situações, e ao conhecer o sofrimento de outras pessoas, participar de rodas de conversa e seguir com o tratamento, Craig começa a se encontrar, essa é uma jornada de redescoberta, provando que a depressão nem sempre nos vencer.
O que mais amo nessa obra, é a maneira como a depressão e a ajuda foram abordados, Ned Vizzini começou a escrever essa história após passar um tempo internado também, é impossível não achar que tem um pouquinho do autor nesse enredo. Craig é um personagem muito aberto sobre seus transtornos, ele não tem medo de pedir ajuda, de mostrar que precisa de apoio, ele sabe reconhecer suas fraquezas e acho isso muito bonito. Sua família certamente teve participação ativa na história, eles fazem de tudo para que o protagonista fique bem, tentam os mais diversos tipos de tratamento, o que Craig achar que precisa fazer para ficar bem, eles topam. Já a jornada no hospital é muito interessante, ver outros personagens lutando por suas vidas, tentando vencer seus transtornos, é tudo muito complexo mas nos faz refletir sobre como a depressão é uma doença que não vê classe social, idade, nada, infelizmente estamos todos sujeitos a passar por isso, o modo como você lida é o que diferencia.
Algumas vezes eu achei que Craig ia longe demais em suas divagações, mas quem sou eu para mensurar o tamanho do problema de outra pessoa? Quem sou eu para querer medir o nível de seu sofrimento? Essa é uma obra narrada por uma adolescente, mas que te move e te transforma de tal forma, que ao final você se vê chorando como uma criança.
Um adendo importante é que o autor acabou cometendo suicídio em 2013, oito anos depois do lançamento da obra, mas seu recado foi dado ao mundo, procure ajuda, mantenha-se firme, seja maior que esses tentáculos que tentam te envolver.

"Não é fácil sair da cama. Sei por experiência própria. Você é capaz de ficar ali durante uma hora e meia sem pensar em nada, só preocupado com o que o dia reservou pra você e sabendo que não será capaz de dar conta."



20 comentários:

Ana Caroline disse...

Olá!

Deve ser perturbador acompanhar os divagamentos e pensamentos do personagem principal, mas o que nos deixa mais aliviado é que ele procurou a ajuda que precisava e conseguiu, o que muita das vezes não acontece e a pessoa acaba tendo a "missão" que estava em mente sucedida, o que é muito triste!

Thainá Christine disse...

Eu já cheguei a assistir ao filme, mas na época não gostei. Acredito que o re-assistindo agora - e lendo ao livro - eu tenha uma perspectiva totalmente diferente e empática com a história. Não costumo ler frequentemente obras que abordam sobre depressão e suicídio, mas acredito que sempre é bom colocar uma aqui e outra acolá para abrirmos nossas mentes cada vez mais. Aproveito para indicar o livro nacional Rotas de Fuga, da Nina Spim, que também aborda sobre esses temas. É lindo e bastante sincero. Eu pude aprender muito com a leitura.

www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

Viviane Dutra disse...

Oi Day, eu já tinha visto este livro, o "Setembro amarelo" tem me apresentado histórias incríveis. Acho que em qualquer coisa na nossa vida, que nos coloquem pressão, a gente surta, eu, pelo menos, não funciono sob pressão, então pude sentir o drama do protagonista. Eu acho que todo autor que escreve sobre o tema, coloca um pouquinho dele e muito da experiencia de vida dele na história. Fiquei triste pelo final que o autor teve, mas enfim, gostei muito da tua resenha, fostes muito sensível na escolha das palavras e quero muito ler este livro. Obrigada.
Bjos
Vivi

Nay* disse...

Eu acho que esse livro deve conter uma lição e tanto de que nem tudo que queremos parece ser o certo para a nossa vida.
Que triste o autor ter cometido suicídio,mas que bom que ela passou uma mensagem bacana através de seu livro.

Beatriz Andrade disse...

Eu estou gostando muito de acompanhar suas resenhas para o setembro amarelo, peguei ótimas dicas aqui e minha lista de desejados aumentou bastante!
Esse livro eu não conhecia e acho que vai ser uma ótima experiência de leitura, ver (pelo li na resenha) que a obra aborda a depressão de maneira tão consciente me atrai para a leitura.

Debyh disse...

Olá,
Sobre não julgar o sofrimento, que nem você disse eu acho que em termos de histórias ficionais nos livros, eu tenho tendência a fazer isso, já que é uma ficção, claro eu tento entender sobre ser um adolescente, e relevo bastante quando se trata de personagens assim. Porém aos poucos vou perdendo a paciência com dramas sem motivos hahahaha. Gostei da indicação ser bem fora do que costumo ler.

Debyh
Eu Insisto

Nina Tavares disse...

Oi Day!
Fiquei muito impactada com sua resenha, não acredito que ainda não conhecia esse livro! Parece ser uma obra muito angustiante e necessária ao mesmo tempo. Também fiquei muito triste em saber do suicídio do autor, mas tenho certeza que a obra dele vai ajudar muita gente!
Bjs!

Aline Souza disse...

Eu não conhecia esse livro, mas gostei muito da forma como a depressão parece ser abordada ao longo da trama, fiquei bastante curiosa quanto ao livro, e claro que quero muito ler... Dica mais do que anotada...

kênia Cândido disse...

Oi Dayhara.

Eu não conhecia este livro e através do projeto que você está participando, eu peguei várias dicas de livros com este tema. Sua opinião mostrou que é livro muito bom, especialmente a maneira como a depressão e a ajuda foi abordada. Já estou adicionando na minha lista. Parabéns pela resenha.

Bjos
https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

Mari disse...

Já li muitas resenhas positivas sobre essa leitura e a forma como ela trata esse assunto tão delicado, por isso tenho bastante vontade de fazer essa leitura também.
Beijos
Mari
Pequenos Retalhos

cris disse...

Oi tudo bem? Eu tinha lido uma resenha sobre esse livro que é polêmico e ao mesmo tempo acontece no dia a dia, e em pessoas próximas que nem ficamos sabendo, sua resenha veio me clariar mais sobre esse assunto e só quem passa sabe que sofrimento é, parabéns pela resenha foi bem objetiva e direta. Bjs!

Bianca Ribeiro disse...

senti minha vida sendo falada nesse livro viu kkkkk
eu me cobro muito pra atingir meus objetivos e metas e se algo não sai como eu planejo eu fico enormemente frustrada e chateada. acho que tenho muito a aprender com esse livro, vou ler ele com toda certeza!

Polly - Entre Livros e Personagens disse...

Olá, tudo bom?
Já tinha ouvido falar desse livro por aí, no entanto, não sabia do que se tratava. Achei a premissa super interessante e adorei a forma como o autor criou um personagem disposto a pedir ajuda, a gritar por socorro em meio a depressão em que estava vivendo. Só fiquei triste em saber que o autor acabou suicidando alguns anos após publicar este livro =/ Enfim! Adorei a resenha e a indicação. Esse seu projeto do setembro amarelo foi maravilhoso ♥
Beijos!

Vitória Doretto disse...

Ai esse livro <3 Craig foi tão corajoso o tempo todo e me impactou de uma forma tão profunda que eu acho que nunca vou conseguir escrever uma resenha sobre ele. Toda a jornada pela qual ele passa durante o livro é não só um abrir de olhos e um se colocar nos sapatos dos outros, mas também uma fonte de esperança para quem está sofrendo com a depressão, é uma luta dura e diária, mas que não significa que nunca vai ter fim nem que falhará em sair dela. Beijos

Fabiana Pereira disse...

Oi Dayhara!
Gostei bastante desse projeto do setembro amarelo.
Ainda não conhecia esse livro, parece ser uma obra bem forte, ainda mais por ter
"pedaços" do autor nela.
Preciso muito ler esse livro, quando vc disse que o Craig vai longe nas divagações eu me identifiquei muito. As vezes a gente acaba pensando demais e aumenta mais ainda o tamanho do problema que temos.
Vou tentar adquirir o livro e ler até o final do ano.
Beijos

FLeituras

Book Obsession disse...

Olá!
Adorei acompanhar as postagens de setembro amarelo. Já anotei várias dicas e mesmo que eu não desse nada por essa capa, o enredo me chamou atenção pela intensidade.
O personagem deve nos passar muitas mensagens importantes e reflexivas para quem sofre tanto com a depressão.
Vou procurar pra ler em breve.
Beijos!

Camila de Moraes

D e s s a disse...

Eu não conhecia esse livro, mas gostei de saber os temas que ele aborda. Que bom que o personagem vai em busca de ajuda, uma pena que nem todo mundo realmente faça isso. :(
Pela capa eu nem esperava sobre o que se tratava o livro e agora fiquei muito interessada em ler.
beijos

Ps Amo Leitura disse...

Olá.

Não conhecia o livro mas estou adorando ler as suas resenhas baseadas no setembro amarelo. Gostei em saber que você gostou da forma como a depressão e a ajuda foram abordadas no enredo. Já quero ler este livro.

Beijos,
Blog PS Amo Leitura

Mara Santos disse...

Oi, não conhecia esse livro e ler a sua resenha me deixou muito curiosa para ler ele... Sou estudante de psicologia e sei da importância de se debater sobre os transtornos e suicidio e quanto mais obras melhor, assim pode-se falar do tema por diversas temáticas... Fiquei triste por saber que o autor cometeu o suicídio...

Kelly Alves disse...

Oi Day,
Não conhecia o livro, mas sono fato da vitória, dele ter pedido ajuda e ter conseguido vencer a doença já e um livro que quero ler e que com certeza merece ser lido!

Beijokas

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