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RESENHA - O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude

3 de dezembro de 2018


Oi Gente, sou a Thais, colaboradora do blog e hoje é dia de resenha de um exemplar mais que especial que veio na caixinha VIB!

Quando peguei esse livro, eu realmente não sabia o que esperar dele, a princípio porque a capa não me chamou muito a atenção e mesmo que a sinopse o tenha feito, ainda fiquei um pouco receosa. E fiquei realmente surpresa quando o livro me cativou de tal modo que me vi finalizando a leitura dele em três dias. Foi a primeira vez que li um livro onde os personagens principais/par romântico são gays e gostei bastante do fato da autora ter escolhido essa vertente, saindo do foco dos casais padrõezinhos. Tem um toque clichê na história? Tem, mas é um clichê um tanto diferente. Tem romance? Tem, mas a história não se trata apenas e exclusivamente disso, ela também mostra situações e dificuldades enfrentadas por negros, mulheres e casais homossexuais durante o século dezoito. E como já falei várias vezes, adoro quando autores criam histórias assim, tão únicas.


Henry Montague foi criado para ser um cavalheiro, alguém para guiar os negócios e seguir com o respeitável nome da família. O problema é que Monty não é do tipo que segue regras, não pretende seguir os passos do pai e gerenciar as propriedades da família, ele prefere muito mais as jogatinas, o álcool e passar as noites nos braços de quem lhe chamar a atenção, sejam homens ou mulheres. Tudo isso acompanhado de seu melhor amigo/grande amor Percy.


Assim como vários outros jovens nobres de sua idade, Monty irá embarcar no Grande Tour pela Europa, uma viagem/despedida antes de ter que começar a assumir responsabilidades e trabalhar ao lado do pai, em um ano onde, ao lado de Percy, poderá aproveitar todo o tipo de depravação antes de sua liberdade ser restringida. Era isso que ele pensava até descobrir os planos de seu pai, que incluíam um tutor para colocá-lo na linha e sua irmã caçula, Felicity. Mesmo com os obstáculos, Monty está disposto a fazer o que precisar para que ele e Percy se divirtam. Pelo menos até que, por um ato puramente imprudente e aparentemente (segundo ele) não muito grave, a viagem se torna uma grande fuga, onde ele, Percy e Felicity percorrem metade da Europa para se manterem vivos e para buscarem respostas sobre o misterioso objeto que os colocou em toda aquela confusão.

Em meio a roubos, noites dormidas ao ar livre, a prisão, um sequestro pirata e conflitos sentimentais, além de grandes revelações, Monty começa a questionar tudo o que sabia sobre a vida, sobre ele mesmo e até sobre os sentimentos e sua relação com seu melhor amigo.

Eu realmente me vi cativada por essa história, me indignando, rindo, me divertindo, me irritando, e me vi shippando Percy e Monty, porque apesar de alguns comportamentos idiotas (de Monty em quase todas as vezes, já que ele sabe ser um grande idiota as vezes) achei bonita a amizade deles, a relação e o romance dos dois, da força do amor deles contra o preconceito enfrentado na época.

No começo eu não gostava muito de Monty, porque pensava “você só pensa em beber e fornicar o tempo todo? MDS”, e ele pensa muito nisso, além de, de certo modo, não ser como os personagens fortes com os quais estou acostumada. Mas ele me surpreendeu, principalmente porque cresceu e amadureceu muito ao longo da história. Ele era aquele cara rico e tipicamente bonito para quem o mundo gira em torno dele, privilegiado, mas ao ter que fugir, ao ser forçado a viver em situações tão desgastantes, sofridas, reais, tão diferentes de sua vida na alta sociedade cheia de luxo, ele começou a enxergar as coisas realmente, começou a crescer, a se libertar e de fato se tornou alguém forte. Embora nunca deixe seu drama, que chega a ser bem engraçado, de lado. Mesmo não sendo o tipo de personagem com o qual estou acostumada, acho que isso forneceu uma característica mais real a ele, alguém que não segue aquela linha do totalmente heroico e destemido. Outras duas coisasme influenciaram a gostar e simpatizar mais com ele: a primeira foi o fato dele ser, de tantas pessoas possíveis, apaixonado pelo melhor amigo, o que de fato é uma grande merda, e tudo que ele tem que fazer para não perder seu amigo; a segunda foi ver toda a situação que ele passava com o pai (que é praticamente o diabo), que o espancava e o humilhava, causando um grande trauma nele, em grande parte apenas porque ele gosta de se relacionar com homens.

Percy é um amorzinho, ele e seu violino que parece a coisa mais indestrutível que já vi na minha vida. Eu me encantei com sua lealdade, com seu jeitinho e também com sua força. Me indignou o preconceito que ele sofria por causa da cor de sua pele, como era tratado por isso, até pela sua família e como aguentava tudo. Embora não esteja tão surpresa, visto o século que era. E também o admirei pela força e determinação que mostrou perante sua doença, a epilepsia, que mesmo nos dias de hoje não é algo fácil, imagina no século XVIII?

Felicity com toda certeza não se encaixa nos padrões esperados para as damas do seu século e simplesmente adoro ela por isso. Impertinente, espirituosa, corajosa e forte, ela não tem nada de tímida e submissa. Durante todo o percurso, ela basicamente foi o cérebro do grupo, assumindo uma postura firme e controlada, mostrando sua inteligência, engenhosidade e claro, seu grande talento para a medicina. Até mesmo por sua idade, mesmo perante a todos os perigos pelos quais passaram, ela não demonstrou fragilidade, não chorou, foi forte. Os irmãos Montague claramente não seguem os padrões estipulados pela sociedade. Esses três formaram um trio totalmente cativante.

Eu gostei muito do modo como a autora abordou as temáticas, embora algumas não fiquem tão abertamente expostas. Adorei o amadurecimento dos personagens e o desenvolvimento de seus relacionamentos (um destaque para a aproximação de Monty e Felicity, que eram bem distantes um do outro no começo). É uma leitura fácil é gostosa, não tem muitas palavras que te façam empacar na leitura, e ajuda muito o modo criativo como o livro é separado em partes, encabeçadas pelo nome dos lugares onde eles estão durante os episódios. A autora soube muito bem colocar as referências históricas e os costumes da época na qual a história se passa, mesmo trazendo um toque mais moderno para sua narrativa. E achei super interessante também o fato dela deixar pequenas notas no fim do livro, explicando um pouco dos temas abordados no livro, como a política, as relações raciais e a epilepsia.


Claro, a história não é perfeita, tem alguns momentos de desagrado e tal, mas isso é típico na maioria dos romances. Mas, de todo modo, foi uma leitura que valeu a pena, que me fez viajar por um final de semana e que com certeza me fez ter uma outra visão sobre certas coisas da vida. 

“É uma pequena alteração no campo gravitacional entre nós, mas subitamente todas as minhas estrelas estão desalinhadas e os planetas tirados de órbita e me vejo aos tropeços, sem mapa ou direção, em meio ao território assombroso de estar apaixonado por meu melhor amigo.”



Título: O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude
Autora: Mackenzi Lee
Editora: Galera Record
Nº de páginas: 434
Sinopse: "Uma aventura romântica do século XVIII para a era moderna. Simon Versus a Agenda Homo Sapiens, encontra os anos 1700. Henry "Monty" Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões - jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens. Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy - por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada umafesta hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora."

*Exemplar cedido em parceria com a editora. 
Comentários
22 Comentários

22 comentários :

  1. Olá!
    Eu já tinha visto a capa desse livro mas juro que nunca na minha vida ia imaginar que se tratava de um livro de época!
    Adorei sua visão do livro. Parece que a autora soube aproveitar de todos os ângulos que tinha para abordar temas polêmicos sem chocar. Gostei de saber que mesmo com tantos problemas, ainda dá para rir com a leitura. Hahaha
    Parabéns pela resenha e essa é uma leitura que eu faria.

    Beijos!

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  2. Olá!
    Essa capa tem me chamado atenção e ao ver que a leitura lhe causou tantos sentimentos me deixou curiosa para conhecer mais de Percy. Deve ser uma trama cheia de aventuras.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  3. Oi, Thais!
    Há dias vi essa capa e li a sinopse do livro, que me deixou completamente apaixonada. Sua resenha chegou em um ótimo momento para mim, pois queria muito saber mais sobre a história e ainda não tinha lido nenhuma resenha sobre ela. Lendo suas impressões, fiquei ainda mais empolgada em fazer a leitura. Imagino o quanto vou achar engraçado as malandragens do Monty e tive uma impressão de que vou amar as personalidades de Percy e Felicity. Quero demais ler o livro e amei seu post! Beijos!

    Jéssica Martins
    castelodoimaginario.blogspot.com

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  4. Eu amei esse livro! Também tive muita raiva de Monty no início, achei ele muito inconsequente e insensível, mas depois ele foi melhorando. E ah, coisa boa ler uma romance de época com personagens gays. Nunca tinha lido nada igual.
    beijos

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  5. Eu to doida por este livro! Não só por ser um clichê um pouco diferente do que costumamos ler, mas sim porque agora depois de ler sua resenha fiquei ainda mais curiosa com este romance. Espero gostar também

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  6. Eu estou super ansiosa para ler ele, estou com ele na estante e as expectativas estão super altas, espero gostar, a hype esta enorme, né? hahaha

    beijos <3

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  7. Olá, tudo bem? Caramba, nunca li um livro no qual o casal principal seja gay, mas esse parece ser bastante interessante. Fico pensando: se ainda hoje existe preconceito, imagina nessa época em que se passa a obra?! Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  8. Olá, tudo bem?
    Vou te confessar que comigo aconteceu exatamente o oposto que com você. Pelo que percebi, você não tinha expectativas altas e se surpreendeu positivamente com a leitura. No meu caso, foi o oposto kkkkk. Minhas expectativas eram altíssimas, eu realmente achei que iria amar a história, mas acabei abandonando a leitura. A ideia era ótima, mas o Monty é um dos protagonistas mais insuportáveis que eu já li e não consegui shippar o casal hora nenhuma, porque o Percy era um amor e merecia um cara muito mais legal.
    No entanto, apesar de todo o meu ranço em relação ao protagonista, pretendo terminar a leitura e sua resenha me deixou mais motivada. Saber que o Monty evoluiu ao longo do livro já é um conforto.
    Enfim, adorei a resenha e espero gostar mais do restante da leitura.
    Beijos!

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  9. Olá adorei sua resenha e sinceridade a respeito da obra, já vi algumas divulgações sobre o livro mais não sabia que a história abordava uma relacionamento Gay, eu nunca li nada com casais do mesmo sexo e fiquei impressionada e muito curiosa, quero muito ter a oportunidade de conhecer esse romance que mesmo sendo clichê aborda algo muito atual e importante, beijos!

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  10. Olá
    A primeira vez que vi só a capa do livro podia jurar que se tratava de alguém da classe alta da época que era um verdadeiro mulherengo e que iria se apaixonar por uma menina que não é lá tão afim dele e que estaria desposto a tudo por ela, o velho clichê do romance de época, mas me surpreendi quando li a sinopse e percebi que o livro tem uma premissa incrível. Acho que nunca li um romance de época com a temática LGBT. Achei inovador esse enredo, tanto que esse livro está na minha listinha de desejados. Eu adorei sua resenha. Beijos

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  11. Desde que vi esse livro pela primeira vez eu me interessei por ele, quando vi a capa achei curiosa e fui ler a sinopse, pronto, bastou para eu me interessar. Mas eu sei bem pouco sobre a história, então adorei ler a sua resenha e poder conhecer mais sobre a trama. Eu acho que vai ser uma ótima leitura para mim, mesmo com alguns momentos que podem me desagradar também.

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  12. A história parece tão bonita e com tanto aprendizado, drama e romance que realmente é uma pena essa capa. Eu sou uma que não tinha me sentido atraída pelo livro por causa da capa, se não lesse resenhas dele provavelmente nunca me interessaria e perderia a chance de conhecer um livro que parece tão enriquecedor. Pretendo ler em breve.

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  13. Olá! Eu tô meio que na dúvida entre ler ou não este livro. Pela sua resenha eu fiquei muito curiosa, porque além de gostar muito de romances de época, ver essa história com um protagonista gay, deve ser bem divertido ler todas as situações engraçadas na pele do homem agora, sem mencionar que todo o costume e jeito daquele período deve ter contribuído para deixar a trama mais gostosa. Mas já vi algumas resenhas em que o pessoal achou que ficou meio sem nexo o romance.. Bom, obrigada pela resenha!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  14. Oi!
    Me senti cativada por sua resenha, quero muito desvendar essa aventura envolvente, que muitas vezes nos passa alguma lição importantíssima, de ser diferente e não ter diferenças, me encantei com seu jeito de colocar as palavras e nos fazer compreender e pensar em muitas coisas, parabéns. Bjs!

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  15. Assim como você assim que vi esse livro pela primeira vez pensei ... Que capa mais estranha ou seja também não fui fisgada por ela e penso que uma capa bem pensada conquista o leitor em um primeiro momento, chamando sua atenção.
    Não sabia que o casal principal era homossexual é que interessante o enredo apresentar como os grupos que sofrem preconceitos vivam no século XVIII.
    Fico feliz em saber que a narrativa é tão envolvente que vc leu em poucos dias. De uma forma geral foi ótimo saber um pouco dessa história. Beijos e valeu pela dica. Parabéns pela leitura.

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  16. Olá, tudo bem? AH eu só ouço coisas positivas sobre o livro. Fã de romances retratados no passado, sei que será um livro que adorarei conhecer o contexto. Sua resenha entre no coro de elogios e por isso, dica mais que anotada. Adorei <3
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

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  17. Olá, tudo bem?
    Essa capa é bem intrigante eu não sabia o que esperar do livro até que comecei a ler resenhas, todas elogiando. Realmente, qualquer doença nessa época não deve ter sido fácil e essa é pouco comentada nos livros. Gostei muito de ser um enredo de época bem diferente, nunca li nada assim. Está na minha lista e não vejo a hora de ler. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.

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  18. Olá, tudo bom?
    Eu já tinha visto muito essa capa por aí mas não sabia do que se tratava o livro. Fiquei super curiosa para conferir, principalmente após saber do crescimento e amadurecimento desse personagem principal e como a autora soube abordar bem as dificuldades que os negros, as mulheres e os gays passavam nessa época. Já anotei a dica e espero poder ler em breve. Excelente resenha ♥
    Beijos!

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  19. Olá, tudo bem?

    Parabéns pela resenha, ficou bem legal e caprichada. Eu gostei muito da foto, ficou linda e valorizou ainda mais o livro. A minha namorada leu esse livro e adorei, inclusive tem resenha lá na saga e ela adorou acompanhar o amadurecimento do protagonista.
    Abraço!

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  20. Oii!!

    Nossa, é tão bom quando um livro causa varias emoções na gente, não é mesmo? Não tive ainda a oportunidade de ler esse livro, mas estou com ele aqui para as proximas leituras. O que eu achei de interessante é a tematica do livro e estou bem curiosa para conhecer esse enredo.

    beijos

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  21. Quando me deparei com a capa desse livro simplesmente detestei... Ao ler a sinopse detestei mais ainda, pois não curto esse tipo de personagem que só quer saber de uma vida desregrada, com romance gay então para mim piorou, respeito, mas não curto. Então, infelizmente para mim não sobrou nada para apreciar, somente o fato de ser de época.

    Nara Dias
    Viagens de Papel

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  22. Antes de ler o livor eu já estou rindo de Monty... rs Fiquei bem envolvida com este enredo e acho que será uma das minhas próximas aquisições.
    valeu demais pela dica
    beijos

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