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RESENHA Suzy e as Águas-Vivas

5 de fevereiro de 2018


Acho que retratar uma narrativa pelo olhar de uma criança é quase que a fórmula certa para fazer o leitor se apaixonar. Crianças tem um olhar doce e ingênuo em relação ao amor, morte e tantos outros sentimentos que os adultos depois de certa vivência começam a observar de maneira mais real e até mesmo dura, por exemplo a morte, encaramos como algo cotidiano e consequente em nossas vidas, sabemos que é algo esperado em algum momento, mas e uma criança? O que ela pensa a respeito da morte? Algo sem respostas pode ser realmente inexplicável para uma criança? Pois bem, Suzy e as águas vivas surgiu como um apelo sincero ao mundo real, mas com uma dose de delicadeza infantil que me tocou profundamente.

Suzy age totalmente diferente do que o esperado para uma garota de 12 anos de idade, ela não está preocupada com a maneira como o seu corpo vem se transformando, nem com os garotos da escola, para ela tudo é muito mais interessante no laboratório, a vida acontece quando ela estuda, fora isso... São só coisas fúteis e sem importância, ao menos para a nossa protagonista. Sua única e melhor amiga era Franny, uma garota sempre muito gentil e paciente com ela, essa amizade já dura anos. Acontece que Franny tem um olhar diferente a respeito dessas mudanças que acontecem na adolescência, ela quer viver isso e conversar sobre, e devido a esses acontecimentos ela acaba se afastando de Suzy e ficando mais próxima de outras garotas que muitas vezes zombavam a nossa protagonista.


Sendo assim, Suzy se vê sozinha, isolada novamente e algo simplesmente surreal acontece, sua ex melhor amiga Franny morre afogada e aí meu coraçãozinho começou a ficar em pedaços.

O fato da garota morrer não é nenhum spoiler, é o que dá um start para a história. O que pesa no coração de Suzy é o fato da menina ter morrido quando elas já não eram mais amigas e o último contato delas foi Franny chorando muito e Suzy só observando porque era a culpada. Só isso já foi o suficiente para me deixar muito curiosa e só serviu como adendo aos muitos aspectos da obra que me conquistaram.

Nossa protagonista é inteligente o suficiente para não aceitar um "foi coisa do acaso" como desculpa, ela não aceita que sua ex melhor amiga tenha morrido afogada, ela sabia nadar bem demais, isso não é possível! É quando em uma visita a uma espécie de museu aquático faz Suzy ter um lampejo, ela pode ter a resposta para a morte de Franny, ela pode ter sido morta por águas-vivas super raras, agora o papel de Suzy é provar essa teoria e ela decide ir até o fim para mostrar que está certa.

Apesar da obra ser muito curtinha eu me senti envolta demais no enredo, Suzy tem uma família bastante incrível, pra começar seu irmão é gay e tratam isso com tanta naturalidade durante a obra que chega a dar orgulho! Seu pai apesar de pecar algumas vezes é um bom homem e sua mãe faz o possível para vê-la bem. O livro destaca muito a parte científica da história, em meio ao enredo a autora coloca algumas curiosidades sobre as águas-vivas ou coisas que Suzy sabe simplesmente por saber, apesar de não ter sido mencionado eu desconfio que a protagonista seja super dotada ou algo do gênero. 

Suzy evoluiu demais do início ao fim da história, ela deixou de ser uma garota muda e passou a tomar decisões importantes para ser ouvida, por ser uma obra curtinha eu acho que faltou um pouquinho de desenvolvimento dos personagens, principalmente dos familiares, mas super indico a leitura se você gosta de histórias contadas a partir do ponto de vista de crianças.
“ Não existem palavras mágicas. Não há uma única maneira certa de dizer adeus a alguém que você ama. O mais importante é que você mantenha alguma parte dela dentro de você.”
Título: Suzy e as Águas-Vivas
Autora: Ali Benjamin
Editora: Verus
Nº de Páginas: 223
Sinopse: "Às vezes, quando nos sentimos mais solitários, o mundo decide se abrir de formas mágicas. Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação — uma explicação científica — para que Franny tenha se afogado. Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga — e pelo momento final e terrível entre elas —, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo — e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava. Este romance dolorosamente sensível explora o momento crucial na vida de cada um de nós, quando percebemos pela primeira vez que nem todas as histórias têm final feliz... mas que novas aventuras estão esperando para florescer, às vezes bem à nossa frente."
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