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RESENHA Três Coisas Sobre Você

15 de março de 2018



Não é de hoje que eu AMO livros que incluem a tecnologia e redes sociais em suas narrativas, eu acho sensacional essa jogada de inserir mensagens de texto, Facebook, Whatsapp e coisas do tipo na história, muita gente pode reclamar, mas particularmente falando, creio que a literatura só se adapta ao seu meio, hoje somos extremamente viciados em telefones e internet, porque não inseri-los nas histórias de maneira saudável? Resolvi aproveitar as promoções do dia da mulher não só nos sites, mas também em lojas físicas, a Americanas simplesmente deu 50% de desconto em todos os seus livros e essa belezinha aí saiu por apenas 5 reais, nem eu acreditei!

Com uma narrativa gostosa, e uma maneira leve de lidar com as mudanças, Três coisas sobre você conta a história de Jessie Holmes que perdeu a mãe para o câncer e pouco tempo depois seu pai começou a namorar, por conta disso ela precisou mudar de cidade e agora faz parte de um novo núcleo familiar, onde sua madrasta é uma das peças principais. Sendo assim, cidade nova, escola nova e só expectativas! Em meio a isso Jessie recebe um e-mail muito estranho, escrito por um anônimo que é aluno da mesma escola que ela e decide fazer a boa ação de apresentar para a nossa protagonista as coisas boas e ruins desse local. Imediatamente ela estranha isso, acha que é alguém fazendo chacota com a garota nova, mas quando percebe que não consegue se adaptar, a única pessoa que resta para conversar é justamente esse endereço de e-mail anônimo, mas é possível se apaixonar por alguém que você não conhece?




Meu Deus que história mais amorzinho! Com o preço que paguei nesse livro não esperava que ele fosse tão incrível assim, de verdade! Me apeguei de tal forma nessa história e fiquei tão curiosa para descobrir a identidade da pessoa que simplesmente não dormi enquanto não terminava. 

Jessie começa a conversar com essa pessoa anônima e não para mais, pra ajudar essa pessoa é pra lá de companheira e divertida, a única regra é não perguntar sobre a sua identidade. Acontece que as coisas são complicadas, nossa protagonista entra nessa escola que parece ser um local da "elite" onde a maioria das garotas são esnobes, as coisas em sua casa não vão bem, ela não gosta da madrasta, o filho dela é um verdadeiro pé no saco e seu pai não tem mais tempo, simples assim.

É muito bacana acompanhar como os sentimentos e situações vão sendo esmiuçados e esclarecidos nesse livro, todas as ideias iniciais de Jessie vão se remodelando de acordo com o avanço da história, o conceito sobre a madrasta, o filho dela, os personagens, tudo vai mudando e pra ajudar claro que tem um romance! Ethan é um dos caras mais desejados da escola, mas ele parece não se importar com isso, acaba se tornando parceiro de um trabalho escolar com Jessie e juntos eles vão esmiuçar poesias! Já Liam é o bonitão filho da dona da livraria onde a protagonista trabalha, Caleb está sempre por perto... Qualquer pessoa pode ser esse anônimo!

Sinceramente falando, eu meio que me acostumei com leituras com uma carga pesada e mensagens importantes, mas as vezes a gente só precisa de um romance simples, algo água com açúcar, só isso! E foi o que aconteceu com Três coisas sobre você, com uma maneira diferente de narrar uma nova fase da vida adolescente e como a tecnologia pode ser capaz de cooperar para o amor, a autora soube direitinho como me conquistar e me deixar cheia de vontade de ter um anônimo por perto.
“Fico pasma pensando em como todos somos insensíveis, como nos sentimos confortáveis diminuindo os problemas dos outros.”


Título: Três Coisas Sobre Você
Autora: Julie Buxbaum
Editora: Arqueiro
Nº de Páginas: 288
Sinopse: "Setecentos e trinta e três dias depois da morte da minha mãe, 45 dias após o meu pai fugir para se encontrar com uma estranha que ele conheceu pela internet, 30 dias depois de a gente se mudar para a Califórnia e apenas sete dias após começar o primeiro ano do ensino médio numa escola nova onde conheço aproximadamente ninguém, chega um e-mail. Deveria ser no mínimo esquisito, uma mensagem anônima aparecer do nada na minha caixa de entrada, assinada com o bizarro nome Alguém Ninguém. Só que nos últimos tempos a minha vida tem estado tão irreconhecível que nada mais parece chocante."

RESENHA O Mau Exemplo de Cameron Post

12 de março de 2018


HarperCollins teve a genial ideia de anunciar quais seriam os blogs parceiros de 2018 por meio de uma surpresa, foram enviados pacotes via SEDEX sem aviso prévio, você só recebia a notícia da parceria quando o carteiro batesse em sua porta, imaginem só a minha surpresa quando vi de onde era um baita pacotão? Quase surtei! No pacote de boas vindas vieram dois livros, um deles é esse baita calhamaço que só a capa foi capaz de me conquistar, em momento algum o tamanho da obra foi um empecilho, vamos pra resenha?

Nessa história vamos acompanhar a vida de Cameron Post a história se inicia com a mesma ainda muito pequena, é bacana ver a personagem ainda tão criança e confusa a respeito de sua opção sexual, sua primeira experiência com alguém do mesmo sexo acontece de forma quase inocente, beijando sua melhor amiga em um desafio, acontece que a partir daí parece que tudo desanda, sabe? Cam recebe a notícia que seus pais morreram em um acidente de carro e agora as responsáveis por sua guarda serão sua tia Ruth e sua vô. Com sua melhor amiga indo embora e seu luto, Cameron se vê sozinha e acaba deixando de lado suas recém descobertas a respeito do que ela é ou pode ser. Acontece que tanto sua tia quanto sua vô são extremamente religiosas, do tipo que frequentam igreja semanalmente e participam de todos os louvores possíveis, sendo assim a nossa protagonista segue acompanhando suas familiares nesses eventos mas conforme vai crescendo se descobre como lésbica, em momento algum ela se denomina assim, pelo contrário, Cam parece retrair esse assunto de sua vida, ela deixa as coisas irem acontecendo, mas sabemos bem que quando o assunto é vida amorosa, um hora isso grita, certo? Tanto no trabalho como salva vidas ou em suas amizades, as pessoas notam que Cam é diferente, é quase inevitável, mas as coisas mudam pra valer com a chegada de Coley, a garota caipira perfeitinha que acaba se tornando sua melhor amiga (afinal Coley tem namorado) e Cameron sente essa paixão crescendo cada vez mais, quando não consegue guardar pra si, algo ruim e revelador acontece e ela acaba sendo enviada para a escola Promessa de Deus, onde os orientadores procuram fazer uma "cura" e aproximação com Deus, pois bem, chegamos ao ponto que me interessa e que eu preciso gritar, CAMERON É LEVADA PARA UM LUGAR ONDE ACREDITAM EXERCER A CURA GAY! Quão ridículo isso é? 




Para ficar claro, o livro é narrado e ambientado nos anos 90, então as coisas não são como hoje em dia e o preconceito ainda é grande. Tive a impressão que Cameron odeia a Ruth, apesar de sempre ser respeitosa com a tia ela tem um distanciamento gritante com a mesma, é como se direcionasse todo o luto para ela, e Ruth não faz questão de ajudar, é ela quem envia a garota para a escola cristã e trata a opção sexual da garota como uma doença, o mais ridículo disso tudo é que os diálogos parecem tão reais, são coisas que meus amigos gays escutaram ao longo da vida, me doeu ver como algo ambientado a tanto tempo ainda tem os mesmos efeitos.

O livro é longo, muito bem descritivo e eu imaginei que fosse me cansar disso, mas em momento algum isso aconteceu, é fascinante acompanhar a vida da protagonista, acompanhar seu crescimento e ver como ela é cheia de dúvidas, incertezas e nunca fez questão de colocar sua opção como o grande ponto central de sua vida. 

Tudo ia perfeitamente bem e eu achei que seria uma história leve, até Cam chegar na escola cristã, o tratamento lá é simplesmente ridículo, tentam "curar" jovens através de um fanatismo religioso incompreensível e qualquer mania dos adolescentes é visto como distanciamento de Deus, como por exemplo o fato de uma garota gostar de futebol. Eu estava entendendo que isso era uma critica ao fanatismo e estava ok com isso, já tinha me adaptado ao estilo de escrita da autora e achei que não me emocionaria tanto assim, doce ilusão, claro que essa coisa de querer fazer adolescente engolir religião goela abaixo como se isso fosse realmente um remédio capaz de restaurar a heterossexualidade ia dar errado, eu queria MUITO dar um spoiler aqui mas não o farei, só posso dizer que o que acontece com um dos adolescentes me deixou tão mal que tive uma baita crise de choro, incapaz de acreditar como alguém pode ir ao máximo de seu limite simplesmente porque colocaram em sua cabeça que o que ele é, simplesmente dá nojo.


Foi uma leitura leve até certo ponto, depois de alguns acontecimentos entendi que a intenção da autora era chocar os leitores, fazer perceber como até o excesso de proteção familiar pode ser homofóbica. Uma leitura necessária, alarmante e consciente, com personagens muito bem construídos, uma narrativa fluída e que muitas vezes me fez sentir próxima a personagem, O mau exemplo de Cameron Post é um livro para refletir, sobre quem somos e como isso de forma alguma deve sofrer interferência de terceiros. Não há cura para o que não é doença, simples assim.
"Mesmo que nunca tivessem me dito especificamente para não beijar uma garota, ninguém precisava fazer isso. Beijos eram coisas entre meninos e meninas: na nossa turma, na TV, nos filmes, no mundo - era assim que funcionava: meninos e meninas. Qualquer coisa diferente disso era estranho."

Título: O Mau Exemplo de Cameron Post
Autora: Emily M. Danforth
Editora: HarperCollins
Nº de Páginas: 448
Sinopse: "Quando os pais de Cameron Post morrem em um acidente de carro, a primeira coisa que ela sente, para sua própria surpresa, é alívio. Alívio que eles nunca vão precisar saber que, algumas horas antes, ela estava beijando uma menina. Mas o alívio não dura, e Cam é forçada a morar com sua tia ultraconservadora e sua bem-intencionada mas antiquada avó. Ela sabe que, daqui em diante, tudo será diferente. Sobreviver nessa pequena cidade rural de Montana exige que Cam finja ser igual a todo mundo e evite assuntos indelicados (como diria sua avó), e ela é boa nisso. Até que Coley Taylor chega à cidade. Coley é perfeita, e tem um namorado perfeito para completar. Ela e Cam forjam uma amizade intensa, que parece deixar espaço para algo mais. Mas assim que isso começa a parecer possível, a religiosa tia Ruth decide que é hora de “consertar” sua sobrinha, a mandando para God’s Promise, um acampamento de conversão que deve “curar” sua homossexualidade. Lá, Cam fica frente a frente com o custo de negar quem ela é – mesmo que ela não tenha certeza que sabe realmente quem é. O mau exemplo de Cameron Post é uma estreia literária inesquecível e impressionante sobre descobrir quem você é e ter a coragem de viver de acordo com suas próprias regras."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.
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