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Quando me vi em Tartarugas Até Lá Embaixo

22 de março de 2018


Eu procuro fugir um pouquinho de livros com o hype nas alturas, sinto que minhas expectativas não serão atendidas e que não o adquiri porque queria e sim porque vi todos a minha volta lendo. Foi isso que aconteceu com Tartarugas até lá embaixo, demorei um tempão para comprá-lo porque minha lista de não lidos segue enorme e eu sentia que o livro poderia não ser tudo isso, acontece que eu dei com os burros n'água, me achei nessa leitura, me vi em Aza, senti que ela era parte dos meus pensamentos, a minha conexão com a personagem foi além de qualquer expectativa já criada, então a resenha de hoje tem um tom um pouquinho mais íntimo. 

Aza Holmes é uma estudante quase normal do ensino médio, quase porque sua cabecinha é um pouquinho diferente, ela tem TOC, sendo assim, os pensamentos compulsivos ocupam grande parte de sua mente e as vezes existir é motivo para surtar. Aza tenta levar uma vida normal, com uma melhor amiga bem compreensiva, tenta superar a morte do pai, levar uma vida normal na escola... Mas a vida de quem tem TOC não é normal. Então, quando o milionário Russell Picket some misteriosamente e oferecem uma recompensa, tanto Aza quanto sua melhor amiga se empenham em encontrar o cara e de quebra ficarem ricas, só não esperavam tantos empecilhos no caminho.


"Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu."
Agora falando de peito aberto pessoal, vi muita gente reclamando que a história parecia rasa, que o foco inicialmente era o sumiço e a busca pela recompensa e que isso não foi de fato satisfatório, mas por favorzinho, vamos olhar por outro lado! Quantas pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo você conhece? Quantos protagonistas que dão voz aos seus demônios vocês conhecem? Me vi acostumada a uma linha de livros que sempre acontece da mesma maneira, um problema a ser resolvido e/ou superado, um romancinho no meio e um final coerente. Mas Aza não é isso, Aza é maior, Aza é pura compulsão e medo. Ter pensamentos compulsivos não é nada fácil e falo isso com conhecimento de causa. É deixar de sair, deixar de beber um simples copo de água, tudo é tão mais impactante, todo sofrimento é antecipado, cada pensamento é um parto, pensar dói e parar nossa mente é impossível, é quase viver uma luta constante consigo mesmo. Essa foi uma das poucas vezes que um autor falou de mim tão bem, tão abertamente e de maneira tão certeira, a protagonista é uma personagem real, suas crises são as minhas crises, eu me senti Aza.

A história no geral é muito bem construída, essa busca pelo milionário foi uma boa ideia por parte do autor, o maior prêmio que Aza pode ter é aprender a lidar com seus pensamentos. Daisy é uma melhor amiga muito fofa e compreensiva, o romance presente na obra também é lindo de ver crescer mas creio que esse não tenha sido o foco, o eixo aqui é Aza, seu comprometimento com suas causas e sua mente e isso certamente foi alcançado.

Suspirei, arfei, chorei mas finalmente me vi, de maneira crua e nada romantizada. Nem só de romance pra chorar vive John Green, obrigada por me tornar real mesmo que na literatura.
"Um dos desafios da dor, seja física ou psíquica, é que só conseguimos nos aproximar dela através de metáforas. Não temos como representá-la como fazemos com uma mesa ou um corpo. De certo modo, a dor é o oposto da linguagem."

Título: Tartarugas Até Lá Embaixo
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Nº de Páginas: 256
Sinopse: "Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo. A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo(TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses."
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