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RESENHA Em Outra Vida, Talvez?

20 de abril de 2018


Eu fiquei super animada com a proposta desse livro, a ideia de que podemos saber como seria a vida da personagem se ela optasse por outro caminho é sensacional, é como se a autora se desse ao trabalho de pensar em todos os leitores, literalmente, mas a experiência não foi tudo isso, infelizmente.

Hannah está se mudando, voltando para a sua cidade, ela nunca teve um local para realmente chamar de lar, sempre viajou muito, mas depois de descobrir que era a amante de um homem casado, isso foi o suficiente para ela perceber que precisava voltar para suas origens e se entender antes de finalmente evoluir. É por apoio de sua amiga Gabby que ela volta e finalmente reencontra Ethan, o grande amor de sua vida, mas que o destino sempre fez questão de mandar pra longe ou reapresentá-los em oportunidades não tão boas assim, quando ela resolve sair para uma noitada com sua amiga, reencontra seu grande amor e precisa escolher entre ficar e passar a noite com ele, ou ir embora pra casa, as NOSSAS escolhas começam a entrar em ação.



Pois bem, Hannah pode escolher entre ficar com Ethan e ter uma noite maravilhosa, mas tardiamente descobrir como suas escolhas tem consequências sérias, ou decidir voltar para casa com Gabby, matar a saudade da melhor amiga e sem querer ter sua vida mudada pra sempre também.

Eu realmente não quero dar spoiler sobre essa história, mas independente do caminho que Hannah opta por seguir, as consequências são muito sérias, mas o mais importante nisso tudo é Gabby, pra começar ela é uma mulher negra, muito empoderada, dona de si, incrível! Minha vontade era de tê-la como amiga, independente do caminho que a protagonista escolha, Gabby está ali sempre pronta para dar apoio e mostrar o valor de uma amizade verdadeira. Já Hannah... Eu não sei, algumas coisinhas me incomodaram um pouco, achei ela um pouco vazia de tudo, uma mulher que passa por traumas terríveis mas que segue com outras prioridades me deixou um pouquinho desacreditada, em suma, a autora tinha um bom ambiente para trabalhar a história, uma jogada incrível para conquistar os leitores mas quem ganhou voz mesmo foi Gabby, ela quem salvou a história todinha! Já o romance, não senti conexão alguma entre os personagens infelizmente.

Em todo caso, valeu a pena a leitura, pra variar me vi sorrindo ao ver uma mulher negra tão incrível na história, a proposta é engraçada mas eu esperava um pouquinho mais. Não há aviso sobre as mudanças de Hannah, você acaba lendo os dois caminhos que ela optou porque os capítulos se intercalam, isso soou meio confuso, mas rapidinho peguei o jeito. 
"É muito fácil racionalizar o que você está fazendo quando não conhece os rostos e os nomes das pessoas que talvez esteja magoando. É muito mais fácil escolher você mesma em vez de outra pessoa quando a coisa é abstrata."

Título: Em Outra Vida, Talvez?
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Grupo Editorial Record
Nº de Páginas: 322
Sinopse: "Hannah está perdida. Aos 29 anos, ainda não decidiu que rumo dar à sua vida. Depois de uma decepção amorosa, ela volta para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente vai conseguir colocar a vida nos trilhos. Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E lá Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? Em realidades alternativas, Hannah vive as duas decisões. E, no desenrolar desses universos paralelos, sua vida segue rumos completamente diferentes. Será que tudo o que vivemos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que almas gêmeas realmente existem? Hannah acredita que sim. E, nos dois mundos, ela acha que encontrou a sua." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA De Volta Para Casa

17 de abril de 2018



Este livro me surpreendeu, quando eu comecei a ler pensei que falaria sobre os outros mundos e os portais, mas não, é uma história de assassinato. Mas, para além disso, é uma história de superação, de aceitação, tanto de você mesmo quanto dos outros para com você, e novas oportunidades.

Crianças do mundo todo somem e do nada voltam para casa, só que tudo está diferente, a filha fofa que você tinha não é mais fofa e está irreconhecível para você. Existem várias portas ou portais ao redor do mundo, e cada criança/adolescente tem algo em comum com o mundo atrás da porta, sendo assim, as crianças são puxadas para esses mundos e ficam desaparecidas por muito tempo, as vezes anos e as vezes por dias, o tempo é bem relativo nos mundos. Quando as crianças voltam, algumas não conseguem se adaptar a Terra e outras querem voltar para seus mundos, mas suas portas nem sempre abrem duas vezes, então existem várias escolas especializadas em quem quer voltar e em quem não consegue se adaptar. Os mundos são um segredo para a sociedade, só as autoridades sabem.



Nancy quer voltar para seu mundo, para o salão dos mortos, o submundo. Ela voltou de seu mundo totalmente mudada, não usava roupas coloridas, só preto, branco e cinza. Sendo assim, ela foi para a escola de Eleanor, para adolescentes que querem voltar para seus mundos. Nessa escola ela conhece várias pessoas legais e umas pessoas horríveis também. Kade, meu personagem favorito, veio de um mundo todo colorido, mas foi expulso por não ser como eles queriam. Além de outros personagens que foram para mundos obscuros como as gêmeas Adams, Christopher e Sumi que foi para um mundo mais agitado, mas não obscuro.

Assim que Nancy chega na escola as mortes começam, algumas pessoas dizem que ela é a assassina, mas as suspeitas realmente sobram para a gêmea mais tenebrosa, Jack, que no seu mundo fazia experiências médicas com humanos. Várias mortes acontecem até eles descobrirem quem está matando todos da escola e pegando as partes do corpo que fazia aquela pessoa importante para seu mundo.

Esse livro é lindo pois trata de questões de gênero, aceitação, sonhos, sobre qual é seu lugar no mundo. Tudo isso com um toque mágico dos mundos e da possibilidade de ser quem você realmente é para além desses portais.

Foi uma ótima leitura e bem rapidinha, pois o livro é pequeno e a leitura flui que é uma beleza. Só quero dizer uma coisa: o/a assassino/a é quem você menos imagina. Como eu sou muito Sherlock Holmes, a minha suspeita estava certa. 
“Agora eu sei que, se a gente abrir a porta certa no momento certo, pode finalmente encontrar um lugar onde se sinta em casa”.

Título: De Volta Para Casa
Autora: Seanan McGuire
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 184
Sinopse: "Crianças sempre desapareceram nas condições certas: escorregando pelas sombras debaixo da cama, atrás de um guarda-roupa ou caindo em buracos de coelhos e em poços velhos, para emergir em algum lugar... diferente. Nancy viajou para um desses lugares, e agora está de volta. As coisas que ela viu... mudam uma pessoa para sempre. E as crianças sob os cuidados de Eleanor West compreendem isso muito bem: cada uma delas procura a porta de volta ao seu próprio universo fantástico, mas poucas conseguem encontrá-la. Afinal, mundos mágicos têm pouca utilidade para crianças cujos milagres já foram usados. A chegada de Nancy marca também uma terrível mudança no internato. Há uma escuridão pairando à cada esquina, e quando a tragédia ataca, Nancy e seus colegas precisam desvendar o mistério. Não importa o custo." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Kindred

15 de abril de 2018


Acho que eu nunca esperei TANTO pra realizar uma leitura, Kindred foi lançado tem um bom tempo e só vi comentários positivos a respeito, no entanto, o meu maior questionamento foi: Por que uma autora negra, considerada a primeira dama da ficção científica demorou tanto para ser traduzida? Bom, fica aí o questionamento, mas eu espero de verdade que vocês leitores parem pra pensar na gravidade disso, como a ausência de autores negros no cenário literário grita absurdamente e quase ninguém escuta.

Dana está se mudando para seu novo apartamento, tudo está acontecendo de acordo com o que se espera até ela sentir uma sensação ruim, enjoo e se ver em um lugar diferente, ela foi transportada para o passado e inicialmente não entende nada.

Acontece que Dana volta exatamente para o período que Rufus ainda é uma criança, ela precisa salvá-lo e é exatamente o que faz, logo após isso ela é transportada novamente para seu apartamento e tanto seu marido quanto ela parecem não entender o que aconteceu. Quem é Rufus e porque Dana sempre volta quando ele parece estar correndo perigo?


O livro começa com o final da história, você não entende porque Dana está hospitalizada e tão debilitada, é preciso compreender a narrativa toda para entender aquele final tão doloroso para ela. Acontece que Rufus é um antepassado seu, e ela precisa salvá-lo para garantir a sua própria existência no futuro, mesmo ele sendo um homem extremamente racista e machista, ela não tem opção.

Eu prometi a mim mesma que leria mais autores negros esse ano, tanto por mim, como estudante de Letras e consciente do racismo no cânone literário quanto por vocês, que precisam conhecer o poder da escrita de autores negros! Essa foi a melhor experiência possível, eu não tenho o hábito de ler ficção científica, mas isso em momento algum foi problema, Dana tem questões muito mais importantes que isso. O racismo presente na obra só ressalta como o período de escravidão aniquilou a população negra de maneira assustadora. Rufus sabe quem Dana é, entende a sua importância, mas em momento algum deixa de pensar que ela é só mais uma mulher negra e sua função é servir, já Dana... Ela é uma mulher inteligente, estudada, mas sabe que o período que se encontra não favorece em nada seus ancestrais.

Chorei demais ao realizar essa leitura, me senti machucada, impotente, incapaz. As cenas de violência e castigos com os escravos são dolorosas, você praticamente sente o cheiro do sangue deles. Já aviso que há possíveis gatilhos de estupro, e que Octavia sabe como ninguém como sensibilizar o leitor. Ainda assim a leitura é extremamente válida, senti que estou muito bem representada no cenário literário e que esse é um tema que merece notoriedade. 
"A dor nunca tinha sido minha amiga antes, mas agora, ela me mantinha parada. Ela forçava a realidade em mim e me mantinha sã."
Título: Kindred
Autora: Octavia E. Butler
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 432
Sinopse: "Em seu vigésimo sexto aniversário, Dana e seu marido estão de mudança para um novo apartamento. Em meio a pilhas de livros e caixas abertas, ela começa a se sentir tonta e cai de joelhos, nauseada. Então, o mundo se despedaça. Dana repentinamente se encontra à beira de uma floresta, próxima a um rio. Uma criança está se afogando e ela corre para salvá-la. Mas, assim que arrasta o menino para fora da água, vê-se diante do cano de uma antiga espingarda. Em um piscar de olhos, ela está de volta a seu novo apartamento, completamente encharcada. É a experiência mais aterrorizante de sua vida... até acontecer de novo. E de novo. Quanto mais tempo passa no século XIX, numa Maryland pré-Guerra Civil – um lugar perigoso para uma mulher negra –, mais consciente Dana fica de que sua vida pode acabar antes mesmo de ter começado."
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