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RESENHA Um Amor Perdido

25 de maio de 2018


Confesso que julguei o livro pelo nome. Apesar de eu ser apaixonada por romances, achei que essa história seria bem clichê e que sua leitura seria, em grande parte, entediante. Ainda bem que eu estava enganada. Um amor perdido é de fato uma das narrativas mais intensas que eu já li. A todo o momento fiquei na expectativa para saber qual seria o próximo acontecimento, o próximo eu te amo, a próxima memória.


Memórias do século XX contadas em capítulos ora narrados por Lenka, ora por Josef, o que deixa a história toda mais interessante, pois nos proporciona dois pontos de vista, duas emoções. Lenka é uma jovem inspirada, inteligente, estudante de Artes e apaixonada pela sua família. Josef é estudante de medicina centrado em seus estudos. Os dois se conhecem através de uma visita de Lenka a casa de sua amiga Veruska, irmã de Josef. É partir daí que tudo acontece: o destino tinha feito um laço que não seria cortado, nem com o tempo, nem com a abrupta separação dos dois, e consegui perceber isso ao longo da narrativa. Nada parecia fazer com que Lenka se esquecesse de Josef e vice-versa, mesmo depois de 60 ANOS, nada parecia sequer fazer com que aquele amor passasse. Repito, n-a-d-a. Nem mesmo a guerra.

Outro assunto que sempre me despertou interesse é a Segunda Guerra Mundial. Como tudo aconteceu de um modo tão desumano, tão cruel. E como foi cruel a separação de um casal que jurava amor eterno e que de fato cumpriu essa promessa. Josef e sua família conseguem passagens para fora da Europa em anúncio de guerra, e ele pode levar sua então esposa Lenka, que afinal, é constituinte de sua família. Entretanto, Lenka não aceita ir sem seus pais e sua irmã. E essa talvez tenha sido a decisão mais trágica de sua vida, que a fez mudar para sempre.

Eu certamente não consigo exprimir o quanto esse livro me emocionou e me cativou, me envolvendo em cada página, em cada palavra, principalmente as palavras de Lenka que vive momentos absurdos. O romance inteiro tem um tom bem melancólico e sensível, com uma escrita aconchegante e fluida. Um amor perdido pode nos fazer pensar que nada na vida acontece por acaso. E, acima de tudo, há sempre um recomeço, por mais que possa parecer que não.
"Ele deu risada. E no riso dele escutei uma grande alegria. O som de crianças. Seria esse o primeiro sinal de amor? Escutar, na pessoa que se está destinada a amar, o som daqueles que ainda não nasceram.”

Título: Um Amor Perdido
Editora: Bertrand Brasil
Autora: Alyson Richman
Nº de Páginas: 336
Sinopse: "Na Praga do pré-guerra, Lenka, uma jovem estudante de arte, apaixona-se por Josef, um médico recém-formado. Eles vivem cheios de ideais e de sonhos para o futuro, mas também são judeus e muito ligados à família. Casam-se, mas, pouco tempo depois, como tantas outras famílias, são separados pela guerra. As escolhas impostas pelo destino os afastam, mas deixam marcas permanentes: o caos e as informações truncadas dos tempos de guerra os levam a crer que o outro morre. Na América, Josef torna-se um obstetra bem-sucedido e constrói uma família, apesar de nunca esquecer a mulher que acredita ter morrido. No gueto de Terezín, Lenka sobrevive graças aos seus dotes artísticos e à memória de um marido que julgava nunca voltar a ver. Apesar de todas as provações e dos infortúnios, mantém a chama daquele primeiro amor acesa, guardada em seu coração. Da glamorosa vida em Praga antes da ocupação aos horrores da Europa nazista, Um Amor Perdido explora o poder do primeiro amor, a resiliência do espírito humano e a eterna capacidade de recordar." *Exemplar de prova antecipada cedido em parceria com a editora.

RESENHA Robinson Crusoé

21 de maio de 2018


Como vocês bem sabem agora o blog é parceiro da editora Nova Fronteira e como presente recebemos todos os lançamentos do mês juntamente com um cofrinho fofo. Robinson Crusoé é um clássico da literatura que namoro faz um bom tempo, ao descobrir que ele faria parte do box Mestres da aventura a minha felicidade só aumentou. É uma aventura digna de fazer parte dessa caixinha seleta e sem dúvidas abriu meu horizonte pra esse estilo incrível, Daniel Defoe ocupa grande espaço na literatura porque fez um trabalho incrível e poder acompanhar o desenrolar de sua história foi uma experiência emocionante.

Talvez essa seja uma das situações mais perturbadoras que se pode imaginar, você é o único sobrevivente de um acidente e se encontra sozinho em uma ilha, onde sua única opção é lutar pela sua sobrevivência, mesmo sabendo que um possível resgate pode levar dias, até mesmo anos. É nesses momentos que a capacidade humana é testada no seu limite, onde você precisa se submeter ao que jamais imaginou para seguir existindo, e é isso que Robinson faz.



Acompanhamos o personagem em sua jornada difícil pela ilha, onde muitas vezes fica o questionamento: até que ponto ser o único sobrevivente é bom? Robson está completamente isolado e sendo assim, precisa ir desvendando a ilha aos poucos, para saber o que há para comer, como irá tornar a sua estada nesse local o menos desconfortável possível, e imagine só, ele ficou mais de vinte anos instalado nessa ilha, deu tempo o suficiente para explorar de cabo a rabo, certo? Mas certamente um dos fatores que o fizeram resistir por tanto tempo foi a fé, ele se apegou a isso tão firmemente que manter-se vivo era quase um propósito ao divino, pelos olhos do autor é até algo bonito de se observar. Robinson é um jovem que fugiu de casa porque tinha o desejo de conhecer o mundo, ele passou por uma boa experiência antes de naufragar de fato, então tinha uma certa bagagem para sobreviver.

Acontece que após duas décadas e meia de solidão, Robinson encontra pegadas na ilha e descobre que ele tem companhia, uma tribo viaja com frequência até lá para fazer rituais e ele acaba capturando um homem, chamando-o de Sexta-Feira (o dia da captura). Nesse momento eu me vi dividida, inicialmente achei que haveria um clima de irmandade porque os dois de fato tornam-se companheiros, mas em certos momentos ficou muito gritante o tom de superioridade de Robinson, por mais que ele tenha vivido muitos anos recluso na ilha, o seu período anterior, convivendo com o povo colonizado o fez ter determinados comportamentos que sinceramente, não são nada surpresos.

Não posso dar mais spoilers sobre o livro, mas ele é um dos mais traduzidos no mundo e obviamente é por um bom motivo, a narrativa é muito fácil de se compreender, diferente do que eu esperava em um clássico, vez ou outra me senti um pouquinho cansada, não pela escrita mas sim pela demora nos acontecimentos, mas ainda assim a trama como um todo é muito válida, tanto Robinson quanto Sexta-Feira são personagens muito ricos e que nos fazem produzir alguns questionamentos importantes a respeito do convívio em sociedade.
"Celebrei o vigésimo sétimo aniversário da minha vida na ilha de modo especial. Tinha muito a agradecer a Deus, agora mais do que antes, já que os três últimos anos foram particularmente agradáveis ao lado de Sexta-Feira. Tinha também o estranho pressentimento de que este seria o último aniversário comemorado na ilha."

Título: Robinson Crusoé
Autor: Daniel Defoe
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 495
Sinopse: "Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, é considerado o precursor do estilo romance na literatura. Escrito no século XVIII, conta a história de um jovem náufrago que vai esbarrar em uma ilha deserta, sendo o único sobrevivente de um desastre que destruiu o navio onde viajava e matou toda a tripulação. Embora seja categorizado como livro de aventura, no melhor estilo capa e espada, é também uma obra que suscita grande reflexão sobre temas como a solidão, a fé, lucidez e perseverança."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.
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