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RESENHA O Auto da Compadecida

6 de julho de 2018


Auto é um estilo de peça teatral em que mescla personagens populares com personagens fantásticos e busca por meio de sua poética apresentar questões de moralidade. 

Em Auto da Compadecida nos damos de cara primeiramente com o apresentador Palhaço que vai narrar os acontecimentos que virão dali em diante. João Grilo, que é muito amigo de Chicó abre a cena e então é comédia que não acaba mais. Pois é por meio de trapaças e mentiras engraçadas que comete com as pessoas da cidade que esse pobre malandro consegue se safar dos apuros da vida, isso até chegar o dia que ele resolve trapacear a igreja corrupta dizendo que sua patroa, mulher do padeiro, pagaria para quem enterrasse sua cachorra em latim. Após a igreja e João Grilo lucrarem com o funeral do bichinho, acabam por serem noticiados da vinda para a cidade de um dos maiores bandidos do sertão. Na tentativa de enganar o perigoso Severino, João Grilo não escapa da morte e acaba por parar no purgatório, lugar onde ele e mais tantos outros personagens serão julgados frente a frente pelo diabo, Emanuel e Nossa Senhora Aparecida.


Dois grandes personagens presenteados à Literatura Brasileira por Ariano Suassuna que ficaram marcados tanto no papel, quanto nas telinhas e nos palcos. João Grilo e Chicó, dois nordestinos simples e muito felizes carregam a essência de um povo brasileiro com uma fé distante de ser abalada, nem mesmo diante das dificuldades que a vida os entrega. 

Totalmente de cara nova, essa edição de Auto da Compadecida vem com uma carinha de Nordeste brasileiro com suas folhas parecendo cordel, com imagens uma mais linda que a outra, além de uma história sobre por onde já passaram encenações desse clássico de Ariano Suassuna.
"É verdade que eles praticam atos vergonhosos, mas é preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. A carne implica todas essas coisas turvas e mesquinhas. Quase tudo o que eles faziam era por medo. Eu conheço isso, porque convivi com os homens: começam com medo, coitados, e terminam por fazer o que não presta, quase sem querer. É medo."


Título: O Auto da Compadecida
Autor: Ariano Suassuna
Editora: Nova fronteira
Nº de Páginas: 280
Sinopse: "O 'Auto da Compadecida' consegue o equilíbrio perfeito entre a tradição popular e a elaboração literária ao recriar para o teatro episódios registrados na tradição popular do cordel. É uma peça teatral em forma de Auto em 3 atos, escrita em 1955 pelo autor paraibano Ariano Suassuna. Sendo um drama do Nordeste brasileiro, mescla elementos como a tradição da literatura de cordel, a comédia, traços do barroco católico brasileiro e, ainda, cultura popular e tradições religiosas. Apresenta na escrita traços de linguagem oral [demonstrando, na fala do personagem, sua classe social] e apresenta também regionalismos relativos ao Nordeste. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi 'o texto mais popular do moderno teatro brasileiro'." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Sorte Grande

5 de julho de 2018


“O amor é como a loteria”, um imprevisto, um prêmio, uma sorte grande. Mas, o que de fato é a sorte? Destino ou simples obra do acaso? “Sorte grande” é um romance que vai mexer com a nossa concepção do significado de sorte, do que ela realmente quer dizer, e, ainda, se ela quer dizer alguma coisa.

Primeiramente, eu simplesmente a-m-e-i esse romance, é de uma leitura muito fácil e gostosa, me deixei levar por essa história tão amorzinho, mas por outro lado com um plano de fundo tão triste. Segundo, penso que Sawyer poderia ter tido um pouco mais de destaque na narrativa, mas, né, choices. Alice é a narradora de sua própria história, uma garota de 18 anos que está em seu último ano do colegial, tem dois melhores amigos, Leo e Teddy, mora em Chicago e é órfã. Seus pais morreram com 13 meses de diferença entre um e outro quando Alice era criança, e tal acontecimento fez sua vida transformar-se totalmente: teve de mudar-se da Califórnia para Chicago, na casa de seus tios, Jake e Sofia, e seu primo Leo. Eram verdadeiramente uma família feliz, que se amavam independente de qualquer coisa, mas as lembranças do passado e da vida antiga pareciam continuar bem ali, em Alice, o que a fez perder a fé no mundo e nas coisas que o regem. Como esperar algo depois da abrupta morte de seus pais? Como acreditar na sorte quando o que de mais valor que se tinha foi arrancado de você? E como acreditar no amor quando o homem que você ama não te ama de volta? Bem, como todo – ou quase todo – romance, há uma história de amor. E a de Alice é seu amor de anos por Teddy, seu grande amigo. Teddy não tinha nada de especial, tanto exterior, quanto interiormente. Alice apenas o amava. Talvez por fazer parte de sua história e constituir quem ela é hoje, participando de cada momento desde sua mudança para a casa de seus tios; talvez pela identificação com ele, que, de certo modo, também havia perdido o pai; talvez ambas as coisas. Na linha tênue entre amizade e amor, entre carinho e desejo, a amizade poderia se destruir com um simples “eu te amo” dito fora do contexto, e Alice não se arriscaria a perder mais alguém, ainda mais porque a amizade entre eles – e Leo – sempre fora tranquila. Pelo menos até o dia em que Alice resolve dar um presente de aniversário um tanto peculiar a Teddy: um bilhete de loteria. Esse presente seria o pior dos presentes se não fosse pelo fato do bilhete comprado ter sido vencedor do prêmio de milhões de reais, e aquele dinheiro definitivamente mudaria a vida de todos. E Alice detestava mudanças.


Identifiquei-me muito com a história em certos pontos, como a morte de sua mãe e sua desesperança no mundo, que vai sendo mudada ao decorrer do romance, assim como creio que aconteça ao decorrer da vida, as coisas são completamente repletas de mudanças, absolutamente nada permanece igual e precisamos aceitar isso. Eu gostei muito de como a sorte é tratada, como algo que apesar de independer de nossa vontade, tem muito a ver com nossas escolhas e com as escolhas das pessoas que nos cercam e sobre como essa sorte é relativa. Alice teve sorte em poder se encontrar novamente em uma família em que todos a amavam, teve sorte em poder ter os melhores amigos que se poderia ter e teve muita sorte em ser quem ela é, pois, sim, ela tem muita sorte em ser alguém com uma força e um coração imenso. O barato da sorte é descobrir – ou perceber – que ela se encontra em cada um de nós, nas pequenas coisas que nos fazem querer viver. A sorte pode estar em um grande prêmio em dinheiro, trazido por um simples bilhete de loteria. Ou talvez a sorte esteja em enxergar que a verdadeira sorte está bem em nossa frente, em forma de pessoas e pequenos grandes momentos

"– Bem, sempre foi difícil saber o que você quer – explica ele, e eu sorrio, porque tudo que realmente quis foi isso: família e amigos, segurança e amor, o sol entrando pelas janelas em uma manhã de sábado. Só isso."


Título: Sorte Grande
Autora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 384
Sinopse: "Desde que perdeu os pais, Alice não acredita na sorte. Mas ela acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo, Teddy. Quando precisa decidir o que dar a Teddy em seu aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente: um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número dos anos que estiveram juntos, datas importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois se envolvem em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria tudo. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Mas será que pode dar uma ajudinha?"*Exemplar cedido em parceria com a editora.
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