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RESENHA Tarde Demais

1 de agosto de 2018


Essa é uma resenha que farei com o coração pesado, se você abrir o meu exemplar de Tarde demais, vai encontrar além das marcações, muitas marquinhas de lágrimas, eu não consegui me segurar, desde o aviso da autora logo na primeira página até a última frase, esse livro me arrebentou incessantemente, foi tanta porrada e ainda assim eu não conseguia parar de ler, me apeguei fielmente na ideia de que Sloan merecia algo bom em sua vida e que isso tinha que acontecer em algum momento do livro. Voltar pra essa história para resenhá-la, vai fazer meu peito doer também.

O livro começa com um aviso de Colleen, dizendo que esse não é um livro bonito, não é um livro doce ou com bons sentimentos, esse foi o refúgio da autora em seus bloqueios criativos e todas as vezes que precisava desabafar sobre algo. Tarde demais nem ao menos deveria ser publicado, ela postou em uma plataforma digital por conta da curiosidade dos fãs e o resultado é esse, Colleen precisou lançar, ela quebrou até algumas regras. Por não conseguir se desprender dessa história, deu o livro como finalizado algumas vezes e ainda assim voltava a escrever, desse modo, acompanhamos o prólogo do prólogo e muitas outras passagens em que fica claro que a autora tentou dar um fim a isso, mas não foi capaz. Quando li esse aviso, achei que fosse exagero, quando vi os comentários sobre esse livro, também achei que fosse exagero, ele é classificado como a obra mais forte da autora, e achei que fosse só jogada de marketing, puro engano, não há palavras pra definir o que esse livro é, ele te atravessa de tal forma, que ao terminar, você só quer chorar, sofrer e sofrer, odiar o mundo e pedir por um Luke em sua vida. 

Pra você ter ideia do impacto desse enredo, a história já começa com uma cena de estupro, Sloan simplesmente acorda com seu namorado tirando sua roupa pela manhã, pronto para transar, imagine só acordar com alguém simplesmente invadindo seu corpo, é perturbador demais! Ela lida com isso de uma maneira tão natural que chega a ser assustadora, ela é muito grata a Asa então esse é o "mínimo" que pode oferecer a ele, mas isso não torna sua vida menos infernal.


Sloan é uma boa pessoa com uma realidade horrível, filha de uma mãe viciada, com um irmão que morreu em seus braços e outro que depende unicamente dela para sobreviver, ela não vê outra saída a não ser a de se tornar escrava de Asa, em todos os sentidos, quando ela se vê sem lugar para morar, a ponto de largar a faculdade e precisando de ajuda financeira para bancar a estadia de seu irmão em uma clinica para crianças especiais, Asa se torna seu único recurso. Eles são namorados a muito tempo, ele conta com bons recursos financeiros porque é um dos maiores traficantes da cidade, apesar de odiar isso, ela não vê outra saída a não ser usar dos recursos dele para cuidar de seu irmão. 

Já Asa, ele é completamente louco! Teve uma infância completamente desestruturada e sua forma de ver o mundo é doentia, ele trata todas as mulheres como vadias, abusa da violência física e do terror psicológico, acha sexo forçado uma coisa normal, todas as vezes em que ele ia narrar a história eu me sentia enjoada, de verdade, Asa é o pior de Colleen, todos os monstros, todas as coisas ruins, todos os demônios internos dela, eu sinto que compõe o que Asa é.

Mas certo, a história é só isso? Não! Inicialmente você imagina que o enredo vai focar na convivência de Sloan com Asa, já que eles moram juntos, mas é um pouquinho além disso. Asa mantém sua casa como um verdadeiro local sem regras, é sempre muito movimentada com gente da pesada, drogados, viciados, traficantes, com festas diárias e muito barulho, o único momento de paz é quando está na faculdade, é justamente durante um cochilo que ela conhece um belo rapaz em que troca alguns flertes, ela não vê nada de errado nisso porque acredita que isso não vai além do âmbito acadêmico, mas ao chegar em casa e dar de cara com ele, descobre que vai ser o novo sócio de eu namorado, os homens são todos iguais, correto?

Luke é um policial disfarçado, sua missão atual é se infiltrar no maior esquema de tráficos de drogas na universidade, sendo assim, ele se aproxima de Asa aos poucos, tem o primeiro contato de Sloan e simplesmente não consegue entender porque ela está envolvida com alguém tão sem escrúpulos, mas ainda assim, ele precisa cumprir seu trabalho e Sloan não pode ser uma distração.

Meus amigos, que livro! Talvez essa tenha sido a leitura mais dolorosa de Collen que eu já fiz, e olha que sempre choro com suas obras, eu simplesmente perdi as contas de quantas vezes Sloan foi abusada pelo namorado, de verdade, todas as cenas de sexo com ele são descrições de estupro, uma sempre pior que a outra, sem contar as vezes em que ele a traia e consequentemente abusava de outras garotas, algumas vezes, quando as meninas imploravam para ele parar, ou choravam, ele sentia-se excitado, OLHEM O NÍVEL DE DOENÇA DA PESSOA! Outras vezes, ele entendia o choro, raiva ou a resistência, como um verdadeiro joguinho onde ele saia vencedor. Ver a protagonista passar por isso é desesperador mas ela não tem outra saída, seu irmão tem um alto grau de autismo e precisa de cuidados 24h, após ter seu benefício cortado, ela vê em Asa a única saída para conseguir mantê-lo na clínica, basicamente Sloan se permite ser estuprada, violentada, machucada e usada pelo bem do seu irmão. Luke assiste isso de maneira um pouco cética, inicialmente ele se pergunta qual o papel de Sloan no esquema de tráfico mas depois entende que ela é a escrava de Asa e não pode escapar tão facilmente, a relação dos dois começa a acontecer de maneira natural, fofa, mas imediatamente fica densa, primeiro porque a protagonista é vigiada o tempo todo, seu namorado é tão possessivo que chega a rastrear seu celular, segundo que Luke não pode simplesmente jogar todo o seu trabalho fora para viver uma história de amor.

Sloan se abre para Luke porque vê nele um refúgio, ela conta toda a verdade, porque está com Asa, conta sobre seu irmão, sua vida nada fácil e como Asa se tornou um parasita na qual ela não consegue se livrar. Luke precisa ter quase uma precisão cirúrgica para efetuar bem o seu trabalho, aguentar ver Sloan sofrendo todas essas violências e não colocar tudo a perder.

Eu li Tarde Demais em tempo recorde, não só porque a história era boa, e sim porque ela não dá pausas, o tempo todo você fica com o coração na boca, o tempo todo são socos no estômago, o tempo todo são coisas perversas acontecendo e você só consegue se sentir apavorada, e quando pensa que as coisas vão aliviar... Só piora.

A trama é narrada pelo ponto de vista dos três personagens, sendo assim, você acompanha Sloan quando ela é abusada, acompanha Luke se segurando diante disso, e o pior, acompanha Asa fazendo isso e julgando como se fosse uma atitude totalmente normal. Colleen colocar o ponto de vista do "vilão" nisso tudo foi um verdadeiro soco no estômago, é como entrar na mente de um psicopata, onde suas atitudes doentias são facilmente justificadas com "foi por amor". O final é aceitável, é feliz, mas durante toda a leitura você se emociona tanto, se machuca tantas vezes, que isso nem chega a ser um final aceitável, é apenas uma permissão para finalmente respirar sem aquela pressão toda.

Esse é um livro repleto de gatilhos, cenas de abuso, violência, uso de drogas, tudo o que há de mais perverso está aqui, Colleen não brincou em serviço e essa história não vai sair tão facilmente de minha cabeça, ainda assim, não tiro o crédito da construção do enredo, tudo foi perfeitamente escrito e me emocionou demais. 
"Ninguém deveria levar uma vida sem nunca se sentir verdadeiramente cuidado - nem mesmo pelos pais que o criaram. E, no entanto, vivi isso durante vinte anos.Até este momento."
Título: Tarde Demais
Autora: Colleen Hoover
Editora: Grupo Editorial Record
Nº de Páginas: 384
Sinopse: "Para proteger o irmão, Sloan foi ao inferno e fez dele seu lar. Ela está presa em um relacionamento com Asa Jackson, um perigoso traficante, e quanto mais os dias passam, mais parece impossível enxergar uma saída. Imersa em uma casa incontrolável que mais parece um quartel general, rodeada por homens que ela teme e sem um minuto de silêncio, também parece impossível encontrar qualquer motivo para se sentir bem. Até Carter surgir em sua vida. Sloan é a melhor coisa que já aconteceu a Asa. E se você perguntasse ao rapaz, ele diria que também é a melhor coisa que já aconteceu a Sloan. Apesar de a garota não aprovar seu arriscado estilo de vida, Asa faz o que é preciso para permanecer sempre um passo a frente em seu negócio e proteger sua garota. Até Carter surgir em sua vida. A chegada de Carter pode afetar o frágil equilíbrio que Sloan lutou tanto para conquistar, mas também pode significar sua única saída de uma situação que está ficando insustentável. Colleen Hoover não tem medo de escrever sobre assuntos delicados e Tarde demais prova isso. Perpassando as formas mais cotidianas de machismo até as formas mais intensas e cruéis de abuso, a autora mergulha na espiral atordoante que é um relacionamento abusivo." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA O Tipo Certo de Garota Errada

30 de julho de 2018


Já tive algumas outras experiências com a autora e quando vi O tipo certo de garota errada figurando entre a lista de lançamentos da Galera Record, confesso que fiquei um pouquinho receosa, a última obra de A. C. Meyer que li foi Cadu e Mari, que você pode conferir a resenha AQUI e posso assegurar que teve mais pontos negativos do que positivos, a ideia foi ótima mas a execução em si deixou a desejar, e um pequeno erro na capa me deixou um tanto descontente, sendo assim, quando essa belezinha chegou em casa eu já fui sem muita expectativa e talvez essa tenha sido a melhor coisa que eu tenha feito. O que era pra ser um romance despretensioso se tornou um grande livro sobre amizade, amores e um grande aviso sobre se cuidar.


Malu sempre esteve no curso errado, ela segue o estereótipo de garota rebelde, com cabelos coloridos, roupas desleixadas e tatuagens, mas está cursando Direito, mais por pressão de sua família do que por desejo próprio. Logo no primeiro dia de aula ela conhece Rafa, um rapaz que está se formando já, mas isso pouco importa, eles se tornam amigos inseparáveis. Malu é extremamente infeliz mas procura não transparecer isso, sua grande paixão é pintar, mas ela esconde isso dos outros, seus pais nunca aceitariam, fora isso, Malu tem um ar bastante melancólico, sempre fuma e bebe demais, sua sorte é sempre ter Rafa por perto para cuidar dela, e falando em Rafa... Ele é um homem absolutamente gentil, companheiro, um baita amigo, não do tipo machista, que marca território, ele é do tipo irmãozão, que protege o quanto pode, chega a ser fofo. Acontece que Malu segue infeliz, Rafa se aproxima mais ainda devido a isso e acaba descobrindo o talento da garota para a arte, imediatamente ele procura a opinião de uma profissional e adivinha? Malu passa a ser um verdadeiro sucesso no mundo das artes, com direito a exposição e tudo, diante disso ela é impulsionada pelo colega e pelos acontecimentos a contar para os pais que seu grande sonho é sair do curso de Direito e pintar, porque é o que ama fazer. 

Quando ela conta isso aos familiares, a resposta não poderia ser pior, a violência física e psicológica de seu pai é absurda e nesse momento você sente vontade de guardar a personagem em um potinho, ela é expulsa do apartamento em que morava e com a ajuda de Rafa e o sucesso das vendas dos quadros resolve viver de maneira independente e cortar relações com a família.

Desse modo, Malu se muda, passa a morar em um local em que ela pode pagar, vive para pintar e por conta de sua fragilidade emocional se aproxima mais de Rafa, a conexão entre os dois é imediata, você os vê como um casal o tempo todo, mas a personagem insiste em dizer que não acredita em amor e o mocinho segue dizendo que não quer um relacionamento sério, é como se os dois quisessem lutar contra uma força que é infinitamente maior que eles. Mas ainda assim, resolvem tirar proveito da situação, eles se tornam amigos coloridos, que ocasionalmente transam, mas que nunca terão um relacionamento sério, duas pessoas que na real se amam, poderiam procurar um caminho mais torto que esse?

É nesse momento que eu resolvo colocar meus dedinhos nervosos em ação e fazer algumas críticas, Malu é uma personagem rica, ela tem profundidade demais, mas no que diz respeito à amor, ela segue uma filosofia tão clichê que me fez revirar os olhos, ela não acredita em amor, acha que é coisa de gente que quer se machucar e afirma isso de maneira tão imatura que cansa, no que diz respeito ao relacionamento com Rafa, ele sempre foi muito sincero com ela, obviamente ele começa se apaixonar e não percebe, e ver duas pessoas que se amam, negando isso chega a ser ridículo. A impressão que tive é que não eram dois adultos em uma relação, e sim dois adolescentes que não se resolviam sobre quem ia dar o braço a torcer primeiro. 

Pois bem, o livro tinha tudo pra me fazer odiar a história, mas a narrativa começa com Malu no hospital e eu decidi terminar porque estava curiosa demais pra saber o motivo, óbvio que não vou revelar aqui, só posso dizer que vale a pena, salvou a história todinha e me arrancou tantas lágrimas porque eu estava com medo do que poderia acontecer... A guinada nessa história acontece de maneira inexplicável e foge de tudo que eu esperava, ainda assim, é bastante coerente e faz todo o sentido para o enredo, nesse momento eu percebi o quanto Meyer pesquisou sobre o assunto. Outros personagens tem certo espaço na história, como a vizinha de Malu e os amigos de Rafa, mas não se engane, essa é uma história sobre amor, mas que foca na amizade, acima de tudo.

Fica a minha recomendação dessa obra que tinha tudo pra me fazer desistir, mas me comoveu de tal forma que me desarmei todinha e desabei chorando, uma história curtinha mas com o final forte, A. C. Meyer soube como me conquistar como leitora.
“Mas sempre fui a ovelha negra, aquela que tinha os cabelos coloridos e gostava de chocar. Que fuma, bebe, fala palavrão e gosta de curtir as coisas boas da vida. O tipo certo de garota errada. Aquela que nenhuma mãe iria querer como nora, e que os garotos normalmente não levam para casa, para apresentar aos pais.”



Título: O Tipo Certo de Garota Errada
Autora: A. C. Meyer
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 280
Sinopse: "O início da vida adulta não é nada fácil. Principalmente se você não é exatamente aquele tipo certo de garota. Aquele que frequenta todas as aulas da faculdade que o pai escolheu e sabe o que quer. O orgulho do papai e da mamãe. Aquele tipo de garota com o cabelo perfeito e hábitos saudáveis. Malu não é nada disso. Por outro lado, ela vive plenamente, como se cada dia fosse o último, e nada parece abalar sua coragem e determinação. Em meio a um problemático relacionamento com os pais, ela começa a faculdade de Direito a contragosto e lá conhece Rafael. Rafa está terminando o curso e os dois se tornam inseparáveis. Mas é só amizade. Até outro sentimento começar a falar mais alto. Com a atração se tornando incontrolável Malu e Rafa se permitem viver uma relação sem compromissos: livre, mas ao mesmo tempo intensa e apaixonada. Até que o destino os coloca diante de uma armadilha cruel. Pode o amor ser mais forte que o medo de amar?"*Exemplar cedido em parceria com a editora.
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