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RESENHA A Bruxa Não Vai Para a Fogueira Neste Livro

23 de agosto de 2018


Segundo volume da série As mulheres tem uma espécie de magia, Amanda sabe como nos deixar sem ar com poucas palavras. A proposta de uma obra curtinha mas comovente foi executada com sucesso. Este livro é para que todas as garotas em chamas se lembrem: nunca deixem seu fogo se apagar! A bruxa não vai para a fogueira neste livro é um livro de poemas pequeno, porém com uma força estrondosa. Quando eu comecei a lê-lo pensei que ele era meio raivoso demais, mas no decorrer da leitura eu percebi que não, que na realidade os poemas falam de uma maneira forte sobre temas muito pesados, pois é necessário se impor quando se fala sobre abusos, estupro, traumas, mortes, violência, entre outros.



A obra ganhou meu coração pois no começo ele faz uma referência a Em chamas (assim como eu fiz no começo desta resenha rs), para quem não sabe Em chamas é o segundo livro/filme da saga Jogos Vorazes (recomendo). Também no início tem um aviso sobre o que o livro tratará como um “alerta”, nem todo mundo quer ler coisas assim, mas devia.



A bruxa não vai para a fogueira neste livro fala sobre muitos temas realmente importantes, mas eu acredito que uma mensagem muito necessária que ele passa é a que nós, mulheres, devemos nos unir para salvar umas às outras, não nos odiarmos, pois a fulana está usando uma roupa igual a minha ou porque a outra está com meu ex-namoradx. Nós precisamos lutar juntas, porque se formos esperar que outra pessoa lute as nossas lutas iremos sucumbir a quem está organizado e sempre pronto para nos rebaixar.

Foi uma leitura gostosa e rápida, mas que causa um estranhamento porque te faz sair da sua zona de conforto e foi pra isso mesmo que o livro foi escrito, para te tirar da sua tranquilidade e te mostrar a realidade enfrentada por muitas pessoas. Se você já leu Outros jeitos de usar a boca, e gostou, você amará este livro, essa é uma daquelas obras que deve servir como presente para toda mulher, é certeiro que de alguma forma, algum poema vai te tocar.




Título: A Bruxa Não Vai Para a Fogueira Neste Livro
Autora: Amanda Lovelace
Editora: Leya
Nº de Páginas: 208
Sinopse: "Aqueles que consideram “bruxa” um xingamento não poderiam estar mais enganados: bruxas são mulheres capazes de incendiar o mundo ao seu redor. Resgatando essa imagem ancestral da figura feminina naturalmente poderosa, independente e, agora, indestrutível, Amanda Lovelace aprofunda a combinação de contundência e lirismo que arrebatou leitores e marcou sua obra de estreia, "A princesa salva a si mesma neste livro", cujos poemas se dedicavam principalmente a temas como relacionamentos abusivos, crescimento pessoal e autoestima. Agora, em "A bruxa não vai para a fogueira neste livro", ela conclama a união das mulheres contra as mais variadas formas de violência e opressão. Ao lado de Rupi Kaur, de "Outros jeitos de usar a boca" e "O que o sol faz com as flores", Amanda é hoje um dos grandes nomes da nova poesia que surgiu nas redes sociais e, com linguagem direta e temática contemporânea, ganhou as ruas. Seu "A bruxa não vai para a fogueira neste livro" é mais do que uma obra escrita por uma mulher, sobre mulheres e para mulheres: trata-se de uma mensagem de ser humano para ser humano – um tijolo na construção de um mundo mais justo e igualitário"

*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Senhorita Aurora

22 de agosto de 2018


Com que frequência vocês passam raiva com livro? Tô falando de raiva mesmo, de ficar fula da vida com absolutamente todos os personagens, pelos mais variados motivos. Como se a história fosse incrível mas todos os personagem fizessem questão de fazer tudo errado, isso já aconteceu com vocês? Comigo sim, e sabe o pior? Fiquei me sentindo mal por isso, porque o final me arrastou pra uma onda de empatia que sinceramente, me senti embargada.

Nicole é uma bailarina muito precoce, hoje ela faz parte do corpo de dança de uma das companhias de ballet mais importantes no mundo, mora em Londres e ocupa uma posição de dar inveja, tudo isso veio graças a muito esforço, não só dela como de sua mãe, que virava noites de sono para dar conta do sonho da filha, Nicole sabe disso e valoriza sua mãe de uma maneira muito bonita, é tocante, ela sabe que está ali não só por dom, mas por esforço também.

Daniel é um maestro com fama de carrasco, de poucos amigos e extremamente centrado, apesar da pouca idade ele ocupa a posição de velhaco, sempre com barba, postura nada amigável e extremamente rude com todos, o oposto de Nicole, correto? Mas o destino adora brincar com nossas possibilidades.

Nicole esbarrou com Daniel em sua viagem para Londres, tiveram a sorte(ou azar) de viajar lado a lado, ele irritado, colou chiclete no moletom da garota, ela... Sem querer jogou uma calcinha nele, um encontro que definitivamente deveria ser esquecido, coisa que Nicole fez, mas Daniel não.

Prestes a fazer uma audição para o papel de Aurora(Bela e a fera) Nicole está nervosa, é a primeira vez que o maestro Daniel vai participar não só regendo o corpo de ballet, algo inédito, como também da parte de direção, e mais uma vez o destino brinca com esses dois, Nicole não faz ideia que o maestro maldoso e carrasco, mal educado e sempre tão babaca com todos, é o mesmo homem bonito que colocou chiclete em seu moletom no passado, diferente da protagonista, Daniel não esqueceu e faz questão de jogar isso na cara dela, ele é assim, sempre muito baixo, sempre fazendo com que todos tenham medo dele, ou nutram ódio. Mas parece que o contrário acontece com nossa mocinha, quanto mais ele a trata mal, mais ela se aproxima, e foi aí que comecei a ficar fula de raiva.

Há uma faísca de paixão entre os dois, isso é muito notável, Nicole se vê confusa porque nunca se apaixonou, Daniel age da maneira mais imatura possível, sendo babaca e tratando a garota mal, ainda assim, ela resolve enfrentar horas e mais horas de frio para entregar a pasta que Daniel esqueceu no ensaio, acaba ficando presa por conta da neve e precisa passar alguns dias na casa dessa fera, é quase um pensamento bobo achar que nada aconteceria nesse momento. Ele apesar de cruel, não consegue esconder que sente desejo pela garota, mas isso quase sempre termina de maneira muito abrupta e estranha, ele a beija mas a afasta, ele é carinhoso mas logo depois é rude.

Eu sinceramente imaginei que essa fosse uma obra sobre bipolaridade, Dani tem TODOS os elementos para ser um homem bipolar, ele muda de maneira tão brusca que achei Nicole sonsa demais por não questionar isso, em certos aspectos encarei como um possível relacionamento abusivo, acontece que quando eu já estava com a opinião formada, esse maldito me vem e diz que é assim por conta de um segredo, e que precisa de certo tempo para contar para Nicole, isso se arrasta até o fim da trama. Ao mesmo tempo em que eu PRECISAVA saber que segredo era esse, queria que a personagem fugisse desse homem louco.

Acontece que quando o segredo foi revelado, quem se sentiu babaca fui eu, Daniel tem seus motivos para afastar todo mundo, na verdade é muito natural que ele faça isso depois de tudo o que passou e com sua perspectiva, já Nicole, eu agradeci demais por ela ter insistido nesse homem, ela é uma pessoa boa, que não vê mal algum em amar.

Só posso dizer que esse livro me surpreendeu por inteiro, quando eu já tinha meu veredito pronto, Babi me fez mudar de opinião e me comoveu de maneira literal, gostaria muito de falar sobre o tema abordado por ela, mas seria um baita spoiler, só posso afirmar que envolveu muita pesquisa e ela soube colocá-lo na história de maneira muito sincera e justa. Os personagens secundários são muito fofos, o ballet e a música são os temas centrais dessa história e apesar de não ser muito ligada nesses dois assuntos, me vi completamente envolvida.

Uma obra de leitura rápida e com um plot comovente, Senhorita Aurora fez jus a todos os comentários positivos.
“Rótulos não são coisas idiotas? Eles deviam vir apenas em garrafas e potes de geleia, não em seres humanos. Eu nunca me senti bem rotulando uma pessoa que nem conhecia.”


Título: Senhorita Aurora
Autora: Babi A. Sette
Editora: Verus Editora
Nº de Páginas: 342
Sinopse: "Nicole é uma jovem bailarina e está prestes a realizar seu sonho: estrear no papel principal em uma peça na Companhia de Ballet de Londres. Tudo estaria perfeito se não fosse pela presença de um dos seus diretores, o temido Daniel Hunter, um maestro prodígio de temperamento difícil, com um humor sombrio e que desperta em Nicole sentimentos contraditórios. Quando uma tempestade de neve isola os dois em uma mansão centenária, Nicole e Daniel serão obrigados a encarar não apenas os segredos que atormentam o maestro, mas também uma paixão proibida — e avassaladora — que nasce entre eles. Entre a tão sonhada carreira na dança, um amor intenso como ela nunca sentiu e a própria segurança, Nicole se verá diante de escolhas que parecem impossíveis. E caberá a ela resgatar Daniel de seu próprio passado... Senhorita Aurora é um romance poderoso, tocante e perturbador, que mostra que todos merecem uma segunda chance, até mesmo alguém com fama de monstro." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA O Rei das Cinzas

21 de agosto de 2018


Apesar de ter me apaixonado pela imagem dessa coroa na capa assim que coloquei meus olhos nela, eu sinceramente não sabia o que esperar quando peguei esse livro. Fiquei receosa no começo, mas aos poucos ele foi me cativando por ser de um tipo que eu aprecio muito: original, diferente. Ele não conta uma história de heróis, com toda aquela coisa de mocinhos e vilões, apesar de algumas vezes trazer a tona alguns leves traços disso. É uma história que envolve traições, ambição, religião, destino, vingança e magia. Há reis loucos tentando conquistas cada vez maiores, manipulações feitas para o bem e para o mal e um mar de sentimentos conflituosos. Não é uma história perfeita, mas de certa forma me vi muito apegada.

Garn era constituida por Cinco Grandes Reinos que viviam em paz, até o dia da traição, quando o equilíbrio foi quebrado. Quando a Itrácia, lar da real e lendária família dos jubardentes e nomeado Reino das Chamas, se tornou cinzas graças a uma campanha ambiciosa liderada por Lodavico de Sandura. Mesmo vencendo, não havia vitória de fato naquele dia, porque todos sabiam o preço que tinha sido pago por aquela traição, assim como sabiam as consequências que aquele ato ainda traria. E Daylon, Declan e Hatushaly tem um papel fundamental na nova guerra que está por vir.


Daylon Dumarch não é apenas um nobre, governante do baronato mais poderoso de toda Garn, mas também um guerreiro inteligente e calculista, que planeja cada um dos seus atos com paciência e sabedoria. É poderoso o bastante para ser respeitado pelos reis, rico suficiente para ser um e astuto na medida certa para saber usar uma vantagem quando vê uma. Declan, após anos de trabalho duro, conseguiu realizar seu sonho, ser um mestre ferreiro, o mais jovem desse oficio. Talentosos, habilidoso e inteligente, logo consegue o que quer quando vai para Cerro de Beran, nas terras de Daylon Dumarch, estabelece sua forja e está pronto para começar uma família, mas após uma perda, acaba percebendo que o destino, assim com o próprio barão, tem planos bem mais elaborados para o seu futuro. Hatushaly foi criado em Coaltachin, a Nação Invisível, um reino sem reis governado por um Conselho formado pelos mestres mais poderosos, no qual o maior lucro é ganho por meio de espionagem, traições, roubos e assassinatos. Um povo que presa apenas os seus acima de tudo. Hatu nunca soube de onde veio ou quem foram seus pais, ele apenas sabe que é diferente dos demais, com a cor incomum de seus cabelos e o tratamento diferente que recebe desde a infância. Junto com sentimentos conflituosos que ele foi obrigado a guardar para si devido a seu treinamento, uma raiva poderosa e sem precedentes cresce dentro de si. Ele apenas não sabe que tem muito mais por traz disso e de sua real origem do que jamais imaginou.

É difícil saber de qual parte falar primeiro, até porque esse é apenas o primeiro volume da história, de certa forma é apenas um prólogo comparado ao que ainda está por vir, onde por enquanto temos uma construção dos personagens e dos fatos que levaram ao fim da paz e ao início da guerra. E, apesar de a história centrar-se em Hatu e Declan, achei importante mencionar o barão Daylon, não apenas porque gostei muito dele, mas porque ele está envolvido em todo esse meio e sei que ainda fará muito nos próximos episódios. Uma coisa que gostei nesse livro, embora eu as vezes me visse um pouco perdida, é o fato de mostrar múltiplas pontos de vista, nos permitindo conhecer um pouco mais de outros personagens, e possibilitando uma ideia mais global de toda a confusão que está acontecendo, de toda a multiplicidade de interesses que estão sendo postos em cheque. O livro também possui cenas bem descritivas e detalhadas, não apenas da rotina dos personagens, mas também dos lugares e dos costumes, as vezes com informações que são explicadas mais de uma vez, o que por várias fez com que eu me perguntasse se estava perdida no livro por me parecer um trecho familiar. De certa forma, embora não tenha gostado muito a princípio, acabei percebendo que isso também ajuda a captar e entender alguns mistérios que o autor foi semeando no decorrer da história, características de personagens ou algum aspecto que em um ponto de vista não parece de muita importância, mas que quando você entende faz todo o sentido para as peças se juntarem.

Fiquei confusa em alguns pontos e em outros eu tinha que voltar e reler algumas páginas, principalmente em capítulos mais longos, que se mostraram um pouco cansativos as vezes, principalmente quando os personagens ficam muito perdidos em pensamentos ou bagunçam a cronologia. Mas, mesmo parecendo contraditório, há alguns momentos na história em que gostei dessa parte reflexiva dos personagens, de suas frustrações, dúvidas, medos, de sentimentos que não entendiam ou aqueles que não podiam expressar, por saberem o perigo que eles atrairiam. Pelo menos para mim, nenhum deles parece personagens forçados. Há aqueles sobre os quais ainda estou construindo uma opinião, outros dos quais já espero alguma coisa, mas posso dizer que qualquer um ali pode nos surpreender. Ainda há muitas dúvidas e mistérios no ar, ainda há muitas lutas por vir e só posso dizer que estou extremamente ansiosa pelo próximo volume. 

“Prepare-se; não para as pequenas guerras que irão nos atormentar logo, mas para uma como essa, em que coroas são o objetivo.”


Título: O Rei das Cinzas (A saga dos Jubardentes #1)
Autor: Raymond E. Feist
Editora: HarperCollins
Nº de Páginas: 512
Sinopse: "O mundo de Garn já foi composto de cinco grandes reinos, até que o rei da Itrácia foi derrotado e todos os membros de sua família foram executados por Lodavico, o implacável rei de Sandura, um homem com ambições de dominar o mundo. A família real de Itrácia eram os lendários Jubardentes, e representavam um grande perigo para os outros reis. Agora restam quatro grandes reinos, que estão à beira de uma guerra. Mas há rumores de que o filho recém-nascido do último rei de Itrácia sobreviveu, levado durante a batalha e acolhido pelo Quelli Nacosti, uma sociedade secreta cujos membros são treinados para infiltrar e espionar os ricos e poderosos de Garn. Com medo de isso ser verdade, e a criança crescer com um coração cheio de desejo de vingança, os quatro reis oferecem uma enorme recompensa pela cabeça da criança. Na pequena vila de Oncon, Declan é um aprendiz de ferreiro, aprendendo os segredos da produção do fabuloso aço do rei. Oncon está situada na Covenant, uma região neutra entre dois reinos. Desde que a área de Covenant foi declarada, a região existiu em paz, até a violência explodir com traficantes de escravos indo até a vila capturar jovens homens para serem soldados em Sandura. Declan precisa escapar, para levar seu conhecimento precioso para o barão Daylon Dumarch, comandante de Marquensas, talvez o único homem que pode derrotar Lodavico de Sandura, que agora se aliou à fanática Igreja do Deus Único e está marchando pelo continente, impondo sua forma extrema de religião sobre a população e queimando descrentes pelo caminho. Enquanto isso, na ilha de Coaltachin, o domínio secreto da Quelli Nacosti, três amigos estão sendo instruídos nas artes mortais de espionagem e assassinato: Donte, filho de um dos mais poderosos mestres da ordem; Hava, uma menina séria com habilidades de luta que poderiam derrubar qualquer oponente; e Hatu, um rapaz estranho e conflituoso no qual fúria e calma lutam constantemente, e cujo cabelo é de um tom brilhante e ardente de vermelho." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Bruxa Akata

19 de agosto de 2018


A Galera Record é o meu selo favorito por muitos motivos, um deles é a maneira como a representatividade é encarada, nada comercial, nada fútil, eles realmente se importam com o impacto das histórias em seus leitores, os enredos sempre fogem do comum e nem por isso deixam de ser assuntos altamente necessários. A cada e-mail informando sobre os lançamentos do mês, eu só sei sorrir, porque essa definitivamente é uma editora que se importa com o que seus leitores vão ler, e sabe da sua importância e influencia no mercado editorial. Preciso dizer que surtei ao saber que lançariam um livro focado em mitologia africana? Apesar de algumas ressalvas, senti vontade de abraçar os personagens dessa história e agradecer por terem me ensinado tanta coisa!


Aqui vamos conhecer Sunny, que tecnicamente é filha de nigerianos e nasceu nos Estados Unidos, mas por alguns motivos sua família acaba voltando para seu local de origem e a experiência acaba não sendo tão boa para a garota, mas por que? Sunny é uma garota albina em uma região onde o "normal" é ser negro, louco isso né? Eu fiz questão de usar a palavra normal só pra vocês perceberem quanto essas palavrinhas, por menores que sejam, não determinantes em nossa vida. Pois bem, Sunny foge da normalidade de onde mora, não é vista com bons olhos e é claro, vira motivo de piada na escola, ela não é aceita pelos outros alunos, mas tem uma postura bastante pacata e procura não se meter em brigas.

Em uma dessas situações em que a personagem tenta fugir de briga, ela acaba sendo chamada de "Bruxa Akata" que é a denominação usada de maneira bastante pejorativa para se referir aos negos nascidos no estrangeiro, ainda assim ela conhece Orlu, de certa forma é responsáve por livrá-la da situação e se tornam amigos, para os mais leigos isso é só sorte, para quem sabe do poder de Sunny, isso é o destino traçando seu caminho. Por conta da amizade com Orlu, ela também acaba ficando amiga de Chichi, uma personagem bastante peculiar, e que merece ter sua personalidade explorada. Até aí, imaginei que fosse só uma história sobre amizade e pequenas aventuras. Mal sabia eu que Sunny teria em suas mãos, a responsabilidade de encontrar um psicopata que mata crianças sem dó alguma.

Confuso né? Nadinha!

Graças aos seus novos amigos, ela descobre que é uma pessoa-leopardo, isso quer dizer que ela é uma figura mística, bastante singular e que é capaz de circular entre os dois mundos, coisas que poucos fazem. Logo depois, conhecemos também Sasha, uma rapaz que acaba se tornando parte do grupo também, e juntos eles precisam vencer essa batalha, frequentemente crianças vem sendo assassinadas por uma figura que ninguém consegue viver para contar, mas sabe-se que ela atua tanto no mundo real quanto no místico, e Sunny apesar de descobrir seus "poderes" agora, precisa fazer de tudo para vencer o mal juntamente com seus amigos.

Preciso dizer que fui com muita sede ao pote, e acabei me afogando um pouquinho haha. Li que a autora seria uma espécie de criadora do Harry Potter nigeriano e creio que essa afirmação foi um erro, não porque a obra não é digna, mas acontece que juntamente com essa afirmativa, vem um julgamento de valor enorme, e se a obra não for exatamente como promete, é fadada ao fracasso, o que não é nada justo. Bruxa Akata é uma obra de frutos doces e amargos, cabe a cada um colocar na balança e ver o que mais valeu a pena. Eu me senti bastante perdida inicialmente, principalmente no que diz respeito aos elementos místicos da obra, eu demorei a entender como tudo funcionava, a impressão que tive é que a autora escreveu algo, esperando que seus leitores já soubessem o básico de sua cultura, infelizmente por conta do apagamento histórico, não sabemos quase nada sobre esse povo tão rico, e devido a isso demorei a me localizar. Também me vi bastante cansada por conta das descrições, as vezes são exaustivas e te fazem querer desistir do enredo, mas a autora também me fez sorrir, no caminho do trabalho, na faculdade, em tantos lugares que perdi a conta! Quantos livros sobre a mitologia africana você conhece? Quantos livros você leu, te apresentaram uma cultura tão rica a ponto de você querer se mudar para determinado local, só para explorar mais a fundo tudo o que o livro tratava? Quantos livros tem como protagonista uma personagem albina? E que ao seu modo, coloca em pauta a questão racial? Quantos livros colocam a amizade como um elo tão forte, que nem um mundo místico é capaz de destruir? São muitas perguntas, e a única resposta é: Bruxa Akata.

Apesar das ressalvas, apesar de um pontinho negativo ou outro, esse livro me fez suspirar por inúmeras questões, seja do enredo ou da criação, é uma obra muito promissora, escrita por uma mulher negra, que vem conquistando cada vez mais sucesso. 

PS: A autora foi convidada para fazer parte das gravações de Pantera negra para dar uns pitacos sinceros sobre a cultura africana, como não amar?
"As pessoas se concentram demais em dinheiro. O dinheiro deve ser uma ferramenta, e não um prêmio."

Título: Bruxa Akata
Autora: Nnedi Okorafor
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 322
Sinopse: "Sunny tem 12 anos e sempre viveu na fronteira entre dois mundos. Filha de nigerianos, nasceu nos Estados Unidos e é albina. Uma pária, incapaz de passar despercebida. O sol é seu inimigo. Castiga a pele e a expõe aos olhares curiosos. Parece não haver lugar onde ela se encaixe. É sob a lua que a menina se solta, jogando futebol com os irmãos. E então ela descobre algo incrível – na realidade, ela é uma pessoa-leopardo em um mundo de ovelhas. Sunny é alguém com um talento mágico latente, é uma agente livre. Uma pessoa com poderes que nasceu de pais comuns. Logo ela se torna parte de um quarteto de estudantes mágicos, pesquisando o visível e o invisível, aprendendo a alterar a realidade, sendo escolhida por um mentor e conseguindo, enfim, sua faca juju — com a qual é capaz de fazer seus feitiços. Mas isso será suficiente para que encontrem e impeçam um assassino em série que está matando crianças? Um homem perigoso com planos de abrir um portal e invocar o fim do mundo?"*Exemplar cedido em parceria com a editora.
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