Posts Recentes

RESENHA O Último Adeus

21 de setembro de 2018


Essa obra faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como finalidade promover um debate saudável sobre transtornos mentais, suicídio e maneiras para preveni-lo.

Li O último adeus tem um bom tempo, mas nunca tive coragem de resenhá-lo, a impressão que sempre tive, é que esse livro é grande demais para caber em uma simples resenha, ele é intenso, te leva por um mar de sentimentos e no final te arrebenta, sem questionar se você é forte o suficiente para aguentar. A obra se tornou tão importante pra mim que hoje é meu objeto de pesquisa na faculdade, é meu corpus de análise e por meio dela, tento trilhar um caminho na intenção de compreender o suicídio, luto e o uso de diários na literatura. Compreender a essência desse livro, é mergulhar de certo modo, na vida pessoal da autora também, mas para isso, precisamos entender um pouquinho mais sobre a história.

Lex tinha tudo para ser o orgulho da família, está no último ano da escola, é um verdadeiro gênio da matemática, um futuro promissor, isso se seu irmão não tivesse cometido suicídio. Tyler se matou com um rifle de caça, na garagem de casa, deixando apenas um recado em um post it amarelo onde dizia: “Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio”. Lex se sente culpada, inicialmente não entendemos o motivo mas isso é totalmente plausível, a narrativa se dá devido a isso. Seu terapeuta Dave, tentou de outros modos fazer com que sua paciente falasse e não funcionou, então em uma tentativa diferente, pede para que ela escreva em uma caderno Moleskine sobre seu irmão Tyler, seja sobre os momentos felizes, sua raiva, qualquer coisa, Lex só precisa escrever.

É justamente aí que a história começa a ganhar corpo, a narrativa se intercala entre a Lex do presente, tentando sobreviver ao luto, buscando formas de ajudar sua mãe, que também se afundou nessa fase, e aqui é necessário fazer um recorte, a impressão que tive foi de que os papéis se inverteram, com a morte de Ty, a mãe de Lex se tornou uma criança, não se alimentava, chorava muito, insistia em dormir no quarto do filho e com as roupas dele, tudo muito triste, então além de tentar superar a morte do irmão, a protagonista assume o papel de mãe de sua própria mãe, confuso, né? Pois bem, a narrativa mostra a Lex do presente, passando por essa situação, e trechos de seu diário, onde ela tenta falar sobre seu irmão, nunca sobre o dia de sua morte, sempre outras coisas. 

No começo, eu achei que Lex não conseguia falar sobre o dia da morte do irmão por não estar preparada, e de certa forma é exatamente isso, mas ela também se sente culpada. Conforme vamos acompanhando seu diário, percebemos que Tyler sempre deu os sinais de que precisava de ajuda, antes de se matar se afastou de amigos, terminou um relacionamento, parecia sempre deprimido, tentou se matar com remédios. Contrariando aquele velho tabu de que suicidas nunca dão sinais ou pedem ajuda, Ty era uma adolescente que pediu socorro, mas foram situações tão pequenas e pontuais, que muita gente ao seu redor não deu a devida importância. 
Como sabemos, a Darkside é conhecida como uma das maiores editoras de terror, e nessa obra a coisa não foi diferente, a introdução do elemento fantástico acontece de maneira bem peculiar, tanto Lex quanto sua mãe começam a achar que o fantasma de Ty está pela casa, rondando, com seu cheiro, deixando pistas, tudo para que não seja esquecido, isso certamente acaba dificultando o processo do luto.

A obra fala muito sobre o luto dos familiares, e sobre o processo de Ty até o suicídio, é bastante doloroso ler os relatos da mãe, falando sobre como é ruim perder o filho, e ver Lex se vendo como culpada, abandonando seus sonhos porque a culpa a engole por completo.

Talvez esse seja o livro mais obrigatório de todo o projeto, é uma história sobre o cuidado que devemos ter com quem está por perto, como devemos oferecer nosso ombro amigo em qualquer momento, porque nunca saberemos quando será O último adeus.

Uma curiosidade sobre a obra e a autora, é que seu irmão se suicidou aos 17 anos também, ela afirma que a obra é extremamente ficcional, mas aos meus olhos, foi o modo que ela encontrou para falar sobre esse período tão difícil. Sobre a parte estética do livro, a fonte usada no livro, e a cor, tentam imitar o uso de uma caneta BIC, como a usada no bilhete de Tyler, a capa é repleta de post is pelo mesmo motivo. 
"Eu não estava prestando atenção. Estava ocupada demais sendo a protagonista do meu próprio filme, enquanto meu irmão estava em algum lugar lá fora aquela noite, no escuro, sofrendo. E 17 dias mais tarde, ele estava morto."

Título: O Último Adeus
Autora: Cynthia Hand
Editora: Darkside
Nº de Páginas: 352
Sinopse: "O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes."





RESENHA Bem-Vindos ao Paraíso

19 de setembro de 2018


Ser parceira da Editora Morro Branco é uma verdadeira caixinha de surpresas, a gente nunca sabe o que vem, mas quando vem, é certeza de que ficaremos tremendamente emocionados com a história. Bem-Vindos ao Paraíso tem exatamente essa pegada, mas para mim foi um pouco mais pessoal. Sou uma garota negra, e sempre fui muito leitora, desde pequena tenho esse hábito e demorei muito tempo para entender o que acontecia na literatura em si, eu lia de tudo, como uma leitora voraz consumia todo tipo de literatura que me era direito ou que a idade permitia, mas eu dificilmente via personagens negros, quando encontrava, sempre era o estereótipo de empregada, amiga da protagonista e coisas do tipo, demorei muito a me questionar sobre essas coisas. Hoje, tenho muito mais perspicácia para fazer apontamentos sobre esse tipo de enredo que sinceramente, reforça uma estrutura social racista. Segunda coisa, crianças negras, durante parte da infância e da adolescência, criam o hábito do auto-ódio, mas o que é isso? Simples, nós não queremos ser negros, produzimos aquele desejo utópico de se tornar pessoas brancas, alisamos o cabelo, usamos maquiagens que nos tornem mais claros, sem querer renegamos quem somos, não por odiar nossa cor, e sim porque pessoas brancas em suas atitudes muitas vezes veladas, odeiam. Veja bem pessoal, isso é algo MUITO sério, mas é o reflexo de uma sociedade que trata nós negros, de maneira bastante cruel, mesmo que disfarçadamente. Pensem em propagandas, filmes, tudo, como anda a representatividade? Ela é igualitária? Não, nunca e. Mas Bem-Vindos ao Paraíso veio para ser um verdadeiro tapa na cara sobre isso, eu indico não só por ser uma ótima leitura, mas porque na obra existem trechos tristes, cruéis, mas que são reais, se vocês se espantam com a leitura, imagine nós negros que passamos por isso diariamente. 


Antes de mais nada, precisamos entender onde a história se passa, a Jamaica fica situada no mar do Caribe, possui uma ilha central e outras ilhas ao seu redor, o país demorou muito tempo para ser independente, e acredite ou não, é extremamente homofóbico, quando digo isso, não falo sobre um candidato babaca ou coisas do tipo, falo de pessoas que matam LGBTs, pessoas que defendem a lei da sodomia(que proíbe a relação entre pessoas do mesmo sexo) e coisas ainda piores. É justamente nessa realidade que vamos conhecer Margot, que durante o dia é simplesmente uma personagem que trabalha em um hotel de luxo, mas ao receber telefonemas com palavras bastante peculiares, como por exemplo "Sundae" ela se transforma, isso é um código para dizer que a pessoa ao telefone, quer contratá-la para um programa, sim, Margot trabalha como prostituta e ela faz isso mais pela sua irmã do que qualquer outra coisa. Faz porque precisa pagar a escola de Thandi, sua irmã mais nova que futuramente vai recompensá-la, assim que passar na faculdade, vai tirá-la da miséria e da prostituição, e nada disso será mais necessário. Margot é uma mulher negra, atormentada por esse esteriótipo sexualizado, ela se relaciona com hospedes ricos, e sonha com uma promoção no emprego, o que ninguém sabe é que ela é lésbica, na escuridão da noite, enquanto todos dormem, ela vai para a casa de Verdene, o grande amor de sua vida, uma mulher atormentada por ser quem é, e que sofre grave retalhações por parte de sua vizinhança. 

Bem-Vindos ao paraíso tem uma variedade incrível de personagens que desmistificam os seus esteriótipos, Margot é uma garota de programa lésbica, que faz o que faz não porque quer, mas porque sua mãe Delores vendeu o corpo dela ainda criança, porque precisava de dinheiro e porque percebeu que a filha gostava de outra menina, Thandi carrega essa fardo de ser obrigatoriamente a tábua de salvação da família, a garota que vai entrar em uma boa faculdade, na verdade Thandi queria ser artista, e escondida de todos, usa cremes extremamente violentos para clarear sua pele, ser negra é o oposto de beleza para ela, sem contar que ela esconde o maior trauma de sua vida, não por medo, e sim por vergonha. Delores é uma personagem asquerosa, que tipo de mulher prostitui sua filha porque precisa de dinheiro? Isso me deixou assustada, mas dentro do contexto, é bastante real. Verdene é um mar de tranquilidade no meio disso tudo, ela frequentemente é vitíma de seus vizinhos, que jogam animais mortos em seu quintal e a acusam de coisas horríveis, simplesmente por ela ser quem é, do ponto de vista religioso e cultural, ser lésbica é uma verdadeira passagem para o inferno. 

A construção desse livro é simplesmente genial, inicialmente as histórias destoam, Margot com a sua realidade, Thandi com os seus questionamentos, cada qual em seu universo de segredos, a autora vai construindo esses universos paralelos, mas que em determinado momento se chocam e quando isso acontece, você fica extremamente apreensivo. O que mais gostei, foi a maneira como uma autora negra, resolveu falar sobre sua cor, e como isso indiscutivelmente interfere em nossas relações amorosas, tanto Margot quanto sua irmã, sofrem com isso. É como se o fato de serem negras, a tornassem indignas de serem amadas, entendem a gravidade?

Essa é uma obra que aborda uma infinidade de temas de maneira muito direta e real, racismo, hipersexualização de corpos negros, prostituição, estupro, política e tantas outras coisas, 400 páginas que te arrebentam do começo ao fim, e que mostram que o paraíso, muitas vezes é o inferno para quem trabalha e vive nele. 

Título: Bem-Vindos ao Paraíso
Autora: Nicole Dennis Benn
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 416
Sinopse: "Em um resort luxuoso nas belas praias de areia branca da Jamaica, Margot luta para manter Thandi, sua irmã mais nova, na escola. Ensinada desde pequena a usar o corpo para sobreviver, ela está determinada a proteger Thandi do mesmo destino. Mas quando a construção de um novo hotel ameaça sua vila, Margot enxerga uma oportunidade de independência financeira e a chance de admitir um segredo chocante: seu amor proibido por outra mulher. Bem-Vindos ao Paraíso é um romance de estreia poderoso e um hino sensível aos dramas de um mundo escondido na vasta extensão de mar turquesa, um lugar que muitos turistas veem apenas como um paraíso."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Noivos do Inverno

17 de setembro de 2018


A primeira coisa que posso dizer a respeito desse livro é que me tirou o chão, porque ele de fato conseguiu o que bons livros geralmente conseguem, despertou a minha imaginação. Havia certos momentos em que eu não apenas lia, mas era como se eu pudesse visualizar perfeitamente os lugares, pudesse sentir os aromas e me familiarizar com coisas totalmente fora dos padrões, tornando a experiência totalmente sem precedentes. Assim como também me fez encontrar uma das personagens mais peculiares que já tive o prazer de conhecer e que me cativou tremendamente.

Na criação de Christelle Dabos, o mundo não é constituído de países, pelo menos não mais, mas sim por diversas arcas espalhadas, cada uma com sua peculiaridade proveniente de um espírito familiar, seres originários de suas linhagens. Anima, onde as coisas ganham vida, é uma dessas arcas. É também o lar de Ophélie, uma garota que possui poderes únicos: ela é capaz de ler o passado de objetos até sua origem e pode atravessar espelhos. Ela não liga para aparências, está sempre escondida atrás de óculos que mudam de cor de acordo com suas emoções e um cachecol temperamental que tem vida própria. Desastrada e com uma voz sempre muito baixa, além de ideais próprios, ela gosta mais de estar entre os preciosos objetos de seu museu do que entre pessoas.

Porém, sua vida muda quando ela é prometida em casamento a um homem estrangeiro. Ophélie não queria se casar e, depois de fugir de dois casamentos, ela não tem mais como escapar, ainda mais quando forças acima das dela estão controlando o rumo da sua vida. A contragosto, ela tem que ir para Polo, uma arca congelada do outro lado do mundo e se casar com Thorn, um homem de estatura extremamente alta em contraste com a sua (já que ela é bem baixinha) e de modos grosseiros (a simpatia mandou lembranças). E, ao chegar lá, Ophélie acaba descobrindo que um casamento forçado não é mais seu único problema.

O Polo é um lugar onde se sobrevive apenas os mais fortes, e isso não se deve apenas ao seu clima congelante. Disputas por privilégios, ambição, rancor, vingança, caprichos, inimizades entre clãs e dentro deles faz parte da vida cotidiana desse lugar, e para Ophélie, que já é difícil estar longe de casa e estar presa a um casamento ao qual ela não quer, ter como noivo o homem mais odiado de toda arca, o que a coloca no topo da lista de alvos para qualquer nobre, as coisas não ficam muito melhores. Thorn tem planos para mudar a situação de perigo em que estão, mas, enquanto as coisas não mudam e para sobreviver, Ophélie tem que ficar escondida debaixo do nariz de todos e, para isso, precisa se disfarçar com uma ilusão, se sujeitando a trabalhar como empregada da caprichosa tia de Thorn, uma mulher com a qual não se deve brincar. Ela passa por trabalhos desgastantes e humilhantes, riscos de vida frequentes, agressões e tudo que se pode dizer de momentos infernais apenas para manter sua identidade escondida. Porém, nenhuma mentira dura para sempre, e entre todas as situações, Ophélie percebe que sua identidade não era a única coisa que estava sendo escondida. 




Se posso dizer algo é que esse livro com certeza me surpreendeu. No começo, logo que vi Ophélie e Thorn, pensei: “Eles não se gostam agora, mas daqui a pouco vão estar apaixonados.”, ledo engano. E acho que foi isso uma das coisas que mais gostei nesse livro, por não ser previsível o relacionamento dos personagens. Ophélie não é nenhuma garotinha frágil e chorona, mesmo sendo bem quieta, ela é com certeza uma das personagens mais duronas que já vi, porque essa criatura passou por muita coisa, sinceramente, houve momentos que parecia o inferno, e em nenhum momento a vi chorando ou se lamentando por isso, pelo contrário, se não tinha ninguém para ajudar, ela dava um jeito. Também adorei o fato de ver de modo bem marcado o amadurecimento dela, daquela garota toda calada que se escondia para uma mulher que quer tomar as rédeas da própria vida, que não “pertenceria a ninguém além de si mesma.”. Eu não consigo imaginá-la fisicamente, a minha imaginação não consegue colocar a descrição dela em uma forma coerente, então vejo apenas um brilho de personalidade, e isso é uma das coisas que acho mais peculiares nela. Ela é diferente e gostei muito disso. O Thorn... Ele é um personagem difícil, principalmente porque eu não sei o que pensar dele, porque ele é tão impenetrável ao mesmo tempo que, mesmo minimamente, deixa transparecer algumas emoções. Eu espero não estar enganada, mas eu acho que ele é mais do que apenas um homem ambicioso e que está sempre olhando para um relógio. E isso não é apenas porque adoro um cara que se faz o oposto dos mocinhos costumeiros. Ele realmente é um personagem que chamou a minha atenção, que me deixou intrigada e acho que tem muito mais a oferecer. 

Eu destaquei os dois, mas tem vários outros personagens que me deixaram???? Teve os que amei e aqueles que o único sentimento que posso definir é um eterno RANÇO. E isso é outra coisa que gostei nesse livro, a história de cada personagem não termina com um ponto, mas com uma vírgula. Tem sempre uma informação aqui, um comportamento ali que te deixa preso e querendo saber muito mais. 

Achei essa edição maravilhosa e a leitura muito amorzinho, fluida, e o jeito como a autora descreve os lugares, atribuindo não apenas as imagens, mas até os aromas, faz com que a gente seja catapultado para o momento que está sendo narrado, faz com que mergulhemos na história as vezes sem nem perceber. É uma narrativa em terceira pessoa, com foco na visão de Ophélie, mas isso não impede que nos forneça uma grande proximidade com a personagem. O livro é dividido em duas partes, o que mostra uma mudança de contraste, não apenas nos personagens, mas até na história em si. Há muitos momentos que fiquei tremendamente irritada, do tipo de querer entrar no livro e estrangular alguém, e outros em que fiquei com o coração um pouco apertado, e isso tudo fez a leitura valer totalmente a pena. Com certeza é um livro que vai ficar em destaque na minha prateleira e estou TREMENDAMENTE ANSIOSA pelo próximo volume, porque eu preciso de uma continuação.
“O seu olhar, por outro lado, nunca voltaria a ser como antes. De tanto ver ilusões, tinha perdido as próprias, e era melhor assim. Quando as ilusões somem, só resta a verdade. Esses olhos se voltariam menos para dentro e mais para o mundo. Eles ainda tinham muito a ver, muito a aprender.


Título: Noivos do Inverno (A Passa-Espelhos #1)
Autora: Christelle Dabos
Editora: Morro Branco
Nº de Páginas: 416
Sinopse: "Honesta e cabeça-dura, Ophélie não se importa com as aparências. Mas, por baixo de seus óculos de aros largos e cachecol desgastado, a garota esconde poderes únicos: ela pode ler o passado dos objetos e atravessar espelhos. A vida tranquila que leva em Anima se transforma quando Ophélie é prometida em casamento à Thorn, herdeiro de um distante e poderoso clã. Agora, ela terá que deixar para trás tudo o que conhece e seguir seu noivo até Cidade Celeste, a capital flutuante de uma gelada arca conhecida como Polo. Ali, o perigo espreita em cada esquina, e não se pode confiar em ninguém. Sem se dar conta, Ophélie torna-se um peão em um jogo político mortal, capaz de mudar tudo para sempre." 
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 

RESENHA Quem é você, Alasca?


Esse livro faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem por finalidade trazer um debate saudável sobre transtornos mentais, suicídio e maneiras para preveni-lo. Obrigada Editora Intrínseca por topar participar desse projeto, vocês são maravilhosos e a atenção que recebi foi fora do comum, é isso que torna a editora um diferencial no mercado. 

Quando pensei no projeto do Setembro Amarelo, um dos nomes que me vieram em mente foi o nosso querido John Verde, Tartarugas até lá embaixo se tornou uma das minhas obras favoritas pelo fato do autor falar tão bem sobre TOC, em poucas vezes me senti tão representada assim. No entanto, eu nunca havia lido Quem é você, Alasca? Mas sabia que a redoma dos transtornos e do suicídio rondava essa história, e pra ser sincera, esses assuntos ocupam o enredo como um polvo, que vai nos prendendo com seus tentáculos cada vez mais.

Miles Halter é um jovem adolescente que vive na Flórida, ele é extremamente solitário, sem amigos, bastante franzino, apaixonado por últimas palavras. Ele adora ler biografias e desse modo acaba descobrindo as palavras ditas por muitas pessoas antes de morrer, famosos, políticos, escritores, diga um nome e Miles saberá qual foi a última palavra que essa pessoa disse antes de morrer. Ele resolve se mudar para o Alabama, estudar no Culver Creek, mesma escola que seu pai estudou, ele decide trilhar esse caminho porque quer ir em busca do seu "Grande Talvez" e entender tantas outras questões da humanidade. Chegando lá ele logo faz amizade com seu colega de quarto, Chip, um cara baixinho mas com ideais bastante firmes, e graças a ele é apresentado para Alasca, a garota que vende cigarros e que as vezes é calmaria, outras vezes é furacão. Apesar de ser comprometida, Miles se apaixona por Alasca quase que instantaneamente e decide viver isso, mesmo que seja unilateral. Pela primeira vez na vida, nosso protagonista de fato se sente vivo, seja pelas encrencas que arruma com seus novos colegas, ou por essa paixão quase cega, que ele começa a viver.

Mas ok, porque esse livro está no projeto Setembro Amarelo? Eu decidi não dar spoilers sobre a história, apesar de ser um livro bastante antigo e famoso, não irei contar o que acontece, mas quero falar sobre como adolescentes aqui são retratados, todos, de todos os tipos.

Miles é um garoto solitário, inicialmente eu senti muito medo que algo acontecesse com ele, é um cara sem amigos, sem atrativos físicos, com esse gosto quase mórbido por últimas palavras, ele é aquele adolescente solitário, que na verdade é um cara incrível, mas ninguém dá atenção, sabe?

Alasca, apesar de nenhum laudo, tem algum transtorno, ela é extremamente deprimida, ou extremamente feliz, não há meio termo, isso é bastante compreensível quando pensamos em todos os traumas que ela já passou, pra você ter ideia, Alasca era a única pessoa presente quando sua mãe morreu de maneira súbita, ela não conseguiu ligar para a emergência porque só sabia chorar, seu pai chegou duas horas depois, a viu sentada ao lado da mãe e culpou a menina, que na época ainda era uma criança, Alasca carrega essa culpa de maneira tão viva, que é como se ela fosse a depressão em carne, indo aos extremos, agindo sem medo de consequências físicas ou emocionais.

Chip, o companheiro de quarto, é um garoto bastante humilde, sofreu muito quando criança, ele e sua mãe foram vítimas de violência doméstica, e esses traumas ainda são notáveis nele.

Vocês entendem porque esse livro está no projeto? São adolescentes totalmente machucados por suas realidades, por motivos que definitivamente não os tornam culpados, as coisas simplesmente aconteceram com eles, e logo em seguida deixaram cicatrizes. 

A história caminha desse modo, e tem como um dos focos a paixão de Miles por Alasca, que em determinado momento passa a ser correspondida, mas algo acontece e tudo muda, tudo. O que posso dizer é que nunca saberemos o que de fato aconteceu, quais foram os motivos, nunca, mas o que podemos fazer é nos atentar a quem está do nosso lado, observar detalhes, oferecer nosso carinho, insistir na vida da outra pessoa, e mostrar como ela importa.

Quem é você, Alasca, nos diz muito sobre lealdade, amor, e como as últimas palavras nem sempre são as que gostaríamos de ouvir. Um livro denso, tocante, e que me comoveu mais do que eu esperava. 
"Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil."

Título: Quem é você, Alasca?
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Nº de Páginas: 272
Sinopse: "Miles Halter leva uma vida sem graça e sem muitas emoções na Flórida. O garoto tem um gosto peculiar: memorizar as últimas palavras de grandes personalidades da história, e uma dessas personalidades, François Rabelais, um escritor do século XV, disse no leito de morte que ia em busca de um Grande Talvez. Para não ter que esperar o próprio fim para encontrar seu Grande Talvez, Miles decide fazer as malas e partir. Ele vai para um internato no ensolarado Alabama, onde conhece Alasca Young. Ela tem em seu livro preferido, O general em seu labirinto, de Gabriel García Márquez, a pergunta para a qual busca incessantemente uma resposta: Como vou sair desse labirinto? Miles se apaixona por Alasca, mesmo sem entendê-la, e o impacto da garota em sua vida é indelével."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

Todos os direitos reservados 2019 |
Desenvolvimento por: Suelen Marques - Web Design
Para o topo!