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RESENHA Lembra Aquela Vez

28 de setembro de 2018


Oi, aqui é a Isa, e essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem por finalidade falar sobre livros que abordem os temas relacionados aos transtornos mentais, depressão, suicídio e maneiras para preveni-lo. Este livro é muito amorzinho muito mesmo, mas ao mesmo tempo é muito triste. A construção dos personagens faz você amá-los ou odiá-los instantaneamente. A leitura foi incrível, preciso iniciar dizendo isso, mas o final me deixou devastada e sem rumo nessa vida. 

 AVISO DE SPOILER, NECESSÁRIO POR SINAL!

Aaron Soto é um garoto comum que vive no Bronx, um distrito de New York, tem amigos e uma namorada, nada demais até aqui, não é mesmo? No entanto, ao decorrer da história somos apresentados a vários fatos que mudam toda a linha da narrativa e o que você imaginou que aconteceria na verdade não acontece. 



Aaron é muito apegado a seus amigos e a sua namorada, Genevieve, que o apoiou muito depois da perda de seu pai. Certo dia Aaron e seus amigos estão jogando Perseguição, tipo pique-esconde só que meio perigoso, e Thomas ajuda Aaron a despistar os amigos que o estavam perseguindo. A partir desse momento uma amizade muito forte começa a ser desenvolvida, Thomas que até então era um desconhecido, começa a participar da roda de amigos de Aaron, e eles não se desgrudam nunca, sempre que possível eles saiam, Aaron dormia na casa de Thomas e isso incomodava os amigos mais antigos dele, principalmente Brendan. 

A amizade deles se torna mais forte quando Genevieve vai passar três semanas em um acampamento de artistas e Aaron fica “sozinho”, como ele é muito dependente da Genevieve ele fica muito perdido e procura Thomas para suprir esse vazio. 

Aaron tem muitas cicatrizes, tanto internas quanto externas. Seu pai se matou na banheira da casa e ele não entende o motivo que levou seu pai a fazer isso, seria assim tão ruim a vida de ele tinha? Sua família não era um motivo suficiente para continuar vivendo? Depois de seu pai ter optado pela morte voluntária, Aaron também tenta a mesma coisa, só que esse fato fica meio sem explicação no começo, não somos apresentados a um possível motivo para essa tentativa de Aaron. 

A amizade com Thomas evolui tanto que Aaron começa a sentir umas coisas estranhas por ele, coisas que ele não sentia pelos amigos e cada vez sente menos a falta de Genevieve, que estava no acampamento. Certa noite Aaron decide contar a Thomas que ele está sentindo essas coisas estranhas e se assumir gay, para a sua surpresa Thomas encara esse desabafo com a maior naturalidade do mundo e isso é de extrema importância para Aaron, pois Thomas é uma das pessoas mais importantes para ele. Em certo momento Aaron está no quarto de Thomas e começa a fazer uma tatuagem de caneta nele, nesse momento Aaron, movido pelos sentimentos e pela certeza de que Thomas também é do Vale, e dá um beijo nele, Thomas o afasta e diz ser hétero (sim, ele diz ser hétero, para a minha tristeza pois estava shippando muito). Mesmo Thomas afirmando ser hétero Aaron está convicto que ele não é, mas mesmo assim deixa essa suspeita de lado priorizando a amizade, eles ficam um tempo separados, mas fazem as pazes e se abraçam na rua. 

O que um simples abraço poderia fazer você? Pode se perguntar, mas nesse caso um abraço mudou todo o rumo da história. Eu-doidão, “amigo” de Aaron, os vê se abraçando e conta para seus amigos, e como alguns héteros tem a masculinidade frágil ao extremo, eles param Aaron e começam a bater nele, falando que é para o bem dele, para ele parar de ser bichinha, só que eles batem tanto nele que ele quase morre e tem que ir para o hospital. 

E é nesse momento que temos a maior revelação de todas, Aaron tinha passado por um procedimento que se chama Leteo, que basicamente é esquecer memorias que você não quer lembrar. O que Aaron esqueceu? Ele decide esquecer que é gay, pois depois que ele se assumiu em casa tudo ficou horrível, e ele associa o suicídio do seu pai a esse fato da sua vida. E foi por isso que ele tenta se matar, só depois de ele lembram de tudo que ele esqueceu é que sabemos que ele tentou se matar por não aguentar tudo que estava ruim depois de se assumir gay. 

Esse livro é tão incrível que essa não é a ultima revelação, mas eu já escrevi demais. É importante ressaltar que o tema geral desse livro é aceitação e intolerância, Aaron não se aceita do jeito que é e isso acaba colocando uma barreira mental nele fazendo com que ele pensasse que tudo de ruim que acontecia era porque ele gostava de caras. Ser gay não é o problema, mas a intolerância é, tanto dos amigos quanto do pai, pois sua mãe dava todo apoio para ele, mas o pai era um abusivo e violento que o expulsou de casa por ser gay e batia em sua mãe. 

Quero terminar dizendo que sua sexualidade não é um problema, por mais que tudo esteja difícil, desistir de algo tão precioso com a sua vida não é a melhor escolha, sempre existe alguém ou alguma coisa que valha a pena mais um dia, mesmo que seja muito difícil de achar, é o que eu sempre repito pra mim mesma. 

Espero que se interessem por esse livro e gostem tanto quanto eu gostei.

“Thomas também corre o dedo sobre a cicatriz depois cutuca meu pulso duas vezes. Seus dedos estão sujos do ioiô e de outras coisas do telhado. Mas agora eu entendo; ele desenhou olhos, com duas impressões digitais sujas sobre a cicatriz.”

Título: Lembra Aquela Vez
Autor: Adam Silvera
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 336
Sinopse: "Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade"
*Exemplar cedido em parceria com a editora. 



RESENHA Quando Tudo Faz Sentido

27 de setembro de 2018


Essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como finalidade promover um debate saudável sobre saúde mental, transtornos, suicídio e formas de preveni-lo.

Eu sinceramente não sei como começar escrever sobre esse livro. Ao final da leitura, permaneceram em mim algumas reticências buscando respostas e os “porquês” acerca tudo e todos. Penso que não encontrei respostas concretas, mas refleti sobre o que realmente faz sentido no gigante inexplicável e imensurável chamado vida, sobre quais são as causas e efeitos que certas atitudes nossas implicam diretamente na vida de outras pessoas, e que, apesar de Liz Emerson achar que não, muita coisa importa.

Nunca julguei tanto um livro pelo nome e pela capa e nunca me enganei tanto quanto a tais fatores. No começo, pensei que fosse um livro, a princípio, sobre suicídio, que contaria a história de alguém que queria se matar por n motivos e então surgiria um grande amor e faria esse alguém mudar de ideia e ver a vida de um modo diferente. Mas não era nada disso. Esse alguém, tão esperado e imaginado por mim, era Liz Emerson – o tão citado nome no decorrer de 318 páginas –, uma adolescente tida como bonita e cheia de amigos, mas que na verdade não tinha ninguém, nem ela mesma.

 É interessante o fato de que em momento algum há uma descrição efetiva de Liz ou de qualquer outra personagem no livro, os estereótipos ficam a nosso critério. É como se saber como as pessoas são fisicamente não importasse, e de fato não importa, o que viria a importar é o que elas são, o que elas fazem, quem elas querem ser, quem elas deixam as pessoas acreditarem que elas sejam. E Liz Emerson conseguia muito bem disfarçar quem ela era para dar lugar ao que ela tinha se tornado.


Liz tem duas melhores amigas, Kennie e Julia. Ambas populares no colégio em que frequentam: Kennie é uma dançarina, alegre e bobinha, enquanto Julia sempre foi a mais inteligente e a que se destacava em tudo que fazia. Já Liz, dispensa explicações, todos queriam ser iguais a ela. Destemida, determinada. Determinada inclusive a destruir a vida de qualquer pessoa que se intrometesse em seu caminho, fazendo coisas das quais ela não se orgulhava nenhum pouco, mas não sabia como parar. Como voltar a ser a criança feliz que sempre fora antes de seu pai falecer? Como preencher o vazio do silêncio que ecoava sempre que sua mãe viajava em compromissos e preocupações que Liz obviamente não fazia parte? Entre uso de drogas, abuso sexual, culpa por ser um ser tão odiável para ela mesma, Liz não aguenta o peso que viver tem se tornado a ela. Ela quer que a gravidade a torne um ser que flutue para longe e que nunca mais volte, porque afinal, nada importa, nem ela. As aulas de física a mostraram as leis de Newton, o corpo em movimento e o corpo em repouso. Liz certamente era um corpo e uma mente em total e completo movimento, mas que queria parar, queria entrar em repouso constante. Decide, planeja, calcula sua própria morte. Ela não queria que as demais pessoas achassem ou sentissem algum tipo de culpa por seu suicídio, Liz quer que pareça um acidente de um carro em que não existiriam culpados, talvez nem ela mesma. Em sua última semana de vida, ela tentou encontrar razões para continuar viva, algo que não a levasse a ruína completa por ela ser ela, e por ter contribuído para a vida de tanta gente ficar pior. Porém, nessa última semana, Liz não disse o que gostaria de dizer, não fez o que deveria ser feito. As palavras não saíam, o silêncio já tinha ocupado não só um buraco, mas todo o seu corpo. Era difícil fugir da decisão de acabar com seus dias, memórias, pensamentos. E tudo importava, e importava muito, mas não era o suficiente. Nada era, não mais.

O livro apresenta um tom lírico e reflexivo incrível, com um narrador mais incrível ainda. Emocionei-me em diversas partes, pois apesar de ser uma narrativa levíssima – seus capítulos são extremamente curtos, mas bem divididos e compreensíveis – carrega e transmite uma profundidade extraordinária, que me fez sentir a dor de ser uma pessoa que fizera coisas tão ruins e que sofria muito por isso, mas que infelizmente, não teve forças para mudar, antes do tarde demais. Foi tão tocante e surpreendente o fato da escolha de Liz por sua morte ter partido de fatos que ela fez para outras pessoas, coisas das quais ela não se perdoava e das quais ela não voltou atrás para tentar fazer “o certo”. Ela não se deu uma segunda chance, pois acredita que elas não existiam. E foi tão triste perceber o quão grande era a dor que ela sentia por causar dor em outras pessoas... Fez-me perceber como é importante nos colocarmos no lugar dos outros e nos atentar-nos nas consequências e impactos de nossos atos na vida de outras pessoas, visto que a culpa que carregaremos será eterna. Penso que o que tenha faltado a Liz não seja empatia, pois ela sentia as dores de quem ela magoava, ela sabia muito bem o que ela estava fazendo. Porém, ela não fazia nada a respeito, se calava e mascarava os fatos, e isso, não deve acontecer. Contribuir para a destruição da vida de pessoas que ela mantinha sentimentos era sua própria destruição. Liz tinha sofrido muito e ela projetava tudo isso em suas atitudes. Ela foi vítima, tanto quanto qualquer pessoa que ela maltratara. Liz poderia ter percebido, muito além da culpa, que seus amigos a amavam, sua mãe, apesar da ausência a amava, todos amavam Liz. Liz não se amava e isso foi fazendo com que ela desaparecesse pouco a pouco.


Eu recomendaria esse livro a qualquer pessoa que quer repensar sobre as questões que permeiam a vida e o suicídio, de modo que tal leitura contribuiu para que eu percebesse que certas coisas importam sim e muito, e que somos importantes para outras pessoas, e que, as vezes, só as vezes, quando tudo faz sentido, conseguimos enxergar que não são somente raros momentos que fazem tudo fazer sentido, mas sim uma trajetória inteira que fala com uma voz nítida em nosso ouvido “fique vivo”.

“Sete dias, sete chances. Acordaria mais sete vezes e procuraria uma razão para continuar. Daria ao mundo uma semana para fazê-la mudar de ideia. Mas também sabia que a vida era frágil. Se aquela semana falhasse, sabia como estilhaçá-la.”



Título: Quando Tudo Faz Sentido
Autora: Amy Zhang
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 320
Sinopse: "Liz Emmerson é uma garota popular no colégio e tem uma vida aparentemente invejável. Por que ela tentaria tirar a própria vida, simulando um acidente de carro depois de assistir a uma aula sobre as Leis de Newton? Neste surpreendente romance de estreia, Amy Zhang, que nasceu na China e mora no estado de Nova York, aborda temas como abandono, bullying, depressão e suicídio com uma narrativa crua e pungente que vai arrebatar os fãs de obras como As vantagens de ser invisível, Nuvens de Ketchup e Meu coração e outros buracos negros, entre outros. Na trama, Liz é resgatada por Liam, um garoto que ela sempre desprezou, mas talvez uma das poucas pessoas ao seu redor capaz de enxergá-la além das aparências. Envolvente e emocionante, o livro – que prende também pelo mistério se a protagonista vai ou não sobreviver (e que só é revelado no final) – mostra a fragilidade, a solidão e os dilemas dos jovens de forma sensível e sincera."
*Exemplar cedido em parceria com a editora.





RESENHA Uma História Meio Que Engraçada

26 de setembro de 2018


Essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como finalidade promover um debate saudável sobre saúde mental, transtornos, suicídio e formas de preveni-lo. 

Li Uma história meio que engraçada no início do ano passado, foi um livro que me conquistou logo na primeira frase, conheci-o através do canal da Bruna Miranda no Youtube, que sempre colocou o livro como um de seus favoritos da vida e sempre fez questão de mostrar como ele a ajudou em um período difícil, comigo não foi diferente, e é por isso que essa resenha é tão especial.

Craig aparentemente é um cara normal, estuda como ninguém para passar em uma das melhores escolas do mundo, a Executive Pre-Professional High School de Manhattan, ele é extremamente organizado quanto a isso, passou um ano inteirinho focado apenas em estudar, mas quando sua carta de aceitação chega, sua ruína começa. Passar era um de seus propósitos, é claro, mas a escola não é como Craig esperava, ele não é mais o cara inteligente que costuma ser na sua antiga escola, é só mais um cara comum, que tira notas iguais aos outros alunos. Ele achou que havia sido um gênio ao tirar nota máxima e ser aceito, mas adivinha?

Todos tiraram nota máxima, sua esperteza em sua nova escola, não é nada anormal em relação aos outros alunos. Craig saiu de uma rotina muito puxada, na qual ele dava conta, para uma extremamente caótica e perturbadora, são pilhas e mais pilhas de leitura, que sufocam a mente do personagem e mostram como a pressão escolar pode agir como um forte fator para a depressão e outros transtornos.

Devido ao período em que estava focado em estudar, e logo depois de ser aceito, Craig se afastou de seus amigos, e a pontinha da depressão aos poucos foi surgindo, logo após iniciar seu ano letivo na nova escola, a situação passou ainda pior, até mesmo sua alimentação foi comprometida, ele não conseguia comer porque a depressão passou a ser algo tão grande dentro dele, que o impossibilitava, Craig passou a ficar horas no banheiro com a luz apagada, esperando por um pouquinho de sanidade e bondade por parte de sua mente, mas isso dificilmente acontecia. Ele é a personificação da depressão, dorme pouco, pensa demais, come pouquíssimo, tem grandes questionamentos, tudo é extremamente complicado, acordar é um saco, viver é um grande peso. Conviver com todas essas questões não é nada fácil e ele decide que vai se matar, acorda de madrugada e se prepara para pular da ponte, mas em um ato MUITO corajoso, diga-se de passagem, ele liga para uma espécie de CVV e pede ajuda, é encaminhado para o hospital mais próximo e logo é internado na ala de psiquiatria, lá Craig encontra pessoas que passaram pelas mais diversas situações, e ao conhecer o sofrimento de outras pessoas, participar de rodas de conversa e seguir com o tratamento, Craig começa a se encontrar, essa é uma jornada de redescoberta, provando que a depressão nem sempre nos vencer.

O que mais amo nessa obra, é a maneira como a depressão e a ajuda foram abordados, Ned Vizzini começou a escrever essa história após passar um tempo internado também, é impossível não achar que tem um pouquinho do autor nesse enredo. Craig é um personagem muito aberto sobre seus transtornos, ele não tem medo de pedir ajuda, de mostrar que precisa de apoio, ele sabe reconhecer suas fraquezas e acho isso muito bonito. Sua família certamente teve participação ativa na história, eles fazem de tudo para que o protagonista fique bem, tentam os mais diversos tipos de tratamento, o que Craig achar que precisa fazer para ficar bem, eles topam. Já a jornada no hospital é muito interessante, ver outros personagens lutando por suas vidas, tentando vencer seus transtornos, é tudo muito complexo mas nos faz refletir sobre como a depressão é uma doença que não vê classe social, idade, nada, infelizmente estamos todos sujeitos a passar por isso, o modo como você lida é o que diferencia.

 Algumas vezes eu achei que Craig ia longe demais em suas divagações, mas quem sou eu para mensurar o tamanho do problema de outra pessoa? Quem sou eu para querer medir o nível de seu sofrimento? Essa é uma obra narrada por uma adolescente, mas que te move e te transforma de tal forma, que ao final você se vê chorando como uma criança.

Um adendo importante é que o autor acabou cometendo suicídio em 2013, oito anos depois do lançamento da obra, mas seu recado foi dado ao mundo, procure ajuda, mantenha-se firme, seja maior que esses tentáculos que tentam te envolver

"Não é fácil sair da cama. Sei por experiência própria. Você é capaz de ficar ali durante uma hora e meia sem pensar em nada, só preocupado com o que o dia reservou pra você e sabendo que não será capaz de dar conta."

Título: Uma História Meio Que Engraçada
Autor: Ned Vizzini
Editora: Leya
Nº de Páginas: 296
Sinopse: "O que aconteceria se você descobrisse que a maior idealização da sua vida não era aquilo que você esperava? O adolescente Graig Gilner vai perceber que, até mesmo ao atingir um objetivo, nem sempre as coisas saem da forma como deveriam. Mas aprenderá também que, mesmo nas adversidades, é possível fazer novos amigos, se apaixonar e encontrar motivos para viver. Como muitos adolescentes determinados a vencer na vida, Craig Gilner acredita que asua entrada na Executive Pre-Professional High School de Manhattan é o passaporte para o seu futuro. Obstinado a ter uma vida de sucesso, Craig estuda dia e noite para gabaritar no exame de admissão, e consegue. A partir daí, o que deveria ser o dia mais importante da sua vida, acaba marcando o início de um sufocante pesadelo."
* Exemplar cedido em parceria com a editora.


RESENHA Orlando

25 de setembro de 2018


Essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como objetivo promover um debate saudável sobre transtornos mentais, suicídio e maneiras de preveni-lo.

Virginia Woolf segue sendo um dos nomes da literatura devido a sua maestria em produzir obras tão atuais. No início do século passado ela já abordou o tema da mudança de sexo, então imagine só, se hoje é tão difícil falar de transsexualidade e ser aceito, imagine naquela época. Entretanto, o modo como o assunto foi introduzido tem um ar de fantasia, que quebra totalmente a seriedade do tema e até mesmo facilita o debate.



Diferente das outras obras da autora, essa não aborda o fluxo da consciência dos personagens, é um pouco mais difícil entender a subjetividade de cada um deles. A história é narrada com ar de biografia, Orlando sempre foi um homem bastante sensível, sempre fugiu do esteriótipo de masculinidade, um belo dia ele simplesmente acorda no corpo de mulher, sem espanto algum, ele aceita isso com naturalidade. É como se ele pertencesse ao corpo feminino, e o fato de ter mudado abruptamente, não fosse problema algum. A história se inicia na era elisabetana e transpassa mais três séculos, Orlando é imortal.
 
A intenção da autora, é demonstrar a imposição de gêneros, e como essa mudança, mostrou a Orlando as mazelas de ser mulher, por exemplo, ele deixa um pouquinho das pernas a mostra, e um marinheiro cai do navio devido ao espanto, onde já se viu mulher mostrando as pernas? Em outro ponto, Orlando se emociona ao retornar para a Inglaterra, e chora, mas dessa vez chora sem culpa, porque as lágrimas em uma mulher caem bem, em homens isso é algo reprovável. Desse modo, podemos perceber como a discussão proposta por Virginia, é atual, e ainda assim tão longe de uma única opinião.

Vale lembrar que durante toda a vida a autora foi casada mas isso não impediu que ela tivesse relacionamentos com pessoas do mesmo sexo, Orlando é uma homenagem para Vita Sackville West, uma amiga por quem ela se apaixonou. 

Mas porque essa obra faz parte do projeto setembro amarelo? São dois motivos bem simples, primeiro porque a obra aborda de maneira bastante literal, a construção dos gêneros e a transexualidade, e conforme vamos lendo, vamos desconstruindo toda essa ideia do que é masculino e feminino, o que é extremamente necessário. Segundo e não menos importante, Virginia é uma autora suicida, a escrita sempre foi sua válvula de escape, ela conseguia coexistir porque escrevia, seu convívio com a depressão e outros transtornos nunca foi fácil, e de certo modo, a literatura a salvou por muito tempo, infelizmente, em uma crise séria, ela deixou um bilhete para seu marido, encheu os bolsos com pedras, e se atirou em um rio próximo a sua casa, Virginia morreu mas segue imortal, seu talento transpassava seu tempo e a torna presente em dias tão sombrios como esses onde a crise política nos assusta.

A mensagem que fica é: Leia Virginia porque o mundo pede, o mundo precisa, leia para entender a mente de personagens tão complexados e ao mesmo tempo tão sensíveis, leia para entender a mente de uma autora suicida, que viveu por muito tempo porque a literatura lhe dava forças. 
"Para nós é suficiente constatar o simples fato: Orlando foi homem até os trinta anos; nessa ocasião tornou-se mulher e assim permaneceu daí por diante."

Título: Orlando
Autora: Virginia Woolf
Editora: Nova fronteira
Nº de Páginas: 200
Sinopse:"A fascinante história de Orlando compreende mais de três séculos. O fato de ter envelhecido não mais que trinta anos ao longo desse período lhe permitiu viver a fantasia de assumir diversos papéis na sociedade inglesa, indo de um jovem membro da aristocracia elisabetana a uma mulher moderna do século XX. Somando experiências nesta jornada através da história, a personagem de Virginia Woolf é livre não apenas das restrições do tempo, mas também das imposições da sexualidade, numa narrativa brilhante que reflete de maneira espirituosa e feminista sobre a natureza dos sexos."

*Exemplar cedido em parceria com a editora.



RESENHA Meu Coração e Outros Buracos Negros

23 de setembro de 2018


Essa resenha faz parte do projeto Setembro Amarelo que tem como proposta promover um debate saudável sobre temas como saúde mental, transtornos, suicídio e maneiras para evitá-lo.

Todo mundo sabe da minha paixão por livros densos e meu amor ainda maior por romances que tratam de questões psicológicas, sendo assim, tornar Jasmine uma das minhas autoras preferidas não foi nada difícil, ela misturou amor e tristeza de maneira tão talentosa e real que me surpreendi totalmente, senti que faltaram páginas para uma história tão gigante como essa. 

Aysel planeja se matar faz um bom tempo, a vida dela deu uma guinada trágica e definitivamente ela não é uma adolescente feliz, muito pelo contrário, não só por algo chocante que seu pai cometeu, mas porque ela não é mais capaz de encarar a vida. O que a impede de se matar de fato, é o medo de falhar, ter sequelas e coisas assim, então começa a visitar um site meio... Mórbido, ele é destinado para quem quer cometer suicídio, ensina práticas, tem fóruns, e até uma aba para quem procura um parceiro para cometer o ato. É onde nossa protagonista conhece RobôCongelado, ou Roman, um cara de aparência totalmente normal, parece ter uma vida tranquila e cheia de amigos, mas ele carrega uma culpa imensurável que não é mais capaz de suportar, sendo assim, vai se matar e Ay é a garota perfeita, logo iniciam uma conversa no chat e a coisa vai fluindo.



O livro é narrado de acordo com os dias que faltam para que a dupla cometa suicídio, é meio estranho acompanhar a contagem, você precisa terminar para saber o que vai acontecer. Fica difícil seguir a leitura a partir disso, porque você leitor está consciente dos dias que faltam, e simplesmente não pode fazer nada, a não ser esperar e torcer para que mudem de ideia. Acontece que Ay e Roman começam a conversar, para entender os motivos um do outro e assim por diante, uma sementinha do amor começa a crescer, mas isso definitivamente não é coisa para eles, afinal, há um plano para seguir. Em muitos momentos vi que a autora tentou colocar o romance como se fosse a salvação para os dois, quando não é isso de fato, e talvez seja o único aspecto que tenha me incomodado, esse ar de "o amor salva" quando sabemos que não é apenas isso, procure ajuda psicológica antes de qualquer coisa.


Em suma, foi uma leitura muito prazerosa, Jasmine soube como ninguém escrever sobre personagens depressivos e a dor que cada um sente, como cada suspiro é uma espécie de fósforo preste a iniciar um terrível incêndio. Aysel tem uma metáfora bastante interessante para a depressão, ela a classifica como uma lesma, que as vezes está grande demais e a impede de respirar, e outras vezes fica escondidinha, é um modo bem real de mostrar como transtornos mentais são capazes de ocupar toda a nossa mente, e em outras fases, nem ao menos nos lembramos deles.

Triste, felizmente triste, se é que posso dizer isso, um livro onde podemos observar como a sociedade pode nos afetar de maneira absolutamente negativa, sendo por olhares ou por coisas que não aconteceram por nossa culpa, Aysel não é seu pai, ela sabe disso, porque as outras pessoas não? Carregar a culpa de outra pessoal é grave demais, e Aysel simplesmente desiste, ela não quer mais viver, não aguenta mais. Essa é uma narrativa muito tocante sobre a depressão, desde as primeiras páginas percebemos como a protagonista é depressiva, ela fala sobre isso durante a história toda, escrita em primeira pessoa, mas fala pra si, já que não tem amigos. Acompanhar sua dor, seu vazio existencial e sua opção por não mais viver, me fez pensar muito sobre como pressionamos as pessoas e resumimos toda a sua existência em um momento ruim. 

Já Roman... Ele é a versão de Aysel masculina, de verdade, é assustadora a maneira como eles se completam, assustadora porque são jovens depressivos, existindo, sofrendo e ninguém vê!

Passamos a leitura toda apreensivos pelo final, e dessa vez nada de spoilers, mas posso afirmar com toda a certeza que Jasmine soube trabalhar o tema lindamente e nos passar a mensagem correta. A lição que fica é a que sempre digo, mas sigo reforçando: Demonstre que ama as pessoas ao seu redor, se mostre disponível para ouvir, seja a companhia para procurar ajuda médica, não diminua o problema do outro, e acima de tudo, seja o ombro amigo que gostaria que fossem contigo, estar sozinho em um momento difícil não é justo para qualquer ser humano, coloque a sua empatia em prática, você pode salvar uma vida.

Meu coração e outros buracos negros é para você que tem um peito forte e que não chora por qualquer coisa, mas também para você que está com o coração fraco, sofrendo e precisa se levantar.
"O que as pessoas não entendem é que a depressão não tem nada a ver com o externo, tem a ver com o interno. Algo por dentro está errado. Orientadores pedagógicos amam dizer: pensamento positivo. Mas é impossível quando se tem alguma lá dentro, sufocando cada centímetro de felicidade que se pode juntar. Meu corpo é uma máquina eficiente de matar pensamentos felizes."


Título: Meu Coração e Outros Buracos Negros
Autora: Jasmine Warga
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 312
Sinopse: "Um tema amargo, mas necessário. Em Meu coração e outros buracos negros, a estreante Jasmine Warga apresenta aos leitores um romance adolescente que aborda, de forma aberta, honesta e emocionante, o suicídio. Aysel, a protagonista, enfrenta problemas com a família e os colegas de escola, como tantos jovens por aí, e, aos 16 anos, planeja acabar com a própria vida. Mas quando ela conhece Roman num site de suicídio, em busca de um cúmplice que a ajude a planejar a própria morte, num pacto desesperado, a vida dos dois literalmente vira de cabeça para baixo. Aos poucos, Aysel percebe que seu coração ainda é capaz de bater alegremente. E ela precisará lutar por sua vida, pela vida de Roman e pelo amor que os une, antes que seja tarde." 




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