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RESENHA A Construção de Noah Shaw

1 de outubro de 2018


Antes de qualquer coisa, só para informar quem não conhece o mundo fantástico de Michelle Hodkin, essa série é derivada de uma outra série chamada “A vingança de Mara Dyer”, (que continua sendo uma das personagens principais nesse livro), só que dessa vez é narrada por seu par romântico. Recomendo que leiam a série de Mara primeiro porque vai ser muitos mais fácil para vocês terem o panorama completo da história e entenderem toda a trama que se desenrolou até chegar aqui nas confissões do Noah. Eu não fiz isso, peguei essa história de supetão, cai nela basicamente de paraquedas e talvez seja por isso que eu esteja tão... estupefata? Acho que é essa a palavra. Foi uma leitura um pouco difícil para mim, uma vez que eu não conhecia a série, e não puder ver toda a construção (uma bela ironia) dos personagens, não pude ver o que passaram para entender o que são agora, e talvez seja por isso que a história não conquistou meu coração logo em suas primeiras páginas, mas com certeza conseguiu despertar minha curiosidade no que se seguiu. Motivo? Uma teia gigante de segredos.



Ter poderes especiais pode significar muitas coisas, para o bem ou para o mal, e Noah Shaw sabe muito bem. Ele sempre teve ao seu redor pessoas dizendo o que ele seria, o que está “Predestinado” a ser; sua mãe, seu pai, o professor... Mas ele não acredita em destino, não segue as regras do “Fado”. Ele despreza tudo que seu pai fez e sua meta é ficar longe de tudo isso, mas infelizmente ele não teve escolhas quanto a isso. Disseram que ele e Mara não deveriam ficar juntos. Mas Noah passou e enfrentou muita coisa, incluindo o próprio pai, para estar com a garota que ama e agora, com a morte de David Shaw, o casal acha que finalmente estão livres para seguir com suas vidas. Ledo engano.   Quando Agraciados – ou Portadores, pessoas com dons especiais, como Noah com seu poder de cura e Mara com seu poder de matar- começam a morrer, aparentemente vítimas de suicídio, e outros começam a desaparecer de maneira misteriosa, as coisas mudam. Noah tem a habilidade de não apenas sentir, mas “entrar” na mente de uma pessoa (um Agraciado) quando está sofrendo uma dor muito profunda ou à beira da morte, e por meio disso ele sabe que tem alguma coisa errada com essas mortes, que não são suicídios normais e está determinado a descobrir o que é antes que veja mais alguém tirando a própria vida (e não por vontade própria).

Quando retornam à cidade de New York, Noah, Mara e seus amigos encontram um grupo de outros Agraciados (alguns que já são velhos conhecidos) que estão na busca por seus amigos desaparecidos. E estes não apenas dão informações sobre o que anda acontecendo por aí, mas também cutucam antigas feridas e instigam segredos a virem à tona. Com um mar de reviravoltas e segredos, Noah começa a investigar a fundo o passado de sua família, fazendo uso de sua “herança” (uma que ele não queria, mas o pai deixou de propósito), buscando respostas que o fazem perceber seu lugar no imenso tabuleiro onde está. E, se já não bastasse tudo, seu mundo começa a se fragmentar quando descobre coisas que o levam a desconfiar da pessoa em que mais confia, segredos que Mara manteve escondidos e que abalam completamente a relação do casal quando veem à tona.

Foi difícil ficar boiando em certas partes da história, (justamente por não ler a série anterior) muito embora a autora tenha feito umas retomadas e explicações breves e bem sagazes para nos dar uma situada. Porém, ainda sim consegui entender o começo dessa nova série, que toda a confusão que Mara narrou anteriormente era apenas a ponta do iceberg. Primeiro de tudo, devo elogiar essa ótima edição, com essa capa que não fugiu dos padrões relacionados a outra série. Segundo, gostei muito de como o nome da série começa já fazendo jus ao contexto da história, trazendo coisas do passado de Noah, pensamentos e sentimentos que ele não compartilha com ninguém, nem mesmo com Mara, e que ele realmente vai confessando. Ele não é um mocinho padrão, muito embora queira ajudar e salvar pessoas inocentes, ele não quer seguir o que outras pessoas determinaram para ele, quer seguir o que ele próprio vai escolher ou não. E ele, apesar de se esconder por trás de uma máscara de placitude e de algumas atitudes bem babacas, apesar de amar Mara mais do que tudo (o cara as vezes chega até ser um pouco cego de tanto amor) e ter ali os seus amigos, há uma tristeza profunda e uma grande vulnerabilidade nele, um vazio tão profundo que muitas vezes o leva a pensar no suicídio (com recorrência pelo que pude ver). Sim, por muitas vezes esse tópico do suicídio é mencionado, tanto que até a autora coloca um trecho em aviso logo antes de começar a história. E esse é um dos motivos dele saber o que tem de errado naquelas mortes, porque ele sabe o que uma pessoa que quer se matar pensa. Isso foi um dos traços mais peculiares que já vi em um personagem, e talvez seja por isso que me apeguei a ele em tão pouco tempo.

Mara, por outro lado... Eu não sei o que pensar dela, ela é uma personagem complexa. Eu não consigo dizer se ela é boa ou má, embora tenha chegado a julgar ela algumas vezes, e até a não simpatizar muito com ela. Mas não posso formar uma opinião completa, já que não sei tudo que ela passou antes de chegar até ali, muito embora me sinta tentada, porque ela, assim como Jamie, me deixaram com a pulga atrás da orelha. No entanto, de modo geral, eu gostei bastante da história, que foi me cativando aos poucos, e gostei da forma como ela foi construída, as vezes com trechos de cartas que parecem começar a amarrar as pontas e levam você a começar a entender um pouquinho mais das coisas, e a questionar muito outras. A única coisa que eu não gostei muito, a princípio, é do relacionamento de Noah e Mara. Embora eles tenham uma boa sintonia as vezes, eu não... Eu ainda não me senti cativada pelos dois juntos, é como se faltasse alguma coisa no relacionamento deles.  

De resto, a leitura é bem tranquila e o livro é dividido em três partes bem distribuídas, a última sendo a que mais me revoltou, (do final da segunda para última na verdade) na qual eu fiquei “O QUE??? Alguém dá replay nessa coisa que acho que perdi a linha do raciocínio.”. Foram momentos em que eu fiquei completamente zonza, chocada, perplexa e que posso dizer que a autora elaborou muito bem, porque prende completamente o leitor, deixa várias portas abertas e vários questionamentos, aos quais você fica desesperadamente necessitado para ver respondidos. Ainda tem muitos segredos a serem revelados, muitas coisas para serem descobertas (preciso muito de respostas) e muitas jogadas a serem feitas, e só o que me pergunto é: o que o Noah vai fazer a partir de agora? E, enquanto isso não acontece, vou aproveitar para mergulhar na Vingança de Mara Dyer.
“Quando alguém em uma casa esconde um segredo, algo se transforma na atmosfera. Palavras não ditas, sorrisos inacabados, passos por cima de cascas de ovos; distorcem a realidade, abafam a verdade.”

Título: A Construção de Noah Shaw
Autora: Michelle Hodkin
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 294
Sinopse: "Neste volume, velhos esqueletos são descobertos e novas promessas se mostram mortíferas. É o que acontece depois do "felizes para sempre". Noah Shaw enfrentou as forças do destino e o próprio pai para ficar com Mara. As mais absurdas provas se interpuseram no caminho do casal. De ter de escolher entre matar a amada ou seu irmão até lidar com uma médica psicopata, Noah precisou de toda a inteligência e perspicácia para viver seu amor. Agora, os dois finalmente estão juntos e em paz. Mas algo está à espreita. Vários Agraciados morrem, aparentemente por suicídio. A habilidade de Noah de sentir o que eles sentem, no entanto, coloca em xeque essa versão: eles não queriam morrer. Então, por que se mataram? Stella, uma das companheiras de Mara no Horizontes, afirma que a garota é a responsável. Noah se recusa a acreditar. Mara é uma força incontestável, mas ela não sente prazer em matar. Ou ele estaria equivocado? À medida que mais Agraciados morrem, ele precisa decidir se confia em seu coração ou nas evidências. E precisa decidir se seria capaz de viver seu amor, mesmo banhado em sangue" *Exemplar cedido em parceria com a editora.
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