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RESENHA As Mil Partes do Meu Coração

27 de novembro de 2018


Colleen Hoover é uma das minhas autoras favoritas, esse ano tanto o Grupo editorial Record quanto a Galera Record deram total atenção a todas as minhas preces e muitos dos seus livros foram traduzidos, com isso, meu veredito é um só: CoHo é uma autora com a criatividade a todo vapor! Da mesma maneira que ela foi capaz de usar uma história pessoal para escrever É assim que acaba, ela foi criativa o suficiente pra construir uma história a partir da ruína familiar. As mil partes do meu coração fala sobre a importância da união familiar, a importância do diálogo e acima de tudo, auto estima.

A primeira cena dessa história já mostra como a vida de Merit Voss é completamente doida, ela está em uma loja, comprando mais um troféu para a sua coleção, quando nota um garoto a observando, isso é bastante incomum, a cidade toda conhece ela e sua família e nutrem profundo ódio, um estranho sorrir para ela é sinal de que não conhece a história de sua família. Esse joguinho onde Merit é observada e o estranho flerta quase que abertamente evolui quando ela sai da loja, e esse rapaz a segue, senta do seu lado, e depois de uma troca de olhares, rola um beijo, a maneira como essa cena é descrita, faz borboletas voarem no seu estômago, naquele momento eu só queria ser Merit, como um estranho pode beijá-la tão apaixonadamente assim? Logo em seguida o telefone do estranho toca e a mágica se desfaz, ele confundiu Merit com sua irmã gêmea, isso explica os sorrisos na loja, a proximidade e o beijo. Acontece que agora ela está apaixonada pelo namorado de sua irmã, como sair dessa enrascada?



 Essa família é um caos, um caos completo, tentar descrevê-la é quase como contar uma história de fantasia, tudo é muito absurdo, mas nada duvidoso. Pra começar, a família Voss mora em uma antiga igreja, tudo isso porque o pai foi rancoroso o suficiente para comprar a igreja quando teve a oportunidade, após anos nutrindo ódio pelo padre e seu cachorro, sendo assim, não é difícil andar pela casa e encontrar uma grande estátua de Jesus, ou coisas que remetam ao que a antiga casa era, como se não bastasse, a mãe de Merit mora em uma espécie de porão, apesar de estar separada de seu marido, ela tem agorafobia e se recusa a sair de casa, na parte superior da casa quem é a "esposa" é Victoria Voss, a antiga enfermeira da mãe de Merit, pois é, quando tinha câncer a mãe de Merit foi traída, a enfermeira ficou grávida e hoje é a esposa quem mora na parte superior da casa, bizarro? Isso nem se compara a Honor, a gêmea de Merit, que se apaixona por meninos sempre em estado terminal, por conta de um trauma passado ela só consegue se envolver com rapazes nessas condições. E então Utah, o irmão certinho, nerd, que segue sua rotina de maneira religiosa, é desesperador vê-lo fazer todos os dias as mesmas coisas, no mesmo horário. Pra ser sincera a única pessoa normal nessa casa é Moby, o meio irmão de Merit, filho de Victoria, uma criança esperta e sempre pronta pra quebrar qualquer clima tenso com uma pergunta ingênua.

 Quando contada desse modo, essa família parece bizarra e Merit parece ser uma das poucas pessoas sensatas nesse núcleo familiar, certo? Além de sua fixação por troféus, superficialmente ela não tem mais nada fora do comum, exceto o fato de ser a única a saber o segredo de cada um nessa família, e odiar cada um dos Voss por isso. Como se não bastasse, além de lidar com os segredos da família, ela precisa lidar com Sagan, o namorado de sua irmã que agora parece morar em sua casa e não a ajuda a esquecer daquele beijo, complexo, não?

Dessa vez CoHo foi longe demais, eu AMO sua escrita, e todo mundo que acompanha o blog sabe o quanto amo livros que falam sobre transtornos, pois bem, As mil partes de meu coração aborda a depressão! Não aguentando mais lidar com os segredos individuais de uma família que parece descer a ladeira em um ritmo desenfreado, Merit resolve escrever uma carta de suicídio, engolir os comprimidos que rouba de sua mãe, e deixar tudo de vez, a partir disso, a mágica acontece, a família Voss PRECISA falar sobre o que vem acontecendo, desenterrar todo o ressentimento até mesmo do casamento passado ou da infância, para ser minimamente unida. Além disso, Merit precisa lidar com os seus sentimentos quanto a Sagan e antes de mais nada, entender como a depressão está consumindo toda a sua saúde mental.

Livros que falam sobre a temática do suicídio mexem comigo, quando vi essa possibilidade nessa narrativa tive medo, principalmente porque em Tarde demais a autora abusou de gatilhos principalmente no âmbito sexual, mas todo o meu receio se desfez quando percebi a maneira em que a depressão seria tratada nessa história. Sagan não é o salvador de Merit, como inicialmente pensamos, ele não surge como um homem que vai curá-la disso, muito pelo contrário, a primeira coisa que fica muito óbvia no personagem, é como ele quer que Merit se reconheça como pessoa, capaz de ser amada, que tenha auto estima, nada de romance, ela precisa estar saudável mentalmente antes de qualquer coisa. Isso muitas vezes me deixou fula da vida, Sagan se aproveita dessa paixão da protagonista para convencê-la a cuidar de sua saúde mental, isso pode ser frustrante pra muita gente, mas foi o que de fato funcionou.

Pra além disso, a história mostra bem como a ausência de diálogo dá brecha para falta de respeito e amor entre familiares, em algum momento a coisa desandou na família Voss, em algum ponto eles foram parando de se falar, engolindo seus contrapontos e nutrindo ódio, o resultado? Uma família que se odeia e janta em silêncio, até a bomba explodir.

Eu queria muito me estender nessa resenha, mas não quero partir pra spoilers, só posso dizer que novamente CoHo foi bem mais além do que eu esperava, essa foi a personagem que mais me identifiquei, a protagonista tem todos os sintomas depressivos; aos pouquinhos abandona as aulas, se torna apática, dorme pouco, fala menos ainda, se exclui totalmente, e sua família não percebe. Nessa obra a autora soube manusear seus personagens em prol de um assunto que vai para além de uma narrativa ficcional, caso contrário eu não teria me identificado tanto. Entender como cuidar de si, é importante para poder então cuidar da família, me fez compreender a grandiosidade dessa narrativa. E pra não me prender somente a grande temática, vamos pro romance, fiquei de olho torno porque imaginei que fosse existir traição por parte de Sagan ou algo assim, mas novamente a falta de diálogo é o problema, ele não é o que imaginamos que ele seja, ainda assim, ele é o típico mocinho criado por Colleen, que te arranca suspiros do começo ao fim, de uma maturidade invejável, e responsável por colocar ordem na bagunça que é essa família. Quase que na base do conta gotas, a autora aborda a saúde mental por várias vertentes, seja pela depressão como foi o caso de Merit, ou a partir dos personagens secundários, agorafobia, aceitação e sexualidade, traumas que refletem em suas personalidades hoje, apagamento familiar, a necessidade de terapia, tudo é englobado em pouco mais de trezentas páginas. 

Terminei esse livro tranquila, porque mais uma vez fui contemplada por uma história que foge do comum e que ainda assim me representa, que fala de temas necessários e que mostra a importância da família pra construção de uma boa saúde mental, hoje não faço qualquer tipo de ressalva sobre a obra resenhada, porque meu coração terminou essa história quentinho, em tempos de ódio, usar a literatura para falar o necessário e representar minorias que sofrem com tabus, é revolucionário.
"Certa vez vi uma citação que dizia: “Não torne sua presença conhecida. Torne sua ausência notada.” Ninguém nessa família nota minha presença ou minha ausência. Todos eles notam Honor. Eu nasci depois, e isso faz de mim uma cópia desbotada da original."

Título: As Mil Partes do Meu Coração
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
N° de Páginas: 336
Sinopse: "Para Merit Voss, a cerca branda ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é a sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não estivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu. Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As Mil Partes do Meu Coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca." 
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Arte & Alma

25 de novembro de 2018


Quem é vivo sempre aparece, né? Acho que o período mais torturante para qualquer estudante é o final do semestre, quem sobrevive? Tô guardando minha opinião sobre esse livro tem um tempinho, principalmente porque ele me marcou de maneira bastante singular. Li dois livros seguidos de Brittainy, e entendi muito bem como uma autora pode mexer com o ápice dos nossos sentimentos. Em No ritmo do amor, que você pode acompanhar a resenha AQUI minha experiência não foi nada bacana, eu odiei a construção da história, a superficialidade dos personagens, pouquíssimas coisas me agradam, já em Arte & Alma aconteceu exatamente o contrário. Eu gosto muito de histórias densas, com uma dose de drama e com personagens bastante profundos, é isso que me move, me faz ter empatia e de fato me envolver no enredo. 

Aria Watson é a típica adolescente emo, pelo menos esse é o estereótipo que construímos em cima de pessoas como ela, com um cabelo diferente, modo de se vestir fora do comum, talento para as artes, em especial com a arte abstrata, nunca se importou necessariamente com o que os outros vão pensar, ela é uma pessoa confortável consigo mesma e isso que importa. Devido a isso ela é bastante isolada, seu único amigo é um garoto com TOC, sempre muito companheiro, mas sabemos bem que precisamos de mais pessoas em nosso circulo social. Aria é bastante quieta, sempre na sua, mas isso não impede que ela seja notada para situações adversas do destino, aos 16 anos ela está grávida, e sua família precisa lidar com isso. Aria tem uma família incrível, apesar de seu pai não saber lidar com a gravidez da filha, sua mãe é extremamente parceira, assim que fica sabendo, a família se estrutura e se organiza para lidar com as coisas que estão por vir, Aria começa a fazer acompanhamento médico e psicológico, e apesar dos ânimos totalmente exaltados em casa, ela recebe o apoio necessário e que muitas meninas na mesma situação, não recebem. Esse é o drama de nossa protagonista, e se tratando de Brittainy, sabemos que vem romance juntamente com o drama, certo?

Levi Myres é o garoto novo na cidade, viveu sua vida toda no Alabama e agora se mudou para a casa de seu pai ausente que é um cara totalmente absorto e bastante cruel, mas que ainda assim Levi sonha em construir uma relação. Quase que sem querer Levi encontra Aria e é como se a arte de maneira geral, unisse esses dois. Levi se mudou para ficar longe de uma mãe narcisista, que engolia a rotina do garoto, mas foi pra um lugar não tão bom assim, afinal, trocar isso por um pai que praticamente o despreza, é tão ruim quanto. Desse modo, temos dois jovens perdidos em suas questões e o que poderia dar muito errado, acaba progredindo. 

Aria agora é uma mulher grávida, a última coisa que ela precisa é de um relacionamento, mas Levi é um cara incrível, e não tem culpa das coisas que aconteceram com ela, até que ponto ela deve se privar da felicidade por conta de fatos que aconteceram e que agora ela não tem mais poder de escolha?



Eu sou uma pessoa chorona, fico baqueada muito facilmente, mas com livros a coisa não é bem assim, a história precisa de fato me envolver, eu preciso me conectar com a história. Em Arte & Alma eu me vi com um nó na garganta, com a voz embargada, fiquei emocionada do começo ao fim, apesar dos personagens terem histórias incomuns e bastante improváveis de se cruzarem, a maneira como seus problemas individuais são tratados, é bastante sensível.

O romance entre os dois vai sendo construído aos pouquinhos, Brittainy quis muito passar esse estereótipo que criamos de que mulheres grávidas devem viver apenas para a gravidez, mas por outro lado, vejo essa história como uma descoberta de si pra depois evoluir pra um romance, tanto Aria quanto Levi precisam resolver suas questões, para aí sim estarem fortes e preparados pra viver o amor de forma plena. Aria não fica grávida sozinha, isso é óbvio, e quando descobrimos como essa gravidez aconteceu, percebemos como precisamos cuidar MUITO de quem está ao nosso redor, já Levi... seu pai não o odeia por ser um péssimo pai, ele tem seus motivos, e a grande maioria envolve proteção, esse foi um dos pontos que me fez chorar, quando entendi os motivos dessa relação, só consegui sentir um aperto no peito. Outro ponto que precisa ser levado em consideração é o melhor amigo de nossa protagonista, Simon é um garoto com TOC, e isso não foi colocado como uma característica que o resumisse, ele é bem mais que isso e me arrancou boas risadas, ele e seu par romântico são fofos.

Essa é uma história que me levou aos extremos, eu sorri com alguns trechos, mas em tantos outros me vi emocionada, Brittainy mostrou que é uma autora incrível, e que faz jus ao local onde se encontra na literatura, me vi conquistada novamente pela sua construção de enredo, por seus bons personagens, queria ser arte, em meio a toda essa dor. O final dessa obra é maravilhoso, te arranca bons suspiros, e você finalmente entende os motivos pra essa capa! Fica a dica de leitura se você gosta de se emocionar. 
"Pela primeira vez eu mostrei a Aria quem eu realmente era. Eu lhe mostrei a minha verdade. Em meus olhos, ela viu o isolamento que eu nunca mostrava para ninguém. Ela viu o sofrimento em minha alma que eu escondia por trás de sorrisos e mentiras."
Título: Arte & Alma
Autora: Brittainy C. Cherry
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 308
Sinopse: "Aria Watson era considerada invisível na escola, mesmo com todo seu talento para arte; em casa era uma boa filha e irmã. Mas tudo mudou quando ela anunciou, aos 16 anos, que estava grávida. E a notícia caiu como uma bomba. Agora ela está aterrorizada e se sentindo mais sozinha do que nunca. Levi Myers mudou-se para Wisconsin para ficar com o pai, que não via desde os 11 anos. Ele precisava se afastar um pouco da mãe e passar um ano com o pai parecia uma boa ideia, mas agora Levi não tem mais certeza. Se a mãe tem problemas, o pai é pior. Dois adolescentes passando por momentos difíceis e que, sem querer, encontram um no outro alguém que compreenda o que estão passando. Os dois estão despedaçados por dentro, cheios de cicatrizes. Mas, nas manhãs no bosque, enquanto tentam alimentar cervos, ou esperando o ônibus para escola, eles compartilham seus medos e incertezas. Levi está dividido entre o pai e a mãe e Aria precisa decidir o futuro do bebê que está gerando. Em palavras, e até mesmo no silêncio, os dois fazem um ao outro um pouco mais fortes. Apaixonar-se não era o plano, mas às vezes é difícil resistir quando alguém parece entender tão bem sua dor e solidão." *Exemplar cedido em parceria com a editora.
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