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RESENHA Box Fiódor Dostoievski

14 de dezembro de 2018


Quando pensamos em clássicos, Dostoiévski é um dos primeiros nomes que vem em mente, não somente pela sua popularidade mas também pelo seu excelente trabalho quando o assunto é a fomentação da literatura no meio acadêmico. Por mais que muitas pessoas julguem sua escrita como difícil ou cansativa, é preciso compreender a sua grandeza no meio literário, Fiódor foi e continua sendo inspiração pra muita gente, suas histórias hoje em dia derivam tantas outras, é inegável falar sobre a sua importância em nível mundial e a Nova Fronteira que não brinca em serviço, nos presenteou com essa edição maravilhosa, um box contendo duas de suas melhores histórias, impossível não se render.


O autor é considerado o maior escritor russo por muita gente, e ele faz por merecer, suas obras questionam a imensidão do humano e fazem questionar nossos limites. É cansativa a leitura? Muitas vezes sim, mas definitivamente vale a pena, principalmente porque a sua obra de certo modo permite que seu senso crítico trabalhe a todo vapor, o tempo e isso é magnífico.

Nesse box maravilhoso vamos encontrar duas das obras mais conhecidas do autor, sendo O idiota o nome que se sobressai, aqui vamos conhecer o príncipe Michkin, um homem absurdamente ingênuo e capaz de perdoar a qualquer pessoa, ele está voltando depois de um bom tempo no sanatório devido à crises de epilepsia e no trem encontra pessoas peculiares, como Rogójin um homem bastante escorregadio em suas respostas e que nutre um forte amor por  Nastácia Filipnovna, pois bem, a obra vai girar em torno desse triângulo amoroso, mas de um modo bem mais complexo do que estamos acostumados. O que mais me fez pensar sobre essa obra é como o príncipe não seguia o estereótipo de realeza da época, ele era muito diferente, e como ao mesmo tempo, ele é Dostoiévski em vida, com as crises de epilepsia, os problemas todos e sua fé na humanidade, sem deixar é claro, de questionar a tudo.

Já em Memória da casa dos mortos o relato é bem mais pessoal, vai falar mais especificamente do período de cárcere que o próprio autor passou por mais de quatro anos na região da Sibéria, ele foi preso por conspiração política, obviamente ele não é o personagem central da obra, mas como não vê-lo em um relato tão pessoal assim? Em cada um dos capítulos vamos conhecer alguma história que teve importância considerável no contexto do personagem Alexander. É muito angustiante acompanhar os relatos, sejam dos crimes ou dos métodos de punição, mas além disso, o mais complicado disso tudo é o personagem se dar conta que no período de sua condenação jamais ficará sozinho, nunca, quão ruim e enlouquecedor isso deve ser? Para falar de questões tão existencialistas e com um toque de experiência pessoal, o autor vai fundo e causa as maiores estranhezas possíveis no leitor, é impossível ficar indiferente depois dessa leitura.

Essa edição é maravilhosa! As duas obras possuem capa dura, as traduções ficaram excelentes e mais uma veze podemos ver porque a literatura russa é tão importante para o cenário mundial.



Título: Box Fiódor Dostoiévski
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 1216
Sinopse: "Este box reúne dois grandes romances de Fiódor Dostoiévski:Em Memórias da Casa dos Mortos, romance autobiográfico inspirado no período em que Dostoiésvki passou na prisão de Omsk, narra a rotina de Alieksandr Pietróvitch, assassino confesso da própria mulher, em uma prisão de trabalhos forçados na Sibéria do século XIX. Fundamental na trajetória literária do autor, a obra expõe,com o realismo crasso, típico de sua poética, os dilemas vividos pelos presos: a privação do direito de ir e vir, a fome, o frio, o trabalho pesado e inútil, os maus-tratos e a solidão O idiota, escrito em 1868, é considerado um dos grandes romances da chamada segunda fase da obra de Fiódor Dostoiévski. A história começa com príncipe Míchkin de volta à Rússia depois de vários anos na Suíça. Epilético como o autor, Míchkin é um homem de compaixão sem limites cuja boa índole é uma mescla de Cristo com Quixote, um dos personagens mais complexos e impressionantes de toda a literatura mundial. Na trama, os acontecimentos acabam por mostrar como este homem puro se torna um idiota, um inadaptado em uma sociedade de valores corrompidos."

RESENHA O Decamerão

13 de dezembro de 2018


Obra

Em uma referência ao que existiu nas escrituras bíblicas em propagar, por meio dos santos homens da igreja, a criação do mundo em seis dias (Hexameron), Giovanni Boccaccio criou o seu próprio jeito de contar a (re)criação de uma nova sociedade, a partir da narrativa, pelo qual vinha acontecendo na Europa com a vastidão ao qual a peste negra (1348) vinha atuando.


Daí se origina o título, que traduzido, como o nome já pré-anuncia, estamos diante de um apanhado de histórias, cerca de 100, das quais serão narradas em 10 – Deca – dias ou jornadas – imera – por 10 narradores: 7 mulheres e 3 homens.

Esses 10 jovens, tendo o propósito de se ausentarem da zona de perigo da peste, buscam refúgio, isolam-se e é a partir dessa reunião, que começam a contar, cada um, suas histórias. A questão central, portanto, da obra é o poder que a narrativa tem diante das histórias que ouvimos e, qual a interpretação que damos à elas, afinal, são diversas as interpretações, cabe a nós enquanto ouvintes levarmos nossa releitura para o bem ou para o mau.


Totalmente irônico na crítica à sociedade da época e detalhista em retratar os direitos do povo, Boccaccio cria um mundo repleto de interpretações mil. Não vai faltar amor do começo ao fim da leitura, afinal, é isso o que esses jovens, além de contar causos, buscam: criar um mundo a partir de um amor carnal, mas também humano.

Dividida em dois volumes, essa obra complexa e linda que mexe com o poder do contar, mas acima de tudo, de mostrar que não há apenas uma possibilidade de leitura.

O Autor

Giovanni Boccaccio nasceu em 1313 em Certaldo, Itália. Foi um filho fora do casamento que desde muito cedo precisou aprender o oficio pelo qual a família se subsidiava, sendo bancário. O ainda não renomado escritor, pertencente de uma família rica teve seus primeiros contatos com a corte por conta do seu emprego e dali em diante, por ter sido autodidata, amante da literatura e voraz nas leituras, foi se acostumando com o lugar de onde mantinha contatos nobres até se tornar, na literatura, em primeiro lugar, poeta.

Considerado o escritor participante da tríade das coroas da literatura, junto de Dante e Petrarca, seu nome é muito famoso na literatura por ser o fundador da narrativa moderna, não restritiva somente na Itália, mas sim em toda a Europa.

É trazido para sua obra, muito do que estava sendo vivenciado na Europa, a peste negra. Assim como os jovens da diégese, Boccaccio também precisou fugir da peste negra para escrever Decamerão e, ao acabar todo o seu trabalho, sofreu várias críticas da Igreja por ter escrito tamanha obra, mas sábio foi Petrarca que o aconselhou a deixar as críticas de lado, afinal, o que ele tinha escrito era literatura.


Título: O Decamerão
Autor: Giovanni Boccaccio
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 1008
Sinopse: "Giovanni Boccaccio é considerado uma das grandes vozes do Renascimento italiano – ao lado de Dante e Petrarca – e, com O Decamerão, que inaugurou a prosa de ficção ocidental, foi capaz como poucos de canalizar um manancial de narrativas em uma estrutura complexa, mas ao mesmo tempo acessível e atrativa. As cem histórias desta obra monumental versam sobre os mais variados traços da vida humana, com suas riquezas e contradições, suas paixões e armadilhas. A obra-prima de Boccaccio, ao se desprender da moral medieval e abrir caminho rumo ao realismo, tornou-se um marco singular na literatura e uma fonte de influência para luminares como Shakespeare e Cervantes, além de muitos modernos que vieram posteriormente." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA Um Veneno Sombrio e Sufocante

10 de dezembro de 2018


Essa resenha contém spoilers, ok? Você pode conferir a resenha do primeiro livro AQUI ou partir para as considerações finais da resenha.



Eu sou muito suspeita para falar porque eu amo demais essa série de livros, o primeiro volume foi amor à primeira leitura, e com esse não foi diferente. Vamos começar lembrando um pouco o primeiro livro, nossa personagem principal, Henrietta Howel é uma garota “normal” que vive em um orfanato até o dia que é descoberta pois ela possui poderes que não consegue manipular. Mestre Agrippa acredita que ela é descendente de feiticeiros e a leva para sua casa onde treina outros jovens feiticeiros. A história se passa na era Vitoriana, então às mulheres não tem voz ou qualquer direito, mas Henrietta vem para mudar isso, ela é uma das pouquíssimas mulheres feiticeiras, porém, na estadia na casa do Mestre Agrippa ela descobre que na verdade não é descendente de feiticeiros e sim de magos, os quais são extremamente mal vistos pela comunidade. Henrietta tem que lidar com várias coisas ao mesmo tempo, seu amigo Hook que foi infectado por um Ancestral, proteger seu segredo e conseguir desenvolver os poderes de feiticeira que na realidade ela não é e ainda lutra contra os Ancestrais, pois segundo a profecia ela salvaria a todos. 



Após conseguir seu lugar de direito na ordem dos feiticeiros, e ser a primeira mulher a se tornar feiticeira em séculos, em Um veneno sombrio e sufocante, Henrietta Howel participa ativamente da ordem dos feiticeiros e por isso ela tem acesso ao funcionamento da ordem, como as coisas são resolvidas lá dentro e não tem certeza se gosta das coisas que vê. Howel precisa acabar com um dos Ancestrais, R’hlem, O Homem Esfolado, que está atacando vários pontos da Inglaterra deixando sem dó nem piedade vários mortos por onde passa com seu exército. Em meio a todos os ataques, R’hlem pede que Henrietta Howel seja entregue para ele, pois sua fama de ser muito poderosa estava se espalhando e ela era uma ameaça aos Ancestrais.


Howel agora vive na casa de Blackwood e, além de se preocupar com os ataques dos Ancestrais, está procurando uma cura para os poderes de seu grande amigo Hook, poderes estes que estão cada vez mais consumindo Hook e o transformando em uma espécie de monstro, consumindo-o, Henrietta não pode e não vai deixar que o pior aconteça com seu grande amor. Sendo assim, sente a necessidade de fazer uma viagem e ir em busca de novar armas para derrotar o Ancestral que a queria e para encontrar respostas para a doença de Hook, uma forma de salva-lo. Henrietta, por ser mulher e a primeira feiticeira em séculos, precisa provar constantemente que merece a posição que tem na Ordem dos feiticeiros, mesmo já tendo mostrado seu potencial e o nível do seu poder várias vezes antes.


Howel não tem muito tempo para encontrar as respostas que precisa, então convence Blackwood a acompanha-la na jornada atrás de respostas e Magnus, amigo deles e feiticeiro, decide ir junto. Nessa viagem Henrietta encontrará mais do que ela estava procurando, encontrará a verdade, não só sobre o seu passado, mas também sobre seus amigos e sobre si mesma. Se você sentiu vontade de saber com isso termina ou, assim como eu, gostou muuuito do primeiro livro você precisa ler a continuação pois não deixa nada a desejar.


Eu sou um pouco/muito suspeita para falar pois eu amo a história, a representatividade feminina, a força de Henrietta, tudo o que ela passou e não desistiu, ela mostra seu valor e sua importância a todo momento. Jessica Cluess mandou muito bem no primeiro volume e no segundo livro melhorou ainda mais, mal posso esperar para o próximo livro da série. Além disso tudo, as capas são LINDAS DEMAIS e são totalmente condizentes com a história.




Título: Um Veneno Sombrio e Sufocante
Autora: Jessica Cluess
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 322
Sinopse: "Na emocionante sequência de Uma Sombra Ardente e Brilhante, Henrietta tentar salvar seu amor, mas sua magia pode ser sua ruína. Henrietta Howel é a primeira mulher a se tornar uma Feiticeira em séculos. E, como tal, deve desempenhar seu papel dentro da Ordem para manter Rook seguro, seu melhor amigo e amor de infância.  Mas será que ela pode realmente salvá-lo? o veneno impregnado em Rook está transformando-o em algo monstruoso conforme ele começa a dominar seus poderes sombrios. Correndo contra o tempo, Henrietta convence Blackwood, o misterioso conde de Sorrow-Fell, a viajar pela costa para procurar novas armas. E Magnus, corajoso e imprudente como sempre, se junta a eles na missão.  Os três encontrarão monstros sanguinários e aliados poderosos em seu caminho e descobrirão a arma mais devastadora de todas: a verdade." *Exemplar cedido em parceria com a editora.
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