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RESENHA Dando um Tempo

10 de janeiro de 2019


Quem acompanha o blog desde o comecinho sabe que Marian Keys é uma das minhas autoras favoritas da vida e Melancia é um dos meus livros queridinhos, a maneira que ela consegue expressar relacionamentos com um núcleo familiar muito bem construído e ainda mesclar romance com comédia é sensacional. Sei bem que quando estiver de ressaca literária, Marian será sempre o meu melhor remédio e definitivamente irei me divertir bastante. Acontece que em Dando um tempo a autora me parece muito mais madura, a problemática da história não segue o clichê das comédias românticas e no plano de fundo do enredo, existem situações bastante sérias e que necessitam de um debate, foi uma leitura gostosinha e que serviu para reforçar os motivos para amar a autora, quer conhecer um pouquinho mais dos motivos?


Amy O’Connel é uma mulher real, trabalha de maneira frenética e faz de tudo para a sua empresa prosperar, além disso ela é mãe de três meninas com personalidades muito fortes, tenta ao máximo ser presente e como se não bastasse, ainda faz de tudo para ser uma boa esposa, tudo parece caminhar muito bem até que seu marido Hugh perde seu pai, ele não consegue superar esse evento tão triste e se vê sem rumo, sem muitas escolhas para melhorar a situação, Hugh  resolve avisar que está dando um tempo no casamento, ele simplesmente avisa que irá sair de férias por seis longos meses e não sabe o que irá acontecer nesse período, ele pode encontrar outra pessoa, pode se encontrar e voltar um homem renovado, muita coisa pode surgir nesse período. Amy tem o seu coração destroçado por essa notícia, a ideia de que seu casamento não vai tão bem assim e que seu marido pode se relacionar com outras mulheres durante esse período acaba com ela e durante muito tempo Amy tenta entender onde errou, porque se o casamento não vai bem, a culpa é dela, certo? Dar um tempo deveria ser uma saída para Hugh, mas na verdade se torna um momento incrível de descobertas para Amy. 

Como conheço bem a escrita de Marian, eu tinha uma ideia do que esperar da protagonista, uma mulher engraçada e que sabe fazer dos limões uma limonada completa, mas eu fui muito mais surpreendida, Amy passa por uma espécie de fase de término de relacionamento, desde luto, negação, até aceitação, mas isso não acontece do dia para a noite. 


Pra começar, ela precisa lidar com o seu atual marido arrumando as malas e se planejando por dias na sua própria casa, pra embarcar uma jornada que provavelmente vai envolver outras mulheres, como explicar isso para suas filhas? Hugh não quer que ele e a esposa tenham contato durante esse período, porque todo castigo pra uma boa mulher é pouco, certo?

As filhas de Amy lidam com essa situação de maneira esperada, ficam surtadas e surge a dúvida se o pai vai realmente retornar pra casa depois desse tempo todo, além disso, todas as atividades vão ficar nas costas de nossa protagonista, tudo que era divido com Hugh na rotina agora é papel de Amy, quão egoísta isso é? Ok precisar de um tempo, isso pode acontecer, mas quando isso envolve outras pessoas que dependem de você, essa situação precisa ser muito bem pensada. O que me alegra nessa situação toda é que Amy foi uma mulher forte, capaz de renascer lindamente após um baque tão grande.

Assim que Hugh parte Amy entra em um ciclo vicioso de ódio e saudade, durante um período ela começa a refletir quais foram os problemas que culminaram nessa situação, e passa a se sentir culpada, mal consegue trabalhar porque o julgamento sobre essa situação é muito grande por parte de amigos e família, vale aqui fazer um recorte, a família de Amy é MUITO doida mas maravilhosa, eles são engraçados e unidos demais, e as filhas dela, são puro amor e ajudam a mãe a superar essa situação aos poucos. Enquanto eu lia refleti sobre muita coisa, eu entendo plenamente que em alguns momentos nós precisamos de um tempo para refletir e reavaliar a vida que levamos, mas pra um homem isso foi tão mais fácil, se desprender da relação com as filhas e a esposa e partir, se fosse o contrário ela seria muito mais julgada. Sem contar que Amy segurou a barra sozinha, se virando em mil para dar conta de suas obrigações em casa e no trabalho, e ainda sobrou tempo para romance e solucionar problema alheio.


Durante a narrativa vamos conhecer Amy por completo, e acompanhar sua jornada de amor próprio também, ela nos faz voltar ao tempo lembrando de quando conheceu o seu marido, como era sua vida antes das filhas, como as relações do trabalho a tornaram uma mulher tão incrível nos dias de hoje, e depois de tanta reflexão, um romance antigo volta com tudo, afinal, se Hugh pode se aproveitar dessas férias, ela também pode! Eu me diverti muito com essa história, e estive presente em absolutamente todos os momentos, senti raiva, senti pena, senti ternura e entendi como o amor de mãe é grande demais e capaz de fazer qualquer coisa por suas filhas, é apaixonante essa situação em especial. Aqui Marian criou personagens com temas mais maduros, mas a família divertida segue sendo presente.
 “Sinto que não fiz o suficiente com a minha vida. O suficiente para mim.”
Eu poderia dividir esse livro em três grandes blocos, o primeiro é onde Amy recebe a notícia e sofre de maneira desoladora se culpando por conta disso, o segundo é onde ela coloca a cabecinha pra pensar e consegui ver perfeitamente ela se olhando no espelho e dizendo “Ok, meu marido foi embora, ele pode me trair, mas e daí? Ainda preciso cuidar das minhas filhas e preciso manter o foco no meu emprego, ele foi um babaca mas a vida continua” e aí a coisa engrena, ela não para sua vida por conta de um acontecimento tão triste, e morando sozinha descobre as coisas que é capaz, do quanto é uma mulher bonita e competente, já o terceiro bloco é o fechamento do ciclo, não vou dar spoilers mas ao final do livro eu fiquei chocada com a maturidade da protagonista, você gosta de personagens que evoluem absurdamente durante a história? Amy é a sua garota então!


Seguindo o padrão dos livros da Marian, o livro é grande, mas eu me diverti tanto, me envolvi tanto que mal vi as páginas indo embora, terminei o livro com a sensação de que absorvi muito bem a mensagem que a autora gostaria de passar e que família é um bem muito precioso. Uma leitura gostosinha, engraçada mas que te faz refletir pra além do pensamento próprio e das suas ações, tudo o que você faz afeta o outro também.


Título: Dando um Tempo
Autora: Marian Keys
Editora: Bertrand Brasil
Nº de Páginas: 588
Sinopse: "Amy e Hugh vivem o que se pode chamar de casamento perfeito, e apesar de o dinheiro ser curto e o estresse ser muito, sua vida segue uma rotina confortável... até que a morte do pai e de um grande amigo desencadeia em Hugh uma intensa crise durante a qual ele decide que precisa dar um tempo de tudo, sobretudo da vida a dois, e parte rumo ao sudeste asiático, por onde viajará por seis meses. Incapaz de fazer o marido mudar de ideia, Amy sabe que muita coisa pode mudar nesses seis meses. Quando Hugh voltar — se voltar —, será ainda o mesmo homem com quem se casou? E será ela a mesma mulher? Afinal, se ele está dando um tempo do casamento, ela também está, não é?"*Exemplar cedido em parceria com a editora.

RESENHA À Beira da Loucura

7 de janeiro de 2019


Acabaram as férias do blog e voltamos em 2019 com força total, preparados? Vem conferir a resenha dessa belezinha que me deixou com um monte de questionamentos durante muitos dias!

Primeiro livro da autora que tenho contato, e confesso que comecei super animado, afinal as outras obras dela fazem bastante sucesso e quando tive a oportunidade de lê-lo, não deixei passar. Eu adoro thrillers, e esse aqui começou muito bem, diga-se de passagem, mas as coisas mudaram um pouco conforme continuei na leitura. 


Cass mora com seu marido Matt em um chalé afastado das outras casas da rua e no momento ela se encontra de férias. Após voltar da casa de amigos depois uma noite de bebedeira e diversão, Cass se depara com um carro parado no meio da estrada pela qual seu marido disse para ela não passar. Ela tenta parar para ajudar a moça que está dentro do mesmo, mas por conta da chuva forte demais e pelo fato de a mulher não esboçar nada, Cass vai embora e no outro dia as coisas pioram, pois a mulher que Cass viu, foi assassinada brutalmente.

A partir daí o pesadelo começa, nossa protagonista começa a se culpar pelo assassinato, pois segundo ela, poderia ter feito algo a mais, e por esse motivo, não conta nada à ninguém, mas isso não é nem metade do que ela está para passar.

Além desse peso na consciência, ela começa a perceber que sua memória está lhe traindo de alguma forma. No passado, sua mãe foi diagnosticada com demência aos 44 anos, e agora isso está pesando para Cass, pois ela pode estar indo para o mesmo caminho.

Ser prisioneira de si mesma e escrava de sua mente, é algo terrível. Não saber com certeza se você fez ou realmente disse algo, é preocupante demais, pois não dá para confiar em si mesma, e nossa protagonista está sabendo como ninguém, como é passar por isso.

As coisas só pioram quando ela se dá conta de que Jane, a mulher morta, era na verdade sua mais nova amiga. Elas tinham acabado de se conhecer, e Cass fica arrasada ao descobrir que uma pessoa próxima teve um fim tão brutal. Diante disso Cass se sente agora culpada pela morte da amiga. Afinal quando ela passou por lá Jane ainda estava viva dentro do carro, e ela poderia ter feito alguma coisa. Ou será que Cass também seria uma vítima naquela noite se tivesse permanecido um pouco mais?


A narrativa é fluida embora tenha partes maçantes que cansam. Como todo thriller, o suspense é iminente, mas aqui confesso que fiquei um pouco cansado de tudo. Algumas atitudes da personagem principal me irritaram demais, e não falo de coisas grandes, mas pequenas coisas, que quando somadas se tornam uma bagagem grande demais para não ser considerada. Algumas pontas ficaram soltas ao fim do mistério que rodeia Cass, e os porquês, nem todos, são solucionados, deixando assim questionamentos sobre algumas decisões que a protagonista optou por seguir, então quando cheguei ao final eu fiquei com algumas perguntinhas martelando na cabeça, ou talvez eu não tenho absorvido tudo o que o livro teve para me dizer.

Foi uma leitura boa e proveitosa, um livro que eu diria "médio" numa escala de bom a ruim. Espero sim ler mais coisas da autora e descobrir mais sobre seu universo, como sempre digo, leitura é experiência, talvez outro leitor tenha aproveitado muito mais a obra em si, eu que sou fanático por esse gênero sei que é uma boa leitura mas nada tão inovador assim no gênero. Em todo caso, a escrita da autora acontece de maneira muito linear, você não consegue confiar totalmente na protagonista e pra mim isso é um ponto bastante positivo, eu fui convencido. Não somente por esse aspecto, mas a obra em si muitas vezes me deixou alheio ao mundo por conta da curiosidade e sinceramente falando, eu amo quando isso acontece.  Se você procura uma obra que te deixe com uma pulga atrás da orelha o tempo todo, esse livro é pra você.



Título: À Beira da Loucura
Autora: B. A. Paris
Editora: Editora Record
Nº de Páginas: 350
Sinopse: "Em quem mais confiar quando não se pode confiar em si mesmo? Cass está sendo consumida pela culpa desde a noite em que viu uma mulher dentro de um carro parado na estrada perto de sua casa, durante uma terrível tempestade, e tomou a decisão de não sair para ajudá-la. No dia seguinte, aquela mesma mulher foi encontrada morta naquele exato lugar. Cass tenta se convencer de que não havia nada que pudesse ter feito. E, talvez, se tivesse ido ajudá-la, poderia ela mesma estar morta agora. Mas nada disso é o suficiente para aplacar a angústia que sente, principalmente considerando o fato de que o assassinato aconteceu ali do lado, bem perto de sua casa isolada ― e que o assassino ainda está à solta. Então, depois da tragédia, Cass começa a ter lapsos de memória: não consegue se lembrar de ter encomendado um alarme para casa, não sabe onde deixou o carro, muito menos por que teria comprado um carrinho de bebê quando nem filhos tem. A única coisa que ela não consegue esquecer é Jane, a mulher que poderia ter salvado, e a culpa terrível que a corrói por dentro. Tampouco consegue esquecer as ligações silenciosas que vem recebendo, nem a sensação de que está sendo observada. Seria possível que o assassino a tivesse visto, parada no acostamento, enquanto decidia se ajudaria a mulher ou não? Será que ele está tentando assustá-la para que ela não conte nada à polícia? Mas como alguém poderia acreditar em seus temores quando nem mesmo ela é capaz de saber o que é verdade e o que é mentira? E como Cass pode acreditar em si mesma quando tudo ao seu redor parece provar que está ficando louca?"
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