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RESENHA Um Milhão de Finais Felizes

12 de fevereiro de 2019


Hoje é dia de resenha recheada de carinho, afeto, abraços apertadinhos e boas memórias! Tive a sorte de ler Um milhão de finais felizes e não sou capaz de mensurar a alegria que esse livro foi capaz de me proporcionar, como se não bastasse, a compra dele veio de uma experiência ainda mais incrível! No ano de 2018 fui para a Bienal, acabei indo no último final de semana e vocês já devem imaginar a correria que foi, né? Eu estava desanimadinha porque achei que não conseguiria encontrar nenhum autor, mas felizmente quando eu saia da sala de imprensa dei de cara com o Vitor Martins sentadinho no chão descansando, gente como a gente! Hahaha toda tímida fui pedir para autografar meu livro e sinceramente, que homem mais querido! Vitor estava cansado, passou o dia na Bienal, autografando livros e lidando com a correria, mas ainda assim, quando pedi o autografo deu um sorrisão todo animado, me deu o abraço mais acolhedor do mundo e conversou um pouquinho comigo. Antes mesmo da experiência de leitura eu já me senti totalmente realizada pelo carinho que recebi dele, admiro o trabalho do Vitor desde a época em que ele havia começado o canal no Youtube, pra quem não sabe, apesar de não postar mais vídeos, o canal dele segue ativo! Tem resenhas muito bacanas, dicas de papelaria, bullet e tudo aquilo que a gente ama, fica a dica! Você pode conferir AQUI


Agora vamos ao livro! Eu não poderia imaginar que uma obra tão curtinha fosse capaz de me envolver, emocionar e trabalhar questões tão pontuais de maneiras tão bem detalhadas. Em muitos momentos senti um apertinho no peito, temendo pelos personagens, mas na maior parte do tempo eu sorri, me apaixonei e torci para que as coisas fluíssem bem, porque pessoas boas merecem isso, e Jonas é uma dessas pessoas, ele é metido a escritor, mas daquele tipo que nunca escreve história alguma, apesar de andar sempre com seu caderninho de ideias para possíveis histórias, ele simplesmente não consegue escrever nada, talvez por algum tipo de bloqueio, ou só a procrastinação atuando até nos personagens, correto?

Ele trabalha no Rocket Café, uma cafeteria bastante famosinha e com aquela pose de hipster que todo mundo adora. Pra ser sincera, Jonas é um cara incrível demais e que parece viver em um mundo não tão justo para a sua existência, apesar de não pensar em faculdade ainda, ele é absurdamente trabalhador, apesar dos atrasos no trabalho é muito querido e bastante simpático, acontece que nem tudo são flores, ele é filho de pessoas muito conservadoras, uma mãe evangélica fervorosa e um pai bastante machista e que não aceita um filho que não tenha pose de “homem másculo”, ainda assim, Jonas é um bom filho, ajuda com as contas de casa, nunca reclama e vai para a igreja porque sabe que isso deixa sua mãe feliz, mas tudo muda quando um rapaz de barba ruiva aparece na cafeteria, é amor à primeira vista, Arthur faz a sua aparição no trabalho de Jonas como um cliente qualquer, mas isso é o estopim para o desenrolar de muitas coisas, a partir disso Jonas começa a escrever! De tão envolvido que ele ficou pelo rapaz, suas histórias finalmente começam a tomar vida e assim nasce Piratas Gays, o livro que Jonas está começa a escrever. Como coincidência nunca é coisa pouca, Arthur volta a aparecer na vida de Jonas e bagunça muita coisa em sua cabecinha, trazendo questionamentos até sobre o núcleo familiar dele.


Esse é basicamente um livro dentro de outro livro, enquanto vamos acompanhando a vida de Jonas, também vamos ler os capítulos de Piratas Gays conforme eles vão sendo escritos por nosso protagonista. A questão toda é que esse livro é puro amor, apertinho no peito e uma nova definição de família! Jonas sofre demais com seus pais, sua mãe infelizmente é uma pessoa bastante submissa e aceita os comportamentos machistas de seu marido, o pai de Jonas... É um cara que sinceramente sinto asco, ele é maldoso com sua esposa, filho, é interesseiro e bastante agressivo.
“Nem sempre a família que nasce com a gente vai nos entender. Nem sempre eles vão ficar do nosso lado para sempre. Mas isso nunca vai te impedir de escolher uma família nova.”
Conforme as coisas vão avançando, é notável que o relacionamento entre Arthur e Jonas vai ganhando grande parte da narrativa, mas nisso também surgem oportunidades para muitos questionamentos, como por exemplo a bifobia, Jonas se ver como um garoto gay e ter coragem para se assumir, as dificuldades do processo de escrita, a importância dos amigos em situações difíceis e como a família “tradicional” vem sofrendo novas configurações e o mínimo que você pode fazer é  RESPEITAR isso. As questões de homofobia são muito presentes nesse livro, principalmente por conta do pai do nosso protagonista, por outro lado, a mãe vive aquele impasse de sua religião não permitir, seu marido também não, mas ela ainda ama o filho! Ainda assim, é um livro emocionante, os amigos de Jonas são um show a parte, tem suas próprias questões, são companheiros, estão sempre prontos para animá-lo e ouvi-lo, eu sinceramente queria um livro para cada um deles! Essa é uma obra que infelizmente li em um dia só, infelizmente porque queria mais, porque Vitor me surpreendeu positivamente, sua escrita me deixou confortável, seu abraço quentinho me acompanhou durante toda a leitura e só posso dizer que sinto orgulho da nossa literatura nacional ter um representante como ele. 

Se você quer se emocionar, amar junto com Jonas e Arthur, acompanhar uma aventura de piratas gays, esse livro é para você. O final é emocionante, algo MUITO família e que te deixa com o coração quentinho, torcendo pelo futuro dos personagens. Eu muitas vezes vi Vitor no protagonista, acho que por acompanhar seu canal, Instagram e tudo mais a tanto tempo, meio que internalizei a figura física de Vitor sendo Jonas, sabe? E sinceramente, combina demais! Queria um Rocket Café na vida real, pra encontrar o meu barbudinho por lá também haha. Por hoje é só!



Título: Um Milhão de Finais Felizes
Autor: Vitor Martins
Editora: Globo Alt
Nº de Páginas: 352
Sinopse: "Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais, sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas. Mas é quando ele conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história."

Você acompanha blogueiros negros?

11 de fevereiro de 2019


Hoje o post é um pouquinho diferente do habitual, ele vem em tom de desabafo, gostaria de começar essa conversa perguntando para vocês, quantas blogueiras negras vocês acompanham? E no nicho literário especificamente, quantas pessoas que vocês acompanham são negras? Pode parecer algo bastante absurdo de se pensar, mas vou explicar o motivo desses questionamentos.


Nos últimos anos as editoras finalmente resolveram ceder um espacinho de seus lançamentos paras histórias com recortes raciais, mas nem sempre foi assim, com meus 25 anos, AGORA que me sinto representada, mas a adolescência foi um período extremamente triste, eu sempre fui leitora, mas nunca me vi nos personagens. Quando pensamos em blog a história é ainda mais triste, o Uma dose de cacto existe desde 2015 mas minha família e amigos só souberam da existência dele no finalzinho do ano passado, o motivo? Eu nunca me vi no meio literário, nunca achei que fosse um espaço pra mim e por isso sempre sentia muita vergonha. Eu trabalho ativamente com o blog tem muito tempo, com resenhas semanais e nos últimos anos ele serve como complemento da minha renda, mas eu sempre tive muita vergonha para falar aos outros que sou blogueira literária porque internamente, eu absorvia a ideia de que esse não era um espaço pra mim. Digo com tranquilidade, pelo menos 90% das pessoas que acompanho nos blogs literários são brancas, são pessoas incríveis e que admiro demais o trabalho, mas nos últimos tempos eu tenho me questionado o tempo todo, por onde anda a representatividade que lemos? O consumo não pode ficar estacionado só na leitura.


Vamos entender isso na prática? Pensemos em O ódio que você semeia, Kindred, Bruxa Akata, Hibisco Roxo, por exemplo, livros escritos por mulheres negras, que falam diretamente sobre a questão racial, livros que mostram como o racismo é uma questão estrutural, obras que mostram lindamente como a representatividade é algo importante, todas as obras citadas são sucessos de vendas. As resenhas são sempre positivas, todos se emocionam, compreendem as mensagens deixadas em cada narrativa, mas isso basta?

Não! Isso não basta, não é suficiente, queremos espaço e reconhecimento e pra isso precisamos de vocês, não basta só consumir esse tipo de obra, é preciso procurar por representantes em suas plataformas, indique sites literários feitos por pessoas negras, valorize esse trabalho, não receber reconhecimento por parte de editoras é desanimador, e do público é ainda pior. O primeiro passo para ajudar na luta por igualdade racial é reconhecer os seus privilégios, entender quão confortável pode ser a posição que você se encontra e a partir disso trabalhar ajudando minorias, dentro do espaço que você ocupa socialmente. Sendo assim, se você conhece alguma blogueira negra deixe aqui dicas! Não pense duas vezes em divulgá-las, procure meios para trabalharem juntas em prol do crescimento! Eu sempre estou aberta para projetos de leitura conjunta, bate papo, qualquer coisa, a plataforma do blog e o Instagram são canais abertos e fico feliz em falar dessas questões com vocês. Saiam da caixinha, questionem as editoras, quantos parceiros são negros? Quantos representam as minorias publicadas? Não somos só números. 

Ah, e aproveitando o momento, minha tatuagem que diz muito sobre a importância da representatividade! Essa é a Starr, personagem de O ódio que você semeia, marquei na pele a primeira vez em que me senti de fato representada. <3



Por fim, deixo aqui alguns projetos literários feitos por pessoas negras e que merecem mais reconhecimento.  Até a próxima! 

 Instagram:
 Ana Rosa
 Camillaeseuslivros

 Canais no Youtube: 
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