Posts Recentes

RESENHA Todas as Pequenas Luzes

20 de fevereiro de 2019

Hoje é dia de resenha e ela vem com um gostinho especial porque é sobre uma autora que definitivamente marcou a minha adolescência. Jamie McGuire é autora da famosa série Belo desastre e que desencadeou muitos outros livros, na época dos lançamentos, eu e muitos outros leitores surtavam com essa história mas depois de muito tempo vejo alguns probleminhas e alguns pontos que a Dayhara de hoje, não encararia de maneira positiva em uma leitura. Depois de Belo Desastre eu nunca mais tive contato com a escrita da autora, apesar de amar suas obras e a maneira frenética que sua narrativa acontecia, acabei migrando para outros rumos, e Jamie também migrou! A Verus lançou Todas as pequenas luzes e posso afirmar com tranquilidade que a autora mudou bastante, em muitos aspectos, o dinamismo entre os personagens é outro, não há mais aquela urgência, o desespero desenfreado, o ciúmes romantizado, nada do que me existia em Belo desastre consta aqui, apesar das obras serem bem diferentes entre si, acho importante fazer esse comentário porque muita gente via a relação presente em Belo Desastre, Desastre eminente etc, como abusiva, e sinceramente acho que Jamie ouviu com atenção os seus leitores e nos proporcionou uma obra bem mais leve em diversos aspectos, mas não menos importante ou menos arrebatadora. Me envolvi e me surpreendi como na adolescência e isso me deixou bastante feliz.


Catherine e Elliot se conheceram ainda pequenos, o encontro aconteceu de maneira bastante inusitada, enquanto ele está em uma árvore uma garota chama a sua atenção e ele começa a fotografá-la, a aproximação acontece daquele jeito típico de criança fazendo amizade, né? Ambos desconfiados, fofos. Acontece que Elliot não mora na cidade, ele passa os verões na casa da tia e aproveita a ocasião para fugir do tumulto que é sua família e das brigas cheias de ódio entre seus pais. A amizade entre eles floresce mas Elliot sabe que uma hora terá que ir pra casa, aos poucos eles se tornam unha e carne, ele sempre tentando proteger Catherine que é odiada por todas as meninas da cidade e sempre é deixada de lado, um servindo de suporte emocional para o outro, mas quando Catherine mais precisa de Elliot, ele precisa ir embora, ela se vê abandonada por ele e nutre muita mágoa por conta disso, ela acredita que sofreu um grande golpe vindo dele, mesmo o leitor sabendo que as coisas não são bem assim.
"Tive vontade de dizer que eu não mordia, que eu até podia odiá-lo por ele ter ido embora, e fazendo sentir sua falta por dois longos anos, mas havia coisas mais importante no mundo para ele realmente temer." 
Essa história é um grande tapa na cara em diversos momentos, os dois protagonistas ainda pequenos aprendem que a vida não é perfeita como nos livros e nos filmes, que a família muitas vezes pode ser um fardo esmagador e que é preciso ter alguém por perto para ser seu ombro amigo. Acontece que Elliot precisa ir embora não porque quer, mas sim porque sua família impõe isso, Catherine não entende a situação e se vê no direito de ficar magoada com o garoto por conta disso, mas convenhamos, se você é uma criança e sua família manda você voltar pra casa, com que autoridade você irá contra? Simplesmente não dá! Depois de muito tempo Elliot volta, porque ele ainda nutre sentimentos por Cath e quer reparar a situação toda, mas é aí que a coisa desanda um pouquinho, ela não é nenhum pouco compreensiva, age de modo grosseiro e não perdoa o garoto com facilidade, eu achei isso um pouco melodramático, ambos já cresceram, qualquer um é capaz de ver que ele não foi embora porque quis, simplesmente não tinha escolha. Além disso, Cath vive uma vida que sinceramente não desejo para ninguém, ela trabalha feito louca, sofre bullying na escola, não tem tempo pra si, ela não vive a vida de uma adolescente normal. Elliot tenta ajudar, se aproxima novamente mas ela não dá brecha alguma, em partes por conta da mágoa que ainda carrega e em outras por conta dos segredos que esconde, tudo é muito misterioso quando se trata dela e sua família.


Se você espera algo como Belo Desastre pode ir parando por aí, a pegada dessa obra é totalmente diferente! Apesar do ritmo um pouco lento no início, assim que Elliot volta, as coisas começam a acontecer de maneira mais acelerada, é notável a mudança da protagonista, ela não tem planos e nem expectativas porque diz que suas obrigações são outras, mas quais? Sua casa não é um bom lugar para se viver, ela se sente esgotada e sem forças para lutar contra isso, e o segredo que Cath guarda tão bem é devastador e faz com que tenhamos muito mais empatia por ela.

Eu iniciei essa história esperando algo sensual e bastante explosivo, porque era a marca da autora, mas dei de cara com mistérios, segredos e um romance fofo e bastante gradual. O plot da obra deixa você de queixo caído, eu demorei para entender o que era e quando descobri, fiquei totalmente sem reação, Jamie segue brincando com as minhas emoções desde sempre. Foi uma leitura bastante agradável, um pouco lenta no caminho mas que quando engrenou não consegui mais desgrudar, os personagens possuem uma carga dramática bastante forte e a maneira que eles procuram se ajudar é louvável. O final mexeu bastante comigo e precisei de alguns bons dias para absorvê-lo realmente, essa capa é linda demais e condizente com o enredo, a trama é dividida entre o ponto de vista de ambos os personagens e isso foi bastante importante porque os dois apesar de possuírem dramas muito reais, encaram as coisas de maneiras bem dicotômicas, enquanto Elliot prefere encarar tudo sem medo, batendo de frente, Cath é mais cabisbaixa e aceita as coisas, mais por cansaço, conformismo, seus segredos que deixam ela completamente amarrada… Tudo é muito comprometedor para ela. 

Se você procura uma obra que passeia por vários gêneros, brinca com as suas emoções de todo modo e te prende de maneira sem igual, Todas as pequenas luzes é a leitura certa para você!


Título: Todas as Pequenas Luzes
Autora: Jamie McGuire
Editora: Verus
Nº de Páginas: 350
Sinopse: "Quando Elliott Youngblood vê Catherine Calhoun pela primeira vez, ele é apenas um garoto com uma câmera nas mãos que nunca viu algo tão triste e tão belo. Os dois se sentem excluídos e logo se tornam amigos. Porém, no momento em que Catherine mais precisa dele, Elliott é forçado a sair da cidade. Alguns anos depois, Elliott finalmente retorna, mas ele e Catherine agora são pessoas diferentes. Ele é um atleta bem-sucedido, e ela passa todo o tempo livre trabalhando na misteriosa pousada de sua mãe. Catherine ainda não perdoou Elliott por abandoná-la num momento difícil, mas ele está determinado a reconquistar a amizade dela ― e a ganhar seu coração. Bem quando Catherine está pronta para confiar outra vez em Elliott, ele se torna o principal suspeito em uma tragédia local. Apesar da desconfiança de todos na cidade, Catherine se agarra ao seu amor por Elliott. Mas um segredo devastador que ela esconde pode destruir qualquer chance de felicidade que os dois ainda têm." *Exemplar cedido em parceria com a editora.

Resenha Carne Crua

18 de fevereiro de 2019

Ano passado fomos parceiros da editora Nova Fronteira e fazer parte desse time foi uma das experiências mais primorosas que toda a equipe do blog já teve. Ter um contato tão direto com clássicos e ter em nossas mãos edições tão lindas além de aumentar o nosso amor pelos livros, renovou a fé em nosso curso(Letras) porque nada nos move mais do que edições lindonas e amor! Hahaha. Pois bem, Carne Crua foi uma das apostas de final de ano da editora e sinceramente... Não sei dizer como o meu coração aguentou essa leitura, arrebatadora! Uma experiência tocante e que me deixou sensível para muitas questões. 

Carne crua, de Rubem Fonseca é um livro de 26 contos cada um com a sua peculiaridade, mas sem deixar de ter o famoso toque rápido de uma escrita certeira que só Fonseca tem.

São contos rápidos de se ler, mas a cada linha um aprendizado, a cada conto uma lição diante do que estamos sujeitos a passar no convívio com a sociedade lá fora. Repleto de críticas sociais (a começar pela capa), o livro trabalha com diferentes temas, envolvendo de amor até assassinatos, confiança, traição, além de vingança, corrupção, e muito mais. Um verdadeiro apanhado de injustiças sociais. Para deixar vocês cientes da maravilha que é essa obra, falarei especificamente do conto que também dá nome ao livro. 


 O Conto: Carne Crua – a bondade ou a falta dela

Aqui temos a história de uma criança que perder seus pais muito cedo, ainda durante a amamentação e que por isso foi morar com os tios. É nesta nova casa que lhe desperta o interesse por comer carne crua. Essa nova família que fazia churrasco todos os sábados tinha a ajuda do menino na cozinha, mas ele apenas ajudava para garantir a sua carne crua despercebida pelos olhos dos familiares. 

Além disso, criança tinha a necessidade de matar animais, era seu prazer e o fato mais marcante até então era quando sentiu o gosto da carne de um sagui que havia aparecido no fio de eletricidade no quintal de sua casa. Depois disso, aumentou sua curiosidade, descobrindo então que carne de gato também era boa e de cachorro mais ainda.

Para ele não funcionava churrasco ou carne mal passada, a carne precisava  estar necessariamente crua, era isso ou mais nada, um extremo que se pararmos para pensar, causa repulsa. Para além disso, sabemos que em alguns países o consumo de carnes de animais bem "diferentes" é permitido, pois bem, o garoto resolve alimentar seu vício optando por um animal totalmente fora do comum, e o meu choque foi enorme, pensar em como uma criança foi capaz de movimentar situações ao seu favor, tudo para conseguir a carne tão desejada é horripilante e por muitas vezes me questionei como esse garoto é facilmente visto como um pequeno psicopata, o que não deixa de ser verdade, tamanha é a inteligência do menino... O final é surpreendente e me fez temer pelo futuro, pensar quais as chances dessa história ser real. Mas o mais interessante é que ao final me peguei pensando sobre o meu consumo de carne e sinceramente, tenho evitado, sinal de que absorvi bem a leitura, não? Hahah. 


Rubem Fonseca é um autor que merece ser chamado de cru também! Ele não deixa de lado nenhum detalhe, e se você for sensível para algumas situações, pode não se sentir confortável com a leitura, mas além disso, ele é capaz de em um simples conto, te fazer questionar sobre o seu estilo de vida, alimentação, seu posicionamento na sociedade e as mil maneiras que você indiretamente, pode ir contra tudo que é considerado normal pelos outros, afinal, quantos segredos você esconde? Quantos gostos incomuns você alimenta? Uma leitura forte, arrebatadora e que servirá como dica para muitos amigos, Carne crua te faz questionar, te tira da zona de conforto.




Título: Carne Crua
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 144
Sinopse: "Rubem Fonseca é um verdadeiro mestre na arte de esfolar a pele das palavras para deixar as histórias em carne viva. Neste seu livro mais recente, o autor reuniu 26 textos que, embora mantenham a crueza de assassinatos, traições e injustiças sociais, trazem também a avidez das descobertas, a delicadeza das histórias de amor e uns flertes com a poesia."  *Exemplar cedido em parceria com a editora.
Todos os direitos reservados 2019 |
Desenvolvimento por: Suelen Marques - Web Design
Para o topo!