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RESENHA Impostores

2 de agosto de 2019

Oi pessoal, aqui é a Thais e vim falar pra vocês sobre um livro que me deixou meio surtada, porque como sempre, a Galera Record faz jus de ser uma das minhas editoras favoritas. A primeira vez que ouvi falar de Scott Westerfeld, não dele necessariamente, mas de seu livro, foi quando uma amiga minha falou sobre a série Feios. Eu não conhecia e nem fui atrás de nada, pelo menos até Impostores cair nas minhas mãos e eu ir futricar como louca sobre o autor. Impostores é uma nova série ambientada no mesmo universo que a série Feios, mas muito anos após os acontecimentos da outra. Essa leitura individual não prejudica na compreensão do livro, mas quem já leu Feios tem uma vantagem para compreender algumas referências a ele presentes nesse livro. Por isso já deixo essa recomendação para vocês logo de início, de investir também na outra série, porque eu mesma estou louca pra ler e entender um pouco mais do funcionamento desse mundo maravilhoso criado por Westerfeld. Um mundo cheio de revoltas e rebeliões, risco e traições.

Rafia e Frey são irmãs gêmeas com apenas vinte e seis minutos de diferença, uma cópia exata uma da outra. Inseparáveis, as irmãs nunca passaram mais que um dia longe uma da outra. E isso poderia parecer perfeito se não fosse pela criação que ambas tiveram. Rafia, a mais velha, foi criada para ser a filha perfeita, inteligente, simpática e bem-educada, é a herdeira amada pelo povo que odeia seu pai, o autoritário líder de Shreve. Frey, por outro lado, foi criada para matar. Desde os sete anos de idade, passou cada segundo de sua vida treinando, conhece tudo sobre toda e qualquer arma e tem como única missão proteger sua irmã de qualquer adversidade, mesmo que para isso tenha que sacrificar a própria vida. O mundo não sabe de sua existência e, confinada a corredores secretos e suítes privativas, ela é o que precisa ser para a proteção de Rafi. Uma segurança, uma dublê, um escudo, sua última linha de defesa.

Quando o pai das gêmeas, para firmar um duvidoso acordo, manda Frey como refém no lugar de Rafia para a casa dos Palafox, a primeira família de Victoria, a garota se torna a impostora perfeita. Frey tem a oportunidade de experimentar um mundo em que poder andar livremente, sem viver escondida em corredores e a sombra de sua irmã. No entanto, as coisas não saem tão perfeitas em Victoria como ela pensava, já que a família Palafox parece ter seus próprios planos para a herdeira de Shreve e Col Palafox, o herdeiro da família, está muito perto de descobrir a assassina que existe por trás da máscara. Com o desmoronamento do acordo entre Shreve e Victoria e a explosão de uma guerra, Frey tem uma abertura única e precisa decidir se deve se arriscar revelando sua verdadeira identidade e definir de que lado, de fato, está a sua lealdade. Cercada por rebeliões, alianças, reviravoltas e intrigas, ela parte sabendo que qualquer passo em falso pode ser o seu último.
“Talvez essa seja uma má ideia, revelar minhas mentiras para fazê-lo confiar em mim. Mas elas são tudo que tenho. Minhas mentiras são as únicas coisas que são verdadeiramente minhas.”


Eu imaginava uma história diferente quando comecei a ler, mas não fiquei decepcionada com o que encontrei. Acho que, na verdade, fazia um bom tempo que eu não encontrava uma história que me deixava tão conflituosa com meus sentimentos. Que me fizesse consumir tão rapidamente suas páginas e que aguçasse tanto a minha curiosidade. Eu simplesmente adoro a Frey. E sinto uma dor profunda por ela também. Não consigo imaginar como deve ter sido para ela viver confinada dentro de salas e corredores, treinando cada segundo de sua vida, sendo quebrada cada dia de sua vida, sem amigos, sem liberdade e até mesmo sem sua própria identidade. Sendo sempre a sombra de sua irmã, o escudo dela contra tudo e qualquer coisa, sem nunca ter nada para si e nem exigindo mais do que isso. Sendo inexistente. Embora ela tivesse sua irmã ao seu lado, não deixa de ser uma existência solitária e triste. Gostei de como ela pôde respirar, pelo menos um pouco, quando foi para Victoria. De como, mesmo com o mundo caindo aos pedaços, das revoltas, riscos e toda a confusão gerada pela guerra, ela pode conquistar sua própria liberdade, não ser mais a substituta de Rafi, a dublê, mas apenas a Frey. O que é um ponto bem debatido pela personagem porque Frey passou tanto tempo sendo a substituta de sua irmã, a impostora, que encontra dificuldade em saber quem ela própria realmente é. E é incrível vê-la descobrindo isso. Ela é feroz, corajosa, dedicada, leal. Resoluta. (não resisti e tive que colocar essa palavra e se vocês lerem vão entender porque). Todos os motivos para fazer dela minha personagem favorita.

A Rafia... No começo eu achava ela bem chata, não que ela seja uma das personagens que mais gosto, mas consegui entende-la um pouco mais ao longo da história. Me colocar no lugar dela. Tendo que ver sua irmã sempre se arriscando por ela, salvando sua vida enquanto ela não pode fazer o mesmo. Enquanto sua irmã é ferida e ela não pode impedir. E claro, com o pai que elas têm, a vida não deve ser exatamente um mar de rosas. Mas acho bonita a ligação que ela e a Frey tem, de se comportarem como se fossem a metade uma da outra, o que não deixa de ser verdade. Col Palafox... Eu fiquei hesitante com ele no começo, gostei um pouco dele, aí fiquei com raiva dele e depois voltei a gostar dele. Ele não é bem o heroizinho típico de todo livro e acho que isso me fez gostar muito mais dele. Por sua inteligência, sua dedicação, o seu amor por sua família, sua cidade e seu povo. E também gosto do relacionamento dele com a Frey, porque não achei uma coisa forçada, tanto que cheguei a pensar que nem daria em nada. Ambos traíram um ao outro, mas também ficaram ao lado um do outro. Fugiram juntos, lutaram juntos e ele foi o primeiro a enxerga-la verdadeiramente. O que fez com que ele ganhasse muitos pontos comigo. Mas mais do que adorar eles como um casal, adoro a parceria que eles têm.


Eu falei desses três, mas tem vários outros personagens que são importantes também, embora não tenham tanto destaque, como Theo Palafox e o pai das gêmeas (demônio sem nome). Eu me debati em vários momentos ao longo dessa leitura, senti tristeza, alegria e raiva. Mas amei a história. Acho que Scott Westerfeld subiu para um rank de autores que ganharam o meu respeito (e um lugar especial na minha prateleira). O livro todo parece uma rebelião, uma sacada genial com direito a citações de Sun Tzu e Nicolau Maquiavel. E isso casa muito bem com tudo no livro. Adorei o cenário futurista, adorei a força dos personagens e de como tudo flui, mas, principalmente, amei como o nome do livro se relaciona tão bem com a história dos personagens. Acho que isso dá uma magia especial para a história. Todos são impostores.

Essa edição maravilhosa é divida em três partes, cada uma com capítulos curtos e fáceis de ler, tendo a narrativa feita em primeira pessoa, narrada pelo ponto de vista de Frey. A leitura em si também é muito gostosa, assim como o estilo de narrativa, e isso faz com que você devore uma página atrás da outra sem nem notar. Foi o que aconteceu comigo. Ajuda também o autor não ficar enrolando muito, se prendendo muito em determinadas descrições, de modo que ele cria o ambiente e deixa que nossa imaginação corra solta. Enquanto eu lia era como se eu pudesse ver o desenrolar das cenas diante dos meus olhos, como um filme, tanto que no final eu já estava prendendo o fôlego com a expectativa. E QUE FINAL FOI AQUELE? Foi uma grande e inesperada porrada. E agora só posso ficar agoniada e ansiosa pelo próximo volume da série para saber como tudo vai se desenrolar. 


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“Não sei o que dizer. Não sei como salvar alguém com palavras. Tudo que conheço são armas improvisadas, fraquezas descobertas, batalhas em que mergulho de todo coração. Tudo que conheço é guerra.”

Título: Impostores
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Galera Record
N° de Páginas: 352
Sinopse: “Catorze anos após o lançamento de “Feios”, o autor best-seller Scott Westerfeld retorna com “Impostores” a seu universo mais famoso com uma história completamente nova. Traição. Risco. Redenção. Nascidas com a diferença de apenas 26 minutos, as filhas do poderoso e autoritário governante de Shreve receberam criações muito distintas. Rafia, a mais velha, cresceu como a filha perfeita, oradora habilidosa e ícone de estilo. Frey, por sua vez, foi ensinada a matar; seu único propósito na vida é proteger a irmã gêmea e, se necessário, sacrificar-se por ela. Quando é enviada no lugar de Rafia como garantia de um perigoso acordo, torna-se a impostora perfeita. Longe da irmã e pela primeira vez sob os holofotes, será que conseguirá assumir sua própria personalidade – e, de quebra, arriscar tudo em uma rebelião?” 

A perda e memória em Catálogo de perdas

30 de julho de 2019


 Um livro delicado e talvez uma das edições mais lindas que já vi em toda a minha vida, é assim que começo essa resenha. Em Catálogo de perdas vamos acompanhar o mesmo Carrascoza de sempre, poético, doloroso e bastante literal, mas dessa vez atuando de modo muito mais visual do que o esperado. Esse é um livro sobre perdas, sobre medos, sobre sentir e acima de tudo sobre recordar. O que serve como base são fotografias e isso é a primeira coisa que salta aos nossos olhos, fotos em preto em branco, inicialmente com um tom melancólico mas que depois passam a nos transmitir algo muito mais intenso, e aí começa a experiência visual. Primeiro precisamos ver a foto, isso já demanda bastante tempo de observação, logo depois precisamos literalmente abrir essas fotos(o livro opera como se tivessem páginas escondidas, você abre de dentro para fora) para só então encontrar os textos. Ou seja, primeiro você observa a foto, sente ela, e então você lê o texto e sente mil vezes mais.



Alguns textos são fofinhos, outros absurdamente dolorosos, como o texto intitulado Revólver, alguns muito curtos, uma frase só, e outros ocupam a página por completo, o tempo todo te fuzilando com um misto de sentimentos que nem sempre somos capazes de lidar.








Essa obra me fez ver o livro como algo totalmente fora do comum, estamos acostumados a ler e pronto, mas aqui as coisas não funcionam assim, nós precisamos de fato ver, sentir, criar a expectativa do que cada foto simboliza, tecer ideias e possibilidades, logo depois partimos para a leitura e aí a perda parece ser de fato concretizada, com o texto escrito não há como fugir, a perda é materializada e sentida, ela existe. Eu não fazia ideia da existência dessa obra e fiquei feliz demais em receber esse pacotinho da editora SESI-SP, sempre tão cuidadosos com os envios para os parceiros, recebi algo que de fato tinha a minha cara e não deu em outra, amei demais! Essa edição é linda, opera de um modo diferente dos livros comuns e te faz sentir tantas coisas e criar tantas possibilidades, um livro especial, que apesar do contexto doloroso, te dá perspectiva.  






Título: Catálogo de perdas
Autor: João Anzamello Carrascoza e Juliana Monteiro Carrascoza
Editora: SESI-SP
Nº de Páginas: 176
Sinopse: "Catálogo de perdas se inspira no acervo do Museum of Broken Relationships (Zagreb, Croácia), que reúne em exposições temporárias relatos e objetos enviados por pessoas do mundo inteiro – símbolos catalisadores de suas relações “partidas”. Apresenta narrativas diversas de perda escritas por João Anzanello Carrascoza e fotografadas por Juliana Monteiro Carrascoza. A sangrar em dois suportes – em ordem alfabética, mas podendo ser fruídas em qualquer sequência –, as histórias proporcionam uma dupla experiência estética. Este “catálogo” entrelaça, portanto, duas linhas de força: a escrita da palavra e a escrita da luz, o conto literário e a arte visual, a ficção e a fotografia. Uma coletânea sobre perdas definitivas, jamais esquecidas, mas que resulta inegavelmente num ganho humano para o leitor"*Exemplar cedido em parceria com a editora. 


RESENHA Infiltrado na Klan

29 de julho de 2019


 Quando vi que Infiltrado na Klan seria lançado por uma editora parceira o meu coração explodiu de alegria, é muito bacana ver o selo Seoman apostando em histórias que precisam ser contadas, que por mais cômico que possa parecer toda a narrativa, aborda assuntos sérios e que precisam chegar em todas as camadas sociais, a adaptação é um grande show, desde o figurino até os diálogos, isso por si só já me deixou extasiada, mas quando vi o livro físico... Guenta coração! Tudo delicadamente pensado para mostrar como essa é uma obra para se pensar, sempre.
 Esse livro tem o cunho autobiográfico, vai falar sobre a vida do primeiro detetive negro da história de Colorado Springs, Ron Stallworth, enquanto lia o seu jornal de rotina, viu um anuncio da Klu Klux Klan, o tão famigerado grupo de supremacia branca, nesse anúncio em questão, havia um convite para novos membros, ele sem pensar duas vezes resolver entrar nessa, se infiltrar para desmontar a organização, mas só havia um problema, como um detetive negro vai entrar em uma organização que prega o ódio de sua raça?



 Como mencionei, a obra é autobiográfica, mas ainda assim parece tudo muito absurdo e quase fantasioso, um detetive negro lutando contra uma organização racista e violenta? Sim! Ron foi o grande responsável por sabotar muito dos planos da KKK naquela época, além de lidar com essa missão bastante perigosa, ele precisou enfrentar o preconceito dentro da própria academia de polícia, não aceitavam um policial negro(algo inédito até então) sendo o chefe de uma missão tão importante quanto essa. O que não notaram é o risco que Ron assumiu, a coragem que teve de enfrentar algo tão perigoso com o peito aberto. A obra no cinema foi um grande marco ao menos pra mim, Spike Lee é um monstro do cinema e nesse filme em questão pude acompanhar toda a sua genialidade, que mescla humor, uma pitada de sarcasmo e sua tão poderosa crítica social. Já a edição do livro... Que obra primorosa, o cuidado com a capa, a diagramação e até mesmo as fotos selecionadas mostram como a editora realmente entendeu que uma adaptação como essa, merecia um livro digno de Oscar também. Essa é uma leitura que recomendo, se possível a faça antes de ver o filme, para poder se embasar melhor frente aos acontecimentos.





Título: Infiltrado na Klan
Autor: Ron Stallworth
Editora: Seoman
Nº de Páginas: 216
Sinopse: "Quando Ron Stallworth, o primeiro detetive negro da história do Departamento de Polícia de Colorado Springs, depara-se com um anúncio no jornal local convocando pessoas a se juntarem à Ku Klux Klan, ele decide responder fingindo ser um homem branco, com discurso racista falso. Esse foi o início de uma das investigações secretas mais audaciosas e incríveis da história dos Estados Unidos. Durante os meses em que investigou a KKK, juntamente um colega policial branco que se passava por ele nas reuniões da Klan, Stallworth sabotou vários rituais da famosa queima de cruzes da Klan, frustrou planos de detonar bombas em bares e boates gays ou frequentados por negros, além de revelar a presença de supremacistas brancos nas Forças Armadas e no Comando de Defesa Aeroespacial Americano, chegando até a enganar o próprio David Duke, o Grande Mago da KKK. Infiltrado na Klan é uma história verídica inacreditável, nos moldes de um thriller policial, e um retrato vívido do racismo, das ações terroristas da KKK e dos extraordinários heróis que ousaram enfrentá-la." *Exemplar cedido em parceria com a editora 




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