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RESENHA Vilão

12 de agosto de 2019


Extasiada. Um pouco perplexa. Anestesiada. Acho que esses são os sentimentos que podem melhor definir o que estou sentindo depois de terminar essa leitura. Demorei um pouco para começar, mas assim que peguei... Acho que bati o recorde da leitura mais rápida que já fiz na minha vida, porque não consegui soltar esse livro até estar na sua última página. É viciante, envolvente, é sombrio e surpreendente. Nada de fofinho ou romântico. Sempre adorei histórias que mostram uma faceta diferente, que fogem do padrão e do estereótipo, que mostram o outro lado do que consideramos ser um vilão, porque as vezes é sempre mais fácil taxar isso do que realmente entender o outro lado da história. E essa história mostra isso com muita proficiência. Quem é o mocinho? Quem é o vilão? Talvez não aja nenhum nem o outro. “Problemáticos humanos brincam com seus poderes”. Nunca achei que essa descrição que tem na capa do livro pudesse descreve-lo tão bem.
“- Você é o herói... – respondeu ela, encontrando os olhos de Eli - ... da sua própria história, pelo menos.”
Victor Vale e Eliot Cardale (ou Eli, como gosta de ser chamado), são dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários (não posso deixar de dizer um pouco egocêntricos) que se conheceram na Universidade de Lockland e se tornaram melhores amigos, identificando um no outro a mesma sagacidade, ambição e traços que os tornavam notoriamente interessantes um para o outro. No último ano da faculdade, como um trabalho de conclusão de curso, eles precisam escolher um tema inovador para uma pesquisa e entre os efeitos da adrenalina e a existência de poderes sobrenaturais, eles descobrem que depois de uma experiência de quase morte, algumas pessoas podem desenvolver certas habilidades (poderes) e tornam-se ExtraOrdinárias (EOS).

Após se submeterem ao experimento para testar a teoria (que logo de início já não é lá a melhor das ideias), Eli desenvolve o poder da regeneração (curando-se de ferimentos quase instantaneamente, qualquer que seja) e também o de não envelhecer, e Victor adquire a habilidade de controlar a dor, tanto nele quanto em outras pessoas (o que é bem maior, mais complexo e perigoso do que parece). A obsessão pela descoberta acaba levando os dois a uma série de tragédias, envolvendo uma morte e uma traição que acabam causado a prisão de Victor.

Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo – agora inimigo, e disposto a usar quem for e o que for para acabar com ele e executar a sua tão aguarda vingança. Enquanto isso, Eli passou os últimos anos focado em uma única missão: erradicar as pessoas ExtraOrdinárias que encontra como um meio de “proteger” as pessoas. No meio de uma dupla caçada, caminhos cruzados pelo que parece obra do destino, diversas revelações e verdades sobre o passado, assim como sobre o caráter dos próprios personagens, o leitor acaba se questionando: quem, de fato, é o vilão da história?


Acho que fazia muito tempo que eu não pegava uma história tão complexa sobre a qual falar. Porque Vilão não é uma história fácil, simples de descrever. Não tem nada de bonitinho, não tem nada de herói que salva o dia e coisas assim, existe muita traição, frieza e mortes. Essa leitura toda é uma grande montanha russa de sentimentos. O que já começa a se mostrar nos próprios personagens principais, que não se encaixam no perfil típico de protagonistas.

Victor é uma cara extremamente inteligente, mas também muito distante, solitário e que guarda e reprime demais seus sentimentos. Principalmente a raiva e a inveja. Raiva e inveja por parecer sempre estar em segundo lugar, na sombra das conquistas do melhor amigo. Ele não é bonzinho ou gentil, nem no começo e principalmente depois de tudo pelo que passa, mas ele não se importa com isso, porque sempre soube que existe um monstro dentro de si. Ele usa um meio para o fim e segue em frente, sem arrependimentos, sem necessidade de redenção. Muito embora, em alguns momentos, mesmo que ele diga que não se importa com uma coisa ou outra, tipo com Sydney e Mitch, ele parece ao mesmo tempo se importar, do jeito dele. Ele é genial, estratégico e caótico. Então você o ama e odeia ao mesmo tempo, porque ao mesmo tempo que ele faz o que tem e o que quer fazer, ele parece saber mediar os seus atos. Ele tem toda a escuridão que o envolve, que chega a sufoca-lo, e ele tanto a extravasa quanto a reprime para não machucar os outros. Ele não é um herói, e embora tenha traços, não sei se consigo coloca-lo no posto totalmente de vilão. Talvez porque eu tenha me apaixonado por ele e não importa o que ele faça ainda continuo gostando dele.

Eliot... Eu não sei bem o que dizer a respeito desse cara, logo no começo fiquei um pouco com o pé atrás com ele. Ele é inteligente pra caramba, isso é um fato, mas de certa forma ele sempre me pareceu um pouco alheio aos sentimentos das pessoas e um pouco egocêntrico (o que mais para frente deixou de ser um pouco e passou a ser muito). Aí eu senti pena dele, para logo em seguida alimentar um certo ódio quando o egocentrismo dele atingiu o nível de um lunático. Enquanto ele considera os outros errados, ele se taxa como diferente, como um emissário de Deus com o propósito de remover os EOS do mundo, porque eles não são naturais, ele é um herói e blá blá blá. Ele é muito o exemplo de uma pessoa que cria desculpas super distorcidas para justificar os atos hediondos que comete. Ele não é um herói, mas acredita firmemente que é, que está fazendo o certo. Mas é o vilão de outras histórias. O que torna a ideia da autora extremamente genial, porque ela conseguiu criar personagens tão complexos que você chega a se perder no meio deles.

Outro ponto que vale ressaltar é que, embora os dois sejam os personagens principais, a autora não deixou muito em segundo plano os outros personagens envolvidos na história posteriormente, como as irmãs Serena e Sydney, que ficaram em lados opostos, assim como Mitch. Serena é quase como seu nome, uma sereia, consegue convencer qualquer pessoa (e animal) a fazer e dizer o que ela quiser. Ela apoia Eli e está sempre ao lado dele, ajudando, dando apoio (embora ele reclame demais e coisa e tal, fica evidente que precisa dela), mostrando todos os motivos pelos quais ele é mais útil viva do que morta. No começo pensei “vaca”, mas depois vi que não é tão fácil assim cataloga-la. Sydney... me dói o coração por essa menina, porque ela passa por muita coisa e a traição que ela sofreu parece ser a pior de todas. Seu poder também não é lá das coisas mais comuns, já que ela consegue ressuscitar os mortos, o que, apesar de ser poderoso, não é a coisa mais agradável. E apesar de um ponto ruim aqui e outro ali, gostei da relação dela com o Victor (não levem para o lado romântico, porque isso não rola de jeito nenhum já que ela é apenas uma criança), porque apesar de ele ser frio e perigoso, há uma coisa meio amigável entre eles. Fico triste também pela situação que também fica entre ela e a irmã, prostradas em lados opostos. Quanto a Mitch, eu adoro aquele grandalhão e só posso pensar no quanto ele pode ser azarado na maior parte do tempo, e o quanto fico triste ao ver o quanto ele já foi subestimado apenas pelo seu tamanho e aparência, das injustiças que sofreu com isso. Além disso, gosto da humanidade que ele fornece a história.

É interessante o quanto a autora se aproveita de cada um desses traços dos personagens, fazendo arcos para explicar a história e o passado de cada um deles, os entrelaçando e mostrando o que aconteceu para leva-los até onde estão agora e porque fazem o que estão fazendo. A narrativa é feita em terceira pessoa e varia por cada um dos personagens em determinados momentos. O livro divide-se em duas partes e alterna-se com saltos para o passado, seja para dez anos atrás, cinco anos, dias e coisas assim. Parece meio confuso no começo, mas conforme você vai lendo parece fazer total sentido, porque ao mesmo tempo que é uma explicação do passado, da a entender que é uma lembrança apresentada pelos próprios personagens, tornando a narrativa intensa e eletrizante, mostrando mais uma vez a genialidade da autora. Achei a leitura muito gostosa (acho que ajudou muito para que eu lesse tão rápido) e eu simplesmente amei essa edição, com uma capa tão representativa que se refere tanto a história em si, como também não deixa de ter um toque referencial ao estilo dos outros livros da autora. Para quem conhece Um tom mais escuro de magia vai perceber. Eu passei por uma miríade de sentimentos com essa leitura, fiquei com raiva, muita raiva, revoltada, fiquei triste, quase chorei e fiquei PERPLEXA com o final, porque eu realmente, realmente, realmente não esperava nada daquilo que aconteceu. Exceto uma coisa, mas não posso contar porque seria um grande spoiler. Esse foi o primeiro livro dessa autora que eu li, mas não me arrependo nem um pouco e não vejo a hora de ler outros. Assim de como não vejo a hora de ver como vai ser o próximo volume.

“Mas esses termos que as pessoas usam – humanos, monstros, heróis, vilões -, para Victor, não passavam de uma questão de semântica. Alguém poderia muito bem se dizer um herói e mesmo assim sair por aí matando dezenas de pessoas. Outro poderia ser rotulado de vilão por tentar impedi-lo. Muitos humanos eram monstros, e muitos monstros sabiam fingir humanidade.”

Título: Vilão
Autora: V. E. Schwab
Editora: Record
N° de Páginas: 364
Sinopse:
Uma história sobre ambição, inveja, desejo e superpoderes, da autora da série Tons de Magia. Victor e Eli, dois jovens brilhantes, arrogantes e solitários, se conheceram na Universidade de Merit e logo se deram bem, identificando um no outro a mesma sagacidade e a mesma ambição. No último ano da faculdade, o interesse em comum numa pesquisa sobre adrenalina, experiências de quase morte e poderes sobrenaturais lhes oferece uma possibilidade antes inimaginável: de que uma pessoa, sob as condições certas, seja capaz de desenvolver habilidades extraordinárias. No entanto, quando colocam em prática essa teoria, as coisas dão muito errado. Dez anos depois, Victor foge da prisão, determinado a encontrar seu antigo amigo ― agora inimigo. Para localizá-lo, ele conta com a ajuda de uma garotinha, Sydney, cuja natureza reservada esconde uma habilidade sem igual, mas extremamente perigosa. Enquanto isso, há dez anos Eli tem uma única missão: erradicar todas as pessoas ExtraOrdinárias que encontra ― exceto sua ajudante, Serena, uma mulher enigmática e persuasiva, capaz de impor sua vontade a qualquer um. Armado com poderes terríveis e movido pela lembrança da traição e da perda, Victor caça seu arqui-inimigo em busca de vingança e de um embate no qual sabe que um dos dois deve morrer."
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