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RESENHA As Dez vantagens de morrer depois de você

23 de setembro de 2019


 Oi pessoal, aqui é a Thais e vim falar hoje desse livro super amorzinho que, no começo me deixou um pouco com o pé atrás, porque geralmente sou um pouco chata com os livros que leio, mas acabou me conquistando em poucas páginas. Ele geralmente não é o meu tipo de leitura, mas eu decidi me arriscar dessa vez e acho que valeu a pena. Sem falar que fiquei até um pouco mais empolgada quando descobri que a autora é nacional e que ela é um amorzinho de pessoa, falo isso porque consegui conversar com ela via insta e ela foi super atenciosa comigo. O que rende uns pontos a mais. Mas de forma geral, é um livro que pesa, mas ainda assim é doce, que faz você rir e também chorar.  

 Gabriela e Júlia são melhores amigas e polos totalmente opostos. Enquanto Júlia é espontânea e tem um espírito aventureiro, gosta de viver a vida com intensidade, Gabriela é tranquila e não se arrisca a sair de sua zona de conforto. Em uma tarde de tédio, as duas resolveram criar dez desafios/desejos absurdos para que a outra realize caso uma delas morresse. Parecia algo bobo, porque aos dezessete anos a morte parece uma realidade distante, algo que elas realizaram não antes dos 70 anos mais ou menos, no entanto, tudo muda quando Júlia morre em um trágico acidente de carro e Gabriela se vê na obrigação de realizar os desejos que sua melhor amiga criou para ela. De um a dez, distribuídos em envelopes coloridos, os desejos de Júlia vão virar a pacata vida de Gabriela de cabeça para baixo e a arrancar completamente de sua zona de conforto.

 Entre saltar de paraquedas, distribuir abraços em meio a Paulista (tem que ter coragem para isso) e começar a ter aulas de dança, além de lidar com o luto, a saudade de sua melhor amiga e um enorme conflito de sentimentos, Gabriela passa a conhecer mais sobre si mesma, sobre o que quer e sobre seus próprios desejos. E vai descobrindo nesse processo que há mais na vida do que apenas o razoável e que as coisas podem ser divertidas quando você se abre para o mundo.
“A Júlia está no meu armário, em cada roupa que me fez comprar. A Júlia está nas minhas opiniões, que ajudou a formar. Brigamos por tanta coisa que é até difícil enumerar: por causa do meu primeiro beijo, porque sempre tive poucos desejos, pelo meu mais ou menos, brigamos só por brigar. Para ela, antes ser péssimo que apenas bom. Já eu me contento com o razoável. Para a Júlia, melhor nem viver se for só para existir. E eu prefiro permanecer a inventar. Opostas complementares, éramos assim. E agora me falta a outra metade.”


 Meu Deus, o que dizer depois dessa leitura? Eu não sei direito. A Gabriela é aquele tipo de pessoa que tem medo de sair da zona de conforto, ela não gosta de se arriscar, é como se fosse para tudo apenas seguir o fluxo e ela se contenta com isso. Se contenta com as coisas sendo razoáveis. Totalmente o oposto de sua melhor amiga, Júlia, que parece ser a espontaneidade em pessoa, aquela amiga louca que sempre tem as ideias mais absurdas e divertidas (embora a Gabriela não topasse quase nenhuma delas). É como se elas fossem um tipo de equilíbrio perfeito. E a morte da Júlia quebrou isso, desestabilizou completamente a vida da Gabriela. Era com a Júlia que ela sempre estava, presas em sua própria bolha que não era aberta a outras pessoas, sempre indo uma na casa da outra, e era a Júlia que arrancava Gabriela do seu comodismo e a fazia viver mais. Imagina o quanto deve ser horrível e doloroso você estar no último ano do colégio, cheia de expectativas, e sua melhor amiga da vida toda morrer de repente? Não tem como não se sentir quebrada com isso.

 Acho que essa é uma das partes mais pesadas do livro, porque mostra todo o processo de luto que a Gabriela enfrenta, toda a dor emocional e aquela perda de sentido da vida que passamos quando perdemos alguém que amamos. Alguém que é como uma parte de você. Imagina isso na adolescência, quando tudo parece ainda mais confuso nas nossas vidas. Os envelopes com os desejos da Júlia representam um vínculo com ela, a presença dela ainda pairando na vida da Gabi e a estimulando a fazer as coisas que a Júlia sabia que ela nunca faria. Saltar de paraquedas, fazer aulas de dança, distribuir abraços em meio a Paulista, se apaixonar... Todas parecem ideias absurdas para uma garota cuja a espontaneidade não está no topo da lista. Mas é engraçado ver que mesmo resistindo um monte, se negando e se revoltando, a Gabriela vai gostando e aproveitando cada uma dessas experiências. É legal também ver o quanto ela começa a amadurecer (levando vários tapas na cara nesse processo) um pouco mais e a viver realmente ao realizar esses desejos. Eu comecei o livro me sentindo triste por ela (pena não, porque isso é horrível), porque perder alguém como ela perdeu a Júlia é difícil pra caramba, e embora eu entendesse o estado em que ela estava, também fiquei extremamente furiosa e revoltada com vários dos comportamentos dela. Tinha horas que eu fechava o livro e sentia vontade de entrar nele e dar uns tapas na cara da Gabriela. E ficava, “filha, que droga você está fazendo?”. Embora todos as mancadas dela tenham sido necessárias para o seu amadurecimento.

 Apesar disso, eu parava para pensar depois que lia os capítulos que muitas das atitudes dela (algumas pelo menos, porque em outras ela realmente merecia uns tapas verbais) não estão muito diferentes das muitas que nós mesmos tomamos, principalmente na idade dela. Então quem sou eu na fila do pão pra julgar ela? Apesar de ser revoltante, eu não pude deixar de ver, mesmo que superficialmente, traços que se enquadrem com a minha própria vida. E isso tornou a experiência de leitura ainda melhor. Gostei de ver a evolução do amadurecimento da Gabriela, de mesmo que tenha sido um processo lento, ela tenha passado a enxergar mais além do que a pequena bolha onde se mantinha confinada, gostei do quanto ela começou a viver a vida por conta própria para além dos desejos da Júlia e de toda a sua superação. E também adorei poder mergulhar em todas as loucuras pelas quais ela teve que passar para realizar cada um dos desejos. O Fabinho, seu melhor amigos depois da Júlia, é um ícone que me fez rir muito. O Lucas é uma maravilha, amo as conversas dele e da Gabriela, apesar de as vezes serem menores do que deveriam, gosto da Júlia também, apesar de ela aparecer apenas como flashback. Mais principalmente, amo seu Toninho e dona Mirtes, por serem o casal mais fofo que esse mundo já viu.

 Essa é uma história de amor, mas não como todos estão acostumados. É uma linda história de uma amizade sincera. Fernanda de Castro Lima mostra em toda essa história a importância de viver e aproveitar cada momento com intensidade, de se entregar e se permitir ser aberta para o mundo e, sobretudo, sobre a importância da verdadeira amizade.

 A história corre rápido e em certos pontos parece que devia ser mais explorada, mas dai você percebe que é a vida de uma adolescente, que não está exatamente presa dentro de uma caixinha, e que o modo como a história vai se passando de um capítulo para o outro é como os dias vão passando na vida mesmo, sem se prender tanto a certos detalhes. Acho que é um dos traços mais originais da história. A escrita da autora é muito amorzinho e muito fácil de ler, flui de uma maneira que deixa a leitura muito gostosa. Além disso,  história toda é narrada em primeira pessoa pelo ponto de vista da Gabriela, os capítulos são curtos e em vários momentos há flashbacks dos momentos dela com a Júlia, alternando o passado e o presente, o que nos faz conhecer um pouco mais de como era a personalidade da garota que criou os desejos e mostra um pouco mais o impacto que isso causa na personagem. Gostei muito da capa livro também, porque combinou muito com o teor da história, além disso, amei a sacada do título do livro e essa dupla significação para ele, demorei um pouco para perceber isso, mas fez todo o sentido.

 Passei por autos sentimentos durante essa leitura, de tristeza, diversão à raiva, para depois chegar no último capítulo, no último desejo, com os olhos marejados. A história passa uma mensagem bonita, e não tem como ver tudo pelo que a personagem passa sem se sentir mesmo que minimamente mexida. Sem ter aprendido nada com a experiencia dela. Eu com certeza aprendi alguma coisa com essa leitura, talvez até sobre mim mesma. É um livro que, para quem gosta desse estilo de leitura, vale a pena.

“Agora eu tenho dezoito anos e preciso reaprender a viver. Um dia por vez, hora a hora, minuto a minuto. E aceitar que começar uma nova jornada não vai diminuir a anterior.”


Título: As Dezvantagens de Morrer Depois de Você
Autora: Fernanda de Castro Lima
Editora: Verus
N° de Páginas: 252
Sinopse: “Gabriela Muniz tem dez desafios a cumprir, um mais desconcertante que o outro. Saltar de paraquedas é só o começo – ela ainda vai ter que distribuir abraços a desconhecidos, aprender a dançar, cantar para uma multidão, entre outros itens da lista que sua amiga Júlia deixou para ela. A ideia surgiu em uma tarde em que as duas não tinham muito o que fazer: inventar dez coisas para a amiga cumprir caso a outra morresse. E que fossem coisas absurdas, já que, aos dezessete anos, a morte era algo muito, muito distante. Mas, quando Júlia sofre um terrível acidente, resta a Gabriela a memória de sua melhor amiga – e a lista de desafios, que agora terão de ser cumpridos. Em situações que tiram a pacata Gabriela completamente de sua zona de conforto – é sério que a Júlia incluiu “Se apaixonar” na lista? -, ela talvez aprenda que a vida pode ser mais leve quando vivida com alegria e intensidade, e que coisas mágicas acontecem quando a gente se abre para o mundo.”
*Exemplar cedido em parceria com a editora.

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