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RESENHA Uma surpresa na primavera

2 de janeiro de 2020


Se tem uma série que eu amei acompanhar desde o comecinho, certamente foi essa das Irmãs Shakespeare, o primeiro livro, Um verão na Itália, que você pode acompanhar a resenha AQUI , veio na caixinha VIB e certamente é uma das minhas quase comédias românticas favoritas, o modo divertido e o tom de gato e rato me fizeram dar boas gargalhadas, logo depois veio Um amor de inverno, que você pode conferir a resenha AQUI esse definitivamente foi o meu livro favorito dos três publicados, há uma carga dramática muito mais intensa, os personagens são mais aprofundados e o tom de inverno e natal me deixaram suspirando por diversas vezes, e então veio Uma surpresa de primavera, eu não sabia o que esperar dessa narrativa, se tratando da mais velhas das irmãs, eu só sabia ficar curiosa para saber o que essa história nos reservava, Lucy  é a irmã mais madura, ela é bem mais racional, pensa em sua carreira e no seu futuro, é uma mulher que batalhou demais para conquistar tudo o que tem e atualmente é referência como advogada, obviamente não há lugar para paixões passageiras, principalmente quando o alvo é um dos seus clientes, como se não bastasse, o cenário das Terras Altas é maravilhosamente construído e pra variar, te faz querer viajar mais e mais.


Quando adolescente, Lucy teve que assumir o controle de sua casa, cuidar do pai, irmãs e atualmente ela continua do mesmo jeitinho, sedenta por controlar tudo ao seu redor e com barreiras altamente construídas para que nada abale tudo o que já construiu. No entanto, quando é designada para tratar do caso de Lachlan MacLeish, tudo muda. Não estava nos planos se apaixonar por seu cliente, Lachlan é o filho ilegítimo de um homem bastante rico que veio a falecer, herdou por direito uma propriedade na região das Terras Altas e consequentemente o título de laird de Glencarraig, e assim se tornando automaticamente líder do Clã MacLeish, mas seu irmão não aceita isso tão facilmente e trava uma batalha judicial para conseguir a propriedade e o título, Lucy é a única que tem talento profissional suficiente para ganhar essa luta nos tribunais e Lach sabe disso, só precisa saber separar amor e trabalho.

Como mencionei, Lucy é a mais velha das irmãs e precisou assumir grandes responsabilidades ainda jovem, isso a tornou uma mini adulta, sempre cuidando de tudo e controlando as coisas, cabe lembrar que isso não é uma crítica, mas sim algo que ainda reverbera na Lucy adulta, ela cresceu, se tornou uma excelente profissional mas continua controlando sua vida de maneira bastante cuidadosa, para que nada saia do controle, isso também acontece em sua vida amorosa, ela construiu muros tão altos que não há espaço para paixões, seu trabalho e sua família vem em primeiro lugar, qualquer coisa além disso pode estragar tudo o que já construiu, mas Lachlan é um homem bonito, bastante bonito diga-se de passagem e isso não pode passar despercebido, quando se encontram pela primeira vez tentam a todo custo disfarçar a atração mas é impossível não perceber, Lucy tenta ser profissional ao máximo, mas Lachlan sabe como provocar e provar que sente o mesmo que ela e não há motivos para esconder, até tudo tomar um rumo correto há tanta coisa para acontecer...


Acredito que esse seja um romance sobre se permitir, Lucy passou por muita coisa e não quer se abrir para o novo, há uma carreira para zelar e amar é perigoso, mas até quando isso? Lachlan também segue a mesma linha, é um cara que não faz nada além de trabalhar, vive apenas para isso e quando encontra a advogada percebe que sente falta de algo que nunca viveu, mas que pode sim ser maravilhoso. Enquanto trabalham juntos para vencerem a batalha judicial, os dois vão tentando se encontrar nesse romance, se descobrindo e se permitindo também, ambos são bastante gentis e esse é o diferencial da obra, por se tratar da irmã mais velha, tudo é muito mais maduro, sem tempo para enrolação e pequenos dramas, sabem o que querem e trabalham por isso. Apesar de não ter sido o meu livro favorito dessa série, a leitura foi extremamente prazerosa, a autora segue maravilhosa em suas descrições sobre as cidades e você é capaz de visualizar a grama verdinha sem qualquer dificuldade, além disso há toda uma explicação sobre as Terras Altas, as histórias dos clãs e tudo mais, você não fica perdido em momento algum. Quando você pensa que não há saída para esse romance, pois os dois são pessoas absurdamente ocupadas, Carrie dá um jeitinho pra lá de romântico pra tudo dar certo, é isso que amo na autora.

Ainda há mais um livro para fechar essa série mas já digo com toda a certeza que amo cada uma dessas irmãs, cada uma bastante única mas todas apaixonantes. Vale lembrar que as outras irmãs circulam durante a história pois moram longe e sempre estão se falando. Para quem amam romances fofos e com personagens com histórias distintas mas que te envolvem de maneira bastante única, além de cenários que são de tirar o fôlego, essa série é pra você.


Título: Uma surpresa na primavera
Autora: Carrie Elks
Editora: Verus
N° de Páginas: 308
Sinopse: "Perder o controle nunca foi tão bom... O aguardado terceiro volume da série As irmãs Shakespeare. Lucy Shakespeare é uma advogada de sucesso e, além de ser a mais velha das quatro irmãs, está acostumada a controlar tudo e todos ao seu redor, principalmente a si mesma isto é, até conhecer o lindo Lachlan MacLeish. Lachlan contratou Lucy porque ele precisava da melhor advogada para defender sua herança, a propriedade de Glencarraig, que está subitamente em risco graças ao meio-irmão desonesto. Glencarraig é o único lugar onde as lembranças da família de Lachlan são felizes, e ele não vai desistir disso tão facilmente No meio de todo esse problema, a última coisa que ele quer é uma distração, mas, assim que vê Lucy, percebe que está em apuros. Apesar do esforço de ambos, não demora muito para que Lucy deseje quebrar todas as suas minuciosas regras. E, enquanto viajam da Escócia para Paris e Nova York, ela não pode deixar de se perguntar: Será que, às vezes, vale a pena arriscar tudo?"

RESENHA O amor não é óbvio

30 de dezembro de 2019


Eu não poderia terminar o meu ano de 2019 com leitura melhor, de verdade! O amor não é óbvio foi um sucesso de leituras online e acabou sendo publicado pela Galera Record, selo que amo e que defende coisas que acredito demais, assim que recebi o pacotinho aqui em casa fiquei louca para desvendar a história que Elayne Baeta tinha pra contar ao mundo, nada poderia ser mais fofo e aconchegante que a história de Íris Pêssego se descobrindo enquanto se apaixona por Èdra Norr. Tudo acontece de uma forma tão gostosinha que quando vi já tinha lido quase 400 páginas sem nem perceber, e assim Elayne ganhou mais uma fã.


Aqui vamos conhecer a história de Íris Pêssego, uma garota bastante normal e que até então passava despercebida na escola, pois é muito mais fácil sofrer por sua paixão platônica escolar (Cadu Sena) quando ninguém te conhece. E é exatamente isso que acontece, durante muito tempo Íris foi apaixonada por Cadu e apenas sua melhor amiga Polly sabia disso, ele jamais notaria uma garota como ela, ainda  mais quando o mesmo namora Camila, a garota mais popular da escola. Mas tudo muda quando Cadu aparece sozinho e cabisbaixo pelos corredores, logo a fofoca se espalha e o assunto da cidade vira outro, Cadu foi trocado por uma garota, alguém até então nunca visto, não por Íris, mas ela não consegue aceitar essa troca tão facilmente, como um garoto tão incrível quanto ele poderia ter  sido trocado por uma menina? Isso merece estudo, uma pesquisa séria! E então Íris torna Èdra Norr o seu corpus de análise, passa a segui-la sutilmente e observa as suas atitudes para entender o que ela tem de tão especial, ela só não esperava se apaixonar também, afinal, o amor não é óbvio.

“No fundo do fundo do nosso âmago, a gente sabe quando está fugindo de algo, na mesma intensidade que a gente sabe que uma hora terá de encarar isso.”

Essa história já começa perfeita porque a protagonista esconde um segredo no mínimo fofo, ela assiste a novela Amor em atos com sua vizinha, uma senhora muito simpática, ambas passam um tempo envolvidas com os capítulos e tentando entender que fim essa história terá, Dona Símia sempre lhe oferece chá ao final de cada capítulo, ela nega e sinceramente, essa é a metáfora mais perfeita que existe para essa história. Para além disso, existem outras questões para serem tratadas, como por exemplo o fato de Cadu agora estar solteiro e Íris finalmente ter uma chance com o cara que sempre quis, mas ela também precisa priorizar a sua pesquisa e entender o que Édra tem de tão incrível, além de dar conta da escola é claro.


Eu gostaria muito de ter lido uma história como essa na adolescência, para entender o que eu sou, o que eu gosto realmente e o que me foi imposto socialmente, Íris é uma garota doce, eu a amei assim que vi sua relação com sua vizinha Dona Símia, ela é cuidadosa com a senhorinha, sempre muito querida e não abre mão da sua companhia, Elayne foi muito feliz em introduzir uma personagem mais velha nessa narrativa, dando sábios conselhos e sendo tão simpática. Além disso, a protagonista é uma garota normal, com dificuldades reais e que questiona os estereótipos criados muitas vezes, que demora a perceber que está apaixonada mas quando percebe, age como quem ama, sem medo algum.

Já Édra eu tive um pouquinho de dificuldade para entendê-la no início, sempre enigmática de poucas palavras, inicialmente eu via Édra apenas com os olhos dos habitantes de São Patrique, mas quando passamos a conhecê-la melhor, tudo muda, ela é destemida, corajosa e acima de tudo muito romântica.


Ver esse casal acontecendo é muito divertido, Íris tenta tratar tudo como um simples experimento, uma pesquisa, mas não adianta, é notável que está se apaixonando aos pouquinhos e Édra é tão paciente nesses momentos que tenho vontade de abraçá-la. Tudo acontece de maneira tão genuína que ao final eu só queria pedir mais, porque me apeguei até nos pequenos detalhes dessa cidadezinha.

Alguns personagens secundários também merecem destaque, como Dona Símia, que já demonstrei todo o meu amor, Cadu, que parece ser um mala inicialmente mas me surpreendeu demais, Mamau que é um amor e me deixou curiosa para saber sobre sua história, ou seja, a cidade em si possui um leque de personagens que certamente também mereciam uma história. O projeto gráfico ficou excelente, a capa é linda e rendeu boas teorias no twitter, sobre quem inspirou a autora e tudo mais, a obra possui letras confortáveis e ilustrações feitas pela própria autora. 

Fecho meu ano com uma leitura que me fez entender o amor entre duas garotas e torcer por elas mais do que tudo (Além da vontade de andar de bike também). É importante ver histórias como essa finalmente ganhando espaço e recebendo a atenção que realmente merecem, Elayne conseguiu colocar na lista dos mais vendidos o primeiro romance lésbico da história, isso é extremamente reconfortante e só posso vibrar, sabendo que uma história como essa está alcançando cada vez mais pessoas. 



Título: O amor não é óbvio
Autora: Elayne Baeta
Editora: Galera Record
Nº de Páginas: 392
Sinopse: "Íris tem 17 anos e está viciada na novela "Amor em atos". Ela e sua vizinha, Dona Símia, de 68 anos, não perdem um episódio. Na escola, parece que todo mundo só pensa em duas coisas: na festa de formatura e em perder a virgindade. Só que a vida de Íris está prestes a mudar: Cadu Sena, sua paixão platônica desde a oitava série, está solteiro. Essa é a chance de Íris. Mas antes ela precisa entender o que levou a namorada de Cadu a deixá-lo por uma garota, Édra Norr. Montada em sua bicicleta, Íris vai cruzar São Patrique para descobrir tudo sobre Édra, e não vai demorar para se enredar também nos encantos da garota. A gente sempre acha que sabe por quem vai se apaixonar, mas o amor não é óbvio." *Exemplar cedido em parceria com a editora. 
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