Posts Recentes

O terror presente em Bom dia, Verônica

29 de janeiro de 2020

Eu nunca sei o que esperar das obras que Raphael Montes, Bom dia, Verônica talvez seja a concretização disso, da maneira mais literal possível. Já li outras obras do autor e é como se o mesmo tivesse algum tipo de aura que envolve o leitor, você abre o livro de maneira totalmente despretensiosa, sem esperar muito e quando dá por si, já se passaram duas horas e você não consegue mais largar essa história, porque a cada minuto tudo muda, os mocinhos nunca são totalmente mocinhos, os vilões são tão humanos que podem ser qualquer pessoa ao seu redor, tudo é muito real. Bom Dia, Verônica foi lançado tem um bom tempo, com outra capa e sob o pseudônimo de Andrea Killmore, ninguém fazia ideia de quem era essa autora, uma novidade no mundo literário que amava a descrição, mal sabíamos que tudo isso era uma excelente jogada de dois autores nacionais incríveis. Em 2019 durante a Bienal do Livro, Raphael Montes e Ilana Casoy assumiram a autoria da obra, abriram o jogo sobre tudo, mantiveram o pseudônimo porque escrever em conjunto nunca é fácil e porque essa história nos reservava muitas outras surpresas... Com nova capa e ainda mais motivos para leitura, resolvi me aventurar para entender o que essa narrativa tinha de tão especial, li em dois dias e nunca me orgulhei tanto da literatura nacional.


Verônica Torres leva uma vida bastante pacata e sem sal, escrivã que mal sai da delegacia, sua vida não é uma aventura policial como ela esperava, nada acontece e todos os dias são iguais, até quando seu chefe recebe a visita de uma vitíma desesperada que ao sair do escritório se joga da janela do prédio, Verônica viu tudo e não consegue esquecer a cena e nem o olhar da moça, ela parecia tão perdida. A protagonista decide não ignorar os seus instintos investigativos e PRECISA entender o que aconteceu, o que motivou o suicídio e porque aquela mulher parecia tão machucada fisicamente e emocionalmente. Desse modo, Verônica se envolve em uma busca implacável pelo culpado por essa situação.

A protagonista, sem pensar nas consequências começa a investigar toda a vida de Marta, dos detalhes mais pequenos aos mais absurdos, dos extratos presentes na bolsa da moça, até a ferida que ela aparentava na boca, tudo é prova e precisa ser analisado minimamente. Paralelamente, Verônica recebe uma ligação anônima de alguém que simplesmente denuncia o próprio marido assassino, mas como descobrir quem é? Como desvendar isso sem perder o emprego? Como não morrer? Verônica investiga dois crimes diferentes e igualmente absurdos de modo solitário, ela e seu instinto, indo ao máximo para conseguir a verdade. 

Esse livro tem tanta coisa incrível que nem sei por onde começar! Sobre os crimes, tratam de situações tão reais e que precisavam ser colocados de modo sincero na literatura, afinal, quem nunca conheceu alguém pela internet e não pensou nos perigos de conhecer pessoalmente alguém que até então você não faz ideia se realmente é quem diz ser? Para entender o suicídio de Marta a protagonista resolve criar um perfil em uma espécie de Tinder para encontrar o homem que enganou essa mulher, marca encontros e filtra um a um, até chegar ao seu alvo. Ao mesmo tempo, Verônica mantém uma relação fiel com Janete, a pessoa que ligou para denunciar o próprio marido, as duas tentam arduamente encontrar modos de entender o que esse homem faz e buscam meios para puni-lo, mas isso pode acontecer tarde demais.


O que mais amei nessa história foi o olhar de ambos os autores para materializar Verônica, ela é alguém muito real, que mente para conseguir o que quer, que muitas vezes é mesquinha e mostra as suas fraquezas, alguém que tem medo mas não permite que ele a paralize, e acima de qualquer coisa, ela é alguém que irá te surpreender todo o tempo, quando você pensa que não há mais saída, Verônica arromba uma porta, literalmente. Ao final da história eu só sabia ficar de boca aberta pela genialidade dos autores na descrição e motivação dos crimes, Raphael e Ilana não usaram de nenhuma artimanha internacional, não copiaram nada de nenhum suspense estrangeiro, esse é um suspense psicológico nacional ao extremo, é simplesmente genial. Para além disso, a ambientação é excelente, você consegue visualizar muito bem todas as cenas e a estrutura narrativa é tão gostosa que em momento algum você se sente cansado, apesar de ser uma leitura bastante densa. Pra Variar a editora Darkside foi impecável na edição e pra quem é apaixonado por suspenses vem ainda mais novidade! A Netflix comprou os direitos da obra e ela já está sendo produzida, além disso, Bom dia, Verônica ganhará mais duas continuações, o ano de 2020 promete muitas novidades por parte dessa escrivã.

Título: Bom dia, Verônica
Autores: Raphael Montes e Ilana Casoy
Editora: Darkside
Nº de Páginas: 256
Sinopse: "A rotina da secretária de polícia Verônica Torres era pacata, burocrática e repleta de sonhos interrompidos até aquela manhã. Um abismo se abre diante de seus pés de uma hora para outra quando, na mesma semana, ela presencia um suicídio inesperado e recebe a ligação anônima de uma mulher clamando por sua vida. Verônica sente um verdadeiro calafrio, mas abraça a oportunidade de mostrar suas habilidades investigativas e decide mergulhar sozinha nos dois casos. Um turbilhão de acontecimentos inesperados é desencadeado e a levam a um encontro com o lado mais sombrio do coração humano."

6 comentários:

  1. Oie, achei a premissa do livro meio Harlan Coben sabe? Tipo a vítima pah se joga e dai uma pessoa aleatória que vê tudo começa a se meter.. Adoro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Tem coisa mais gostosa do que confusão? Porque livros assim instigam nossa mente a ler. Adoro a escrita do Raphael ele é um dos melhores escritores do Brasil! Vou ler o livro

    ResponderExcluir
  2. Eu já li todos os outros livros do Raphael, menos esse. Acho que o fato de juntar duas pessoas que eu amo e admiro tanto, me faz ficar postergando a leitura,não me pergunte o motivo kkkk
    Eu gosto bastante da forma como ele faz terror e juntando com a Ilana que é um ser de outro mundo e que escreve sobre criminologia como nenhuma outra pessoa aqui no Brasil, só poderia dar muito certo. Quem sabe esse ano eu consigo criar coragem pra finalmente devorar esse livro né?!
    Adorei tuas fotos!

    ResponderExcluir
  3. Oi Dayhara.

    Eu tenho muita vontade de ler esse livro quando ainda era a capa anterior, mas até o momento ainda não tive a chance de lê-lo. Eu adorei conhecer um pouco mais sobre a história. Eu ainda não li nada da Ilana,mas já conheço a escrita do Raphael e é sensacional. Até fico imaginando como será o desfecho deste livro. Parabéns pela resenha, adorei.

    Bjos

    ResponderExcluir
  4. Nossa esse livro deu o que falar e ainda está dando o que falar né, bom, ler não lerei, não faz em nada minha pegada, não gosto mesmo, mas quem sabe eu assista na netflix quando sair. Adorei saber sua opinião sobre, parabéns.

    Bjs

    ResponderExcluir
  5. Eu pensei que essa obra se tratava de um terror bem pavoroso, mais fiquei totalmente surpresa ao me deparar com sua opinião que vem me mostrar um outro lado dessa história que não conhecia. Com uma personagem real e muito bem construída que vem trazer seus medos mais como isso não a impede de seguir em frente. Outra surpresa foi saber que essa obra será adaptada para Netflix e que esse ano haverá a publicação da continuação.

    ResponderExcluir
  6. Oie, tudo bem?
    Eu confesso que nunca tive curiosidade de ler nada do Raphael Montes. Como não leio muito suspense e nunca leio terror, os livros dele não despertam minha curiosidade. Pelo que eu vi na sua resenha a trama foi muito bem construída e é tudo muito realista na história. Aliás, a Verônica parece ser uma personagem incrível.
    Adorei sua resenha e fico muito feliz que tenha gostado tanto da leitura. Não faz meu estilo, mas acredito que para quem gosta do gênero é uma ótima indicação.
    Beijos!

    ResponderExcluir

Todos os direitos reservados 2019 |
Desenvolvimento por: Suelen Marques - Web Design
Para o topo!