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O tempo e o vazio em Trilogia do adeus

26 de maio de 2020


 Qual é o peso do tempo? Como se mede o que te resta? Por que você se preocupa com o que está por vir, ao invés de se preocupar com o que está acontecendo agora? Qual é o peso da cautela de frente ao amor? Carrascoza tem todas as respostas.


 A trilogia do Adeus faz parte daquelas obras que sempre vi de longe mas nunca achei que entenderia, enrolei essa leitura o quanto pude, mas dei de cara com uma citação em determinada rede social e não aguentei. Dividida em três cadernos, vamos entender o valor do tempo e do afeto de maneiras diferentes, no primeiro, Caderno de um ausente(meu favorito) vamos conhecer um pai, apaixonado pelo sua filha que acabou de chegar ao mundo e que tem um desespero por registrar todos os detalhes, essa necessidade vem porque ele é um homem mais velho, que já passou da idade de ser pai e que sabe que não terá muito tempo para aproveitar a filha que acabou de chegar ao mundo, ele aborda situações cotidianas e amenas, de maneira tão detalhada e cuidadosa, na intenção de registrar para a filha o máximo que conseguir. É aí que você começa a se confrontar a respeito do tempo, um homem com os dias contados, dando todo o seu amor para alguém que tem tempo demais e ainda não entende nada, é carinho na sua maneira mais plena.



 Já no segundo caderno, Menina escrevendo com o pai, recebemos a obra de maneira inversa, aqui é a filha escrevendo para um pai que já não se faz mais presente, sendo grata por cada uma das observações que ele fez, e colocando sua voz no mundo de maneira madura. O último, A pele da terra, temos a visão do outro filho, que pouco é mencionado nas obras anteriores, na terceira obra ele já está mais velho e tenta encontrar a linha tênue, o cordão umbilical que alimenta o afeto entre ele e o filho, por meio de uma viagem a dois, ambos vão se encontrando, se descobrindo e se notando no outro, novamente a velhice em frente ao espelho da juventude, o reflexo do eu refutando o desconhecido.



 Cada obra parece ser escrita por uma pessoa diferente, o primeiro me tocou de maneira imensurável, a ternura do pai ciente de que tem pouco tempo com a filha, o seu cuidado em explicar até a menor das coisas é de uma acuidade dolorosa, o segundo tem um ar totalmente jovial, de quem quer descobrir o mundo, de alguém que recebeu uma herança valiosa e que vai fazer valer a pena. O terceiro fecha de maneira densa, amarrada mas real, cumprindo a proposta da narrativa. Carrascoza é um dos meus autores favoritos porque tem um jeito diferente de fazer a leitura andar, ele te pega pelo descuido, te ganha na simplicidade de amar, quem diria que tanto pode se falar do tempo? Quando se trata de estética, a trilogia tem uma proposta diferente, o box(esse aí da capa aqui azul aqui abaixo), tem um tamanho pequeno, pois os três livros são pequenas cadernetas, em formato e fonte diferente, como se de fato alguém usasse cada um desses caderninhos para uma espécie de diário, uma maneira cuidadosa de mostrar o valor de cada pequeno detalhe.







Título: Trilogia do adeus
Autor: João Carrascoza
Editora: Alfaguara
Sinopse: "Nesta trilogia, João Anzanello Carrascoza oferece um panorama que se estende através do tempo para falar da relação fragmentada das famílias. No primeiro livro, Caderno de um ausente (vencedor do prêmio Jabuti 2015 e reeditado agora pela Alfaguara), o pai João escreve uma longa carta para a filha recém-nascida, Beatriz, para o caso de não estar presente no futuro dela. Já no segundo volume, Menina escrevendo com pai, é Bia quem responde, narrando a vida e o relacionamento dos dois. Por fim, em A pele da terra, Mateus, filho mais velho de João e irmão de Bia, narra sua relação com próprio o filho, outro João, durante uma peregrinação. Um olhar tríplice sobre os vínculos entre pais e filhos, e sobre como pequenas ações do cotidiano nos marcam para sempre."  











6 comentários:

  1. Oii!

    Que obra curiosa e tocante! Eu não conhecia, nem o livro, nem o autor e gostei da forma que as obras foram escritas e como te tocaram profundamente, isso muito bacana!

    Eu consegui perceber como o primeiro livro te tocou e fiquei mais animada para ler. As fotos estão lindas também! Gostei bastante.

    dica anotada!

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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  2. Oi Dayhara.

    Eu não conhecia a trilogia do Adeus e através da sua opinião confesso que fiquei bem curiosa para lê-los. Parece ser uma leitura tocante e gostei de saber que as histórias abordam temas do cotidiano. Obrigada pela dica.

    Bjos

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  3. Ainda não conhecia essa obra, acredita? Vendo sua resenha já deu pra perceber que ele é marcante, principalmente por saber que cada parte é escrita por uma visão diferente. Isso, sem dúvidas, traz uma sensação diferente para o enredo e nos marca de alguma forma. Vou anotar a dica!

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  4. Oi, Day.
    Essa obra parece ser linda e, por toda a sua resenha, deu para sentir a sua emoção com o que leu! Deve ser muito interessante acompanhar a a escrita do autor em três formas diferentes! Dica anotada!
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  5. Eu já sou um tanto melancólica por natureza e penso bastante no tempo, no passado e no futuro (pouco me concentrando no presente, infelizmente) e antes mesmo de terminar de ler sua resenha eu já corri na Amazon para colocar a trilogia na minha lista de desejados! Quero muito, muito ler! E sei que vou amar, principalmente o primeiro livro que só de ler você falando dele eu já senti vontade de chorar.

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  6. Deu pra sentir que você realmente se envolveu com as histórias. Acredito que deve ser uma leitura bem envolvente, daquelas que nos deixa reflexivos e pensando sobre o livro por dias. Não conhecia Sai da Minha Lente

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